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Mauro Ferreira
 

Domingo, 5 Outubro, 2008

Elba volta a gravar sob a batuta do produtor Mazzola

Divulgação / Helena de Castro Elba Ramalho tem estado muito na mídia por conta de sua separação de Gaetano Lopes, mas o assunto que mais me interessa em relação à guerreira cantora é o disco comemorativo de seus 30 anos de carreira. Elba, que lançou seu primeiro LP em 1979 (o excelente Ave de Prata), vai entrar em estúdio em novembro, sob a produção de Mazzola, para gravar um disco que vai oscilar entre os forrós e as músicas românticas. Mazzola, vale lembrar, produziu os discos que fizeram Elba explodir no mercado. Entre eles, Alegria (1982) e Coração Brasileiro (1983). Por isso, acho que este novo trabalho - que terá inéditas de Dominguinhos e Chico César - poderá dar um novo merecido gás à carreira da cantora, que lançou um dos grandes discos de 2007, Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?, sem a repercussão comercial a que o álbum fazia jus. Mas Elba, guerreira como boa brasileira, nunca desiste.

Sexta-feira , 3 Outubro, 2008

Dylan na pena e na voz de Ramalho

Divulgação Por suas letras verborrágicas, Zé Ramalho sempre foi associado a Bob Dylan, ainda que o tom apocalíptico do cancioneiro do artista paraibano transite em universo distante da obra do compositor americano. Seja como for, este eventual parentesco vai ser realçado no CD 'Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando', nas lojas em breve. No disco, produzido por Robertinho de Recife, Ramalho insere o repertório de Dylan no universo da MPB e da música nordestina através de versões que buscam fidelidade às letras originais.
Não é a primeira vez que Ramalho verte Dylan. 'Frevoador', a faixa-título do CD que ele lançou em 1992, era versão de 'Hurricane', um dos clássicos de Dylan. Em 'Tá Tudo Mudando', aliás, a opção foi por priorizar os sucessos antigos, embora a faixa-título seja versão de 'Things Have Changed', a recente canção da trilha do filme 'Garotos Incríveis' que rendeu um Oscar a Dylan. Tanto que estão garantidas no repertório as versões de 'Like a Rolling Stone' ('Como uma Pedra a Rolar') e de 'Blowin' in the Wind' ('O Vento Vai Responder').
Nem tudo, porém, é versão no CD que vai ser editado pela gravadora EMI Music também no formato de DVD. Ramalho ficou de cantar 'If Not for You' no original em inglês e de apresentar uma ou outra música inédita de sua autoria, caso de 'Para Dylan', idealizada para servir como recado ao compositor norte-americano.
Dono de obra autoral, Ramalho não assina todas as versões de 'Tá Tudo Mudando'. A faixa-título, por exemplo, é da lavra de Gabriel Moura (compositor carioca identificado com o universo do samba) e Maurício Baia. Baia é colaborador também da versão de 'Tombstone Blues', que se transformou no 'Rock Feelin'good'. De Caetano Veloso, Ramalho recupera a bela 'Negro Amor', versão de 'It's All Over Now, Baby Blue', lançada por Gal Costa em 1977 num de seus álbuns mais roqueiros, 'Caras e Bocas'.
Sem se afastar do universo nordestino que norteia a sua discografia, Ramalho - que já fez sucesso com boa versão de 'Knockin' on Heaven's Door' ('Batendo na Porta do Céu') - também requisitou as colaborações de parceiros como Geraldo Azevedo e Bráulio Tavares.

Quarta-feira, 1 Outubro, 2008

Capa do Jota Quest traduz crise financeira

Capa do CD 'La Plata'
Em tempos de bolsas oscilantes, a capa do álbum de inéditas que o Jota Quest lança neste mês de outubro, La Plata, parece ter sido feita sob medida para traduzir numa imagem a crise financeira que ameaça o Mundo. A música que puxa o disco e lhe dá título começa a tocar amanhã nas rádios. Se for tão boa quanto a capa...

Segunda-feira, 29 Setembro, 2008

Um grande disco de Zeca

Capa do CD 'Uma Prova de Amor'
Não se deixe intimidar pelo fraco samba Uma Prova de Amor, escolhido para puxar o CD homônimo que Zeca Pagodinho acaba de lançar. O repertório é ótimo, bem melhor do que o último CD de estúdio do cantor, À Vera, de 2005. E só por apresentar o encontro de Zeca com João Donato - em Sambou... Sambou, faixa na realidade gravada para um disco ainda inédito de Donato, mas incluída como faixa-bônus no CD de Zeca - Uma Prova de Amor já merece uma conferida. Mas tem muito mais. Tem um grande samba do Luiz Carlos da Vila (Então Leva), tem um delicioso partido calangueado de tom interiorano (Sujeito Pacato) e tem duas novas inspiradas parcerias de Zeca com Arlindo Cruz, Se Eu Pedi pra Você Cantar e Sempre Atrapalhado (já ouvida na trilha da novela A Favorita - é o tema do Didu). Enfim, vale correr atrás do CD. É Zeca à altura de Zeca.

Sexta-feira , 26 Setembro, 2008

Skank levanta seu 'Estandarte' com quatro de Nando

Divulgação Sony BMG / Weber Pádua
Nas lojas a partir de quarta-feira, o oitavo álbum do Skank, Estandarte, apresenta quatro novas parcerias de seu vocalista e guitarrista Samuel Rosa com Nando Reis. Renascença, Pára-Raio, Sutilmente (balada melodiosa) e Ainda Gosto Dela - faixa eleita para puxar o CD, com Negra Li nos vocais - são as quatro colaborações de Nando no repertório inédito, que também inclui parcerias de Samuel com Chico Amaral e com César Maurício. Entre as músicas, há Noites de um Verão Qualquer.Com produção de Dudu Marote e capa pop surrealista assinada pelo artista plástico Rafael Silveira, Estandarte foi mixado e masterizado nos Estados Unidos.

Maria Rita samba sem o cordão umbilical

Divulgação Warner Music / Marcos Hermes Aos 31 anos, Maria Rita nunca soou tão jovem como no show Samba Meu, que ganha edição em DVD e volta ao Rio amanhã na casa Vivo Rio, onde foi gravado ao vivo em 10 de junho. No show e no disco homônimo lançado há um ano, a cantora cortou o cordão umbilical - já afrouxado a partir do CD Segundo (2005) - e começou a se dissociar da figura forte da mãe, Elis Regina (1945 - 1982). Como mostra o DVD, que traz nos extras os clipes de Não Deixe o Samba Morrer (filmado no bis) e Num Corpo Só, Rita perdeu o ar senhoril de seu primeiro (grande) show e está mais solta em cena.
Dirigido por Hugo Prata, o DVD Samba Meu perpetua o show que estreou na Fundição Progresso no ano passado, mostrando que, no palco, o samba de Maria Rita soa mais contagiante - sem o tom excessivamente limpo do CD - e faz crescer músicas como Cria e O que É o Amor. Samba Meu renovou o público de Maria Rita. Ou melhor, deu à cantora um público que já é totalmente dela e que não foi ao show para ver a 'filha de Elis', como no seu primeiro espetáculo, de cujo roteiro Rita rebobina em Samba Meu números como Pagu, Encontros e Despedidas, A Festa e Cara Valente.
Nem tudo, aliás, é samba em Samba Meu, mas é inegável que o charme do espetáculo repousa nas músicas lançadas por Rita no CD de estúdio produzido por Leandro Sapucahy. 'Maria do Socorro' - que traça o perfil da espevitada moradora do morro que dá título ao samba do talentoso compositor Edu Krieger - é um dos números em que a cantora pode mostrar que sabe cantar também com o 'corpitcho'. O gestual de Rita em cena valoriza os sambas. Ela se movimenta bem em cena.
No terceiro bloco, o show 'Samba Meu' ganha tom pagodeiro em números como Corpitcho e Casa de Noca. Sambas que devem ter chegado a Maria Rita através de Leandro Sapucahy, mas dos quais ela se apropriou com inteligência, pois se há algo que irmana todos os shows da cantora é sua segurança vocal. Jovem ou com o ar senhoril do começo, Maria Rita já figura desde seu aparecimento entre as grandes cantoras do Brasil. Por isso mesmo, o samba (também) é dela.

Quarta-feira, 24 Setembro, 2008

João Donato entra na turma de Zeca Pagodinho

Divulgação / Universal Music
Com lançamento agendado pela Universal Music para a próxima sexta-feira, 26 de setembro de 2008, o novo álbum de inéditas de Zeca Pagodinho - Uma Prova de Amor, produzido por Rildo Hora - traz a inusitada participação do pianista João Donato na última das 16 faixas, Sambou...Sambou, tema da lavra do próprio Donato com João Melo. Além de Donato, o disco tem intervenções de Jorge Ben Jor - em Ogum, um samba de Marquinhos PQD com Claudemir - e da Velha Guarda da Portela, em três sambas antigos.
Puxado pela faixa-título, parceria de Nelson Rufino com Toninho Geraes, já nas rádios, o disco Uma Prova de Amor apresenta inédita de Monarco com Mauro Diniz (Não Há Mais Jeito) e dois novos sambas de Zeca com Arlindo Cruz (Sempre Atrapalhado, composto para a trilha sonora da novela A Favorita, e Se Eu Pedir pra Você Cantar). Já o Trio Calafrio - formado por Marcos Diniz, Luiz Grande e Barbeirinho do Jacarezinho - assina (com a tradicional verve) Sincopado e Ensaboado. O repertório inclui ainda samba de Luiz Carlos da Vila e parceria de Almir Guineto com Dudu Nobre. Eis as 16 músicas do CD Uma Prova de Amor:
1. Uma Prova de Amor
2. Não Há Mais Jeito
3. Normas da Casa
4. Se Eu Pedir pra Você Cantar
5. Falsas Juras / Pecadora / Esta Melodia
- com Velha Guarda da Portela
6. Esta Melodia
7. Que Alegria
8. Eta Povo pra Lutar
9. Ogum - com Jorge Ben Jor
10. Terreiro em Acari
11. Sincopado e Ensaboado
12. Sujeito Pacato
13. Então Leva
14. Pra Ninguém mais Chorar
15. Sempre Atrapalhado
16. Sambou... Sambou - com João Donato

Sexta-feira , 19 Setembro, 2008

Cazuza e uma caixa que retrata a evolução de um ídolo

Caixa 'Cazuza' Cazuza - a caixa que reembala a obra solo de Cazuza (1958 - 1990) em seis CDs e um DVD - leva vantagem sobre o box semelhante editado em 1996 pela PolyGram, companhia encampada pela Universal Music, a gravadora que põe nas lojas a atual caixa. Primeiro, pela qualidade superior da remasterização. Segundo, pelo respeito à arte gráfica dos seis álbuns originais. Lançados entre 1985 e 1991, esses seis álbuns traçam a evolução de uma obra singular que permanece como um dos símbolos máximos da década de 80. Cazuza (1985) - álbum grafado erroneamente como Exagerado na caixa anterior - flagra o cantor imerso em rock ora pop (Exagerado, Mal Nenhum), ora visceral (Rock da Descerebração). Sem falar na balada Codinome Beija-Flor, embalada em arranjo pausterizado, à moda da época. Como o repertório do álbum Cazuza foi formado com músicas pensadas inicialmente para o quarto álbum do Barão Vermelho, foi somente no disco posterior, Só se For a Dois (1987), que Cazuza começou a mostrar a real cara de seu trabalho individual. Este álbum tem tonalidade romântica que oscila entre o rock, o blues e as baladas. O hit radiofônico foi a faixa mais pop, O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica). Mal sabia que Cazuza que ele iria ver a cara da morte logo em seguida ao lançamento de Só se For a Dois ao se descobrir portador do vírus HIV. Mas a morte estava viva e Cazuza - amadurecido à força pela luta contra a Aids - teria forças para achar o ponto exato da mistura entre rock e MPB na sua obra-prima Ideologia (1988), o disco de Boas Novas, Brasil, Blues da Piedade, Um Trem para as Estrelas, Faz Parte do meu Show, Vida Fácil e Minha Flor, meu Bebê - além da emblemática música-título, Ideologia, retrato sem retoques das (des)ilusões da geração 80. O Tempo Não Pára (1989) foi o registro ao vivo desse momento de maturidade precoce e preparou o terreno para o duplo Burguesia (1989), espécie de testamento do poeta. Irregular, excessivo, exagerado - como Cazuza, aliás - mas pungente. Já Por Aí (1991) foi a raspa mercantilista do baú de um artista que marcou sua geração com seus rasgos exagerados de poesia e lucidez - reunidos nesta caixa. Que também traz o já lançado DVD Pra Sempre, com registros de Cazuza em programas da TV Globo.

Terça-feira, 16 Setembro, 2008

Da Gama sai do Cidade Negra

Divulgação
2008, definitivamente, não está sendo um bom ano para o Cidade Negra. Em abril, Toni Garrido deixou o grupo em clima tenso. Agora é a vez de Da Gama - um dos criadores da banda, inicialmente intitulada Lumiar - anunciar sua saída do quarteto. Eis o texto no qual o músico explica (de forma bem vaga, diga-se) as razões de sua saída:
"Entendemos que a vida passa por diversas etapas e dentro delas existem caminhos que precisam ser seguidos e com eles decisões tomadas que refletem o melhor para cada um dentro das suas expectativas pessoais e profissionais. Logicamente, sabemos que o Cidade Negra tem uma trajetória de 20 anos de sucesso e com a benção de JAH fui agraciado com a felicidade de convidar Lazão, Bino e Rás Bernardo, meus vizinhos de bairro, para compor o Lumiar que tornou-se Cidade Negra. Bem como, sempre fui fiel aos interesses da banda e à manutenção de um excelente trabalho com qualidade que enchesse os corações das pessoas de sentimentos positivos ao longo desses anos. Saibam que continuo da mesma forma, como há 20 anos com o pensamento e o ideal de transmitir a alegria, a positividade e o comprometimento social através da minha arte, pois esses sempre foram os meus principais objetivos demonstrados através das minhas atitudes, além da simples diversão que a música traz.Vocês perceberão que será uma nova maneira que possibilitará a minha realização artística e profissional numa nova etapa de vida com muita paz e amor e esperando trazer realizações para todos nós. Desde JAH, agradeço o carinho de todos os fãs e amigos, a benção de Nosso Pai e conto com vocês nessa nova cruzada profissional. Abraços a todos e continuamos juntos, AXÉ!!!". Da Gama.

Segunda-feira, 15 Setembro, 2008

DVD de Olivia omite nomes de autores de hit sertanejo

Capa do DVD 'A Vida É Perto' Olivia Byington está lançando, pela gravadora Biscoito Fino, o DVD do show A Vida É Perto. Vi o show na sua primeira temporada, em julho do ano passado, no porão da Casa de Cultura Laura Alvim, e recomendo a compra do DVD. Olivia consegue criar uma envolvente atmosfera caseira no recital. Mas não posso deixar de registrar a desatenção da ficha técnica. No roteiro, a cantora surpreende com boa releitura de Pense em mim, o hit da dupla sertaneja Leandro & Leonardo. Pois não é que, no encarte do DVD, a autoria da música é atribuída aos dois cantores quando, na realidade, ela é de Dougla Maio, Zé Ribeiro e Mário Soares??!! Um erro lamentável que precisa logo ser corrigido! Inclusive porque, nos créditos que rolam ao fim do show, não aparecem os nomes dos compositores das músicas.