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Marlos Mendes

Sábado, 30 Maio, 2009

Microsoft reinventa sua busca e Google tenta reinventar o e-mail

Previsões são sempre arriscadas, principalmente se trata de tecnologia. Quantos produtos e serviços foram criados com um objetivo e ganharam usos impensados ao cair nas mãos do público? Orkut e Twitter são prova disso. Quantas prometeram arrasar e acabaram não caindo no gosto dos internautas? Frienfeed é um exemplo. O palpite fica ainda mais arriscado quando tem por base apenas uma apresentação do fabricante e algumas imagens. Mas apesar de escorregadia, a tarefa é irresistível.

Esta semana dois gigantes da tecnologia, Google e Microsoft, anunciaram projetos ambiciosos para a Internet. A Microsoft deve lançar na quarta-feira sua nova ferramenta de busca, chamada Bing, a fim de aumentar sua participação no mercado dominado por Google e Yahoo! e, claro, de olho no faturamento com publicidade. O Google apresentou o que pretende ser a reinvenção do e-mail.

Nas buscas, enquanto o Google tem em torno de 60% e o Yahoo! cerca de 20%, a Microsoft fica na lanterna com menos de 10%. O mote é que o Bing seja mais do que uma ferramenta de buscas, uma ferramenta de decisões. Soa bonito, não? Pela apresentação, parece uma mistura de busca com catálogo, ou seja, uma mistura de Google e Yahoo! com uma pitada de Busca Pé, voltado principalmente para consumo. Por exemplo, para comprar passagens aéreas, localizar um restaurante próximo, e comparar preços. Pelo lado do anunciante parece atraente, mas pelo lado do internauta é uma aposta num padrão de comportamento. Quem digita "sushi" está procurando um restaurante japonês, um site de receitas ou a história do prato japonês? Quem digita o nome de um modelo de notebook procura uma foto, as especificações técnicas, ou uma loja com o melhor preço?

Difícil encontrar alguém disposto a apostar que o Bing abalará de primeira a supremacia no Google. Nem Steve Ballmer, CEO da Microsoft. Na apresentação do Bing ele se esquivou da pergunta e disse apenas que tem uma prazo de anos antes de julgar se a ferramenta alcançou seu objetivo ou não. Disse ainda que teve calafrios na hora de aprovar a verba publicitária para o lançamento.

Como internauta, aplaudo toda iniciativa que aumente a oferta de bons serviços e a concorrência. A supremacia do Google, ou de qualquer outra busca, não é a melhor opção para quem navega. Ficamos reféns de padrões que o Google não revela em detalhes, e de estratégias de otimização de sites (SEO) que muitas vezes colocam no topo das buscas sites que não necessariamente têm o melhor conteúdo. Quando o Google comprou o YouTube, por exemplo, qualquer resultado de busca trazia no topo um ou mais vídeos do YouTube. Não creio que tenha sido por acaso, nem por considerar apenas que os vídeos eram a melhor forma de informação. Pode-se esperar no mínimo que o Bing force o Google a aprimorar cada vez mais sua busca e não se acomodar com a liderança confortável em que se encontra.

Por enquanto a investida do Google é na comunicação e colaboração online. Sem modéstia, o Google Wave pretende mudar o conceito de e-mail. Num cenário de banda larga e incontáveis interfaces de comunicação (Orkut, Facebook, blogs, feeds, MSN, Gtalk, Twitter, wikis), o Google agregar tudo na mesma janela. O internauta cria um Wave e adiciona outros, formando uma rede. Cada membro pode então manipular textos, fotos, vídeos, feeds, documentos em colaboração, agendas e outros recursos, vindos de várias fontes da Web. Mais ainda: haverá uma série de APIs (códigos de programação) para que desenvolvedores criem programinhas que rodem nessa plataforma, como acontece com aplicativos para iPhone, Facebook e Twitter.

A ideia me agrada e muito. Confesso que já ando estressado por ter que passar por tantas redes e serviços e um tanto frustrado por não conseguir manter todas em dia. O Google Wave pode ser uma alternativa para monitorar tudo a distância e dosar melhor a participação em cada serviço. Mas para quem não trabalha diretamente com a Internet e tem mais o que fazer da vida, o barato talvez seja justamente passar de uma rede para outra, conforme a brincadeira perde a graça.

Para variar, a aceitação do público será determinante para dizer se Bing e Wave serão tsunamis ou marolinhas.

Curioso? Então confira os vídeos de apresentação do Bing e do Google Wave.

Quarta-feira, 13 Maio, 2009

Bons motivos para torcer pelo Kindle

Kindle DX com tela de 24cm, perfeito para ler jornais e revistasComo a maioria dos que não vivem na terra natal da Amazon, incluindo os mais ligados em tecnologia, ainda não fui apresentado pessoalmente ao Kindle. Conheço-o apenas pelas fotos e textos que encontrei na Internet. Também foi assim que tomei contato com o iPod e o iPhone, e tantos outros gadgets encantadores -- e duvido ter sido o único. Apesar da observação distante, como de uma estrela de Holywood ou de um ônibus espacial, tive por ele simpatia imediata. E tenho bons motivos para torcer que ele dê muito certo e emplaque, alcançando de fato a status de "iPod do texto".

Lançado pela Amazon.com, originalmente uma loja virtual de livros palpáveis, o Kindle é um dispositivo portátil para ler e armazenar textos e livros. Mais do que isso, e principalmente, para baixar esses textos e livros da Internet. Seja um bestseller ou raridade, pocket ou calhamaço, pode-se navegar no catálogo da loja e baixá-lo para o Kindle, pagando uma tarifa. O leitor tem em mãos as vantagens da Internet e da portabilidade: não é preciso esperar pelo envio do livro impresso, e pode-se guardar entre 1.500 e 3 mil livros no dispositivo, marcar páginas, destacar trechos, entre outros recursos. E a Amazon (além da editora e do autor), têm retorno financeiro para manter o negócio viável. Bingo. Afinal de contas, o problema da Internet não é agradar o internauta, mas fazê-lo pagar por bens imaterias que ele pode ter de graça por outros meios legalmente questionáveis.

Bens imateriais como a notícia. Pesquisas mostram que o internauta resiste a pagar pelo acesso a sites noticiosos (como as versões online de jornais), mas que ele acessa os sites desses jornais. Ou seja: o leitor sabe o valor daquela informação e da credibilidade que está por trás do nome do jornal, mas prefere não pagar, se tiver essa opção. Se a versão online é fechada para assinantes, parte dos leitores foge para alternativas gratuitas, como blogs e outros sites. Afinal, depois que a notícia está na rua, ela pertence a todos, não tem mais dono.

Antes disso há um custo, e um custo alto. Produzir informação de qualidade requer investimento em pessoas e recursos materiais. Depois de publicada, basta um "control C control V" para espalhá-la pelo universo. Ainda não é possível dar um "control C control V" na realidade. Desde que os jornais existem, o leitor pagou pela informação impressa em papel, pagou pelo papel porque esse foi sempre o suporte, a forma de consumir informação. Veio a Internet e o mundo virou de cabeça para baixo.

A indústria da música sentiu o mesmo baque com o MP3, o iPod e genéricos, e, principalmente, as redes de troca de arquivos de áudio pela Internet, a começar pelo Napster -- fechado pela Justiça dos EUA e renascido em vários outros sites, como o Piratebay, atualmente na berlinda. Quem percebeu que o problema não estava na música e nas audiências crescentes, assim como nos talentos que emergiram por conta própria nesse universo digital, leia-se MySpace, mas que o problema estava no suporte, tentou alternativas à venda de música em CD.

Pendrives do White StripesOs exemplos não são novos. Em 2007 a banda White Stripes lançou um álbum em forma de pendrive. Os fãs podiam baixar as músicas ilegalmente pela Internet, sim, mas também podiam pagar alguns dólares para ter essas músicas num pendrive (na verdade dois modelos) com no formato de um boneco de um dos integrantes da banda. Quantos fãs da Madonna pagariam, e quanto pagariam, por um álbum num pendrive com a imagem da cantora? Prince lançou o álbum "Planet Earth" na Inglaterra em CD encartado gratuitamente numa edição dominical do jornal inglês The Mail, pouco antes de começar uma turnê pela Europa. Quantos se interessaram em comprar ingressos para o show depois de ouvir o CD gratuito? O Radiohead colocou todo o álbum In Rainbows temporariamente para download no site oficial, dando ao fã a opção de pagar o quanto quisesse, e até mesmo não pagar. E no Brasil é cada vez maior o número de celulares vendidos com músicas e outros conteúdos de artistas pop, como U2 e Fergie. É improvável que essas alternativas levem a indústria da música a retomar os lucros estratosféricos que sempre teve, mas pode ajudá-la a se reinventar e continuar viável e lucrativa.

Voltando ao Kindle, semana passada a Amazon apresentou o novo modelo De Luxe (Kindle DX), com tela maior do que a do antecessor Kindle 2. A tela de 9,7 polegadas (pouco mais de 24 centímetros), em preto e branco, facilita a leitura de páginas em formato standard de jornal. E o leitor pode assinar a edição digital pagando uma tarifa, baixá-la e lê-la direto no dispositivos. Bingo! O leitor pode acessar o jornal com as facilidades da Internet e pagar um preço justo por isso -- mais barato do que a assinatura convencional. E não precisa estar conectado para ler o conteúdo depois do download. Não à toa, o projeto recebeu apoio de jornais como New York Times e Wall Street Journal. São mais de 30 jornais e 10 revistas. Por enquanto, o esquema vale apenas para os Estados Unidos, além de países da Europa e da Ásia, e, a princípio, em locais onde as edições impressas não chegam. O preço do aparelho ainda não é dos mais acessíveis: 489 dólares (cerca de R$ 1.200), perto do preço de um iPhone lá fora.

Pode não ser o Santo Graal da mídia impressa, mas é uma ótima aposta. Particularmente, simpatizo com ela e torço para que tenha sucesso. Se a Internet mudou o hábito de ler jornais, dispositivos como o Kindle podem ajudar a mudar o hábito de pagar por eles, mantendo economicamente viável a produção de informação de qualidade. Assista ao vídeo de apresentação.

Terça-feira, 12 Maio, 2009

Promoções online no Twitter

Atenção, twiteiros. Já viram o twitter do DIA com promoções online? Ingressos para cinema, teatro, livros e muitos brindes bacanas. É só seguir @OdiaOnlinepromoe participar.