Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Segunda-feira, 30 Junho, 2008

Furacão Grace Jones volta ao disco

No momento em que sai no Brasil o primeiro disco de estúdio de Donna Summer em 17 anos, o bom Crayons, chega a notícia de que outra diva dos tempos da discoteca, Grace Jones, também arquiteta sua volta ao mercado fonográfico. A cantora volta ao mercado fonográfico em 29 de outubro com Hurricane, seu primeiro álbum desde 1989. Particularmente, sempre gostei de Grace. Sua gravação de La Vie en Rose é antológica. E, cá entre nós, essa deusa de ébano sempre teve estilo. Que venha o furacão em outubro!


Domingo, 29 Junho, 2008

Favoritas da trilha nacional de 'A Favorita'

Capa do CD 'A Favorita'
Nas lojas no começo de julho, com foto das atrizes Patrícia Pillar e Claudia Raia na capa, o disco com a trilha nacional da novela A Favorita vai ajudar a projetar em escala nacional músicas que têm toda a pinta de sucesso. A balada É o que me Interessa, de Lenine, já vem recebendo elogios de vários telespectadores. Outra balada, Amado, deverá impulsionar ainda mais as vendas do terceiro CD solo de Vanessa da Mata, Sim. Moska talvez emplaque um merecido hit com Quantas Vidas Você Tem? enquanto Adriana Calcanhotto concorre com A Mulher sem Razão. As surpresas são a inclusão de um samba antigo de Chico Buarque, Morena dos Olhos d'Água, e da regravação de uma bela e esquecida canção do repertório de Roberto Carlos, O Tempo Vai Apagar, agora cantada por Zé Renato. Eis as 12 faixas do disco:
1. É o que me Interessa - Lenine
2. Amado - Vanessa da Mata
3. Sou Dela - Nando Reis
4. Não Vou me Adaptar - Arnaldo Antunes, com participação de Nando Reis
5. Quantas Vidas Você Tem? - Moska
6. Fala - Ritchie
7. Tudo Passa - Túlio Dek
8. Pa' Bailar - Bajofondo
9. Mulher sem Razão - Adriana Calcanhotto
10. Morena dos Olhos d'Água - Chico Buarque
11. O Tempo Vai Apagar - Zé Renato
12. Me Abraçe (Abrazame) – Camila e Wanessa Camargo


Sábado, 28 Junho, 2008

Ondas modernas de Calcanhotto batem bem no palco

Foto de Mauro Ferreira
Difícil não se deixar arrastar pela maré cheia de charme e sedução do novo show de Adriana Calcanhotto, que chegou ontem ao Rio, no Canecão, depois de passar por Argentina, Portugal e São Paulo (SP). São ondas de modernidade e inventividade que batem muito bem no palco, expandindo o universo musical do disco Maré, editado em abril. Emoldurada pelos véus transparentes que projetam motivos marítimos no cenário pintado de azul (aliás, um dos mais óbvios de Hélio Eichabuer), a cantora surge em cena como se estivesse saindo do mar - e o figurino esplendoroso de Gilda Midani ajuda a criar a aura mitológica - ouvindo numa concha colada ao ouvido sons compartilhados com a platéia. É uma entrada belíssima e cheia de teatralidade que não faz supor a linearidade dos três primeiros números (Maré, Três e Seu Pensamento). Mas Calcanhotto tem seus truques (como contar uma piada velha que sempre funciona), seu charme e o show começa a envolver o público a partir da quarta música, Mais Feliz, hit de Maritmo, o álbum de 1998 que dialoga conceitualmente com Maré.
Em cena, Calcanhotto comprova a inteligência de suas escolhas musicais e estilísticas. Os arranjos modernos - tocados por quarteto formado por músicos como o hermano Bruno Medina (teclados) e Marcelo Costa (bateria e percussão) - valorizam os números com barulhinhos bons e surpreendentes que vão dando novas nuances às músicas. Em Asas, por exemplo, outra música de Maritmo, já saltam aos ouvidos a excelência das programações eletrônicas pilotadas por Domenico Lancellotti, que se reveza na outra bateria, nos mpcs, no baixo e na guitarra. Já em Mulher sem Razão são os sons tirados da escaleta tocada por Alberto Continentino que quase dão outro tom à parceria de Cazuza (1958 - 1990), Bebel Gilberto e Dé Palmeira.
A ambiência do show Maré é pautada pela suavidade do disco homônimo. Mas, em cena, Calcanhotto se revela menos cool. E a intérprete - até então restrita ao canto e ao violão - se permite tirar até sons distorcidos da guitarra no meio de Para Lá, sua parceria com Arnaldo Antunes. Em Vai Saber?, precedido por discurso em que Calcanhotto exercita seu humor afiado para revelar como o samba feito para Mart'nália foi parar na voz de Marisa Monte, a artista faz roncar uma cuíca com charme. A leitura da autora para o samba é menos suntuosa do que o registro de Marisa no álbum Universo ao meu Redor (2006). Funciona.
Há números em que nem todo o quarteto divide com Calcanhotto a cena sedutora, na qual as duas baterias estão dispostas frente à frente. Em Sem Saída, número que não alcança a densidade do registro do CD, a artista se acompanha ao violão em arranjo econômico que inclui toques dos teclados de Bruno Medina. Na inédita Poética do Eremita, música composta por Calcanhotto sobre versos da poeta portuguesa Fiama Hasse Pais Brandão (1938 - 2007), a cantora troca o violão pelo violoncelo, do qual tira sons sujos que interagem com os acordes minimalistas da guitarra tocada por Alberto Continentino. Tal música é sobra do CD Maré.
Após surpreender e cantar um samba-rock de Seu Jorge, Tive Razão, Calcanhotto apresenta músicas de maior empatia popular. É quando se ouve o coro espontâneo da platéia em Fico Assim sem Você (número ao qual Domenico Lancellotti acrescenta sutis grooves funkeados que aludem a origem deste hit da dupla Claudinho & Buchecha). Na seqüência, Um Dia Desses (com Alberto Continentino assumindo os vocais feitos por Moreno Veloso no CD) e Vambora ratificam a capacidade da artista de aliar popularidade com sofisticação em vários pontos de sua obra.
As ondas tropicalistas que sempre bateram no mar de Calcanhotto são perceptíveis em Porto Alegre (Nos Braços de Calipso), o tema de Péricles Cavalcanti que, no palco, tem muito da alegria anárquica do grupo Os Mutantes. Detalhe: Calcanhotto dá conta do recado ao fazer o canto da sereia que, no disco, é luxuosamente simulado por Marisa Monte. Em seguida, Maresia encerra o show, cujo bis inclui músicas de Dorival Caymmi (Quem Vem pra Beira do Mar), Guilherme Arantes (Meu Mundo e Nada Mais, com toda pinta de hit popular do provável registro ao vivo do show) e Los Hermanos (Deixa o Verão, com pegada roqueira similar ao registro do grupo). Cortesia para o público do Rio de Janeiro, um segundo bis com Cariocas - pedida pela platéia - e Devolva-me encerra definitivamente uma apresentação que arrasta o séquito fiel de Adriana Calcanhotto numa maré de grande encantamento.


Sexta-feira , 27 Junho, 2008

Para os novos fãs do Joy Division...

Capa do CD 'The Best of Joy Division' Para quem acabou de descobrir o som sombrio do Joy Division a partir dos filmes Control (biografia de ficção sobre Ian Curtis, o vocalista suicida da banda) e Joy Division (documentário linear sobre o grupo inglês), a Warner está pondo nas lojas mais uma coletânea do grupo. The Best of Joy Division é compilação dupla que nada acrescenta para velhos fãs da banda, que lançou somente dois álbuns em sua curta vida, ambos já retalhados em coletâneas anteriores. Mas é bom cartão-de-visitas para quem está chegando agora. E, de quebra, traz gravações feitas pela banda em 1979 para a rede BBC de rádio e TV. Esse material já havia sido editado em CD em 2000, mas agora integra pela primeira vez uma coletânea do Joy Division.


Quinta-feira, 26 Junho, 2008

Sylvinha Araújo, uma voz eternamente da Jovem Guarda

A morte de Sylvinha Araújo, na noite de ontem, me remeteu à força da Jovem Guarda. Quase todos os cantores projetados no movimento pop comandado por Roberto e Erasmo Carlos continuaram presos àquela época. Alguns até migraram para o sertanejo e o brega, mas a maioria nunca mais conseguiu desenvolver uma carreira regular. Foi o caso de Wanderléa (que chegou a gravar ótimos álbuns nos anos 70 que foram ignorados pelo público) e também de Sylvinha Araújo. Ela e seu marido, o também cantor Eduardo Araújo, fizeram seu nome no mercado publicitário, abriram uma gravadora (a Number One), mas, para o grande público, o casal era sempre uma lembrança da Jovem Guarda. E é assim que Sylvinha Araújo - que saiu de cena aos 56 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer de mama diagnosticado há mais de dez anos - será lembrada: como uma voz daquelas jovens tardes de domingo que ela e seus colegas do movimento nunca se cansaram de reviver com saudade. E sempre com público fiel.


Terça-feira, 24 Junho, 2008

A 'discoberta' do início de Zé Ramalho

Capa do CD 'Zé Ramalho da Paraíba'Como colecionador de discos que sou e sempre fui (o que me levou a exercer o ofício de crítico musical), gosto de discos que revelam gravações antigas, raras ou mesmo inéditas. Por isso, ouvi com interesse o álbum duplo Zé Ramalho da Paraíba, título que inaugura o selo Discobertas, de Marcelo Fróes, pesquisador que já mostrou capricho na produção de caixas de artistas como Fagner e Gilberto Gil. O CD eterniza 23 números de cinco shows feitos por Zé Ramalho antes da fama, entre 1973 e 1977, entre Rio e Paraíba. O áudio é precário, nem todas as músicas são boas, mas o fato é que o valor documental, para colecionadores de discos, é alto. Vale a pena ouvir o começo da viagem de Ramalho, então muito voltado para o rock. Mas já enraizado no misticismo filosófico.


Segunda-feira, 23 Junho, 2008

Paralamas recebem Ivete no estúdio de Brown

Divulgação / Mário Sena
A foto acima registra o encontro dos Paralamas do Sucesso com Ivete Sangalo no estúdio de Carlinhos Brown, Ilha dos Sapos, também conhecido como Guetto. É que o grupo carioca resolveu gravar na Bahia as bases do disco de inéditas que lança em outubro. Ivete estava em estúdio vizinho e resolveu aparecer de surpresa. Eis o relato de João Barone, baterista dos Paralamas, sobre o encontro:

Em busca da “vibe perfeita”
Faz poucos dias que terminamos a primeira fase de gravações do novo álbum. Os trabalhos aconteceram no estúdio de Carlinhos Brown, em pleno Candeal, bairro super conhecido da capital baiana. Antigamente, procurávamos gravar em estúdios com as melhores condições técnicas, via de regra, caros e sofisticados. Hoje em dia, com as amplas possibilidades da era digital, isso já não é mais o caso. Se alguém disse que sua banda não pode gravar em qualquer lugar, não acredite, você pode sim... Hoje em dia é fácil achar um bom estúdio que ofereça tecnologia, razoavelmente barato e de qualidade. O estúdio construído do chão ao teto por Carlinhos Brown, batizado de “Guetto”, conta com o que há de melhor da tecnologia digital de ponta, além dos melhores microfones “vintage” e uma acústica excelente, numa sala enorme com pé direito de oito metros. Mas nós fomos gravar lá por um motivo mais importante: a busca da “vibe perfeita”.
Nossa experiência com estúdios de gravação é ampla, na maioria trazendo boas lembranças. Na época que a gravadora Odeon (EMI) tinha estúdios próprios, era uma festa gravar noite adentro, com pausas para devorar pizzas e sanduíches de provolone, ou esfriar a cuca em animadas partidas de “vôlei de estúdio”, onde a quadra era demarcada com fita crepe numa grande sala de gravação acarpetada e a rede era composta pelas tapadeiras acústicas, uma bagunça sem igual! Com a desativação dos estúdios, gravamos em vários outros excelentes representantes do gênero no Rio, como o Nas Nuvens, Impressão Digital, Mega e no AR, todos muito bons.
Quando gravamos o disco “Severino” na Inglaterra, tivemos algumas experiências desagradáveis. A gravação demorou para engrenar, num processo muito moroso. O que salvou foi a incrível presença de Brian May, do Queen, participando da faixa “El Vampiro Bajo El Sol”, tocando guitarra e fazendo os vocais conosco, a melhor lembrança desses tempos... Ainda no exterior, mixamos alguns álbuns em Los Angeles, em Londres e gravamos alguma coisa no fantástico Real World, do Peter Gabriel, com memórias inapagáveis da nossa estadia, hospedados no próprio complexo de gravação, na cidade de Box Mills, perto de Bath...
Mas relato isso tudo para chegar hoje, com a recém entusiasmada experiência de gravar as bases do nosso novo trabalho no estúdio “Guetto”, nome alusivo ao globalizado bairro do Candeal, de onde o multi talentoso Carlinhos Brown – tal qual um Peter Gabriel dos trópicos - montou uma incrível usina de som que administra e comanda. Acontece que nós poderíamos ter gravado o novo disco em qualquer lugar, mas resolvemos ir atrás de um lugar especial, onde o astral fosse determinante para o andamento das gravações. Estivemos neste mesmo estúdio em outubro passado, para ensaiar a participação do Brown no show Paralamas & Titãs. Ficamos muito empolgados e resolvemos gravar nosso novo álbum neste local, pois percebemos que a atmosfera que reina nesse pedaço de Salvador é muito especial. Eu poderia me estender muito só falando de como o bairro do Candeal representa um dos melhores exemplos de resgate e inclusão social da população carente de recursos, que foi promovido pelo Brown usando primordialmente a música, que sabemos ser um dos melhores remédios para os males do mundo. Quem quiser uma prova mais concreta, só indo lá para entender.
No primeiro dia de gravação, Brown adentra o estúdio como um furacão, reflexo da sua transbordante alegria pela nossa presença. Tocou, cantou e anunciou que haveria reza, samba de roda e fogos pelo final da trezena à Santo Antônio, um dos mais cultuados santos na Bahia, dando início aos festejos juninos, tão populares no estado. Foram dias de pura alegria e astral lá no alto. Ficamos um pouco tristes com o término da nossa rotina, ao contrario de tempos atrás, quando muitas vezes acabar uma gravação era sempre um alívio. Tudo passou tão rápido que fez valer aquela velha máxima de que o tempo voa quando as coisas boas estão acontecendo. No último dia de gravação, recebemos no estúdio as visitas inesperadas de Geraldinho Azevedo e Ivete Sangalo, que estavam gravando num outro estúdio perto dali e apareceram para uma social. Herbert aproveitou e promoveu o seu já tradicional “sarau”, tocando e cantando um monte de músicas ao violão, junto com Ivete, que - para surpresa geral - ainda tomou conta de minhas baquetas e mandou ver na bateria, acompanhando Herbert com algumas batidas muito bem executadas! Essa menina ainda vai longe!
A Bahia já nos proporcionou momentos incríveis, como nos inúmeros shows ao longo de anos, quando sempre nos deparamos com platéias das mais quentes e participantes, Olodum e Timbalada com a gente em cima do palco na Concha... Teve uma vez em que Os Paralamas foram homenageados pelo bloco afro Araketu, em plena favela dos Alagados, aquela que dá nome a canção, uns 22 anos atrás. Nós, na época, garotos classe média do Rio de Janeiro, ali, recebendo o reconhecimento daquela gente por falar da sua verdade para o resto do país. Ou no dia em que gravamos “Carro Velho” com o próprio Brown... Mas desta vez a Bahia nos deu algo muito mais precioso, difícil de medir mas fácil de sentir. Estávamos super a vontade, como se a gente não tivesse saído de casa. Os trabalhos rolaram na maior harmonia, sob as bênçãos dos orixás. Deve ser isso que eles chamam de axé... e o axé foi fortíssimo!
(João Barone)


Sábado, 21 Junho, 2008

Enfim, uma boa reedição do primeiro disco de Amy

Capa do CD 'Frank', de Amy Winehouse Enquanto Amy Winehouse agoniza em praça pública por conta do vício em drogas (e aumentam as probabilidades de ela sucumbir ao vício e sair precocemente de cena), chega às lojas do Brasil uma edição decente do primeiro álbum da cantora, Frank, de 2003. O disco já tinha saído aqui numa edição econômica, sem encarte. Agora ganha reedição nacional à altura de sua importância, com toda a arte gráfica original. Frank não é tão bacana quanto Back to Black, o segundo álbum de Amy, o que lhe deu projeção mundial. Mas tem seus bons momentos e merecia estar à disposição dos fãs de Amy.


Sexta-feira , 20 Junho, 2008

Alanis não é especial no Brasil?

Juro que não entendo os critérios (ou ausência de) das gravadoras. Exemplo: o novo disco de Alanis Morissette, Flavors of Entanglement, foi editado no exterior em duas edições: a simples e a especial (com mais músicas inéditas). Pois não é que, por ora, a Warner lançou no Brasil somente a edição simples? Acho injusto com os fãs de Alanis. Se quiseram ouvir o trabalho completo, vão ter que importar (ou baixar na internet - de forma legal ou ilegal) a edição especial. Por que não lançar as duas de uma vez, ainda que com tiragens reduzidas? Haveria fãs dispostos a pagar pelo CD com mais faixas. Depois as gravadoras reclamam da crise e dos piratas...


Terça-feira, 17 Junho, 2008

A capa do CD de Cláudia Leitte

Capa do CD 'Cláudia Leitte ao Vivo'
Taí a capa do primeiro disco solo de Cláudia Leitte. Foi gravado ao vivo, mas, em vez de um flagrante da cantora no palco gigantesco armado na Praia de Copacabana, ostenta na capa um close em preto e branco da cantora. O CD sai em julho com o desafio de transformar a artista baiana numa estrela do porte de Ivete Sangalo - a maior vendedora de discos da Universal Music, a gravadora que também aposta em Cláudia e neste Ao Vivo em Copacabana.


Segunda-feira, 16 Junho, 2008

Caixa compila parte menos essencial da obra de Chico

Capa da caixa 'Chico Buarque Essencial' É fato que a parcela mais expressiva da discografia de Chico Buarque repousa nos arquivos da gravadora Universal Music e abrange o período 1970 — 1986. Apesar de seu título discutível, a caixa ‘Chico Buarque Essencial’, nas lojas esta semana pela Sony BMG, exibe bom perfil da obra do artista carioca. A caixa reúne quatro CDs — que totalizam 56 gravações de músicas lançadas entre 1965 e 2005 — o DVD ‘Chico ou o País da Delicadeza Perdida’, que perpetua especial feito para a televisão da França em 1990.
Para atrair a atenção dos fãs do compositor para a caixa, duas gravações inéditas foram inseridas entre os 56 fonogramas. Trata-se de sobras de discos que não estão à altura da obra de Chico. Tanto Amar’ é sobra do CD de releituras ‘Uma Palavra’ (1995). Não por acaso: Chico está cantando mal a música que já gravara com mais inspiração em 1981. A outra faixa inédita é um registro ao vivo do ‘Samba do Grande Amor’ (1983) que foi limado do álbum ‘Chico ao Vivo’ (1999), erroneamente nomeado no texto do libreto como ‘As Cidades — Ao Vivo’. A gravação também flagra Chico em momento vocal pouco inspirado.
Inéditas à parte, a caixa ‘Chico Buarque Essencial’ está baseada na obra fonográfica gravada por Chico a partir de 1987. Porém, como há fonogramas mais antigos cedidos pela Universal Music e como o compositor regravou bastante a própria obra a partir da década de 90, o painel é bem abrangente, incluindo desde ‘Pedro Pedreiro’, samba que Chico lançou em 1965, até ‘Renata Maria’, sua superestimada parceria com Ivan Lins, lançada por Leila Pinheiro em 2005.
A divisão do repetório em CDs temáticos é meio óbvia e já foi explorada em outras compilações da obra de Chico. Se tivessem sido dispostas em ordem cronológica, as 56 gravações possibilitariam ao ouvinte maior percepção da evolução da obra de Chico, dos sambas líricos dos anos 60 (alguns feitos à moda de Noel Rosa) aos temas mais recentes de refinadas harmonias, passando pela fase engajada dos anos 70, ápice criativo do autor.
O quarto CD, ‘Entre Amigos, Paratodos’, se impõe na caixa por reunir fonogramas mais obscuros. Caso de ‘Paroara’, que juntou Chico a Fagner e a Fausto Nilo em 1985 em gravação feita para álbum de Fagner. Vale ouvir ainda o dueto com Marianna Leporace em ‘Tororó’, feito em 2000. Tijolos da grande construção fonográfica de Chico Buarque.


Domingo, 15 Junho, 2008

Waldick na cena pop de Portugal

Divulgação Waldick Soriano está recebendo as flores em vida. Além de ter sido tema de um pungente documentário de Patrícia Pillar, por ora exibido apenas em festivais, a obra do cantor já ultrapassa a fronteira brasileira. Reverenciado na cena pop lusitana, o grupo português Clã incluiu na reedição de seu último álbum, Cintura, a releitura cool que fez de Tortura de Amor, a obra-prima do repertório autoral de Waldick, para o tributo à música cafona intitulado Eu Não Sou Cachorro, Mesmo, editado em 2007 pelo selo goiano Allegro Discos. Além de Tortura de Amor, a edição especial de Cintura inclui outra faixa-bônus, Compra Eu, e DVD com o registro do show feito pelo Clã em agosto de 2007 para platéia de 50 fãs. Hábil ao transitar pela ponte Brasil-Portugal, o grupo conta no CD com duas letras de Arnaldo Antunes (Pra Continuar e Vamos Esta Noite) e com a voz de Fernanda Takai (em Amuo). Esta edição especial dupla é limitada.


Sábado, 14 Junho, 2008

Jamelão, um grande intérprete de alegrias e tristezas

Divulgação
O sábado começa com a notícia triste da morte de Jamelão, aos 95 anos. Carioca de São Cristóvão, José Bispo Clementino dos Santos vai ficar para sempre associado à Mangueira. Foi puxando o samba de sua escola verde-e-rosa que Jamelão fez a alegria dos foliões ao exercer com maestria seu ofício de intérprete - e não de puxador, termo que ele detestava e que, uma vez pronunciado em sua presença, atiçava seu mau-humor que, de tão crônico, já tinha virado marca até engraçada de sua personalidade lendária. Sim, Jamelão foi um intérprete. E dos grandes. E, para quem conhecia bem sua obra fonográfica, o vozeirão de Jamelão não propagou somente alegrias. Ele foi mestre também na arte de interpretar os amargurados sambas-canções de Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), o compositor gaúcho que ruminou mágoas e tristezas em sua obra. Na alegria ou na tristeza, a voz de Jamelão vai estar para sempre relacionada entre as maiores do Brasil. O adorável ranzinza foi um grande intérprete de todas os tons - ainda que o verde e o rosa sejam hoje e sempre, no imaginário popular, as cores predominantes em sua inigualável voz de extenso volume.


Sexta-feira , 13 Junho, 2008

Calcanhotto em onda popular

Arquivo Pessoal de Daniel A. Bélgica
Como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto sabe pegar uma sucesso radiofônico e oferecer uma visão interessante de uma canção para um público mais elitizado que talvez nem prestasse atenção nela, a canção. Foi assim com Devolva-me, o hit de Leno & Lilian que garantiu ótimas vendas para o primeiro disco ao vivo de Calcanhotto, Público (2000). Foi assim com Fico Assim Sem Você, a bela música da dupla Claudinho & Buchecha que garantiu o sucesso popular do refinado trabalho infantil Adriana Partimpim (2004). E parece que vai ser assim com Meu Mundo e Nada Mais, a balada de Guilherme Arantes - primeiro dos muitos hits deste talentoso e subestimado compositor - que a cantora vem apresentando no bis em algumas apresentações de seu novo show, Maré, que chega hoje a São Paulo depois de passar por Argentina e Portugal. A foto acima, aliás, flagra Calcanhotto em cena numa apresentação no Porto e pertence ao arquivo pessoal de Daniel Achedjian, um belga apaixonado por música brasileira. Sei não, mas desconfio que o público mais uma vez vai embarcar na onda popular da inteligente artista gaúcha.


Quinta-feira, 12 Junho, 2008

MC Marcinho faz sua festa no Circo Voador

Divulgação Para os cariocas que curtem um baile da pesada, a dica é curtir o Dia dos Namorados ao som de MC Marcinho. O funkeiro se abriga hoje sob a lona do Circo Voador para complementar a gravação de seu primeiro DVD, Tudo É Festa. Sandra de Sá vai participar da festa funk na música Tem que Acreditar.


Quarta-feira, 11 Junho, 2008

Maria Rita grava DVD em show caloroso

Foto de Mauro Ferreira
Ao som de Não Deixe o Samba Morrer, sucesso do primeiro LP de Alcione, Maria Rita encerrou a apresentação do show Samba Meu em que foi gravado o DVD que a cantora vai lançar no segundo semestre. O público jovem que superlotou a pista da casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 10 de junho de 2008, fez coro forte em quase todas as 21 músicas do repertório. Segura, a intérprete se atrapalhou apenas em Festa, mas repetiu Maltratar Não É Direito e Conta Outra por problemas (puramente) técnicos.
Houve poucas modificações em relação ao roteiro da estréia da turnê nacional, em 2007: entraram Trajetória, Pagu e Não Deixe o Samba Morrer (música que Rita já vinha cantando no bis em recentes apresentações do show). Saíram Veja Bem, meu Bem e Santa Chuva - esta pedida em vão pelo público. Até mesmo Arlindo Cruz, compositor predominante no roteiro e presente na platéia, ficou decepcionado com a exclusão da canção de Marcelo Camelo. "Ela não cantou aquela da chuva que eu gosto tanto...", lamentou Arlindo no banheiro, logo depois do encerramento da gravação. Eis o roteiro do caloroso show captado em DVD:
1. Samba Meu (Rodrigo Bittencourt)
2. O Homem Falou (Gonzaguinha)
3. Tá Perdoado (Arlindo Cruz e Franco)
4. Maria do Socorro (Edu Krieger)
5. Novo Amor (Edu Krieger)
6. Trajetória (Arlindo Cruz, Serginho Meriti e Franco)
7. O Que É o Amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho)
8. Cria (Serginho Meriti e César Belieny)
9. Recado (Rodrigo Maranhão)
10. Muito Pouco (Moska)
11. Pagu (Rita Lee e Zélia Duncan)
12. Encontros e Despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant)
13. Caminho das Águas (Rodrigo Maranhão)
14. A Festa (Milton Nascimento)
15. Cara Valente (Marcelo Camelo)
16. Corpitcho (Ronaldo Barcellos e Picolé)
17. Casa de Noca (Serginho Meriti, Nei Jota Carlos e Elson do Pagode)
18. Num Corpo Só (Arlindo Cruz e Picolé)
19. Maltratar Não É Direito (Arlindo Cruz e Franco)
20. Conta Outra (Edu Tedeschi)
Bis:
21. Não Deixe o Samba Morrer


Terça-feira, 10 Junho, 2008

Seguindo as pegadas de Bebeto Alves

Capa do CD 'Devoragem' Em 1987, eu ainda cursava a faculdade de jornalismo quando escrevi pela primeira vez, já de forma profissional, sobre Bebeto Alves. Foi sobre seu LP Pegadas, que estava sendo lançado naquele ano pela extinta gravadora Continental. Lembro que resenhei entusiasmado o disco para o jornal da Baixada Fluminense, O Municipal, no qual eu já dava meus primeiros passos no ofício da crítica musical. Tudo isso é para dizer que Bebeto está lançando seu 16º álbum, Devoragem, e que o disco merece atenção. Bebeto é gaúcho, esteve longe demais das capitais e, talvez por isso mesmo, não aconteceu como deveria. Mas é um compositor talentoso - tão bom quanto seu conterrâneo Vítor Ramil. Vale a pena ser ouvido. Bebeto não vendeu a alma ao mercado.


Segunda-feira, 9 Junho, 2008

Reedições da obra de Jobim expõem Brasil em tom maior

Reprodução do CD 'The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim' Menos de um mês depois de a Universal Music ter reeditado 12 álbuns de Tom Jobim (1927 — 1994), sendo cinco na caixa ‘Brasileiro’ e sete em coleção avulsa que festeja os 50 anos da Bossa Nova, a Warner Music repõe em catálogo mais quatro títulos originais do maestro.
‘The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim’ (1965), ‘A Certain Mr. Jobim’ (1967), ‘Urubu’ (1975) e ‘Terra Brasilis’ (1980) voltam às lojas em outra coleção dedicada aos 50 anos da velha bossa, embora a obra de Tom extrapole o universo bossa-novista.
Ao todo, são 14 álbuns originais do maestro — 15, se incluída a trilha do filme ‘Garota de Ipanema’ (1967), ou 16 se levado em conta o CD ‘Ella Abraça Tom Jobim’ (1981) — que, ouvidos em retrospectiva, atestam o caráter irretocável da obra do compositor. Uma genialidade que atravessou rótulos e moldou cancioneiro de contorno universal, embora enraizado no Brasil. Basta ouvir ‘Urubu’, álbum gravado por Jobim em 1975, com arranjos de Claus Ogerman, para identificar claramente a influência de Villa-Lobos na música de Tom.
‘Urubu’ ilustra fase em que o amor pela natureza norteava os discos do compositor, como já sinalizado em ‘Matita Perê’ (1973) e como seria reafirmado em ‘Passarim’, álbum de 1987 gravado com a Banda Nova e que exemplifica a sonoridade adotada por Tom em sua última década de vida.
Dos títulos originais, merecem especial atenção os dois discos americanos relançados esta semana pela Warner Music. São álbuns até então raros no mercado brasileiro.‘The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim’ foi o primeiro álbum feito por Tom para honrar seu contrato com a Warner americana. Foi feito na seqüência de ‘The Composer of Desafinado Plays’ — a estréia histórica de Tom em disco, em 1963, via Verve — e de ‘Caymmi Visita Tom’ (1964).
Reza a lenda que o próprio Tom não gostou dos arranjos de Nelson Riddle, o maestro de Frank Sinatra (1915 — 1998), mas o disco é belo. Embora Claus Ogerman tenha sabido entender melhor a economia pedida pela música de Jobim — como prova a reedição de ‘A Certain Mr. Jobim’, álbum de 1967 em que Tom lançou ‘Zíngaro’, a música que, ao ser letrada por Chico Buarque, passaria a se chamar ‘Retrato em Branco e Preto’. As reedições dos CDs de Jobim são o melhor da festa dos 50 anos da Bossa Nova. É o Brasil em tom maior.


Domingo, 8 Junho, 2008

Siba merecia um DVD filmado com mais requinte

Capa do DVD 'Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar' A série Toca Brasil, do instituto Itaú Cultural, custa captar excelentes shows em DVD. Shows de artistas que não encontram espaços nas grandes gravadoras. Sou fã da série, mas o 12º título da coleção - Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar, de Siba e a Fuloresta - evidencia um defeito grave da série: o caráter burocrático da captação das imagens. Parece que a filmagem é feita de forma padronizada, burocrática, sem o mínimo de requinte. No caso de Siba, esse padrão resulta ainda mais insosso porque seu mix poético de cirandas, cocos e maracatus pedia um registro visual mais apurado. Até porque o show tem cenário de grife: a da dupla OsGemeos. Fica o alerta para o Itaú Cultural.


Sábado, 7 Junho, 2008

Alexandre Pires na aba de Ivete e do SPC

Capa do DVD 'Alexandre Pires em Casa - Ao Vivo' Em 1998, no embalo dos retumbantes três milhões de exemplares vendidas do quinto álbum do grupo Só pra Contrariar (editado em fevereiro de 1997), Alexandre Pires disputava com padre Marcelo Rossi o posto de maior vendedor de discos do Brasil de todos os tempos. Dez anos depois, o mineirinho tenta se reabilitar no mercado fonográfico brasileiro depois de ter tentado fazer nome nas praças hispânicas. Daí o título Em Casa deste DVD e CD gravado ao vivo em show feito por Pires na casa Castelli Master, em Uberlândia (MG). A casa é tanto sua terra natal como o próprio Brasil, onde o artista foi perdendo progressivo espaço na medida em que foi se ausentando do país para investir no mercado de língua espanhola.
Com boa presença de palco, Pires tentar voltar para casa a reboque de grande produção. Joana Mazzucchelli assina com a habitual competência a direção do DVD. Incentivadora do projeto, Ivete Sangalo assina a direção artística em parceria com Pires. E, claro, o encontro somente poderia resultar em repertório de tom populista. Sem sair da aba dos hits do SPC, agrupados em três medleys e em números avulsos, o cantor se equilibra mal entre inéditas e regravações entoadas ao lado de convidados da mesma esfera populista. O pior momento é justamente o dueto com Ivete em Estrela Cadente, inacreditável versão de Hunting High and Low. O versionista Luiz Silva e a dupla de cantoras conseguem apagar a beleza da melhor balada do repertório do A-Ha, grupo de sucesso na década de 80. O número consegue ser mais constrangedor do que a tentativa de trazer Te Amar sem Medo, música do repertório do SPC, para o universo do funk melody ao lado de Perlla. Só vendo...
Há duetos que soam mais interessantes. Com Daniel, convidado de Cheguei Tarde Demais, o resultado é até simpático. A música de Bruno e Felipe tem jeito de hit - embora nenhuma das sete inéditas cantadas por Pires tenha a pegada popular de músicas gravadas pelo SPC como Essa Tal Liberdade, exemplo de que um tema brega também pode ser bem feito dentro dos limites estéticos do gênero. Com Alcione, aliás, Pires revive o maior sucesso do SPC, Depois do Prazer, mas a Marrom não reedita o brilho da gravação feita em disco ao vivo de 2002. Da mesma forma que, em Leva (Michael Sullivan e Paulo Massadas), o cantor sequer roça o brilho da gravação original feita por Tim Maia (1942 - 1998) em 1984. Enfim, Alexandre Pires quer voltar para sua casa, o Brasil, mas dificilmente vai ter de novo a projeção dos 90.


Sexta-feira , 6 Junho, 2008

Milton no jazz com os Belmondo

Capa do CD 'Milton Nascimento & Belmondo' Para quem é fã de Milton Nascimento, um aviso: já saiu lá fora o disco em que o cantor recria sua obra na companhia dos irmãos Lionel (sax e flauta) e Stéphane Belmondo (trompete). Os Belmondo são conceituados no meio do jazz francês. O CD já foi editado na França e em alguns países da Europa, mas não há, por ora, previsão de uma edição brasileira. Só que, dizem, já vazou na internet.


Quinta-feira, 5 Junho, 2008

Roberto canta Jobim ao lado de Caetano

Divulgação / Sony BMG Roberto Carlos, que começou sua carreira em 1959 cantando Bossa Nova, vai revisitar o gênero em show dividido com Caetano Veloso em tributo a Tom Jobim. O encontro inédito faz parte de um ciclo de shows promovido pelo Itaúbrasil em homenagem aos 50 anos da Bossa Bova. Serão três únicas apresentações: dia 15 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e nos dias 25 e 26 de agosto, no Auditório Ibirapuera. O show inédito terá direção geral de Monique Gardenberg e Felipe Hirsch, cenografia de Daniela Thomas e iluminação de Beto Bruel. Jaques Morelenbaum assina a direção musical e arranjos e comandará uma orquestra de 21 músicos e uma banda formada por Daniel Jobim (piano), Lula Galvão (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria) e Carlos Malta (sopros). Um show desde já histórico!! E que merece registro em DVD!


Quarta-feira, 4 Junho, 2008

Premiem Bethânia, mas não esqueçam de Marina

Divulgação
Fiquei extremamente feliz com a notícia de que Maria Bethânia vai ser homenageada na edição deste ano do Prêmio Shell para a Música Brasileira, que, pela primeira vez, decidiu laurear uma intérprete - e não um compositor. Bethânia merece todas as honrarias, mas, sem querer ser chato, e já sendo, estão esquecendo de premiar Marina Lima. Tanto o Shell como o Tim. Marina está completando 30 anos de carreira (foi lançada como compositora por Gal Costa em 1977 e começou a gravar seu primeiro disco em 1978) e merecia ser lembrada porque ousou ser pop e feminina numa época em que a música brasileira não absorvia bem qualquer atitude pop vinda de mulheres - Rita Lee e Frenéticas à parte. Pode parecer bobagem, mas Marina soube se inserir na música brasileira e manter sua conexão com o universo pop. Sua obra tem assinatura pessoal, prima pela coerência e é digna de prêmios. Quem sabe a direção do Prêmio Tim não atente para o nome de Marina em 2009? Seria justo.


Terça-feira, 3 Junho, 2008

Rita volta ao Rio com show (Sub)urbano Coração

Divulgação Rita Ribeiro traz de volta ao Rio de Janeiro seu novo belo show, (Sub)Urbano Coração, em duas únicas apresentações na Letras & Expressões, agendadas para as duas próximas quinta-feiras, 5 e 12 de junho. Já vi o show na estréia, no Teatro Sesc-Ginástico, e recomendo. Um dos destaques é You'll See, balada do repertório de Madonna que Rita canta lindamente. Encerrada a fase Tecnomacumba, a cantora se volta para um repertório mais melódico, intimista e sentimental. Em cena, apenas Rita e o violonista João Gaspar. “Trata-se de um show mais cool, que busca retratar, por meio de canções selecionadas após longa pesquisa, a teia de sentimentos que passam pelas cordas do coração e, ao mesmo tempo, tecem as relações nas cidades grandes, nos centros urbanos. Por isso, optei por emoldurar as canções apenas com instrumentos de cordas”, explica a artista.


Segunda-feira, 2 Junho, 2008

Maria Rita grava DVD de samba em show beneficente

Divulgação Warner Music / Tripolli Maria Rita vai registrar seu azeitado show Samba Meu em DVD. A gravação vai acontecer no Rio de Janeiro, no dia 10 de junho, na casa Vivo Rio. Nesta quinta-feira, a cantora se apresenta no Citibank Hall, mas trata-se de show feito para festejar o aniversário de uma rádio. O DVD mesmo vai ser captado no dia 10 e chega às lojas ainda este ano. Detalhe: o show da gravação não terá ingressos postos à venda, mas serão entregues mediante a doação de duas latas de leite em pó ou um livro para crianças entre 2 e 9 anos. O material arrecadado vai ser encaminhado ao Instituto da Criança. Ainda não foram divulgados os postos de troca dos ingressos.


Domingo, 1 Junho, 2008

Caixa traz duas gravações inéditas de Chico Buarque

Capa do box 'Essencial', de Chico Buarque Fãs de Chico Buarque são compradores fiéis de tudo (ou de quase tudo...) que a indústria fonográfica lança do compositor. É por isso mesmo que a esperta gravadora Sony BMG, que editou os discos de Chico de 1987 a 2002, está pondo nas lojas nos próximos dias um box intitulado Essencial. A rigor, é uma coletânea de luxo, mas traz duas iscas para fisgar colecionadores: as regravações (inéditas em CD) de Samba do Grande Amor e Tanto Amar. No todo, a caixa reúne 65 fonogramas, contabilizando os 56 dos quatro CDs temáticos e os 11 números musicais do DVD Chico ou País da Delicadeza Perdida. Para quem não tem álbuns originais do compositor, a caixa pode ser um bom presente de Dia dos Namorados para (as) fãs de Chico.

Chico César monta arraial moderno com produção de BiD

Chico César no traço de Adams Carvalho Chico César está armando seu arraial para faturar com o mercado de música junina. O cantor e compositor lança esta semana um CD de frevos e forrós turbinados com a sonoridade moderna de BiD, produtor que já pilotou disco da Nação Zumbi e que fundou o coletivo paulista Funk Como le Gusta. Em Francisco, Forró y Frevo, BiD incrementa repertório inédito com bom uso de sintetizadores, ‘samples’ e ‘scratches’. Nas lojas esta semana, o disco impressiona pela ótima qualidade da safra de inéditas de Chico, que enfatiza a afinidade rítmica do reggae com o xote em faixas como Comer na Mão e Ociosa. O álbum tem tom festivo. Já na faixa de abertura, o frevo Girassol, as guitarras de Fernando Catatau sinalizam a intenção do artista — que produziu o CD ao lado de BiD — de buscar outras sonoridades para o gênero. Já em Pelado, frevo que protesta de forma espirituosa contra a industrialização do Carnaval baiano, Chico integra a pulsação da guitarra baiana — a cargo de Armandinho, referência do instrumento — com os metais típicos dos frevos tocados nas ruas de Pernambuco.
A propóstio, embora dirigido ao mercado de festas juninas, o disco tem forte munição para a folia em frevos como Humanequim (faixa de longa passagem instrumental), Armando e Solto na Buraqueira. Os metais estão em brasa nestes temas de pique carnavalesco.
Dentro do universo forrozeiro, o CD prioriza xotes como Feriado, mas Abaeté, Abaiacu e Namorado tem levada rápida que evoca os xaxados. Nos versos, Chico César recorre à metáfora para abordar de forma sutil os crimes praticados contra homossexuais na Lagoa do Abaeté, ponto de encontros gays em Salvador (BA).
“Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa”, suplica o compositor no xote Deus me Proteja, em que requisita a voz e a sanfona nobres de Dominguinhos. Outro convidado do CD, Seu Jorge canta Dentro em registro tão grave e suave que lembra Arnaldo Antunes. A letra, aliás, é pura poesia. Única regravação incluída entre as inéditas de Chico César, a Marcha da Cueca — parceria de Livardo Alves com Carlos Mendes e Celso Teixeira — reaparece unida em medley com a Marcha da Calcinha, parceria de Chico e Pedro Osnar, de alto teor erótico. “Música eletrônica sem energia não dá”, sentencia Chico em verso de Eletrônica, outra faixa de um disco que prova que, se utilizados com moderação, os timbres eletrônicos têm muito a oferecer. O arraial moderno de Chico César é animado.

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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