Caetano já está mixando seu novo CD, 'Zii e Zie'
Já está quase pronto o disco de inéditas que Caetano Veloso vai lançar em 2009. O título não vai ser mais Transamba - como chegou a ser cogitado pelo cantor -mas Zii e Zie, expressão em italiano. O CD já entrou em fase de mixagem, que corre sem pressa porque o lançamento ficou para o ano que vem para não embolar com A Música de Tom Jobim, o disco que registra o show feito por Caetano com Roberto Carlos, nas lojas a partir de 5 de dezembro. O repertório de Zii e Zie é quase todo autoral e reúne as músicas já conhecidas de quem viu o show Obra em Progresso: Perdeu, Tarado ni Você, Sem Cais, Lapa, Lobão Tem Razão e A Cor Amarela, entre outras. Uma das reais novidades do disco é Menina da Ria. Caetano incluiu também Incompatibilidade de Gênios, o samba de João Bosco e Aldir Blanc que fazia sucesso no show com uma leitura bem diversa do registro de Bosco (que, aliás, regravou o samba com Zizi Possi na série de shows captados pela cantora para gerar o DVD comemorativo de seus 30 anos de carreira). Quando regrava uma música alheia, Caetano geralmente se apropria dela com inteligência. Não me espantaria se o samba de Bosco viesse a se tornar o hit do álbum. Embora A Cor Amarela - um exuberante flerte com a axé music - também tenha apelo popular (mas não muito). Que venha Zii e Zie, certamente um dos CDs mais discutidos de 2009!

Em entrevista ao colega Júlio Biar, publicada na última edição da revista Tudo de Bom, Elba Ramalho contou que pretende dedicar um disco à obra de Zé Ramalho em 2009, ano em que completa 30 anos de carreira (tomando-se como ponto de partida o lançamento de seu primeiro LP, Ave de Prata, em 1979). A idéia parece óbvia, mas é das melhores. Elba tem grande afinidade com o cancioneiro apocalíptico de seu primo Zé. Sua interpretação de Admirável Gado Novo, num show dos anos 90, nunca me saiu da cabeça. Mas Elba nunca registrou essa música em disco, como fez com Chão de Giz (um de seus grandes sucessos nos anos 90) e com Vila do Sossego, a música de cuja gravação original, em 1978, participou como vocalista. Ou seja, tem muita música boa do compositor à espera de um registro na voz guerreira da intérprete. Contudo, antes do tributo a Ramalho, Elba lança disco voltado para o mercado do forró, Balaio de Amor. Só espero que a Leoa do Norte leve adiante a idéia de gravar o álbum com músicas de Zé. Tem tudo para ser antológico. É uma maneira interessante de celebrar seus 30 batalhadores anos de carreira.

Em 1º de fevereiro de 2008, noticiei em primeira mão na coluna Estúdio que a Universal Music estava encaixotando os discos antigos de Ney Matogroso para lançamento neste ano de 2008. Quatro sextas-feiras depois, em 29 de fevereiro, anunciei o apropriado título escolhido para a caixa pelo produtor Rodrigo Faour: Camaleão. Aliás, mais apropriado, impossível, pois Ney é cantor de várias faces e fases - como em breve poderá ser (mais uma vez) comprovado. Camaleão já está no forno da gravadora Universal e embalada 16 títulos originais da discografia mutante de Ney, além de trazer um CD com fonogramas raros de sua obra. Desde já, considero a edição da caixa Camaleão um dos acontecimentos mais relevantes do ano. Até porque alguns discos antológicos do intérprete - como o seminal Água do Céu-Pássaro, editado em 1975, um ano depois da saída de Ney do grupo Secos & Molhados - nunca haviam sido relançados no formato de CD. E outros estavam há anos fora de catálogo. Injustiça enfim reparada.