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| Mauro Ferreira |
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Sérgio Mendes veio ao Rio esta semana para gravar parte de seu novo disco, o sucessor do bom Timeless, de 2006. Entre várias outras gravações, Mendes agendou a vinda ao Rio de Janeiro para registrar uma faixa com ritmistas da escola Mangueira, liderados por Ivo Meirelles. A música se chama Manha Carioca e conta também com a participação do rapper will.i.am, do grupo Black Eyed Peas. Will também veio ao Rio. Guinga - gravado por Mendes no anterior Timeless - deverá participar do CD. Mendes não é bobo...
Sérgio Mendes estava meio apagado no mercado norte-americano. Mas renasceu das cinzas ao recrutar o líder do Black Eyed Peas para gravar com ele no CD Timeless uma versão turbinada de Mas que Nada, a música de Jorge Ben Jor que impulsionou seu sucesso nos EUA nos anos 60. A intenção de Mendes é continuar unindo o rap ao suingue carioca. Daí a arregimentação dos ritmistas da Mangueira, que entendem de suingue e de Rio como ninguém. A união de Mendes e a Mangueira dará samba.
 Para a indústria fonográfica, o ano termina hoje. O ano fiscal, melhor dizendo. É quando as companhias fazem as contas e se preparam para enfrentar o ano novo. Que começa em 2 de abril e vem cheio de mudanças. Max Pierre foi demitido nesta sexta-feira do cargo de diretor artístico da Universal Music. Paulo Junqueiro, que foi da Warner na década de 90 e andava em Portugal, assume a diretoria artística da EMI na segunda-feira e vai responder diretamente a Marcelo Castello Branco (foto), anunciado hoje como o novo presidente da EMI. Já a Warner, que demitiu Cláudio Condé, traz de volta Sérgio Affonso, que vai comandar a filial brasileira da major a partir de 13 de abril. É gente não exatamente nova, mas que vem com sangue novo e com garra para encontrar saídas para a crise. Tomara que ela, a saída, exista... Porque somente nos meses de janeiro e fevereiro o mercado encolheu 50%. Hora de mudar o disco. Com mais liberdade artística para cantores e compositores.
 Bem que houve quem alertasse que a reunião do RPM em recente Domingão do Faustão não aconteceu por acaso. Acredite se quiser: o grupo vai voltar. De novo! Mais uma vez! Paulo Ricardo e Luiz Schiavon - cérebros da banda de tecnopop - andaram se estranhando publicamente, mas vão selar a paz provisória por um bom motivo: o retorno do RPM à mídia por conta de caixa preparada pela Sony BMG com os primeiros discos da banda e o vídeo da turnê Rádio Pirata, ainda inédito em DVD. Não sou dos que detestam o grupo. Ao contrário. Ainda hoje acho o primeiro disco, Revoluções por Minuto, de 1985, uma das obras-primas do pop rock produzido no Brasil naquela década. Se o grupo desandou depois, foi por causa de egotrips e embates entre Paulo e Schiavon. Nunca pela falta de talento. Os caras são bons. Mas admito que a notícia de mais uma volta somente corrobora a minha certeza (e a da torcida do Flamengo) de que o RPM morreu. Não foi Paulo Ricardo que morreu, como o cantor andou declarando ao jornal Folha de S. Paulo em entrevista repleta de frases de efeito. Foi o RPM que, artisticamente morto, sobrevive como um fantasma que ronda sua velha casa. Mas é bem possível que dê certo. Como deu o retorno de 2002 via Universal Music. Saudade não tem idade. Ou tem?
 Com a queda contínua na venda de CDs, já começa a virar praxe no Brasil o lançamento de discos inteiros na internet. Depois da Sony BMG lançar somente no formato digital o último álbum da cantora mexicana Julieta Venegas, foi a vez da Warner Music anunciar que o lançamento do novo álbum do tecladista francês Jean Michel Jarre, Téo & Téa, será feito primeiramente desta forma. Ou seja, o álbum não estará logo à venda no formato tradicional de CD, somente podendo ser adquirido inicialmente através de download pago. O problema - e é aí que mora o perigo - é que a internet muitas vezes é terra de ninguém. E quase sempre é possível baixar um disco sem precisar pagar por ele. Sem resolver essa delicada questão, grave em países como o Brasil, fica difícil a sobrevida da indústria fonográfica.
 Vi na manhã desta quarta-feira o documentário Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda, que passa amanhã no Rio (às 21h30m, no cinema Odeon) dentro da mostra de documentários É Tudo Verdade. Admiradores fervorosos da cantora - e eu me enquadro no time - vão ver o filme com gosto e atenção. Mas Pedrinha de Aruanda, a rigor, nem pode ser considerado um documentário. Produzido e dirigido por Andrucha Waddington, em parceria com o selo Quitanda, comandado pela intérprete na gravadora Biscoito Fino, o filme apresenta Bethânia pelas lentes da própria Bethânia sem jamais desvendar a personagem fascinante que nunca se mostra por inteiro para a câmera. A artista mostrada na tela - no camarim, numa refeição familiar na sua casa em Santo Amaro (BA) e numa seresta com a mãe e o mano Caetano na varanda de casa - foi filtrada por ela mesma. Com todas suas licenças poéticas, até Música É Perfume - o documentário anterior sobre a cantora, dirigido pelo suíço Georges Gachot - deixava entrever mais da personalidade da intérprete. Pedrinha de Aruanda está aquém da grife da Conspiração Filmes. Mas quem, como eu, gosta muito de Bethânia vai achar beleza e encantamento em cenas de um, vá lá, documentário que parece mais adequado para os extras de algum DVD de show da cantora. p.s. Dona Canô, que praticamente conduz o filme, é uma fofa!
Isso é que ex-namorado! Britney Spears - que está tentando sair do inferno das drogas e do álcool - foi convidada pelo ex-amor Justin Timberlake a gravar uma música em dueto com ele. Trata-se de You're All I Need to Get By, tema do cancioneiro da gravadora Motown, cujo título quer dizer 'você é tudo que eu preciso para sair dessa'. Tudo a ver com a ex-ninfeta. Aliás, A gravação é uma tentativa de reabilitar Britney no mercado. E nem dá para acusar Justin de fazer uma bela jogada de marketing, pois o moço está em alta no mercado fonográfico norte-americano por conta de seu álbum FutureSex / LoveSounds, um dos grandes discos de 2006, injustiçado no último Grammy. Aliás, a vida dá voltas. E voltas rápidas... Em fins dos anos 90, quem liderava as cobiçadas paradas dos EUA era Britney. Justin era apenas um integrante de uma boyband, 'NSync, de algum sucesso, mas nenhum prestígio. Hoje, no topo, o rapaz tenta impedir a queda vertiginosa de sua ex-namorada. Tomara que consiga! O som de Britney sempre foi oco, padronizado. Mas ela não merecia afundar por conta de problemas com drogas. E, como está procurando se reerguer, tendo passado por vários tratamentos em clínicas, bem que o dueto com Justin poderia ajudar na reabilitação pessoal e profissional.
 Já está nas lojas o CD com a trilha de Paraíso Tropical. É uma seleção voltada para a MPB mais tradicional. E que conta com nada menos do que dez cantoras! Bethânia regravou Sábado em Copacabana, o samba-canção de Dorival Caymmi que é ouvido na abertura. Mart'nália mostra o suingue da raça em Cabide, um samba delicioso de Ana Carolina. Que canta Carvão (balada de seu último CD, Dois Quartos) e tem sua Ruas de Outono entoada suavemente por Gal Costa. Mas, convenhamos, a canção de Ana está aquém da voz cristalina de Gal. Anyway, para quem não suporta Ana, a trilha traz Miúcha (em Você Vai Ver, tema de Tom Jobim), Simone (em bom momento, com Existe um Céu, inédita de Francis Hime e Geraldo Carneiro), Bebel Gilberto (em demo de Preciso Dizer que te Amo, gravada com Cazuza em 1986) e Nana Caymmi (que abolerou o samba-canção Você Não Sabe Amar, de seu pai). Completam o time feminino Marina Lima (com a regravação de Difícil) e Elis Regina (com gravação de 1973 do samba É com Esse que Eu Vou).
A turma é boa, mas não sei se vai garantir boas vendagens para o disco (o tom conservador da trilha deverá seduzir somente quem, como eu, louva a MPB feita à moda dos anos 70). O que sei é que mudar o tema de abertura da novela, como vem sendo cogitado de forma oficiosa, segundo relatos de colunas especializadas, seria um desrespeito com Bethânia. Se Paraíso Tropical não vem atingindo o Ibope esperado, o problema não está - seguramente - na interpretação linda de Bethânia, feita para a abertura a pedido do próprio Gilberto Braga. Por isso mesmo, não acredito nessa mudança alardeada por parte da imprensa. Gilberto não há de concordar com a decisão.
 A foto acima flagra Margareth Menezes no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador (BA), durante gravação do programa Casseta & Planeta. Ao lado do bloco afro Olodum e do grupo Harmonia do Samba, a cantora registrou participação no quadro Caravana Casseta Brasil Adentro, sátira à Caravana JN, do Jornal Nacional. O trio de humoristas Hélio de la Peña, Beto Silva e Reinado foi à capital baiana fazer a gravação. Vai ao ar em abril.
Margareth completa 20 anos de carreira em 2007. É das mais poderosas vozes da música afro-pop-baiana - genericamente rotulada como axé music. Espero que a troca de comando na diretoria da EMI Music não prejudique a divulgação de seu CD e DVD Brasileira ao Vivo - Homenagem ao Samba Reggae. Maga entrou na EMI na gestão do demitido presidente Marcos Maynard, executivo que sempre deu força aos artistas baianos.
 Sei que a noite carioca ontem foi de Roger Waters, que iluminou a Praça da Apoteose com seu Dark Side of the Moon, mas fui rever a Tecnomacumba de Rita Ribeiro, que voltava ao Teatro Rival com o show que estreou em 2003 e que nunca mais saiu de cartaz. Parece coisa feita! Na pista lotada, o público jovem parecia receber um santo ao som dos temas de inspiração afro cantados pela intérprete maranhense. O show está azeitado, Rita domina o terreiro e a diversão é garantida. Só queria saber porque nenhuma gravadora ainda se interessou em bancar um DVD do espetáculo. Saem a toda hora dezenas de DVDs com shows que ninguém quer ver. Quando tem um que todo mundo vai - e volta - nenhuma companhia filma em dvd. Depois reclamam da crise...
 Martinho da Vila, do Brasil, do Mundo. Este é o título do CD de inéditas que Martinho da Vila está preparando no estúdio da gravadora MZA Music. Na foto aí de cima, ele posa com Negra Li e com o produtor Marco Mazzola. A rapper gravou participação em O Amor da Gente. Também convidado do CD, Toni Garrido pôs voz em Nossos Contrastes, samba da lavra de Martinho com Nelson Sargento. E no mundo de Martinho ainda cabe Fito Paez, que gravou samba-enredo inédito de Martinho (feito para o Carnaval de 2006 no qual a Vila Isabel se sagrou campeã, com outro samba-enredo) lá em Buenos Aires.
Excelente cantora, Luciana Mello vem melhorando a cada disco. Por isso mesmo, estou na expectativa para ouvir Nêga, seu quarto CD, que será lançado nos próximos dias. Gabriel O Pensador faz participação. Tem releitura de um samba de Tião Motorista, Na Galha do Cajueiro, que foi sucesso na voz de Wilson Simonal. Tem Only You, aquela baba deliciosa do grupo The Platters. E tem também um monte de música nova: Sexta-Feira, Na Veia da Nega, Rosas e Mel... Que venha logo o disco da nêga!
Terminei de ler Até Parece que Foi Sonho, o livro em que Fábio - aquele cantor que fez sucesso com Stella e sumiu - conta casos pitorescos que envolveram Tim Maia, seu velho camarada, com quem realmente conviveu intimamente ao longo de quase 30 anos. O livro é curto e - não dá para negar - interessante. São apenas causos e mais causos que viraram lendas por conta do temperamento explosivo do Síndico . Tim Maia falou e fez o que quis. Pagou um preço por isso. Mas o livro não tem um tom sério nem pretende ser uma biografia. Mas o que mais toca em suas enxutas 136 páginas é que Fábio expõe a imensa solidão que acompanhou seu colega por toda sua vida. A solidão foi a grande droga de Tim Maia. Chamem o Síndico!!!
 Morreu no Rio de Janeiro nesta quarta-feira, aos 70 anos, o produtor e empresário Guilherme Araujo. Na foto aí de cima, extraída do site oficial da cantora Gal Costa, Araújo posa com a cantora ao lado dos discos de platina conquistados pelo álbum Fantasia, editado por Gal em 1981. Araújo foi o empresário que teve apurada visão comercial para gerenciar os talentos grandiosos de Gal, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Figura importante na concepção do Tropicalismo, ele fez todo o vitorioso marketing inicial dos quatro cantores quando markerting ainda não era palavra recorrente no meio musical. Foi por suas mãos, por exemplo, que Gal passou a vender milhares de discos na virada dos anos 70 para os 80. Araújo formatou a imagem e a idéia da Gal Tropical, que rendeu LP e show de enorme sucesso em 1979. Com Bethânia, de temperamento mais arredio, Araújo não foi tão influente. Mas é inegável sua importância na trajetória dos quatro cantores baianos. Talvez sem ele, sem sua visão mercadológica, o Tropicalismo não tivesse tido a importância que teve e ainda tem. As idéias eram de Caetano e de Gil. Mas Araújo soube como ninguém vendê-las para a mídia da época. Com Gil, ele andou brigando durante uns tempos por conta de direitos relativos à obra fonográfica do compositor. Mais tarde, Gil e Araújo entraram em acordo. Desentendimentos à parte, nada apaga da história da música brasileira a sabedoria do empresário e produtor na carreira de seus artistas. Que descanse em paz!!
Zé Kéti (à esquerda, visto em graciosa caricatura da capa de coletânea de sucessos) vai ser o homenageado da edição 2007 do Prêmio Tim de Música, cuja cerimônia vai acontecer em maio. Ninguém em sã consciência pode duvidar de que o autor de A Voz do Morro, Mascarada e de tantos outros sambas antológicos merece todas as honrarias e tributos. O que eu questiono é o conservadorismo dos critérios adotados pelo prêmio para escolher seus homenageados. Quase sempre, é de alguém ligado ao samba ou à MPB mais tradicional (o homenageado do Prêmio Tim no ano passado foi Jair Rodrigues). Sendo que há toda uma gama de artistas que fazem música brasileira e que normalmente são esquecidos nestes prêmios porque suas obras seguiram por trilhas menos conservadoras. Quando será que vão homenagear Jards Macalé, Sérgio Sampaio, Ângela RoRo, Novos Baianos, Luiz Melodia, Guilherme Arantes, bandas como Plede Rude, Paralamas etc ???... A MPB e o samba são dignos de todas as homenagens, mas há toda uma turma que, sem renegá-los, procurou (e achou) outros caminhos na música brasileira. E estes também merecem todas as homenagens e honrarias oficiais. É hora de mudar o tom.
Sandy & Junior não vão poder cantar para o Papa por um motivo bastante especial: em maio, os irmãos sentam no banquinho da MTV - em data e local a serem definidos - para gravar um acústico na emissora. A exibição do especial está prevista para julho. O CD e o DVD 'Acústico MTV Sandy & Junior' serão uma cartada decisiva da Universal para levantar a dupla no mercado. O último CD dos irmãos não fez muito sucesso.
 O álbum de estréia do grupo F.UR.T.O. não obteve a repercussão esperada por Marcelo Yuka, que deu um tempo nas atividades da banda, mas continua na ativa. Yuka está produzindo em seu estúdio, o Observatório de Ecos, o CD do Djangos, um trio carioca que tentou o sucesso no fim dos anos 90, morreu na praia e agora prepara sua volta à cena. O disco se chama Zona Oeste: Vingança. O título é provisório, mas o repertório já está certo. Tem inéditas como Imigrante Ilegal e Cabra Marcado.
Mesmo com toda a pirataria, Zeca Pagodinho é garantia de lucro certo para a indústria fonográfica. Não foi à toa que a Universal Music está anunciando, orgulhosa, a renovação do contrato do sambista por mais quatro discos. Na foto aí de cima, Zeca brinda com cerveja o novo contrato, ao lado do presidente da companhia, José Antonio Éboli (à direita), e do vice-presidente artístico, Max Pierre (à esquerda). E há realmente o que bebemorar. Depois de um disco meia-boca, À Vera, de 2005, o cantor levantou sua moral com seu caloroso Acústico MTV 2 - Gafieira, que vem vendendo bem. Um brinde a Zeca Pagodinho! Até porque Zeca continua sem botar banca enquanto outros, que não vendem o que ele vende, ficam sissi. Merece muito mais contratos e sucesso!!
Dentro da nova fornada da coleção Clássicos Odeon, há muitos títulos que já tinham sido reeditado em CD em séries do tipo dois em um. Mas há um disco inédito no formato digital que merece atenção. É Jesus Cristo, álbum lançado por Cláudia em 1971.Cláudia sempre foi uma grande cantora que acabou não tendo a grande carreira que merecia ter feito. Reza a lenda que até Elis Regina se sentia intimidada com o vozeirão de Cláudia. Não sei se essas histórias têm um fundo de verdade, mas sei que uma audição de Jesus Cristo comprova a excelência do canto de Cláudia. Somente a faixa-título - uma arrasadora versão para o tema religioso que Roberto Carlos lançara um ano antes, em seu LP de 1970 - já vale o disco. Cláudia canta Jesus Cristo como um spiritual, na melhor tradição da música gospel americana. Exatamente como pede a obra-prima de Roberto e Erasmo Carlos. Mas o CD ainda traz Com Mais de 30, música datada, mas deliciosa, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. O suingue de Cláudia na faixa é contagiante. Sei lá, mas acho que Elis - mesmo sem precisar - devia ter mesmo ciúme de Cláudia.
 E o Brasil pediu novamente benção a padre Marcelo Rossi... De acordo com lista divulgada hoje pela ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos), com a relação dos 20 CDs mais vendidos em 2006, o disco do religioso, Minha Benção, foi o campeão do ano passado. A lista é de chorar: nela aparecem três discos do grupo RBD e antigos CDs com o selo da MTV feitos por bandas como Kid Abelha, Skank e Jota Quest (isso mesmo: discos de outros anos continuam entre os mais vendidos num ano em que pouco se comprou disco no Brasil) - além de trilhas de novelas. O Brasil vai mal... Eis a lista: CD TOP 20 - 2006
1. Padre Marcelo Rossi - "Minha Benção" (Sony BMG) 2. Caio Mesquita - "Jovem Brazilidade" (EMI Music) 3. Rebelde - "Nuestro Amor" (EMI Music) 4. Roberto Carlos - "Duetos" (Sony BMG) 5. Ana Carolina - "Estampado" (Sony BMG) 6. Bruno & Marrone - "Ao Vivo Em Goiânia" (Sony BMG) 7. Vários - "Bem Funk - DJ Marlboro" (Som Livre) 8. Zezé Di Camargo & Luciano - "Diferente" (Sony BMG) 9. Kid Abelha - "Acústico MTV" (Universal Music) 10. Jota Quest - "MTV Ao Vivo" (Sony BMG) 11. Vários - "Belíssima Internacional" (Som Livre) 12. Marisa Monte - "Infinito Particular" (EMI Music) 13. Marisa Monte - "Universo Ao Meu Redor" (EMI Music) 14. Rebelde - "Nosso Amor Rebelde" (EMI Music) 15. Rebelde - "Live In Hollywood" (EMI Music) 16. Ana Carolina - "Dois Quartos" (Sony BMG) 17. Mayck e Lyan - "Defendendo A Tradição" (EMI Music) 18. Vários - "Páginas Da Vida Internacional" (Som Livre) 19. Skank - "MTV Ao Vivo" (Sony BMG) 20. Vários - "Páginas Da Vida Nacional" (Som Livre) DVD TOP 20 - 2006 1. Rebelde - "Live In Hollywood" (EMI Music) 2. Roberto Carlos - "Duetos" (Sony BMG) 3. Rebelde - "Tour Generation Rbd" (EMI Music) 4. Rebelde - "Que Hay Detras De Rbd" (EMI Music) 5. Bruno & Marrone - "Ao Vivo Em Goiânia" (Sony BMG) 6. Zeca Pagodinho - "Acústico MTV 2 Gafieira" (Universal Music) 7. Pink Floyd - "Pulse" (Sony BMG) 8. Xuxa - "O Show Ao Vivo" (Som Livre) 9. O Rappa - "Acústico MTV" (Warner Music) 10. Barão Vermelho - "MTV Ao Vivo - Best Of" (Warner Music) 11. U-2 - "2005 Vertigo" (Universal Music) 12. Roupa Nova - "Acústico 2" (Universal Music) 13. Roupa Nova - "Acústico" (Universal Music) 14. Asa de Águia - "Ao Vivo" (Som Livre) 15. Ana Carolina & Seu Jorge - "Ana & Jorge" (Sony BMG) 16. Vários - "Amigos" (Som Livre) 17. Ivete Sangalo - "MTV Ao Vivo" (Universal Music) 18. O Rappa - "O Silêncio Q Precede o Esporro" (Warner Music) 19. Caio Mesquita - "Ao Vivo" (EMI Music) 20. Gino & Geno - "A Galera Do Chapéu Ao Vivo" (EMI Music)
Quem muito quer às vezes pouco (ou mesmo nada) tem. Apostando na forte popularidade de Ana Carolina, a Sony BMG lançou um disco duplo da cantora no fim do ano. Mas o álbum Dois Quartos - que chegou às lojas com preço muito alto - não vendeu o esperado. Resultado: a gravadora resolveu desmembrar o CD e põe nas prateleiras, em breve, dois volumes que poderão ser comprados separadamente. Agora é torcer para o álbum começar a vender bem e emplacar um megahit, pois o primeiro single, Rosas, não desabrochou como esperavam Ana e a Sony. Será que agora vai?
Juro que não sou do tipo de crítico que acha errado um ator se lançar como cantor. Ou vice-versa. Barbra Streisand é um entre tantos exemplos de artistas que se revelaram talentosos em ambos os campos. Mas desconfio de quem se lança numa profissão na aba da outra. E esse está me parecendo ser o caso de Rafael Almeida, que ganhou projeção nacional ao interpretar o pianista Luciano na novela Páginas da Vida. Rafael vai lançar seu primeiro CD em breve pela EMI. E não é que a música de trabalho se chama O Pianista e a Bailarina, numa clara referência ao romance de seu personagem com a aprendiz de bailarina vivida pela atriz Pérola Faria??! A música é produto de um hitmaker da EMI. Aí começo a duvidar da real vocação de Rafael como cantor. Se seu talento para a música é verdadeiro, por que vender seu disco como uma extensão de seu trabalho na novela?? Isso é coisa da gravadora, claro. Mas os verdadeiros artistas não se deixam domar por este tipo equivocado de marketing.
É triste ver um jovem talento do samba como Dudu Nobre ter que se submeter a este tipo de projeto populista como o CD Os Mais Belos Sambas-enredo de Todos os Tempos, nas lojas esta semana. É o primeiro passo em falso na discografia então nobre de Dudu. Primeiro, porque não tem sentido lançar semanas depois do Carnaval uma antologia de sambas-enredos. Segundo, porque a seleção - feita em votação realizada no programa Domingão do Faustão - peca pela obviedade. Terceiro, porque Dudu é compositor produtivo que não precisa ficar fazendo regravações. Trabalhos como esse acabam por dilapidar o prestígio e a obra de um artista. Tá certo que a produção de Rildo Hora é competente (como sempre, aliás), mas cantar os mesmos sambas-enredos há anos já cantados por todo mundo nada acrescenta de fato à discografia de Dudu. Sua estréia na gravadora Universal Music não poderia ter sido mais infeliz. Não vai vender.
O Rei já teve mais poder. Apesar de ter anunciado orgulhoso a ordem judicial que determinava a imediata retirada das livrarias da biografia Roberto Carlos em Detalhes, através de comunicado soltado por sua assessoria, o excelente livro de Paulo Cesar de Araújo continua à venda. É a vitória (ao menos, provisória) da liberdade de expressão. Vale repetir o que já foi dito numerosas vezes: a biografia é muito bem fundamentada e peca até pelo excesso de devoção ao Rei. Jamais depõe contra o artista. Merece ser lida pelos fãs porque desvenda muito do universo do cantor.
Chega este mês via Som Livre uma coletânea de duetos póstumos de Jovelina Pérola Negra, a saudosa partideira que saiu de cena em 1998. É um disco intitulado É Isso que Eu Mereço e produzido na linha ghost, ou seja, os convidados (Zeca Pagodinho, entre eles) puseram suas vozes sobre gravações de Jovelina. Pela tecnologia atual, fica perfeito. Parece que os duetos de fato aconteceram. E o fato é que tem muita pérola negra no repertório de Jovelina. Maria Bethânia tirou do baú uma delas, Água de Cachoeira, de 1993, e a regravou no CD Pirata. Jovelina foi bamba. Merece isso e bem mais.
Tudo bem que a vibe roqueira e jovial do novo show de Caetano Veloso, Cê, estava em sintonia com a atmosfera do Circo Voador e do Noites Cariocas. Mas que a hiperlotação das duas casas nas apresentações do cantor tiraram um pouco o prazer e o conforto de ver o show de Caetano, lá isso tiraram. Por isso mesmo, uma notícia animadora para quem tentou ver (e não viu) o espetáculo: Cê volta ao Rio nos dias 24 e 25 de março na casa Viva Rio. Tudo bem que a vibe dessa casa nada tem de jovial, mas que o palco e a estrutura dão de dez no Circo e no Noites, lá isso dão...
Faz 20 anos que Selma Reis estreou em disco. Era ainda época de LP. E seu belo primeiro LP, independente, revelou cantora de vozeirão potente, de tom quase operístico, e de gosto apurado. No repertório deste lindo primeiro disco, havia 'Amor É Outra Liberdade', mais uma pérola do rosário refinado de Sueli Costa. Depois, em 1990, veio o segundo disco, já por uma grande gravadora, a PolyGram, atual Universal. Tudo indicava que Selma ia ser uma das grandes vozes dos anos 90. Mas sua carreira foi perdendo brilho e parecia sem rumo entre discos equivocados e trabalhos como atriz. Por conta de sua atuação na novela Páginas da Vida, em que viveu uma freira, Selma decidiu gravar um CD de música sacra. Sagrado é o título do álbum, que chega às lojas em maio, via Deckdisc, com temas de Mozart, Shubert, Gounod e Cia. Particularmente, acho que era hora de aproveitar a exposição da novela para lançar CD de inéditas. Seja como for, vai ser bom ouvir Selma Reis pisar em terreno sagrado sem profanar seu apurado gosto musical. Ainda que sem inéditas...
 A imagem acima é de Mariana Aydar no belo show que aconteceu na noite de ontem no Centro Cultural Carioca. Lançando no Rio o CD Kavita 1, um dos melhores discos de 2006, a cantora paulista cresceu em cena e mostrou que veio para ficar e fazer parte da nobre dinastia de mulheres que engrandecem a música brasileira. Hoje, 8 de março, é Dia Internacional da Mulher. Festejando a data, Geléia Geral parabeniza, na figura bem-vinda de Mariana Aydar, cantoras e compositoras do porte de Chiquinha Gonzaga, Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Dolores Duran, Ângela Maria, Marlene, Emilinha Borba, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Elza Soares, Dóris Monteiro, Maysa, Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho, Fafá de Belém, Elba Ramalho, Joanna, Marina Lima, Fátima Guedes, Sueli Costa, Sandra de Sá, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Maria Rita, Vanessa da Mata, Roberta Sá e tantas outras que tanto fizeram e fazem pela música deste País. Sem as vozes e canções dessas mulheres, para citar somente as mais relevantes, o Brasil seria mais pobre. Palmas para elas que elas merecem! Todas, inclusive as que eu esqueci de listar...
Justiça seja feita, Carly Simon já fazia discos com regravações de standards antes de projetos do gênero virarem botes salva-vidas de carreiras em longo declínio como a de Rod Stewart. Por isso mesmo, é preciso dar um crédito ao novo álbum da cantora, Into White, que chega às lojas do Brasil ainda em março. É um disco de releituras de músicas conhecidas, mas, no meio delas, tem Manhã de Carnaval, o clássico mundial que o violonista Luís Bonfá fez com Antônio Maria para o filme francês Orfeu Negro, de 1959. Carly também canta Beatles (Blackbird) e Simon & Garfunkel (Scarborough Fair). E ela não é dos que vão pelo caminho óbvio.
 Figurinha fácil em trilhas de novelas globais, Ana Carolina tem presença tripla na ótima seleção musical de Paraíso Tropical. A trama de Gilberto Braga já entrou no ar ao som de Cabide, delicioso samba dado por Ana para Mart'nália. O samba tem tudo para ser o primeiro grande sucesso da filha de Martinho da Vila. Mas Ana ainda será ouvida na voz de Gal Costa, que regravou a balada Ruas de Outono especialmente para a novela. E, por fim, na sua própria voz, já que Carvão integra a trilha da novela em gravação da compositora. É pouco ou quer mais?
 Ivete Sangalo não tem o prestígio de Daniela Mercury. Tampouco o vozeirão de Margareth Menezes. Mas é a rainha do carisma, meu rei! E, no reinado da axé music, somente a louraça Cláudia Leitte está conseguindo rivalizar em popularidade com ela. Mas Ivete joga pesado. E dá uma cartada decisiva ao lançar este mês CD gravado no Maracanã, em megashow realizado em 16 de dezembro (o DVD ficou para abril). A faixa inédita que puxa o disco, Completo, já está em alta rotação nas rádios. É o bônus do roteiro que inclui músicas gravadas com as participações de Buchecha, Samuel Rosa (!!), Alejandro Sanz e Saulo Fernandes. Ivete é populista e não joga para perder. Mas o babado, que não é novo, é que ela já começa a ficar com ciúme dos progressos de Cláudia Leitte, hoje em grande evidência na mídia. O jogo milionário do axé vai esquentar. Faça sua aposta!
Sou fã assumido das grandes comédias românticas. E, como acaba de entrar em cartaz nos cinemas brasileiros um filme do gênero cujo tema é música, mais especificamente o culto ao som dos anos 80, fui logo conferir. E não me arrependi! Letra e Música é original e divertida piada sobre o risível revival oitentista que vem resistindo ao tempo. Hugh Grant está hilário como Alex Fletcher, cantor de um grupo que fez sucesso nos anos 80, o Pop!. Já decadente, ele sobrevive justamente da onda nostálgica que acomete quem viveu aquela década. Toda a estética dos clipes da era MTV é reconstituída no filme com perfeição. Vale a pena ver! O riso é garantido!
 A foto acima flagra Toni Garrido com Zé Ramalho no estúdio em que Zé gravou seu novo álbum, Parceria de Viajantes, nas lojas no fim de março. Garrido e seus colegas do grupo de reggae Cidade Negra assinam com o compositor a inédita Chamando o Silêncio. O conceito do CD gira em torno de parcerias de Zé com compositores, cantores e músicos. Daí a extensa lista de nomes na ficha técnica do álbum: João Barone, Marcelo Bonfá, Paulo Ricardo, Daniela Mercury, Sandra de Sá, Pitty, Zélia Duncan (sempre ela...), Zeca Baleiro e Chico César.
Zé Ramalho tava mesmo precisando dar uma renovada na discografia. Este disco me parece que traz lufada de ar fresco em sua obra, ainda associada às mesmas músicas de seu estupendo início de carreira (Chão de Giz, Admirável Gado Novo, Avohai, Eternas Ondas etc...). Já passava da hora de virar o disco e fazer outra viagem.
 Sueli Costa está gravando um disco de músicas inéditas. Uma notícia animadora para quem, como eu, curte a música da compositora de Alma, Jura Secreta, Coração Ateu, Vento Nordeste, Amor É Outra Liberdade, Nenhum Lugar, Sabe de mim e tantas outras canções de refinada sensibilidade. A notícia fica melhor ainda quando se sabe que o CD vai trazer a voz de Nana Caymmi, convidada da Cantiga do Vento, de Sueli com Paulo Sérgio Henriques. Nana entende o universo da compositora como ninguém. E parece que o CD vai ter também as vozes de Simone e Bethânia, duas cantoras que já gravaram muitas músicas de Sueli. Sobretudo a Cigarra. Que este disco venha logo!
Caetano Veloso integra um seleto time de artistas estrangeiros que reverenciam Joni Mitchell - influente cantora e compositora canadense que transita por folk, rock e até jazz - em disco que reúne estrelas como Prince, Björk, Elvis Costello, k.d. Lang e James Taylor. O CD A Tribute to Joni Mitchell será lançado em 24 de abril. Caetano defende a música Dreamland, lançada pela artista em 1977 no álbum Don Juan's Reckless Daughter.
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