Legião, Paralamas e a força do rock nacional dos 80
Tem coisas que somente adquirem importância e peso com o passar do tempo. A edição em DVD do especial da Rede Globo que juntou em 1988 Legião Urbana e Paralamas do Sucesso permite que se analise o programa sob uma perspectiva histórica. E o fato é que, 21 anos depois, vendo o DVD, é fácil chegar a conclusão da queda na qualidade do rock brasileiro. A gente era feliz nos anos 80 e não sabia a medida exata dessa felicidade. A verdade, triste, é que nesta década que já vai terminando não apareceram bandas com o peso e a importância histórica da Legião e dos Paralamas. A Legião se dissolveu com a morte de Renato Russo, seu líder e mentor, alma do grupo. Os Paralamas continuam na estrada, entre altos e baixos, tentando reencontrar o caminho depois do acidente que quase tirou a vida de Herbert Vianna. O que sei é que, vendo o DVD, me bateu uma saudade daquela época. Dias de luta, como sintetizou o jornalista Ricardo Alexandre no título de seu essencial livro sobre os (des)caminhos daquela geração roqueira projetada na década de 80. Não sou saudosista. Acho que o tempo não pára e não espera por ninguém. Muitas bandas boas estão surgindo. Eu mesmo acabo de resenhar positivamente o segundo álbum da banda carioca Luisa Mandou um Beijo. Mas isso não me tira a sensação de que algo se perdeu no rock brasileiro. É como se os grupos de hoje, na tentativa de se conectar a uma suposta modernidade, perdessem desde o começo o elo com o chamado grande público. Legião e Paralamas primaram por conjugar qualidade com popularidade. Parece fácil, mas é muito difícil. E, quando isso acontece, o que se faz normalmente é História. Como a registrada naquele já longínquo ano de 1988 no especial ora recuperado e lançado em DVD. Saudades do rock nativo. Hoje muderno ou plastificado demais.



"Papai e mamãe, cantei pra vocês. Com muita saudade, sua filha". A dedicatória de Nana Caymmi traduz o sentimento que move seu primeiro CD de inéditas desde Desejo (2001). Nas lojas esta semana, Sem Poupar Coração é boa resposta de Nana ao tempo de luto provocado pela morte de seus pais, Dorival Caymmi (1914 - 2008) e Stella Maris (1922 - 2008), no ano passado. A cantora filtra a saudade dos pais pelo romantismo do novo CD, de tom excessivamente abolerado. Sim, sob a produção de José Milton, Nana desfia repertório pontuado por boleros. Exemplo é Contradições, parceria de Cristovão Bastos e Aldir Blanc, autores de Resposta ao Tempo, estupenda faixa-título do álbum lançado pela intérprete em 1998. Desta vez, a dupla não se mostra tão inspirada, mas há grandes momentos ao longo do CD. O maior deles é Senhorinha, modinha de Guinga e Paulo César Pinheiro cantada com todo o sentimento, em registro sublime. Outro destaque é Caju em Flor, tema de João Donato e Ronaldo Bastos, de ligeiro sotaque interiorano.






