Blog Estúdio Online - por Mauro Ferreira
Outros Blogs


Quarta-feira, 29 Abril, 2009

Legião, Paralamas e a força do rock nacional dos 80

Capa do DVD 'Legião Urbana e Paralamas Juntos' Tem coisas que somente adquirem importância e peso com o passar do tempo. A edição em DVD do especial da Rede Globo que juntou em 1988 Legião Urbana e Paralamas do Sucesso permite que se analise o programa sob uma perspectiva histórica. E o fato é que, 21 anos depois, vendo o DVD, é fácil chegar a conclusão da queda na qualidade do rock brasileiro. A gente era feliz nos anos 80 e não sabia a medida exata dessa felicidade. A verdade, triste, é que nesta década que já vai terminando não apareceram bandas com o peso e a importância histórica da Legião e dos Paralamas. A Legião se dissolveu com a morte de Renato Russo, seu líder e mentor, alma do grupo. Os Paralamas continuam na estrada, entre altos e baixos, tentando reencontrar o caminho depois do acidente que quase tirou a vida de Herbert Vianna. O que sei é que, vendo o DVD, me bateu uma saudade daquela época. Dias de luta, como sintetizou o jornalista Ricardo Alexandre no título de seu essencial livro sobre os (des)caminhos daquela geração roqueira projetada na década de 80. Não sou saudosista. Acho que o tempo não pára e não espera por ninguém. Muitas bandas boas estão surgindo. Eu mesmo acabo de resenhar positivamente o segundo álbum da banda carioca Luisa Mandou um Beijo. Mas isso não me tira a sensação de que algo se perdeu no rock brasileiro. É como se os grupos de hoje, na tentativa de se conectar a uma suposta modernidade, perdessem desde o começo o elo com o chamado grande público. Legião e Paralamas primaram por conjugar qualidade com popularidade. Parece fácil, mas é muito difícil. E, quando isso acontece, o que se faz normalmente é História. Como a registrada naquele já longínquo ano de 1988 no especial ora recuperado e lançado em DVD. Saudades do rock nativo. Hoje muderno ou plastificado demais.


Segunda-feira, 27 Abril, 2009

Dolores entre amigos e registros caseiros

Divulgação
Um verdadeiro tesouro musical foi achado no fundo do baú e ganhou registro em CD de caráter já instantaneamente histórico: gravações inéditas de Dolores Duran (1930 - 1959), feitas em clima caseiro, foram recuperadas e estão sendo lançadas pela primeira vez em disco. Nas lojas nos próximos dias, para lembrar os 50 anos de morte da autora de A Noite do Meu Bem, o CD Dolores Duran Entre Amigos vai chegar às lojas em edição da gravadora Biscoito Fino. Entre as raridades, há gravações de Eu Sem Você (samba-canção de Billy Blanco) e Body and Soul (tema do repertório de Billie Holiday e de outras lendas do jazz), feitas em 1949, no Rio, antes de Dolores iniciar sua carreira (ela ainda usava o nome de batismo, Adiléia). Mas o prato principal do banquete são as dez faixas - entre elas, Cry me a River e Cheek to Cheek - recuperadas de fita gravada em 1958 ou 59 em sessão informal em que Dolores canta em reunião na casa de amigos.


Sábado, 25 Abril, 2009

Ivete põe fogo no Rio

Foto de Mauro Ferreira
Tenho restrições ao repertório de Ivete Sangalo (populista demais até para os parâmetros da axé music), mas, justiça seja feita, a cantora tem poder de fogo no palco. Pude comprovar isso mais uma vez na noite de ontem, quando fui ver a estréia do show de Ivete no Citibank Hall (o show fica em cartaz até hoje). A pista não estava tão cheia como eu imaginei (efeito da semana de feriados e do alto preço dos ingresso - R$ 150 na pista), mas o show foi animado, Ivete estava alegre, saudou o Rio de Janeiro (cantou até um trecho do Samba do Avião no longo bis) e pôs fogo na galera. Nem parecia que estava grávida de quatro meses. Ah, justiça seja feita de novo, Cadê Dalila? é uma das melhores músicas do repertório recente da artista. A festa rolou bonita.


Segunda-feira, 20 Abril, 2009

A resposta de Nana ao tempo de luto

Divulgação Som Livre / Lívio Campos "Papai e mamãe, cantei pra vocês. Com muita saudade, sua filha". A dedicatória de Nana Caymmi traduz o sentimento que move seu primeiro CD de inéditas desde Desejo (2001). Nas lojas esta semana, Sem Poupar Coração é boa resposta de Nana ao tempo de luto provocado pela morte de seus pais, Dorival Caymmi (1914 - 2008) e Stella Maris (1922 - 2008), no ano passado. A cantora filtra a saudade dos pais pelo romantismo do novo CD, de tom excessivamente abolerado. Sim, sob a produção de José Milton, Nana desfia repertório pontuado por boleros. Exemplo é Contradições, parceria de Cristovão Bastos e Aldir Blanc, autores de Resposta ao Tempo, estupenda faixa-título do álbum lançado pela intérprete em 1998. Desta vez, a dupla não se mostra tão inspirada, mas há grandes momentos ao longo do CD. O maior deles é Senhorinha, modinha de Guinga e Paulo César Pinheiro cantada com todo o sentimento, em registro sublime. Outro destaque é Caju em Flor, tema de João Donato e Ronaldo Bastos, de ligeiro sotaque interiorano.
Fora do universo dos boleros, o CD oferece ainda um terceiro instante de grande beleza. É Violão, a parceria de Sueli Costa e Paulo César Pinheiro . Nana a canta embalada por violões (o de João Lyra e o sete cordas de Rogério Caetano) e o bandolim de Marcílio. Se o dueto com Erasmo Carlos em Não se Esqueça de mim, regravado para a trilha da novela Caminho das Índias com fidelidade à gravação de 1998, soa dèjá vu, o mesmo não pode ser dito das incursões de Nana pelos repertórios de Rosa Passos (Esmeraldas) e Fátima Guedes (Pra Quem Ama Demais). Sem poupar coração, Nana também gravou tema da sobrinha Alice Caymmi, Diamante Rubi, canção que dá brasilidade bissexta a disco sentimental em que o brilho maior é da voz de Nana.


Domingo, 19 Abril, 2009

Reinado de Roberto já é vitalício

Divulgação
O inevitável assunto de hoje é Roberto Carlos, que completa 68 anos neste domingo e inicia na cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim (ES), turnê que celebra seus 50 anos de carreira. Por mais que a inspiração de Roberto Carlos tenha se dissipado ao longo dos anos 80, a produção autoral do compositor nas décadas de 60 e 70 lhe garante vitalício reinado na música popular brasileira. Os três álbuns que lançou entre 1968 e 1971, sob a influência do soul, são obras-primas que resistem esplendidamente ao tempo. Nessa fase, ele ainda não era o Rei das canções de motel, propagadas nos discos muito românticos da década de 70, mas já tinha sido entronizado pela juventude como o monarca das jovens tardes de domingo. Por sua firme liderança na Jovem Guarda, Roberto Carlos se tornou o primeiro fenômeno pop produzido no Brasil - a ponto de a MPB nascida na era dos festivais lhe tomar como o 'inimigo' a ser vencido. Mas Roberto foi inteligente o suficiente para sair da festa de arromba antes que ela acabasse. Foi aí que, influenciado pela música negra norte-americana, o cantor começou a fazer a transição de seu mundo jovem para o universo adulto. Feita aos poucos, essa transição atesta a vitoriosa linha conservadora adotada por Roberto Carlos na música e na vida. A Jovem Guarda representou um boom inicial de popularidade, mas é a partir dos anos 70 que Roberto se firma para sempre no trono. Os valores familiares, católicos e políticos de sua obra alicerçaram a popularidade de seu canto. Mesmo quando fala de sexo, Roberto não ultrapassa essa linha de conservadorismo que o deixa identificado com a tradicional família brasileira. É por isso que até hoje filhos presenteiam suas mães com discos de Roberto Carlos. Mas é fato que, acima de qualquer rótulo ou de qualquer possível explicação para seu sucesso, paira o talento ímpar de um compositor que soube criar músicas que tocam os sentimentos de todos os brasileiros, sem distinção de classes. Esse talento especial pode ter estacionado em algum momento da primeira metade da década de 80 - quando o artista lançou suas últimas grandes músicas, Fera Ferida e Emoções - mas, por tudo que fez, Roberto já não precisa provar nada para ninguém. Parabéns, Rei, nesta data querida...


Terça-feira, 14 Abril, 2009

Considerações sobre o novo disco de Caetano

Capa do CD 'Zii e Zie'
Zii e Zie, o disco de inéditas de Caetano Veloso que chega hoje às lojas, segue a linha roqueira do superestimado (pela crítica) , CD de 2006 que devolveu ao cantor a aura de modernidade perdida em trabalhos mais convencionais. Só que o novo álbum é pontuado por sambas tocados por banda de rock. E isso faz a diferença, impedindo que Zii e Zie (Tios e Tias, em italiano) soe como mera cópia do disco anterior. Até porque, assim como seu inspirador , Zii e Zie seduz mais pela sonoridade do que pela irregular safra de inéditas do compositor. A rigor, irregular.
Integrante da banda Cê, ao lado do baterista Marcelo Callado e do baixista Ricardo Dias Gomes, o guitarrista Pedro Sá brilha no disco. É no suingue de sua guitarra que se baseia a maioria dos arranjos, desenvolvidos em estúdio após os testes de repertório feitos no show Obra em Progresso. E, justiça seja feita, a obra progrediu muito. Os arranjos estão mais limpos e diretos, o que lapidou músicas como a seca Base de Guantánamo, tema de alto teor de politização. Eles - os arranjos - evidenciam a maestria de Sá na condução do ritmo de sambas como Perdeu e Incompatibilidade de Gênios. Este tema de João Bosco e Aldir Blanc e Ingenuidade, samba dos repertórios de Clementina de Jesus e Roberto Ribeiro, são as duas únicas regravações. Duas boas sacadas.
Entre canção sustentada em falsete (Por Quem) e músicas de maior vivacidade rítmica (Menina da Ria e A Cor Amarela, provável hit), Caetano se mostra afiado como cantor ao entoar 'transambas' filtrados pelo viés do 'transrock'. Envolto neste clima indie, o artista retrata o Rio nas letras de faixas como Lapa e Falso Leblon. A primeira vê o bairro bôemio com olhar generoso, citando na letra nomes como Guinga e Kasin. A segunda é flash noturno do Leblon, mais cru, inclusive por tocar na questão das drogas. No todo, Zii e Zie é bom sem ser excepcional. Caetano Veloso continua querendo ser muderno. E ele até consegue, mesmo sem a inspiração de tempos idos.


Domingo, 12 Abril, 2009

Ritchie em alta definição

Divulgação
Não tem jeito: o mundo do entretenimento caminha para a alta definição. Enquanto aumenta nas lojas a oferta de títulos no formato de blu-ray (o vídeo de alta definição que deverá substituir o DVD nos próximos anos), já há artistas pensando no formato no momento de gravar um show. É o caso de Ritchie, que vai ser o primeiro artista brasileiro a lançar um registro ao vivo em blu-ray (sim, já alguns no mercado, mas estes não foram pensados originalmente para blu-ray). Outra Vez - Ao Vivo no Estúdio, o projeto que Ritchie lança em junho, é realmente pioneiro nesse sentido. E acredito que esteja sendo preparado com o mesmo apuro com que Ritchie - artista que conhece bem os meandros da tecnologia - produziu a edição remasterizada de seu primeiro álbum, Vôo de Coração. Afinal, não basta apenas lançar um blu-ray. É preciso que este seja produzido com qualidade de som e imagem compatíveis com os recursos dessa nova mídia.


Terça-feira, 7 Abril, 2009

Claudia Leitte grava DVD com inéditas para outubro

Seguindo os passos de Ivete Sangalo, que lança em maio o DVD Pode Entrar com repertório quase todo inédito, sua suposta rival Claudia Leitte prepara para outubro um DVD com clipes de músicas inéditas. Um dos clipes já foi gravado, no Rio, tendo a favela da Rocinha como locação.


Segunda-feira, 6 Abril, 2009

Cariocas consagram Roberta em gravação de DVD

Foto de Mauro Ferreira
Retribuindo a participação de Roberta Sá no seu quinto CD solo, A Arte do Barulho, Marcelo D2 aderiu ao time de convidados do primeiro DVD da cantora, gravado na noite de sexta-feira em show que lotou a casa Vivo Rio. A presença do rapper carioca foi a surpresa da gravação ao vivo do show Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria. D2 caiu no suingue com Roberta no Samba do Balanço, tema que a intérprete canta desde seus primeiros shows, mas nunca havia gravado. O público aprovou e consagrou a cantora.
Uma das melhores cantoras surgidas nesta década, Roberta reafirmou suas qualidades na primeira gravação ao vivo. Com graça e leveza, ela rebobinou os repertórios de seus dois irretocáveis álbuns, Braseiro (2005) e Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria (2007). Dirigida por Bianca Ramoneda e Pedro Luís, com direito a figurinos de Isabela Capeto e cenário de Gringo Cardia, cantora mostrou grande evolução cênica, deixando para trás a timidez dos primeiros shows.
Foto de Mauro Ferreira
Além de D2, Roberta recebeu o bandolinista Hamilton de Holanda - com quem interpretou Novo Amor, revivendo lindamente o dueto feito no CD - e o onipresente Pedro Luís, convidado de Girando na Renda. Pedro é parceiro de Roberta e Carlos Rennó em Agora Sim, o belo samba inédito que entrou no roteiro há sete meses, quando o show chegou remodelado (já com o cenário de Gringo Cardia) ao Canecão, em noite consagradora.
A propósito, o show registrado em DVD cresceu muito desde a estreia, em outubro de 2007. E não somente por conta do cenário de Gringo. Mais confiante em cena e encorajada pela calorosa receptividade de seu crescente público, que fez coro em músicas como o Samba de um Minuto, Roberta Sá foi dando nuances ao seu canto no palco. Na gravação, ela já exibiu segurança em números como Fogo e Gasolina e Pelas Tabelas, samba de Chico Buarque, de 1984. Que bela cantora! Que belo show para virar um DVD que sai em junho pelo selo MP,B!
Foto de Mauro Ferreira


Quinta-feira, 2 Abril, 2009

De cara nova, Seu Jorge faz barulho com D2

Foto de Mauro Ferreira
De cara nova, com barba feita e cabelo cortado, Seu Jorge foi o convidado que mais se destacou na apresentação do show A Arte do Barulho, de Marcelo D2, no evento Rio Claro em Movimento, realizado na noite de ontem no Jockey Club, na Gávea. No fim do show, D2 e Jorge cantaram músicas da fase racional de Tim Maia. Antes, Alcione e Arlindo Cruz entraram em cena. No todo, o show foi azeitado. Teve mais rap do que samba. Turbinado eventualmente com guitarras roqueiras e um pancadão à moda dos funks cariocas, o repertório embaralhou músicas de todos os discos de D2. Com ênfase no último, A Arte do Barulho, lançado no fim do ano passado e mote do show. Sim, há arte no barulho de D2. O rapper fez um show de peso. Na real.


Quarta-feira, 1 Abril, 2009

O novo 'look' da insistente Wanessa Camargo

Divulgação Sony Music / Henrique Gendre
Wanessa Camargo mais uma vez dá uma mudada no visual antes de lançar um disco. O novo look pode ser conferido na foto aí de cima. O novo CD sai agora em abril, com várias músicas do DJ Deeplick (que agora resolveu se arriscar como compositor) e a participação do rapper norte-americano Ja Rule na faixa Meu Momento / The Fly, a música que puxa o álbum. A gravadora Sony Music continua apostando na insistente Wanessa, mas o fato é que até hoje a neta de Francisco tem chamado muito mais atenção na mídia por conta de sua vida afetiva do que por sua música...

Jornalista especializado em música, o carioca Mauro Ferreira se formou em 1988 na Faculdade da Cidade (RJ). Ingressou no jornal O Dia em agosto de 1997 e, desde novembro de 1998, assina no Caderno D a coluna de música Estúdio, publicada às segundas-feiras. Estúdio Online é o complemento virtual da coluna impressa. O foco são exposições opinativas de notícias e eventos relacionados ao mundo do disco e da música.

C o n t a t o

RSS
© Copyright Editora O DIA S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O DIA.
O Dia Online | Agência O Dia | O Dia Comercial | O Dia Classificados
O Dia Assinatura | FM O Dia | Portal Mais | Promoções | Instituto Ary Carvalho | Trabalhe Conosco