Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Sábado, 31 Maio, 2008

'Rock Voador' ganha reedição em série equivocada

Capa da coletânea 'Rock Voador'
A coletânea Rock Voador é, a rigor, bem ruinzinha, mas ganhou importância histórica por reunir as primeiras gravações em disco de Paula Toller, vocalista do grupo carioca que então atendia pelo nome de Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Pois a compilação está de volta ao catálogo. Sua primeira reedição em CD chegou às lojas em 1997. A atual está inserida na série Rock Brasil 25 Anos, de conceito equivocado por tentar fazer crer que o rock brasileiro despontou em 1983 quando, na verdade, a fagulha inicial que detonou toda a explosão foi acesa no verão de 1982 a partir do estouro da Blitz. Para quem não se liga em datas ou efemérides (a grande maioria, aliás), a compilação é apenas o retrato de um momento em que as gravadoras saíram contratando todo mundo que fazia pop. Você certamente nunca mais ouviu falar de Malu Vianna, Papel de Mil e Maurício Mello & Companhia Mágica. Pois essa turma, logo engolida pela poeira da estrada, também debutou na coletânea.


Sexta-feira , 30 Maio, 2008

Os fados de Fafá

Foto de Mauro Ferreira
Fafá de Belém está em cartaz até amanhã no Teatro Rival com um show de fados. Na verdade, é um remake do show feito por ela em 1993 no embalo do lançamento nacional do CD Meu Fado, um dos melhores títulos de sua irregular discografia. Mas tem músicas novas no roteiro, como Lágrima (sucesso de Dulce Pontes), Fado Loucura (de Carlos Zel, morto em 2002) e Os Argonautas, de Caetano Veloso. O repertório, de ótimo nível, é talhado para a voz passional da cantora. O que prejudica o show é a mania de Fafá de ficar interagindo com o público o tempo todo - o que muitas vezes faz cair o nível de suas interpretações. Quando se preocupa apenas em cantar, ela arrasa - até porque sua voz continua em forma. Não perdeu volume e ainda ganhou a maturidade que somente o tempo pode proporcionar. Recomendo.


Quinta-feira, 29 Maio, 2008

Festa para Dominguinhos valoriza prêmio sem graça

Gil canta 'Eu Só Quero um Xodó' com Dominguinhos. Divulgação / Murilo Tinoco
Com uma jam de sanfoneiros, que juntou alguns dos melhores acordeonistas brasileiros sob o comando do homenageado Dominguinhos, a sexta edição do Prêmio Tim de Música foi encerrada em clima festivo, na noite de ontem como se o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) fosse uma casa chique de forró. Festejar a obra do autor de músicas como Contrato de Separação - revivida pela intérprete original do tema, Nana Caymmi, na companhia de Dominguinhos - foi uma bela idéia que engradeceu e enobreceu uma premiação em si apática, já que, para agilizar a cerimônia, os vencedores não têm o direito de agradecer os troféus - o que diminui o teor de emoção da festa que rendeu quatro troféus a Paulinho da Viola.
Estreantes na função de apresentadores do prêmio, os atores Marcos Palmeira e Marieta Severo conduziram a cerimônia com desenvoltura e naturalidade. Disseram o texto com segurança e sem tentar fazer gracinhas para entreter a platéia de convidados. Mas a noite foi mesmo de Dominguinhos - efusivamente saudado pelo público logo que seu nome foi anunciado pelo presidente da Tim. Com seu acordeom e certo incômodo por ter que se apresentar com fones no ouvido ("Vou passar a noite ajeitando os ouvidos", gracejou), Dominguinhos esteve presente em todos os números musicais do show dirigido e arranjado pelo maestro Rildo Hora. Com Gilberto Gil, o sanfoneiro recordou o xote Eu Só Quero um Xodó, sucesso de Gil em 1973. Sem desafinar, Vanessa da Mata fez pulsar sua veia interiorana em Lamento Sertanejo enquanto Elba Ramalho reviveu De Volta pro Aconchego, a toada romântica que lhe garantiu lugar de destaque nas paradas de 1985. Já Luciano errou a letra de A Vida do Viajante - solada por ele enquanto o irmão Zezé Di Camargo se virava na sanfona ao lado de Dominguinhos - e pediu desculpas ao público. A dupla sertaneja emendou o hit do mestre Gonzagãocom Tenho Sede no número mais problemático da noite. Ivete Sangalo interpretou Gostoso Demais, a bela toada que Maria Bethânia lançou em 1986.
A premiação em si foi correta e, desta vez, sem grandes absurdos - em que pesem algumas idiossincrassias como dar a Martinho da Vila o troféu de Melhor Cantor na categoria Canção Popular e de enquadrar Ivete Sangalo na categoria Regional (Ivete levou o prêmio de Melhor Cantora no segmento e subiu ao palco com papel no qual se lia ELBA, numa alusão a Elba Ramalho, veterana concorrente da categoria que saiu de mãos abanando nesta sexta edição do Prêmio Tim de Música - aliás, uma injustiça com Elba).
Na categoria MPB, Emilio Santiago levou os troféus de Melhor Disco (De um Jeito Diferente) e Melhor Cantor (a Melhor Cantora foi Nana Caymmi pelo CD Quem Inventou o Amor). Na área de Pop /Rock, Vanessa da Mata derrotou Fernanda Takai, que também perdeu o prêmio de Melhor Disco para Arnaldo Antunes (Ao Vivo no Estúdio). No segmento Regional, Siba faturou o prêmio de Melhor Disco (Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar, também premiado com o troféu de Projeto Visual), mas o Melhor Cantor foi Rodrigo Maranhão pelo CD Bordado. Detalhe: Maranhão também levou o prêmio de Revelação. Já na categoria Samba, o domínio foi de Paulinho da Viola, também laureado com o troféu de Melhor Canção (Vai Dizer ao Vento). Como de praxe, Alcione faturou o prêmio de Melhor Cantora na categoria. E o Fundo de Quintal, o de grupo...
No todo, a merecida festa para Dominguinhos fez valer a noite. Ainda que o Prêmio Tim de Música deixe no ar, pela sexta vez, a sensação de que seus critérios são discutíveis. Não premiar Fernanda Takai e Roberta Sá - no ano em que ambas as cantoras concorriam com discos unanimamente festejados pela crítica - sinaliza um certo descompasso do corpo de jurados com o gosto geral. Mas, justiça seja feita, já houve premiações mais absurdas e, de todo modo, o prêmio nunca teve cacife para alterar o status dos indicados.


Quarta-feira, 28 Maio, 2008

DVD do selo de Pagodinho chega ao exterior

Um dos campeões de vendas no magérrimo mercado fonográfico em 2007, o CD/DVD Cidade do Samba - produto inaugural do selo de Zeca Pagodinho, o ZecaPagoDiscos - está sendo lançado no exterior. A gravação ao vivo do show - que reuniu diversos artistas de diferentes gerações em nome do samba e de Zeca - já chegou às lojas de países como França, Grécia, Hong Kong, Japão, Itália, Coréia, Turquia e Israel. O sucesso no mercado nacional sinaliza que, quando a idéia é boa, o público compra. A pirataria está levando a culpa por toda a crise quando, na verdade, a crise da indústria fonográfica também é de idéias. E é grave a crise...


Terça-feira, 27 Maio, 2008

Calcanhotto cai de novo na rede global

João Laet A trajetória fonográfica de Adriana Calcanhotto está entrelaçada desde sempre com as trilhas de novelas globais. Já ao lançar seu primeiro e pior CD (1990), Enguiço, a cantora teve a música Naquela Estação incluída na trilha sonora da novela Rainha da Sucata. Na seqüência, Calcanhotto emplacou seu primeiro hit, Mentiras, por conta da insistente execução da canção nas cenas da novela Renascer, exibida em 1993 (a música é do segundo disco da artista, editado no ano anterior). Outros sucessos propagados na rede global vieram. E tudo indica que essa história vai ter mais uma página de sucesso. Mulher sem Razão - faixa do recém-lançado álbum Maré - já tem presença garantida na trilha da novela A Favorita, que substitui Duas Caras a partir de 2 de junho. Sem falar que Três, outra gravação do mesmo Maré, toca em Ciranda de Pedra. Nada mal. Ao cair na rede global mais uma vez, a refinada música de Calcanhotto ganha oportunidade de ser ouvida em escala nacional. Ganham a cantora e o público noveleiro.


Segunda-feira, 26 Maio, 2008

Camelo já divulga disco solo

Começam enfim a ser divulgadas, em caráter oficial, informações do disco solo que Marcelo Camelo já vem preparando desde o fim do ano passado, como eu já tinha informado na coluna impressa Estúdio. Segundo a nota, Camelo já está finalizando a gravação do CD, cujo lançamento está previsto para o segundo semestre. Dominguinhos, Clara Sverner, Domenico Lancellotti e o grupo paulistano Hurtmold estão entre os convidados.


Domingo, 25 Maio, 2008

Leci canta com Simoninha e Mart'nália

Divulgação / LGK Music Chega às lojas nos próximos dias um disco de inéditas de Leci Brandão, Eu e o Samba. As maiores novidades são o dueto de Leci com Mart'nália em Criador, parceria de Xande de Pilares (Grupo Revelação) com Luiz Cláudio Picolé, e a participação de Wilson Simoninha em Tributo a Martin Luther King. Trata-se de um sucesso de Wilson Simonal, composto por ele com Ronaldo Bôscoli em homenagem ao líder negro que agitou os anos 60 com sua bandeira de justiça racial. Tudo a ver com a postura engajada que foi adotada por Leci desde seu início de carreira.


Sábado, 24 Maio, 2008

Gil capta tensões do mundo com antena parabolicamará

Mark Leibowitz / Site Oficial de Gilberto Gil
Gilberto Gil religou a antena parabolicamará, chave e título do festejado CD que editou em 1992. Em Banda Larga Cordel, seu primeiro disco de inéditas em 11 anos, o compositor capta tensões, conexões e contradições do mundo tecnológico em 16 faixas que oscilam entre o acústico e o eletrônico. Às vezes, Gil se excede nos recursos eletrônicos, como em ‘La Renaissance Africaine’, que tem versos em francês, mas, no todo, o disco é pautado pelo equilíbrio. Na verborrágica faixa-título, Banda Larga Cordel, Gil festeja a inclusão digital do interior do Brasil em tema que evoca sons do sertão nordestino no arranjo. Já na corrosiva O Oco do Mundo, o grande momento do disco, o discurso de alta voltagem poética adquire tom quase indignado. Gil rumina sobre a esfera sombria do mundo tecnológico em música urdida com sujeiras e distorções. ‘O oco do mundo é o bobs no cabelo da perua’, sentencia o autor.
Nem sempre a música de Banda Larga Cordel está à altura do discurso. Balada de atmosfera soul, Olho Mágico, por exemplo, exibe melodia de menor inspiração. O mesmo podendo ser dito de Gueixa no Tatame, faixa cheia de quebradas rítmicas, e de Canô, samba de manemolência baiana com que o artista saúda os 100 anos de Dona Canô, mãe de seu amigo Caetano Veloso.
O álbum oscila também entre as reflexões existenciais e a malícia nordestina. Na canção A Faca e o Queijo, feita para Flora Gil, mulher do compositor, Gil aborda com poesia o resfriamento da chama da paixão. A música é envolvente. Já em Não Tenho Medo da Morte o compositor esboça reflexão pouco expressiva sobre a finitude. “Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida?”, pondera na faixa pontuada por cordas de realce excessivo. Por sua vez, a malícia nordestina se faz presente no bom xote Despedida de Solteira, que narra o espirituoso causo lésbico de uma cabrita à beira do altar, e em Não Grude, Não, música que tangencia o forró pop.
Duas regravações reafirmam a musicalidade ímpar do artista. Gil dá outro recorte rítmico ao samba Formosa, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, e deita e rola nas quebradas do Samba de Los Angeles, extraído do disco Nightingale, feito em 1978 para o mercado norte-americano. No todo, o CD Banda Larga Cordel — nas lojas somente em 17 de junho, mas já disponível para audição no portal Sonora, do Terra — conecta Gil ao seu tempo.

'Control' reaviva os fantasmas de Ian Curtis

Cartaz original do filme 'Control' Entrou em cartaz ontem um filme que eu já tinha visto na edição de 2007 do Festival do Rio - numa concorrida sessão de meia-noite - e que recomendo. Trata-se de Control, filme sobre a breve e atormentada trajetória de Ian Curtis, o vocalista suicida do grupo Joy Division. O diretor Anton Corbijn optou por fotografar em preto e branco o longa-metragem de ficção baseado num livro da viúva de Ian, Deborah Curtis. O foco está nos dramas pessoais e conjugais do artista, mas o pano de fundo é a Inglaterra conturbada da segunda metade dos anos 70. Tudo costurado com uma trilha sonora que dispensa comentários. Control merece ida urgente ao cinema. O roteiro é bom e a história é capaz de envolver até mesmo quem não tem interesse pelo Joy Division.


Sexta-feira , 23 Maio, 2008

Planmusic e CIE brigam para trazer Madonna ao Brasil

A nova turnê de Madonna - Sticky and Sweet Tour, que inicia em 23 de agosto, na cidade de Cardiff (no País de Gales) - vai mesmo passar pelo Brasil em dezembro. Isso é um fato que somente ainda não foi confirmado oficialmente porque a empresa Planmusic - pilotada pelo empresário Luiz Oscar Niemeyer - disputa o privilégio de trazer a cantora ao País com a CIE-Brasil, empresa que também tem balha na agulha. Enquanto não houver um vencedor nessa briga, o anúncio oficial da vinda de Madonna ao Brasil não pode ser feito. Mas ela vem.

Cidade Negra resiste com solos de Garrido e Da Gama?

Divulgação Apesar de ter enfrentado séria turbulência com a tempestuosa saída do vocalista Toni Garrido, o grupo Cidade Negra continua de pé - ao menos em tese - e até já estaria planejando um disco sem Garrido. Mas resta saber se a banda vai resistir sem seu carismático vocalista. Precavido, o guitarrista Da Gama já prepara seu disco solo. Que vai se chamar Violas e Canções e vai ter a participação de Arlindo Cruz em Ciranda, colaboração de Marcos Valle para o CD. A idéia de Da Gama é misturar inéditas autorias com releituras de músicas de Djavan, Hyldon e do próprio Cidade Negra. Enquanto isso, Garrido também arquiteta seu projeto individual a partir da série de shows intitulada Flecha Black. Ambos devem sair ainda este ano.

Simoninha volta realmente melhor

Capa do CD 'Melhor', de Wilson Simoninha
Sempre achei que a turma projetada na gravadora Trama na virada da década de 90 para os anos 2000 - Max de Castro, Jair Oliveira, Daniel Carlomagno, Luciana Mello, Wilson Simoninha e Cia. - tinha auto-estima muito elevada. Muitos deles - em especial Simoninha e seu irmão Max de Castro - achavam que estavam fazendo a nova música brasileira quando, na realidade, eles apenas bebiam bem na fonte de Jorge Ben e Simonal. Contudo, justiça seja feita, todos melhoraram nestes anos. Melhor, aliás, é o título do terceiro álbum de inéditas de Wilson Simoninha. O nome é pretensioso, mas o fato é que o CD faz jus ao título. O filho de Simonal aprimorou seu mix de samba, soul e funk. Ouçam A Saideira (Samba Negro) e Ela É Brasileira, dois momentos felizes - em vários sentidos - deste disco alto astral que tem participações de Claudio Zoli e de Seu Jorge. Está saindo pelo selo S de Samba.


Quinta-feira, 22 Maio, 2008

O tributo singelo de Cida a Cartola

Capa do CD 'Angenor' Tenho ouvido muito Angenor, o disco que Cida Moreira acaba de lançar, via Lua Music, em justo tributo ao centenário de Cartola. Sou admirador do canto de Cida - intérprete de grande carga dramática - e achei sua homenagem ao compositor mangueirense de uma simplicidade comovente. Parece não ter havido a intenção de recriar Cartola ou de mostrar virtuosismos vocais. O que sei é que o disco é muito bonito. Até uma música tão batida, como O Mundo É um Moinho, ganha outra nuance - no caso, pelo tom sentido e interiorizado com que a intérprete entoa os versos desta música. Cida, por ser também atriz, sabe entender um texto. Seja de um dramaturgo ou de um compositor. E ela entendeu que a letra de O Mundo É um Moinho é uma súplica feita com delicadeza, não um grito de alerta. Para mim, Angenor já é um dos discos de 2008.


Terça-feira, 20 Maio, 2008

Cláudia canta no Rio

Já de volta do fim de semana teatral em Sampa, acordei gripado, mas, mesmo assim, vou encarar uma ida ao Canecão para ver Cláudia, grande cantora que quase nunca faz show no Rio. A apresentação, única, é nesta terça-feira. Vale conferir! Cláudia, para quem não sabe, foi a cantora que, ao surgir nos anos 60, chegou a intimidar a genial e sempre insegura Elis Regina.


Domingo, 18 Maio, 2008

Maratona teatral em Sampa

Reservei o fim de semana para uma maratona teatral em São Paulo. Hoje vou ver Miss Saigon, o musical que já está há quase um ano em cartaz com casa cheia. Na sexta, vi Divina Elizeth, o musical sobre Elizeth Cardoso protagonizado por cinco boas cantoras. A encenação de João Falcão tem seus momentos criativos, mas o texto - também de Falcão - não dimensiona a meu ver a importância da cantora na música brasileira. Como os cariocas logo poderão conferir, pois o musical aporta em breve no Rio. Já ontem tive o prazer de ver Cleyde Yáconis em cena. A grande atriz emociona ao realçar todas as sutilezas e nuances do texto intitulado O Caminho para a Meca, escrito por dramaturgo sul-africano. Além de ter no elenco a presença iluminada de Cleyde, a peça inaugura belo teatro, Cosipa Cultura, sediado em cima da estação Conceição do metrô paulista. Luxo só!


Quarta-feira, 14 Maio, 2008

Toller se destaca no bar dos teletemas e Diogo paga mico

Divulgação / Washington Possato
Paula Toller - vista acima em foto de Washington Possato - foi um dos destaques da segunda noite de gravação do projeto Um Barzinho, um Violão - Novelas 70. A cantora do Kid Abelha entoou Sonhos, primeiro hit de Peninha, num registro estiloso que arrancou aplausos não-ensaiados da platéia de convidados. Em contrapartida, Diogo Nogueira pagou o mico da noite. Errou diversas vezes a letra de Você Abusou mesmo lendo os versos no teleprompter. O clima foi de constrangimento geral. Somente Diogo parecia não conhecer a letra da música que todo o público sabia de cor. Faltou ensaio. Mais bem se saiu Marjorie Estiano (Broto Legal) e Isabela Taviani, talhada para Um Jeito Estúpido de te Amar. Já Zélia Duncan não rendeu o que costuma render ao reviver Paralelas. No todo, a segunda noite foi mais ágil do que a primeira e apresentou melhores números.


Terça-feira, 13 Maio, 2008

Nem todos ficam à vontade no bar dos teletemas

Ag. News  / Zeca Pagodinho se confraterniza com o grupo Casuarina Rolou ontem à noite a primeira parte da gravação da nova edição do projeto Um Barzinho, um Violão - dedicada às musicas popularizadas em trilhas de novelas dos anos 70. A gravação transcorreu irregular e com atraso. Embora deslumbrante, o cenário natural do Morro da Urca nada tem a ver com conceito do projeto. Mas o erro maior foi a escolha de músicas fora de sintonia com a atmosfera mais íntima de um barzinho. Zeca Pagodinho cantou um belo samba-enredo, Martim Cererê, que pedia uma batucada e não somente um cavaquinho e um violão. Nem Elba Ramalho, sempre cheia de vivacidade, conseguiu contagiar com Pombo Correio, frevo de pique carnavalesco que rende mais na rua do que num bar. Destaques: Luiza Possi em Teletema, numa leitura simples e bonita, e Casuarina, totalmente em casa ao cantar Meu Drama, samba de Silas de Oliveira que já fazia parte do repertório do grupo. Jorge Vercillo também fez bonito ao reviver Fascinação com segurança. Sem procurar impressionar, o grupo Papas da Língua também mostrou eficiência ao regravar Pensando Nela, de Dom Beto. Apesar de alguns acertos, a segunda parte da gravação - que rola hoje com Zélia Duncan, Paula Toller, Moinho, Herbert Vianna e Margareth Menezes,entre outros - deverá ser melhor.


Sábado, 10 Maio, 2008

Távola deu dignidade ao jornalismo televisivo

Geléia Geral se solidariza com as manifestações de pesar pela morte de Artur da Távola, jornalista (ele mantinha coluna no DIA) e político. Entre outras qualidades, Távola deu dignidade à análise da programação de TV. Nos anos 70, quando começou a escrever sobre televisão, a atividade não era levada muito a sério mesmo dentro das redações de jornais. Escrever sobre TV era visto como um campo menor do jornalismo cultural. Távola provou o contrário. Conhecia bem o assunto e nunca teve vergonha de expressar esse conhecimento.


Sexta-feira , 9 Maio, 2008

A faceta eletrônica de Sandy

Há cerca de dois anos, quando ainda formava dupla com Junior, Sandy pisou pela primeira vez no terreno da música eletrônica. Como Miss S, ela gravou e assinou a faixa Scandal no álbum Humanized, projeto do DJ Julio Torres que está sendo, enfim, lançado de forma comercial (a gravação já tinha sido ouvida por fãs de Sandy na internet). É fato que a gravação foi feita antes de Sandy sair em carreira solo, mas é fato também que o lançamento do CD neste momento vai acentuar a impressão de que a moça não sabe ao certo que rumo tomar. Claro, é somente uma participação e feita há dois anos. Mas acho que Sandy precisa encontrar uma direção, definir um estilo para seguir seu caminho na música e se posicionar no mercado. Ela já se aventurou a cantar clássicos do jazz (!!), já tentou enveredar por MPB mais tradicional e a pisada no terreno eletrônico parece mais uma aventura. Nada contra, mas tudo o que Sandy precisa no momento é de uma identidade bem definida para encontrar um novo público. E não vai ser pulando de galho em galho que ela vai achar esse público.


Terça-feira, 6 Maio, 2008

Considerações sobre o Prêmio Tim

Foi divulgada oficialmente neste terça-feira a lista de indicados ao 6º Prêmio Tim de Música. Desta vez, não há aberrações entre os indicados - embora Martinho da Vila jamais pudesse ter entrado na categoria Canção Popular - um eufemismo para brega. Mas o que causa estranheza são as ausências. Há nomes que foram completamente ignorados. Teresa Cristina, por exemplo. Seu CD Delicada foi um dos destaques de 2007 - e não foi somente eu que achei isso. Mas não há uma menção sequer a esse trabalho da cantora entre as 104 indicações. Será que é porque a EMI Music, a gravadora que editou o CD, andou se estranhando com a organização do prêmio? Estranhei também a ausência de Paula Toller. Todo mundo falou bem de seu segundo CD solo, SóNós. Mas ninguém do júri pareceu gostar do disco, solenemente ignorado na categoria pop. Enfim, uma indicação ao Prêmio Tim não rende mais ou menos prestígio para um artista - exceto para os novatos, que alardeiam qualquer notícia que os coloque na mídia. Mas que as ausências de Paula e Teresa - e, em menor grau, a de Maria Rita - são injustas, lá isso são...


Domingo, 4 Maio, 2008

Herbie mostra no Brasil sua leitura de Mitchell

Cariocas e paulistas já podem por na agenda: o pianista e compositor Herbie Hancock, vencedor do Grammy 2008 na categoria mais disputada, Álbum do Ano, por conta do CD River: The Joni Letters, vai se apresentar no Rio e em São Paulo entre maio e junho. No dia 27, Herbie mostra sua leitura do universo de Mitchell em show na casa Vivo Rio (RJ). No dia seguinte, o músico sobe ao palco da casa paulista HSBC. Por fim, em 1º de junho, faz show gratuito no Parque Villa Lobos (também em Sampa). O disco reúne canções - vocais e instrumentais - compostas ou influenciadas pela compositora Joni Mitchell. Tem participações de Tina Turner, Corine Bailey Rae, Norah Jones, Luciana Souza e da própria Mitchell.


Sexta-feira , 2 Maio, 2008

O poeta está vivo nas vozes de Ney, Caetano e RoRo

Foto de Nilton Carauta
Não foi o primeiro tributo a Cazuza. E certamente não vai ser o último. O pretexto deste foram os 50 anos que Cazuza teria completado em 4 de abril. Mas o show realizado na Praia de Copacabana, no feriado de 1º de maio, reafirmou - para quem ainda não sabe disso - que a obra de Cazuza está mais viva do que nunca. É, como disse Tony Ramos no texto do filme que abriu a homenagem, a síntese de uma geração. No caso, da geração 80 que abriu as portas do mercado fonográfico para o pop rock brasileiro. Cazuza foi um dos ídolos desta geração e somente Renato Russo pode lhe fazer frente. Ambos estão para os anos 80 como Caetano Veloso e Chico Buarque estão para os 60.
Caetano, aliás, participou do tributo e mostrou mais uma vez que sabe recriar obras alheias com inteligência. Ele entoou a canção Minha Flor, meu Bebê somente com seu violão e, na seqüência, acionou sua alma roqueira para cantar Maior Abandonado. Como era previsível, Caetano foi um dos grandes destaques do show. Mas não brilhou sozinho. Ney Matogrosso abriu o tributo em grande estilo, reeditando três números (Pro Dia Nascer Feliz, Por que a Gente É Assim? e O Tempo Não Pára) com energia, exuberância e atitude.
Atitude é o que nunca faltou a Ângela RoRo. Talvez por isso a cantora tenha se mostrado tão à vontade ao reviver Malandragem - a música que Frejat e Cazuza deram para ela nos anos 80, mas que foi recusada por RoRo e acabou parando na voz de Cássia Eller - e Todo Amor que Houver Nessa Vida. Nesta número, RoRo reviveu a blueseira que sempre habitou sua alma.
Teve número que não funcionou, como é praxe nesses shows. Rodrigo Santos, o baixista do Barão Vermelho, bem que se esforçou, mas ele não tem brilho na voz para honrar uma canção tão bonita quanto Codinome Beija-Flor. A base eletrônica do samba-rock Brasil - defendido pelo rapper Gabriel O Pensador ao lado de George Israel - também deixou a desejar. E o que foi Bete Balanço com Liah, Gabriel Tomás e o citado Rodrigo Santos? Melhor nem comentar. Mas, no todo, o show foi bom. O poeta está vivo! E sua obra também.
Foto de Mauro Ferreira

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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