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Mauro Ferreira

Quarta-feira, 28 Fevereiro, 2007

Guitarrista da Nação Zumbi finaliza disco solo

Foto de Pio Figueiroa
Contra todos os prognósticos, a Nação Zumbi conseguiu se firmar sem seu mentor Chico Science, morto há dez anos. A banda pernambucana é hoje até bem cultuada na Europa. A novidade para 2007 é que seu guitarrista Lúcio Maia finaliza seu primeiro disco solo, em preparo desde 2004. O CD se chama Zero e Um - alusão à linguagem dos chips - e faz parte de um projeto mais amplo intitulado Maquinado. O lançamento será feito pela Trama neste semestre. O próprio Lúcio Maia pilotou a produção. Quem viver, ouvirá... Eu aposto no CD.

Terça-feira, 27 Fevereiro, 2007

Voz do Rei poderá estar em CD do súdito funkeiro

Foto de divulgação Não sei se MC Leozinho tirando onda, pelo fato de ter cantado seu sucesso Ela Só Pensa em Beijar com Roberto Carlos no especial natalino do Rei, mas ele vem alardeando que já tem autorização para samplear a voz do cantor em seu segundo CD, gravado de forma independente. Se for verdade, vai ser um disco histórico por ser o primeiro do universo funk a contar com a voz de Roberto Carlos (a gravação usada deverá ser a de Negro Gato, feita em 1966). E a gente vai ter certeza de que o tratamento do T.O.C. está fazendo efeito...

Segunda-feira, 26 Fevereiro, 2007

Um Oscar para Melissa Etheridge pelo ativismo gay!

Mellisa Ethridge
Militante lésbica, a cantora e compositora Melissa Etheridge sempre esteve fora do armário, mas, na madrugada desta segunda-feira, 26 de fevereiro, ela ousou dizer o nome de seu amor para as câmeras que transmitiam a cerimônia de premiação do 79º Oscar. Ao receber seu Oscar pela razoável canção I Need to Wake Up, composta para a trilha do documentário Uma Verdade Inconveniente, a roqueira fez questão de saudar sua mulher, que foi imediatamente focalizada pelas câmeras. Ninguém ficou exatamente surpreso, mas o gesto não deixa de representar bem-vinda demonstração de força, coragem e de equilíbrio emocional. As meninas devem estar em festa, pois Etheridge derrotou outras meninas, as do musical Dreamgirls, que concorria na categoria com três canções, mas não levou nada. Se bem que Jennifer Hudson não tem do que reclamar. Como era previsível, ela saiu da festa com a estatueta de Atriz Coadjuvante pela interpretação da desbocada Effie White. A gordinha podendo. Mas Hudson, Beyoncé e Anika None Rose bem que podiam ter gritado menos e cantado mais ao defender as canções na cerimônia. Abaixem o tom!!!

Já que o assunto é Oscar, Geléia Geral aproveita e saúda o argentino Gustavo Santaolalla, que ganhou novamente o Oscar pela trilha sonora de Babel (aliás, o filme foi um dos grandes injustiçados da noite). Santaolalla já tinha recebido seu Oscar no ano passado pela trilha de O Segredo de Brokeback Mountain, o épico gay de Ang Lee, e mereceu levar de novo o prêmio máximo do cinema. Com uma babel de sons elegantes, Santaolalla criou uma trilha à altura do filme intercontinental de Alejandro González Iñarritu. O céu já é o limite para o passe do compositor...

Mais música no Oscar: a premiação de Ennio Morricone pelo conjunto da obra foi mais que merecida. O mestre sempre esteve em forma ao criar a música de mais de 400 filmes. Ele ganhou seu Oscar ao som do lindo tema principal de Malena. E fez discurso em italiano. Luxo só!

Domingo, 25 Fevereiro, 2007

Com inédita de Erasmo, Rosemary vem com tudo em cima

Foto de Oskar Sjostedt
Com direito a uma música inédita do Tremendão Erasmo Carlos na faixa-título, Mulheres de Mangueira, o disco que Rosemary planeja lançar em abril tem tudo para dar um upgrade na carreira da cantora. Chico Buarque, sempre generoso no atendimento aos convites para participar de discos alheios, dá o ar da graça na regravação de Chão de Esmeraldas, samba que ele fez com Hermínio em 1997. Beth Carvalho e Alcione também reforçam o estelar time de convidados, que conta até com o portelense Zeca Pagodinho. Rosemary sempre teve uma voz bonita. O que faltou em sua discografia, até aqui, foi um foco, um conceito mais bem amarrado que criasse uma identidade para a cantora no mercado. Esse novo CD parece legal.

Sábado, 24 Fevereiro, 2007

Cadê o CD com a trilha da novela 'Vidas Opostas'?

Léo Rosa e Maytê Piragibe / Site Record
Como a Rede Record está investindo muito pesado em teledramaturgia, com profissionalismo crescente, juro que não entendo o atraso da edição em CD da trilha da novela Vidas Opostas. A trama está indo bem no Ibope e tem trilha baseada na obra de Chico Buarque, com boas gravações, novas e antigas. Só que nem sinal do disco nas lojas. Está faltando agilidade nessa área, Record!!

p.s. a trilha inclui o dueto de Milton Nascimento com Chico em O Que Será (À Flor da Pele). É o dueto feito para o disco Geraes, de 1976. Trinta e um anos depois, ainda me arrepio quando ouço os vocais divinos de Milton na introdução da música. Como Milton cantava na época!!

Sexta-feira , 23 Fevereiro, 2007

Detalhes saborosos do 'Rei' vão sumir das livrarias

Capa do livro 'Roberto Carlos em Detalhes'Roberto Carlos acabou conseguindo. O juiz Maurício Chaves de Souza Lima, da 20º Vara Cível do Rio de Janeiro, ordenou que a biografia Roberto Carlos em Detalhes seja retirada do mercado no prazo de três dias. Não sei se cabe recurso, mas continuo achando que o Rei está fazendo muito barulho por nada. A biografia do historiador Paulo Cesar de Araújo é saborosa, em nada atenta contra a moral do cantor e parece ter sido escrita com muito fundamento. Seja como for, quem queria muito ler certamente já leu por conta do estardalhaço que vem sendo feito por Roberto Carlos desde dezembro. O que lamento é o recolhimento de uma obra que é séria. Como o próprio autor já argumentou em entrevistas, nos Estados Unidos existem dezenas de livros sobre Bob Dylan. No Brasil, não pode existir um sobre Roberto Carlos. Triste...

Quinta-feira, 22 Fevereiro, 2007

Se a Mangueira humilhou Beth, Beth desrespeitou a escola

Foto de Marluci Martins
E continua a novela entre Beth Carvalho e a diretoria da Mangueira... Só que a sensação inicial de indignação pelo tratamento grosseiro dispensado à cantora vem dando lugar à razão - e esta diz que, se a Mangueira humilhou Beth publicamente ao mandá-la (aos gritos) descer do carro dos baluartes da verde-e-rosa, a sambista também desrespeitou sua escola do coração ao simplesmente chegar na avenida e reivindicar lugar no tal carro sem uma prévia combinação. Conhecida no meio musical pelo seu temperamento difícil, Beth poderia ter resolvido a questão de forma diplomática dias antes do desfile. Mas o que se viu foram notinhas plantadas em colunas de jornal contra a diretoria da Mangueira. Enfim, parece ter havido orgulho de ambas as partes. Se a Mangueira errou ao não procurar a cantora para resolver a questão, logo tornada pública, Beth também errou ao querer entrar na marra. Ora, um destaque de carro precisa ter seu figurino pensado de antemão. E o fato de ser Beth Carvalho - artista com um currículo dos mais nobres da música brasileira - não dá à cantora o direito de fazer o que bem entende por ter a mídia a seu favor. Enfim, acho que todo esse imbróglio é mais uma questão de egotrip de ambas as partes. Diz o ditado que é conversando que a gente se entende. E me parece que o que faltou foi somente uma boa conversa entre Beth Carvalho e a diretoria da Estação Primeira. Que teria evitado todo esse desagradável bate-boca travado pelas duas partes via jornais. Mas ainda dá para acertar tudo até sábado...

Quarta-feira, 21 Fevereiro, 2007

Sétimo do Tianastácia tem bela capa

Capa do CD 'Orange 7'
Particularmente, faço parte do time que se deixa seduzir por uma bela capa do disco. Como esta capa graciosa que embala o sétimo disco do grupo Tianastácia, Orange 7. O título, a propósito, é inspirado no filme e no livro Laranja Mecânica. Ainda não ouvi o disco e não posso avaliar o sabor das músicas, mas que a capa é bacana, lá isso é. É daquelas que atraem olhares nas lojas.

Para quem não liga o grupo à música, vale lembrar que Tianastácia tem no repertório uma canção, O Sol, que salvou do fiasco comercial o último disco do Jota Quest.

Terça-feira, 20 Fevereiro, 2007

'Dreamgirls' mostra o sonho sem esconder a realidade

Anika Rose, Beyoncé Knowles e Jennifer Hudson
Aproveitei a terça-feira de Carnaval para conferir o musical Dreamgirls, espécie de Antônia (com muito mais glamour) do cinema americano. Pela interpretação da desbocada Effie White, a gordinha Jennifer Hudson realmente a rouba a cena de Beyoncé Knowles. Já levou o Globo de Ouro de Atriz Coadjuvante e é bem capaz de papar o Oscar na mesma categoria. Mas Beyoncé também está muito bem num filme de figurinos deslumbrantes (outro provável Oscar para o musical de Bill Condon). É bem verdade que o tom de alguns números musicais é alto demais. Mas Dreamgirls - como Antônia - mostra o poder de um sonho sem esconder a dura realidade, representada pela indústria fonográfica. O empresário Curtis Taylor (papel de Jamie Foxx, que já viveu Ray Charles no cinema) manipula o trio e, se por um lado o conduz ao sucesso, por outro mata sua alma e semeia a desunião entre as moças. Vale uma ida ao cinema.

Segunda-feira, 19 Fevereiro, 2007

Daniela saúda o boi de Parintins na folia baiana

Foto de Célia Santos
Na foto aí de cima, uma efusiva Daniela Mercury aparece caracterizada como uma amazonense na festa do boi de Parintins. O figurino foi usado pela cantora para receber os convidados de seu camarote - destaque da cada vez mais miscigenada folia baiana. Neste Carnaval, até o batidão do funk carioca ecoou no circuito dos trios elétricos sob o comando de MC Leozinho, MC Marcinho e Buchecha. Um trio que eletriza os bailes das periferias!

Enquanto os trios de Salvador ampliam seus domínios e abrem o leque de ritmos, a Mangueira maltrata Beth Carvalho. A nota triste do Carnaval carioca foi a expulsão da cantora de um dos carros da escola. Parece que a artista foi expulsa aos gritos. Um desrespeito a quem fez tanto pela verde-e-rosa em seus 40 anos de carreira.

Domingo, 18 Fevereiro, 2007

Para quem pensa que cachaça é água...

Capa do CD 'Cachaça Dá Samba'
Uma boa idéia... aproveitada pela gravadora Deckdisc, que pôs a dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta em estúdio para fazer o CD Cachaça Dá Samba! apenas com músicas que versam sobre a marvada pinga. Tem marchinha, tem a moda da pinga, tem partido alto e tem muito samba. Com direito a um inédito de Moacyr Luz, A Verdade É Pura, que sinaliza que Luz, como cantor, continua um ótimo compositor. Quem não é doente do pé sabe que a dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta é do ramo (do samba, não da cachaça, fique claro...). Atualmente no elenco do musical Sassaricando, os cantores já gravaram bons discos como Dois Bicudos. Este dá cachaça é embriagante. Tem faixa, como O Pingo e a Pinga, que dá vontade de ouvir até cair... Boa idéia!

Sábado, 17 Fevereiro, 2007

Trilha de 'Sassaricando' evoca um tempo de paz

Capa do CD duplo 'Sassaricando'
O Rio já está em ritmo de Carnaval. E nada melhor para essa época de folia (e violência) do que ouvir o álbum duplo que traz a trilha do musical Sassaricando, o maior sucesso da temporada teatral carioca neste verão. São 102 marchinhas reunidas em 28 faixas. Uma delícia! Tem muito sucesso que passou de folião para folião. Mas tem também muita marchinha que (quase) ninguém conhecia mais. Seu Cornélio, Criado com Vó, Eu Também Quero Roubar (atualíssima...) e muitas outras. Dá saudade de um tempo que a gente nem viveu. Garanta já o seu!

Sexta-feira , 16 Fevereiro, 2007

Caia no samba ao som da Orquestra Imperial


O Rio já pulsa em ritmo de Carnaval. E não resisto a dar uma dica de CD que tem a ver com a folia: falo do EP que a Orquestra Imperial está vendendo em seus shows, por apenas R$ 5, com quatro músicas gravadas para a edição francesa do álbum e que não entraram no CD nacional, nas lojas em março. É uma delícia. O suingue da big-band carioca anima qualquer baile. Para fãs de Los Hermanos, um aviso: tem Rodrigo Amarante cantando Obsessão, um samba que fez sucesso com Carmen Costa nos anos 50. Todas as quatro faixas são boas, mas vale prestar atenção no tema instrumental Popcorn. Lembra o suingue da banda Black Rio! Evoé, Momo!!! Fui!!

Livro volta à cena no embalo dos 100 anos do frevo

Do Frevo ao Manguebeat Para quem prefere ler a cair na folia, ou acha que uma coisa não impede a outra, um aviso: o livro Do Frevo ao Manguebeat, escrito pelo jornalista pernambucano José Telles e lançado em 2000 pela Editora 34, vai ser reposto em catálogo no embalo dos festejos dos 100 anos do ritmo que agita o Carnaval de Recife, Olinda e arredores. Eu já li e recomendo: tem sustança.

Quinta-feira, 15 Fevereiro, 2007

Capital inicia promoção com clipe 'a la' Wim Wenders

Divulgação / Sony BMG
Depois de um tributo pesado ao Aborto Elétrico, lendário grupo conterrâneo da Brasília do começo dos anos 80, o Capital Inicial vem aí, em março, com disco mais pop. A foto acima foi feita durante a filmagem do clipe da música Eu Nunca Disse Adeus, que vai puxar o CD. A gravação foi em Sampa, na Casa das Caldeiras. O diretor Maurício Eça quis fazer um clipe em preto e branco, com referências de filmes de cineastas como Wim Wenders. A música é parceria de Alvin L. - um bom compositor que não conseguiu decolar como cantor - com Dinho Ouro Preto.

Quarta-feira, 14 Fevereiro, 2007

Bebel vem aí com Chico e Orquestra Imperial

Foto de Murilo MeirellesBebel Gilberto vai lançar em março seu terceiro CD, apostando em músicas inéditas de sua autoria e em releituras de músicas do tio Chico Buarque (Caçada, da trilha do filme Quando o Carnaval Chegar, de 1972) e Cole Porter (Night and Day). Vai trazer faixa gravada no Rio com a cultuada Orquestra Imperial.

No Brasil, a filha de Miúcha e João Gilberto nunca fez sucesso. Mas, no exterior, estava na hora certa e no lugar certo quando gravou seu primeiro disco internacional com uma bossa de ambiência eletrônica. Hoje isso parece até banal. Em 2000, era uma relativa novidade que Bebel soube capitalizar como ninguém.

Terça-feira, 13 Fevereiro, 2007

Sandy vai cantar no Carnegie Hall sem Junior

Divulgação / NPL
Como a dupla Sandy & Junior parece ter perdido a magia até para seu público juvenil, Sandy parte para outras praias. A convite do empresário Jay K. Hoffman, a moça deverá apresentar no Carnegie Hall - um dos palcos mais nobres de Nova York - o show que fez em São Paulo, em dezembro, com o pianista Marcelo Bratke. No repertório, músicas de Tom Jobim e standards da canção americana assinados por Cole Porter, Duke Ellington e George Gershwin, entre outros compositores feras do gênero.

Sei não, mas acho que Sandy não está com essa bola toda como cantora, não. Ainda mais para encarar a obra desses compositores tão refinados, cujas músicas não são tão facéis de cantar como parecem. Quando era adolescente, a voz de Sandy era graciosa. Adulta, ela - a voz - continuou adolescente demais. Mas o tempo se encarrega de pôr cada um em seu devido lugar. E caberá a ele, o tempo, mostrar se Sandy vai ter futuro na área.

Segunda-feira, 12 Fevereiro, 2007

Um Grammy político pautado pela injustiça!

Mary J.  Blige recebe um Grammy
A emoção genuína de Mary J. Blige ao receber seu Grammy de Álbum de r & b pelo CD The Breakthrough foi um dos poucos momentos realmente bacanas de uma das premiações mais longas e chatas do Grammy nos últimos anos. Nem a reunião do Police - tocando Roxanne com sua formação original na abertura da festa - conseguiu salvar a cerimônia, pautada pela injustiça e por recados políticos. E não é que o trio de country Dixie Chicks se sagrou o grande vencedor da noite com os troféus de Álbum do Ano (por Taking the Long Away) e Gravação do Ano (Not Ready to Make Nice)?? Uma vitória de sabor e recado político. Para quem não sabe, o trio vinha sofrendo boicote de fãs por ter criticado em alto e bom som o governo sanguinário do senhor George W. Bush? O Grammy de ontem foi quase um desagravo ao trio. O que seria até louvável se, no fim das contas, a atitude política não injustiçasse nomes como o duo Gnarl Barkley (garfado na categoria Gravação do Ano, que bem poderia ter sido Crazy) e Justin Timberlake, cujo grande álbum FutureSex / LoveSounds vem fazendo mais barulho que o disco do trio feminino de country. Mas não dá mesmo para levar a sério um Grammy que premia como Artista Revelação cantora de country (Carrie Undewood) projetada no programa American Idol. Mas Grammy foi feito mesmo para louvar os americanos. E por isso a inglesa Corinne Bailey Rae perdeu para Carrie. Idem James Blunt, o da canção You're a Beautiful. Já no rock a vitória do Red Hot Chili Peppers nas principais categorias teve, ao menos, coerência, já que o álbum Stadium Arcadium e a música Dani California têm lotado estádios.

No tom: Tony Bennett fazendo gracinha e chamando Stevie Wonder de Stevie Wonderful. O tributo a James Brown na voz renovada de Christina Aguilera. O número musical que reuniu John Mayer, Corinne Bailey Rae e John Legend. A volta do Police. Geléia Geral prevendo que Mary J. Blige ganharia apenas nas categorias de r & b.

Fora do tom: Beyoncé gritando que nem Mariah Carey. O excesso de intervalos da festa (e tome anúncio de série de TV no canal Sony!!). Artistas que lêem intermináveis listas de agradecimentos. O excesso de homenagens a artistas por suas vidas e obras. Ficou banal! Geléia Geral prevendo que Gnarls Barkley e Justin Timberlake iam se sagrar vencedores nas categorias principais. Também quem contava com a vitória do azarão Dixie Chicks?

Domingo, 11 Fevereiro, 2007

Previsões para o 49º Grammy

Justin Timberlake
Hoje é dia de conhecer os vencedores do 49º Grammy, que tem status de Oscar da Música. O canal Sony, da Net, vai transmitir a entrega dos prêmios a partir das 23h deste domingo. Geléia Geral lustra sua bola de cristal e prevê que a campeã de indicações (oito, ao todo), Mary J. Blige, deverá ganhar seus prêmios apenas nas categorias dedicadas especificamente ao r & b. Aposto que a dupla Gnarls Barkley vai levar o troféu de Gravação do Ano por Crazy, música lançada em formato digital para download. Se Crazy ganhar, o Grammy estará fazendo história. Mas não sei o duo leva o troféu de Álbum do Ano. Este bem poderia ficar com Justin Timberlake. O garotão da foto acima fez brotar sua porção Prince num álbum (FutureSex / Lovesounds) digno de Grammy. Já o Brasil, representado indiretamente por Sérgio Mendes, deverá ficar sem nada... Amanhã a gente conversa...

Sábado, 10 Fevereiro, 2007

Antenada, Elba quer ir além das raízes...

Foto de Rogério Resende
Antenadíssima e atenta à letra de uma música, Elba Ramalho aparece no flagrante aí de cima gravando seu CD Raízes e Antenas - Qual o Assunto que mais lhe Interessa?, nas lojas ainda neste semestre. Tenho a impressão de que este disco vai somar muito na discografia de Elba, uma das cantoras de que mais gosto (eu a considero de primeiro time, pela imensa força cênica e pela voz poderosa, lapidada ao longo dos anos). Sem fugir das raízes nordestinas, que sempre exaltou com justificado orgulho, Elba procura conectar suas antenas com o mundo num repertório que tem inédita de Pedro Luís (Os Beijos), músicas de Lula Queiroga (talentoso artista que assumiu a produção do CD, inicialmente dada a Lenine), um lado B de Jorge Ben Jor (Ave Anjos Angelis, música que ninguém conhece de um disco - Homo Sapiens, de 1995 - que ninguém ouviu), samba popularizado na voz de Clara Nunes (As Forças da Natureza), parceria de Arnaldo Antunes com Lenine (Trânsito). Enfim, um disco que me parece moderno. Tudo o que Elba precisa neste momento em que, fora das nada antenadas gravadoras multinacionais, inicia sua jornada independente. Elba é guerreira e lutou para se impor, derrotando inclusive o preconceito que parte da crítica alimentava contra sua voz rascante. Venceu!

Cria da Lapa, Edu Krieger põe sua ciranda no mundo

Foto de divulgação

Militante do circuito de samba, choro e forró da Lapa, Edu Krieger é compositor que merece atenção. Sua Ciranda do Mundo foi gravada por Maria Rita no CD Segundo. A gravação ficou estranha porque precisava de uma camada percussiva que fugia ao formato rígido do álbum. Mas a música era boa e pode ser ouvida também no disco autoral que Krieger lançou no fim do ano passado e vem promovendo em shows. A Lua É Testemunha já toca em algumas FMs. Krieger é da turma carioca que toca ritmos brasileiros com abordagem mais contemporânea. Seu trabalho está conectado com o de gente como Pedro Luís, Rodrigo Maranhão e Cia. E chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor além do circuito da Lapa, como diria o saudoso Assis Valente... Mas é preciso correr atrás para conhecer o som da turma porque os discos deles não tocam (ainda) em trilhas de novelas.

Sexta-feira , 9 Fevereiro, 2007

Estrelas da MPB saúdam os 100 anos do frevo

Capa do CD 100 Anos de FrevoÉ hoje! O eletrizante frevo completa 100 anos nesta sexta-feira e Geléia Geral se conecta a Pernambuco na festa centenária. Muitos discos estão sendo lançados para comemorar a data. Um em especial merece destaque pela reunião de nomes como Maria Bethânia, Maria Rita, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Edu Lobo, Alceu Valença, Vanessa da Mata e Luiz Melodia, entre outros. Toda essa turma participa do álbum 100 Anos de Frevo - É de Perder o Sapato. É um belo songbook do gênero, com direito no encarte a informativo texto do jornalista pernambucano José Telles, especialista em frevo. O álbum é duplo e está saindo pela Biscoito Fino. Altamente recomendável nestes tempos de folia. E viva Capiba, Nelson Ferreira e todos os mestres do gênero!!! Que venham mais 100!

E por falar em frevo, a audição deste disco estelar me remeteu a uma faixa do álbum Leão do Norte, gravado por Elba Ramalho em 1996. Este disco fechava com belo pot-pourri de frevos. Tinha Frevo nº 1 do Recife, Evocação nº 1, Oh Bela, Sou Eu teu Amor... Tudo com a produção esperta de Robertinho de Recife. Deu vontade de ouvir o pot-pourri . E eu ouvi. Me segura senão eu caio...

Quinta-feira, 8 Fevereiro, 2007

Desatenção na edição dos DVDs de Gal e Paulinho

A Trama - gravadora caracterizada pela excelência da edição de seus CDs e DVDs - anda vacilando. Os recentes DVDs de Gal Costa e Paulinho da Viola chegaram às lojas com erros graves de informação. O DVD Gal Costa ao Vivo anuncia na contracapa um depoimento de Caetano Veloso que, a rigor, não existe. Nada menos do que 22 artistas mandam recados para Gal nos extras, mas Caetano não está entre eles. Já o DVD de Paulinho, editado dentro da série Grandes Nomes, troca o nome de um número. O tema que o compositor toca com o violonista Canhoto da Paraíba não é Forró do Xenhenhen como relacionado no DVD. Mas, sim, Pisando em Brasa, tema do próprio Canhoto. Como já disse Caetano na voz da própria Gal Costa, é preciso estar atento e forte...

Norah Jones não está fazendo esse sucesso todo


A gravadora EMI está se empenhando em soltar comunicados em que exalta o 'grande sucesso' do terceiro disco de Norah Jones, Not Too Late. Mas, na real, o CD foi recebido com certa frieza em todo o mundo. Claro que os fãs da cantora vão se apressar em encomendar seu exemplar - e todo o marketing da EMI tem se apoiado na procura do disco em lojas virtuais - só que isso não significa, em absoluto, que o álbum esteja causando furor. Não está. Mas a EMI - escaldada pelo fraco desempenho mundial de Rudebox, o álbum de Robbie Williams no qual investiu muito no fim do ano passado - tem lá suas razões para tentar passar impressão contrária e alardear os 3,5 milhões de cópias já vendidas ao redor do mundo - marca que pode impressionar numa primeira leitura, mas que soa natural para uma artista que vendeu 20 milhões de cópias do primeiro disco e caiu para 10 milhões no segundo. Como é natural também que Not Too Late lidere todas as paradas nestas primeiras semanas, pois trata-se de CD muito esperado. Mas a real medida de seu sucesso somente será dado pela permanência nas paradas ao longo das semanas seguintes. Portanto, é cedo para o alarde feito pela EMI. Embora Norah mereça todo o sucesso do mundo, mesmo tendo feito CD chatinho...

Nota triste: a morte de Pedrinho Mattar, aos 70 anos. Jovens que sacodem o esqueleto em raves certamente sequer ouviram falar do pianista. Mas ele teve sua época e tocou com muita gente boa da música brasileira. Deixa saudade em todos que ouviram o som de seu piano.

Quarta-feira, 7 Fevereiro, 2007

Sandra de Sá deve um disco à altura de sua voz

Foto Zean Bravo Sandra de Sá contou em entrevista ao repórter Zean Bravo, do Caderno D, que prepara um novo disco para 2007 com o som da crioleba brasileira. Tomara que, desta vez, a cantora faça um CD à altura de sua grande voz. Por ter uma das vozes mais potentes e calorosas do Brasil, Sandra merecia estar em posição mais confortável no mercado fonográfico. Sua discografia teve momentos de êxito comercial (na segunda metade dos anos 80, sobretudo, quando aderiu às baladas açucaradas da dupla Michael Sullivan & Paulo Massadas) e outros em que a artista conseguiu um som mais pop e antenado (o disco A Lua Sabe Quem Eu Sou, de 1996, é excelente). Mas sua obra nunca manteve uma regularidade e nunca traduziu, para valer, a negritude que corre nas veias e na voz de Sandra. Influência danosa das gravadoras, certamente. Mas nunca é tarde para recuperar o tempo e o terreno perdidos. Que venha por aí um disco que honre a Música Preta Brasileira que Sandra de Sá conhece como poucos! Na real, Sandra devendo CD à altura de seu histórico.

Terça-feira, 6 Fevereiro, 2007

Belas páginas de música brasileira na novela global

Podem falar o que quiserem da novela Páginas da Vida (eu sou telespectador assíduo), mas não dá para negar que o autor Manoel Carlos vem promovendo a melhor música brasileira no horário nobre global. Depois da homenagem a Tom Jobim, que lembrou para o Brasil a importância do Maestro Soberano por ocasião de seus 80 anos de nascimento, foi a vez do grupo mineiro Uakti aparecer na trama carioca, tocando temas autorais e de compositores conterrâneos como Milton Nascimento na abertura da exposição de Tônia Werneck, a personagem de Sônia Braga. A maior parte do Brasil certamente nunca tinha visto o virtuoso Uakti percurtir seu delicado arsenal de instrumentos pouco usuais. Pode parecer insignificante, mas não é. Ao propagar o Uakti em horário nobre, Páginas da Vida tem feito muito pela melhor música brasileira. Ponto para o bom gosto e iniciativa de Maneco!

Gal também se rende às canções de Ana Carolina


Depois de Maria Bethânia, Gal Costa é a nova intérprete de Ana Carolina. A cantora gravou a balada Ruas de Outono para a trilha da novela Paraíso Tropical, que estréia em março no lugar de Páginas da Vida. Foi a pedido do novelista Gilberto Braga, fã de Gal. O que chama atenção é que, na medida em que perde o prestígio da crítica, e seu CD duplo Dois Quartos foi recebido com frieza, Ana Carolina ganha a adesão de vozes importantes para defender suas baladas confessionais. Se a gravação de Ruas de Outono fizer sucesso na voz de Gal, é capaz de redirecionar a cantora novamente para um estilo de música mais popular que ela havia abandonado em seu CD Hoje. Há quem goste...

Bem-vindos ao Geléia Geral!!!!!

Olá, leitores do Dia ONLINE!! Aqui começa o Geléia Geral, um novo blog musical, mais ágil, dinâmico, com rápidas observações sobre CDs, DVDs, shows e artistas. Que os cantores e compositores sejam fontes de boas músicas e notícias. Bem-vindos a este espaço virtual que pretende ser um complemento mais informal (e um pouco mais abusado) da coluna Estúdio que assino todas às sextas-feiras no Caderno D, na versão impressa do jornal O DIA. Fiquem à vontade: comentem, discutam, informem-se, mas nunca saiam do tom da elegância e do respeito à opinião alheia, por favor! Som na caixa, DJ! A festa vai começar. E um aviso aos navegantes: como dizia Tim Maia, o Síndico, quem não dança segura a criança...