Wolfenstein era legal pela perspectiva, mas o primeiro jogo de tiro em primeira pessoa de cair o queixo foi Doom. Estávamos nos anos 90, consoles não eram supermáquinas, minha barriga era bem menor e meu sonho de consumo era um modem externo US Robotis 28.8 Kbps. Para a galera que ganhou conta no Orkut em anexo a certidão de nascimento e um PlayStation 2 no chá de bebê pode parecer bobo, mas Doom é um clássico. Hoje esbarrei com um link para uma versão em flash e online de Doom. Tem apenas três fases, mas é um bom passa-tempo para os nostálgicos. Se alguém souber de uma versão para Duke Nukem, me avise!
Demorou, mas apareceu, como comentamos aqui no dia 17 de outubro. Segundo o site de notícias G1, a morte da menina Eloá está sendo usado para roubar dados de internautas. Um e-mail, falsamente atribuido ao G1, promete fotos da tragédia de Santo André, mas na verdade instala um arquivo .exe que, ao ser executado, instala códigos maliciosos para roubar informações bancárias e números de cartões de crédito.
Inaugurado em julho, o Google Lively tinha tudo para ser uma versão mais leve do Second Life e, quem sabe, repetir a fórmula de sucesso. Na época, falamos com entusiasmo da empreteitada, apesar de problemas no ambiente, aceitáveis num início de projeto. Mas o Google também erra e o empreendimento deu com os cliques n'água. O Google Lively vai bater as botas em definitivo em dezembro. O anúncio do "falecimento" está em http://googleblog.blogspot.com/2008/11/lively-no-more.html. Aliás, o Seconde Life, depois do hype inicial e das propostas tentadoras de ganhar dinheiro real vendendo objetos virtuais, caiu no ostracismo.
Sentado na espreguiçadeira, checo o e-mail uma última vez e divido a atenção entre o notebook e o amistoso Brasil x Portugal, enquanto Sofia (a gata) choraminga por atenção. Há 30 dias, teria um cinzeiro e um cigarro acesso ao meu lado. Mas há 30 dias, muita coisa mudou. Tive um problema de saúde e fui parar no hospital. Nada grave, foi mais um susto, que no fim das contas chegou em boa hora.
Saí do hospital decido a parar de fumar depois de conhecer seu João, um senhor de mais ou menos 70 anos com sérios problemas respiratórios. Seu João é cadeirante, teve as duas pernas amputadas, segundo ele, por causa do cigarro. Sua história é breve e impactante. "Parei de fumar há 15 anos e até hoje tenho seqüelas. Fiquei assim por causa do cigarro. O médico virou pra mim e disse: João, vou ter que amputar a sua perna. E se você não parar de fumar, ano que vem vou ter que amputar a outra. Meu filho, o pior é que não levei fé no médico", disse após uma pausa dramática para olhar em minha direção.
Ter passado cinco dias internado sem sequer cogitar fumar, ver um cigarro ou sentir o cheiro de tabaco queimado facilitou o sacrifício dos primeiros dias. Mas foram só os primeiros dias. Como já me disseram vários ex-fumantes, a vontade de fumar será uma companheira fiel e persistente. Conheço quem sinta essa vontade todos os dias, e quem tenha se deparado com ela de súbito, após oito anos, como quem encontrasse de chofre a ex-mulher num lugar que ela sempre destestou.
Cigarros para mim são, ou melhor, eram, um hábito noturno. Conheço ex-fumante que acendia um cigarro ao acordar, antes mesmode desligar o despertador. Não era o meu caso. A vontade sempre me veio mais forte no fim da tarde, depois de um café, ou com um chope ao sair do jornal. Tenho conseguido passar os dias razoavelmente bem sem o cigarro. Mas à noite, principalmente em casa, lendo, escrevendo ou vendo TV, a fissura aperta. Força do hábito. Ora, foram mais de 20 anos fumando contra apenas 30 dias longe do velho parceiro, um placar bem desiquilibrado. Ainda não apelei para adesivos nem chicletes especiais, vou na raça mesmo. E Tenho na cozinha um maço de cigarros fechado, que assim predento manter indefinidamente.
O que isso tem a ver com um blog de tecnologia? Nada. É só uma satisfação e um pedido de desculpas a quem acompanha o Digitais e notou que ele andou abandonado.
Tem a ver com tecnologia o novo caderno Digital & Tal, que tem consumido todo meu tempo desde que voltei ao trabalho. O projeto gráfico do designer Saulo Santana ficou show de bola. O objetivo é fazer um caderno ágil, dinâmico, que interaja com o Dia Online e, claro, com os leitores. Por isso, a sua participação é fundamental: votando das enquetes, discutindo nos fóruns, enviando conteúdos, mantendo contato direto com a redação por e-mail, chat, sinal de fumaça, pedrada no vidro, o que pintar. Críticas e sugestões são mais do que bem-vindas.
Aliás, finalizando a apuração da matéria de capa desta semana, sobre casemods, constatei empiricamente (como se vê nas historinhas a seguir) duas idéias que já viraram senso comum. As máquinas também falham, principalmente por causa dos homens que as manuseiam. Um computador sem conexão à Internet é como um carro sem gasolina.
1. O GPS português
O motorista que levaria eu e o fotógrafo Carlos Moraes a Jacarepaguá comprou um GPS e faz questão de exibi-lo, como qualquer fã de tecnologia de posse de um brinquedinho novo. Para quem não sabe andar em Jacarepaguá, um GPS pode ser muito útil, mas estranhei que o piloto ligasse o aparelho já na garagem do jornal. E e estranhei mais ainda que o aparelho falasse com sotaque lusitano. "Vire à direita a duzentos metros. Vire à direita a cem metros", dizia a voz feminina carregando nos erres, numa monótona ladainha. E assim fomos, do Centro à Jacarepaguá, aturando os desnecessários alertas de distância a cada esquina. Tão cega era a confiança do motorista no seu gadget que ele não estranhou quando começamos a subir um morro meio estranho, mais para comunidade do que para condomínio. Subimos, subimos, até que, ao ver uma birosca com mesa de sinuca e bujões de gás empilhados, o fotógrafo alertou que aquilo não aquilo não podia estar certo. Apelei para o método low-tech: perguntar para um transeunte. A resposta: estávamos longe, muito longe do nosso destino. Como este blog é família, não vou transcrever o diálogo pouco amistoso entre Carlos Moraes e o piloto. Localizamos o endereço e fizemos o trabalho, não sem antes amaldiçoar o GPS lusitano, ou pelo menos o cidadão que programou aquele mapa, e o motorista que confiou mais na máquina do que no próprio instinto.
2. Notebook capenga Voltamos sob uma chuva fina, um céu fechado, prometendo tempestade. Comentei com o Moraes: "Se bobear, a gente ainda faz uma matéria de chuva no caminho de volta". Eu estava brincando, só pensava em chegar na redação e começar a fechar o caderno. Moraes, fotógrafo de cidade com mais de 20 anos de estrada, não teve dúvida: "Vai pela Praça da Bandeira". Ele não estava brincando. Paramos sob a passarela. As pistas ainda não estavam alagadas, mas era questão de tempo. Moraes subiu na passarela e lá ficou, clicando. Senti que aquilo ia render e que não adiantava me estressar. Estava ilhado na Praça da Bandeira, sob chuva torrencial, sem perspectiva de sair dali. Era a situação perfeita para sacar um netbook da mochila e bater a matéria para me adiantar. Mas eu não tinha um netbook na mochila (o Mobo e o EeePc estavam com o Feroli, que testou os micrinhos para uma matéria). Por sorte havia levado meu notebook. Apertado no banco de trás do carro, um notebook de 14 polegadas é bem menos conveniente do que um netbook de 10, mas dá-se um jeito. O que não teve jeito foi a falta de rede. Tive que me contentar em para bater as anotações daquele dia e só. Explico. Para não me prender ao computador do trabalho, tenho o hábito de mandar os rascunhos para um disco virtual na Internet. Fiquei tão acostumado com isso que só uso pendrive para arquivos mais pesados, como fotos grandes, áudios. Se estivesse com um minimodem ali, era só baixar o resto da apuração e bater a matéria. Como não era o caso, restou acompanhar o nível da água subindo, motoristas enfrentando o rio imundo que tomava a pista, alguns encalhando como barcos à deriva. Pelo menos o Moares fez a foto de primeira página do dia seguinte.