Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Sexta-feira , 29 Fevereiro, 2008

'Retorno de Saturno' repõe em foco som do Detonautas?

Foto de Daniela Conti
Em 2006, a perda trágica do guitarrista Rodrigo Netto - assassinado num assalto em seu carro quando voltava de um almoço dominical em famíia - pôs o grupo carioca Detonautas na mídia, mas tirou o foco do som da banda, que tinha mostrado evolução em seu terceiro disco. A militância política do vocalista Tico Santa Cruz, acentuada pelas circustâncias cruéis que tiraram a vida de seu colega, também tem ocupado periódico espaço nesta mesma mídia. Por isso mesmo, o lançamento do quarto disco do Detonautas - O Retorno de Saturno, nas lojas em breve pela gravadora Sony BMG - vai ser uma prova de fogo para a banda. Por ser o primeiro CD sem Rodrigo, a atenção da mídia está garantida. Mas o desafio dos Detonautas é fazer com que as onze músicas produzidas pelo guitarrista Fernando Magalhães despertem a mesma atenção. Pelos títulos de algumas faixas (Eu Vou Vomitar em Você, Não Dormiremos em Paz, Ensaio sobre a Cegueira), dá para perceber o tom politizado do disco.


Quinta-feira, 28 Fevereiro, 2008

'Dona Omara' na quitanda de Maria Bethânia

Foto de João Laet
"Dona Omara é muito moleca", me diz Maria Bethânia, com delicadeza que ameniza seu jeito impositivo. 'Dona Omara' é Omara Portuondo, cantora de 77 anos, estrela cubana que se destacou na constelação projetada mundialmente em 1996 no disco coletivo Buena Vista Social Club. Já para Omara, Bethânia é uma criança de 61 anos, uma niña, como ela a chama no seu espanhol natal. "Bethânia não perdeu a pureza. O sorriso dela é de menina", retribui Omara, com a doçura das avós.

A troca de gentilezas entre as cantoras na sede da gravadora Biscoito Fino dilui a formalidade que envolve a agenda de entrevistas arquitetada para promover o lançamento de Omara Portuondo e Maria Bethânia, o disco que marca a inédita reunião das intérpretes e que chega às lojas nesta quinta-feira nos formatos de CD simples e em edição dupla que agrega um DVD com 40 minutos de imagens da gravação. Ótimo aperitivo para quem não quiser esperar a turnê internacional que começa em 7 de março no Canecão e termina em junho no Chile, a tempo de Bethânia festejar São João. "Tenho que estar em casa no dia 23 para arrumar a fogueira", avisa a cantora, adepta do Candomblé e seguidora dos rituais católicos.

O disco era apenas um sonho de Omara quando, em setembro de 2005, ao vir ao Brasil para série de shows, ela se encontrou com Bethânia no Rio. Falou de seu sonho, que virou realidade em janeiro de 2007 quando, em uma semana, as duas gravaram as 14 músicas dispostas em 11 faixas. "Omara teve a idéia de centrar o repertório nos anos 50. Ela gosta da música daquela época, tanto a de lá de Cuba quanto a de cá no Brasil", conta Bethânia.

Se Omara delimitou a época, coube a Bethânia sugerir músicas e comandar as gravações com sutil pulso firme - como se percebe no documentário exibido no DVD valoriza a edição dupla do disco, caracterizado por Bethânia como 'amoroso'. "É um encontro alegre, pois tanto a música cubana quanto a brasileira são luminosas, mesmo quando tristes. Fizemos este disco sem a pretensão de que fosse um grande encontro. Virou grande porque é sincero", filosofa. "As músicas chegaram através da atmosfera criada", diz Omara.

O álbum entrelaça oficialmente duas trajetórias que começaram a se cruzar em 1986 quando Omara assistiu ao show feito por Bethânia no Festival Internacional de Varadero, em Cuba. "Que entrada triunfal! Que temperamento! Já tinha ouvido falar de Bethânia, mas percebi ali que ela tem uma alma que envolve a gente", recorda Omara, hoje ciente de que seu canto também envolve e até comove a colega. "Choro muitas vezes quando ouço Omara", confidencia Bethânia.

Sem chorar, Bethânia já ouvia música cubana desde a infância, em Santo Amaro da Purificação, cidade do interior da Bahia onde, na companhia da mãe, se deliciava com boleros e rumbas da ilha. A centenária Dona Canô, aliás, já aprovou o disco, exultando ao saber que sua filha tinha gravado com Omara a música Só Vendo que Beleza (Marambaia), antigo sucesso de Carmen Costa. "Mamãe adorou", festeja Bethânia, sob o olhar moleque de 'Dona Omara', que somente perde a leveza quando questionada sobre a renúncia do ditador Fidel Castro após 49 anos de permanência autoimposta no poder cubano. "É uma coisa normal", limita-se a dizer sem o ar de moleca que cativou dona Bethânia.


Quarta-feira, 27 Fevereiro, 2008

Warner divulga título do álbum de Madonna

Divulgação Hard Candy - e não Licorice, como chegou a ser afirmado e logo depois negado extra-oficialmente na internet - é o título do álbum que Madonna vai lançar em 28 de abril com intervenções do divo Justin Timberlake e muitas faixas produzidas por Pharrell Williams, Timbaland e Nate Danja Hills. As informações foram confirmadas em comunicado oficial divulgado pela gravadora multinacional Warner Music na manhã desta quarta-feira, 27 de fevereiro. A companhia confirmou também a existência de uma música intitulada Candy Store e anunciou que o primeiro single - Four Minutes, e não 4 Minutes to Save the World, como já vinha sendo propagado - será lançado no fim de março. O álbum Hard Candy é o último trabalho de inéditas de Madonna a ser editado pela Warner. O vínculo da diva com a major será encerrado de fato e definitivamente com uma coletânea.


Terça-feira, 26 Fevereiro, 2008

Uma voz do Amapá no Rio

Divulgação Dica para cariocas que gostam de conhecer novas cantoras: Juliele, nascida no Amapá, apresenta hoje no Rio de Janeiro, na Sala Baden Powell,o show de lançamento de seu primeiro CD, gravado e editado de maneira independente, com produção de Nilson Chaves e Celso Viáfora, de quem Juliele canta Bem Demais, parceria de Viáfora com Ivan Lins. Fica a dica - até porque não é todo dia que uma cantora pega um ita no Norte para vir ao Rio.


Segunda-feira, 25 Fevereiro, 2008

Primo de Sandy & Junior se lança em dupla infantil

Divulgação / Universal Music
Sandy & Junior cresceram e desapareceram como dupla, mas um de seus primos, Maury, sobrinho de Xororó, está se aventurando no mercado fonográfico em dupla infantil contratada pela mesma gravadora que lançou Sandy & Junior como dupla em 1989 (na época, a companhia hoje denominada Universal Music se chamava PolyGram). O duo Rafaela & Maury acaba de assinar contrato com a multinacional - na foto, as duas crianças posam com José Antonio Éboli, presidente da empresa no Brasil - e lança seu primeiro CD ainda este ano, com som caracterizado pela gravadora como 'pop dançante'. Vamos ver...


Domingo, 24 Fevereiro, 2008

Lenine grava disco de inéditas em abril

Divulgação Sony BMG / Guto Costa
Depois de dois projetos ao vivo, Lenine vai entrar em estúdio em abril para gravar álbum de inéditas - o quarto da discografia solo do artista e o primeiro em seis anos (o último, Falange Canibal, foi editado em 2002). O compositor vem de duas consecutivas gravações de shows: In Cité (2004) e Acústico MTV (2006), ambas muito bem recebidas pela crítica. Lenine, aliás, não vai ter do que reclamar em 2008: ele foi o contemplado do projeto Natural Musical. Ou seja, vai poder fazer sua música com o respaldo financeiro da Natura, que patrocinou a última turnê de Marisa Monte.


Sábado, 23 Fevereiro, 2008

Skank reafirma personalidade ao adiar 'Acústico MTV'

Divulgação Sony BMG / Weber Pádua Sempre admirei a postura íntegra do Skank na condução de sua carreira que já soma 18 anos. E essa admiração aumentou ao saber que o quarteto mineiro conseguiu driblar os planos da gravadora Sony BMG de fazê-lo sentar no banquinho da MTV este ano para gravar CD e DVD acústico. A banda não recusou o projeto. Mas não quis fazê-lo agora - acertadamente - e já entrou em estúdio para começar a preparar um disco de inéditas. São posturas como essa que dão saúde, vigor e prestígio a um grupo.


Sexta-feira , 22 Fevereiro, 2008

O baile 'black' de Mart'nália

Foto de Mauro Ferreira
Mart'nália entra em abril no estúdio da Biscoito Fino para gravar seu segundo disco de estúdio pelo selo Quitanda, da madrinha Maria Bethânia. A idéia inicial é misturar o samba com o suingue black do soul e do charme (um tipo de funk mais melódico) - fusão que a filha de Martinho da Vila já experimentou em seu segundo e pouco ouvido álbum, Minha Cara (1997), e que ela retoma em seu novo show, Sambacharme, que teve a sua estréia nacional no Teatro Rival, na noite de ontem, com direito à presença da cantora cubana Omara Portuondo na platéia lotada.

Uma releitura de Don't Worry, Be Happy - cantada por Mart'nália em um inglês esforçado e temperada com a batida do samba - abre e fecha o show. Ou baile, como caracteriza a artista em cena. Seja como for, a platéia parece se contagiar mais com o samba do que com o charme da cantora. E, com perdão do trocadilho, o samba de Mart'nália está de fato mais charmoso porque ela já adota em cena uma postura mais profissional sem prejuízo de sua natural espontaneidade. Mart'nália parece se sentir em casa no palco. E é totalmente à vontade que ela canta o samba Cabide (Ana Carolina) cheia de atitude, que esboça o seu autoretrato em Pra Mart'nália (Fred Camacho e Jorge Agrião) e que, espirituosa, brinca com os versos de Disritmia, um dos standards do repertório de seu pai, Martinho da Vila, cujos 70 anos são devidamente saudados antes de Ex-Amor. Tudo com carisma que bota a platéia no bolso.

O que Mart'nália necessita é aprimorar sua dicção. Nem sempre é possível entender com clareza os versos de músicas como Mulata no Sapateado - a parceria bissexta de Ary Barroso (1903 - 1964) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) que ela recordou no CD Pé do meu Samba (2002) - e Soneto do teu Corpo (Moska e Leoni). Até porque, enquanto canta, ela às vezes toca pandeiro e comanda um arsenal percussivo que, no caso de Tiro ao Álvaro (Adoniran Barbosa), dá um molho todo especial ao arranjo do tema. Merece ainda destaque nesta primeira parte, mais voltada para o samba, a interpretação feliz de Formosa, samba de Vinicius e Baden Powell (1936 - 2000) que exalta a mulher e se ajusta ao perfil da cantora (Bethânia, aliás, o gravou recentemente).

"Esse negócio de sambacharme é o que a gente já faz mesmo...", admite Mart'nália em cena, após cantar Fato Consumado, samba de Djavan que, no show, faz a transição do samba para o charme. De fato, o suingue black não é novidade na música de Mart'nália e é neste segundo bloco, mais voltado para o charme, que se nota a direção musical do baixista Arthur Maia, parceiro do recorrente Djavan em Alívio, o primeiro número desta segunda metade. No começo, músicas como Contradição (Mart'nália e Viviane Mosé) fazem o show perder pique. Falta um colorido até mesmo quando a artista arranha o violão para mostrar Pára Comigo (Mart'nália e Paulinho Black). O problema não está no balanço, azeitado, porém na irregularidade do repertório desse baile que esquenta quando a intérprete lança mão de composições mais inspiradas como Cada Um Cada Um (Arthur Maia), Baixo Rio (música de Ed Motta com o qual a cantora ensaia uma falsa saída de cena), Chega (Mart'nália e Mombaça) e - já no bis - Entretanto (Mart'nália e Mombaça) e You Are the Sunshine of my Life, uma das muitas obras-primas de Stevie Wonder. Sim, Mart'nália é puro charme com sua genuína pretinhosidade. Mas não adianta correr para o baile, pois já não há ingressos para o show de hoje.


Quinta-feira, 21 Fevereiro, 2008

Coletânea de Jagger revela faixa produzida por Lennon

Capa do CD 'The Very Best of Mick Jagger' Sob luxuosa produção de John Lennon (1940 - 1980), Mick Jagger gravou no inverno de 1973, em Los Angeles (EUA), a música Too Many Cooks (Spoil the Soup). Embora leiloada em Londres em 2003, a gravação deste blues de acento roqueiro é inédita em disco foi incluída na coletânea The Very Best of Mick Jagger - editada este mês no Brasil pela Warner (o disco saiu em outubro de 2007 nos Estados Unidos) - para fisgar consumidores. A compilação reúne 17 registros de Jagger fora dos Rolling Stones e inclui outras duas gravações inéditas. Trata-se de Checkin' Up on my Baby - feita em Los Angeles em 1992, com o grupo The Red Devils, e produzida por Rick Rubin com o próprio Jagger - e de Charmed Life (outro registro de 1992). Eis as 17 faixas do CD, selecionadas por Jagger:

1. God Gave me Everything - Fonograma do álbum Goodess in the Doorway (2001)
2. Put me in the Trash - Fonograma do álbum Wandering Spirit (1993)
3. Just Another Night - Fonograma do álbum She's the Boss (1985)
4. Don't Tear me Up - Fonograma do álbum Wandering Spirit (1993)
5. Charmed Life - Gravação inédita em disco (1992)
6. Sweet Thing - Fonograma do álbum Wandering Spirit (1993)
7. Old Habits Die Hard (com Dave Stewart) - Fonograma da trilha sonora do filme Alfie (2004)
8. Dancing in the Street (com David Bowie) - Fonograma de single de 1985
9. Too Many Cooks (Spoil the Soup) - Gravação inédita em disco (1973)
10. Memo From Turner - Fonograma da trilha sonora do filme Performance (1969)
11. Lucky in Love - Fonograma do álbum She's the Boss (1985)
12. Let's Work - Fonograma do álbum Primitive Cool (1987)
13. Joy - Fonograma do álbum Goddess in the Doorway (2001)
14. Don't Call me up - Fonograma do álbum Goddess in the Doorway (2001)
15. Checkin' up on my Baby - Gravação inédita em disco (1992)
16. (You Got to Walk and) Don't Look Back -Fonograma do álbum Bush Doctor (1978), de Peter Tosh
17. Evening Gown - Fonograma do álbvum Wandering Spirit (1993)


Quarta-feira, 20 Fevereiro, 2008

Madonna na pista do hip hop e do r & b

Divulgação / Warner Music Supostamente intitulado Licorice, nome negado por seus assessores, o 11º álbum de Madonna já tem data certa para chegar às lojas: 29 de abril. 4 Minutes to Save the World é o primeiro single do disco, que vai tentar fazer o link da pegada dance da diva com o universo do r & b e do hip hop que domina a música norte-americana. Com metais na sua introdução, a música foi gravada em dueto com Justin Timberlake e o seu clipe foi filmado em Londres - com direção de Jonas & François e participações de Timberlake e de Timbaland, que integra o escrete de produtores ao lado de Pharrell Williams (da dupla The Neptunes) e de Nate Danja Hills. Como já circulava na internet desde o ano passado, o álbum reúne músicas como The Beat Goes on (que tem intervenções do rapper Kanye West), Miles Away (faixa de pegada suave que teria a participação de Timberlake), Dance Tonight (música que remeteria ao som do álbum anterior de Madonna, Confessions on a Dance Floor), Even the Devil Wouldn't Recognize You (tema composto para um abortado musical, Hello, Suckers!), Candy Store (faixa que já tinha vazado na internet como Candy Shop) e Across the Sky. Heartbeat e Give It to me seriam outras faixas que vão tentar manter Madonna nas pistas, só que com a pulsação que caracteriza as padronizadas produções de Timbaland, Timberlake, Danja, Pharrell Williams e Cia.


Terça-feira, 19 Fevereiro, 2008

Maria Rita no primeiro clipe do CD 'Samba Meu'

Divulgação / Júlia Ribeiro
Taí um flagrante da gravação do primeiro clipe inspirado em música do terceiro CD de Maria Rita, Samba Meu. Foi gravado em Santa Teresa, na segunda-feira, com direção de Hugo Prata, e vai entrar em rotação em março. A faixa que toca bem nas rádios é O Homem Falou, mas a opção foi por gravar o clipe do samba Num Corpo Só, parceria de Arlindo Cruz com Picolé. Foi feito em preto e branco.


Segunda-feira, 18 Fevereiro, 2008

Claudia Leitte não disse a que veio em gravação solo

Foto de Mauro Ferreira
Claudia Leitte deixou a desejar ontem na gravação do CD e DVD que dão o pontapé inicial na sua carreira solo. O show impressionou pela grandiosa estrutura técnica. Mas, musicalmente, foi muito ruim. O roteiro insosso teve um caráter populista que levou a crer que o upgrade mostrado no repertório do último CD do Babado Novo, Ver-te Mar, foi intencionalmente descartado neste primeiro projeto individual da ex-vocalista do grupo. E o choro (forçado?) de Claudia no bloco das baladas lembrou demais a emoção de Ivete Sangalo em sua megagravação no Maracanã. Definitivamente, Claudia Leitte quer ser Ivete Sangalo quando crescer. Mas não que ser Ivete, hoje me dia, signifique algo de relevante fora dos parâmetros empresariais da música comercial...


Domingo, 17 Fevereiro, 2008

Eletricidade de Daniela esquenta gravação de Cláudia

Foto de Mauro Ferreira
A participação explosiva de Daniela Mercury na música Cidade Elétrica esquentou a gravação morna do primeiro DVD e CD solo de Cláudia Leitte. Entrosadas, as duas cantoras protagonizaram o momento áureo da gravação que superlotou a Praia de Copacabana na noite de domingo. Com coreografias ensaiadas, Cidade Elétrica foi um dos poucos números - talvez o único - à altura da expectativa criada em torno do projeto solo da ex-vocalista do grupo Babado Novo. E, justiça seja feita, Cláudia acompanhou o pique de Daniela na música.
Foto de Mauro Ferreira
A versão de Fogo e Paixão em ritmo de axé também resultou curiosa. Estranho no ninho baiano, Wando deu o ar da graça e tentou acompanhar o pique de Cláudia Leitte nesta música gravada por ele em 1985. Pode virar hit de novo nas micaretas que agitam o Brasil.
Foto de Mauro Ferreira
Sob as bençãos de uma imagem do Cristo Redentor, Cláudia Leitte entrou em cena e mandou logo de cara uma versão de sua recente música Exttravasa turbinada pelo rap de Gabriel O Pensador. O rapper tentou ser simpático, mas ficou claro que seu discurso tinha pouco a acrescentar ao tema. O segundo take superou o inicial.


Sábado, 16 Fevereiro, 2008

RPM e Sony BMG divergem sobre reedições do grupo

Divulgação / Beti Niemeyer
Quase ninguém notou, mas eu notei: as reedições dos três primeiros discos do RPM e o lançamento do inédito DVD do show Rádio Pirata não saíram no ano passado como chegou a ser anunciado. Fui apurar e descobri o motivo: é que o grupo e a gravadora Sony BMG, dona da discografia inicial do RPM, não se entenderam e, por ora, as reedições estão empacadas. Fontes extra-oficiais me disseram que o quarteto idealizou um projeto luxuoso que ficaria caro nas lojas e que - na avaliação da gravadora - daria pouco retorno comercial. Não tiro a razão da Sony, não. Afinal, os dois primeiros e melhores discos da banda, o genial Revoluções por Minuto (1985) e o explosivo Rádio Pirata ao Vivo (1986), já ganharam decentes reedições em CD há algum tempo. Ou seja, os fãs mais fervorosos já comprarm estas reedições. E, cá entre nós, hoje em dia já não tem muita gente interessada em comprar discos do RPM. Mas torço para que banda e gravadora cheguem a um acordo. Afinal, o antológico show Rádio Pirata merece edição em DVD.


Sexta-feira , 15 Fevereiro, 2008

Disco de Bethânia com Omara une vozes e nações

Divulgação Biscoito Fino / Leonardo Aversa Em janeiro de 2007, logo depois de expor suas memórias das águas em dois CDs, Mar de Sophia e Pirata, Maria Bethânia voltou ao estúdio da gravadora Biscoito Fino para fazer disco com a cantora cubana Omara Portuondo, projetada mundialmente nos anos 90 no CD coletivo Buena Vista Social Club. Editado este mês, no formato de CD e CD + DVD (com documentário de Bruno Natal sobre a gravação), o álbum Maria Bethânia e Omara Portuondo gerou turnê que estreará no Rio de Janeiro (no Canecão, de 7 a 16 de março) e passará por onze cidades até maio. Com produção dividida entre Jaime Alem (maestro de Bethânia há mais de 20 anos) e o violonista Swami Jr., o álbum entrelaça músicas do Brasil e de Cuba. São antigos boleros e temas ruralistas.

Selecionado pelas cantoras a partir de pesquisa feita por Mozá Menezes e Rodrigo Faour, o repertório é quase todo inédito nas vozes das intérpretes. Uma das poucas exceções é Palabras, tema de Marta Valdés que Omara já gravou e que reaparece no CD junto a Palavras, música de Gonzaguinha, na voz de Bethânia. Outras exceções são Y Tal Vez (de Juan Formell) e El Amor de mi Bohío (Julio Brito), boleros também já registrados por Omara. Entre as faixas gravadas em dueto, há Para Cantarle a mi Amor — música do pianista e compositor Orlando de la Rosa, entoada em castelhano — e Só Vendo que Beleza (Marambaia), parceria de Rubens Campos com Henricão, revivida pelas duas cantoras, juntas, em português.

Com 14 músicas distribuídas em 11 faixas, o disco foi sugerido por Omara. Ao vir ao Brasil em 2005, ela confidenciou a Bethânia a vontade de gravar um CD com a cantora baiana. O repertório inclui, na parte brasileira, músicas como a ruralista Caipira de Fato (Adauto Santos), Arrependimento (bolero de Dolores Duran e Fernando César), Menino Grande (Antônio Maria) e Você, tema de Hekel Tavares e Nair Mesquita, mais conhecido como Penas do Tiê. Já a bela seleção cubana, capitaneada por Omara, traz Lacho (tema do pianista Facundo Rivero e do flautista Juan Pablo Miranda que abre o disco) e o bolero Mil Congojas (outra música de Juan Pablo Miranda). O CD inclui também Nana para un Suspiro (Semillita), do compositor contemporâneo Juan Luís Ferrer.


Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2008

Natalie Cole perdeu oportunidade de ficar calada

Nada a ver as declarações de Natalie Cole em protesto contra a consagradora premiação de Amy Winehouse no 50º Grammy. "Não acho que o comportamento dela deva ser premiado. Estou decepcionada", resmungou Cole. Ora, que bobagem! Ninguém premiou o comportamento da cantora britânica, mas o som maravilhoso ouvido em seu segundo disco Back to Black, um dos poucos reais destaques da indústria fonográfica. Natalie Cole perdeu uma ótima oportunidade de ficar calada...


Quarta-feira, 13 Fevereiro, 2008

Quem não sentiu o suingue de Henri Salvador?...

Divulgação
A julgar por sua figura, Henri Salvador parecia um sambista da velha guarda. Só que Henri - que saiu de cena em Paris nesta quarta-feira, 13 de fevereiro, aos 90 anos, por conta da ruptura de um aneurisma cerebral - esteve mais associado à bossa nova do que ao samba mais tradicional. Nascido na Guiana Francesa em 1917, Henri compôs e cantou músicas como Syracuse, Zorro Est Arrivé e Dans mon Île, que, criada em 1957, seria regravada por Caetano Veloso, fã de Henri, em 1981 no disco Outras Palavras. O baiano citaria Henri em verso de Reconvexo. "Quem não sentiu o suingue de Henri Salvador", diria Caetano pela voz de Maria Bethânia, que lançou a música de seu irmão no álbum Memória da Pele (1989). Admirador do Brasil, que conheceu na década de 40 durante turnê pela América Latina, Henri Salvador gravou com nomes como Gilberto Gil e o próprio Caetano. Um de seus últimos discos, Révérance, editado em 2006, trazia arranjos de Jaques Morelenbaum. Seu suingue jazzístico tinha elementos brasileiros.

A Glória, em memória...
Já que o assunto triste do post é a morte, peço licença aos leitores deste blog para prestar uma homenagem pessoal à minha amiga Glória, que, soube eu hoje pela manhã, também saiu de cena. Glória foi minha animada companheira em incontáveis shows a que eu via às vezes por prazer, às vezes por obrigação profissional. Às vezes por ambos. Como no caso dos shows de Maria Bethânia, de quem Glória, como eu, sempre foi grande fã. Fica a saudade e a lembrança de tantos momentos bons vividos no Canecão, no Teatro Rival e em muitas outras platéias dessa cidade. Obrigado, amiga! Até um dia!


Terça-feira, 12 Fevereiro, 2008

Cida Moreira canta no Rio

Cartaz promocional da série 'Modinhas e Chorinhos'
Dica de show para cariocas: Cida Moreira canta hoje no Rio de Janeiro. A cantora marca presença, em duas sessões, às 12h30m e às 18h30m, na série Modinhas e Chorinhos, apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Ver e ouvir Cida é sempre uma boa pedida. Vou lá!


Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2008

Amy chora no Grammy pela vitória de estar viva

Reprodução da TV
Amy Winehouse - a grande vitoriosa do 50º Grammy - chorou ao ouvir que sua música Rehab tinha sido eleita a Gravação do Ano. Foi um choro à distância, pois, com visto negado para pisar nos Estados Unidos, a grande artista britânica teve que se integrar via satélite à cerimônia que, no todo, foi bem apática no que diz respeito às premiações em si. E Amy chorou, abraçada à mãe. Mas foi um choro - não se enganem - pela vitória de estar viva na dura luta contra as drogas que ela vem travando. A consagração de Amy no Grammy (ela faturou cinco dos seis troféus a que concorria) talvez seja um estímulo para que ela batalhe para continuar viva e fazendo a música que encantou o mundo ocidental em 2007.

Show de Amy à parte, e ela cantou duas músicas direto de um estúdio londrino, o que salvou a noite foram os números musicais. Logo no início da festa, um dueto virtual de Alicia Keys e Frank Sinatra em Learnin' the Blues se mostrou sedutor. Mais adiante, o encontro de Tina Turner e Beyoncé, num dueto em Proud Mary, velho hit de Tina, também contagiou. E o tributo a Luciano Pavarotti com o número The Prayer - que uniu os tenores Andrea Bocelli e Josh Groban - emocionou pelo sincero tom sentimental da homenagem a Pavarotti e aos que se foram em 2007. Duro foi ter que aguentar as piadinhas insossas sobre o Grammy veiculadas pelo canal Sony no Brasil a cada intervalo da transmissão ao vivo.


Domingo, 10 Fevereiro, 2008

'Maga' subiu o morro e a temperatura do verão carioca

Foto de Mauro Ferreira
Quem fecha os ouvidos para a música afro pop baiana - axé music, no genérico rótulo propagado pela mídia - deveria se permitir a experiência de ver um show de Margareth Menezes. Ontem à noite subi o Morro da Urca para ver a apresentação da cantora no projeto Verão no Morro. E, mais uma vez, Maga deu um show de energia. Sua voz ardente irradiou um calor que irmanou a platéia numa corrente de alegria. O roteiro foi perfeito do início ao fim. Margareth não canta aquele lixo enlatado que é a pior vertente da axé music. Seu repertório é composto por sambas-reggaes, músicas de Carlinhos Brown, de Jauperi e de outros talentosos compositores da Bahia. A surpresa foi Amor, I Love You - hit de Marisa Monte - em ritmo de baticum afro-baiano. O público se esbaldou com a cantora, que, além da voz poderosa, se movimenta pelo palco de forma eletrizante. Ninguém ficou parado. Parecia que o Morro da Urca era a Praça Castro Alves. Margareth Menezes precisa ser mais valorizada fora do circuito baiano. É uma das maiores cantoras do Brasil.


Sábado, 9 Fevereiro, 2008

Elza dá um baile no cinema nacional

Capa do CD com a trilha sonora do filme 'Chega de Saudade'
Estou ansioso para ver o segundo filme de Laís Bodansky, Chega de Saudade, já coberto de elogios nos festivais em que foi exibido. Enquanto o filme não entra em circuito, tenho ouvido a trilha sonora editada em CD pela Universal Music. Para quem não sabe, a ação de Chega de Saudade se passa num baile. E sabe quem comanda esse baile? Elza Soares, Marku Ribas (um cantor de samba-rock cultuado na cena underground dos anos 70 que agora está voltando à tona) e a Banda Luar de Prata, sob a produção musical de BiD. A turma manda bem e garante o suingue. Elza e Ribas, que encarnam os crooners da orquestra no filme, revivem músicas como Não Deixe o Samba Morrer e De Noite na Cama. Dica: antes de ver o filme, ouça o disco para entrar no clima.

Já que o assunto é cinema, ontem fui ver Sweney Tood - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Dirigida por Tim Burton, a adaptação para as telas do musical criado em 1979 por Stephen Sondhein não me seduziu. É tudo muito bem filmado, bem interpretado, a música é de bom nível (embora não esteja entre as obras-primas de Sondhein), mas não curti. Mas sei que o problema é meu. Nunca fui muito fã de musicais. Os dois amigos que viram o filme comigo amaram este filme de clima gótico.


Sexta-feira , 8 Fevereiro, 2008

Brown e Vanessa da Mata no novo CD de Sergio Mendes

Capa do CD 'Encanto'
Taí a capa tropical do novo disco de Sérgio Mendes, Encanto, nas lojas em abril. O brasileiro repetiu a fórmula de seu CD anterior, Timeless, que sedimentou a parceria de Mendes com o rapper will.i.am - não por acaso, produtor de várias faixas deste Encanto ao lado do próprio Mendes. A receita consiste em embalar o suingue da música brasileira com levadas identificáveis para o público norte-americano. A lista de convidados é enorme: Vanessa da Mata participa de Acode, música sua que Shirle de Moraes gravou sem repercussão. Brown também marca presença na sua música Odo-Ya (e ainda assina Funky Bahia). Já o roqueiro colombiano Juanes comparece em música de João Donato, E Vamos Lá, traduzida para o espanhol. Enfim, uma miscelânea tropical para gringo bem ao estilo de Mendes. Quer mais? Tem versão de Águas de Março em francês.


Quinta-feira, 7 Fevereiro, 2008

Considerações sobre a aula de samba de Mart'nália

Capa do CD 'Aula de Samba'
Ainda no embalo do Carnaval, faço algumas (justas) considerações sobre o CD Aula de Samba - A História do Brasil através do Samba-Enredo, produzido por Mart'nália e recém-editado pela gravadora Biscoito Fino.

1. A idéia é boa: ensinar nas escolas passagens da História do Brasil por meio de sambas-enredos históricos (em todos os sentidos). Mas Mart'nália poderia ter sido mais rigorosa na seleção: O Grande Presidente, por exemplo, é um grande samba de Padeirinho, com o qual a Mangueira desfilou no Carnaval de 1956. Mas sua letra apresenta um retrato bem idealizado de Getúlio Vargas, escondendo a face ditatorial do grande Presidente.

2. Por que Chico Buarque está tão desanimado na gravação de Exaltação a Tiradentes? A faixa é uma aula de como não se deve cantar um samba-enredo.

3. Mart'nália e seu irmão Martinho Filho, idealizador do projeto, pegaram cola de um disco gravado em 1980 por seu pai, Martinho da Vila, e intitulado justamente Samba-Enredo. As maiores raridades do repertório vieram do CD do antológico LP do da Vila, mestre do samba-enredo.

4. Os Sertões, samba defendido pela Em Cima da Hora em 1976 e revivido por Fernanda Abreu, é uma aula de como fazer samba-enredo. O samba-enredo que já não se canta hoje nos desfiles industrializados.


Quarta-feira, 6 Fevereiro, 2008

Mais um título para a Beija-Flor!

Bandeira da escola Beija-Flor de Nilópolis
E a Beija-Flor de Nilópolis ganha mais um título de campeã (no caso, bicampeã) no sempre disputado Carnaval carioca. Geléia Geral parabeniza a escola e sua comunidade! E o colunista, que é portelense, fica feliz com o quarto lugar da azul-e-branco de Madureira.


Terça-feira, 5 Fevereiro, 2008

Nova vocalista do Ara Ketu estréia hoje

Divulgação
Larissa Luz assume oficialmente nesta terça-feira de Carnaval o posto de vocalista do grupo Ara Ketu. O próprio Tatau, que deixou a função após quase 20 anos, é quem vai passar o microfone para Larissa em show no circuito carnavalesco baiano. Mais uma rainha do axé?


Segunda-feira, 4 Fevereiro, 2008

Ivete recebe Vercilo no circuito baiano

Divulgação / Cacau Mangabeira Taí uma foto de Ivete Sangalo no circuito Campo Grande - um dos mais prestigiados do Carnaval de Salvador. A foto é de ontem, domingo. No sábado, a cantora recebeu Jorge Vercilo, que reviveu sucessos como Monalisa em cima do trio elétrico.


Domingo, 3 Fevereiro, 2008

Daniela põe Seu Jorge na folia baiana

Divulgação A foto acima flagra o encontro de Daniela Mercury com Seu Jorge no camarote comandado pela cantora na folia baiana. Jorge gravou com Daniela o pot-pourri intitulado Preta, com a junção de Eu Sou Preto com o samba Sorriso Negro, lançado por Ivone Lara no início dos anos 80.


Sábado, 2 Fevereiro, 2008

Novela vai projetar vozes de Ana Canãs e Céu

Divulgação / Sony BMG Duas cantoras muito incensadas pela crítica mas ainda pouco conhecidas pelo chamado grande público - Ana Cañas (foto) e Céu - terão suas vozes ouvidas em escala nacional a partir de 18 de fevereiro. É que ambas estão com músicas na trilha da nova novela das sete da Globo, Beleza Pura. Se vão emplacar, é outra história. Mas, digam o que disserem, ter música em novela ainda é o caminho mais fácil para projetar um artista.


Sexta-feira , 1 Fevereiro, 2008

Enfim, os discos de Ney serão reeditados

Divulgação / Ary Brandi A notícia que mais gostei de dar na edição desta sexta-feira da coluna impressa Estúdio é a reedição dos discos de Ney Matogrosso. A Universal Music prepara coleção com reedição da obra fonográfica do cantor - incluindo também títulos lançados em outras gravadoras. Já passava da hora. Em 1993, alguns discos de Ney foram editados em CD na horrorosa série Colecionador. Depois disso, somente um ou outro voltava ao catálogo de vez em quando. Mas a maioria tinha virado raridade. Essa coleção faz jus à obra do Ney - das mais dignas da MPB.

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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