Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Segunda-feira, 30 Abril, 2007

Piaf, para mim, será sempre Bibi

Capa da trilha sonora do filme 'La Vie en Rose' A gravadora EMI soltou comunicado recente via e-mail em que anuncia o lançamento no Brasil da trilha sonora do filme La Vie en Rose, que conta a vida de Edith Piaf, vivida na tela pela atriz Marion Cotillard (só que com a voz da cantora Jil Aigrot nos números musicais). O longa estréia por aqui em 1º de junho. Não conferi o filme e não me lembro de ter ouvido um disco de Jil. Logo, não posso avaliar ainda a performance da atriz e da cantora que a dubla. Mas sei que, para mim, Piaf vai ter sempre o rosto e a voz de Bibi Ferreira. Quem viu Bibi encarnar no palco a diva da canção francesa - como eu vi - certamente duvida que haja alguém no mundo capaz de ser Piaf como Bibi. Ouso dizer que até prefiro ouvir o cancioneiro de Piaf na voz de nossa grande atriz brasileira (coisa que fiz hoje ao remexer no CD com a trilha da peça Piaf, reeditado pela Som Livre nos anos 90) do que nas gravações da artista que o lançou. A dramaticidade e a intensidade emocional são as mesmas. Mas a voz de Bibi me soa nessa trilha um pouco mais sedutora do que a voz da própria Piaf. Salve, Bibi!!! E que a Som Livre aproveite o lançamento do filme e reponha urgentemente a trilha em catálogo! Não vai ter para ninguém!


Domingo, 29 Abril, 2007

Roberto Carlos não precisava chegar a tanto...

Capa do livro 'Roberto Carlos em Detalhes' E o Rei mostrou sua força! A biografia Roberto Carlos em Detalhes vai ser mesmo retirada das lojas. Em encontro conciliatório com a editora Planeta e o autor Paulo Cesar de Araújo, na sexta-feira, o cantor exigiu a suspensão definitiva da comercialização do livro que tanto o irritou em troca da retirada dos processos que move contra autor e editora. Como o artista é poderoso, seus adversários preferiram o acordo em vez da luta judicial. Juro que entenderia a atitude de Roberto se ele a tivesse tomado antes da chegada da biografia ao mercado. Dessa forma, os detalhes que tanto o incomodam não teriam vindo a público. Mas não consigo compreender o sentido de uma ação retardatária. Nas livrarias desde 1º de dezembro, o livro já foi devidamente esmiuçado pela imprensa e comprado por quem se interessa muito pela vida do Rei. Qual a lógica de impedir a venda de um livro cujo conteúdo já não é mais segredo para ninguém? Não consigo entender. Só acho que, com essa atitude extremista, Roberto Carlos compromete sua imagem junto aos formadores de opinião. Não era preciso chegar a tanto...


Sábado, 28 Abril, 2007

Vida que segue para os grupos Detonautas e Som da Rua

Foto de Daniela Conti
Duas bandas cariocas não se deixaram abater pela tragédia e tocam suas carreiras, cientes de que o show não pode parar. O grupo Detonautas Roque Clube (foto) vai lançar no segundo semestre seu quarto álbum, O Retorno de Saturno. É o primeiro trabalho de Tico Santa Cruz e Cia. sem o guitarrista Rodrigo Netto, que foi covardemente assassinado no ano passado em tentativa de assalto ao carro em que viajava com a família. Já o grupo Som na Rua - que perdeu seu vocalista Liô Mariz num acidente de carro em Ipanema (mal tinha lançado seu primeiro CD, Músicas para Violão e Guitarra, de 2004) - vem percorrendo o circuito de festivais brasileiros e pisa pela primeira vez no palco do Canecão, na terça-feira, 1º de maio. Emílio Dantas é o vocalista, função que cabia ao saudoso Liô. Vida que segue...Boa sorte para ambas!


Sexta-feira , 27 Abril, 2007

Álbum inédito de Ben Jor tem título estranho

Capa do CD 'Recuerdos de Asunción 443'
Juro que não entendi a razão de Jorge Ben Jor ter escolhido um título em espanhol para seu disco inédito, Recuerdos de Asunción 443, gravado no início dos anos 80, esquecido e encontrado recentemente no arquivo da gravadora Som Livre. O CD chega às lojas na próxima semana. Mesmo que o título tenha sido grafado em espanhol visando o mercado de países de língua hispânica, nada justifica que a edição nacional não tivesse um título em português. Até porque é em português que o cantor interpreta músicas como Miss Gal, O Astro e Falsa Magra. Mas o significado é claro para quem é do meio fonográfico - não para o público em geral. A gravadora Som Livre está sediada há anos na Rua Assunção 443, no bairro carioca de Botafogo. No Rio. Foi nessa companhia que o Zé Pretinho gravou entre 1978 e 1986. Mas que ficou estranho o título do CD ser em espanhol, lá isso ficou.


Quinta-feira, 26 Abril, 2007

Mônica Salmaso fez 'songbook' à altura de Chico Buarque

Capa do CD 'Noites de Gala, Samba na Rua'
Por admirar a diversidade do repertório cantado por Mônica Salmaso em discos como Trampolim, Voadeira e Iaiá, admito que não gostei muito quando soube que a cantora iria gravar um disco inteiro com músicas de Chico Buarque. Até porque a idéia não é das mais originais. Olivia Hime, por exemplo, foi original ao gravar CD com as letras de Ruy Guerra. Chico sempre foi o preferido das cantoras - e, volta e meia, alguma entra em estúdio para regravar o repertório do compositor. Mas chegou o disco. Noites de Gala, Samba na Rua. O título já me ganhou de cara. Insuspeito, diferente mesmo. Aí fui ouvir o CD. E veio, então, o prazer de constatar que o songbook de Salmaso é dos mais originais, sim. Somente o registro de Beatriz - única faixa ao vivo - já valeria o álbum. É uma interpretação tão refinada e tocante que chega a rivalizar com a gravação original de Milton Nascimento. Mas tem muito mais. Salmaso soube escolher o repertório. Estão lá alguns clássicos do autor, todos devidamente repaginados pelo quinteto Pau Brasil, mas estão lá também grandes músicas que a gente nem ouve muito. Porque Chico tinha inspiração de tirar o fôlego nos anos 60, 70 e 80. Vale redescobrir na voz da cantora sambas como Logo Eu? e O Velho Francisco. Cada faixa é um luxo. Por causa de Mônica Salmaso, ótima cantora, e por conta também do Pau Brasil. Juntos, a intérprete e o grupo fizeram um disco à altura do compositor. E isso não é pouco. Desde já é um dos grandes CDs do ano!!


Quarta-feira, 25 Abril, 2007

Adeus, Carmen Costa...

Divulgação Mais uma grande cantora da era de ouro do rádio brasileiro se foi... Bem, não se foi exatamente, porque grandes cantoras sobrevivem à morte com suas vozes eternas. Carmen Costa saiu de cena na manhã desta quarta-feira, mas ficam suas gravações. Obsessão, samba de Mirabeau, foi apenas um entre os muitos sucessos colecionados por Carmen nos anos 40 e 50 - décadas vividas sob o reinado do rádio. Projetada em fins dos anos 30, Carmen Costa fez o Brasil cantar músicas como Cachaça, Está Chegando a Hora, Marambaia, Eu Sou a Outra e Tem Nego Bebo Aí. Sem falar no seu pioneirismo em propagar a música de Luiz Gonzaga. Em 1944, quando o velho Lua ainda não tinha mostrado ao Brasil como se dança o baião, 'Xamego' foi hit nacional na voz da cantora. Por pertencer a uma era em que muitos artistas não tinham o controle sobre o gerenciamento de suas carreiras, Carmen acabou na fila do INSS - e nas primeiras páginas dos jornais - no início dos anos 90 em busca de uma aposentadoria que lhe permitisse digno fim de vida. Coisas do Brasil! Descanse em paz, Carmen.


Terça-feira, 24 Abril, 2007

Camelo e Amarante ficaram grandes para Los Hermanos?

Divulgação / Sony BMG
O anúncio do recesso do grupo Los Hermanos, "por tempo indeterminado", feito hoje pelo próprio quarteto carioca em seu site oficial, surpreendeu o meio musical. Bandas costumam dar um tempo quando as egotrips de seus músicos impossibilitam a convivência ou quando sua música chega a tal ponto de repetição ou desgaste que o recesso é a única saída para não que não sejam gerados discos meramente burocráticos. Não parece ser esse o caso de Los Hermanos. Os músicos também juram no comunicado que não houve briga. E que a pausa é para possibilitar o exercício de atividades paralelas de seus integrantes. Talvez, na real, tanto Marcelo Camelo quanto Rodrigo Amarante - os dois principais cantores e compositores do quarteto - tenham se tornado grandes demais para o Los Hermanos. Ambos já são cultuados como compositores fora dos limites da banda. Enfim, por ora, qualquer previsão para o futuro de ambos é mera especulação. Mas desconfio que ambos já não cabem no Los Hermanos. E que, mesmo com a provável volta da banda em data ainda incerta, suas carreiras individuais serão inevitáveis. E muito bem-vindas!!!


Segunda-feira, 23 Abril, 2007

Mika é bom demais

Capa do CD 'Life in Cartoon Motion'
Não consigo parar de ouvir o CD do Mika. Por mais que tivesse ótimas referências do álbum de estréia deste imigrante libanês, nunca imaginei que ficaria tão arrebatado por Life in Cartoon Motion. Fazer um discaço somente com músicas inéditas e autorais não é tarefa para qualquer um. E Mika fez. O CD é tão bom que não consigo nem me fixar em uma ou duas faixas. Grace Kelly, Lollipop, Love Today, Relax (Take It Easy), Any Other World, Billy Brown (cujos acordes iniciais parecem sair de um disco dos Beatles), Big Girl (You Are Beautiful)... É uma gema pop atrás da outra. Sim, Mika lembra momentos áureos de Freddie Mercury, de George Michael e de Beck (todos devidamente inseridos no universo da disco music). Mas Mika é, antes de tudo, Mika - dono de melodias deliciosas, refrões ganchudos e uma vibe gay que faz a festa dos antenados. Junto com Amy Winehouse, Mika é a sensação pop de 2007 - como já tinha avisado a (nem sempre) exagerada imprensa britânica. Ouça! E duvido que consiga parar de ouvir...


Domingo, 22 Abril, 2007

Encontro de Naná e Virgínia foi realmente grande

Foto de Mauro Ferreira
Inédito no Rio, o show que reuniu o percussionista Naná Vasconcelos e cantora Virgínia Rodrigues no Teatro Rival fez parte do projeto Grandes Encontros. Nome, aliás, muito apropriado, pois foi encontro grande em todos os sentidos. Um dos maiores percussionistas do mundo uniu sua arte ao canto luminoso de uma intérprete que mexe com emoções profundas quando solta sua voz operística de mezzo-soprano. Foi um show sublime, com roteiro pontuado por louvações aos orixás. Luxo só!

Acompanho atentamente Virgínia desde seu primeiro disco, Sol Negro, de 1997. Fiz crítica de seu primeiro show no Rio, realizado no mesmo Teatro Rival, há dez anos. Ela sempre me encanta. Já não há via há algum tempo em cena, mas sua carreira fonográfica tem sido primorosa. Tanto que deposito grande expectativa neste CD que ela vai lançar pela Biscoito Fino. Sei também que o show com Naná será gravado em DVD. Provavelmente em junho. Nada mais justo, pois o recital beira o divino.

Bethânia prestigia encontro de Virgínia e Naná

Foto de Jards Macalé A expressão natural de felicidade perceptível no rosto de Maria Bethânia - clicada nesta foto por Jards Macalé -foi a mesma de quem, como eu, teve o privilégio de ver o show que reuniu Naná Vasconcelos (um dos maiores percussionistas do mundo) e Virgínia Rodrigues no Teatro Rival. Fui no sábado. Figura bissexta na noite carioca, Bethânia também estava lá com sua velha amiga Renata Sorrah. A Abelha Rainha saiu de sua colméia na Estrada das Canoas para prestigiar - discreta - o percussionista que abrilhantou seu álbum Mar de Sophia e, claro, a colega baiana que vai lançar seu quarto CD pela gravadora Biscoito Fino até o fim do ano.


Sábado, 21 Abril, 2007

Elba toca em assuntos explosivos na faixa-título de CD

Foto de Rogério Resende
Reencontrei Elba Ramalho na badalada estréia carioca do musical Sweet Charity, estrelado por Cláudia Raia. Pude perceber, ao vivo, o que já tinha constatado ao ver a cantora sendo entrevistada no programa de Marília Gabriela: Elba vive fase de grande serenidade e maturidade. No nosso papo, o assunto dominante foi seu novo CD, Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?, gravado com produção de Lula Queiroga e já em fase de produção de capa. Parceria dos baianos Roberto Mendes e José Carlos Capinam, a faixa-título tem letra bem interessante e questionadora que reproduzo abaixo. Frejat e Gabriel o Pensador participam da gravação.
Eis a letra:

Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Além da vida in vitro feita nas coxas
E vivida às pressas
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
A mais-valia da morte
A última sentença
A violência nas ruas
O bioterrorismo
A soja transgênica
Clonagem da mente
Dos órgãos vitais
A nova ciência
Moral decadente
Tradição milenar
Outra tendência
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Suicídio, livre arbítrio
Amor consentido, eutanásia
A divida congênita
O quinto partido, o tempo das máquinas
Monarquia playback, a república inventa
O eclipse lunar, a decadência moral
A calota polar, o império dos egos
O vidente cego, o cachimbo de Édipo
A paixão de Romeu, colapso dos mares
Crianças sem lares, a ausência de Deus...
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
A assembléia dos loucos, o juízo dos lobos
A vontade dos céus
A escala econômica em que o crime compensa
Qual o assunto em que mais você pensa?
Sexo, amor, culpa ou inocência
A dieta do Papa, o segredo de Fátima
A última penitência
Qual o assunto em que você mais pensa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto em que mais você pensa?
Bom dia, Vietnã
Boa noite, Badgá
Adeus, Sherazade
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual a verdade em que mais você pensa?
O fim da natureza
E o final da História
Glória, glória, glória,
Apenas uma canção invento agora, um poema
A madrugada é silêncio, a dor acalenta
Esquece o início de tudo e o fim dos tempos
Deita no colo de tua amada
Onde da misteriosa expansão do nada
O universo se alimenta


Sexta-feira , 20 Abril, 2007

Morre o baterista original da Black Rio

Nota triste: morreu ontem Luiz Carlos Batera, músico importante na formação e consolidação do movimento de funk / soul carioca. Batera tocou no grupo Abolição e integrou a formação original da seminal Banda Black Rio, com a qual gravou discos antológicos como Maria Fumaça, de 1977. Foi enterrado na manhã de sexta-feira no Rio, no cemitério Jardim da Saudade. Ficou na história.


Quinta-feira, 19 Abril, 2007

'Rei' faz show no Rio para festejar os 40 anos do Canecão

Divulgação / Luiz Garrido
O Canecão já está festejando seus 40 anos desde o início do ano. Mas a data do aniversário é em junho. E ninguém menos do que Roberto Carlos vai pisar no palco da casa - onde consolidou sua carreira adulta em 1970 com o espetáculo 100, 150, 200... KM por Hora - em temporada carioca que vai celebrar as quatro décadas do velho e bom Canecão. A estréia está prevista para 12 de junho, Dia dos Namorados. É esperar para ver.


Quarta-feira, 18 Abril, 2007

Considerações sobre as indicações do 5º Prêmio Tim

Divulgação / Leonardo Aversa Justiça seja feita: desta vez, não há absurdos na lista de indicados do Prêmio Tim como em anos anteriores. Os critérios confusos da premiação já fizeram Dulce Quental disputar troféu com Roberta Miranda!!! Maria Bethânia - que reafirmou sua majestada em 2006 com os álbuns Mar de Sophia e Pirata - confirmou o favoritismo e lidera as indicações, disputando sete troféus em cinco das 16 categorias. Gravadora de Bethânia, a Biscoito Fino domina a lista com 23 das 102 indicações. Não chega a surpreender, pois é a casa da MPB mais tradicional e tem perfil semelhante ao do prêmio. Embora coerentes em sua maioria, as indicações merecem algumas considerações:

1) A ausência de Mariana Aydar é lamentável. Houve consenso entre a crítica de que a cantora paulista foi uma das boas revelações de 2006 com seu CD Kavita 1, em que dá tratamento contemporâneo ao samba.

2) A indicação de Art, Plugs and Soul - CD do DJ Mau Mau erroneamente apresentado na lista com Art, Plays and Soul - não poderia concorrer em tese. Ainda que tenha sido gravado em 2006, foi efetivamente lançado no começo de 2007. E o 5º Prêmio Tim de Música é referente a discos lançados em 2006. Caso contrário, os discos de Marisa Monte (gravados em 2005 e lançados no início de março de 2006) teriam concorrido na edição anterior.

3) A inclusão do disco Timeless, de Sérgio Mendes, me soa estranha, mesmo estando na categoria Disco de Língua Estrangeira. Ainda que Mendes seja brasileiro, seu disco foi produzido nos Estados Unidos. Pelo que sempre entendi, o Prêmio Tim é focado exclusivamente na produção fonográfica nacional.

4) Os critérios da categoria Canção Popular (na realidade, um eufemismo para brega) ainda são confusos. Roberto Carlos, por exemplo, foi inserido nessa categoria com projeto, Duetos, em que canta com Milton Nascimento, Caetano Veloso, Tom Jobim, Maria Bethânia, Gal Costa... Me parece claro que, ao menos neste ano, o Rei deveria ter sido alocado na categoria MPB.

5) Por que somente Zezé Di Camargo & Luciano concorrem ao troféu de Dupla na categoria Canção Popular? Será que são tão bons assim que o júri não conseguiu encontrar concorrentes à altura entre as várias duplas que lançaram discos no Brasil em 2006?

6) A Categoria Regional também tem incoerências. Faz sentido incluir nela cantores como a mineira Dea Trancoso. Mas discos de nomes como Alceu Valença, Margareth Menezes e Daniela Mercury alcançam projeção nacional. Ou será que regional, para o júri, é tudo o que é produzido fora do eixo Rio-SP? Hora de mudar o disco.


Terça-feira, 17 Abril, 2007

Separação de Sandy & Junior é acertada

Divulgação / Universal Music
A notícia da separação de Sandy & Junior não chega a ser uma surpresa. O fiasco do álbum anterior da dupla, lançado há um ano, já sinalizou que o fim da linha estava próximo para os irmãos. E eles vão gravar Acústico MTV em maio, partir para turnê nacional e - como anunciado na manhã de hoje em entrevista coletiva concedida em São Paulo - vão se separar na seqüência. É decisão acertada. Que vem até tarde. Eles cresceram. Sandy está arriscando cantar repertório de jazz e MPB (sem maturidade para tal, segundo os que viram o recital que ela vem apresentando desde o ano passado). Junior vem se aprimorando como instrumentista e produtor, podendo desenvolver carreira atrás dos bastidores. O fato é que a dupla - formada há 17 anos - conseguiu fazer a transição do universo infantil para o adolescente. Mas não obteve o mesmo sucesso ao tentar fazer a ponte com o mundo da música adulta. Daí o fracasso do álbum anterior. O acústico - que deverá contar com nomes como Ivete Sangalo e Milton Nascimento entre os convidados - servirá como um resumo de uma trajetória de sucesso. E também seu fim. A menos que os irmãos voltem atrás na decisão de se separar. Mas não acredito. Eles, enfim, perceberam que já passa da hora de cada um seguir seu caminho. Que pode até ser bacana se ambos tiverem humildade para reconhecer que ainda têm muito o que aprender.

Ainda na Bahia, tive o privilégio de ver a encenação do Bando de Teatro Olodum de Ó Paí, Ó - a peça que inspirou o homônimo e delicioso filme de Monique Gardenberg. Era noite de segunda-feira e o Teatro de Vila Velha (onde Caetano, Gal, Bethânia, Gil e Tom Zé deram em 1964 passo decisivo para sua carreira ao montar o show Nós, por Exemplo) estava lotado. O Bando é ótimo, tem garra e faz teatro com consciência social. Depois volto ao assunto.


Segunda-feira, 16 Abril, 2007

Uma tarde em Itapoã ao som (imaginário) de Caymmi

Em curta estada na Bahia, terra que tanto amo, passei a tarde de domingo em Itapoã. Numa barraca perto da praia, rolava um axé qualquer que não identifiquei. Mas, na minha mente, a trilha era outra: não a bela música de Toquinho e Vinicius que descreve os prazeres de uma tarde no bairro baiano, mas o tema que Dorival Caymmi fez muito antes, também inspirado pela beleza do lugar. "Coqueiro de Itapoã, coquuueeeiro....", parece que ouvia o mestre cantar, com sua voz grave, serena e profunda como o mar que ele abordou como ninguém na primeira fase de sua obra. Que é como um filme sobre Salvador.

De noite, fui conferir Vixe Maria: Deus e o Diabo na Bahia, peça dirigida por Fernando Guerreiro (o diretor mais criativo dos palcos de Salvador). Em delicioso clima anárquico, o elenco brinca com os símbolos e o sincretismo religioso da Bahia em trama que abre espaço para músicas como Ilha de Maré, Dandalunda, É d'Oxum e Chame Gente, que encerra este espetáculo bem-sucedido que já completa três anos em cartaz. Os baianos debocham da própria cultura com graça e inteligência.

Na noite de sábado, cuja grande atração era Caetano Veloso, que apresentava na Concha Acústica, seu roqueiro show , fui conferir outra peça, Shopping and Fucking, também dirigida por Fernando Guerreiro. Mas em outra praia. O texto, denso e pesado, fala dos (des)caminhos da juventude. Os atores jovens dão conta do recado (e o texto exige muito deles) e a encenação é bem legal. Todas as cenas se passam dentro de um carro situado e movimentado ao centro do palco. Tem vida muito inteligente nos palcos de Salvador!


Domingo, 15 Abril, 2007

Esta é a capa do novo álbum do Linkin Park

Capa do CD 'Minutes to Midnight'
Esta é a capa do novo álbum do Linkin Park, Minutes to Midnight, nas lojas em junho. O CD marca o encontro do grupo com o produtor Rick Rubin. O primeiro single, What I've Done, já rola nas lojas virtuais desde 2 de abril.


Sábado, 14 Abril, 2007

Erasmo reúne convidados na capa de CD de duetos

Capa do CD 'Erasmo Carlos Convida - Volume II'
Como dá para ser visto na foto aí de cima, o Tremendão reúne na capa de seu disco Erasmo Carlos Convida - Volume II os colegas que cantam com ele no álbum, nas lojas no fim do mês. Já adiantei os detalhes do disco na coluna Estúdio publicada na edição de 30 de março do Caderno D. Mas, para quem não leu, segue lista de convidados e músicas:
1) Chico Buarque - Olha
2) Djavan - De Tanto Amor
3) Kid Abelha - O Portão
4) Marisa Monte - Não Quero Ver Você Triste
5) Adriana Calcanhotto - Ilegal, Imoral ou Engorda
6) Los Hermanos - Sábado Morto
7) Simone - Vou Ficar Nu para Chamar sua Atenção
8) Skank - Banda dos Contentes
9) Milton Nascimento - Emoções
10) Os Cariocas - Sugar Loaf
11) Zeca Pagodinho - Cama e Mesa
12) Lulu Santos - Coqueiro Verde


Sexta-feira , 13 Abril, 2007

Latino assina com a Universal

Parece que a festa ainda não acabou para Latino. O cantor - que voltou às paradas há alguns anos com o hit Festa no Apê, mas já estava meio sumido de novo - está assinando contrato com a Universal Music no início da noite desta sexta-feira. A Universal, que demitiu recentemente seu diretor artístico Max Pierre, quer voltar a disputar o primeiro lugar no mercado fonográfico brasileiro com a Sony BMG. A contratação de artistas populares, como Latino, é um passo para a retomada da liderança. Resta saber se ele vai conseguir emplacar outro hit como Festa no Apê. Para o bem ou para o mal...

Uma capa que mostra o amor que cerca Nana e Dorival

Capa do CD 'Quem Inventou o Amor'
Embora compreenda a vontade de Nana Caymmi de homenagear seu pai, Dorival, com sucessivos discos gravados em torno do repertório do mestre, sou da turma que acha que já está mais do que na hora de Nana fazer um CD de inéditas (o último, Desejo, é de 2001). Mas não será em 2007 que este disco vai sair. E tenho que confessar que seu próximo tributo ao pai, Quem Inventou o Amor, nas lojas do fim do mês pela Som Livre, já me conquistou desde já pela capa. Que foto mais linda! O close afetuoso entre pai e filha já transmite todo o amor que reina entre eles. O amor que, na esfera romântica, é o tema dos sambas-canções reunidos por Nana no disco. Nem Eu, Só Louco, Nesta Rua Tão Deserta, Tão Só, Sábado em Copacabana, Horas, Você Não Sabe Amar... É cada obra-prima... Quase todos já foram gravados por Nana. Mas é justo reconhecer que ela canta vez melhor. Como Bethânia, Nana tem melhorado com o passar dos anos. Sorte que as cantoras de voz aguda não têm. Para elas, o tempo passa depressa.


Quinta-feira, 12 Abril, 2007

Marlene documenta sucessos no palco da Rádio Nacional

Foto de Mauro Ferreira
E lá esteve Marlene de novo no palco do auditório da Rádio Nacional. Quase 60 anos depois de sua coroação como Rainha do Rádio em 1949, em eleição que alavancou sua carreira, a cantora voltou à emissora da Praça Mauá para registrar algumas músicas (Lata D'Água, Zé Marmita, Mora na Filosofia, O Meu Guri, Geni e o Zeppelin e até Como Uma Onda, o bolero havaiano de Lulu Santos) para o DVD que vai ser editado com um documentário sobre sua vida e obra. Na platéia, uma Fafá de Belém de visual rasta - e com sua inconfundível gargalhada - aplaudia Marlene. Que reviveu seu estilo teatral nos takes filmados para o vídeo. Não foi propriamente um show ao vivo. Mas deu para matar as saudades de Marlene. Que merece um DVD que registre sua história de glória na Nacional!


Quarta-feira, 11 Abril, 2007

DVD traz Marlene de volta ao palco de seu auge

Cartaz promocional do evento
Dentro de alguns instantes, Marlene vai subir ao palco do auditório da Rádio Nacional - onde viveu tantos momentos de glória a partir de 1949 - para gravar seu primeiro DVD. Ao lado dela, estarão alguns artistas que personificam a era de ouro do rádio brasileiro. Marlene merece esse DVD. É uma artista talentosa que - muito antes de Maria Bethânia - já entendeu que uma boa interpretação boa pode valorizar a arte de cantar. Viva Marlene! É a Maior! Ontem, hoje e sempre!


Terça-feira, 10 Abril, 2007

Com 'Volta', parece que Björk volta a ser Björk

Capa do CD 'Volta'
A capa aí de cima é a do novo álbum de Björk, Volta. A islandesa hype andou experimentando demais em discos recentes como Medülla. Mas tudo indica que vai voltar a ser Björk neste CD que sai dia 7 de maio (dia 8 nos EUA) e que tem três faixas produzidas por Timbaland, um dos magos do hip hop norte-americano. Uma delas, Hope, toca na ferida do terrorismo. Outra, Earth Intruders, acaba de chegar ao iTunes. É o primeiro single do álbum que já desperta curiosidade nos quatro cantos do mundo. Que venha então maio com o novo da Björk!


Segunda-feira, 9 Abril, 2007

E não que é canção de Roberto caiu bem em disco gay?

Capa do CD 'Canções do Amor de Iguais'
Com um mês de atraso em relação ao cronograma inicial, o disco gay de Leila Maria, Canções do Amor de Iguais, está enfim chegando às lojas. Particularmente, acho que o repertório poderia ter priorizado canções compostas fora do armário. Mas a opção foi dar leitura gay a músicas que focam o amor homossexual de forma implícita. Cada um na sua... Mas, surpreendentemente, o grande achado do disco é uma balada de Roberto e Erasmo Carlos, dois compositores machos que se orgulham de suas conquistas amorosas (femininas, diga-se). Pois não é que a canção Você Vai Ser o meu Escândalo, lançada por Wanderléa em 1968, caiu muito bem no disco? Não fala explicitamente de um caso gay. Mas os versos cabem direitinho em casos gays. Leila canta a música suavemente sem os arroubos da interpretação de Wanderléa. Vale conferir o Rei em versão gay!


Domingo, 8 Abril, 2007

Barone vira 'Baroni' na ficha técnica do CD de Zé Ramalho

Divulgação / Sony BMG
Talvez João Barone não posasse tão sorridente para a foto - tirada ao lado de Zé Ramalho no estúdio de Robertinho de Recife em que o cantor gravou seu novo CD, Parceria dos Viajantes - se soubesse que ele seria creditado na ficha técnica do disco como João Baroni. Como o equívoco se repete nas cinco músicas em que Barone toca bateria (O Rei do Rock, Montarias Sensuais, Do Muito e do Pouco, Procurando a Estrela e Farol do Mundo), não dá nem para alegar erro de digitação. Faltou atenção dos revisores da gravadora Sony BMG!

Aviso aos navegantes interessados: a crítica do CD foi publicada na coluna Estúdio da última sexta-feira, 6 de abril, e pode ser acessada pelo DIA ONLINE.


Sábado, 7 Abril, 2007

Max põe rap no som de Djavan

Divulgação / JT Records
A foto aí de cima flagra Rappin' Hood (à esquerda), Max Viana e Djavan no estúdio durante a gravação de Vilarejo, uma das faixas mais interessantes do segundo CD solo de Max, Com Mais Cor, lançado esta semana. O trio compôs e cantou a música (homônima da bucólica canção gravada por Marisa Monte em seu disco Infinito Particular). É um som típico de Djavan, mas com o rap de Rappin' dando um colorido inusitado. Vale conferir!

Ainda é impossível dissociar o trabalho de Max Viana do universo de seu pai. Com Mais Cor, entretanto, tem lá seus bons momentos. Disque Sim, que tem letra de Guilherme Arantes (quando será que vão lhe dar o devido valor?), tem um refrão pegajoso. Pode pegar.


Sexta-feira , 6 Abril, 2007

Crônica de uma morte anunciada

Hippertt
Tema recorrente na imprensa cultural nas últimas semanas (hoje mesmo há reportagem sobre o assunto na capa do Caderno D, assinada pelo colega Pedro Landim), a morte do CD é dada como certa por analistas do mercado fonográfico. Não duvido. Os jovens - que historicamente sempre sustentaram a indústria do disco - não estão nem aí para CD. A música é ouvida e / ou adquirida na Internet. Geralmente de graça. O que está fazendo cair os cabelos dos executivos das majors, impotentes diante da pirataria virtual. Só acho que a morte do CD não vai ser tão rápida assim como anunciam alguns profetas. Não dá para generalizar, mas é fato que a maior parte de quem tem mais de 35 anos ainda está ligada ao CD. Que deve sobreviver enquanto houver gente (como eu, assumo) que se recuse a abrir mão de uma capa, de um encarte, de um CD oficial. Com o tempo, o disco físico não vai ser mais o suporte principal de venda e veiculação de música. Mas, antes que enterrem o CD, lembro que o LP também teve sua morte anunciada. Ela aconteceu, mas fantasminhas de vinil ainda fazem a diversão de DJs e de um seleto público que não abre mão de ter as boas e velhas bolachas.

p.s. a graciosa ilustração deste post, feita por Hippertt, foi 'roubada' da reportagem assinada por Pedro Landim.


Quinta-feira, 5 Abril, 2007

As contradições de um Lobo que mordeu a língua

Divulgação / Sony BMG
Impensável há álguns anos, a pose de Lobão aí em cima é oficial. Foi feita para o material promocional de seu Acústico MTV que a Sony BMG lança na próxima semana. Primeiro em CD. Depois em DVD, que sai até o fim do mês. São 21 músicas, ao todo, entre hits, lados B e O Mistério, a música feita por Lulu Santos quando ele e Lobão integravam o grupo Vímana, nos anos 70. A música de trabalho que vai para as rádios é Vou te Levar.

Gravar um acústico MTV é prática hoje corriqueira no mercado fonográfico mundial. Todos sentam no banquinho da emissora. Mas Lobão mordeu a língua ao fazer seu acústico. Isso porque vinha criticando publicamente nos últimos anos artistas que faziam acústicos com adjetivos como "decadente". Sem falar nas garras afiadas contra as gravadoras multinacionais, alvo de todos os ataques possíveis por parte do Lobo.

Agora Lobão mudou de lado. Em recente entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada com o justo título 'Cordeirão', Lobão adotou discurso contundente. Mas não conseguiu justificar suas contradições. Desta vez, sobrou farpas até para o mercado independente. Lobão quer vender disco e ter música tocada nas rádios. Disse que, na cena indie, não consegue a visibilidade necessária para sua música. Sei não, mas acho que, se seu acústico não der o retorno comercial esperado por ele e pela gravadora Sony BMG, Lobão vai mudar de lado rapidinho. Outra vez. E aí ninguém vai levá-lo a sério...


Quarta-feira, 4 Abril, 2007

Faltou planejamento no marketing de Ivete

Divulgação / Universal Music A notícia do adiamento pelo canal Multishow da exibição do especial Ivete Sangalo no Maracanã - prevista inicialmente para a próxima terça-feira, dia 10 - sinaliza falta de planejamento no marketing de um produto que custou cerca de R$ 3,5 milhões. O motivo do adiamento é compreensível: se o programa vai ser exibido no dia 10 e o DVD chega às lojas somente por volta de 30 de abril, há sério risco de um fabricante de discos e vídeos piratas copiar o programa, editar um DVD ilegal e pô-lo à venda nos camelôs em poucos dias. Até aí tudo bem. Mas será que ninguém pensou nisso antes? Parece que não. Anunciaram o programa - propagado pela própria Ivete nas entrevistas que deu na semana passada para divulgar o projeto (o CD já está nas lojas) - e agora tiveram que pagar o mico de adiar a exibição. Um pouco de planejamento estratégico não ia alterar os custos...


Terça-feira, 3 Abril, 2007

'Ó Paí, Ó' é delicioso como um acarajé

Cartaz do filme 'Ó Paí, Ó' Tenho lido críticas negativas sobre o filme Ó Paí, Ó - em cartaz desde sexta-feira. Não me surpreendo com elas. Vigora muito preconceito no Rio contra tudo que vem da Bahia. Discos de axé, então, são condenados antes mesmo de serem ouvidos. Como se gostar de pop afro-baiano fosse passar atestado de inferioridade. Mas, enfim, isso é outra história... O que sei é que ontem à noite fui ver, enfim, o filme de Monique Gardenberg. E a-do-rei! Ó Paí, Ó é delicioso como um acarajé. Tem toda a malícia, o dengo e a sensualidade da velha São Salvador. Aliás, do primeiro ao último fotograma, há uma ode à cultura afro-baiana. Ao focar a narrativa no cotidiano de um grupo de moradores de um cortiço próximo ao Pelourinho, Monique montou bem-humorado painel de tipos bem reais que fazem a fama internacional da Bahia. Somente ver Virgínia Rodrigues (a grande cantora de timbre operístico) no papel de Beyoncé já vale o filme. Mas tem muito mais. Monique não procura oferecer visão antropológica daquele grupo de pessoas. Mostra apenas a vida como ela é nas ladeiras da capital baiana. Há momentos hilários. Tudo costurado por trilha sonora de grande vivacidade! Tem inéditas de Caetano e bela regravação de Ilha de Maré (sucesso de Alcione há 30 anos) na voz de Marienne de Castro entre outras músicas que valorizam o ritmo rotulado de axé music - que não vive somente do populismo de Ivete Sangalo e Cia. Recomendo uma ida ao cinema!


Segunda-feira, 2 Abril, 2007

Erasmo é um tremendo anfitrião!!

Foto de André Batista
Erasmo Carlos gravou belos álbuns nos anos 70. Mas todos venderam pouco. Foi somente com o LP Erasmo Carlos Convida, editado em 1980 com duetos com nomes como Maria Bethânia, que o Tremendão passou a vender disco fora da Jovem Guarda. Sucesso que espera reeditar no CD Erasmo Carlos Convida Volume 2.

Nas lojas em abril via Indie Records, o volume 2 reúne nomes como Chico Buarque, com quem Erasmo canta Olha, em dueto já ouvido na trilha sonora da novela Paraíso Tropical. Olha é canção lançada por Roberto Carlos em seu LP de 1975. No CD, Erasmo entoa músicas que fez com seu ‘amigo de fé e irmão camarada’, mas que são associadas ao repertório do Rei. É o caso de Não Quero Ver Você Triste (1965), revivida em dueto com Marisa Monte, com quem Erasmo inaugurou parceria em 2000 na canção Mais Um na Multidão. Já Milton Nascimento é o convidado de Emoções, o clássico de 1982. Por sua vez, Simone faz dueto com Erasmo em Vou Ficar Nu para Chamar sua Atenção, balada de 1970 que a Cigarra queria regravar em seu disco Seda Pura, mas não teve autorização do Rei, então vivendo uma crise aguda do T.O.C.- doença do qual o cantor já se trata.

Reverenciado pela turma do rock como legítimo pioneiro da música pop brasileira, Erasmo convidou os grupos Skank, Los Hermanos e Kid Abelha para o CD. Com Marcelo Camelo (que lhe forneceu em 2000 a faixa-título do disco Pra Falar de Amor), Rodrigo Amarante e Cia., o Tremendão recria Sábado Morto, música de seu álbum Sonhos e Memórias (1972). O Skank faz participação em A Banda dos Contentes, faixa-título do LP lançado por Erasmo em 1976. Ainda na ala pop, há Lulu Santos, convidado do samba-rock Coqueiro Verde, de 1970. É uma das pérolas do repertório pós-Jovem Guarda do anfitrião.

Em time que inclui Adriana Calcanhotto (com quem Erasmo já gravou dueto em 1996), a surpresa é Zeca Pagodinho. O sambista pôs voz em Cama e Mesa, hit do LP lançado por Roberto Carlos em 1981. Erasmo sabe convidar. É um tremendo anfitrião e merece reeditar com Erasmo Carlos Convida Volume 2 o sucesso do primeiro.


Domingo, 1 Abril, 2007

Anna recomeça do zero e Garrido faz novela

Foto de Rodrigo Amaral A cantora aí da esquerda é a Anna Luisa, que ontem à noite pisou no palco da mais nova casa carioca, a charmosa Cinemathèque, em Botafogo, para fazer o bom show de lançamento de seu CD Do Zero, na realidade o segundo, já que o primeiro foi um disco de cover descartável feito pela Deckdisc. Gostei do show. Anna tem pique e transita por universo bem interessante que mistura pop e ritmos nordestinos. Entre inéditas, teve releituras bem legais de Ijexá (sucesso da saudosa Clara Nunes) e Parabolicamará (faixa-título do disco lançado por Gilberto Gil em 1992). A nova casa também é simpática e parece que vai pegar.

O que eu não acredito que pegue é Toni Garrido como ator de novela. Li que ele fechou com a Rede Record para fazer parte do elenco da nova novela Caminhos do Coração. Posso estar enganado, mas acho que o trabalho como ator pode acabar desviando o foco do disco solo que - em tese - Garrido lançaria este ano. Ele é carismático e tem tudo para emplacar em carreira solo. Por isso mesmo, acho que agora não era o momento de fazer novela. Mas cada um sabe de si, não é mesmo?

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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