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Mauro Ferreira

Domingo, 30 Setembro, 2007

Documentário sobre Mercury é careta, mas interessante

Para um filme que conta a vida de um artista original e espalhafatoso como Freddie Mercury, o documentário exibido no Festival do Rio na noite de sábado - The Untold Story ou A Verdadeira História de Freddie Mercury - tem uma estrutura bem tradicional, quase careta. Mas é interessante. Porque o diretor, que estava presente na seção e fez longo discurso antes da exibição, teve acesso a um bom material de arquivo (ele trabalhou com o cantor durante muitos anos) e fez um trabalho de pesquisa bem legal. Sobretudo em relação à infância do astro, passada na Índia. Há cenas raras dos primeiros grupos de Mercury. E somente a seqüência de imagens da festa louca com que o astro celebrou seus 39 anos já vale o documentário. Será que entra em cartaz?

Daqui a pouco, tem o filme sobre Ian Curis. Estarei lá na concorrida sessão das 23h30m, no Espaço de Cinema 1.

Sábado, 29 Setembro, 2007

Zélia e Simone gravam disco juntas em São Paulo

Foto de Mauro Ferreira
Paulistas, ponham na agenda: Simone e Zélia Duncan vão, enfim, gravar o show que estão fazendo juntas desde agosto de 2006. A gravação vai rolar em Sampa, no Auditório Ibirapuera, em 12 e 13 de outubro. Aliás, a dica serve também para cariocas que queiram aproveitar o feriadão em São Paulo. Já vi o show e garanto que vale a pena pegar a ponte aérea: Simone e Zélia harmonizam seus repertórios e estilos com elegância. E que repertório! Adorei particularmente a inclusão de Vento Nordeste, pérola de Sueli Costa que Simone gravou no álbum Pedaços, de 1979, mas que tinha ficado esquecida. Para a edição em CD e DVD, o show recebeu o título de Amigo É Casa, nome de choro de Capiba, letrado por Hermínio Bello de Carvalho. Simone está em forma.

Dica de cinema para cariocas: passa hoje no Festival do Rio, às 23h45m, o documentário A Verdadeira História de Freddie Mercury. Vou conferir. Amanhã, domingo, às 23h30m, é a vez do filme sobre a vida curta de Ian Curtis, o atormentado líder do Joy Division. Imperdíveis!

Sexta-feira , 28 Setembro, 2007

Pop nativo vai mal a julgar pelos prêmios do VMB 2007

Foto de Caetano Barreira / Agência Argos
Se a música pop produzida no Brasil fosse a premiada pela MTV, estaríamos muito mal na foto. Rolou ontem à noite a premiação do VMB 2007. Mais uma vez, Pitty saiu vitoriosa de um evento da MTV. O vídeo de Na Sua Estante, dirigido por Sérgio Filho, faturou o troféu de Clipe do Ano. Nada contra o vídeo em si, mas a MTV superestima Pitty além da conta. Mas o que dizer do prêmio de Artista do Ano ter ido parar nas mãos dos músicos do grupo NX Zero???!!! E da vitória do grupo Fresno na categoria Revelação, derrotando a cantora Mariana Aydar??? Fala sério! Mas os prêmios não deixaram de ser coerentes com a mentalidade da emissora. Tanto que o troféu de Aposta MTV ficou com o grupo Strike. Não, definitivamente, o melhor pop brasileiro não está representado no VMB 2007. Eis os vencedores:
Clipe do Ano - Na sua Estante (Pitty)
Artista do Ano - NX Zero
Hit do Ano - Razões e Emoções
Revelação - Fresno
Aposta MTV - Strike
Show - Cachorro Grande
Artista Internacional do Ano - Red Hot Chili Peppers
Vc Fez - Na sua Estante (por Gabriel Alves)
Web Hit - Vá Tomar no Cu
Banda dos Sonhos - Pitty (voz), Champignon (baixo), Fabrizio Martinelli (guitarra) e Japinha (bateria).

Quinta-feira, 27 Setembro, 2007

Elza Soares é mesmo dura na queda...

Foto de Mauro Ferreira Emoldurada por belo cenário de Nelson Raimundo, Elza Soares deu show de garra ontem à noite no Canecão. A cantora estava derrubada por uma virose, mas, dura na queda, resolveu fazer o show assim mesmo. Beba-me não é o melhor show de Elza, mas põe a serviço de sua voz resistente uma produção bacana com que nem sempre a Mulata Assanhada pôde contar em seus quase 50 anos de carreira. O roteiro prioriza sambas gravados por ela em várias épocas. A única música inédita em sua voz é o Rap da Felicidade. Qualquer que seja o repertório, no entanto, a simples presença de Elza em cena já é garantia de boa diversão. E, por isso mesmo, vale saudar a gravadora Biscoito Fino por editar o DVD do show Beba-me. Até porque é o primeiro DVD de Elza.

Quarta-feira, 26 Setembro, 2007

Elza supera os 70 anos com garra, força e vitalidade

Capa do CD 'Beba-me' Daqui a pouco, vou assistir ao show de Elza Soares, Beba-me, no Canecão. A apresentação badala o lançamento do CD e do DVD homônimos, gravados ao vivo em São Paulo. Ainda irei comentá-los. O que não quero deixar passar em branco é o erro de que a cantora tem apenas 70 anos, perpetuado em todas as reportagens publicadas nesta quarta-feira para divulgar o show no Canecão. A Mulata Assanhada certamente já passou dos 70. Há quem diga que teria nascido em junho de 1930 e teria, portanto, 77 anos. Elza não assume a idade, seja ela qual for. E está no seu direito. O que importa é que poucas cantoras no mundo chegam a essa idade com tanta vitalidade, com tanta voz e com tanta garra. A vida pregou muitas peças em Elza, mas ela é dura na queda. Sua idade é a prova de sua força. Tenha ela 70, 74 ou 77 anos...

Terça-feira, 25 Setembro, 2007

Discos em espanhol del Rey são mimos para fãs

Fotomontagem de Rodrigo Amaral
Primeira das três caixas que vão apresentar ao Brasil a vasta obra internacional de Roberto Carlos, Pra Sempre - Em Espanhol - Vol. 01 reúne reedições dos primeiros 11 álbuns feitos pelo Rei para o (rico) mercado de língua hispânica, explorado pelo cantor pela primeira vez em 1964, com a gravação de Roberto Carlos Canta a la Juventud, LP editado no exterior em 1965 no auge da Jovem Guarda. Este título - a rigor, a versão em castelhano do álbum brasileiro É Proibido Fumar - é o único que já havia sido reeditado em CD no mercado nacional. Os outros dez discos eram até então inéditos no Brasil - o que aumenta o valor documental da coleção. Indicada somente para colecionadores, aliás, a caixa Pra Sempre - Em Espanhol - Vol. 01 ratifica a força da obra romântica do Rei nos anos 70. Foi escorado em seu belo e sedutor cancioneiro sentimental (até então de excelente nível melódico e sem as apelações das décadas seguintes) que o cantor ampliou e consolidou seu reinado hispânico, fazendo frente a Julio Iglesias.
A propósito, Roberto Carlos somente começou a reinar - efetivamente - na América Latina nos anos 70. A partir de 1972, o artista passou a gravar regularmente em espanhol, fazendo versões em castelhano dos álbuns que lançara no Brasil no ano anterior. No começo, os álbuns espanhóis não eram reproduções fiéis dos discos gravados para o Brasil. Às vezes, mudava até o título - caso de Un Gato en la Oscuridad (1972), batizado com a versão em castelhano de música (Un Gatto Nel Blu) que ajudara a popularizar a figura de Roberto na Itália, mas centrado no repertório do álbum de 1971 (o que trouxe Detalhes e Amada Amante). Caso também de El Dia que me Quieras (1974), cujo nome reproduzia o título do tango (transformado em bolero) de Carlos Gardel já incluído por Roberto Carlos no repertório de seu álbum brasileiro de 1973.
Era comum também, nestes primeiros álbuns, a inclusão de uma ou outra música que tinha marcado a carreira do artista nos anos 60. En Español (1973), a rigor a versão do álbum brasileiro de 1972, incorpora a gravação em castelhano de As Flores do Jardim da Nossa Casa, jóia de 1969. Já Quero Verte a mi Lado (1975), versão do disco nacional de 1974, teve adicionado ao repertório as canções Como Es Grande mi Amor por Ti e El Tiempo Borrara, traduções literais de Como É Grande o meu Amor por Você (1967) e O Tempo Vai Apagar (1968), respectivamente.
A partir do LP En Español (1977), versão do álbum nacional de 1976 (o que trouxe O Progresso), os repertórios passariam a ser quase idênticos. Ainda assim, com seu espanhol correto, contudo nunca de fato desenvolto, Roberto Carlos volta e meia iria gravar faixas exclusivas para LPs do mercado hispânico. Seu registro do bolero Me Vuelves Loco, por exemplo, é um trunfo exclusivo do álbum Roberto Carlos en Castellano (1981). O cantor nunca gravou o bolero - nem português, nem em espanhol - para seus LPs do Brasil. Detalhe: o bolero faria sucesso no Brasil no ano de 1981 na voz de Elis Regina, em versão intitulada Me Deixas Louca. Foi o último sucesso da Pimentinha.
Para os súditos, vale informar que - seguindo o padrão gráfico das quatro caixas anteriores da coleção Pra Sempre - os 11 discos em espanhol foram embalados em graciosas miniaturas das capas dos LPs originais. São mimos para os fãs de sua majestade el Rey.

Segunda-feira, 24 Setembro, 2007

Impressões da Jamaica pelo telão

Miséria é miséria em qualquer canto. Este verso lapidar dos Titãs me veio à mente ao assistir, no Festival do Rio, o documentário Made in Jamaica, que, a partir do covarde assassinato de um dançarino, Bogle, traça painel da atual cena de reggae em Kingston, capital mundial do ritmo propagado por Bob Marley. Por conta da miséria e da injustiça social, a violência está disseminada na Jamaica. Mata-se e morre-se com facilidade. Em determinado depoimento do filme, cuja narrativa é costurada com números musicais, alguém fala do perigo cotidiano de ser vítima de uma bala perdida. Outro se queixa da violência da polícia... Enfim, miséria é miséria em qualquer canto. No Rio ou em Kingston. Confira Made in Jamaica.

Domingo, 23 Setembro, 2007

As boas estréias cariocas de Paula e Vanessa

Foto de Mauro Ferreira
Fim de semana muito movimentado! Além do Festival do Rio (amanhã passa o documentário Made in Jamaica, sobre a atual cena musical da capital mundial do reggae), rolaram as estréias cariocas dos novos shows de Vanessa da Mata (Sim, no Canecão, até este domingo) e Paula Toller (SóNós, no Vivo Rio, também somente até hoje). Assisti aos dois e gostei de ambos. Na sexta, Vanessa da Mata surpreendeu com um show quente em que mostrou que está evoluindo muito em cena. A cantora tímida do início da carreira parece estar mais segura. Já na entrada ela rodopia pelo palco do Canecão ao som de Baú, uma das inéditas de seu terceiro disco, cujo repertório Vanessa apresenta inteiro no palco. Pena que ela cometeu a ousadia de cantar o samba Juízo Final quase a capella, somente com os toques eventuais da cuíca de Marcos Lobo. Na estréia, na sexta-feira, Vanessa desafinou além da conta. Particularmente, não sou do time dos que cobram afinação absoluta de cantoras (fosse assim, não seria grande e fiel admirador de Maria Bethânia...), mas Vanessa extrapolou um pouco. Ainda não é hora de cantar quase a capella... Mas o show é bom - aliás, o melhor da artista - e merece uma conferida. Inclusive pela banda, que destaca a guitarra de Davi Moraes.
Foto de Rodrigo Amaral
No sábado, foi a vez de Paula Toller apresentar aos cariocas na casa Vivo Rio seu primeiro show solo, SóNós, baseado no repertório de seu segundo disco individual. Amei o disco e gostei muito do show. Paula, que entrou em cena com suas belas pernas à mostra, soube seduzir o público, com direito a algumas surpresas - como Mamãe Coragem (música da fase tropicalista de Caetano Veloso, letrada por Torquato Neto e gravada também por Gal Costa) e Saúde, hit de Rita Lee em 1981 que Paula entremeou com o refrão de Só Love, sucesso da dupla Claudinho & Buchecha. Ela ainda sentou em cima do piano para entoar a balada Grand' Hotel, do repertório de seu grupo, Kid Abelha. Teve gente que prestou atenção mais nas pernas da cantora (em forma, aos 45 anos) do que nas músicas. Mas o fato é que ambas mereceram as atenções da platéia que lotou a casa. Paula estava visivelmente feliz ("É uma sensação maravilhosa fazer o que tem vontade, na hora em que se tem vontade", disse em cena). E deixou seu público feliz. O vôo solo da Abelha é bacana. Se puder, vá hoje ao show.

Sábado, 22 Setembro, 2007

Mutantes não fazem sentido sem Arnaldo Baptista

Divulgação / Sony BMG Rita Lee deve estar rindo à toa... Um dia depois de Zélia Duncan anunciar sua saída dos Mutantes, foi a vez de Arnaldo Dias Baptista vir a público comunicar que também está fora do grupo. Ou seja, sem Zélia, os Mutantes ainda seriam Mutantes. Mas, sem Arnaldo, a reunião deixa de fazer sentido. Particularmente, gostei do show do quarteto. Claro que não se podia reeditar a magia de uma época (os anos 60) realmente... mágica para quem a viveu (e eu, nascido em 1965, não vivi a efervescência daqueles tempos). Mas o fato é que, contra todos os prognósticos pessimistas, o show era bom do ponto de vista musical. Até porque o repertório era antigo e os arranjos tinham sido clonados das imbatíveis gravações originais. O revival funcionou, mesmo sem Rita, e deu oportunidade às novas gerações de ver Arnaldo em cena nos Mutantes. Parecia um sonho. Mas o sonho acabou. E, particularmente, acho que o guitarrista Sérgio Dias Baptista deveria repensar sua idéia de levar o grupo adiante sem Arnaldo. Sem Arnaldo, os Mutantes não são os Mutantes. Mesmo que conservem o nome do grupo...

Sexta-feira , 21 Setembro, 2007

Música no cinema

O Rio já está em clima de Festival do Rio. E aviso aos navegantes cinéfilos que há vários filmes que enfocam ritmos e astros da música. Há um documentário sobre a atual cena de reggae da Jamaica. Outro sobre a vida de Freddie Mercury. E ainda um filme de ficção sobre a vida de Ian Curtis, o vocalista suicida do Joy Division. Pretendo ver os três. Aguardem considerações sobre eles.

Quinta-feira, 20 Setembro, 2007

Zélia deixa o posto de vocalista dos Mutantes

Divulgação / Sony BMG
Zélia Duncan deixou a função de vocalista dos Mutantes. Em comunicado oficial, a cantora alegou que precisava cuidar de sua carreira solo e se derramou em elogios aos colegas de banda. Não se sabe se, com a saída de Zélia, o prometido disco de inéditas do grupo vai continuar de pé. O fato é que a participação de Zélia nos Mutantes soou bem discreta. Sua voz potente não foi aproveitada a contento por Sérgio Dias Baptista e Cia. Seja como for, eis a nota escrita pela substituta de Rita Lee:
"Pois é, estou me retirando dos Mutantes, pelos motivos mais legítimos do mundo. Minha carreira, meus movimentos como artista solo , que sempre fui. A experiência foi incrível. O improvável aconteceu ali, apesar de um monte de previsões duvidosas, eles acreditaram em mim e vice-versa e juntos vivemos emoções e realizações inesquecíveis. Algumas registradas, outras guardadas nas compilações internas , aquelas que vão pra onde eu for junto comigo.
Acredito que a hora de me retirar seja tão importante quanto foi aquele encontro mágico com Sérgio na porta daquele estúdio.
Fez um bem enorme pra minha carreira, pra minha vida e para as minhas futuras coragens. Eu que sempre quis me sentir banda, fui parar no olho do furacão! E adorei! Obrigada Sérgio , Arnaldo e Dinho, por me deixarem ser ali, junto com vocês, enquanto durou…pra sempre! Ainda nem sinto meus pés no chão…
Obrigada ao público dos Mutantes que me recebeu e compreendeu minha posição ali. Obrigada ao meu público por ter comparecido e se divertido comigo. Tô bem aqui do lado, sempre procurando na música um sentido pra mim.
Valeu, valeu muito mais do que eu poderia imaginar!". Zélia Duncan

Quarta-feira, 19 Setembro, 2007

Edições especiais festejam 30 anos de 'Embalos'

Capa da edição especial do DVD 'Os Embalos de Sábado à Noite' Em 1977, o mundo ocidental seguiu os passos de dança de Tony Manero, jovem balconista do Brooklyn que dava a volta por cima na discoteca, na pele do ator John Travolta, o protagonista do filme-ícone Os Embalos de Sábado à Noite - o marco áureo da era da disco music. Para marcar os 30 anos da estréia do filme, a Warner Music vai relançar o álbum com a trilha sonora - assinada pelo trio Bee Gees com megahits como Night Fever e Staying Alive - e a Paramount vai pôr no mercado o DVD com a Edição Especial de Aniversário do filme, definidor de uma estética disco music que foi copiada e propagada no Brasil pela novela Dancin' Days. Entre os extras, há comentários do diretor John Badham, a discopédia dos anos 70 (a rigor, um guia para entender a música e o comportamento da década) e aulas de dança à moda de Travolta com John Cassese. Tudo no embalo das comemorações pelos 30 anos de um marco da cultura pop.

Terça-feira, 18 Setembro, 2007

Djavan fez um disco para quem gosta de Djavan

Divulgação / Marcelo Faustini A chegada da música Pedra às rádios - em 7 de agosto - tinha dado o sinal de que Matizes, 18º título da coesa discografia de Djavan, era mais do mesmo na obra do compositor. Um mesmo bem refinado, diga-se, que ostenta a assinatura original do autor. A audição do álbum não desfaz a impressão. Djavan repete tons e cores de sua música em disco trivial que alterna altos e baixos no repertório exclusivamente autoral (não há sequer um parceiro...).
Joaninha - a canção que abre o disco, urdida com leves distorções da guitarra de Max Viana - é o maior destaque da safra irregular de 12 inéditas. É linda música que reitera cânones da obra do artista. Menos pop do que Bicho Solto - o XXIII (1998) e menos forte e nordestino do que Milagreiro (2001), Matizes apresenta alguns sambas. Uns mais tradicionais, como Delírio dos Mortais, criado para exaltar o Rio de Janeiro - a cidade em que reside o migrante alagoano desde os anos 70. Outros de estrutura mais inventiva - caso do samba que dá nome ao disco e no qual a guitarra de Max desempenha bem o papel harmônico normalmente assumido pelo cavaquinho. Nesta faixa, e em músicas como Mea Culpa e Azedo e Amargo, (re)aparecem os metais na obra de Djavan. É tonalidade peculiar de Matizes - CD feito e editado de forma independente.
Para quem gosta de Djavan, músicas como Fera e Por uma Vida em Paz (a sua típica balada de eventual contorno jazzístico) vão descer bem. O que não caiu nada bem - mesmo para fãs - é a letra panfletária do samba Imposto, em que o compositor chega quase a constranger com versos que protestam de forma pueril contra a alta carga tributária imposta aos brasileiros. Djavan soa bem mais inspirado quando faz letras urdidas com palavras escolhidas mais pela musicalidade do que por seu sentido literal. É o que pede sua obra urdida com afiado e raro senso rítmico e, nesse sentido, com exceção de Imposto, Matizes não desbota as cores da música do autor de Azul e Lilás. Mas também não altera sua usual tonalidade.

Domingo, 16 Setembro, 2007

A emoção e o prazer de ver Bibi em cena

Divulgação São Paulo - O assunto báscio aqui é música, mas peço licença ao André Gomes, do blog vizinho Supercênico, para falar de teatro. Mais precisamente de Bibi Ferreira, de quem sempre fui fã incondicional. Nunca me esqueço da emoção da estréia do Bibi in Concert no Teatro João Caetano, em 6 de abril de 1991. Bibi sempre aliou teatro e música em seus espetáculos com força incomum, mas há muito tempo (desde 1959, pelo que me consta) que ela não encenava uma peça tradicional, sem música. Daí minha ansiedade para ver Às Favas com os Escrúpulos, em cartaz em São Paulo. Tive que controlar tal ansiedade por conta da crise aérea, mas, enfim, fui a Sampa especialmente para ver Bibi. E como foi prazeroso, emocionante mesmo, vê-la brilhar em cena - aos 85 anos - num texto até raso, mas que cumpre bem sua função de entreter a platéia e de falar mal dos políticos (os cacos em relação à absolvição de Renan Calheiros pelo Congresso Nacional) provoca aplausos em cena aberta. Bibi está - para variar - divina. A cena em que ela se embriaga - ao descobrir as traições do marido que idealizava - já credencia a atriz a receber todos os prêmios teatrais do ano. Enfim, Bibi Ferreira está cena. E isso, por si só, já é um acontecimento e um motivo para cariocas fãs de teatro se deslocarem para São Paulo para ver e aplaudir a diva em seu habitat natural. O prazer de ver Bibi atuar compensa qualquer transtorno aéreo (e meu vôo atrasou muito!). Mesmo porque ninguém voa mais alto do que Bibi Ferreira no palco.

Sexta-feira , 14 Setembro, 2007

Maria Rita poderia ter ousado mais com seu samba

Capa do CD 'Samba Meu' "Meu samba é de bossa e não de grito", já avisa Maria Rita em verso da faixa-título de seu terceiro CD, Samba Meu, nas lojas a partir desta sexta-feira, 14 de setembro, com tiragem inicial de 125 mil cópias. Ao abrir o disco com este samba do carioca Rodrigo Bittencourt, a cantora já revela sua carta de intenções neste trabalho salutar produzido por Leandro Sapucahy. Maria Rita tem bossa mesmo. Muita. A ponto de transformar um samba mediano como Num Corpo Só (lançado pelo grupo de pagode Samba Tri) num sambão quebrado à moda de Djavan. Mas o fato é que o CD cresce mais quando a intérprete sobe o morro. O Homem Falou, jóia do baú de Gonzaguinha (1945 - 1991), é um belo e festivo momento de Samba Meu. Inclusive pela presença da Velha Guarda da Mangueira com nobres vocais. Quando canta samba como se estivesse no interior de uma boate, como em Pra Declarar minha Saudade, o disco logo perde pique.
Se há (sério) problema em Samba Meu, é a falta de diversidade autoral do repertório. Arlindo Cruz é um inspirado compositor do gênero. Só que incluir seis sambas do bamba num CD de 14 faixas reduz o campo de experimentação. Até porque, dos seis sambas, há uns ótimos (Maltratar Não É Direito é o melhor e tem acertado clima de pagode), mas há também uns dispensáveis - casos de O que É o Amor e, menos, de Trajetória, já gravado por Elza Soares em 1997 e rebobinado por Rita em clima de boate, com o piano de Tiago Costa em destaque no arranjo. Faltou maior rigor na seleção do repertório. Cria (de Serginho Meriti e César Belieny) também pouco acrescenta ao álbum. Faltou também coragem de ir além do universo de Leandro Sapucahy, amigo de Meriti e de Arlindo Cruz.
De positivo, há a opção de gravar o carioca Edu Krieger, dos mais talentosos compositores da geração projetada na Lapa. Maria do Socorro é uma delícia na voz de Rita com seu balanço contagiante. Já Novo Amor - e não há como não comparar - ficou muito aquém da leitura sublime de Roberta Sá, mesmo com o acompanhamento luxuoso do grupo de choro Galo Preto. Rita acelerou o andamento do samba e, com isso, se foi parte da beleza do tema de Krieger. Já em contrapartida, Mente ao meu Coração - antigo samba-canção gravado por Paulinho da Viola e Elizeth Cardoso (1920 - 1990) - se impõe como grande momento de um disco que começa e termina com a voz de Maria Rita a capella. E que distancia a intérprete do canto de sua mãe, Elis Regina - exceto talvez nos improvisos finais de Corpitcho, samba malandríssimo em que a filha da Pimentinha mostra que herdou parte da bossa da mãe. No todo, fica a certeza de que o samba de Maria Rita é bom, mas que poderia ser melhor.

Quinta-feira, 13 Setembro, 2007

Confissões das vozes do Brasil

Capa do livro 'Vozes do Brasil 2'
Entrevistar é uma arte. Difícil, pois boas declarações somente são extraídas quando a delicada relação entre entrevistado e entrevistador é pautada por confiança. A jornalista Patrícia Palumbo, que milita na área musical, goza da confiança de nomes como Adriana Calcanhotto, Jussara Silveira, Mônica Salmaso, Nando Reis e Rita Lee. Por isso, seu livro Vozes do Brasil 2 - que dá continuidade ao trabalho iniciado com a edição do primeiro volume, em 2002 - é tão bom. Não há declarações bombásticas, mas um relato (aparentemente sincero) de como artistas como Ana Carolina, Fernanda Abreu, Zizi Possi e Tom Zé, entre outros, vivem e pensam a música. O livro está saindo pela editora DBA. E merece ser lido pelos que admiram os nomes entrevistados por Palumbo.

Terça-feira, 11 Setembro, 2007

Disse-me-disse sobre recesso do Ira! é o fim...

Divulgação / Arsenal Music
O chato disse-me-disse em torno do recesso do Ira! indica que já falta harmonia entre o vocalista Nasi e seus colegas no grupo paulista. Bandas entram em recesso a todo momento - algumas, sem prazo determinado para retomar as atividades, caso do quarteto carioca Los Hermanos - mas é na maneira como a história é apresentada à mídia que se detecta a harmonia (ou, no caso, a desarmonia) entre os integrantes do grupo. Para quem não acompanhou a história do Ira!, Nasi disse (ou teria dito) que estava saindo da banda. Depois, desmentiu o que disse (ou teria dito) e afirmou que se trata apenas de um recesso. Sim, o fato é que o Ira! vai entrar em recesso em 2008 (a turnê do CD Invisível DJ se encerra em dezembro). Em 2009, a banda se reunirá para avaliar se continua uma trajetória que já soma mais de 25 anos. O anúncio da parada não seria feito agora. Mas Nasi se adiantou e revelou os planos do recesso. Seja como for, os músicos do Ira! não estão afinados. E a falta de harmonia entre músicos costuma ser fator decisivo, crucial, para determinar o fim de uma banda quando esta já se mostra insegura quanto ao futuro. Se o fim do Ira! for inevitável, que seja ao menos digno...

Segunda-feira, 10 Setembro, 2007

Record lança CDs de suas novelas via Sony BMG

Capa do CD 'Luz do Sol' Demorou, mas a Rede Record firmou parceria com uma gravadora - no caso, a Sony BMG - para poder lançar os CDs com as trilhas de suas novelas. O disco de Vidas Opostas vai chegar às lojas com a novela já fora do ar, mas merece atenção por estar centrado na obra de Chico Buarque, com gravações pouco conhecidas. O da novela Caminhos do Coração ainda não tem previsão de lançamento, mas trará gravações exclusivas como Raça, revivida por Fafá de Belém (intérprete da personagem Ana Luz) em dueto com Milton Nascimento, autor da música (em parceria com o fiel Fernando Brant). Já a trilha da novela Luz do Sol apresenta gravações inéditas de Jorge Vercilo e Felipe Dylon, entre outros.

Domingo, 9 Setembro, 2007

Ramil funda com Suzano a 'Satolep Sambatown'

Capa do CD 'Satolep Sambatown' Satolep é o anagrama de Pelotas, cidade gaúcha onde nasceu Vitor Ramil. Já Sambatown quer dizer cidade do samba, ou seja, o Rio de onde vem Marcos Suzano. Satolep Sambatown é o engenhoso título do primeiro disco gravado pelo compositor sulista com o percussionista da gema do Rio. No repertório, sambas e milongas temperados pela estética do frio. O samba Livro Aberto e a milonga Astronauta Lírico já valem o belo CD. Vale a pena caçá-lo nas melhores lojas. É do selo MP,B.

Sábado, 8 Setembro, 2007

'Cidade do Samba' concilia sotaques e estilos diversos

Roberta Sá e Roberto Silva na gravação de Cidade do Samba / Foto de Vera Donato
Projeto inaugural do selo Zeca Pagodiscos, o DVD/CD Cidade do Samba vai chegar às lojas em outubro com a conciliação de sotaques e estilos diversos. Na gravação, realizada nas noites de terça e quarta-feira, na Gamboa (RJ), sob a batuta do anfitrião Zeca Pagodinho, 23 inusitadas duplas mostraram as várias vozes do Brasil e do samba. O repertório, às vezes óbvio, ganhou frescor justamente quando se uniram pólos opostos. Chorão brilhou ao inserir rap em samba de Dudu Nobre, Posso até me Apaixonar. A produção também acertou ao unir artistas de gerações diferentes. Roberta Sá e Roberto Silva, por exemplo, realçaram afinidades ao reviver com leveza o samba Falsa Baiana, de Geraldo Pereira. Ela se confirmou como uma das grandes cantoras da década. Já Erasmo Carlos e Nando Reis realçaram a pegada de samba-rock de De Noite na Cama, hit de Caetano Veloso na voz de Erasmo.
Houve duplas que interagiram bem. Entre elas, Pitty & Marcelo D2 (Edmundo, na batida do samba-rap, perfeita para D2), Arlindo Cruz & Sandra de Sá (Casal Sem-Vergonha) e Daniela Mercury & João Bosco (De Frente pro Crime, um dos números de arranjo mais refinado). Mas houve quem demorasse a entrar no tom. O encontro de Vanessa da Mata com a Velha Guarda da Portela — em Onde a Dor Não Tem Razão — poderia ter sido mais entrosado e acabou não valorizando o lindo samba de Paulinho da Viola e Elton Medeiros. Já Ivete Sangalo dançou melhor do que cantou Não Tenho Lágrimas com o deslocado Juan Luis Guerra.
Estranho no ninho do pagode, Gabriel O Pensador se mostrou bem à vontade ao se juntar ao Fundo de Quintal em Boca sem Dente. Tanto que o número foi gravado de primeira. Pena que não deixaram os ritmistas do grupo exibir sua imbatível ‘cozinha’. Melhor sorte, nesse ponto, teve o Grupo Revelação, que pôde tocar em Fogo de Saudade, ao lado de Sombrinha.
A propósito, quem entendia de samba não fez feio. Dorina e Almir Guineto deram show em Mel na Boca. Alcione soltou a voz em Pressentimento ao lado do autor do samba, Elton Medeiros, em registro reverente. Já Cláudia Leitte e Jair Rodrigues, elétricos, cantaram Deixa Isso pra Lá como se estivessem num trio na Bahia. Negra Li soou dengosa em Jura, em duo com Walter Alfaiate. Vozes do morro, Seu Jorge e Luiz Melodia mostraram entrosamento no dueto em Diz que Fui por Aí, de Zé Ketti. Da mesma forma que Lenine e Zélia Duncan também se entenderam em Bebete Vão Bora.
Também desinibido, Gilberto Gil deu um show de suingue em Chiclete com Banana, na companhia de Marjorie Estiano, à vontade no número. Já o dueto de Zeca Pagodinho e Martinho da Vila merecia um samba mais bacana do que o populista Mulheres, megahit de Martinho na década de 90. Enfim, couberam quase todos na cidade do (plural) samba do Brasil.

Sexta-feira , 7 Setembro, 2007

A eletricidade de Cláudia Leitte e Jair Rodrigues

Foto de Vera Donato
Ainda a gravação do CD e DVD Cidade do Samba: a foto acima é um flagrante do dueto esfuziante de Cláudia Leitte com Jair Rodrigues. Elétricos, eles pareciam que estavam em cima de um trio no Carnaval da Bahia quando se reuniram para cantar Deixa Isso pra Lá, o sucesso de Jair que ele adora alardear que foi o primeiro rap do Brasil. Contagiaram a platéia de convidados.

Quinta-feira, 6 Setembro, 2007

Velha Guarda da Portela não se entrosa com Vanessa

Foto de Mauro Ferreira
O encontro de Vanessa da Mata com a Velha Guarda da Portela era um dos momentos mais aguardados da segunda noite de gravação do CD / DVD Cidade do Samba. Mas acabou não empolgando. O samba - Onde a Dor Não Tem Razão, jóia do baú de Paulinho da Viola com Elton Medeiros - era lindo, mas não houve verdadeiro entrosamento entre a cantora e os bambas da escola de Madureira. Monarco estava nervoso. Vanessa, bela e com porte esguio, estava um pouco insegura. Para piorar, até as pastoras não estavam em seus melhores dias vocais. Houve alguns erros até ser feita a gravação que acabou valendo. Mas o encontro não rendeu o que poderia render. Leia amanhã, na coluna Estúdio, do Caderno D do jornal O Dia, a análise crítica dos dias de gravação do projeto que abre o selo de Zeca Pagodinho.

Quarta-feira, 5 Setembro, 2007

De onde vem o samba de Maria Rita

Divulgação / Tripolli
Em 1965, já livre do repertório juvenil do início da carreira, Elis Regina abraçou a MPB em LP intitulado Samba Eu Canto Assim. Quarenta e dois anos depois, Maria Rita, filha de Elis, abraça o samba em seu terceiro CD, Samba Meu, nas lojas a partir de 14 de setembro em lançamento que engloba os Estados Unidos e a América Latina. Produzido por Leandro Sapucahy, Samba Meu agrupa 14 sambas, alguns inéditos, outros gravados de forma obscura. Tá Perdoado, samba inédito de Arlindo Cruz e Franco, é a faixa enviada às rádios. O samba que dá título ao disco é do carioca Rodrigo Bittencourt.
Há surpresas na seleção de Maria Rita. Uma delas é O Homem Falou, samba de Gonzaguinha (1945 - 1991), gravado pelo autor em 1985 no LP Olho de Lince / Trabalho de Parto. O disco não aconteceu, mas o samba é dos melhores do compositor. A letra é convite à festa e à união, refeito por Rita com a Velha Guarda da Mangueira.
Outra surpresa é Mente ao meu Coração, belo samba-canção de Francisco Malfitano e Pandia Pires, gravado por nomes como Elizeth Cardoso (em álbum dividido com Silvio Caldas) e Paulinho da Viola. Aliás, Paulinho, que entoou os versos suplicantes da música em seu LP Memórias Cantando (1976), quase esteve no CD, mas sua participação não se concretizou.
Em Samba Meu, Maria Rita avaliza Edu Krieger, talentoso compositor carioca de quem já gravara a Ciranda do Mundo em seu segundo CD. De Krieger, a cantora interpreta Maria do Socorro - samba que traça o perfil da personagem-título, sensação do baile funk de sua comunidade - e a bela Novo Amor, lançada pelo autor em seu primeiro CD e regravada por Roberta Sá em seu segundo disco, Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria.
Compositor predominante na ficha técnica, Arlindo Cuz assina seis faixas. Entre elas, Num Corpo Só (samba quebrado, gravado pelo grupo Samba Tri em eu CD Só Alegria, de 2004), Trajetória (samba de Arlindo, Serginho Meriti e Franco que deu título ao disco lançado por Elza Soares em 1997) e a inédita O que É o Amor, gravada simultaneamente por Rita no novo CD de Arlindo. Cria, Corpitcho e Casa de Noca são outras faixas do disco em que Rita canta seu samba. Resta aguardar o álbum...

Terça-feira, 4 Setembro, 2007

Clara Nunes ganha sua biografia

Capa da biografia Clara Nunes - Guerreira da Utopia Está chegando ao mercado esta semana a primeira biografia de Clara Nunes (1942 - 1983). Escrita pelo jornalista Vagner Fernandes, Clara Nunes - Guerreira da Utopia revive a história e a música de uma das maiores cantoras brasileiras. Referência para todas essas novas intérpretes que transitam pelo samba. Marisa Monte e Roberta Sá, inclusive. A conferir...

Segunda-feira, 3 Setembro, 2007

Arlindo Cruz reúne Portela e Império no mesmo samba

Divulgação Deckdisc / Cristina Granato
A foto acima flagra a reunião no estúdio de Arlindo Cruz com integrantes das Velhas Guardas da Portela e do Império Serrano. A turma se junta no samba Se Eu Encontrar com Ela, faixa do CD de inéditas que Arlindo vai lançar em outubro pela Deckdisc. Zeca Pagodinho, parceiro de Arlindo no samba, também participa da faixa.

E por falar em Arlindo Cruz, ele é o inspirado compositor predominante no repertório do CD de sambas de Maria Rita, nas lojas a partir de 14 de setembro. Uma das faixas que tem a grife de Arlindo na autoria é O que É o Amor, também gravada por Rita para o CD do bamba da bairro carioca da Piedade. Ele avaliza o samba de Rita.

Domingo, 2 Setembro, 2007

Ouça Maurício Pessoa, fiel discípulo de Chico

Capa do CD 'Maurício Pessoa' De todos os discos que resenhei na coluna Estúdio da última sexta-feira, 31 de agosto, o que mais me surpreendeu - e foi uma bela surpresa - foi o de Maurício Pessoa. O texto enviado à imprensa juntamente com o disco ressaltava a influência que Chico Buarque exerceu na obra de Pessoa. A gente sempre desconfia de elogios feitos em releases (textos, afinal, escritos com a intenção de convencer os críticos de que o disco em questão é mesmo bom), mas, neste caso, não houve exagero. Tem mesmo muito de Chico no excelente repertório autoral de Pessoa. Dá para identificar traços fortes da obra do autor de Construção num samba como Tereza ou numa canção como Toda Maneira, gravada com as cordas do Quarteto Bressler. E o fato é que se trata de uma estréia muito promissora. A voz de Pessoa é opaca, mas o repertório autoral deste novato carioca é realmente brilhante. E ainda tem Roberta Sá citando o samba Lata d'Água (sucesso de Marlene) na faixa Lá Vai Maria. Recomendo o CD Maurício Pessoa com entusiasmo.

Sábado, 1 Setembro, 2007

Tihuana na trilha da Tropa de Elite

Divulgação / Site oficial Tihuana
O Tihuana está em baixa no mercado fonográfico, mas a carreira do grupo poderá ganhar algum fôlego por conta do já polêmico filme Tropa de Elite, que estréia nos cinemas em 12 de outubro, mas já está à venda nos camelôs em cópias piratas. É que uma música do primeiro CD da banda - intitulada justamente Tropa de Elite - tem grande destaque na trilha sonora do longa-metragem.