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Mauro Ferreira

Sábado, 30 Agosto, 2008

A noite linda da Velha Guarda da Portela no Circo Voador

Foto de Mauro Ferreira
Foi uma noite linda - como bem definiu Marisa Monte após cantar Volta meu Amor (Manacéa e Áurea Maria) com a Velha Guarda da Portela no palco do Circo Voador. Idealizado para promover a estréia nos cinemas do documentário O Mistério do Samba, o show que junta Marisa, Teresa Cristina e Diogo Nogueira chegou ao Rio depois de passar por São Paulo no meio da semana. Aos primeiros minutos deste sábado, cenas do filme começaram a ser exibidas no telão posicionado atrás do palco do Circo ao som de Nascer e Florescer (Manacéa). Na seqüência, já no palco, a Velha Guarda da Portela abriu o show com Vivo Isolado do Mundo (Alcides Dias Lopes) e o que se viu e ouviu, dali em diante, foi uma apoteose do samba mais nobre, cantado a plenos pulmões pelo público jovem que hiperlotou o Circo e que chegou a emocionar Teresa Cristina pela devoção ao repertório de compositores que criaram suas obras no anonimato.
Debilitado, ainda se recuperando de problemas de saúde, Monarco se apresentou sentado e deixou o comando da primeira parte do show na voz de seu filho, Mauro Diniz. Foi quando uma reciclada Velha Guarda sacudiu o Circo com os sambas Tudo Menos Amor (Monarco e Walter Rosa) e Nega Danada (Que Mulher) (Chatim) - este emendado com Ouço uma Voz (Candeia e Nelson Amorim). O público estava ali para reverenciar compositores e ritmistas como David do Pandeiro, Casemiro da Cuíca, Marquinhos do Pandeiro, Edir da Portela e Serginho Procópio, que recentemente assumiu o posto de cavaquinista no grupo. Sem falar em Casquinha, que - também sentado, ao lado de Monarco - cantou trechos de Recado, a parceria que fez com Paulinho da Viola nos anos 60, e de A Chuva Cai, o samba que compôs com Argemiro Patrocínio (1923 - 2003) e que ficou conhecido no Brasil pela voz (sempre) antenada de Beth Carvalho.
Havia uma magia na noite que disfarçou o tom menos empolgante de números como Você me Abandonou (Alberto Lonato) e Sentimentos (Mijinha). Assim como a ligeira desafinação de Diogo Nogueira em seus cinco números individuais. O portelense Diogo estava à vontade, em casa, e eletrizou o Circo ao reviver os sambas Corri pra Ver (Chico Santana, Monarco e Casquinha), Lenço (Francisco Santana e Monarco), Coração em Desalinho (Monarco e Ratinho), Vai Vadiar (Monarco e Alcino Corrêa). Raras vezes, o jovem cantor mostrou tanta segurança ao incursionar por repertório alheio. E Na presença de um dos autores.
A propósito, Monarco é o compositor de boa parte dos sambas apresentados na noite feliz. E, também por isso, foi saudado por uma emocionada Teresa Cristina logo após a apresentação de Quantas Lágrimas (Manacéa) e teve seu nome repetido em coro pela juventude que se esprimia na platéia. Embora nem sempre primasse pela técnica exemplar, a cantora manteve o pique do show ao cantar os sambas Minha Vontade (Chatim), Gorjear da Passarada (Argemiro e Casquinha), Sabiá Cantador (Alvarenga) e o altíssimo partido A Paz do Coração (Candeia e Cabana). Sua participação foi tão bonita que o público começou a gritar seu nome. "Teresa! Teresa!", repetia o público, fazendo a artista se emocionar novamente. "Eu vou chorar", avisou ela. E não brincava.
A presença elegante e luminosa de Marisa Monte - grávida de seis meses - acentuou a magia da noite, iniciando seu set com Volta meu Amor (Manacéa e Áurea Maria). Após uma apoteótica Dança da Solidão (Paulinho da Viola), a cantora entoou samba inédito em sua voz, Sofrimento de Quem Ama (Alberto Lonato), e reviveu Esta Melodia, da forma como havia gravando este samba de Jamelão (1913 - 2008) e Budu da Portela no álbum Cor-de-Rosa e Carvão (1994). No bis, Marisa apresentou outro samba de Manacéa, Volta, abrindo caminho para Foi um Rio que Passou em Minha Vida (o samba de Paulinho da Viola que o público já cantara sozinho antes do bis), já com Diogo Nogueira e Teresa Cristina de volta ao palco. Enfim, um show memorável, pontuado por trechos do documentário sobre a Velha Guarda da Portela que chegou aos cinemas, viabilizado pelo projeto Natura Musical. Como um rio, a história majestosa da Portela passou pelo Circo através de 23 sambas que guardam mistério em sua nobreza.

Sexta-feira , 29 Agosto, 2008

Rappa alfineta Madonna, Xuxa e 'playback' em show

Foto de Mauro Ferreira
Quase ao fim da estréia do novo show do Rappa, 7 Vezes, ontem no Canecão, o vocalista Falcão fez um discurso contra as apresentações em playback, insinuando que Madonna não canta para valer em seus shows. O vocalista do Rappa lembrou que o grupo também já fez playbacks nos programas de Xuxa e Angélica. Nesta hora, o telão - inteligentemente posicionado no meio do cenário - exibiu a frase 'Xuxa Não!', escrita em grafite. Quanto ao show em si, teve seus momentos catárticos - como Me Deixa e Rodo Cotidiano - mas às vezes soou linear - sobretudo no começo. Falcão pediu palmas para Marcelo Yuka - o baterista e letrista que deixou o grupo em clima conturbado - antes de cantar Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro.

Quinta-feira, 28 Agosto, 2008

O encontro de Almir Guineto com Dorina no Rival

Foto de Mauro Ferreira
Fui ver o show que junta Almir Guineto (um compositor tão ou mais forte do que Zeca Pagodinho nos anos 80, mas que não conseguiu manter sua carreira nos trilhos) com Dorina (uma cantora de samba que merecia mais atenção da indústria fonográfica) no Teatro Rival. O show fica em cartaz até sexta, dentro do projeto Grandes Encontros, e merece ser visto. Primeiro, porque Dorina é uma cantora de grande presença de palco. Segundo, porque o repertório autoral de Almir é muito bom (pena que, como cantor, ele se prejudique por conta de sua dicção sofrível). Sambas como Não Quero Saber Mais Dela, Pedi ao Céu, Insensato Destino e Zé Tambozeiro (do repertório do grupo Revelação) são alguns destaques do roteiro. Detalhe: o Rival abriu minipista no meio da platéia para quem não agüentar ficar sentado e quiser sambar. Fica a dica.

Quarta-feira, 27 Agosto, 2008

Tributo ao 'Álbum Branco' agrega nomes da cena 'indie'

Capa do 'Álbum Branco' Enquanto o Brasil saúda os 50 anos da Bossa Nova, o pesquisador Marcelo Fróes lembrou dos 40 anos do álbum The Beatles, mais conhecido como Álbum Branco, e produziu um tributo duplo a este conceituado título da discografia dos Beatles. O CD (veja capa acima à direita) chega às lojas em setembro. Confira a relação de músicas e intérpretes (a maioria vinda da cena indie):
Disco 1
1. Back In the U.S.S.R. - Rodrigo Santos & George Israel
2. Dear Prudence - Zé Ramalho
3. Glass Onion - Cachorro Grande
4. Ob-la-di, Ob-la-da - Os Britos
5. Wild Honey Pie - Bacalhau
6. The Continuing Story of Bungalow Bill - Daniel Tendler
7. While My Guitar Gently Weeps - Manfred
8. Happiness Is a Warm Gun - Martha V & Mariana Davies
9. Martha My Dear - Márcio Greyck
10. I'm So Tired - Dissonantes
11. Blackbird - Sylvinha Araújo
12. Piggies - Twiggy & Andreas Kisser's Lostapes
13. Rocky Raccoon - Carmem Manfredini
14. Don't Pass me By - Ayrton Mugnaini Jr.
15. Why Don´t We do It In the Road - Surfadelica
16. I Will - Érika Martins
17. Julia - Celso Fonseca
Disco 2
1. Birthday - Pato Fu
2. Yer Blues - Sérgio Vid & Big Gilson
3. Mother Nature's Son - Reino Fungi
4. Everybody's Got Something to Hide Except me and my Monkey - Dr. Sin
5. Sexy Sadie - Metalmorphose
6. Helter Skelter - Andreas Kisser's Lostapes
7. Long Long Long - Milke
8. Revolution 1 - Tantra
9. Honey Pie - Flávio Venturini & Aggeu Marques
10. Savoy Truffle - Os Canibais com Renato Rocha
11. Cry Baby Cry - Autoramas
12. Revolution 9 - Rogério Skylab
13. Good Night - Jerry Adriani & Tantra

Segunda-feira, 25 Agosto, 2008

João Gilberto faz uma sinfonia para o Rio de Janeiro

Divulgação Factoria Comunicação / Beti Niemeyer
Munido apenas de seu revolucionário violão, João Gilberto fez terna sinfonia para o Rio de Janeiro - a cidade na qual gerou sua bossa sempre nova - no show que marcou sua histórica volta aos palcos cariocas, das 21h54m às 23h38m da noite de domingo, 24 de agosto de 2008, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ). Aliás, três temas da Sinfonia do Rio de Janeiro composta por Tom Jobim (1927 - 1994) e Billy Blanco em 1954 - Abertura, Hino ao Sol e O Mar - foram as surpresas de um roteiro que reverenciou a cidade e o samba. Ao sair de cena, ovacionado, João deixou uma sensação de plenitude na privilegiada platéia que testemunhou a coerência e a Arte de um artista único.
Antes da plenitude, houve a ansiedade. Diante de uma platéia tensa (qualquer tosse, ruído ou luz era motivo para psius e até para pequenas discussões), o cantor apresentou 31 números - incluindo às duas repetições de Chega de Saudade - em roteiro sintomaticamente aberto com três sambas de Dorival Caymmi (1914 - 2008). Recorrente no repertório de João desde seu primeiro álbum, o cancioneiro de Caymmi ainda renderia um quarto número, Você Não Sabe Amar, apresentado no longo e descontraído bis, quando, após saudar o grupo vocal Os Cariocas, João - já falante - disse que tinha ouvido um "sussurrinho" durante Chega de Saudade e que havia gostado, pedindo então que o público voltasse a cantar com ele. João, então, tocou novamente a música que detonou a explosão da bossa, há 50 anos, mas se limitou a fazer uns vocais no final, deixando que o público cantasse sozinho a música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Um momento histórico! "Não quero mais ir embora", confessou João, aplaudindo o público depois de um terceiro take de Chega de Saudade, em que ele voltou a cantar o tema. Eis o roteiro da apresentação feita por João Gilberto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro dentro do ciclo de eventos Itaúbrasil - idealizado para reverenciar os 50 anos da Bossa Nova:
1. Você Já Foi à Bahia? (Dorival Caymmi)
2. Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida)
3. Rosa Morena (Dorival Caymmi)
4. 13 de Ouro (Herivelto Martins e Marino Pinto)
5. Meditação (Tom Jobim e Newton Mendonça)
6. Preconceito (Wilson Batista e Marino Pinto)
7. Samba do Avião (Tom Jobim)
8. Sinfonia do Rio de Janeiro (Tom Jobim e Billy Blanco)
(Abertura / Hino ao Sol / O Mar)
9. Lígia (Tom Jobim e Chico Buarque)
10. Caminhos Cruzados (Tom Jobim e Newton Mendonça)
11. Não Vou pra Casa (Antonio Almeida e Roberto Riberti)
12. Disse Alguém (All of me) (Gerald Marks e Seymour Simons)
13. Corcovado (Tom Jobim)
14. Chove Lá Fora (Tito Madi)
15. O Nosso Olhar (Sérgio Ricardo)
16. Wave (Tom Jobim)
17. De Conversa em Conversa (Haroldo Barbosa e Lúcio Alves)
18. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça)
19. Estate (Bruno Martino e Bruno Brighetti)
20. Isto Aqui o que É (Ary Barroso)
Bis:
21. Aos Pés da Cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda)
22. Da Cor do Pecado (Bororó)
23. Retrato em Branco e Preto (Tom Jobim e Chico Buarque)
24. Você Não Sabe Amar (Dorival Caymmi e Carlos Guinle)
25. Tin Tin por Tin Tin (Haroldo Barbosa e Geraldo Jaques)
26. Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
27. Improviso - música do repertório do grupo Os Cariocas
28. Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
29. Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
30. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
31. O Pato (Jayme Silva e Neusa Teixeira)

Domingo, 24 Agosto, 2008

Frejat expõe intimidades com amigos novos e antigos

Divulgação Warner Music / Christian Gaul
Cinco anos depois de lançar o CD Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo (2003), Frejat retoma sua carreira solo com o lançamento de Intimidade entre Estranhos, o terceiro título da trajetória individual do cantor e guitarrista do grupo carioca Barão Vermelho, atualmente em recesso. No disco, produzido pelo ex-Barão Maurício Barros, Frejat abre o leque de parceiros e apresenta composições com nomes como Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Paulo Ricardo, Gustavo Black Alien e a escritora Martha Medeiros, co autora da faixa Farol.
"Trago novas parcerias, com amigos recentes e antigos, que me estimularam a alçar vôos criativos diversos", saúda Frejat no texto que escreveu para apresentar Intimidade entre Estranhos, cuja faixa-título é parceria com Leoni, um dos amigos antigos. De acordo com Frejat, o álbum aborda a complexidade do cotidiano urbano. "Nele coexistem vários tipos de canções, histórias e idéias que tratam desta rica, louca e estranha experiência que é a vida urbana", conceitua o artista.
Musicalmente, Intimidade entre Estranhos passeia por ritmos distintos. Se Tudo de Bom é funk de clima festivo composto por Frejat com Maurício Barros e Bruno Levinson, Eu Só Queria Entender flerta com o soul.
O romantismo pop que dá o tom da carreira solo de Frejat - iniciada em 2001 com o CD Amor pra Recomeçar - reeaparece em Eu Não Quero Brigar Mais Não, parceria com Black Alien. Tua Laçada, música caracterizada como árida por Frejat, é parceria do cantor com Zé Ramalho. Já Zeca Baleiro é o co-autor de Nada Além, de título homônimo do fox feito por Custódio Mesquita e Mário Lago em 1938, popularizado na voz de Orlando Silva. E Paulo Ricardo é parceiro de Frejat em Controle Remoto.
Gravado e mixado no estúdio carioca Dubrou, entre maio e julho de 2008, o CD Intimidade entre Estranhos junta também o cantor a nomes como Alvin L. (parceiro em Fragmento). Colaborador mais assíduo de Frejat nos últimos anos, o poeta Mauro Santa Cecília se faz presente em Dois Lados (faixa já antecipada na trilha da novela Beleza Pura), em Farol e em O Céu Não Acaba, tema feito para a peça de teatro Rei dos Escombros, protagonizada pelo ator Ricardo Petraglia. O CD Intimidade entre Estranhos vai chegar às lojas entre o fim de agosto e o começo de setembro, via Warner Music.

Sábado, 23 Agosto, 2008

Caetano e Roberto louvam Jobim em tom maior

Divulgação Factoria Comunicação / Beti Niemeyer
Difícil descrever a aura de encantamento que envolveu o privilegiado público carioca que conseguiu assistir ao show que reuniu Caetano Veloso e Roberto Carlos para louvar a obra soberana de Tom Jobim. Quem esteve no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite de sexta-feira, testemunhou um encontro de caráter histórico que emocionou, levando boa parte do público às lágrimas. Foi muito bom ver Roberto Carlos indo além de seu repertório autoral e cantando MPB - como ele fazia eventualmente em seus discos e shows dos anos 70 e início dos 80. Havia uma certa tensão no início - principalmente da parte do Rei, que chegou a esquecer um vocal de Garota de Ipanema - mas logo Roberto se soltou e o recital terminou, no segundo bis, com uma descontraída versão de Chega de Saudade. Dos sete duetos (contando com o repeteco de Chega de Saudade), o mais gracioso foi Teresa da Praia, quando Caetano e Roberto travaram um diálogo que remeteu ao registro antológico feito em 1954 pelos cantores Dick Farney e Lúcio Alves, precursores da bossa cinqüentenária. Em sua parte solo, o Rei alcançou grandes momentos em Lígia, Corcovado e Samba do Avião. Mas podia ter dispensado a letra em espanhol de Insensatez. Já quando cantou Eu Sei que Vou te Amar e Por Causa de Você o público identificou o cantor romântico que vem seduzindo seus súditos há quase 50 anos com sua voz de afinação e emissão exemplares. Roberto sempre foi um grande cantor. O que ele nem sempre tem é coragem de renovar seu repertório para pisar em terreno desconhecido - como fez na noite de sexta. Já Caetano, intérprete sempre habilidoso, deslumbrou o Municipal com interpretações de músicas como Por Toda Minha Vida (em tom solene), Meditação e O que Tinha de Ser. E ainda surpreendeu em seu bloco individual ao percorrer com maestria um difícilimo Caminho de Pedra, o número menos conhecido do roteiro. Enfim, um encontro e um show históricos. À altura da obra de Jobim, nosso tom maior.

Camelo disponibiliza 10 faixas de seu disco solo na rede

Divulgação / Cia. da Foto
Sou é o título do primeiro (esperadíssimo) disco solo de Marcelo Camelo. Gravado desde o fim do ano passado (como este colunista noticiou em primeira mão na coluna impressa Estúdio), com produção do próprio Camelo, o CD já tem data para chegar às lojas: 8 de setembro. Mas quem não quiser esperar até lá vai poder baixar de graça - somente no portal Sonora, do Terra - dez das 14 faixas a partir da próxima sexta, 29 de agosto. O repertório é autoral e inclui músicas como Doce Solidão (canção zen já disponibilizada por Camelo em março em sua página no MySpace) e Jantar (tema que ganhou a voz da cantora Mallu Magalhães). A turnê nacional de Sou estréia dia 19 de setembro, no Recife, dentro do festival Coquetel Molotov, e chega ao Rio em 13 e 14 de dezembro, no Canecão.

Quinta-feira, 21 Agosto, 2008

Alerta para roqueiros caridosos

Cariocas que gostam de rock e de fazer o Bem devem dar um pulo no Sebo do Solar, que vende livros e discos raros em benefício de uma obra social que ampara crianças carentes das comunidades de Cantagalo e Pavão / Pavãozinho. Lá, tem umas biografias raras - como a de Júlio Barroso - e outras nem tão raras, mas boas, como a dos Titãs (A Vida até Parece uma Festa). Tem também DVD de grupos como o Korn. Isso somente para citar o acervo de rock. Tem muita coisa de MPB (como o livro A Imagem do Som de Dorival Caymmi) e de literatura em geral. Toda a renda obtida com a venda destes produtos vai diretamente para o Solar Meninos de Luz que ampara as crianças. Não custa ajudar. O Sebo do Solar fica em Ipanema, na rua Visconde de Pirajá 82, no subsolo da Galeria Ipanema. Fica a dica para as almas caridosas.

Coletânea celebra volta de Tina aos palcos

Capa da coletânea Tina!
Em 2000, Tina Turner anunciou sua saída de cena. Oito anos depois, ela volta atrás e se prepara para sair em turnê mundial que começa em 1º de outubro pelos Estados Unidos. Um dia antes, a gravadora Capitol bota nas lojas uma nova coletânea da cantora, Tina! (capa acima), com duas gravações inéditas. Faz parte do show. E o fato é que, a julgar por seu dueto com Beyoncé no último Grammy, Tina ainda está em forma.

Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

Um tributo a Caymmi na voz de João Gilberto

Posso estar enganado, mas acho que João Gilberto não vai deixar de prestar sua homenagem a Dorival Caymmi no show que vai fazer domingo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. João sempre cantou Caymmi - e nos dois shows que fez em São Paulo, na semana passada, não foi diferente: o roteiro incluiu três músicas do compositor baiano: Rosa Morena, Você Já Foi a Bahia? e Doralice. Mas acredito que, no show carioca, Caymmi estará mais presente. Nada mais natural, afinal. Quem viver, verá (se comprou o ingresso ou estiver na lista de convidados).

Sábado, 16 Agosto, 2008

Caymmi, um gigante único na música brasileira

Reprodução
Dorival Caymmi foi um dos criadores gigantes da música brasileira. Difícil enquadrar sua obra - sobretudo as originais canções praieiras - em alguma corrente da MPB. "Meu sonho é ser o autor de uma ciranda cirandinha, uma coisa que se perca no meio do povo", confidenciou, certa vez, o compositor baiano. Pode-se dizer que Caymmi realizou seu sonho. Suas canções praieiras e seus sambas buliçosos foram criados com um requinte ímpar, mas nunca soaram rebuscados. Ao contrário, ostentam a simplicidade obtida somente pelos grandes mestres e, por isso mesmo, permanecem na boca e na memória afetiva do povo. A terceira vertente de sua obra, os sambas-canções, constitui a parcela menos original de seu cancioneiro. Ainda assim, quase todos os sambas-canções de Caymmi - compostos nos anos 40 e 50, quando ele já estava ambientado no Rio de Janeiro da pré-bossa nova - exibem a maestria do mestre e nunca carregam nas tintas do sentimentalismo associado ao gênero. Falam de amor, ou da falta de, com elegância. A propósito, Caymmi foi precursor da modernidade instaurada pela bossa hoje cinqüentenária. Não por acaso, seus sambas sempre estiveram presentes no repertório do papa do gênero, outro gênio, esse tal de João Gilberto.
Com sua poesia minimalista, de versos cuidadosamente esculpidos, Caymmi cantou o mar como nenhum outro compositor nos temas praieiros. Paralelamente, traçou um painel de sua velha Bahia com sambas que traduziam o caráter brejeiro da terra do acarajé. Curiosamente, essa obra tão universal ganhou logo o mundo na voz de Carmen Miranda, que gravou O Que É que a Baiana Tem? nos Estados Unidos na virada dos anos 30 para os 40. Mas Caymmi nunca teve pressa. De nada. Tinha um tempo todo próprio para burilar suas obras-primas. Seu cancioneiro de 120 temas é relativamente curto para seus 94 anos de vida. Mas ostenta rara coesão.
Como cantor, Caymmi seduzia pela voz grave - doce e profunda como o mar que ele tanto louvou nos temas praieiros. Foi o melhor intérprete de sua obra, gravada por todos os grandes nomes da MPB. E foi também mestre no violão. O álbum Caymmi e seu Violão, lançado em 1959 pela gravadora Odeon, exemplifica a riqueza e a perfeição de seu legado. Somente o tempo vai mostrar o quão imensurável é a contribuição dessa herança para a música brasileira. Deixa saudade tão grande quanto sua importância.

Sexta-feira , 15 Agosto, 2008

Chega ao CD show feito por Clara com Toquinho e Vinicius

Divulgação / Wilton Montenegro Em 1973, um ano antes de conquistar definitivamente o Brasil com o LP Alvorecer, que lhe rendeu o sucesso Conto de Areia, Clara Nunes (1942 - 1983) fez o show Poeta, Moça e Violão com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) e Toquinho. O registro do show, disponibilizado em 1991 num álbum triplo da gravadora Collector's, está sendo reeditado (pela primeira vez em CD) pela gravadora Biscoito Fino, 35 anos depois da estréia do histórico espetáculo. A edição do CD foi possível porque Paulo César Pinheiro, viúvo de Clara, cedeu ao produtor José Milton as três fitas que estavam em seu poder. O álbum reúne, em 17 faixas, 21 músicas e o texto de Poética, de Vinicius. Entre os números, há Serenata do Adeus, Mundo Melhor, Regra Três, Na Boca da Noite e A Felicidade.

Quinta-feira, 14 Agosto, 2008

A saga de Simonal em antologia de revista dos EUA

O balanço e a bossa de Wilson Simonal são abordados de forma elogiosa no segundo volume do livro Wax Poetics Anthology, que compila reportagens e artigos publicados na Wax Poetics, cultuado revista de música e comportamento que circula nos Estados Unidos. Entre textos sobre destaques do hip hop norte-americano, mestres do jazz como Joe Zawinul e sobre Eumir Deodato, há um capítulo dedicado a Simonal. The Saga of Wilson Simonal descreve e apresenta aos americanos a vida, a discografia e a importância do cantor, enfatizando que os jovens amantes de música precisam descobrir o grande artista. Não li, mas já gostei.

Quarta-feira, 13 Agosto, 2008

A madrugada autêntica de Mart'nália

Capa do CD 'Madrugada' Tem gente que não engole o sucesso de Mart'nália. Não faço parte desse time. Adoro o jeito moleca da filha de Martinho da Vila. Ela não faz gênero, se comporta como quer, canta como sabe - e vem conquistando público crescente desde que lançou, no início de 2006, o CD Menino do Rio, que saiu pela mesma gravadora Biscoito Fino que está lançando o novo álbum de inéditas de Mart'nália, Madrugada. Mart'nália é autêntica. E assim continua neste disco, a julgar pela relação de músicas do repertório. Tem músicas de Arthur Maia (produtor do disco ao lado de Celso Fonseca), João Nogueira, Mombaça, Jorge Agrião, Moska... Enfim, é um disco de Mart'nália. E isso, por si só, já merece crédito. Mart'nália não quer ser a tal. E por isso mesmo que vem crescendo na cena musical brasileira, tão carente de gente verdadeira.

Segunda-feira, 11 Agosto, 2008

Tempo de Amar: Zé Renato celebra a Jovem Guarda

O canto de Zé Renato nunca esteve associado à Jovem Guarda. Em sua carreira solo, o intérprete - dono de uma das melhores vozes da música brasileira - esteve mais ligado ao samba. Mas o fato é que o próximo disco de Renato, É Tempo de Amar, é dedicado ao cancioneiro romântico das jovens tardes de domingo. Uma das músicas, O Tempo Vai Apagar, lançada por Roberto Carlos em seu magistral álbum de 1968, integra a trilha da novela A Favorita, mas ainda não tocou na trama (eletrizante, por sinal). Dé Palmeira produz o disco.

Domingo, 10 Agosto, 2008

Capa e repertório do DVD do Los Hermanos

Capa do DVD 'Los Hermanos na Fundição Progresso - 09 de junho de 2007'
Nas lojas a partir do dia 29, pela gravadora Sony BMG, osDVD e CD Los Hermanos na Fundição Progresso - 09 de Junho de 2007 eternizam o show de despedida do quarteto carioca, que, antes de sair de cena em recesso por tempo indeterminado, fez minitemporada na Fundição Progresso para se despedir dos fãs. Além de perpetuar os 26 números do show de 9 de junho, o DVD (capa acima) apresenta nos extras cinco músicas cantadas na apresentação do dia 8 - e não repetidas no show seguinte. Já o CD ao vivo (o primeiro do grupo) é simples e traz somente 14 números. Eis o repertório do DVD:
1. Dois Barcos (também no CD)
2. Primeiro Andar (também no CD)
3. O Vento (também no CD)
4. Além do que se Vê (também no CD)
5. Morena
6. Retrato pra Iaiá (também no CD)
7. O Vencedor (também no CD)
8. Condicional
9. Tenha Dó
10. Adeus Você
11. Último Romance (também no CD)
12. Um Par
13. Lágrimas Sofridas
14. Sentimental (também no CD)
15. Conversa de Botas Batidas
16. Deixa o Verão
17. A Outra (também no CD)
18. Casa Pré-Fabricada
19. Paquetá
20. Cara Estranho (também no CD)
21. A Flor (também no CD)
22. Tá bom
23. Anna Júlia (também no CD)
24. Quem Sabe
25. Todo Carnaval tem seu Fim (também no CD)
26. Pierrot
Extras:
1. Azedume
2. O Velho e o Moço (também no CD)
3. Descoberta
4. De onde Vem a Calma
5. Pois É

Sexta-feira , 8 Agosto, 2008

Roberta Sá peca pelo excesso de participações

Divulgação / Paulo Vainer
Na próxima terça-feira, 12 de agosto de 2008, Celso Fonseca vai gravar seu primeiro DVD no Canecão. Roberta Sá integra o time de convidados e vai cantar A Voz do Coração com o anfitrião. Na recente gravação do CD e DVD Samba Social Clube, a cantora - vista acima no palco da Fundição Progresso (RJ) em foto de Vera Donato - marcou presença em dois números, Pressentimento e Meu Sapato Já Furou. Assim como também esteve presente no também recente tributo a João Donato prestado dentro do ciclo de eventos produzidos pelo Banco Itaú para marcar os 50 anos da Bossa Nova. No CD Uma Noite... Noel Rosa, lançado esta semana pela gravadora Universal Music, Roberta também figura entre os solistas que revivem a obra do Poeta da Vila. E o canto gracioso da cantora potiguar, radicada no Rio de Janeiro (RJ), pode ser ouvido ainda no álbum Flores do Clube da Esquina, no CD e DVD Roda de Samba ao Vivo, de Dudu Nobre, e na trilha da novela Ciranda de Pedra. Isso para citar somente gravações e lançamentos deste ano de 2008. Moral da história: Roberta Sá já corre sério risco de desgastar sua imagem e sua voz.
É natural que todos queiram Roberta Sá em seus discos. Ela é a melhor cantora surgida na música brasileira nos últimos tempos. Convidá-la para participar de um CD, DVD ou show já é garantia de status e mídia (o mesmo vem ocorrendo com Fernanda Takai, outra que precisa dosar suas participações). Mas cabe a Roberta saber filtrar os convites - tarefa que, parece, a intérprete não está conseguindo desempenhar com o mesmo talento com que garimpou repertório para seus dois irretocáveis álbuns, Braseiro (2005) e Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria (2007). E o fato é que, talvez embriagada pelo reconhecimento unânime da crítica e do público (que, aliás, vem aumentando gradativamente), Roberta está pecando pelo excesso. Ela precisa se mirar no exemplo de Marisa Monte, que, às vezes, peca até pela falta em projetos importantes, mas é o maior exemplo, no Brasil, de cantora que sabe conduzir sua carreira sem perder prestígio e sem desgastar sua imagem. Ainda há tempo de Roberta Sá filtrar com mais rigor os convites para participações em projetos alheios - nos quais nem sempre brilha como em seus álbuns - para não banalizar sua imagem e o seu canto tão sedutor. Ainda há tempo...

Terça-feira, 5 Agosto, 2008

Antena de Gil capta a fina mistura contemporânea

Foto de Mauro Ferreira
Ontem, depois da cerimônia de entrega do 2º Prêmio TDB (da revista dominical Tudo de Bom, aqui do jornal O Dia), na casa Vivo Rio, a festa prosseguiu com show de Gilberto Gil, que fez uma apresentação especial de seu show Banda Larga Cordel. No palco, a vitalidade do cantor e agora ex-ministro é impressionante - sobretudo se levado em conta que Gil completou 66 anos em junho. E, em sintonia com o espírito do disco que acabou de lançar, o show traduz toda a mistura que caracteriza a música mundial contemporânea. Entre o cibernético e o primitivo, a antena de Gil capta todas as tendências - e essa antena sempre foi visionária desde o Tropicalismo e também nos anos 70, em álbuns como Refavela (1977) - com arranjos inventivos e a musicalidade ímpar do artista. Três surpresas do roteiro: Tempo Rei num registro mais enérgico, distante do tom zen da gravação original (de 1984); Something, a obra-prima de George Harrison, em ritmo de reggae; Andar com Fé na batida do samba de roda. Das músicas do novo disco, O Oco do Mundo se confirma como a mais vigorosa e rende um número de grande impacto, com Gil ensaiando uma coreografia que realça o tom sombrio da música. Enfim, 40 anos depois do Tropicalismo, a antena parabolicamará de Gilberto Gil continua em sintonia com a modernidade.

Domingo, 3 Agosto, 2008

A capa do Rappa

Capa do CD 'Sete Vezes'
Taí a capa do novo disco do Rappa, Sete Vezes. Ou 7 X - como indica a imagem da capa. O fato é que o CD chega às lojas a partir de 15 de agosto. Há cinco anos, o Rappa não lançava um disco de inéditas. Sete Vezes é o segundo de estúdio sem a colaboração de Marcelo Yuka.
1. Meu Santo Tá Cansado
2. Verdade de Feirante
3. Hóstia
4. Meu Mundo É o Barro
5. Farpa Cortante
6. Em Busca do Porrão
7. 7 Vezes
8. Monstro Invisível
9. Maria
10. Súplica Cearense
11. Fininho da Vida
12. Documento
13. Respeito pela Mais Bela
14. Vários Holofotes

Sexta-feira , 1 Agosto, 2008

Simone e Zélia no Canecão

De hoje a domingo, Simone e Zélia Duncan voltam ao Rio de Janeiro - mais especificamente no Canecão - para badalar o lançamento do CD e DVD Amigo É Casa. Estarei lá. Eu me encantei com o show desde a primeira apresentação carioca - em dezembro de 2006, na casa Vivo Rio - e acho que a gravação feita para o DVD não transmite toda a atmosfera de encantamento que marca o encontro harmonioso destas cantoras de gerações e estilos diferentes. No palco, é demais.
Para roqueiros, a dica de hoje é o show que o grupo Enverso - natural de Fortaleza (CE) e radicado no Rio - faz hoje na Cinemathèque Jam Club, também em Botafogo, para promover seu CD Sala de Ilusões.