Critica a diretoria
UMA HISTÓRIA DE INCOMPETÊNCIA "I"
Laélio Córdova Filho
Mesmo sendo flamenguista, a vontade que tenho é torcer para que o Flamengo caia para a segunda divisão. É um somatório de erros tão grande que esta hipótese nada mais é que consequência de uma sensação de que o trabalho realizado, pelo setor de futebol do Flamengo, é tão malfeito que só com o castigo do rebaixamento é que as coisas melhorarão.
Claro que dirigir uma organização do porte do Flamengo, mantê-la funcionando, principalmente tendo herdado uma dívida gigantesca não é uma tarefa nada fácil e Márcio Braga e seus companheiros de diretoria têm mérito e merecem nossos respeitos, ainda mais que dirigentes de futebol nem remunerados são. O Flamengo assemelha-se a um grande transatlântico, que entre passageiros e tripulantes reúne um enorme grupo de pessoas que necessitam de uma boa administração. Manter os salários e os serviços em dia exige grande dedicação de todos, desde o comandante até o mais simples funcionário. Por isso não estamos aqui para menosprezar o trabalho da diretoria.
Mas, essencialmente o Flamengo é um time de futebol, apesar do Regatas no nome, e o que vemos ano após ano nos campeonatos nacionais é o Flamengo lutando para não cair, como um time de futebol de segunda categoria. A desculpa é quase sempre a mesma: falta de dinheiro. Que evidentemente não se sustenta, porque as inúmeras contratações feitas, as trocas constantes de treinadores ao ponto de estar pagando alguns sem trabalhar, desqualificam totalmente esta desculpa. O que ocorre é incompetência no departamento de futebol. Márcio Braga não entender de futebol é perfeitamente normal, mas o Sr. Kléber Leite não entender é o que não dá para aceitar. Desde que eu passei a acompanhar futebol o Sr. Kléber Leite milita nele. Deveria saber tudo sobre este metiê. No entanto o que vemos é o Flamengo disputar o campeonato nacional, que reúne a nata (meia coalhada é verdade) do futebol brasileiro, apenas para não cair para a segunda divisão.
É preciso dar um basta nisto. Não precisamos do radicalismo de torcer para a queda do Flamengo, até porque América, Náutico, Juventude, Paraná, Figueirense, Atléticos, Corinthians, Fluminense, Internacional também estão fazendo bastante força para serem eles a cairem. Por isso a tarefa do Flamengo de cair para segunda divisão é difícil, apesar do esforço que parece que está sendo feito.
Todo o time grande tem características marcantes em sua trajetória ao longo da história, identificar estas características, estas tradições futebolísticas é uma tarefa bastante difícil. Mas é preciso identificá-las. É preciso ter na estrutura administrativa um ou mais elementos que sejam os guardiões das tradições do clube, da forma de jogar do time quando obteve os melhores resultados ao longo dos anos de sua atividade. Este guardião das tradições do clube é uma figura imprescindível para que a orientação de como montar o time nunca seja perdida. Mirem-se mais ou menos no exemplo do São Paulo Futebol Clube, troca-se o treinador, praticamente todo o time e a forma de jogar permanece sempre a mesma desde os tempos do Telê Santana.
Se no São Paulo o guardião das tradições do time é alguém em especial ou toda a diretoria não está bem claro para nós que não participamos do dia a dia do clube, mas isso não importa o que importa é que este conceito é colocado em prática. Quando eu me refiro a espelharem-se mais ou menos no exemplo do São Paulo é porque suas características vencedoras são totalmente diferentes das do grande Flamengo de Zico, que deve ser o verdadeiro grande espelho a nortear o Flamengo de hoje e do futuro.
Aí vem o questionamento básico, mas na época do Zico nós tínhamos jogadores fora-de-série e hoje não temos. Então, rasguem tudo o que eu falei sobre o São Paulo: "Não dá para mudar treinador e o elenco, que se perde toda a qualidade do time". Os fatos no São Paulo falam por si só. E, outra coisa, não é só por acaso que se fazem grandes times... Se fazem grandes times, principalmente, pela competência de quem os dirige. Uma demonstração da mais pura incompentência ocorreu no final de 2005 e início de 2006. Senão vejamos: Em 2005, para variar, o Flamengo lutava para não ser rebaixado no campeonato nacional, quando Joel Santana assumiu o time. Por uma agradável coincidência aquilo que eu pensava de como o time deveria atuar naquele ano eu vi sob o comando do Joel. Todos os volantes titulares que iniciaram jogando o campeonato ou estavam machucados ou estavam suspensos, só restaram os únicos dois que eu sempre achei que o time deveria começar por eles e depois com o elenco disponível preencher as outras posições. Júnior e Jônatas assumiram à frente da zaga e o time passou a jogar dentro das melhores características de Andrade, Adílio, Tita e Lico fazendo relembrar a magia do futebol do Flamengo vencedor. Guardando as devidas proporções estava ali o embrião de um Flamengo altamente técnico, o que é a predominante característica do Flamengo vencedor. Resultado, das nove partidas que restavam para o término do campeonato o Flamengo venceu seis e empatou três, se livrando até com certa folga do rebaixamento.
Terminado o ano de 2005 Joel Santana pediu seu desligamento do clube porque tinha assinado contrato com um clube japonês, se não me falha a memória. Iniciado o ano seguinte, 2006, já com Valdir Espinoza como treinador eu, ingenuamente, acreditei que o trabalho do novo treinador começaria por onde terminou o do antecessor. Aquilo que em 2005 deu certo seria mantido e ajustes seriam feitos nas outra posições. Qual não foi minha surpresa e decepção quando vi que todos os volantes titulares na fase em que o Flamengo passou na zona de rebaixamento voltaram e voltaram como titulares. E que o sucesso do time no final do ano tinha sido creditado pela diretoria ao período em que o time passou concentrado na granja Comary em Terezópolis. Quer dizer nem identificar corretamente os fatos positivos esta diretoria de futebol soube. Se concentração na Granja Comary resolvesse é só....
Laelio Cordova Filho (lacofi@bol.com.br)
Sab, 22 Set 2007 16:29:25 GMT
Critica a diretoria
UMA HISTÓRIA DE INCOMPETÊNCIA "I"
Laélio Córdova Filho
Mesmo sendo flamenguista, a vontade que tenho é torcer para que o Flamengo caia para a segunda divisão. É um somatório de erros tão grande que esta hipótese nada mais é que consequência de uma sensação de que o trabalho realizado, pelo setor de futebol do Flamengo, é tão malfeito que só com o castigo do rebaixamento é que as coisas melhorarão.
Claro que dirigir uma organização do porte do Flamengo, mantê-la funcionando, principalmente tendo herdado uma dívida gigantesca não é uma tarefa nada fácil e Márcio Braga e seus companheiros de diretoria têm mérito e merecem nossos respeitos, ainda mais que dirigentes de futebol nem remunerados são. O Flamengo assemelha-se a um grande transatlântico, que entre passageiros e tripulantes reúne um enorme grupo de pessoas que necessitam de uma boa administração. Manter os salários e os serviços em dia exige grande dedicação de todos, desde o comandante até o mais simples funcionário. Por isso não estamos aqui para menosprezar o trabalho da diretoria.
Mas, essencialmente o Flamengo é um time de futebol, apesar do Regatas no nome, e o que vemos ano após ano nos campeonatos nacionais é o Flamengo lutando para não cair, como um time de futebol de segunda categoria. A desculpa é quase sempre a mesma: falta de dinheiro. Que evidentemente não se sustenta, porque as inúmeras contratações feitas, as trocas constantes de treinadores ao ponto de estar pagando alguns sem trabalhar, desqualificam totalmente esta desculpa. O que ocorre é incompetência no departamento de futebol. Márcio Braga não entender de futebol é perfeitamente normal, mas o Sr. Kléber Leite não entender é o que não dá para aceitar. Desde que eu passei a acompanhar futebol o Sr. Kléber Leite milita nele. Deveria saber tudo sobre este metiê. No entanto o que vemos é o Flamengo disputar o campeonato nacional, que reúne a nata (meia coalhada é verdade) do futebol brasileiro, apenas para não cair para a segunda divisão.
É preciso dar um basta nisto. Não precisamos do radicalismo de torcer para a queda do Flamengo, até porque América, Náutico, Juventude, Paraná, Figueirense, Atléticos, Corinthians, Fluminense, Internacional também estão fazendo bastante força para serem eles a cairem. Por isso a tarefa do Flamengo de cair para segunda divisão é difícil, apesar do esforço que parece que está sendo feito.
Todo o time grande tem características marcantes em sua trajetória ao longo da história, identificar estas características, estas tradições futebolísticas é uma tarefa bastante difícil. Mas é preciso identificá-las. É preciso ter na estrutura administrativa um ou mais elementos que sejam os guardiões das tradições do clube, da forma de jogar do time quando obteve os melhores resultados ao longo dos anos de sua atividade. Este guardião das tradições do clube é uma figura imprescindível para que a orientação de como montar o time nunca seja perdida. Mirem-se mais ou menos no exemplo do São Paulo Futebol Clube, troca-se o treinador, praticamente todo o time e a forma de jogar permanece sempre a mesma desde os tempos do Telê Santana.
Se no São Paulo o guardião das tradições do time é alguém em especial ou toda a diretoria não está bem claro para nós que não participamos do dia a dia do clube, mas isso não importa o que importa é que este conceito é colocado em prática. Quando eu me refiro a espelharem-se mais ou menos no exemplo do São Paulo é porque suas características vencedoras são totalmente diferentes das do grande Flamengo de Zico, que deve ser o verdadeiro grande espelho a nortear o Flamengo de hoje e do futuro.
Aí vem o questionamento básico, mas na época do Zico nós tínhamos jogadores fora-de-série e hoje não temos. Então, rasguem tudo o que eu falei sobre o São Paulo: "Não dá para mudar treinador e o elenco, que se perde toda a qualidade do time". Os fatos no São Paulo falam por si só. E, outra coisa, não é só por acaso que se fazem grandes times... Se fazem grandes times, principalmente, pela competência de quem os dirige. Uma demonstração da mais pura incompentência ocorreu no final de 2005 e início de 2006. Senão vejamos: Em 2005, para variar, o Flamengo lutava para não ser rebaixado no campeonato nacional, quando Joel Santana assumiu o time. Por uma agradável coincidência aquilo que eu pensava de como o time deveria atuar naquele ano eu vi sob o comando do Joel. Todos os volantes titulares que iniciaram jogando o campeonato ou estavam machucados ou estavam suspensos, só restaram os únicos dois que eu sempre achei que o time deveria começar por eles e depois com o elenco disponível preencher as outras posições. Júnior e Jônatas assumiram à frente da zaga e o time passou a jogar dentro das melhores características de Andrade, Adílio, Tita e Lico fazendo relembrar a magia do futebol do Flamengo vencedor. Guardando as devidas proporções estava ali o embrião de um Flamengo altamente técnico, o que é a predominante característica do Flamengo vencedor. Resultado, das nove partidas que restavam para o término do campeonato o Flamengo venceu seis e empatou três, se livrando até com certa folga do rebaixamento.
Terminado o ano de 2005 Joel Santana pediu seu desligamento do clube porque tinha assinado contrato com um clube japonês, se não me falha a memória. Iniciado o ano seguinte, 2006, já com Valdir Espinoza como treinador eu, ingenuamente, acreditei que o trabalho do novo treinador começaria por onde terminou o do antecessor. Aquilo que em 2005 deu certo seria mantido e ajustes seriam feitos nas outra posições. Qual não foi minha surpresa e decepção quando vi que todos os volantes titulares na fase em que o Flamengo passou na zona de rebaixamento voltaram e voltaram como titulares. E que o sucesso do time no final do ano tinha sido creditado pela diretoria ao período em que o time passou concentrado na granja Comary em Terezópolis. Quer dizer nem identificar corretamente os fatos positivos esta diretoria de futebol soube. Se concentração na Granja Comary resolvesse é só....
Laelio Cordova Filho (lacofi@bol.com.br)
Sab, 22 Set 2007 16:30:43 GMT
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