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Mauro Ferreira

Segunda-feira, 31 Março, 2008

No cinema,o teatro de Waly

Divulgação
Merece aplausos a safra de documentários sobre artistas brasileiros que está sendo apresentada no festival É Tudo Verdade. Na noite de domingo, vi a première de Pan-Cinema Permanente, filme de Carlos Nader sobre Waly Salomão (1944 - 2003). O filme em si é ótimo e faz jus à saudável loucura de Waly. Não se trata de uma biografia convencional, mas da colagem de fragmentos poéticos que retratam a personagem encarnada por Waly, que costumava dizer que é tudo mentira, que a vida é encenação. Pois Nader soube encenar na tela o teatro delirante de Waly e fez um documentário tocante.

p.s.: A sessão, prestigiada por nomes como Caetano Veloso e Antonio Cicero, incluiu minishow do grupo AfroReggae, o engajado grupo de Vigário Geral (RJ) de que Waly foi pioneiro incentivador. Foi emocionante ouvir o batuque dos rapazes em homenagem àquele que tanto acreditou neles. Quem viu, viu...

Domingo, 30 Março, 2008

Filme reabre o caso de Simonal sem dar sentença

Reprodução Vi no sábado, na concorridíssima sessão de 20h (houve uma sessão extra às 24h por conta da procura), o documentário sobre Wilson Simonal dirigido pelo humorista Cláudio Manoel (do Casseta & Planeta) em parceria com Micael Langer e Cavito Leal. Asseguro que o filme Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei cumpre todas as expectativas depositadas nele. Primeiro, por sua edição e roteiro primorosos - sem falar no vasto material de arquivo. Segundo, por reabrir de forma corajosa e isenta o caso policial que acabou com a carreira de Simonal. O grande trunfo do documentário é apresentar a versão do contador Raphael Viviani - até então restrita aos autos do processo instaurado em 1971. Acusado de roubo, Viviani levou uma surra de agentes do Dops coaptados por Simonal. O contador nega o roubo, que diz ter confessado sob tortura. Mas o fato triste é que o episódio desencadeou o boato de que Simonal era informante do Dops. Em bom português, dedo-duro. Nada nunca foi provado em relação a isso, apesar das sentenças proferidas pela imprensa da época. Mas o filme não absolve nem condena Simonal por conta do episódio da surra. O documentário expõe os fatos e cada um que tire sua própria conclusão.

Sábado, 29 Março, 2008

Waldick pela lente isenta de Patrícia Pillar

Divulgação
Estou dedicando o fim de semana ao festival É Tudo Verdade, que está cheio de documentários sobre nomes da música. Ontem de noite, vi um filme sobre o grupo inglês Joy Division (muito bom, mas sem de fato acrescentar algo a quem já conhece a banda que projetou Ian Curtis e originou o New Order a partir do suicídio de Curtis em 1980) e, mais cedo, assisti à estréia do documentário Waldick - Sempre no meu Coração - com direito à bate-papo com Patrícia Pillar, a atriz que estréia na direção de cinema com este singelo e tocante filme sobre Waldick Soriano, cantor popular que esteve em evidência nos anos 60 e 70 com músicas como Tortura de Amor e Eu Não Sou Cachorro, Não. O grande mérito de Pillar é que ela foca seu ídolo com ternura e isenção. Muitos documentaristas de artistas caem na tentação de exaltar o artista retratado. Mas o filme de Pillar mostra Waldick sem retoques. São 58 minutos em que se pode penetrar um pouco no coração sofrido do caubói, que se desarmou diante das câmeras dirigidas por Pillar.

Sexta-feira , 28 Março, 2008

Torquato Neto na maré tropicalista de Calcanhotto

Capa do CD 'Maré'
Repleto de referências tropicalistas, o oitavo disco de Adriana Calcanhotto - Maré - apresenta um poema de Torquato Neto (1944 - 1972), musicado por Kassin. Um Dia Desses Eu me Caso com Você virou a singela canção Um Dia Desses de sotaque ruralista.
Não bastasse a lembrança sempre bem-vinda Torquato Neto, Maré é disco tragado por versos de poetas tropicalistas como Augusto de Campos (Sem Saída, poema musicado por Cid Campos) e Waly Salomão (Teu Nome Mais Secreto, de versos revoltos musicados por Adriana). Sem falar que o CD inclui na ficha técnica os nomes de Gilberto Gil e Caetano Veloso, mentores da Tropicália. Gil toca violão na releitura de Sargaço Mar, de Dorival Caymmi. Caetano é parceiro do poeta Ferreira Gullar em Onde Andarás, musica de 1967 regravada por Calcanhotto nessa maré tropicalista.

Eis a letra de Um Dia Desses (Torquato Neto e Kassin):

De tanto me perder, de andar sem sono
por essa noite sem nenhum destino
por essa noite escura em que abandono
uns sonhos do meu tempo de menino
de tanto não poder mais ter saudade
de tudo o que já tive e já perdi
dona menina, eu me resolvo agora
a ir-me embora pra longe daqui.

Um dia desses eu me caso com você
você vai ver, você vai ver
um dia desses, de manhã, com padre e
pompa
você vai ver como eu me caso com você

Meu tempo de brincar já foi-se embora
e agora, o que é que eu vou fazer?
não tenho onde morar, vou caminhando
sem sono, sem mistérios, sem você;
pra terra onde nasci
não volto nunca mais
e esta cidade alheia tem segredos
que eu faço tudo pra não compreender

Meu pobre coração não vale nada
anda perdido, não tem solução
mas se você quiser ser minha namorada
vamos tentar, não é?
não custa nada
até pode dar certo
e se não der
eu pego um avião, vou pra xangai
e nunca mais eu volto pra te ver.

Quinta-feira, 27 Março, 2008

Tradicional, Prêmio Tim homenageia Dominguinhos

Reeditando a tendência de reverenciar nomes da música brasileira mais tradicional, o Prêmio Tim de Música anunciou oficialmente hoje que o homenageado de sua sexta edição é Dominguinhos, o festejado compositor e sanfoneiro, discípulo de Luiz Gonzaga. A cerimônia de premiação foi agendada para 28 de maio no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dominguinhos merece.

Quarta-feira, 26 Março, 2008

Reflexões sobre o 'Mulher 80', que chega ao DVD

Capa do DVD 'Mulher 80' Fãs de cantoras com mais de 40 anos, como eu, certamente lembram bem do especial Mulher 80, exibido em 1979 pela Rede Globo. Pois o programa dirigido por Daniel Filho chega ao DVD em abril pela Biscoito Fino. Sua reedição provoca algumas reflexões:

1. Por que Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes não foram incluídas no elenco de cantoras que juntou nomes como Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Marina Lima, Joanna, Fafá de Belém, Zezé Motta, Simone e Quarteto em Cy? Certamente porque as três elegeram o samba como o eixo de seus repertórios. Preconceito claro, pois as três cantoras eram imensamente populares na época.

2. Joanna, que teve início de carreira tão bonito, não conseguiu permanecer no mesmo patamar de qualidade de suas colegas. Fafá e Simone também derraparam feio nos anos 80, mas ainda mantém acesa uma chama que, ao que me parece, já se apagou em Joanna...

3. Zezé Motta tinha uma carreira de cantora tão interessante nos anos 70. Mas o mercado a levou a priorizar seu trabalho de atriz. Pena! Zezé tinha uma brejeirice toda própria. Merece voltar ao disco.

Terça-feira, 25 Março, 2008

Chega de Marina Elali e Ivo Pessoa na trilhas globais

Capa do CD 'Duas Caras Internacional' Chega às lojas esta semana o CD com a trilha internacional da novela Duas Caras. E não é que, no meio de músicas de Alicia Keys e Diana Krall, entre outros nomes, estão gravações de Marina Elali e de Ivo Pessoa??!! Ela com uma pavorosa versão em inglês do Xote das Meninas. Ele com o cover de You Are so Beautiful. Numa boa, ninguém agüenta mais os dois cantores em trilhas de novelas da Rede Globo.

Segunda-feira, 24 Março, 2008

Ana Carolina e os piratas

Divulgação / Sony BMG Um dos alvos certos dos piratas em 2008 é o CD e DVD Dois Quartos - Multishow ao Vivo, de Ana Carolina. Por isso mesmo, foi montado todo um esquema para preservar o produto enquanto ele não chega nas lojas - o que está previsto para acontecer a partir de 4 de abril. A artista recebeu jornalistas de todo o país nesta segunda-feira, para a protocolar maratona de entrevistas promocionais, mas ninguém levou o DVD para casa. Quem entrevistou a cantora assistiu ao DVD antes da entrevista coletiva. Os que receberam uma amostra antes - casos dos críticos e dos repórteres que fizeram entrevistas individuais para seus veículos - até receberam o DVD, mas este veio com uma tarja 'exclusivo para a imprensa' que aparece na capa e em toda a exibição do vídeo. Sinal dos tempos...

Domingo, 23 Março, 2008

Gil, Macalé e Marisa na onda de Calcanhotto

Foto de Gilda Midani / Reprodução da capa do CD 'Maré'
A expressiva foto acima, de Gilda Midani, está na capa do sétimo álbum de Adriana Calcanhotto (o oitavo se levado em conta o trabalho infantil que a artista assinou com o heterônimo de Adriana Partimpim). Maré chega às lojas em abril pela Sony BMG. O disco apresenta 11 músicas e remete ao disco Maritmo, editado pela cantora e compositora em 1998. Produzido por Arto Lindsay, que já trabalhou muito com Marisa Monte mas nunca assinou a produção de um disco de Calcanhotto, Maré conta com participações de músicos como Domenico Lancellotti, Rodrigo Amarante e Kassin. Gilberto Gil toca violão em Sargaço Mar, música de Dorival Caymmi (aliás, também presente no anterior Maritmo com Quem Vem pra Beira do Mar). Marisa Monte, a cantora-símbolo da geração de Adriana, faz dueto com a colega em Porto Alegre, tema de Péricles Cavalcanti. Embora já estivesse cantando em shows uma inédita de Marina Lima (Às Ordens do Amor), Calcanhotto preferiu regravar Três, a bela parceria de Marina com Antonio Cícero que a autora já havia gravado no CD Lá nos Primórdios. Entre as inéditas, um dos destaques é Teu Nome Mais Secreto, última parceria de Adriana com o poeta Waly Salomão. A faixa conta com o violão de Jards Macalé. Calcanhotto também faz conexão com outro poeta, o tropicalista-concretista Augusto de Campos, de quem canta os versos do poema Sem Saída, musicados por Cid Campos. O arranjo é de Aldo Brizzi. Outro destaque é a singela canção Um Dia Desses, criada por Kassin a partir de poema do tropicalista Torquato Neto.

Eis as faixas do CD Maré:
1. Maré (Adriana Calcanhotto e Moreno Veloso)
2. Seu Pensamento (Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira)
3. Três (Marina Lima e Antonio Cícero)
4. Porto Alegre (Péricles Cavalcanti) – com participação de Marisa Monte
5. Mulher sem Razão (Dé, Bebel Gilberto e Cazuza)
6. Teu Nome Mais Secreto (Adriana Calcanhotto e Waly Salomão) – com o violão de Jards Macalé
7. Sem Saída (Augusto de Campos e Cid Campos)
8. Para Lá (Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes)
9. Um Dia Desses (Torquato Neto e Kassin)
10. Onde Andarás (Caetano Veloso e Ferreira Gullar)
11. Sargaço Mar (Dorival Caymmi) – com o violão de Gilberto Gil

Calcanhotto escreve sobre seu disco 'Maré'

Capa do CD 'Maré'
Hábil no manuseio das palavras (suas letras são sempre bem-construídas), Adriana Calcanhotto resolveu fazer um texto para explicar a concepção de seu disco Maré, nas lojas no começo de abril pela gravadora Sony BMG (é o último disco previsto no atual contrato da cantora com a companhia). Como já previsível, o texto é excelente e merece uma conferida. Com a palavra, Calcanhotto:

Som é onda

"Maré, este meu oitavo disco, é o segundo de uma trilogia. O primeiro é Maritmo, o álbum de 1998. E, como segundo, este tem como mote o mar de volta, o mar “mais uma vez”, Maré.
E talvez por estar entre o primeiro e o terceiro é que ele tenha ficado tão entre a mulher e o peixe, entre a palavra e o emaranhamento quântico, entre a linguagem e o indizível. Ou entre Ferreira Gullar e Cazuza, entre Augusto de Campos e Dorival Caymmi, entre Cicero e Waly (1).
As canções foram chegando aos poucos e com algumas, como Mulher sem Razão ou Onde Andarás, eu já flertava, há tempos. Outras surgiram da minha encomenda, como a pérola-Péricles Porto Alegre; escrevi letras para melodias (Maré e Seu Pensamento), fiz música para receber letra (Para Lá) e algumas canções simplesmente atravessaram meu caminho. Em determinado momento tive repertório para um álbum triplo, mas como pra mim peneirar pode ser até mais interessante do que acumular canções, fazer as escolhas não foi muito difícil. Todo corte, toda canção que cai dá um certo aperto no coração, mas, por outro lado, é muito legal ver como elas vão se entreiluminando ou contradizendo dentro do quebra-cabeças que começo mas nunca sei direito onde vai dar.
Chamei meus parceiros Moreno, Domenico e Kassin e conversamos sobre uma turnê fora do Brasil, coisa que ainda não havíamos feito; depois faríamos o disco. Este encontro foi batizado por eles de +Ela e, nessa formação, fomos para Espanha e Japão, numa oportunidade de tocar ao vivo antes das gravações, o que geralmente resulta em calor em termos sonoros e, acredito, foi isso mesmo o que aconteceu. Foi importante para nossa sintonia ainda que o set list da turnê fosse diferente do repertório gravado.
Dé Palmeira, parceiro, amigo, irmão e único compositor que tem duas músicas no disco (Seu Pensamento e Mulher sem Razão), com quem eu já havia feito diversas coisas, -Adriana Partimpim inclusive, - convidei para tocar e simplesmente tocar, com toda alegria, prazer e divertimento com que ele toca, e que me encanta. A mesma coisa combinei com os outros meninos: vamos esquecer a produção e simplesmente tocar. Arto Lindsay para produzir. Assim as gravações podem correr concentradas, mas soltas. Arto é perfeito para a soltura.
A gente tocou o que quis, interferindo conforme cada feeling, e eu foquei basicamente na escolha de pessoas, não de timbres ou instrumentação. Com exceção de Sem saída (arranjada por Aldo Brizzi), as faixas foram sendo construídas à medida que íamos tocando. Diferente do que chamamos “arranjo coletivo”, no sentido do planejamento do que vai acontecer (e no jorro de idéias), trabalhei muito com o silêncio. Nunca disse como imaginava que as faixas deveriam ser e, no máximo, entre opções a escolher fiquei com a mais bonita. Ou mais maluca. Arto entendeu tudo desde o início e contribuiu para a fluidez sendo um ouvidor atento e estimulador.
Com Felipe Abreu uma pré-produção com toda a calma, meses antes das gravações, experimentando tonalidades e andamentos, deixando para o estúdio, a partir do que fosse acontecendo com as bases, as colocações e coloridos das vozes. Felipe, a quem só chamo de Prô, é propulsor e carinhoso e me proibiu de tomar café durante as sessões de voz. No dia em que me peguei no banheiro do estúdio com um copinho descartável na mão, bebendo escondida do Prô um café de garrafa térmica, abandonei o vício, para sempre (do café, naturalmente, nunca do professor).
Fabiano França com antenas atentas captou os “nossos” sons. Um dos meus violões que trasteja, mas que eu amo, uma guitarra que não gosta de se manter afinada, um cello que range, uma respiração mais forte, nada disso ele camuflou ou tentou disfarçar. Amo, por exemplo, o som que ele e Domenico tiraram da minha bicicleta (em Onde Andarás). Fabiano opera o som dos meus shows há tempos e assim, conhece minha voz e meu violão e sabe quando estou bem, ou não muito, animada, maldormida, distraída, alegre, o que for; ele sempre faz perguntas precisas, preciosas, situantes.
Diariamente chegou no estúdio uma maravilha vinda da cozinha de Roberta Sudbrack. Delicadezas perfumadas e inspiradoras, lentilhas e quinoas de gemer. Roberta conseguiu com que vegetarianos, gourmets, restritos e enjoadinhos ficássemos todos nas nuvens.
Nós rimos muito uns dos outros, e sobretudo de nós mesmos, compulsivamente. As emoções, arrepios, gargalhadas, os prazeres, os impactos com os poemas, os vacilos e imprecisões estão na cara. Assim espero.
Divirtam-se!"

Adriana

(1) Antonio Cicero e Waly Salomão, no release que escreveram para o meu CD Cantada (2002), dizem algo que funcione talvez como chave para tão áspera junção de autores (perdão pela autocitação): “...o atraente diferencial de Adriana Calcanhotto é essa arte combinatória e ousada de incorporar no trabalho dissonâncias culturais de tal modo que, longe de tentar harmonizá-las, enfatiza seus choques, suas fendas e suas brechas, como se fosse um DJ, a arranhar e samplear sonoridades reconhecíveis da música comercial e erudita, da poesia canônica e de clichês liricistas...”

Sábado, 22 Março, 2008

Diogo Nogueira em cena

Foto de Mauro Ferreira
Presença freqüente no circuito carioca de shows, Diogo Nogueira canta neste sábado na Estrela da Lapa e volta ao Teatro Rival na terça-feira para fazer mais uma apresentação. Mesmo tendo restrições ao disco de estréia do filho de João Nogueira (um precoce registro ao vivo de um artista que ainda não tinha estrada e repertório para gravar ao vivo), fui conferir o show de Diogo na última terça-feira, no Rival. Justiça seja feita: o rapaz está se apresentando com maior desenvoltura e sabe seduzir sua platéia. Mulheres e gays babam por Diogo e o moço sabe usar seu charme em cena. Mas bato na mesma tecla: Diogo precisa se desligar do repertório de seu pai. Enquanto estiver no colo dos sambas de João, vai ser difícil avaliar se ele tem luz própria. Mas seus shows andam lotados.

Sexta-feira , 21 Março, 2008

Leny e Miele no tom maior de Jobim

Foto de Mauro Ferreira A foto acima registra o momento em que, sob iluminação verde e rosa, Leny Andrade e Miele cantam o samba Piano na Mangueira, última parceria de Tom Jobim com Chico Buarque. O número está no bis do show Um Brasileiro Chamado Jobim, em cartaz desde ontem no Teatro Rival (a temporada, de duas semanas, vai de quinta a sábado). Leny, como sempre, deu um show de interpretação. Poucas vozes cantam Jobim com tanta beleza. Já Miele, como sempre, soube contar histórias para entreter a platéia. Recomendo.

Aproveitando a nota, é justo ressaltar a qualidade da programação atual do Teatro Rival. Sem querer bancar o moderninho, como tantas casas do Centro da Cidade, o septuagenário Rival tem dado um show de jovialidade, programando artistas como Leny Andrade, Déa Trancoso e Nelson Angelo - para citar somente as atrações desta e da próxima semana. Que continue nesta linha!

Quinta-feira, 20 Março, 2008

Sony vai lançar CD de Kevin Johansen no Brasil

Capa do CD 'Logo'
Admito que não conhecia a música de Kevin Johansen até ouvir o disco solo de Paula Toller. E justamente as faixas de que mais gostei no CD da Abelha Rainha foram as duas músicas deste compositor nascido no Alaska e radicado na Argentina: Glass e À Noite Sonhei Contigo. Por iso mesmo, fiquei feliz de saber que, no embalo da projeção nacional dada a Johansen por Paula, a Sony BMG vai lançar no Brasil o último álbum do artista, The Logo. Acho que, no geral, o Brasil ouve muito pouco a música produzida em seus países vizinhos. E acaba perdendo coisas boas. Johansen é uma delas.

Quarta-feira, 19 Março, 2008

A capa do CD da Mariah

Capa do CD 'E=MC2'
Menos de uma semana depois da Warner Music divulgar a capa do novo CD de Madonna, foi a vez da Universal Music alardear a divulgação da capa do álbum que Mariah Carey lança em 15 de abril. Mariah não tem o prestígio de Madonna, mas vive excelente fase comercial desde o estouro de seu álbum anterior, The Emancipation of Mimi. Pelo sucesso do single Touch my Body, tudo indica que E=MC2 seguirá a mesma trilha do antecessor.

Terça-feira, 18 Março, 2008

Um momento especial de Daniela Mercury

Capa do DVD 'O Canto da Cidade - 15 Anos'
Como meus leitores sabem, não fecho os ouvidos para nenhum gênero musical. E não seria diferente com a música afro-pop-baiana - rotulada de axé music. Por isso mesmo, vi com especial atenção o DVD O Canto da Cidade - 15 Anos, que disponibiliza o especial de Daniela Mercury que foi gravado e exibido pela Rede Globo em dezembro de 1992. O momento vivido pela cantora baiana na época era realmente especial. Nunca me esqueci da estréia incendiária de O Canto da Cidade no Canecão. Era tanta gente querendo entrar no Canecão que se formou um tumulto na porta da casa. Lá dentro, a temperatura fervia. E esquentou ainda mais quando Daniela levantou a multidão ao som de sucessos como Crença e Fé e Pega que Oh. Era uma quinta-feira. Gostei tanto que voltei no sábado para rever o show. Era tanta gente querendo ver Daniela que, na seqüência, a cantora foi fazer show na Praça da Apoteose. O DVD ora lançado pela Sony BMG foi gravado nessa apresentação, mas não capta o calor do espetáculo. Fica, contudo, como um registro eterno do momento em que o Brasil descobriu Daniela Mercury, que sempre arrastou multidões sem nunca ceder ao populismo de Ivete Sangalo, o grupo É o Tchan e Cia.

Segunda-feira, 17 Março, 2008

A pose dos Detonautas

Divulgação / Sony BMG
Taí uma pose do grupo Detonautas para o encarte do quarto CD, O Retorno de Saturno, nas lojas no início de abril pela gravadora Sony BMG. É o disco que vai mostrar se o Detonautas tem cacife para se manter na mídia por conta de seu som ou se vai ficar dependente dos atos de protestos liderados por seu vocalista Tico Santa Cruz, que assina todas as músicas. Vamos aguardar até abril.

Domingo, 16 Março, 2008

Benito no disco do Revelação

Divulgação / Deckdisc Precursor nos anos 70 do samba tocado no piano, que desaguaria no pagode insuportável que dizimou as paradas na década de 90, Benito Di Paula tem muitas pérolas no seu repertório de pegada original. Uma delas, Beleza que É Você Mulher, vai ganhar regravação do grupo Revelação em seu terceiro CD de inéditas pela Dekcdisc. A associação é curiosa, pois o Revelação luta justamente para impor seu nome no samba mais genuíno - embora não raro seja identificado com o pagode meloso dos anos 90. Bira Havaí é o produtor do disco, que sairá em julho.

Sábado, 15 Março, 2008

Marisa Monte lança em breve DVD documental

Divulgação / Phonomotor
Os fãs de Marisa Monte já podem ir economizando: o próximo DVD da cantora vai chegar às lojas em breve. E não vai trazer simplesmente o registro do show Universo Particular, cuja turnê terminou em dezembro. O DVD terá um caráter documental. Marisa vai explicar o processo de gravação de seus CDs e de condução de sua carreira. Assunto, aliás, bem interessante, já que a artista sempre soube planejar bem sua trajetória profissional. Às vezes fazendo do antimarketing o seu próprio marketing.

Sexta-feira , 14 Março, 2008

A capa e as 12 faixas do novo CD de Madonna

Capa do CD 'Hard Candy'
A Warne Music acaba de divulgar a capa do novo CD de Madonna, Hard Candy, nas lojas em 28 de abril. A garota materialista posa com visual e gestual de dominatrix como quem diz 'a vida é doce, mas dura'. O primeiro single do álbum, 4 Minutes, chega às rádios do mundo todo na segunda-feira. Eis as faixas do disco:
1. Candy Shop
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

2. 4 Minutes
Madonna and Justin Timberlake
Produced by: Timbaland
Background Vocals by: Justin Timberlake

3. Give It 2 Me
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

4. Heartbeat
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

5. Miles Away
Madonna and Justin Timberlake
Produced by: Timbaland

6. She’s Not Me
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

7. Incredible
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

8. Beat Goes On
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: The Neptunes

9. Dance Tonight
Madonna and Justin Timberlake
Produced by: Timbaland
Background Vocals by: Justin Timberlake

10. Spanish Lessons
Madonna and Pharrell Williams
Produced by: the Neptunes

11. Devil Wouldn’t Recognize You
Madonna and Justin Timberlake
Produced by: Timbaland
Co-Produced by : Danja
Background Vocals by: Justin Timberlake

12. Voices
Madonna and Justin Timberlake
Produced by Danja
Co-Produced by: Timbaland
Background Vocal: Justin Timberlake

Marina Machado lança CD avalizada por Milton

Divulgação Nascimento Música / Bruno Magalhães
Marina Machado é uma boa cantora mineira que caiu nas graças de Milton Nascimento, que, depois de tê-la convidado para dividir o palco com ele na turnê Pietá (2002 / 2004), lança por seu selo, Nascimento Música, o terceiro disco solo de Marina, Tempo Quente. A cantora segue uma linha neo-bossa que poderá lhe render comparações com Bebel Gilberto. Milton canta com ela Discovery, de Lula Queiroga (que, aliás, está para lançar disco solo). Samuel Rosa, do Skank, dá o ar da graça em Grilos, uma daquelas músicas de Roberto e Erasmo Carlos que desviam da linha romântica da dupla. Seu Jorge comparece em Otimismo. E ainda tem músicas de Moreno Veloso (Assim), de Max de Castro (Candura), do próprio Samuel (Simplesmente, parceria com Chico Amaral) e um lado b de Marcos Valle (A Paraíba Não É Chicago, parceria com o mano Paulo Sérgio e com Laudir de Oliveira e Ware Cetera, então integrantes do grupo Chicago). O lançamento será dia 27 no Mistura Fina.

Quinta-feira, 13 Março, 2008

A acertada opção de Ney Matogrosso

Capa do CD 'Inclassificáveis'
Taí a belíssima capa do novo CD do Ney Matogrosso, Inclassificáveis, que chega às lojas no fim de março (ou início de abril) pela EMI Music. O disco está calcado no show homônimo - que estreou em setembro em Juiz de Fora (MG) - e depois começou a correr o Brasil. Poderia ser mais um registro ao vivo como tantos que chegam às lojas, mas Ney - sábio - optou por fazer o disco em estúdio. Para quem quiser ver o show, o DVD que será lançado na seqüência vai proporcionar a experiência de vê-lo no palco neste show de atmosfera roqueira. Mas o disco foi, acertadamente, gravado em estúdio. Eis os 17 números do show selecionados pelo cantor para o CD:

1. O Tempo Não Pára (Cazuza e Arnaldo Brandão)
2. Mal Necessário (Mauro Kwitko)
3. Leve (Iará Rennó e Alice Ruiz)
4. Fraterno (Pedro Luís)
5. Ouça-me (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
6. Um Pouco de Calor (Dan Nakagawa)
7. Novamente (Fred Martins e Alexandre Lemos)
8. Mente, Mente (Robinson Borba)
9. Lema (Carlos Rennó e Lokua Kanza)
10. Sea (Jorge Drexler)
11. Por que a Gente É Assim? (Cazuza, Ezequiel Neves e Frejat)
12. Coisas da Vida (Alzira Espíndola e Itamar Assumpção)
13. Ode aos Ratos (Chico Buarque e Edu Lobo)
14. Inclassificáveis (Arnaldo Antunes)
15. Veja Bem, meu Bem (Marcelo Camelo)
16. Divino Maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil)
17. Coragem, Coração (Cláudio Monjope e Carlos Rennó)

Quarta-feira, 12 Março, 2008

Nome de cantora sai errado na capa de disco

Capa do CD 'Um Cantinho, um Violão e Bossa Nova'
Tudo bem, errar é humano. Mas é preciso atenção para detectar e corrigir os erros. Acho inadmissível que uma gravadora como a Som Livre tenha deixado chegar às lojas um disco - Um Cantinho, um Violão e Bossa Nova - em que o nome da cantora Leila Pinheiro aparece grafado na capa como Leila 'Pinhero'. Desleixo à parte, entre as 14 gravações inéditas deste CD produzido por José Milton, o maior destaque é Mônica Salmaso. Sua interpretação de Primavera, na companhia do violão de Dori Caymmi, é simplesmente sublime.

Terça-feira, 11 Março, 2008

Zizi estréia temporada no Tom Jazz

Divulgação Esta dica é para os paulistas: Zizi Possi estréia hoje temporada na casa Tom Jazz. É um show inédito que a cantora pretende transformar em CD e em DVD. Trata-se de uma série de 12 apresentações que vai acontecer às terças-feiras, sempre com um convidado especial a cada show. Zizi está comemorando 30 anos de carreira. Se eu estivesse em São Paulo, iria dar uma conferida.

Segunda-feira, 10 Março, 2008

'Chega de Saudade' dá um baile no cinema nacional

Com a licença do blog vizinho Cinelândia, vou tecer elogios sobre Chega de Saudade. Vi hoje o segundo filme de Laís Bodansky e acho que ele dá um baile no atual cinema nacional (às vezes simplista e televisivo, às vezes pretensioso demais). O roteiro filmado por Bodansky é simples e de grande humanidade. Ao mostrar encontros e desencontros ocorridos numa única noite num baile da chamada terceira idade, o filme monta um belo painel humano. Uma delícia. E atrizes como Betty Faria e Cássia Kiss expressam no olhar o que sentem as personagens.

Domingo, 9 Março, 2008

A emoção de ver Dylan- com direito a 'Blowin' in the Wind'

Divulgação / Marcos Hermes
E Bob Dylan brindou os cariocas com a inclusão de Blowin' in the Wind na apresentação que fez ontem à noite na gigantesca Arena Rio (na boa, o público que compareceu caberia no Citibank Hall). O clássico de 1963 tinha ficado de fora das apresentações paulistas da Never Ending Tour, mas entrou no Rio de forma quase irreconhecível. Fui conferir o show. Falaram que o de São Paulo foi hermético. Se foi, o Rio saiu no lucro. Dylan é um cara de poucas palavras (ao vivo - nas músicas, seus versos verborrágicos fazem o mundo pensar desde os anos 60), sua voz soa fanhosa, mas não tem jeito: trata-se de um mito. E, justiça seja feita, com toda a aura que o cerca, ele fez show azeitado na companhia de uma banda afiada. Masters of War, Spirit on the Water, Things Have Changed, When the Deal Goes Down, Highway 61 Revisited e Like a Rolling Stone foram alguns dos melhores números de um roteiro que alternou clássicos dos anos 60 com músicas do último (grande) álbum do artista, Modern Times, de 2006. Valeu a pena ter ido tão longe.

Sábado, 8 Março, 2008

A estréia arrebatadora de Bethânia e Omara

Foto de Mauro Ferreira
Ainda estou embevecido com o belíssimo show de Maria Bethânia e Omara Portuondo, que estreou ontem no Canecão. Gosto do disco, que tenho ouvido quase diariamente, mas acho que faltou um calor que existe no espetáculo. O Ciúme, número solo de Bethânia, foi tão forte que não páro de ouvir a gravação de 1988 do álbum Maria, um dos meus preferidos de Bethânia. A abertura com Cio da Terra foi comovente. Todo mundo que estava no hiperlotado Canecão saiu de alma leve, com a felicidade que somente os grandes espetáculos proporcionam. Teve gente que até chorou em vários momentos. E, de fato, o show é emocionante. Juntas, Bethânia e Omara cantaram músicas como Guantanamera (o encerramento do bis), Havana-me (a música em que Joyce e Paulo César Pinheiro celebram as afinidades entre Brasil e Cuba) e Cálix Bento. Para ficar na memória.

Sexta-feira , 7 Março, 2008

O novo disco de Adriana Calcanhotto

Divulgação / BMG Um dos discos mais esperados de 2008 chega às lojas no início de abril pela gravadora Sony BMG. É Maré, o novo álbum de inéditas de Adriana Calcanhotto, que reassume sua identidade original depois de ter encarnado Adriana Partimpim. A produção é de Arto Lindsay, que tem tudo a ver com o estilo cool e refinado de Calcanhotto. O disco está sendo muito esperado porque, desde 2002, a compositora gaúcha não lança um disco autoral. A faixa-título é parceria de Calcanhotto com Moreno Veloso. Outras prováveis novidades são O Surfista , música de Calcanhotto, e As Ordens do Amor, nova de Marina Lima. Certa é a inclusão de Teu Nome Mais Secreto, última parceria de Calcanhotto com o poeta Waly Salomão.

Quinta-feira, 6 Março, 2008

Takai faz show solo no Rio em abril

Divulgação Cariocas, anotem na agenda: o esperado show solo de Fernanda Takai chega ao Rio de Janeiro em abril. Vai ser a oportunidade de conferir ao vivo a releitura da cantora para o repertório da saudosa Nara Leão - apresentada no CD Onde Brilhem os Olhos Seus. Estarei lá na estréia!

Quarta-feira, 5 Março, 2008

No Rival, um encontro de vozes incomuns

Divulgação
Para quem admira vozes que extrapolam rótulos, indico o show de Fênix, que rola nesta quarta-feira no Teatro Rival. Ney Matogrosso - ele mesmo dono de uma voz que causou controvérsias e polêmica em 1973 quando explodiu nacionalmente - vai fazer um dueto com Fênix e apresentar dois números de seu show Inclassificáveis. Fênix foi revelado aos cariocas nos anos 90, como destaque do musical Quatro Carreirinhas. Como Edson Cordeiro, Fênix traz na voz elementos do canto lírico e transita com facilidade por tons femininos. Este show Mar Profundo é a base do espetáculo que será gravado ao vivo em maio, em Pernambuco, terra natal deste cantor interessante. No roteiro, Zé Ramalho e Caetano Veloso.

Terça-feira, 4 Março, 2008

O disco solo de Yuka

Divulgação / Sony BMG Marcelo Yuka é brasileiro e não desiste nunca. O ex-mentor do grupo carioca O Rappa esteve conversando em São Paulo com o DJ e produtor Apollo 9. É que Yuka já pensa em um disco solo, uma vez que o primeiro CD de sua nova banda, o F.Ur.T.O., passou em brancas nuvens. Numa boa, Yuka tem muito o que dizer. É um excelente letrista, mas, como mostro o disco do F.Ur.T.O., um CD não se sustenta somente com boas letras. É preciso algo mais. Tomara que Yuka encontre em Apollo um parceiro eficaz na produção de um disco que faça jus ao seu talento. Yuka merece!

Segunda-feira, 3 Março, 2008

O que ninguém vai ver no DVD de José Augusto

Divulgação / Washington Possato Cobri a gravação do DVD do José Augusto para a minha coluna impressa Estúdio - publicada às sextas-feiras no Caderno D do jornal O Dia - e fiz o texto que reproduzo abaixo para que os leitores virtuais saibam como rola, de fato, a gravação de um DVD.
E o de Augusto é apenas um exemplo. Eis o relato:

“DVD é assim mesmo, gente, desculpa... Vocês vão ter que ter paciência...”, alertou José Augusto enquanto o palco era rearrumado para que ele pudesse continuar a gravação de seu primeiro DVD, realizada na quarta-feira à noite, em show para convidados apresentado na sede carioca da gravadora Universal Music. Em abril, quando o DVD for lançado, ninguém vai ver as tensões e truques típicos de gravações ao vivo. Nem saber que o diretor artístico Miguel Plopschi solicitou à platéia gritos e aplausos fortes antes do início do show. Desnecessário.
A rigor, nem era preciso forjar entusiasmo. A platéia feminina recrutada por uma rádio popular bateu palmas e fez coro espontâneo com o artista em sucessos como ‘Agüenta Coração’ e ‘Chuvas de Verão’. Mas teve que aturar as repetições, comuns em gravações ao vivo.

Logo no início houve pequeno stress: “é bom vocês decidirem”, sentenciou Plopschi, ligeiramente irritado, ao se dirigir à equipe técnica para saber se era preciso repetir apenas a entrada do cantor em cena, todo o primeiro número (Tudo Deu em Nada, versão de Menta y Limon) ou o medley que uniu Fantasias e Sábado. Depois de insistir em ter uma resposta, Plopschi acabou tendo que refazer tudo. Mas o público não desanimou.

Augusto priorizou os hits que lhe deram fama a partir de 1986, quando reconquistou o mercado popular no qual reinara no início dos anos 70 - com hits como Eu Quero Apenas Carinho - e que perdera ao se dedicar à praça latina dos países de língua espanhola. Aliás, essa gravação ao vivo representa nova tentativa de Augusto de retomar seu reino. Para tal, ele enfileirou canções pautadas por tons popularescos e convocou convidados como The Originals (em Amar Você e Ciúme de Você, hit de Roberto Carlos na Jovem Guarda), Chitãozinho & Xororó (Evidências, hit de sua autoria que a dupla lançou em 1990) e Alcione, com quem reviveu a baladona O Que Eu Faço Amanhã?... (gravada pela cantora em 1986) e prestou homenagem sem nexo a Tim Maia com Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar). O público vai ouvir também os harmoniosos vocais do Roupa Nova em Eu e Você. Mas não vai ver que o elogio feito ao grupo era texto decorado exibido no teleprompter posicionado atrás da platéia. Gravação de DVD é assim mesmo...

Domingo, 2 Março, 2008

Maria Rita faz bonito em show em tributo à bossa

Foto de Mauro Ferreira
Sem diminuir a presença e a importância dos nomes que cantam bossa nova há 50 anos, é justo reconhecer que foi Maria Rita que protagonizou o momento mais bonito do belo show que celebrou o Rio de Janeiro e a bossa cinqüentona nas areias da Praia de Ipanema, na noite de sábado. Estive lá e, como tantos, fiquei encantado com a versão intimista de Corcovado cantada por Rita ao lado do violonista Oscar Castro Neves. Rita fez bonito.

Fernanda Takai, por sua vez, também não fez feio ao cantar Insensatez e O Barquinho com Roberto Menescal. Mas, verdade seja dita, fora da ambiência sonora do Pato Fu, Takai brilha menos. Seu canto cresce quando imerso nos sons de John Ulhoa e Cia. Mas foi bacana ver Takai representar Nara Leão, cujo repertório inspirou seu belíssimo primeiro disco solo, destaque de 2007.

No mais, foi uma delícia ouvir Leila Pinheiro (numa ensolarada versão de Manhã de Carnaval), Leny Andrade - com canto sempre exuberante - e Joyce, entre muitos outros nomes. Houve tensões entre os convidados que se sentaram nas cadeiras da área vip, mas nada que empanasse o brilho do evento.

Sábado, 1 Março, 2008

Platéia do Circo Voador consagra Roberta Sá

Divulgação / Washington Possato
Nem Roberta Sá esperava ser recebida de forma tão entusiástica pelo público do Circo Voador. Mas, desde que pisou no lendário palco carioca, nos últimos minutos de sexta-feira, a cantora foi ovacionada e saiu de cena consagrada. O público que se abrigou sob a lotada lona cantou TODAS as músicas dos dois discos de Roberta, Braseiro e Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria. De novidade em relação à estréia do show no Teatro Rival, no ano passado, houve as intervenções de Dudu Nobre (com quem Roberta cantou Água da Minha Sede e Quem É Ela? - sambas gravados por Zeca Pagodinho), de Pedro Luís (dueto em Fogo e Gasolina e em Braseiro) e do bandolinista Hamilton de Holanda, com quem Roberta cantou Laranjeira e Novo Amor (número inédito no show). Um arraso! Foi um dia de glória, como resumiu Roberta no fim do show. Para ficar na memória.