Impossível resistir ao 'Beijo Bandido' de Ney

É incrível o talento mutante de Ney Matogrosso. Ontem à noite, o cantor tirou a fantasia e a maquiagem do show Inclassificáveis - cuja turnê nacional ainda não acabou - e, de cara limpa, apresentou um novo e inédito espetáculo na abertura do projeto Shows de Verão do Teatro Tom Jobim. Saí em êxtase - como, aliás, toda a platéia. Com espantosa forma vocal, que desmente os 68 anos que vai fazer em agosto, Ney deu um banho de técnica e sedução. Cantou Fascinação - numa interpretação arrepiante que me fez esquecer o registro de Elis - e reviveu uma das mais belas canções românticas da dupla Roberto e Erasmo Carlos, A Distância. Sempre surpreendente, o cantor ainda pescou uma pérola do sempre inspirado Vitor Ramil - Invento, de onde saiu o título do show Beijo Bandido - e tirou do próprio baú uma jóia, As Ilhas, parceria de Piazzollla com Geraldo Carneiro que Ney gravou antes de lançar o primeiro CD solo. Foi o ápice de um show que, a rigor, teve somente grandes momentos (como sua interpretação de Doce de Coco, o choro de Jacob do Bandolim letrado por Hermínio Bello de Carvalho). Sem falar em Tango pra Teresa e em Mulher sem Razão. Resultado: após a apresentação única, executivos das gravadoras já começaram a fazer lobby para trazer o show de volta à cena e registrá-lo em DVD. Merece mesmo. Beijo Bandido é um dos shows mais sedutores da carreira de Ney. E olha que ele já fez espetáculos de alto nível... Quem viu, viu: a noite de ontem foi mágica, inebriante.



O mundo de muita gente vai cair, mas o fato é que Jorge Vercillo é o mais novo parceiro de Maysa. Póstumo, é claro, mas parceiro. Vercillo está entre os compositores que receberam letras inéditas da autora de Ouça pelas mãos do diretor Jayme Monjardim, filho da cantora, para pôr música nelas. E Vercillo aceitou a tarefa. A lista de novos parceiros de Maysa inclui também Lenine e Nando Reis. Como a minissérie sobre a artista já saiu do ar e já teve sua trilha editada em CD duplo, com gravações originais de Maysa, o mais provável é que a gravadora Som Livre edite um disco com as músicas resultantes destas improváveis parcerias. Quem viver, verá. E ouvirá.
De todas as notícias que dei na última edição impressa da coluna Estúdio, na sexta-feira 9, a que mais me deixou feliz foi a produção de um disco em tributo a Cacaso (1944 - 1987), que, além de poeta e magnífico letrista de MPB, vem a ser também o pai de Pedro Landim, colega do jornal O DIA. Sempre curti a poesia cortante e concisa de Cacaso, letrista de músicas como Amor Amor e Face a Face, gravadas por Maria Bethânia e Simone nos anos 70, respectivamente. O CD, idealizado e produzido por Heron Coelho de seu próprio bolso para reavivar a obra musical de Cacaso, já está em fase final de gravação e sai este ano. Duas gravadoras, Biscoito Fino e Lua Music, já estão no páreo para ter o privilégio de editar o CD Cacaso - Letra e Música. O time de músicos e cantores envolvidos no disco é de primeira e inclui alguns parceiros de Cacaso como Francis Hime, Sueli Costa, Zé Renato e João Donato. Eis a lista de músicas, autores e intérpretes deste álbum muito bem-vindo:

Ouvi o novo disco do Morrissey, Years of Refusal, que vazou no domingo. Não gosto muito de avaliar um disco por audições na rede, mas, vá lá, o tempo não espera por ninguém e o álbum, que sai somente em 16 de fevereiro no exterior, já está disponível para audição e download (ilegal!!) em vários blogs e sites (dica: dê uma pesquisada no google que vc acha lá pela quarta ou quinta página). Gostei do disco, marcado pelas guitarras. Elas, as guitarras, amplificam a habitual tristeza de Morrissey. Sim, ele se recusa a ser feliz e já entrega seu estado emocional nos títulos de músicas como Black Cloud (uma das faixas temperadas com guitarras) e It's Not your Birthday Anymore. No todo, o disco tem um vigor que inexistia no CD anterior do artista, Ringleader of the Tormentors, de 2006. Gosto especialmente de One Day Goodbye Will Be Farewell (faixa vibrante no qual ele alerta o amante relapso), de I'm Throwing my Arms around Paris (a faixa que mais remete aos Smiths), mas o álbum mantém o pique. E termina com um rock frenético, I'm Ok by Myself, no qual Morrissey afirma que se basta. Será? O que sei é que o cara é bem feliz na sua infelicidade.
A agenda musical de janeiro está cheia. Mas já decidi que vou arrumar tempo para acompanhar a minissérie Maysa - Quando Fala o Coração. Desde as primeiras chamadas, fiquei impressionando com as caracterizações da atriz Larissa Maciel, eleita para viver a cantora na TV, nas diversas fases e faces de Maysa. E foram muitas. Por isso, decidi escrever na coluna impressa desta sexta-feira sobre a trilha da minissérie que a Som Livre está lançando num timing excelente (não adianta lançar CD de minissérie depois que ela já saiu do ar - como aconteceu com a trilha de Queridos Amigos). Eis o texto que publiquei hoje na versão impressa de Estúdio: