Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Quinta-feira, 2 Julho, 2009

Bela homenagem a Clara Nunes

Fabiana Cozza se apresenta no Prêmio da Música Brasileira em tributo a Clara Nunes. Foto de Felipe Panfili
Gostei muito da edição de 2009 do Prêmio da Música Brasileira. Sobretudo pela iniciativa de homenagear Clara Nunes, uma das cantoras mais luminosas da música brasileira. A premiação - justa no todo, como pode ser a lista abaixo pode comprovar - foi pontuada por números musicais em que artistas como Fabiana Cozza (Um Ser de Luz), Maria Bethânia (Conto de Areia), Emílio Santiago (Alvorecer), Zeca Pagodinho (Menino Deus) e Alcione (Sem Companhia), entre outros. Foi uma noite bonita. Eis os vencedores do prêmio:
CATEGORIA MPB
Melhor disco: Novas Bossas, de Milton Nascimento e Jobim Trio
Melhor grupo: Pedro Luis e a Parede
Melhor cantor: Milton Nascimento
Melhor cantora: Áurea Martins
CATEGORIA CANÇÃO POPULAR:
Melhor disco: Confete e Serpentina, de Maria Alcina
Melhor dupla: Zezé Di Camargo & Luciano
Melhor grupo: Doces Cariocas
Melhor cantor: Zé Renato
Melhor cantora: Maria Alcina
CATEGORIA REGIONAL
Melhor disco: Francisco Forró y Frevo, de Chico César
Mehor dupla: Chitãozinho & Xororó
Melhor grupo: Fim de Feira
Melhor cantor: Chico César
Melhor cantora: Renata Rosa
CATEGORIA INSTRUMENTAL:
Melhor disco: Passo de Anjo ao Vivo, de Spok Frevo Orquestra
Melhor solista: Hamilton de Holanda
Melhor grupo: Spok Frevo Orquestra
CATEGORIA POP/ROCK
Melhor disco: Labiata, de Lenine
Melhor grupo: Bangalafumenga
Melhor cantor: Lenine
Melhor cantora: Paula Toller
CATEGORIA SAMBA:
Melhor disco: Uma Prova de Amor, de Zeca Pagodinho
Melhor grupo: Grupo Fundo de Quintal
Melhor cantor: Zeca Pagodinho
Melhor cantora: Leci Brandão
ARRANJADOR: Jaques Morelenbaum
MELHOR CANÇÃO: Uma Prova de Amor (de Nelson Rufino e de Toninho Geraes)
PROJETO VISUAL: Adams Carvalho por Francisco, Forró y Frevo
REVELAÇÃO: Zabé da Loca
DVD: Pros que Estão em Casa, de Toni Platão
DISCO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: My Baby Just Cares for me - Delicatessen
DISCO ERUDITO: Heitor Villa-Lobos Choros n° 2,3,10,12 - Osesp
DISCO INFANTIL: Carnaval Palavra Cantada - Sandra Peres e Paulo Tatit
PROJETO ESPECIAL: Omara Portuondo e Maria Bethânia
DISCO ELETRÔNICO: 1 Real, de DJ Dolores


Sexta-feira , 26 Junho, 2009

Michael Jackson não morreu

Divulgação
Reproduzo abaixo o texto que escrevi - ainda no calor da emoção e do choque com a notícia da morte de Michael Jackson - para o Caderno Especial que O DIA publica nesta sexta-feira sobre a saída de cena do Rei do Pop:

Como Elvis Presley (1935 - 1977), Michael Jackson não morreu. A parada cardíaca que o tirou de cena não altera o caráter imortal de sua música. Poucos artistas foram tão influentes na história da música pop quanto Michael. Inovador e carismático, Michael criou com sua música toda uma estética que norteou a década de 80. Iniciada ainda nos anos 70 quando o cantor saiu do conjunto Jackson 5, a carreira solo de Michael atingiu um ponto de maturação na década de 80 que lhe garantiu o título (vitalício) de Rei do Pop. Musicalmente, Michael fez uma azeitada mistura de rock, funk e pop desde seu primeiro disco da fase adulta, 'Off the Wall' (1979). Essa mistura soou especialmente saborosa no disco que lhe garantiu a posteridade. Trata-se de 'Thriller', o álbum de 1982 cuja vendagem já ultrapassa 40 milhões de cópias, lhe dando o status de disco mais vendido de todos os tempos.

Não, Michael Jackson não morreu. Basta ouvir o som de um cantor como Justin Timberlake ou de um grupo como Black Eyed Peas para perceber que a influência do som de Michael está em toda parte do universo pop. Qualquer clipe que passa hoje na MTV, por exemplo, foi influenciado pela estética do vídeo cinematográfico de Thriller, a faixa-título do álbum. É fato que Michael Jackson não conseguiu, na última década, ser sequer uma sombra do que ele foi. Seu último álbum de inéditas, 'Invincinble', de 2001, resultou sem brilho. Contudo, por conta de títulos como 'Bad' (1987) e 'Dangerous' (1991), a discografia de Michael Jackson já lhe garante um reinado eterno na música pop

Era um cantor poderoso, carismático, de uma inebriante voz aguda - talento perceptível já na sua fase infantil com a audição dos discos do Jackson 5. Não é à toa que sua figura logo sobressaiu em relação às de seus irmãos. Foi pela voz de Michael que músicas como 'I Want You Back' e 'I'll Be There' galgaram as paradas de sucesso. Mais tarde, adolescente e já gravando discos individuais, o cantor soube ser romântico em canções como 'Ben' e 'Music and me', temas propagados pelas novelas da TV Globo dos anos 70. Mas foi mesmo em sua fase adulta que o artista marcou época. Era compositor, cantor e dançarino exemplares. Ele sabia comandar a cena. Nem suas excentricidades, frutos de sua mente atormentada, conseguiram tirar o brilho de sua música. Uma das marcas do pop do século 20. Definitivamente, Michael Jackson não morreu.


Segunda-feira, 22 Junho, 2009

De peito aberto, Diogo veste a camisa do samba

Divulgação EMI Music / Guto Costa
Diogo Nogueira estreou em disco há dois anos com gravação ao vivo que, além de precoce, pegava carona na obra de seu pai, João Nogueira (1941 - 2000). Mas Diogo fez sucesso, em parte por conta da pinta de galã. É de olho na fidelidade desse público feminino que Diogo lança seu segundo CD, Tô Fazendo a Minha Parte, explorando sua beleza e sensualiade já na foto de Guto Costa (vista acima) exposta na capa do disco.
Em seu primeiro disco gravado em estúdio, Diogo assina três músicas entre as 14 faixas. Espelho da Alma, Presente de Deus, Amor Imperfeito e Mar de Amor são alguns sambas do CD. Ele deixa de lado o repertório do pai, mas se escora no talento de outros bambas. Almir Guineto é parceiro de Adalto Magalha e Xande de Pilares em Tô te Querendo. Já o nome de Arlindo Cruz aparece em Luz para Brilhar o meu Caminho e Não Dá. O primeiro samba é de Arlindo com Jorge David e José Franco. O segundo, já gravado, é parceria bissexta de Arlindo com o baterista e compositor Wilson das Neves.
Contudo, a maior novidade do repertório é Sou Eu, samba de Chico Buarque com Ivan Lins, gravado em dueto com o próprio Chico. A letra do samba retrata cara cheio de si no trato com a mulher amada (o samba tinha sido dado a Ivan para Simone, mas Chico quis Diogo por entender que os versos são mais apropriados para um homem).
Fecha o CD a regravação de Malandro É Malandro, Mané É Mané, já popularizada na trilha da novela Caminho das Índias. O samba é de Neguinho da Beija-flor, mas fez sucesso com Bezerra da Silva.


Quinta-feira, 18 Junho, 2009

Ney entre 'Inclassificáveis' e 'Beijo Bandido'

Foto de Mauro Ferreira
A foto acima flagra Ney Matogrosso em cena no show Beijo Bandido, apresentado uma única vez no Rio. É um show maravilhoso cujo repertório Ney já começou a registrar em estúdio, para CD que deverá chegar às lojas até o fim do ano. Mas a turnê do show anterior do cantor - Inclassificáveis, um espetáculo de tom imperativo e politizado - ainda não acabou. E por isso vai a dica aos cariocas: Ney apresenta Inclassificáveis sexta e sábado no Citibank Hall, na Barra. É a última oportunidade de conferir um dos espetáculos mais contundentes do intérprete, que entra fantasiado em cena, como no início da carreira. Em Beijo Bandido, ele aparece de cara limpa para entoar um repertório que vai de Roberto Carlos (A Distância) a Vítor Ramil (Invento), passando por um sucesso de Ângela Maria nos anos 70 (Tango pra Tereza). Com ou sem fantasia, a voz de Ney continua em forma, certeira, intensa, exata. Um senhor cantor!


Segunda-feira, 15 Junho, 2009

Zélia soube se renovar antes de se repetir

Divulgação / Universal Music
Na coluna Estúdio desta segunda-feira, a dica de disco é o nono CD de Zélia Duncan, Pelo Sabor do Gesto, que está chegando às lojas. O disco é uma delícia (apesar de em alguns momentos soar linear). Tanto o repertório quanto a produção (dividida entre Beto Villares e John Ulhoa) são pautados pela elegância. Fico feliz, pois acompanho a carreira de Zélia desde quando ela se chamava Zélia Cristina. Considero seu primeiro álbum como Zélia Duncan, de 1994, uma obra-prima. Mas o fato é que um artista tem que evoluir sempre e Zélia soube se renovar. Quando sua receita pop folk deu sinais de que ia começar a desandar, a artista soube buscar outros ingredientes e parceiros para se renovar. E conseguiu. Sortimento, o disco da virada, é mediano. Mas o subsequente Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band tinha pegada e frescor. O frescor que há neste Pelo Sabor do Gesto. Enfim, vale correr atrás deste disco - para mim um dos melhores deste semestre ao lado dos CDs de Mariana Aydar e de Ná Ozzetti (não valorizado pela mídia carioca).


Segunda-feira, 8 Junho, 2009

Diogo Nogueira grava com Chico Buarque

Divulgação EMI Music / Cia. da Foto
Em nome da amizade de Chico Buarque com seu pai João Nogueira (1941 - 2000), Diogo Nogueira conseguiu a proeza de contar com um samba inédito de Chico (feito em parceria com Ivan Lins) em seu segundo CD, Tô Fazendo a Minha Parte. Com o detalhe de ter sido gravado em dueto com o próprio Chico. O samba se chama Sou Eu. A foto acima registra um flagrante do encontro dos dois no estúdio, durante a gravação realizada no Rio na semana passada. O CD sai este mês.


Quinta-feira, 4 Junho, 2009

Dueto de Ivete com Bethânia é sublime

Divulgação / Cacau Mangabeira
Tem gente que fecha os ouvidos para toda a música rotulada como axé music. Tem muito lixo, de fato, nesse saco de gatos baianos. Mas também tem pérolas. Sempre teve, aliás. O ijexá Muito Obrigado Axé - gravado por Ivete Sangalo com Maria Bethânia no CD e DVD Pode Entrar, nas lojas amanhã - é uma dessas jóias de brilho inegável. Um momento realmente sublime, o ponto mais alto do novo projeto fonográfico de Ivete. Não somente pela presença majestosa de Bethânia, mas também - e sobretudo - pela força da música composta por Carlinhos Brown (quando será que vão lhe dar o devido valor?) em tributo à cultura afro-brasileira que reina na Bahia. O ijexá - arranjado com naipe de cordas e com a batida típica dos afoxés - é das melhores músicas já feitas sob o rótulo de axé. Exemplo para quem se nega a reconhecer o valor da música pop baiana. A faixa já vale o DVD de Ivete. Pode acreditar. Se não acreditar, confira hoje às 21h30m no canal Multishow, que exibirá o vídeo gravado no estúdio mantido por Ivete em sua casa.


Terça-feira, 2 Junho, 2009

Globo foi deselegante com 'divas' de Roberto

Divulgação Canivello Comunicação / Marcos Hermes
Não vi a transmissão do show Elas Cantam Roberto pela TV Globo na noite de domingo. Mas soube que a emissora não transmitiu o show na íntegra, suprimindo os números de algumas cantoras. Entre elas, Adriana Calcanhotto, Marina Lima e Celine Imbert. Acho a postura deselegante e, segundo a colunista Monica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, o próprio Roberto Carlos ficou muito chateado com a edição. Os critérios parecem ter sido tão somente o da popularidade. Afinal, qual a razão para exibir os dois números individuais de Ivete Sangalo e não exibir a participação estilosa de Marina? Enfim, a emissora tem todo o direito de editar o especial de acordo com seus interesses, mas que ficou deselegante, lá isso ficou.


Quinta-feira, 28 Maio, 2009

Voz de Sandy não cresceu

Divulgação / Marcos Hermes
Nada tenho contra Sandy. Nunca tive, aliás. Acho que ela cumpriu bem o seu papel de musa infanto-juvenil ao longo dos anos 90. Mas sua tímida participação no show Elas Cantam Roberto - em que interpretou As Canções que Você Fez pra mim, música de 1966 que ficou mais conhecida na regravação que deu título ao álbum dedicado em 1993 por Maria Bethânia ao repertório do Rei - torna incerto o êxito de sua carreira solo. Sandy é afinada, sem dúvida. Mas sua voz não acompanhou o crescimento de seu corpo. Seu registro vocal continua infanto-juvenil. No tributo a Roberto, parecia que uma menina de 15 anos estava cantando a música. Soube que a presença de Sandy foi exigência do próprio Roberto, fã declarado dela. Seja como for, o fato é que, fora do universo teen, Sandy ainda não disse a que veio. E, se não contar com a ajuda de um produtor firme que a faça aprimorar suas interpretações, periga chegar aos 30 anos cantando como se ainda tivesse 15. É preciso crescer também como intérprete.


Segunda-feira, 25 Maio, 2009

Nei Lopes chuta o balde e destila ironia em inéditas

Capa do CD 'Chutando o Balde'
É no ritmo falado do rap que Nei Lopes abre o CD Chutando o Balde, nas lojas esta semana (o lançamento é hoje em show gratuito na loja Modern Sound, em Copacabana). Mas, finda a introdução da faixa-título, fica claro que o compositor continua fiel ao samba e à cultura nacional, cujos valores defende com ironia - nem sempre fina - neste disco de tom mordaz. Em Samba de Fundamento, faixa que evidencia a opção pela economia percussiva, o alvo são os que forjam imagem de sambista para estar na moda e na mídia.
Nei Lopes é bamba. Aos 67 anos, o compositor é dono de obra fundamentada nos pilares do samba. O que explica a facilidade com que o eficiente dublê de cantor transita por ritmos como samba-enredo (Samba Emprestado), partido alto (Confraria), samba de gafieira (Deusas e Devassas) e samba de breque (Águia de Haia). Já Saracuruna-Seropédica, o maior destaque do repertório de inéditas, tem arranjo e naipe de metais que evocam o balanço da rumba, remetendo ao CD anterior de Lopes, Partido ao Cubo. Na letra, o compositor relata o caso de um ovni que teria aparecido no trajeto que dá título ao samba, feito por Lopes em parceria com Ruy Quaresma, produtor e arranjador do disco.
Saracuruna-Seropédica mostra que as letras de Lopes são mais interessantes quando fazem espirituosas crônicas do cotidiano sem a preocupação de alfinetar. Os versos de Dicionário, por exemplo, estão repletos de ironias bobas quanto ao significado de palavras como 'axé' e 'roqueiro'. "A boca mais sábia é aquela que cala", reconhece o próprio compositor em verso da música. Letras e críticas à parte, o CD apresenta ótimos sambas como Ondina (em que o compositor perfila uma baiana bissexual) e Oló. No todo, Chutando o Balde mostra que a inspiração de Nei Lopes continua acima da média.

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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