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| Mauro Ferreira |
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 A foto acima flagra o produtor Mario Caldato (à esquerda) com Pupilo, músico da Nação Zumbi. Foi tirada durante as gravações do novo álbum da banda pernambucana, Fome de Tudo, que chegará às lojas em outubro, marcando a estréia da Nação na gravadora carioca Deckdisc. Entre os convidados, há a cantora Céu e o compositor (também de Pernambuco) Junio Barreto, que ganhou alguma projeção em 2005 quando Gal Costa incluiu sua música Santana no CD Hoje (Maria Rita ia gravar a música, mas desistiu quando soube do registro de Gal). O repertório é totalmente inédito e inclui músicas como Inferno, Carnaval e Outra Bossa. Carnaval, a propósito, tem arranjo de Ademir Araújo, maestro da Orquestra Popular de Recife. Enfim,o disco promete. Até porque a Nação Zumbi conseguiu se impor na cena nacional e estrangeira na fase pós-Chico Science.
 Em Miami (EUA), onde foi uma das apresentadoras da lista de indicados ao 8º Grammy Latino, Daniela Mercury vai gravar nesta sexta-feira com o cantor e compositor dominicano Juan Luis Guerra (aliás, o recordista de indicações do Grammy). O dueto será feito numa versão em português de 'La Travesia', faixa do atual CD de Guerra. A gravação entrará na edição brasileira do álbum, nas lojas em novembro. Há quem não goste de Daniela, mas é inegável que a cantora baiana tem obtido crescente prestígio no exterior com seu som tropical.
Aos cariocas, uma dica: Luiz Melodia faz show no Canecão, somente nesta quinta-feira. O gancho é o lançamento de seu novíssimo CD, Estação Melodia, em que o bamba do Estácio faz um inventário afetivo dos sambas ouvidos na sua infância. Recomendo sem ter visto o show, pois o CD é excelente tanto pela divisão peculiar do intérprete quanto pelos arranjos, alguns calcados nos sopros, com percussão suave. É hoje só!
Chega a ser humilhante. Mais uma vez, o Brasil ficou à margem das premiações mais importantes do Grammy Latino. Na lista de indicados, divulgada esta semana em Miami, não há sequer um artista brasileiro nas categorias Gravação do Ano, Álbum do Ano e Canção do Ano. Apenas Ricky Vallen - cantor projetado no programa de calouros do apresentador Raul Gil - disputa o troféu de Revelação. E isso também chega a ser humilhante para o Brasil... Há um outro brasileiro em categorias gerais menos importantes. Ivete Sangalo disputa o Grammy de Melhor DVD por seu Multishow ao Vivo - Ivete no Maracanã. Caetano Veloso concorre na categoria Melhor Álbum de Cantor e Compositor com Cê com nomes como Jorge Drexler. Hamilton de Holanda também aparece em categoria de álbuns instrumentais. Mas, no geral, com essas e outras poucas exceções, os nossos artistas ficaram confinados às categorias dedicadas exclusivamente à música brasileira. Categorias cuja criação, aliás, somente contribuem para isolar o Brasil do resto da América Latina. Lamento que isso tenha ocorrido mais uma vez. Essa desqualificação do Brasil dilui a importância do Grammy Latino - a rigor, criado porque os latinos não têm muita vez na festa principal, a do Grammy americano, realizada em fevereiro. Lamento porque a música produzida no Brasil é considerada de primeiro mundo. E porque não entendo essa discriminação. Ou melhor, até entendo: a língua portuguesa torna o Brasil quase um alien no mercado latino, em que vigora o espanhol. Mas isso não justifica, por si só, a exclusão da música brasileira das categorias principais. E isso já virou triste tradição no Grammy Latino. É preciso repensar os critérios de votação e premiação.
Lançar DVDs com entrevistas do programa Ensaio virou fato recorrente no mercado fonográfico que a simples edição de um DVD da série já nem desperta curiosidade. Mas faço questão de abrir justa exceção para o DVD de Roberto Ribeiro (1940 - 1996) editado pela gravadora carioca Performance Music. Ribeiro foi um grande cantor de samba e saiu de cena antes da era do DVD. Na impossibilidade de ter um registro de show do intérprete no mercado, o DVD cumpre bem seu papel. Foi filmado em cores e traz entrevista concecida pelo artista em 29 de novembro de 1990 (o programa seria exibido somente em 1991). O bacana é que, entre o papo, há 19 números musicais. E Ribeiro tinha voz para encarar o microfone ao vivo, sem truques de estúdio. Recomendo.
Pode ser que esteja enganado, mas fontes me garantem que não deverá ser em 2007 que Roberto Carlos lançará seu esperado CD de inéditas. É fato que o Rei já voltou a compor com Erasmo Carlos e que tem intenção de lançar disco com repertório novo. Mas Roberto tem seu tempo todo próprio. E tudo indica que esse repertório não estará finalizado e gravado até o fim do ano. As mesmas fontes me dizem que a gravadora Sony BMG, escaldada, já trabalha com a possibilidade de lançar no Natal o registro ao vivo do show gravado por Roberto em Miami (EUA), em maio. É produto direcionado para o mercado externo, mas que poderá muito bem funcionar como o disco de fim de ano do cantor no próximo Natal. Quem viver, verá e ouvirá.
 Taí a capa do terceiro CD de Maria Rita, Samba Meu, nas lojas a partir de 14 de setembro em lançamento quase mundial. O disco sai simultaneamente em toda a América Latina, Estados Unidos, Portugal, México e Israel. Em outubro, será a vez do Reino Unido. Na capa, Maria Rita adota um visual de malandra fashion, com símbolos - como o chapéu - que remetem ao universo do samba.
Confesso que esperava mais do novo disco de Alcione, De Tudo que Eu Gosto. É certo que a Marrom nunca vai abandonar as baladas passionais que garantem a sua sobrevivência no mercado. E é fato também que, neste novo CD, elas não predominam, pois, como já antecipa o título, o repertório traduz o gosto eclético da intérprete. O problema é que a seleção de sambas não é tão boa quanto às de discos anteriores. Tem uma jóia, Laguidibá, que reluz orgulho negro em dueto de Alcione com Mart'nália. Tem também um samba do Sombrinha que é bom, Luz do Nosso Amor. Em compensação, Mangueira É Mãe não me contagiou, apesar de juntar Alcione e Falcão, do Rappa. A verde-e-rosa já mereceu sambas mais inspirados. Já Maria da Penha transita numa linha populista que dilui o interessante tema da letra:a violência contra a mulher. Enfim, o repertório é variado. De Tudo que Eu Gosto mistura reggae made in Maranhão (Guiné, Guiné), seresta (Marcas do Passado) e forró (Agarradinho). Só que não desce tão bem quanto os discos gravados por Alcione nos anos 70 e 80. Alcione pode mais. Muito mais. Justiça seja feita, contudo: a capa é das melhores da discografia da Marrom. Está mais clean, sem o tom over que caracteriza a produção visual da artista.
 Nunca tinha visto um show do Fundo de Quintal. Mas me animei de conferir a gravação dos novos DVD e CD ao vivo do grupo, no Canecão, na noite de sábado. E não me arrependi. Mesmo com as inevitáveis interrupções inerentes a uma gravação do gênero, o grupo mostrou segurança e raro entrosamento. Enfim, o Fundo armou seu quintal no Canecão e contagiou o público com sua fantástica cozinha e com um repertório de sucessos do samba. Entre eles, Meu Drama, Tiê, Coração Leviano e O Sol Nascerá. Zeca Pagodinho e Almir Guineto se juntaram ao sexteto e versaram no partido Mole que Nem Manteiga. E até Beth Carvalho, cuja participação não estava prevista, foi convidada a subir ao palco. A sambista botou a platéia de pé com Vou Festejar. Deve ir para os extras do DVD que sai ainda este ano.
 Confesso que acho cedo para Pitty lançar um DVD e CD ao vivo. Afinal, a roqueira tem apenas dois discos de estúdio. Mas admito também que gostei do título, (Des)Concerto, e da capa, que vocês podem conferir neste post. Gravado em 6 de julho, em São Paulo, o registro de show de Pitty estará nas lojas em 10 de setembro, via Deckdisc. No repertório, duas inéditas: Pulsos (eleita a música de trabalho) e Malditos Cromossomos.
Chega às lojas no início de setembro o CD Cê ao Vivo, com a gravação do show em que Caetano Veloso leva para o palco sua investida no indie rock. O DVD trará o show na íntegra. Já o CD reúne 17 faixas bem escolhidas, que não deixa o repertório ficar redundante em relação ao homônimo CD de estúdio. Eis as 17 músicas com seus respectivos anos de lançamento: 1. Outro (2006) 2. Minhas Lágrimas (2006) 3. Chão da Praça (1978) 4. Nine out of Ten (1972) 5. Um Tom (1997) 6. O Homem Velho (1984) 7. Homem (2006) 8. Ilusão à Toa (1959) / Amor Mais que Discreto (inédita) 9. Odeio (2006) 10. Como 2 e 2 (1971) 11. Sampa (1978) 12. Desde que o Samba É Samba (1992) 13. Não me Arrependo (2006) 14. London London (1971) 15. Fora da Ordem (1992) 16. Rocks (2006) 17. You Don't Know me (1972)
 Samba Meu é o título do terceiro CD de Maria Rita. É um nome meio óbvio para um CD de sambas, mas que já anuncia a intenção da cantora de fazer um samba dela, ou seja, sem seguir a receita que se espera de um disco do gênero. Pela faixa Tá Perdoado, já enviada às rádios, já deu para sentir que Rita canta samba sem sair de seu estilo. O CD sai no início de setembro. Eis as 14 músicas: 1. Samba Meu 2. O Homem Falou (Gonzaguinha) 3. Maltratar, Não É Direito 4. Num Corpo Só(Arlindo Cruz e Picolé) 5. Cria 6. Tá Perdoado (Arlindo Cruz e Franco) 7. Pra Declarar Minha Saudade 8. O Que É o Amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho) 9. Trajetória 10. Mente ao meu Coração (Francisco Malfitano) 11. Novo Amor(Edu Krieger) 12. Maria do Socorro(Edu Krieger) 13. Corpitcho 14. Casa de Noca
 Mônica Salmaso estava nervosa na sua estréia no Canecão. E revelou isso ao público logo no começo do show em que apresentou o repertório do disco Noites de Gala, Samba na Rua - dedicado ao repertório de Chico Buarque. No fim do show, quando apresentou os músicos do grupo Pau Brasil num repente que contagiou a platéia, Salmaso já era outra. Ela já tinha vencido o nervosismo e, com sua voz cálida, que mais parece um instrumento, seduziu o público com fina musicalidade e até algumas histórias bem-humoradas. Foi um belo show. A casa cheia reafirmou o acerto do Canecão de promover shows com preços mais acessíveis (R$ 30) e em horário mais cedo (20h30m). E Salmaso, que nunca foi cantora de grande presença no palco, mostrou boa evolução em cena. Que volte logo ao Rio!
 Por e-mail, Cida Moreira me conta, entusiasmada, detalhes do disco dedicado ao repertório de Cartola que está finalizando em São Paulo. Tudo por conta do centenário de nascimento do compositor, a ser festejado em 2008. Cida é cantora bem interessante e, mesmo sem ter visto, recomendo aos paulistas o show que ela está apresentando em Sampa com músicas de Tom Waits. Em seu tributo ao genial autor, Cida não se limitou a cantar os clássicos de Cartola. Eles estão, claro, no disco, mas a intérprete pesquisou e incluiu músicas bem pouco conhecidas do mestre. Entre elas, Que Infeliz Sorte (lançada por Francisco Alves em fim dos anos 20) e a ruralista Feriado na Roça. Boa parte do repertório mais obscuro vem de dois discos lançados por Cartola em 1977 (70 Anos) e 1979 (Verde que te Quero Rosa), obras-primas que não mereceram a atenção dos dois primeiros álbuns do compositor, de 1974 e 1976.
Uma das cantoras que mais admiro, Vânia Bastos está lançando seu primeiro DVD, Tocar na Banda, editado também no formato de CD pela gravadora Dabliú Discos. Vânia é mais conhecida em São Paulo, onde se projetou na década de 80 como vocalista da banda de Arrigo Barnabé, mas há muito extrapolou a fronteira da vanguarda paulista. Nesta gravação ao vivo, ela faz um resumo de seus 20 anos de coerente carreira solo. Eu particularmente gosto da parte final do show, quando a cantora apresenta um repertório mais descontraído. A Vizinha do Lado, o samba de Caymmi hoje mais associado a Roberta Sá, já é cantado por Vânia em shows há mais de 15 anos. Assim como Frou-Frou , delícia carnavalesca da lavra de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Recomendo.
 Fui rever no sábado o show de Maria Bethânia, Dentro do Mar Tem Rio, que se despede do Canecão neste domingo. Era o primeiro dos dois dias de gravação do DVD e do CD ao vivo que vão registrar o espetáculo para a posteridade. E posso garantir: a apresentação foi majestosa e superou - muito - a reestréia carioca da penúltima sexta-feira, 10 de agosto. Bethânia estava especialmente inspirada. O show, como já disse na crítica postada na sexta-feira, é um dos melhores da trajetória cênica da intérprete e merecia mesmo um registro em DVD. E em CD, pois o som de um CD tem lá seus próprios encantos... Que chegue logo às lojas!
Intérprete emotiva, vocacionada para o palco, Maria Bethânia grava no Canecão, no sábado e no domingo, o show Dentro do Mar Tem Rio. O registro ao vivo - que vai ter direção de Andrucha Waddington - sai até o fim do ano em CD e em DVD via Biscoito Fino. Estreado em São Paulo, em 10 de novembro de 2006, Dentro do Mar Tem Rio incorporou ao roteiro, nesta nova temporada carioca, músicas como Você, (Roberto e Erasmo Carlos) O Nome da Cidade (Caetano Veloso), Sábado em Copacabana (um hit no show por conta da popularização do samba-canção de Caymmi na abertura da novela Paraíso Tropical) e Sob Medida. A inclusão dessas músicas mais populares não alterou a essência do show, um dos mais belos da carreira de Bethânia. E um dos poucos que exibe uma costura e um enredo realmente novos, sem números extraídos de Rosa dos Ventos (1971), espetáculo-marco na trajetória da cantora nos palcos. O mote do roteiro foram os dois álbuns temáticos sobre as águas lançados por Bethânia em novembro, Pirata e Mar de Sophia. Em majestosa forma vocal, sua Alteza reina soberana nos dois atos à frente de painel - idealizado pelo diretora Bia Lessa - em que são projetados símbolos dos mares e dos rios. E, dentro do mar de Bethânia, tem músicas românticas (Você, extraída do CD dedicado ao repertório de Roberto Carlos, ratifica sua habilidade de enobrecer canções sentimentais), músicas de tom ruralista (A Saudade Mata a Gente), frevos, sambas de roda e cantigas folclóricas. E a intérprete carrega a platéia na sua correnteza de emoção. Em roteiro marcado pelo sincretismo religioso, com temas que louvam orixás e santos católicos, Bethânia joga sua rede no palco e pesca a platéia já na entrada, com Canto de Nanã, do mestre Dorival Caymmi. Em cartaz no Canecão somente de hoje a domingo, o show tem ritmo e nuances. Se o diretor Andrucha Waddington não se limitar a filmá-lo burocraticamente, o DVD vai poder perpetuar, por exemplo, a interação do público com a artista na música Sereia de Água Doce, de Vanessa da Mata. Enfim, é um show lindo e intenso (Ultimatum, texto de 1917, de Álvaro de Campos, é dos mais fortes já ditos pela artista em cena). A força das águas de Maria Bethânia nunca seca...
Aos cariocas fãs de Sueli Costa, uma boa notícia: a compositora faz show na próxima terça-feira, dia 21, às 19h30m, na Sala Baden Powell, em Copacabana, para lançar oficialmente seu CD Amor Blue. Sueli está completando 40 anos de carreira e vai ganhar em 2008 um tributo de Maria Bethânia, a ser editado pelo selo Quitanda.
 Taí a capa do novo disco do Djavan, Matizes. Leva a assinatura do artista plástico Muti Randolph. Nas lojas em setembro com 12 inéditas do compositor.
A assessoria de imprensa de Djavan começou a soltar esta semana informações sobre o novo disco do cantor. O CD, que estará nas lojas em setembro, se chama Matizes. Nesta quinta, as rádios que tocam MPB deverão receber o primeiro single do álbum, Pedra. Trata-se do terceiro título da discografia do artista editado por sua própria gravadora, Luanda Records. E os tempos já são outros. Depois de um período de grande sucesso comercial no fim dos anos 90 (superior até ao seu boom do início da década de 80), Djavan voltou a fazer trabalhos para um público mais reduzido, porém fiel. Este público aguarda ansiosamente o lançamento de Matizes. Que apresentará 12 inéditas do compositor.
 Dentre os CDs que ouvi e resenhei na última semana, o terceiro disco solo de Clara Sandroni - o primeiro desde o álbum gravado em 1989 pela Kuarup - me despertou especial atenção. Cassiopéia é um trabalho que prima pela delicadeza, pelo minimalismo. E o repertório foge totalmente do óbvio - aliás, essa fuga da mesmice é recorrente na discografia de Clara. Mas ela se supera neste que é um de seus mais belos trabalhos. Cassiopéia reúne músicas de autores que vivem à margem do que se convencionou chamar MPB: Mathilda Kovak, Luiz Tatit, Ivan Zigg, Maria Olivia, Carlos Fuchs. A faixa-título é linda canção do repertório do cubano Silvio Rodriguez, inspirado compositor presente na discografia da artista desde o começo. Enfim, recomendo com entusiasmo.
Depois de série de DVDs documentais, Chico Buarque lança, enfim, vídeo centrado no que sabe fazer de melhor: música. Nas lojas na próxima semana, o DVD Carioca ao Vivo registra de forma sóbria um show menos sóbrio, quase linear. Se o DVD foi filmado pelo diretor André Horta em São Paulo, em outubro de 2006, o CD homônimo — já nas lojas há duas semanas — teve áudio captado no Canecão, em fevereiro de 2007, e misturado ao de São Paulo. As diferenças são imperceptíveis. Até porque Chico não é de falar, improvisar ou fazer gracinhas em cena. O roteiro de 33 números é bem amarrado, sem concessões para hits (somente no bis é que entraram sambas mais empolgantes, como Quem te Viu, Quem te Vê, não por acaso acompanhado em coro forte, espontâneo e imediato pelo público). Sem perder tempo com closes na platéia (defeito de muitos DVDs), Horta conseguiu captar a interação do cantor com os músicos de sua banda. E isso conta muito, pois Carioca foi quase um recital, de caráter mais frio, concebido para ser contemplado. Não houve o tom esfuziante do show Paratodos (1994), por exemplo. Nesse sentido, Carioca parece moldado para ser apreciado em DVD, já que a participação do público, a rigor, ficou restrita ao bis. Para colecionadores da discografia de Chico, Carioca ao Vivo apresenta algumas músicas até então nunca cantadas e gravadas ao vivo pelo autor. Entre elas, Mambembe (1972), Bye Bye Brasil (1979) e Morena de Angola (1980). Sem falar em Voltei a Cantar, o samba que Lamartine Babo compôs para saudar a volta de Mário Reis (1907 - 1981) à cena em 1939. Foi o número de abertura do show - a senha que sinalizava a volta de Chico à música depois de período dedicado à literatura. A propósito, o compositor nunca foi de fazer muitos shows. Carioca não é o melhor deles. Mas somente o fato de ser um show de Chico Buarque já justifica o registro ao vivo em CD (duplo, com o roteiro integral) e em DVD. E, vindo sem batido tom documental, a gravação ficou melhor ainda...
Vocalista do grupo Detonautas, Tico Santa Cruz venceu a 1ª edição do Prêmio Tudo de Bom (do jornal O DIA) na categoria Personalidade. Na cerimônia que aconteceu ontem à noite, na casa Estrela da Lapa, Tico chamou ao palco os outros dois finalistas (Lucinha Araújo e Renato Moreira, pai da doméstica agredida por jovens cariocas de classe média alta), saudou Cazuza e interpretou O Tempo Não Pára, uma das músicas mais corrosivas do Exagerado. Foi talvez o mais belo momento da noite. A tragédia que se abateu sobre o Detonautas - o assassinato do guitarrista Rodrigo Netto, num assalto no bairro do Rocha - desenvolveu em Tico um sentimento de indignação e a determinação de protestar pelo que considera errado no Brasil. E lá está ele, quase todos os dias, nos jornais a anunciar um protesto ou a idéia de uma nova campanha pela moralização da sociedade. Tico Santa Cruz virou mesmo uma personalidade. TDB!
 Tem um novo CD do Pato Fu no mercado. Por enquanto, apenas na internet, por R$ 9,90 (ou R$ 0,99 a faixa), mas em breve nas lojas convencionais. O disco se chama Daqui pro Futuro, tem uma bela capa (que pode ser conferida aí em cima) e - mais do que isso - mostra que um grupo pode entrar em sintonia com os novos modelos de comércio de música sem medo de ser feliz. O grupo de Fernanda Takai e John Ulhoa conseguiu produzir o CD com custo reduzido e - nada mais justo - barateou seu preço final para o consumidor, incentivando o download pago e buscando novos canais de comunicação. O futuro já é hoje. E o Pato já parece adequado a ele.
A Warner Music e a Indie Records anunciaram nesta segunda-feira uma parceria retroativa a 1º de agosto. Pelo acordo, a Warner passa a representar, em caráter mundial, todos os produtos da Indie. Em bom português, a Indie Records tenta se segurar no mercado (que afunda cada vez mais) nos braços de uma gravadora multinacional. A parceria vai ser posta em prática já com o novo CD de Alcione, De Tudo que Eu Gosto, nas lojas nos próximos dias.
Teresa Cristina é a nova contratada da gravadora EMI Music. A cantora - projetada no fim dos anos 90 no circuito de bares e casas de samba da Lapa, tradicional bairro da boemia carioca - vai lançar seu quarto CD pela multinacional de origem inglesa. Teresa pertencia ao elenco da Deckdisc.
 De Tudo que Eu Gosto é o título do disco de inéditas que Alcione vai lançar em breve pela gravadora Indie Records. Além do CD, a Marrom preparou um DVD com a maioria das músicas deste novo trabalho. A primeira faixa a ir para as rádios, ainda em agosto, é Perdeu, Perdeu!. O repertório mistura samba, balada, reggae e até forró. Eis as 14 faixas do 33º álbum de Alcione:
1. Perdeu, Perdeu! (Chico Roque e Sérgio Caetano) 2. Mangueira É uma Mãe (Serginho Meriti) - com Falcão, do grupo O Rappa, e ritmistas da Mangueira 3. Entre a Sola e o Salto (Gilberto Gil) - com participação de Gilberto Gil. A faixa não entrou no DVD. 4. Maria da Penha (Paulinho Resende e Evandro Lima) 5. Laguidibá (Nei Lopes, Magnu Souza e Maurílio de Oliveira) - com participação de Mart'nália 6. Como da Primeira Vez (Jefferson Junior, Xandinho e Diego Luciane) 7. Luz do Nosso Amor (Sombrinha, Rubens Gordinho e Nilton Barros) 8. 300 Anos de Zumbi (Altay Veloso) 9. Eu te Procuro (Dema Silvão e Francisco do Pagode) 10. Marcas do Passado (Senhor Homero) 11. Laço de Cobra (Nilton Barros) 12. Quando o Amor Bater na Porta (Altay Veloso) 13. Guiné, Guiné (Ronaldo Pinheiro, Gerude e Sérgio Habibe) 14. Agarradinho (Telma Tavares e Roque Ferreira)
 A gravadora Warner Music acabou de liberar um trecho da música que puxa o disco de sambas de Maria Rita. O samba se chama Tá Perdoado e chegará às rádios em 7 de agosto. O compositor é Arlindo Cruz.
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 Embora não seja inteiramente original, a trilha nacional da novela Sete Pecados — já nas lojas em CD editado pela gravadora Som Livre — é valorizada pelo fato de reunir músicas feitas sob encomenda para a história de Walcyr Carrasco. Nomes como Lenine, Eduardo Dussek e Cláudio Zoli fizeram e gravaram composições inspiradas nos sete pecados capitais — motes da trama. O resultado é irregular, mas dá à trilha status já raro no gênero. Os destaques são justamente os citados Lenine, Zoli e Dussek. Com o parceiro Lula Queiroga, Lenine condensa todos os pecados em Não Faz Mal a Ninguém, tema que exibe o suingue típico dos autores. Com um balanço mais tropical, Dussek prova em Gula que sua parceria com Luiz Carlos Góes continua afiada. A letra tem o humor que consagrou a dupla nos anos 80. Já Zoli põe o habitual acento funk/soul em Ira (A Lira da Ira). Infelizmente, há também músicas que parecem concebidas em laboratório sem a alma de um compositor. É o caso de Contrato Assinado, o tema da inveja, criado por Mú (com Dudu Falcão) e cantado pela insossa Deborah Blando (a cantora consegue ser pior do que a música). Vaidade, outra de autoria de Dudu Falcão, ainda é realçada pelo suingue ímpar de Luciana Mello. Mesmo ainda na cola do estilo de Ana Carolina, Isabella Taviani apresenta uma de suas melhores composições, Luxúria. Que já existia, a exemplo de Carne e Osso — a parceria de Zélia Duncan e Moska ouvida na abertura da novela, na voz de Zélia — e de Exaustino, samba delicioso em que Zeca Pagodinho traça o perfil do preguiçoso personagem-título. São músicas legais que se encaixaram perfeitamente no tom da trama. E como os anjos também povoam o enredo da novela, Fábio Jr. regravou (muito mal...) Anjo, sucesso do Roupa Nova em 1983. E o próprio Roupa Nova reedita os harmoniosos vocais dos grupos de doo wop típicos dos anos 50 em Um Anjo Muito Especial, versão de My Special Angel. Enfim, uma boa trilha pelos pecados originais.
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