Tem DVD e CD ao vivo em excesso no mercado!!
Na coluna Estúdio desta sexta-feira, 1º de junho, dou um fora do tom para o excesso de DVDs e de CDs ao vivo. Não é a primeira vez que bato nesta tecla: tem muito registro de show no mercado! E nem todos são relevantes. A maioria, aliás, seria dispensável. Que um grupo como o 14 Bis, que já contabiliza 28 anos de carreira, apresente um DVD, tudo bem (o DVD 14 Bis ao Vivo acaba de chegar às lojas). Há, no caso, toda uma história que justifica a gravação de um DVD. Mas e o que dizer de Pitty? A roqueira lançou apenas dois discos e já vai partir para um projeto ao vivo (a gravação acontece em 6 de julho no Citybank Hall, em São Paulo) para lançar DVD e CD ao vivo no segundo semestre. Pitty não tem culpa. Ela está apenas seguindo as regras do mercado. Só que estas regras estão equivocadas e ajudam a aniquilar este mercado, que já vem mal das pernas há alguns anos. Uma coisa é Chico Buarque, que quase não faz show, registrar um espetáculo em DVD. Outra é um artista ficar intercalando CD de estúdio com CD ao vivo - como vem fazendo, para citar apenas um exemplo, Nando Reis. O consumidor fica enjoado. Os discos ficam redundantes. E todo mundo perde.

Não dá para negar o poder de fogo de Ivete Sangalo. Reunir 450 mil espectadores em show dominical na Praia de Copacabana não é para qualquer cantor. Mesmo sendo um show gratuito. Ivete tem diluído demais seu som - que sempre foi popular, mas nos últimos tempos tem adquirido caráter populista -e, com seu carisma, é hoje a cantora mais querida do Brasil. A única que pode lhe fazer frente com a massa é Ana Carolina, que navega em outra praia. A baiana tem a força! 
Felizmente, prevaleceu o bom senso e foi abortada a idéia de gravar o DVD do show Cê, de Caetano Veloso, na minitemporada feita pelo cantor no Canecão, neste fim de semana. A gravação será feita em show extra agendado para 12 de junho na Fundição Progresso, casa mais condizente com o universo roqueiro do show. Fui rever o show na sexta-feira. O espetáculo está cada vez mais azeitado. E, no palco do Canecão, a iluminação fica mais bonita e realça a beleza do cenário minimalista de Hélio Eichbauer. Mas a platéia - ao menos, a da estréia de ontem - parecia destoar do tom de rock indie dos arranjos. As pequenas pistas - localizadas nas laterais - estavam animadas, mas a maior parte do público não entrou na vibe roqueira de Cê. O clima conservador da platéia prejudicaria o DVD.

A gravadora Sony BMG vai aproveitar o lançamento do aguardado terceiro álbum de Vanessa da Mata - Sim, nas lojas a partir de 28 de maio - para testar um novo formato de CD no combate à pirataria. Trata-se do CD Zero. A rigor, é uma versão reduzida do disco cheio que traz apenas cinco músicas e será vendida ao preço fixo de R$ 9,99. Ou seja, é o velho compacto duplo com outro nome. O CD Zero se destina ao público que se interessou pela música que está tocando na rádio, mas não tem vontade - ou dinheiro - de comprar o álbum inteiro. Vanessa será a cobaia, mas, mesmo antes de testar a viabilidade do novo formato no mercado varejista, a Sony já programou CDs Zero extraídos dos últimos discos de Lobão (Acústico MTV) e Capital Inicial (Eu Nunca Disse Adeus). A iniciativa merece aplausos porque é uma tentativa real de mexer com um mercado que tem andado paralisado.
Depois de apresentar o show Cê em casas com vibe jovial, como o Circo Voador e o Noites Cariocas, Caetano Veloso volta ao Rio para gravar o DVD e o CD do show. Mas o registro será feito no tradicional palco do Canecão, no fim de semana que vai de 25 a 27 de maio. Será que vão tirar as mesas?





Olha, bicho, por achar excepcional o álbum Erasmo Carlos Convida, de 1980, nunca imaginei que o segundo volume - lançado esta semana pelo Tremendão - fosse ficar tão bom. Mas ficou. À altura do primeiro. O encontro de Los Hermanos com Erasmo em Sábado Morto ficou tão harmonioso que lamento o tal recesso por tempo indeterminado anunciado pela banda. Marisa Monte reafirma a nobreza tribalista no Tema de Não Quero Ver Você Triste. O Skank destila doses exatas de melancolia e ironia na Banda dos Contentes. Adriana Calcanhotto traz Ilegal, Imoral ou Engorda para a tribo indie de Kassin, Domenico e Cia. Já Simone dá banho de elegância e comedimento em Vou Ficar Nu pra Chamar sua Atenção - a música que a Cigarra teve que retirar de seu CD Seda Pura porque Roberto Carlos, então no auge das manias do T.O.C., implicou com o nu do título. Contemporâneo, Lulu Santos faz o Coqueiro Verde balançar ao som de grooves eletrônicos. O encontro com Milton Nascimento e com Chico Buarque - ausências do primeiro volume - não rendem o esperado. Milton já não tem a artilharia vocal que o faria arrasar em Emoções há 20 anos. Chico não me parece muito à vontade na levada sambossa de Olha. Mas são detalhes pequenos de um grande disco.
Ana Carolina vai subir ao palco do Canecão a partir de 19 de julho para estrear o show de lançamento do álbum duplo Dois Quartos. A direção vai ser de Monique Gardenberg, que pilotou a filmagem do show anterior da artista, Estampado, para a edição em DVD (a direção original deste espetáculo de 2003 foi de Enrique Diaz). Ana é hoje uma das cantoras mais populares do Brasil (acho que perde somente para Ivete Sangalo) e confia na sua popularidade: o ingresso mais barato, de pista, está fixado em R$ 80. Mesmo para quem pagar meia, uma ida ao Canecão vai sair por R$ 40. A menos que fique nas cadeiras numeradas ímpares, que custam R$ 20, cada uma. Mas oferecem visão ruim.
Daniela Mercury é a grande atração carioca no Dia do Trabalho. Daqui a pouco, a cantora vai apresentar seu show Balé Mulato na Praia de Copacabana para o povão. Com direito a participações de Beth Carvalho e Margareth Menezes. A quem estiver no Rio e não tenha visto o show, recomendo: Balé Mulato é um dos melhores espetáculos da carreira de Daniela. É uma bela celebração da negritude feita em roteiro que mistura dança e música. Sua inspiração veio do belo CD homônimo de 2005, em que a cantora se reaproximou da axé music.