Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
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Sexta-feira , 30 Janeiro, 2009

Impossível resistir ao 'Beijo Bandido' de Ney

Foto de Mauro Ferreira
É incrível o talento mutante de Ney Matogrosso. Ontem à noite, o cantor tirou a fantasia e a maquiagem do show Inclassificáveis - cuja turnê nacional ainda não acabou - e, de cara limpa, apresentou um novo e inédito espetáculo na abertura do projeto Shows de Verão do Teatro Tom Jobim. Saí em êxtase - como, aliás, toda a platéia. Com espantosa forma vocal, que desmente os 68 anos que vai fazer em agosto, Ney deu um banho de técnica e sedução. Cantou Fascinação - numa interpretação arrepiante que me fez esquecer o registro de Elis - e reviveu uma das mais belas canções românticas da dupla Roberto e Erasmo Carlos, A Distância. Sempre surpreendente, o cantor ainda pescou uma pérola do sempre inspirado Vitor Ramil - Invento, de onde saiu o título do show Beijo Bandido - e tirou do próprio baú uma jóia, As Ilhas, parceria de Piazzollla com Geraldo Carneiro que Ney gravou antes de lançar o primeiro CD solo. Foi o ápice de um show que, a rigor, teve somente grandes momentos (como sua interpretação de Doce de Coco, o choro de Jacob do Bandolim letrado por Hermínio Bello de Carvalho). Sem falar em Tango pra Teresa e em Mulher sem Razão. Resultado: após a apresentação única, executivos das gravadoras já começaram a fazer lobby para trazer o show de volta à cena e registrá-lo em DVD. Merece mesmo. Beijo Bandido é um dos shows mais sedutores da carreira de Ney. E olha que ele já fez espetáculos de alto nível... Quem viu, viu: a noite de ontem foi mágica, inebriante.


Terça-feira, 27 Janeiro, 2009

Rock que puxa álbum do U2 não faz jus à banda

Capa do CD 'No Line on the Horizon'
Pode ser pista falsa, mas, a julgar pelo rock que puxa o novo álbum do U2, Get on your Boots, o álbum que o grupo lança em 2 de março, No Line on the Horizon, pode não fazer jus ao histórico da banda. Get on your Boots é rock direto, incisivo, mas não chega a empolgar. Pode ser ouvido no site oficial da banda. Mas, como nem sempre as faixas escolhidas para singles estão à altura dos álbuns que anunciam, a má impressão pode mudar.


Sexta-feira , 23 Janeiro, 2009

Com fé em Obama, Bruce lança CD esperançoso

Capa do CD 'Working on a Dream'
Bruce Springsteen sempre deu voz em sua música aos excluídos do sonho norte-americano. Um dos artistas que mais se engajaram na campanha para que Barack Obama fosse eleito presidente dos Estados Unidos, Bruce teve merecido lugar de honra nos shows e festejos que celebraram esta semana a posse de Obama. Com fé nos ideais de igualdade social propagados pelo novo presidente dos EUA, o cantor lança na próxima terça-feira, 27 de janeiro, seu álbum mais esperançoso, Working on a Dream. Diferentemente do grande disco anterior de Bruce, Magic (2007), que refletiu a desilusão do artista com a era de George W. Bush, este novo álbum, gravado com a fiel E-Street Band, não tem caráter explicitamente politizado. Springsteen marca posição nas entrelinhas. A esperança dá o tom de músicas como a faixa-título.
O álbum abre em grande estilo com Outlaw Pete, folk rock de clima épico e produção grandiosa (com cordas) que conta em oito minutos a saga de bandido do Oeste americano. Tal clima remete aos filmes de faroeste. Na seqüência, o rock My Lucky Day anuncia o tom feliz do CD com sonoridade típica da E-Street Band. É rock de batida pop. Working on a Dream, aliás, exibe sabor pop raro na discografia de Bruce, qualidade perceptível nos vocais harmoniosos de This Life, na balada Queen of the Supermarket e em Surprise, Surprise.
Fãs do cantor vão perceber que, apesar de toda a esperança contida em suas 13 faixas, o CD Working on a Dream não é dos álbuns mais felizes de Springsteen do ponto de vista musical e poético. As letras, rasas, estão aquém do padrão do artista. Exceções são os versos de Kingdom of Days, nos quais Bruce sustenta que o amor pode desafiar o tempo e a mortalidade. Eles se impõem em repertório que inclui um blues elétrico (Good Eye) e um pungente tema adornado com vocais de estilo gospel, bem apropriados, aliás, para a faixa, que presta tributo póstumo a um integrante da E-Street Band, Danny Federici, morto em abril de 2007. A música se chama The Last Carnival e soa bem mais envolvente do que Life Itself, faixa que exemplifica a rala inspiração de Bruce neste disco.
Felizmente, o fecho do álbum é tão bom quanto seu começo. Contemplada com um Globo de Ouro, a bela canção The Wrestler foi feita para o filme homônimo e gravada no estilo voz-e-violão. Sinaliza que a inspiração não foi de todo embora com a desilusão de Bruce Springsteen.


Segunda-feira, 19 Janeiro, 2009

Jorge Vercillo é o novo parceiro de Maysa

Divulgalção / EMI Music O mundo de muita gente vai cair, mas o fato é que Jorge Vercillo é o mais novo parceiro de Maysa. Póstumo, é claro, mas parceiro. Vercillo está entre os compositores que receberam letras inéditas da autora de Ouça pelas mãos do diretor Jayme Monjardim, filho da cantora, para pôr música nelas. E Vercillo aceitou a tarefa. A lista de novos parceiros de Maysa inclui também Lenine e Nando Reis. Como a minissérie sobre a artista já saiu do ar e já teve sua trilha editada em CD duplo, com gravações originais de Maysa, o mais provável é que a gravadora Som Livre edite um disco com as músicas resultantes destas improváveis parcerias. Quem viver, verá. E ouvirá.


Quarta-feira, 14 Janeiro, 2009

Minissérie é uma ficção sobre a vida de Maysa

Reprodução da capa de CD
Em artigo publicado hoje no jornal Folha de S. Paulo, Lira Neto - autor da melhor biografia de Maysa - deixa o coração falar e desanca a minissérie escrita por Manoel Carlos com o argumento de que o novelista não retrata a cantora com fidelidade. Com a autoridade de quem pesquisou a vida de Maysa, Lira tem todo o direito de se manifestar. Mas, em seu artigo, ele não leva em consideração dois pontos:
1) Manoel Carlos sempre disse que a minissérie era uma obra de ficção. Baseada numa vida real, mas escrita com a liberdade concedida ao gênero. Ou seja, não tem compromisso com a verdade absoluta como teria, por exemplo, um documentário ou um Globo Repórter sobre a artista.
2) O diretor da minissérie é Jayme Monjardim, filho de Maysa. Logo, se a minissérie focasse Maysa de forma tão irreal assim quanto quer fazer crer Lira, Monjardim certamente teria convencido o autor a dar outro enfoque com a autoridade de quem de fato conheceu a artista.
Enfim, como dá para perceber, estou amando Maysa, a minissérie (da cantora, sempre gostei). Há, sim, liberdades ficcionais. Nem todas as músicas são citadas no contexto em que de fato surgiram. E pode ser que nem tudo tenha acontecido da forma exata como Maneco conta. Mas não importa. Maysa é uma excelente obra de ficção, não um documentário sobre a cantora.


Domingo, 11 Janeiro, 2009

Um disco para reviver a música do poeta Cacaso

Arquivo pessoal De todas as notícias que dei na última edição impressa da coluna Estúdio, na sexta-feira 9, a que mais me deixou feliz foi a produção de um disco em tributo a Cacaso (1944 - 1987), que, além de poeta e magnífico letrista de MPB, vem a ser também o pai de Pedro Landim, colega do jornal O DIA. Sempre curti a poesia cortante e concisa de Cacaso, letrista de músicas como Amor Amor e Face a Face, gravadas por Maria Bethânia e Simone nos anos 70, respectivamente. O CD, idealizado e produzido por Heron Coelho de seu próprio bolso para reavivar a obra musical de Cacaso, já está em fase final de gravação e sai este ano. Duas gravadoras, Biscoito Fino e Lua Music, já estão no páreo para ter o privilégio de editar o CD Cacaso - Letra e Música. O time de músicos e cantores envolvidos no disco é de primeira e inclui alguns parceiros de Cacaso como Francis Hime, Sueli Costa, Zé Renato e João Donato. Eis a lista de músicas, autores e intérpretes deste álbum muito bem-vindo:

O Terceiro Amor (Francis Hime - Cacaso) - Francis Hime
Dentro de mim Mora um Anjo (Sueli Costa - Cacaso) - Olívia Hime
Triste Baía da Guanabara (Novelli - Cacaso) - Fabiana Cozza
Meio Termo (Lourenço Baeta - Cacaso) - Cida Moreira
Lero Lero (Edu Lobo - Cacaso) - Olívia Byngton
Ribeirinho (Francis Hime - Cacaso) - Olívia Hime
Chega de Tarde (Danilo Caymmi - Cacaso) - Danilo e Dori Caymmi
Eu te Amo (Sueli Costa - Cacaso) - Renato Braz
Andorinha (Novelli - Cacaso) - Ana de Holanda, Novelli e Pií Buarque
Das Dores (Cacaso - Zé Renato) - Zé Renato
Profunda Solidão (Novelli - Cacaso) - Cristina Buarque
Canção do Desamor Demais (João Donato - Cacaso) - Miúcha e João Donato
Louvar (Zé Miguel Wisnik-Cacaso) - Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
Clarão (Olivia Byington - Cacaso) - Ana Luíza e Luiz Felipe Gama
Refém (Carlinhos Vergueiro- Cacaso) - Carlinhos Vergueiro
Amor Amor (Sueli Costa - Cacaso) - Célia e Nelson Ayres
Dono do Lugar (Edu Lobo - Cacaso) - Cida Moreira
A Fonte (Nelson Ângelo - Cacaso) -Nelson Ângelo e Joyce
Tristorosa (Villa-Lobos - Cacaso - Amélia Rabelo
Face a Face (Sueli Costa - Cacaso) - Sueli Costa


Sexta-feira , 9 Janeiro, 2009

Febre de Elza

Foto de Mauro Ferreira
Fui conferir ontem a estréia do novo show de Elza Soares, Elza Sapeca da Breca, em cartaz até amanhã. O Teatro Rival estava lotado, com gente em pé. E Elzinha deu show de profissionalismo. Estava com febre e a voz, como ela admitiu em cena, não estava em seus melhores dias. Mas só deu para perceber quando Elza falava. Quando cantava, a mulata, duríssima na queda, como bem sacou Chico Buarque ao compor um samba inspirado nela, arrebentou como sempre. O show é realmente novo. Os arranjos de metais, pilotados por Eduardo Neves, dão nova pulsação às velhas músicas. E tem novidades na voz da cantora. Como Imagination - tema do repertório de Chet Baker, o trompetista norte-americano que cantava macio - e Tente Outra Vez, a música de Raul Seixas que tem tudo a ver com o temperamento determinado de Elza. A rigor, ela já havia cantado Tente Outra Vez num tributo a Raulzito que aconteceu em novembro, em São Paulo, e que tive a felicidade de ver por estar em minitemporada em Sampa. Mas é novidade para o público carioca. Com ou sem febre, a temperatura de um show de Elza Soares é sempre quente.


Quinta-feira, 8 Janeiro, 2009

Paralamas voltam ao pop em CD que sai em fevereiro

Divulgação / EMI Music
Gostei da música que puxa o novo disco dos Paralamas do Sucesso, Brasil Afora, nas lojas no começo de fevereiro. A música se chama A lhe Esperar e tem uma leveza pop que andou em falta na discografia do grupo desde o acidente que quase tirou a vida de Herbert Vianna em 2001. Quem assina a música é Liminha - produtor do CD, gravado na Bahia no estúdio de Carlinhos Brown - em parceria com Arnaldo Antunes. Gostei, pois acho que os Paralamas precisam de uma música ensolarada depois de tempos tão cinzentos, refletidos em seus discos anteriores. Imagino que tenha o dedo da gravadora EMI na escolha do single. Mas, nesse acaso, a escolha me parece acertada (mesmo sem ter ouvido o resto do disco). A música tem jeito de hit. E tudo o que os Paralamas andam precisando nos últimos anos é de um sucesso popular. Que brilhe o sol!


Terça-feira, 6 Janeiro, 2009

Morrissey se recusa a ser feliz em álbum de guitarras

Capa do CD 'Years of Refusal' Ouvi o novo disco do Morrissey, Years of Refusal, que vazou no domingo. Não gosto muito de avaliar um disco por audições na rede, mas, vá lá, o tempo não espera por ninguém e o álbum, que sai somente em 16 de fevereiro no exterior, já está disponível para audição e download (ilegal!!) em vários blogs e sites (dica: dê uma pesquisada no google que vc acha lá pela quarta ou quinta página). Gostei do disco, marcado pelas guitarras. Elas, as guitarras, amplificam a habitual tristeza de Morrissey. Sim, ele se recusa a ser feliz e já entrega seu estado emocional nos títulos de músicas como Black Cloud (uma das faixas temperadas com guitarras) e It's Not your Birthday Anymore. No todo, o disco tem um vigor que inexistia no CD anterior do artista, Ringleader of the Tormentors, de 2006. Gosto especialmente de One Day Goodbye Will Be Farewell (faixa vibrante no qual ele alerta o amante relapso), de I'm Throwing my Arms around Paris (a faixa que mais remete aos Smiths), mas o álbum mantém o pique. E termina com um rock frenético, I'm Ok by Myself, no qual Morrissey afirma que se basta. Será? O que sei é que o cara é bem feliz na sua infelicidade.


Segunda-feira, 5 Janeiro, 2009

A capa do CD de bossa nova de Diana Krall

Capa do CD 'Quiet Nights'
Taí a capa do novo CD de Diana Krall, a cantora de pop jazz que esteve no Brasil no fim do ano passado. Quiet Nights sai dia 31 de março e é inspirado pela bossa nova. Para quem não liga o nome à música, Quiet Nights of Quiet Stars é a célebre versão em inglês de Corcovado, um dos muitos clássicos universais de Tom Jobim. O disco tem arranjos do maestro Claus Ogerman, que já trabalhou com ninguém menos do que João Gilberto. O repertório inclui outras músicas de Jobim e Walk on by, de Burt Bacharach, que, aliás, vem ao Brasil em abril fazer série de shows.


Sexta-feira , 2 Janeiro, 2009

Maysa, uma voz que vinha do coração

Divulgação A agenda musical de janeiro está cheia. Mas já decidi que vou arrumar tempo para acompanhar a minissérie Maysa - Quando Fala o Coração. Desde as primeiras chamadas, fiquei impressionando com as caracterizações da atriz Larissa Maciel, eleita para viver a cantora na TV, nas diversas fases e faces de Maysa. E foram muitas. Por isso, decidi escrever na coluna impressa desta sexta-feira sobre a trilha da minissérie que a Som Livre está lançando num timing excelente (não adianta lançar CD de minissérie depois que ela já saiu do ar - como aconteceu com a trilha de Queridos Amigos). Eis o texto que publiquei hoje na versão impressa de Estúdio:

"A partir de segunda-feira, quando estréia a minissérie Maysa - Quando Fala o Coração, o Brasil vai ouvir de novo o canto intenso dessa artista cuja obra foi a tradução fiel de uma vida movida a paixão. Na ficção, escrita por Manoel Carlos com base em trajetória real, Maysa (1936 - 1977) vai ter o rosto da atriz Larissa Maciel. Já a voz, única e intransferível, pode ser ouvida no CD duplo que apresenta a trilha da minissérie dirigida por Jayme Monjardim, filho de Maysa. Editado pela gravadora Som Livre, o CD Maysa - Quando Fala o Coração reúne 27 gravações feitas pela cantora entre 1956 e 1974, indo do primeiro ao último dos 18 albuns lançados pela intérprete. Pela seleção, é possível ter ótima idéia do canto plural de Maysa.
Ao surgir nos anos 50, Maysa já se revelou compositora de assinatura pessoal, ainda que inserida no universo tradicional do samba-canção. São dessa fase pérolas como Resposta, Tarde Triste, Adeus (primeira música de Maysa, escrita aos 12 anos) e, claro, a obra-prima Ouça. Mais tarde, no início dos anos 60, a cantora se deixou levar pelas águas plácidas da Bossa Nova. Deste período, a trilha apresenta O Barquinho, faixa-título do disco mais leve da artista. Mas Maysa - a cantora dos olhos que eram dois oceanos não-pacíficos, como sintetizou o poeta - carregava um peso todo próprio na voz. E logo voltou ao repertório mais passional. Sua interpretação de Ne me Quitte Pas, clássico do belga Jacques Brel, ouvido na trilha em registro ao vivo, dá bem a medida do canto apaixonado de Maysa. Que desconhecia a barreira da língua.
Maysa gravou músicas em vários idiomas. Se era fluente no francês, também dominava o inglês (basta ouvir sua gravação de I Love Paris, de Cole Porter) e o espanhol (o bolero Besame Mucho comprova sua intimidade com o castelhano). Em português, entendeu a lingua universal da música de Tom Jobim (1927 - 1994), compositor recorrente na sua discografia e nessa boa trilha que retrata a paixão com que Maysa se jogou na vida e na música". Está aí o texto. Feliz 2009!!

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

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