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Mauro Ferreira

Quarta-feira, 30 Abril, 2008

A capa do novo CD do Coldplay

Capa do CD 'Viva la Vida or Death and All his Friends'
Taí a capa do quarto álbum do Coldplay, Viva la Vida or Death and All his Friends, nas lojas a partir de 17 de junho. A capa estampa a emblemática pintura Liberdade Guiando o Povo, do artista francês Eugène Delacroix. Foi a tela mais política da obra do pintor, associado ao Romantismo francês. Que venha o disco!

Segunda-feira, 28 Abril, 2008

Frejat é ausência sentida no show que festeja Cazuza

Divulgação
Cazuza teria feito 50 anos em 4 de abril. Com um mês de atraso, uma turma da pesada vai celebrar a vida e a obra deste ícone do rock dos anos 80 na quinta-feira, feriado de 1º de maio, quando rola um show-tributo na Praia de Copacabana que, como de praxe, vai ser gravado para virar CD e DVD. Mas a ausência de Frejat entre os nomes divulgados é sentida. Afinal, Frejat está para Cazuza como Keith Richards está para Mick Jagger. Seja como for vão cantar, entre outros, Gabriel O Pensador (Brasil), Ângela RoRo (Malandragem), Preta Gil (O Nosso Amor a Gente Inventa),Ney Matogrosso (O Tempo Não Pára, entre outras músicas), Caetano Veloso (Minha Flor, meu Bebê) e Zélia Duncan (Vem Comigo).

Sexta-feira , 25 Abril, 2008

Nova música dos Mutantes soa velha

Divulgação
Enfim, uma música inédita dos Mutantes. A primeira em 34 anos. Lançada esta semana, e disponibilizada para audição e download gratuito no site oficial da banda (www.mutantes.com) a partir de hoje, Mutantes Depois não é uma música ruim. Mas já soa velha mesmo sendo nova. Parece que o grupo quis juntar em cinco minutos e nove segundos todos os clichês da sonoridade da banda em sua fase áurea (com Rita Lee e Arnaldo Dias Baptista). Vamos aguardar o disco para ver se tem lugar para os Mutantes no futuro tão celebrado na letra.

Quinta-feira, 24 Abril, 2008

Obra-prima de João Gilberto é reeditada

Capa do LP 'Amoroso' Boa notícia para os fãs de João Gilberto enquanto esperam a volta do cantor aos palcos nacionais: a Warner Music está reeditando Amoroso, uma das obras-primas da discografia de João, lançado em 1977. Foi gravado com arranjos de Claus Ogerman. Não é tão revolucionário quanto os três primeiros álbuns do gênio - os três fora de catálogo por conta de uma briga judicial do artista com a EMI Music - mas é essencial também. A reedição conta com embalagem em digipack, mas o áudio não foi remasterizado porque nenhuma gravadora tem autorização legal para mexer no som gravado por João.

Quarta-feira, 23 Abril, 2008

Donna Summer fala do Brasil em novo CD de estúdio

Capa do CD 'Crayons'
Quem curtiu os bons tempos da discoteca, como eu, não vai ficar indiferente à notícia de que há novo disco de Donna Summer no forno. Crayons tem lançamento programado no exterior para 20 de maio. É o primeiro álbum de estúdio da diva em 17 anos! E uma das curiosidades é que uma das 12 músicas, Drivin' Down Brasil, fala de uma viagem por nosso país, onde Donna sempre fez sucesso. Já na pose da capa, dá para perceber que ela continua dando pinta. A questão é saber se Crayons - que tem participação de Ziggy Marley na faixa-título - vai conseguir reinserir Donna na cena dance, onde ela reinou nos anos 70 com gravações que ainda hoje soam modernas. Donna se cercou de produtores associados a cantoras como Rihanna e Lily Alen. Enfim, vamos aguardar o disco. A rainha está de volta!

Domingo, 20 Abril, 2008

O 'Interlúdio' de Leo Jaime

Divulgação Som Livre / Ana Luiza Sobreira “Tudo cai, tudo esfria / Todo mundo vai embora um dia”, sentencia Leo Jaime no refrão de Mesmo Assim, balada do CD que lança em maio. Popular nos anos 80, o cantor teve sua carreira esfriada ao longo da década de 90, ao entrar na geladeria da gravadora Warner Music, mas volta com disco intitulado Interlúdio. O primeiro CD de Leo Jaime em 13 anos (o último, Todo Amor, é de 1995) tem repertório inédito. O compositor goiano não mostrava novidades desde 1990, quando lançou Sexo, Drops & Rock’n’Roll.

A julgar pelas faixas já disponibilizadas pelo artista em sua página no MySpace, Interlúdio retrata Leo Jaime em fase de maturidade com doses mais ou menos altas de nostalgia e melancolia. Parceria de Leoni com Leo, Fotografia — única música não inédita do CD — monta o painel saudoso de tempos mais solares. O álbum flagra Jaime em clima invernal. “O amor não me visita mais”, queixa-se o artista na boa faixa-título do disco, em que faz reflexões existenciais sobre perdas e danos num tom intimista e esfumaçado.

Como mostram músicas como Pode Ser, o álbum é pautado por repertório baladeiro de tonalidades suaves. Contudo, uma sutil pegada roqueira pode ser detectada em alguns compassos de Se Ela Soubesse o que Quer, outra inédita de uma safra que inclui ainda Tudo, Nos Arredores do Amor e Pelo Rio.

Prestes a fazer 49 anos (na próxima quarta-feira, 23 de abril), Leo Jaime lança seu oitavo álbum solo com adesões dos amigos Leoni, Leandro Verdeal (do João Penca e seus Miquinhos Amestrados, o grupo que abrigou Jaime no início dos anos 80) e Alvin L. Interlúdio parece ter algum parentesco com o também melancólico Avenida das Desilusões (1989). A rigor, Jaime já experimenta sons mais sérios e ‘maduros’ desde 1986, quando lançou um álbum, Vida Difícil, que não foi bem assimilado na época pelo mercado por já esboçar uma maturidade que parece ter ganhado retrato mais nítido em Interlúdio.

Sábado, 19 Abril, 2008

Revivendo as Frenéticas...

Capa do livro 'As Tais Frenéticas'
Minha leitura destes últimos dias foi o livro de Sandra Pêra, As Tais Frenéticas, enviado pela Ediouro. O livro narra a saga do sexteto feminino que deu um toque de irreverência à música pop brasileira dos anos 70. Em estilo coloquial e estruturado em tópicos, como um almanaque, o texto de Sandra é ágil e permite um mergulho naquele delicioso universo das discotecas. Mas a autora também mostra todos os ossos do ofício. Recomendo. As Frenéticas fizeram história.

Sexta-feira , 18 Abril, 2008

Alcione conseguiu destruir um show que era bom

Foto de Mauro Ferreira
Por conta de amigos que ainda não tinham visto o atual show de Alcione, De Tudo que Eu Gosto, acabei topando rever o espetáculo em sua reestréia no Canecão. Até porque o show estreou bem (no Citibank Hall, em novembro) e tinha um dos mais equilibrados roteiros apresentados pela cantora nos últimos tempos. Pois não é que Alcione conseguiu destruir um show que era bom? Ela simplesmente deixou de cantar as melhores músicas do repertório: Camarim, Desacostumei de Carinho, Mutirão de Amor, Edital, Mesa de Bar... E o que entrou no lugar? Mais baladas ruins e uma homenagem populista a Tim Maia. Sinceramente, preferia ter ficado com a boa recordação que tinha da estréia em novembro. Justiça seja feita, porém: a inclusão de O Que É o Amor, música que Arlindo Cruz deu para o disco de sambas de Maria Rita, foi um acerto. O samba caiu muito bem na voz de Alcione. Melhor do que na voz de Maria Rita, aliás.

Quinta-feira, 17 Abril, 2008

Madonna tem boas chances de vir ao Brasil em 2009

Divulgação / Warner Music
Quem viver, verá: a turnê do novo álbum de Madonna, Hard Candy, que começa em setembro, tem grandes chances de passar pelo Brasil em 2009. É que a Live Nation - a empresa que vai gerencia a turnê da estrela - tem como política levar seus artistas para os quatro cantos do mundo. E, mais importante, o empresário que já trouxe ao Brasil nomes como U2 (nos anos 90) tem no currículo alguns shows já negociados com a Live Nation. Repito e banco: Hard Candy, a turnê, dificilmente vai deixar de passar pelo Brasil. Quem viver, verá o show,

Em tempo: rolou hoje de manhã, na sede carioca da Warner Music, a primeira audição oficial do álbum em terras brasileiras. O disco é bom. Madonna consegue impor seu estilo em meio aos batidões de Timbaland e da dupla The Neptunes. Voltarei ao assunto em breve.

Quarta-feira, 16 Abril, 2008

Novela propaga outra música de Blunt

Divulgação / Warner Music
James Blunt - e, por tabela, a gravadora Warner Music - tem sorte com as novelas globais. Em 2005, Belíssima ajudou a emplacar no Brasil You're Beautiful, o hit do primeiro álbum do cantor britânico. A canção tocou até enjoar e animou a Warner a promover outras músicas do disco sem o mesmo êxito. Mas errou quem acreditou que Blunt ia se tornar cantor de um hit só nas terras brasileiras: Same Mistake, uma das mais baladas mais bonitas do segundo álbum do cantor, All the Lost Souls, toca sem parar na novela Duas Caras. É o tema romântico dos protagonistas Marconi Ferraço e Maria Paula. E tem todo jeito de grande hit. Blunt é ótimo.

Terça-feira, 15 Abril, 2008

João Gilberto volta aos palcos brasileiros

Divulgação
No ano em que todo mundo parece reverenciar o cinqüentenário da velha bossa, não poderia faltar um show d'ELE na programação musical de 2008. ELE é, claro, o recluso João Gilberto, que vai fazer quatro shows no Brasil entre agosto e setembro. No Rio, João canta em 24 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Também fará apresentações em São Paulo e na Bahia.

Segunda-feira, 14 Abril, 2008

'Três' nas vozes de três cantoras

Divulgação Com a chegada às lojas esta semana do oitavo disco de Adriana Calcanhotto, Maré, Três - o tango-canção de Marina Lima e Antonio Cicero, lançado por Marina em 2005 no show Primórdios e depois incluído no CD Lá nos Primórdios (2006) - ganha sua terceira gravação. O registro refinado de Calcanhotto supera muito a gravação de Ana Carolina, editada simultaneamente no DVD Dois Quartos - Multishow ao Vivo. Mas o fato de Três já ter as vozes de três cantoras apenas confirma para mim a certeza de que Marina é a melhor intérprete de suas músicas - mesmo à meia-voz... Três é dez!

Domingo, 13 Abril, 2008

Obra imortal do brasileiro Jobim é encaixotada

Divulgação / Universal Music Tratada até então com indesculpável descaso pela indústria fonográfica brasileira, a discografia de Tom Jobim (1927 - 1994) começa, enfim, a ganhar tratamento condizente com a grandiosidade da música do maestro soberano. Em 6 de maio, a gravadora Universal vai pôr nas lojas a caixa Brasileiro, que embala cinco álbuns e três inéditas coletâneas. Dois cinco títulos originais, o mais raro é a trilha do filme Garota de Ipanema, composta por Tom e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) para o filme dirigido por Leon Hirszman em 1967. Embora já editada em CD em 2001 na caixa de 27 discos Como Dizia o Poeta, de dicada à obra fonográfica de Vinicius, a trilha é pouco conhecida. Na caixa, ela faz companhia a Caymmi Visita Tom (1964), Matita Perê (1973), Elis & Tom (1974) e Tom & Edu (1981), discos não tão raros. Já as coletâneas Tom Feminino, Tom Masculino e Tom Para Dois reúnem gravações de músicas de Jobim nas vozes de vários intérpretes.

Além da caixa, a mesma gravadora Universal vai pôr nas lojas, em reedições avulsas, sete títulos da obra de Jobim. Voltarão ao mercado brasileiro, em maio, álbuns antológicos como The Composer of Desafinado Plays (1963, primeiro disco de Jobim como intérprete de suas próprias músicas), Wave (1967), Tide (1970) e Passarim (1987, em edição remasterizada).

A coleção engloba ainda raro álbum ao vivo editado em 1992 - Rio Revisited, gravado com a participação de Gal Costa - e Antonio Carlos Jobim and Friends, de 1996. Completa o bem-vindo pacote Ella Abraça Jobim, o disco de 1981 que a saudosa cantora americana de jazz Ella Fitzgerald dedicou à obra imortal do brasileiro Antonio Carlos Jobim.

Sábado, 12 Abril, 2008

O samba platinado de Maria Rita

Divulgação / Tripolli Maria Rita vendeu 800 mil cópias de seu primeiro CD. E cerca de 250 mil do Segundo. Mas, como o mercado fonográfico desce ladeira abaixo, por conta da pirataria de CDs físicos e da incontrolável pirataria virtual na internet, a marca de 125 mil cópias atingida pelo terceiro CD da cantora, Samba Meu, é motivo de comemoração pela conquista do Disco de Platina. E merece mesmo festa, pois quase nenhum disco passa das 100 mil cópias hoje no Brasil. Sinal dos tempos.

Sexta-feira , 11 Abril, 2008

Coletânea perfila Cidade Negra ainda com Garrido

Capa da coletânea 'Perfil Cidade Negra'
A gravadora Som Livre vai lançar nos próximos dias uma coletânea do grupo Cidade Negra na série Perfil. O lançamento em si seria uma nota até corriqueira se não estivesse acontencendo no momento em que a banda passa por séria turbulência com a saída de Toni Garrido do posto de vocalista que ocupa desde 1993. De certa forma, a compilação vai funcionar como um resumo da trajetória da banda com Garrido - embora também traga sucesso, Falar a Verdade, do tempo em que Rás Bernardo era o vocalista. Eis as 15 faixas:
1. A Sombra da Maldade
2. Querem meu Sangue (The Harder they Come)
3. Sábado à Noite - Participação Especial: Lulu Santos
4. Onde Você Mora?
5. Girassol (Acústico)
6. O Êre
7. Firmamento (Wrong Girl to Play With)
8. A Estrada
9. Pensamento
10. Falar a Verdade
11. Johnny B. Goode (Acústico)
12. Luz dos Olhos
13. Bamba (Ao Vivo)
14. A Cor do Sol
15. Perto de Deus - Participação Especial: Anthony B

Quinta-feira, 10 Abril, 2008

Delicada, Teresa volta feliz ao Canecão

Foto de Mauro Ferreira
Não era exatamente a estréia de Teresa Cristina no Canecão, mas parecia que era. Tal o nervosismo inicial da cantora ao pisar novamente no palco mais tradicional do Rio para mostrar o show Delicada. Mas logo Teresa foi se acalmando e, feliz e descontraída, fez um belo show para o público que lotou a casa. Com direito a duetos com Seu Jorge em músicas como Me Deixa em Paz, Sem Compromisso e Acreditar. Embora seja tímida, a cantora já parece mais à vontade no palco. E foi falante e com crescente descontração que Teresa desfiou roteiro irretocável que surpreendeu em Sete Cantigas para Voar, tema de Vital Farias que se tornou o momento mais lírico de uma apresentação que reafirmou a fidelidade da cantora ao Grupo Semente e ao samba, mote do repertório. E, justiça seja feita, Cantar, música do último disco da artista, já adquire ares de clássico instântaneo. "Cantar é vestir-se com a voz que se tem", diz Teresa num verso da música. Pois ela se apresentou belamente vestida no Canecão. Em todos os sentidos...

Quarta-feira, 9 Abril, 2008

'Maré' leva Calcanhotto para águas plácidas

Divulgação Sony BMG / Gilda Midani
‘‘Andei por andar, andei. E todo caminho deu no mar’’, avisou Adriana Calcanhotto ao lado de Dorival Caymmi em Quem Vem Pra Beira do Mar, faixa de seu quarto grande disco, Maritmo, editado em 1998. Dez anos depois, a compositora refaz o caminho das águas em Maré, o segundo CD da trilogia marítima, nas lojas a partir de 18 de abril. As águas, no caso, são plácidas. O belo álbum segue curso suave, até linear, mas se situa dentro do alto patamar estético que caracteriza a discografia da artista.

Produzido por Arto Lindsay, Maré remete a Maritmo inclusive na recorrência ao cancioneiro de Caymmi, de quem Calcanhotto regrava Sargaço Mar com o violão doce de Gilberto Gil. Aliás, Maré está cheio de nomes de origem tropicalista e é disco tragado pelas ondas poéticas que moldam o som de Calcanhotto. A compositora entoa versos de poetas como o concretista Augusto de Campos (Sem Saída, musicado por Cid Campos e gravado por Calcanhotto em clima denso), Torquato Neto (Um Dia Desses) e Arnaldo Antunes (Para Lá, de bela melodia).

De Ferreira Gullar, ela canta os versos desesperançados de Onde Andarás, musicados por Caetano Veloso em disco tropicalista de 1967. Mas, diferentemente de Sem Saída, nesta faixa (a mais banal do CD) Calcanhotto não atinge o tom melancólico dos versos de Gullar (mais bem compreendidos por Maria Bethânia no álbum Maria, de 1988). Já de Antonio Cicero, Calcanhotto selecionou Três, parceria do poeta com a mana Marina Lima. Violoncelo tocado por Moreno Veloso pontua a satisfatória releitura da música lançada por Marina em 2006.

Há ecos de Adriana Partimpim na maré de Calcanhotto. Exemplo é a singela canção Um Dia Desses - de refrão intencionalmente pueril (‘Um dia desses eu me caso com você, você vai ver, você vai ver...’) composto por Kassin sobre os versos de Torquato Neto. A faixa é surpreendente flerte com a música ruralista. Mas com o toque de modernidade que caracteriza a obra de Calcanhotto. Moreno Veloso faz a segunda voz.

A atmosfera lúdica de Um Dia Desses aparece também em Porto Alegre (Nos Braços de Calipso), tema de referência mitológica (Calipso é ninfa do mar, na mitologia grega) composto por Péricles Cavalcanti, compositor recorrente na discografia de Calcanhotto, e adornado pelo canto da sereia Marisa Monte, que faz os vocalises que valorizam a gravação e marcam seu primeiro dueto com a colega de geração. “Eu sucumbi ao encanto de Calipso”, diz um verso da música, cujo título alude à terra natal da cantora gaúcha.

Na onda poética que traga Maré, há também os versos revoltos de Waly Salomão (1944- 2003) para Teu Nome Mais Secreto, musicados pela artista em última colaboração com o poeta. “Só meu sangue sabe tua seiva e senha / E irriga as margens cegas / De tuas elétricas ribeiras”, canta Calcanhotto emoldurada pelo violão de Jards Macalé, parceiro de Waly e convidado afetivo da faixa. Mas a melodia de Calcanhotto não acompanha a força dos versos do saudoso poeta.

Maré, a faixa-título, é parceria de Calcanhotto com Moreno Veloso introduzida por violão de tom bossa-novista que anuncia a tonalidade suave do CD. Balada romântica, Seu Pensamento une a autora e o baixista Dé Palmeira, parceiro de Cazuza e Bebel Gilberto em Mulher Sem Razão, jóia antiga que veio dar no mar de Adriana Calcanhotto e que foi escolhida pela gravadora Sony BMG para puxar o disco nas rádios e televisões.

Terça-feira, 8 Abril, 2008

George Israel e Rodrigo Santos gravam DVD com Mautner

Divulgação / Celso Luiz
George Israel e Rodrigo Santos tiveram uma boa e funcional idéia em tempos de crise e de redução de custos. Os músicos aproveitaram a coincidência de estarem lançando discos solos pela gravadora Som Livre e se uniram numa turnê conjunta que vai passar por 11 capitais e que começa nesta terça-feira, em show no Canecão que terá a participação de Jorge Mautner e do grupo Os Britos. A idéia da dupla é gravar um DVD ao longo da turnê, feita enquanto seus respectivos grupos, Kid Abelha e Barão Vermelho, estão em recesso. A direção do show e do DVD é de Pedro Paulo Carneiro. Na turnê, eles fazem juntos um set acústico, mas cada um também faz seu próprio show individual.

Segunda-feira, 7 Abril, 2008

Algo estranho acontece no mercado de discos...

Ilustração
É no mínimo estranho que o quinto disco mais vendido de 2007 - de acordo com o relatório divulgado dias atrás pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) - seja um CD de...2003!! Sim, o MTV ao Vivo gravado pelo grupo Jota Quest há cinco anos vendeu mais no ano passado do que os recentes discos de Maria Rita e Vanessa da Mata, por exemplo. Essa venda alta é conseqüência do baixo preço do CD do Jota nos magazines (cerca de R$ 9,90). Mas, ainda assim, essa honrosa posição do álbum no ranking sinaliza que, pirataria à parte, os novos discos não estão motivando as pessoas a irem às lojas. É muito grave a crise...

Domingo, 6 Abril, 2008

Rod Stewart entrou em campo para ganhar (seu público)

Ag. News / Anderson Lorde

Rod Stewart fez exatamente o que seu público esperava dele no show realizado sábado à noite na HSBC Arena, em Jacarepaguá. Fui conferir o show e garanto: foi bom. Rod entrou em campo para ganhar seu público. Tocou todos seus sucessos com arranjos fiéis ao das gravações originais. E a platéia - que pagou entre R$ 200 e R$ 500 para ver o cantor - fez coro com ele. Pode-se alegar que Rod é um artista acomodado, deitado no berço de seu esplêndido passado como roqueiro, e ele é isso mesmo (seus últimos e burocráticos discos de covers já indicam que ele não joga para perder). Mas o fato é que o show foi bom. Aos 63 anos, o cantor ainda tem a voz rouca em forma. E foi com ela que ele reviveu hits como Hot Legs (em que arremessou bolas de futebol para a platéia), Baby Jane, Maggie May e Da Ya Think I'm Sexy (no previsível bis). Com direito a baladas sentimentais como You're in my Heart e I Don't Want to Talk about It. O jogo e o público já estavam ganhos desde o começo do show. Por isso mesmo, Rod não fez o menor esforço em campo.

Sábado, 5 Abril, 2008

'Bituca' expõe a força da música de Milton

Divulgação / Paula Kossatz
Os caras aí da foto são Maurício Tizumba e Sérgio Pererê, integrantes do time masculino de intérpretes de Bituca - O Vendedor de Sonhos, espetáculo em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio, até 13 de abril. Na sexta à noite, fui conferir o espetáculo - que está mais para show do que para musical - e gostei. Primeiro, porque a música de Milton Nascimento, grandiosa e original, é uma das mais ricas e belas do Brasil. Segundo, porque Tizumba (à esquerda) e Pererê têm uma força vocal que, de certa forma, evoca a presença de Milton. E isso não é pouco. Eles cantam e tocam tambores. Recomendo.

Sexta-feira , 4 Abril, 2008

Saída de Garrido do Cidade Negra não foi amistosa

Divulgação / EMI Music
A saída do cantor Toni Garrido do grupo Cidade Negra deverá ser o assunto dominante nas rodas musicais nos próximos dias. Simplesmente porque Garrido deixou o posto de vocalista do quarteto em clima tenso, nada amistoso. Ele vai fazer os shows da turnê Diversão até o fim, em junho ou julho, por questões contratuais. Mas o tempo andou quente entre os músicos. Há alguns anos, Garrido já vinha pensando em começar uma carreira solo. Mas vinha encontrando obstáculos por parte dos companheiros. Recentemente, ele tentou uma liberação amistosa da banda, mas os músicos não chegaram a um acordo. Parece - e isso é papo de bastidores - que Garrido tomou então a decisão unilteral de sair da banda. Da Gama, Bino e Lazão estão chateados com sua atitude e consideram até a possibilidade de convocar uma entrevista coletiva para dar a sua versão dos fatos.

Quinta-feira, 3 Abril, 2008

Comunicado tardio dos Mutantes deixa entrever mágoas...

Divulgação / Sony BMG
Mais de seis meses depois de terem sido anunciadas as saídas de Zélia Duncan e Arnaldo Baptista do grupo Os Mutantes, o guitarrista do grupo, Sérgio Dias Baptista, distribuiu longa nota à imprensa em que deixa entrever, no verborrágico discurso, alguma mágoa em relação aos ex-companheiros de banda. Eis os trechos expressivos:

"O nosso pronunciamento será feito com música, pois afinal este é o nosso idioma, idioma este da alma e onde as palavras são ditas com mais do que um simples propósito musical, mas sim com arte e nossa total emoção. Fiquei e estarei sempre de luto por Arnaldo e com Zélia, creio que me apressei ao julgá-la uma Mutante...Ela parecia tanto sê-lo mas descobri que em vez de Mutante ela é uma “Transformer” . Ela serviu para provar que Mutantes é maior do que qualquer um de seus membros individuais... Bom, nós Mutantes fomos transcendidos por nossa música. Assim foi durante mais de 30 anos onde ela se fez viva por gerações após gerações e transpôs todas as impossíveis barreiras que normalmente um grupo aspirante tem pela frente.
(...)
Eu e Dinho estamos completamente felizes em estarmos gravando agora. Tentei desde o começo junto a meu irmão e à Zélia formar um núcleo de criação, mas foi infrutífero, pois eles não quiseram fazer músicas novas. Mas para espanto meu e total felicidade, em São Paulo, no aniversário da cidade, me reencontrei com Tom Zé e nos juntamos como parceiros. Ele é o parceiro que pedi a Deus, além de outros como Devendra Banhart que fez uma participação nesta primeira música cantando conosco. Tenho trabalhado há dois anos em compor junto com nossa maravilhosa banda e com Dinho este novo trabalho, e agora posso afirmar com a maior felicidade do mundo: “Sim estamos muito vivos e viemos para ficar”.

Quarta-feira, 2 Abril, 2008

25 anos sem Clara Nunes

Divulgação
A mídia não se deu conta e tampouco fez as contas. Dona de todos seus discos, a gravadora EMI Music também não pareceu preocupada com a data. Mas o fato é que fez hoje 25 anos que Clara Nunes morreu. Pela importância que teve e pela qualidade de sua obra, a efeméride merecia mais atenção. Fica a saudade!

Terça-feira, 1 Abril, 2008

Takai canta Michael e Eurythmics em show solo

Foto de Mauro Ferreira
O show solo de Fernanda Takai chega ao Canecão em 2 de maio. Mas já conferi o show da vocalista do Pato Fu ontem à noite no Teatro Rival, em apresentação feita para uma rádio, e gostei. Com elegância e desenvoltura, Takai consegue reproduzir no palco a atmosfera delicada do CD em que canta Nara Leão. E o roteiro completo vai além das músicas do CD, incluindo músicas propagadas nas vozes de Michael Jackson (Ben), Eliana Pittman (Sinhá Pureza, uma delícia no arranjo de Lulu Camargo e John Ulhoa), Eurythmics (There Must Be an Angel) e Evaldo Braga (a pérola Esconda o Pranto num Sorriso, lustrada pela cantora com charme). Idealizador do disco, um dos melhores de 2007, Nelson Motta estava lá na platéia do Rival e foi festejado em cena pela cantora.