Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Domingo, 30 Novembro, 2008

Caetano já está mixando seu novo CD, 'Zii e Zie'

Divulgação / Washington Possato Já está quase pronto o disco de inéditas que Caetano Veloso vai lançar em 2009. O título não vai ser mais Transamba - como chegou a ser cogitado pelo cantor -mas Zii e Zie, expressão em italiano. O CD já entrou em fase de mixagem, que corre sem pressa porque o lançamento ficou para o ano que vem para não embolar com A Música de Tom Jobim, o disco que registra o show feito por Caetano com Roberto Carlos, nas lojas a partir de 5 de dezembro. O repertório de Zii e Zie é quase todo autoral e reúne as músicas já conhecidas de quem viu o show Obra em Progresso: Perdeu, Tarado ni Você, Sem Cais, Lapa, Lobão Tem Razão e A Cor Amarela, entre outras. Uma das reais novidades do disco é Menina da Ria. Caetano incluiu também Incompatibilidade de Gênios, o samba de João Bosco e Aldir Blanc que fazia sucesso no show com uma leitura bem diversa do registro de Bosco (que, aliás, regravou o samba com Zizi Possi na série de shows captados pela cantora para gerar o DVD comemorativo de seus 30 anos de carreira). Quando regrava uma música alheia, Caetano geralmente se apropria dela com inteligência. Não me espantaria se o samba de Bosco viesse a se tornar o hit do álbum. Embora A Cor Amarela - um exuberante flerte com a axé music - também tenha apelo popular (mas não muito). Que venha Zii e Zie, certamente um dos CDs mais discutidos de 2009!


Sábado, 29 Novembro, 2008

Voz ativista de Mercedes Sosa emociona o Rio

Foto de Mauro Ferreira
Como já tinha visto em São Paulo o novo show do Jota Quest (La Plata, que superlotou a Fundição Progresso ontem à noite), aproveitei a oportunidade de ver Mercedes Sosa em sua única apresentação na casa Vivo Rio. Aos 73 anos, a intérprete argentina já sente o peso da idade, fazendo o show sentada. Mas nem por isso deixou de emocionar o público que encheu a casa Vivo Rio com seu cancioneiro ativista. A voz resistente de Mercedes ainda está em boa forma e foi muito bonito vê-la cantar músicas como Yo Vengo a Ofrecer mi Corazón e Desarma y Sangra, de autoria de Fito Paez e Charly García, respectivamente. Como sempre, Mercedes fez a ponte Brasil-Argentina, irmanando os dois países ao cantar Coração Vagabundo em português (ela acaba de gravar a música com Caetano Veloso para um álbum de duetos) e ao reviver Coração de Estudante na versão em espanhol que registrou em disco há anos. De quebra, ainda recebeu a novata (e excelente) cantora baiana Márcia Castro para uma surpreendente participação especial. Juntas, cantaram a bela Insensatez. Depois, Castro reviveu sozinha A Palo Seco, o clássico cortante de Belchior que deu título ao primeiro LP do cearense. Gracias a la vida!


Sexta-feira , 28 Novembro, 2008

Vanessa da Mata faz DVD em Parati com Sly & Robbie

Foto de Mauro Ferreira
Fugindo do já batido eixo Rio-SP, Vanessa da Mata gravou seu primeiro DVD na noite de ontem no Centro Histórico de Paraty. Fui conferir a gravação - pretexto também para conhecer, enfim, a charmosa cidade. E o fato é que adorei o clima da gravação, que vai ser editada em CD e DVD da série Multishow ao Vivo no ano que vem. Na primeira parte do show, Vanessa cantou músicas como Vermelho e Absurdo com a dupla jamaicana Sly & Robbie, que já havia participado de seu último álbum, Sim. Com o duo, referência de boa cozinha no mundo do reggae, a cantora vai gravar em estúdio a inédita Esperança, composta por ela na Jamaica especialmente para o DVD. No segundo bloco, com sua banda, a cantora reviveu sucessos de seus três CDs. E, nessa parte, quem cresceu e apareceu foi o guitarrista Davi Moraes. Muito do ritmo das músicas estava calcado na guitarra de Davi, que mereceu até uma câmera exclusiva para captar seus movimentos. No terceiro momento do show, acústico e intimista, Vanessa cantou Guilherme Arantes (a balada Um Dia, um Adeus, provável faixa de trabalho do DVD) e Cartola (As Rosas Não Falam). O cenário bucólico, construído com flores e folhas, foi um show à parte quando iluminado e vai gerar belo visual no vídeo.


Quinta-feira, 27 Novembro, 2008

Leny Andrade é coisa fina com Romero Lubambo

Foto de Mauro Ferreira
Dica de show para cariocas: Lua do Arpoador, que estreou ontem no Teatro Rival e fica em cartaz até sábado. Na companhia de Romero Lubambo, Leny Andrade canta os repertórios dos dois discos que gravou com o violonista, Coisa Fina (de 1994) e o CD que batiza o show, Lua do Arpoador, editado pela gravadora Biscoito Fino em 2006. E como Leny canta! Sua interpretação de Esses Moços - uma daquelas músicas embebidas em pura amargura, como somente Lupicínio Rodrigues sabia fazer - é digna de aplausos de pé e mostra que Leny também é intérprete de primeira fora do universo jazzístico. No qual, aliás, ela continua dando show. Seus scats em Bluesette fariam frente à qualquer gravação da saudosa Ella Fitzgerald. Leny é coisa fina e precisa ser mais reverenciada no Brasil.


Quarta-feira, 26 Novembro, 2008

A música de Ivan Lins na voz de Roberta Sá

Foto de Mauro Ferreira
Taí um flagrante do inusitado encontro nos palcos de Ivan Lins com Roberta Sá. Aconteceu ontem à noite no Morro da Urca no show fechado promovido pela empresa Accenture em homenagem ao compositor. Admiro muito a obra de Ivan, mas admito que subi o morro por conta de Roberta. A cantora tem feito muitas participações apáticas em discos e shows alheios que não revelam todo seu talento, mas o encontro com Ivan Lins foi realmente especial. Roberta cantou seis números, brilhando na balada Vieste (com vocais lindos), encarando com coragem o samba Me Deixa em Paz (projetado nos anos 70 pela gravação imbatível de Elis Regina) e cantando uma música desconhecida de Ivan, Não Tem Perdão, de versos magoados dirigidos aos carrascos da ditadura que amordaçou o Brasil nos anos 70. Mas a letra, como bem lembrou Roberta, também cabe dentro do universo da música romântica. Enfim, uma participação luminosa que valorizou show de tonalidades jazzísticas (o que assustou parte da platéia de convidados) e reafirmou o caráter universal da obra de Ivan Lins.


Terça-feira, 25 Novembro, 2008

Zé Ramalho na voz guerreira de Elba

Isabella Kasov Em entrevista ao colega Júlio Biar, publicada na última edição da revista Tudo de Bom, Elba Ramalho contou que pretende dedicar um disco à obra de Zé Ramalho em 2009, ano em que completa 30 anos de carreira (tomando-se como ponto de partida o lançamento de seu primeiro LP, Ave de Prata, em 1979). A idéia parece óbvia, mas é das melhores. Elba tem grande afinidade com o cancioneiro apocalíptico de seu primo Zé. Sua interpretação de Admirável Gado Novo, num show dos anos 90, nunca me saiu da cabeça. Mas Elba nunca registrou essa música em disco, como fez com Chão de Giz (um de seus grandes sucessos nos anos 90) e com Vila do Sossego, a música de cuja gravação original, em 1978, participou como vocalista. Ou seja, tem muita música boa do compositor à espera de um registro na voz guerreira da intérprete. Contudo, antes do tributo a Ramalho, Elba lança disco voltado para o mercado do forró, Balaio de Amor. Só espero que a Leoa do Norte leve adiante a idéia de gravar o álbum com músicas de Zé. Tem tudo para ser antológico. É uma maneira interessante de celebrar seus 30 batalhadores anos de carreira.


Segunda-feira, 24 Novembro, 2008

É difícil encontrar o CD de Margareth nas lojas

Divulgação / Washington Possato
Sou admirador confesso do canto ensolarado de Margareth Menezes. Acho que a intérprete baiana tinha tudo para estar no primeiro time de cantoras da MPB. Mas o fato é que Margareth ainda não gravou um disco que esteja realmente à altura da sua voz. Naturalmente, o CD de MPB que ela acabou de lançar, tem lá seu bons momentos, mas poderia ser bem melhor. Críticas à parte, a distribuição do disco tem estado muito irregular. Pelo menos no Rio e em São Paulo. Não é fácil encontrar o CD nas lojas. E uma boa distribuição é o primeiro passo para um disco dar certo. Tomara que o problema seja detectado e corrigido a tempo, pois Maga merece fazer sucesso.


Domingo, 23 Novembro, 2008

Diversão e arte com 'a Amy Winehouse do jazz'

Foto de Mauro Ferreira
Gostava muito dos discos de Michael Bublé, mas nunca tinha tido oportunidade de assistir a um show do crooner canadense. Até a noite de ontem, quando fui à casa Vivo Rio assistir à única apresentação de Bublé no Rio. E me surpreendi ao deparar com um artista de caráter performático, que soube fazer um show envolvente. Bublé é cantor que descende da linhagem nobre de Frank Sinatra, mas, em cena, ele não se porta como um divo. "Sou a Amy Winehouse do jazz", gracejou para a platéia. Bublé não chega a tanto, mas contou piada, tirou sarro de seus músicos (e sua big-band é luxo só!), imitou os requebros de Elvis Presley e improvisou até hit do grupo gay Village People. Como Bublé faz questão de bancar o sedutor, a mulherada foi ao delírio. E o que se viu foram cenas dignas de um show de Fábio Jr.: as garotas se jogaram literalmente em cima do cantor e tiveram que ser retiradas do palco pelos seguranças da casa. Bublé parece gostar de fazer esse jogo de sedução com sua platéia. Contudo, quando ele deixa de fazer graça para levar a música a sério, o show fica ainda mais vibrante. Seja nas baladas (como Home) ou nos temas dançantes (como a deliciosa Save the Last Dance for me), Bublé - que anunciou sua volta ao Brasil em março - sabe prender a atenção do público com seu pop de leve aura jazzística e seu jazz de tom pop. Demais!


Sábado, 22 Novembro, 2008

Skank finca 'Estandarte' no Canecão com Negra Li

Foto de Mauro Ferreira
Se você ouve rádio, certamente já escutou Ainda Gosto Dela, a canção do Skank que vem liderando as paradas e que conta com Negra Li nos vocais. Pois não é que o grupo trouxe a cantora de São Paulo para repetir o dueto com Samuel Rosa na temporada carioca do show Estandarte, que estreou ontem no Canecão e fica em cartaz até amanhã, domingo?? Li foi a cereja do bolo da azeitada estréia carioca do espetáculo. Na primeira vez que entrou em cena, não rendeu tudo o que pode. No bis, ela se soltou mais e brilhou. Contudo, com ou sem Negra Li, o Skank reeditou a velha boa forma. Emoldurado por um deslumbrante cenário composto por tiras elásticas, cuja iluminação proporcionava belos efeitos visuais, a banda mostrou as músicas do CD Estandarte e reviveu os velhos hits com novos grooves, mostrando ser capaz de se renovar em cena sem perder a identidade.


Sexta-feira , 21 Novembro, 2008

Zé Ramalho,enfim, canta Bob Dylan

Capa do CD 'Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando'
Taí a capa do disco em que Zé Ramalho canta versões em português de músicas de Bob Dylan. Confesso que esperava uma capa mais criativa que traduzisse o encontro destes dois compositores de universos tão singulares. Mas, enfim, o que importa é o que está dentro da embalagem... Anunciado desde o começo do ano, o CD vai chegar às lojas no início de dezembro, via EMI Music, com produção de Robertinho de Recife (habitual colaborador de Zé) e versões de clássicos de Dylan como Blowin' in the Wind e Like a Rolling Stone. A idéia de Ramalho foi dar um toque brasileiro ao cancioneiro do bardo norte-americano. Tanto que, na sua voz, Mr. Tambourine Man vira Mr. do Pandeiro. Parece ser um disco mais ousado do que o tributo de Zé a Raul Seixas.


Quinta-feira, 20 Novembro, 2008

A bem-vinda caixa de um cantor camaleônico

Divulgação / Universal Music Em 1º de fevereiro de 2008, noticiei em primeira mão na coluna Estúdio que a Universal Music estava encaixotando os discos antigos de Ney Matogroso para lançamento neste ano de 2008. Quatro sextas-feiras depois, em 29 de fevereiro, anunciei o apropriado título escolhido para a caixa pelo produtor Rodrigo Faour: Camaleão. Aliás, mais apropriado, impossível, pois Ney é cantor de várias faces e fases - como em breve poderá ser (mais uma vez) comprovado. Camaleão já está no forno da gravadora Universal e embalada 16 títulos originais da discografia mutante de Ney, além de trazer um CD com fonogramas raros de sua obra. Desde já, considero a edição da caixa Camaleão um dos acontecimentos mais relevantes do ano. Até porque alguns discos antológicos do intérprete - como o seminal Água do Céu-Pássaro, editado em 1975, um ano depois da saída de Ney do grupo Secos & Molhados - nunca haviam sido relançados no formato de CD. E outros estavam há anos fora de catálogo. Injustiça enfim reparada.


Quarta-feira, 19 Novembro, 2008

Vale a pena ouvir de novo os CDs do Creedence

Capas dos seis álbuns do Creedence Clearwater Revival relançados pela Universal Music

Nem sempre a indústria do disco relança álbuns importantes com o devido cuidado. Sobretudo no Brasil. Por isso mesmo, a Universal Music está de parabéns pelas reedições dos seis primeiros álbuns do Creedence Clearwater Revival. Para quem não liga o nome à música, o Creedence foi o grupo fundado por John Fogerty nos anos 60 que gerou clássicos como Proud Mary, Have You Ever Seen the Rain? e Green River. Com muita competência, o Creedence fazia um rock impregnado de sotaque country e de flertes com a soul music. Um som que resiste bem ao tempo e que pode ser (re)ouvido nas reedições de Creedence Clearwater Revival (1968), Bayou Country (1969), Green River (1969), Willy and the Poor Boys (1969), Cosmo's Factory (1970) e Pendulum (1970). Todas devidamente turbinadas com faixas-bônus, fotos e textos. Ou seja, como exigem os colecionadores de discos.


Terça-feira, 18 Novembro, 2008

Bem-vindos ao Estúdio Online!!

Para festejar os dez anos da coluna Estúdio, nascida em 23 de novembro de 1998, o blog do colunista no DIA ONLINE entra no ar esta semana de cara nova. Mas a idéia é a mesma: oferecer um complemento virtual, de teor mais opinativo, das notícias sobre CDs e DVDs veiculadas na coluna publicada semanalmente às sextas-feiras no Caderno D do jornal O DIA. Sem preconceitos e com a maior abrangência possível, enfocando inclusive assuntos não abordados no papel. Em outras palavras, a geléia continua geral como a miscigenada música brasileira. Entrem no Estúdio Online e fiquem à vontade - inclusive para comentar. Se expressadas com educação e sem termos chulos que ofendam os artistas e/ou o colunista, opiniões divergentes serão sempre bem-vindas.

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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