Piaf, para mim, será sempre Bibi
A gravadora EMI soltou comunicado recente via e-mail em que anuncia o lançamento no Brasil da trilha sonora do filme La Vie en Rose, que conta a vida de Edith Piaf, vivida na tela pela atriz Marion Cotillard (só que com a voz da cantora Jil Aigrot nos números musicais). O longa estréia por aqui em 1º de junho. Não conferi o filme e não me lembro de ter ouvido um disco de Jil. Logo, não posso avaliar ainda a performance da atriz e da cantora que a dubla. Mas sei que, para mim, Piaf vai ter sempre o rosto e a voz de Bibi Ferreira. Quem viu Bibi encarnar no palco a diva da canção francesa - como eu vi - certamente duvida que haja alguém no mundo capaz de ser Piaf como Bibi. Ouso dizer que até prefiro ouvir o cancioneiro de Piaf na voz de nossa grande atriz brasileira (coisa que fiz hoje ao remexer no CD com a trilha da peça Piaf, reeditado pela Som Livre nos anos 90) do que nas gravações da artista que o lançou. A dramaticidade e a intensidade emocional são as mesmas. Mas a voz de Bibi me soa nessa trilha um pouco mais sedutora do que a voz da própria Piaf. Salve, Bibi!!! E que a Som Livre aproveite o lançamento do filme e reponha urgentemente a trilha em catálogo! Não vai ter para ninguém!

E o Rei mostrou sua força! A biografia Roberto Carlos em Detalhes vai ser mesmo retirada das lojas. Em encontro conciliatório com a editora Planeta e o autor Paulo Cesar de Araújo, na sexta-feira, o cantor exigiu a suspensão definitiva da comercialização do livro que tanto o irritou em troca da retirada dos processos que move contra autor e editora. Como o artista é poderoso, seus adversários preferiram o acordo em vez da luta judicial. Juro que entenderia a atitude de Roberto se ele a tivesse tomado antes da chegada da biografia ao mercado. Dessa forma, os detalhes que tanto o incomodam não teriam vindo a público. Mas não consigo compreender o sentido de uma ação retardatária. Nas livrarias desde 1º de dezembro, o livro já foi devidamente esmiuçado pela imprensa e comprado por quem se interessa muito pela vida do Rei. Qual a lógica de impedir a venda de um livro cujo conteúdo já não é mais segredo para ninguém? Não consigo entender. Só acho que, com essa atitude extremista, Roberto Carlos compromete sua imagem junto aos formadores de opinião. Não era preciso chegar a tanto...


Mais uma grande cantora da era de ouro do rádio brasileiro se foi... Bem, não se foi exatamente, porque grandes cantoras sobrevivem à morte com suas vozes eternas. Carmen Costa saiu de cena na manhã desta quarta-feira, mas ficam suas gravações. Obsessão, samba de Mirabeau, foi apenas um entre os muitos sucessos colecionados por Carmen nos anos 40 e 50 - décadas vividas sob o reinado do rádio. Projetada em fins dos anos 30, Carmen Costa fez o Brasil cantar músicas como Cachaça, Está Chegando a Hora, Marambaia, Eu Sou a Outra e Tem Nego Bebo Aí. Sem falar no seu pioneirismo em propagar a música de Luiz Gonzaga. Em 1944, quando o velho Lua ainda não tinha mostrado ao Brasil como se dança o baião, 'Xamego' foi hit nacional na voz da cantora. Por pertencer a uma era em que muitos artistas não tinham o controle sobre o gerenciamento de suas carreiras, Carmen acabou na fila do INSS - e nas primeiras páginas dos jornais - no início dos anos 90 em busca de uma aposentadoria que lhe permitisse digno fim de vida. Coisas do Brasil! Descanse em paz, Carmen.



Justiça seja feita: desta vez, não há absurdos na lista de indicados do Prêmio Tim como em anos anteriores. Os critérios confusos da premiação já fizeram Dulce Quental disputar troféu com Roberta Miranda!!! Maria Bethânia - que reafirmou sua majestada em 2006 com os álbuns Mar de Sophia e Pirata - confirmou o favoritismo e lidera as indicações, disputando sete troféus em cinco das 16 categorias. Gravadora de Bethânia, a Biscoito Fino domina a lista com 23 das 102 indicações. Não chega a surpreender, pois é a casa da MPB mais tradicional e tem perfil semelhante ao do prêmio. Embora coerentes em sua maioria, as indicações merecem algumas considerações:










A notícia do adiamento pelo canal Multishow da exibição do especial Ivete Sangalo no Maracanã - prevista inicialmente para a próxima terça-feira, dia 10 - sinaliza falta de planejamento no marketing de um produto que custou cerca de R$ 3,5 milhões. O motivo do adiamento é compreensível: se o programa vai ser exibido no dia 10 e o DVD chega às lojas somente por volta de 30 de abril, há sério risco de um fabricante de discos e vídeos piratas copiar o programa, editar um DVD ilegal e pô-lo à venda nos camelôs em poucos dias. Até aí tudo bem. Mas será que ninguém pensou nisso antes? Parece que não. Anunciaram o programa - propagado pela própria Ivete nas entrevistas que deu na semana passada para divulgar o projeto (o CD já está nas lojas) - e agora tiveram que pagar o mico de adiar a exibição. Um pouco de planejamento estratégico não ia alterar os custos...
Tenho lido críticas negativas sobre o filme Ó Paí, Ó - em cartaz desde sexta-feira. Não me surpreendo com elas. Vigora muito preconceito no Rio contra tudo que vem da Bahia. Discos de axé, então, são condenados antes mesmo de serem ouvidos. Como se gostar de pop afro-baiano fosse passar atestado de inferioridade. Mas, enfim, isso é outra história... O que sei é que ontem à noite fui ver, enfim, o filme de Monique Gardenberg. E a-do-rei! Ó Paí, Ó é delicioso como um acarajé. Tem toda a malícia, o dengo e a sensualidade da velha São Salvador. Aliás, do primeiro ao último fotograma, há uma ode à cultura afro-baiana. Ao focar a narrativa no cotidiano de um grupo de moradores de um cortiço próximo ao Pelourinho, Monique montou bem-humorado painel de tipos bem reais que fazem a fama internacional da Bahia. Somente ver Virgínia Rodrigues (a grande cantora de timbre operístico) no papel de Beyoncé já vale o filme. Mas tem muito mais. Monique não procura oferecer visão antropológica daquele grupo de pessoas. Mostra apenas a vida como ela é nas ladeiras da capital baiana. Há momentos hilários. Tudo costurado por trilha sonora de grande vivacidade! Tem inéditas de Caetano e bela regravação de Ilha de Maré (sucesso de Alcione há 30 anos) na voz de Marienne de Castro entre outras músicas que valorizam o ritmo rotulado de axé music - que não vive somente do populismo de Ivete Sangalo e Cia. Recomendo uma ida ao cinema!
A cantora aí da esquerda é a Anna Luisa, que ontem à noite pisou no palco da mais nova casa carioca, a charmosa Cinemathèque, em Botafogo, para fazer o bom show de lançamento de seu CD Do Zero, na realidade o segundo, já que o primeiro foi um disco de cover descartável feito pela Deckdisc. Gostei do show. Anna tem pique e transita por universo bem interessante que mistura pop e ritmos nordestinos. Entre inéditas, teve releituras bem legais de Ijexá (sucesso da saudosa Clara Nunes) e Parabolicamará (faixa-título do disco lançado por Gilberto Gil em 1992). A nova casa também é simpática e parece que vai pegar.