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| Mauro Ferreira |
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São tantos discos nesta época do ano que fica difícil detalhar todos eles. Mas, antes que 2007 chegue ao fim, quero dizer que Rodolfo, o novo CD de Fito Paez, tem lá seus encantos. É um disco de voz e piano. O tom é meio melancólico - nada indicado para uma época de festas. Mas o fato é que o álbum apresenta algumas bonitas canções. Entre elas, El Cuarto ao Lado e Si Es Amor. Fica mais esta dica. É um CD de alta voltagem poética.
Zeca Baleiro está lançando música inédita, Toca Raul, em seu site oficial (www.zecabaleiro.com.br). É só entrar na página do artista e baixar de graça o rock composto por Baleiro em tributo aos fãs de Raul Seixas que ficam pedindo músicas do Maluco Beleza nos shows de vários cantores. Dá para baixar até a capa do CD.
Então é Natal... ...E o que você fez? O ano termina E nasce outra vez Então é Natal A festa cristã Do velho e do novo Do amor como um todo Então é Natal E um Ano Novo também Que seja feliz quem Souber o que é o bem Então é Natal Pro enfermo e pro são Pro rico e pro pobre Num só coração Então, bom Natal Pro branco e pro negro amarelo e vermelho Pra paz, afinal Então, bom Natal E um Ano Novo também Que seja feliz quem Souber o que é o bem Então é Natal E o que a gente fez? O ano termina E começa outra vez Então é Natal A festa cristã Do velho e do novo Do amor como um todo Então é Natal E um Ano Novo também Que seja feliz quem Souber o que é o bem
 No encarte de seu recém-lançado CD Natal Todo Dia, o grupo Roupa Nova reproduziu fotos da época em que seus seis integrantes eram crianças. Uma bela sacação, pois Natal tem mesmo a ver com criança. E é com as imagens infantis dos músicos que eu desejo um Feliz Natal a todos os freqüentadores deste blog. Uma noite de paz para todos - em especial para as crianças!
Por pior que seja a crise nas vendas de discos, CDs e DVDs ainda continuam sendo boas opções de presente nesta época de festas. Daí que as lojas de discos estão registrando bom movimento neste período natalino - tradicionalmente aquecido para a indústria fonográfica. Que assim seja! Até a festa acabar...
Boa notícia para os fãs de Amy Winehouse - e eles são muitos: a gravadora Universal lança em janeiro no Brasil a Deluxe Edition do segundo álbum da cantora, Back to Black. Entre as gravações do CD-bônus, há o cover de Cupid, tema do repertório do cantor de soul Sam Cooke.
.JPG) Ontem fui rever com amigos o show de Elza Soares, Beba-me - desta vez no Teatro Rival. E como o show cresceu em relação à apresentação única realizada em setembro no Canecão! Elza nunca deixou de estar em espantosa forma, mas, no Rival, o espetáculo está mais descontraído. Diria mesmo que está até melhor do que o registrado em São Paulo para o DVD recém-lançado pela Biscoito Fino. Para quem estiver no Rio, fica a dica: beba Elza no Rival. O show fica em cartaz até amanhã.
 E não é que, no que seria seu último show (realizado em São Paulo, na noite de terça-feira, 18), Sandy & Junior admitiram que poderão voltar no futuro, já que a dupla não se desfez por briga, mas pela vontade que ambos têm de desenvolver projetos individuais??!! Até aí tudo bem. Eles são irmãos e nunca vão se separar de fato, por mais que sigam trajetórias paralelas daqui por diante. Mas por que então armaram o circo em abril para anunciar com toda pompa o fim da dupla este mês? Pura estratégia de marketing para gerar espaço na mídia e despertar interesse pelo Acústico MTV da ex(?)-dupla. Este apego exagerado às estratégias de marketing foi o mal de Sandy & Junior ao longo dos últimos anos. Tudo pareceu calculado, artificial, pensado. Nada nunca soou espontâneo ou natural. Tomara que, se voltar mesmo no futuro, a dupla não precise apelar para tanto marketing.
 Gostei de Alicia Keys desde seu primeiro álbum, Songs in A Minor. E até hoje ela não deixou de lançar grandes discos. O mais recente, As I Am, mantém o alto nível de sua discografia. Já até virou clichê apontar Alicia como uma sucessora de Aretha Franklin, mas o fato é que seu quarto CD traz músicas que poderiam ter sido gravadas na Motown dos anos 60. As I Am é um discaço. Alicia canta, compõe e toca seu piano com classe que quase inexiste entre as atuais cantoras americanas, quase todas dispostas a seguir a batida cartilha do rap / r & b.
Recebi da editora Barracuda um livro que já comecei a ler de imediato: A Love Supreme - A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane. Adoro livros que detalham a criação e a gravação de discos. Este do jornalista Ashley Khan conta a gênese de A Love Supreme, um dos títulos mais importantes da discografia do saxofonista John Coltrane e da própria história do jazz. O álbum saiu em 1964. Mais de 40 anos depois, Khan joga luz sobre esta obra-prima do músico. Recomendo o livro aos fãs de jazz.
Como são poucos os discos novos que são realmente novos e interessantes, que tal dar uma reouvida nos velhos? A EMI está lançando caixa que junta as duas edições do disco Clube da Esquina. O primeiro é de 1972 e revelou obras-primas como Cais. O segundo é de 1978. Ronaldo Basto, sócio do clube desde sua fundação, assina textos e programação visual da caixa. O diferencial está no som - purificado, restaurado e remasterizado por João Marcelo Bôscoli, que fez um trabalho digno de aplausos. Tenho ouvido San Vicente direto. O som desta faixa (e das outras) está puro.
 Vocês já imaginaram a cantora Teresa Cristina, de presença tímida no palco, contando uma piada em cena? Eu não. Mas ela conta uma boa piada de baiano que fez gargalhar a platéia que teve o privilégio de conferir o show Três Meninas do Brasil em suas duas concorridas apresentações no Teatro Nelson Rodrigues. Fui ontem, sábado. E aviso que se trata de um dos melhores shows deste ano que já vai terminando. As meninas Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Teresa Cristina dão um show de leveza e musicalidade, mostrando toda a diversidade da música brasileira. O forró Homem de Saia, do Trio Nordestino, ganhou outro tom nas vozes delas. E o que dizer de Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor? Nunca pensei que fosse ouvir essa música de Zé Ramalho sem sentir falta da voz de Amelinha (por onde andará Amelinha? Saudades...). Enfim, um grande show. Quem não viu tem que ver. Ao que parece, a temporada vai continuar em 2008.
 Quem me conhece sabe que gosto especialmente de cantoras e compositoras. Vozes de mulheres sempre me disseram muito mais do que o melhor dos cantores (Milton Nascimento à parte). Por isso mesmo, ouvi com especial interesse o primeiro disco da Orquestra Lunar, formada no Rio em 2005. É uma orquestra feminina, criada para pôr a mulher no seu devido lugar na música: o primeiro time. E, como já supunha, gostei do que ouvi. Primeiro, porque uma das crooners é Áurea Martins, veterana cantora da noite que, por capricho do destino ou ignorância do mercado, nunca alcançou a projeção que merecia. Segundo, porque o repertório é assinado por mulheres (com alguns homens como parceiros). Áurea já abre o disco cantando bonito samba inédito de Dona Ivone Lara, Divina Missão, gravado com a ilustre participação da autora. A mesma Áurea defende uma boa inédita de Fátima Guedes, Garrafas ao Mar, uma daquelas músicas doloridas (mesmo que os versos acenem com algum otimismo) que levam a refinada assinatura toda própria de Fátima. Quando, aliás, teremos um novo disco de repertório autoral desta compositora tão original e interessante? E tem, claro, Voz de Mulher, a música de Sueli Costa cujos versos de Abel Silva conseguem transmitir todo o encantamento que uma voz feminina pode provocar. Enfim, um belo CD. Para todos os sexos.
 Cláudia Leitte já está anunciando informalmente que vai deixar o Babado Novo em 2008, depois do lançamento do DVD e do CD que o grupo vai gravar ao vivo na Praia de Copacabana em show agendado para 17 de fevereiro. Sua carreira solo já era previsível. Todo o marketing construído em torno do Babado já valorizava e isolava a figura da vocalista. Claro que a gravadora Universal Music sonha em transformar Cláudia Leitte numa segunda Ivete Sangalo. Não sei se Cláudia tem carisma para tanto. Mas sei que há muito tempo ela já era vista como uma artista de luz própria. Era como se os integrantes do Babado fizessem apenas figuração para a estrela do grupo brilhar. Sendo assim, é melhor partir logo para uma carreira solo para ver no que dá.
 Dica de show para cariocas: hoje e amanhã rola no palco do Teatro Nelson Rodrigues o encontro inédito de Teresa Cristina, Rita Ribeiro e Jussara Silveira. Três Meninas do Brasil junta as três cantoras sob direção de Jaime Alem.
 Já começam a pipocar as listas de melhores do ano. A da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) foi anunciada ontem e - nas categorias musicais - premia Roberta Sá (eleita a melhor cantora), Paulinho da Viola (cantor), Orquestra Imperial (grupo), Edu Krieger (revelação masculina), Marina de la Riva (revelação feminina), Fino Coletivo (grupo revelação) e Fernanda Takai (disco). Achei o resultado bem coerente. Takai e Roberta lançaram os melhores discos do ano. Takai apresentou um belíssimo primeiro trabalho solo, Onde Brilhem os Olhos Seus, em que aborda com criatividade o repertório de Nara Leão. Mas, se for para escolher um único disco como o melhor do ano, aponto Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, o segundo álbum de Roberta Sá. A cantora conseguiu manter o alto nível de Braseiro (2005) e provou que é possível garimpar e gravar repertório inédito sem perda da qualidade. Enfim, fico com Roberta, mas Takai também merece estar - e estará - em todas as listas de melhores do ano.
Em 1973, o Brasil ouvia diariamente uma soft versão instrumental de Carinhoso solada pelo trompete de Márcio Montarroyos para a abertura da novela homônima, exibida pela Rede Globo em 1973. A gravação foi a mais popular deste grande trompetista que saiu de cena hoje pela manhã, vítima de um câncer no pulmão diagnosticado tardiamente. Músico sempre requisitado, Montarroyos deixou sua marca em discos de Tom Jobim e Caetano Veloso - para citar somente dois entre os muitos grandes nomes que arregimentaram seu trompete - mas transitou em trilhas mais seletas ao longo de sua profícua carreira solo. Pioneiro da música instrumental brasileira de acento jazzístico, Montarroyos foi figura fácil em casas cariocas como People e Mistura Fina nos anos 80 - década em que a música instrumental viveu um boom. Seu trompete sonoro fez a alegria de quem curte esse tipo de som. Tanto que sua fama como músico foi além das fronteiras nacionais. Deixa saudade!
Sempre gostei muito das coletâneas feitas pelo selo Dubas. Todas editadas com capricho, critério e respeito pelo consumidor. Por isso mesmo, eu não posso deixar de recomendar a mais nova delas, Zamba Ben, compilação de gravações de Marku Ribas. A seleção é de Ed Motta. Ed já fizera trabalho semelhante com Cassiano, mas o CD de Ribas é ainda mais importante porque - diferentemente de Cassiano, que volta e meia tem um álbum reeditado em CD - a discografia de Ribas permanece no underground. Para quem não o conhece, e quase ninguém o conhece hoje em dia, Ribas foi cantor e compositor que militou nos 70 pelo universo do samba-rock. Mas seu suingue extrapola este rótulo e qualquer outro. É música preta brasileira, como diz Sandra de Sá (aliás, já passa da hora de Sandra gravar um CD à altura de sua voz e de seu histórico). Música da boa. Corra atrás deste disco que você não vai se arrepender. O encarte traz informações detalhadas sobre as músicas.
 A Mangueira pode ter esquecido o centenário de Cartola (1908 - 1980) em favor do centenário do frevo, que a verde-e-rosa vai festejar na Sapucaí com um ano de atraso, mas Cida Moreira lembrou de reverenciar o ilustre compositor mangueirense em 2008. Por e-mail, a cantora me conta que seu tributo vai se chamar Angenor - o nome de batismo do mestre - e que chegará às lojas pela Lua Music, entre março e abril. Eis o repertório, que alterna clássicos com jóias obscuras do baú de Cartola: 1. Que Infeliz Sorte (1929) 2. Sim (1952) 3. Alvorada (1974) 4. Acontece (1975) 5. O Mundo É um Moinho (1976) 6. Peito Vazio (1976) 7. Sala de Recepção (1976) 8. A Canção que Chegou (1977) 9. Autonomia (1977) 10. Nós Dois (1977) 11. Evite meu Amor (1979) 12. Feriado na Roça (1979) 13. Fim de Estrada (1979) 14. O Inverno do meu Tempo (1979) 15. Senões (1979) 16. Silêncio de um Cipreste (1979)
 Acordei (tarde) neste domingo com vontade de ouvir a trilha sonora do filme Across the Universe, recém-lançada em CD no Brasil pela gravadora Universal. É que fui conferir ontem (a rigor, hoje - já que a sessão era de meia-noite) o filme em que a diretora Julie Taymor usa a música dos Beatles para contar uma trama agitada e musical ambientada no universo da contracultura dos anos 60, em Nova York e em Liverpool. O musical é uma delícia. Irresistível mesmo. E prova, pela enésima vez, a beleza atemporal da música dos Fab Four. As imagens são lindas, em especial as seqüências psicodélicas do fim. E as músicas ganham novas cores. Me encantei de imediato com o registro gospel de Let It Be, numa das cenas mais fortes deste filme pop, jovem, mas não frívolo. Gostara muito de Frida e resolvi ver por conta da diretora - e da música dos Beatles, claro. Não me arrependi. O filme entrou meio discretamente em circuito e merecia maior badalação. Irresistível! Não perca. P.S. A foto acima é de umas cenas psicodélicas do casal protagonista, Jude e Lucy. Os atores são afinados.
 Anunciadas esta semana, as insossas indicações ao 50º Grammy refletem o ano fonográfico de 2007. Os líderes de indicações são o rapper Kanye West - com oito, por conta de seu terceiro álbum, Graduation, que é bacana, mas não tanto quanto os dois CDs anteriores de West - e a surtada Amy Winehouse (foto) - esta, sim, uma das poucas sensações da música em 2007. Amy faturou seis nomeações - sendo quatro em categorias importantes como Álbum do Ano, Gravação do Ano, Canção do Ano e Revelação. Kanye West também vai disputar o Grammy de Álbum do Ano, mas suas indicações estão concentradas em categorias específicas de rap. Lamento as ausências dos veteranos Bruce Springsteen (seu álbum Magic é um dos melhores de sua discografia) e Neil Young (em bela forma no recém-lançado no Brasil Chromes Dreams II) nas categorias importantes. Mereciam melhor colocação. Mesmo se Bruce e Young estivessem no páreo, torceria por Amy desde já - mas convém lembrar que o Grammy é prêmio criado pela indústria fonográfica norte-americana para laurear artistas dos Estados Unidos, sobretudo. Daí a injustificável ausência de Mika nas categorias de peso. Seu álbum Life in Cartoon Motion foi um dos melhores do ano. Mas sua vibe gay deve ter incomodado os jurados. O Brasil, como sempre, foi enquadrado na genérica categoria World Music. Bebel Gilberto (que fez um bom show na madrugada de sábado, no Morro da Urca), Céu e Gilberto Gil (de novo) disputam o troféu de melhor álbum do amplo segmento. Céu e Bebel representam o olhar estrangeiro sobre a música do Brasil. Já Gil defende som mais brasileiro em seu Gil Luminoso. Mas nenhum dos três discos faz jus a um Grammy. Gil Luminoso é belo trabalho, mas trata-se de reedição. Não devia concorrer.
 Paulinho da Viola é elegante até quando erra. Na bela e concorridíssima estréia de seu show Acústico MTV no Canecão, o cantor errou duas vezes a introdução de Vai Dizer ao Vento, um dos três bons sambas inéditos do repertório. Fez questão de dizer que o erro era seu, e não dos músicos. "E olha que fui eu que fiz isso", brincou o sambista diante dos aplausos do público embevecido que superlotou o Canecão para vê-lo. Aplausos mais do que merecidos. Foi um grande show. Com um clássico atrás do outro. Entremeados pelas falas do artista, que, orgulhoso, contou como o samba Talismã virou sua primeira parceria com Arnaldo Antunes e Marisa Monte. "Sem eu virar um tribalista, nós somos parceiros", brincou, um pouco antes de sair consagrado de cena depois de cantar Coisas do Mundo Minha Nega, Nervos de Aço e Eu Canto Samba. No bis, Timoneiro e Talismã.
Aviso aos navegantes fãs de Maria Bethânia: prevaleceu o bom senso e o grandioso show Dentro do Mar Tem Rio vai ser editado em DVD. Como a cantora rejeitou o registro feito por Andrucha Waddington em agosto no Canecão, uma nova gravação está sendo feita hoje e amanhã no encerramento da turnê do espetáculo no Citibank Hall paulista. Ou seja, tem DVD em 2008.
 Antes tarde do que nunca, quero registrar que está chegando às lojas um novo CD de inéditas do Biquini Cavadão. Sempre gostei da banda e sempre fico com a sensação de que seus discos merecem um sucesso que quase nunca vem na proporção merecida. Escuta, por exemplo, o anterior álbum de inéditas da banda, de 2000, era ótimo, cheio de hits em potencial. E nada aconteceu. Ou quase nada, pois a banda tem seu público fiel. E ele certamente vai curtir Só Quem Sonha Acordado Vê o Sol Nascer. A faixa-título, Você me Perdoa?, Restos de Sol e Em Algum Lugar no Tempo formam uma matadora seqüência inicial. Depois, o disco perde um pouco o pique. Mas sem deixar de ser bom. Tem pop, reggae, rock... Escute o Biquini Cavadão. Eles chegam aos 20 e poucos anos de carreira com muito mais fôlego do que algumas bandas alçadas ao primeiro time do rock nativo.
Não gostei fácil do som de Arnaldo Antunes em sua fase solo pós-Titãs. Reconhecia o talento do artista como compositor, mas achava indigesta aquela experimentação concretista que caracterizou seu primeiro disco solo, Nome (1993). Mesmo gostando de uma ou outra música, como Alta Noite. No segundo, Ninguém, não mudei muito de opinião. Mas foi mesmo a partir dos discos seguintes - Um Som, Paradeiro, Saiba - que passei a admirar Arnaldo na medida em que ele foi refinando e suavizando sua musicalidade. Hoje sou da tribo do ex-Titã. E recomendo seu CD e DVD Ao Vivo no Estúdio, editados pela Biscoito Fino. Arnaldo é expressivo no palco e merecia um registro de show. Já passava da hora, aliás. Se todo mundo lança DVD, por que ele não haveria de ter o seu (até já tinha alguns no mercado, mas era com clipes, entrevista e sessões de gravação de CD). Enfim, chegou a hora. E Ao Vivo no Estúdio - garanto - vale o investimento. Inclusive no que diz respeito às questões técnicas. Áudio e imagem são de primeiro time.
 Tenho acompanhado a batalha das Chicas - o grupo vocal formado por Amora Pêra, Fernanda Gonzaga, Isadora Medella e Paula Leal - para conseguir um lugar ao sol neste nosso nublado mercado fonográfico. Por própria conta e risco, as moças lançaram o CD Quem Vai Comprar Nosso Barulho? e emplacaram música na trilha da novela Duas Caras, o samba Geraldinos e Arquibaldos, de Gonzaguinha, o grande compositor, pai de Amora e Fernanda. Hoje elas dão mais um passo e pisam no palco do Canecão, em noite dividida com o (também grande) compositor pernambucano Lula Queiroga, outro que está na batalha (e desde o início dos anos 80) por maior visibilidade. Merecem a oportunidade. Sucesso!!!!
 Por falta de patrocínio, Rita Ribeiro teve que cancelar a gravação do DVD do show Tecnomacumba. A gravação seria feita no Canecão - que chegou a anunciá-la nos cartazes que relacionam sua programação - em 12 de dezembro. O show está de pé e encerra a vitoriosa temporada de quatro anos do espetáculo. Mas o DVD tão pedido pelos fãs não vai sair. É uma pena. Rita é cantora expressiva no palco e merece um registro audiovisual.
Em fase solo por conta do recesso por tempo indeterminado do grupo Los Hermanos, Marcelo Camelo lançou música em sua página no MySpace. Téo e a Gaivota é um tema instrumental de textura zen, tocado por Camelo ao violão. Não deixa de ser uma dica do tom do provável disco solo que o hermano lança em 2008.
 Samba Meu, o novo show de Maria Rita, é muito bom. No palco da Fundição Progresso, na Lapa, a cantora caiu no samba com graça e ginga. Já esperava um bom show, mas não pensei que fosse gostar tanto. Maria Rita ficou jovem, perdeu aquele ar senhoril, de diva precoce. E a platéia, jovem como ela, fez coro forte em todas as 21 músicas do roteiro enxuto. Parecia até show de Los Hermanos. Emocionada, a cantora não conseguiu conter as lágrimas durante a música Caminho das Águas. Mas nem esse choro espontâneo tirou o clima leve do show. Com ginga e descontração, a cantora mostrou sambas como O Homem Falou, Maria do Socorro (uma obra-prima de Edu Krieger) e Corpitcho. Gosto do CD Samba Meu, mas acho que o show supera - e muito - o disco por ser mais sujo, menos intimista. O unico senão para mim é o fato de o roteiro não apresentar sequer um samba inédito na voz da cantora. Mas isso não tira o mérito do show, que segue para Porto Alegre neste mês de dezembro e, em 2008, roda o Brasil. É imperdível!
p.s. Já que o assunto é cantora e samba, hoje tem show de Fabiana Cozza no Rio, no Trapiche Gamboa. Vou lá...
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