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| Mauro Ferreira |
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 Não se deixe intimidar pelo fraco samba Uma Prova de Amor, escolhido para puxar o CD homônimo que Zeca Pagodinho acaba de lançar. O repertório é ótimo, bem melhor do que o último CD de estúdio do cantor, À Vera, de 2005. E só por apresentar o encontro de Zeca com João Donato - em Sambou... Sambou, faixa na realidade gravada para um disco ainda inédito de Donato, mas incluída como faixa-bônus no CD de Zeca - Uma Prova de Amor já merece uma conferida. Mas tem muito mais. Tem um grande samba do Luiz Carlos da Vila (Então Leva), tem um delicioso partido calangueado de tom interiorano (Sujeito Pacato) e tem duas novas inspiradas parcerias de Zeca com Arlindo Cruz, Se Eu Pedi pra Você Cantar e Sempre Atrapalhado (já ouvida na trilha da novela A Favorita - é o tema do Didu). Enfim, vale correr atrás do CD. É Zeca à altura de Zeca.
 Nas lojas a partir de quarta-feira, o oitavo álbum do Skank, Estandarte, apresenta quatro novas parcerias de seu vocalista e guitarrista Samuel Rosa com Nando Reis. Renascença, Pára-Raio, Sutilmente (balada melodiosa) e Ainda Gosto Dela - faixa eleita para puxar o CD, com Negra Li nos vocais - são as quatro colaborações de Nando no repertório inédito, que também inclui parcerias de Samuel com Chico Amaral e com César Maurício. Entre as músicas, há Noites de um Verão Qualquer.Com produção de Dudu Marote e capa pop surrealista assinada pelo artista plástico Rafael Silveira, Estandarte foi mixado e masterizado nos Estados Unidos.
Aos 31 anos, Maria Rita nunca soou tão jovem como no show Samba Meu, que ganha edição em DVD e volta ao Rio amanhã na casa Vivo Rio, onde foi gravado ao vivo em 10 de junho. No show e no disco homônimo lançado há um ano, a cantora cortou o cordão umbilical - já afrouxado a partir do CD Segundo (2005) - e começou a se dissociar da figura forte da mãe, Elis Regina (1945 - 1982). Como mostra o DVD, que traz nos extras os clipes de Não Deixe o Samba Morrer (filmado no bis) e Num Corpo Só, Rita perdeu o ar senhoril de seu primeiro (grande) show e está mais solta em cena. Dirigido por Hugo Prata, o DVD Samba Meu perpetua o show que estreou na Fundição Progresso no ano passado, mostrando que, no palco, o samba de Maria Rita soa mais contagiante - sem o tom excessivamente limpo do CD - e faz crescer músicas como Cria e O que É o Amor. Samba Meu renovou o público de Maria Rita. Ou melhor, deu à cantora um público que já é totalmente dela e que não foi ao show para ver a 'filha de Elis', como no seu primeiro espetáculo, de cujo roteiro Rita rebobina em Samba Meu números como Pagu, Encontros e Despedidas, A Festa e Cara Valente. Nem tudo, aliás, é samba em Samba Meu, mas é inegável que o charme do espetáculo repousa nas músicas lançadas por Rita no CD de estúdio produzido por Leandro Sapucahy. 'Maria do Socorro' - que traça o perfil da espevitada moradora do morro que dá título ao samba do talentoso compositor Edu Krieger - é um dos números em que a cantora pode mostrar que sabe cantar também com o 'corpitcho'. O gestual de Rita em cena valoriza os sambas. Ela se movimenta bem em cena. No terceiro bloco, o show 'Samba Meu' ganha tom pagodeiro em números como Corpitcho e Casa de Noca. Sambas que devem ter chegado a Maria Rita através de Leandro Sapucahy, mas dos quais ela se apropriou com inteligência, pois se há algo que irmana todos os shows da cantora é sua segurança vocal. Jovem ou com o ar senhoril do começo, Maria Rita já figura desde seu aparecimento entre as grandes cantoras do Brasil. Por isso mesmo, o samba (também) é dela.
 Com lançamento agendado pela Universal Music para a próxima sexta-feira, 26 de setembro de 2008, o novo álbum de inéditas de Zeca Pagodinho - Uma Prova de Amor, produzido por Rildo Hora - traz a inusitada participação do pianista João Donato na última das 16 faixas, Sambou...Sambou, tema da lavra do próprio Donato com João Melo. Além de Donato, o disco tem intervenções de Jorge Ben Jor - em Ogum, um samba de Marquinhos PQD com Claudemir - e da Velha Guarda da Portela, em três sambas antigos. Puxado pela faixa-título, parceria de Nelson Rufino com Toninho Geraes, já nas rádios, o disco Uma Prova de Amor apresenta inédita de Monarco com Mauro Diniz (Não Há Mais Jeito) e dois novos sambas de Zeca com Arlindo Cruz (Sempre Atrapalhado, composto para a trilha sonora da novela A Favorita, e Se Eu Pedir pra Você Cantar). Já o Trio Calafrio - formado por Marcos Diniz, Luiz Grande e Barbeirinho do Jacarezinho - assina (com a tradicional verve) Sincopado e Ensaboado. O repertório inclui ainda samba de Luiz Carlos da Vila e parceria de Almir Guineto com Dudu Nobre. Eis as 16 músicas do CD Uma Prova de Amor: 1. Uma Prova de Amor 2. Não Há Mais Jeito 3. Normas da Casa 4. Se Eu Pedir pra Você Cantar 5. Falsas Juras / Pecadora / Esta Melodia - com Velha Guarda da Portela 6. Esta Melodia 7. Que Alegria 8. Eta Povo pra Lutar 9. Ogum - com Jorge Ben Jor 10. Terreiro em Acari 11. Sincopado e Ensaboado 12. Sujeito Pacato 13. Então Leva 14. Pra Ninguém mais Chorar 15. Sempre Atrapalhado 16. Sambou... Sambou - com João Donato
Cazuza - a caixa que reembala a obra solo de Cazuza (1958 - 1990) em seis CDs e um DVD - leva vantagem sobre o box semelhante editado em 1996 pela PolyGram, companhia encampada pela Universal Music, a gravadora que põe nas lojas a atual caixa. Primeiro, pela qualidade superior da remasterização. Segundo, pelo respeito à arte gráfica dos seis álbuns originais. Lançados entre 1985 e 1991, esses seis álbuns traçam a evolução de uma obra singular que permanece como um dos símbolos máximos da década de 80. Cazuza (1985) - álbum grafado erroneamente como Exagerado na caixa anterior - flagra o cantor imerso em rock ora pop (Exagerado, Mal Nenhum), ora visceral (Rock da Descerebração). Sem falar na balada Codinome Beija-Flor, embalada em arranjo pausterizado, à moda da época. Como o repertório do álbum Cazuza foi formado com músicas pensadas inicialmente para o quarto álbum do Barão Vermelho, foi somente no disco posterior, Só se For a Dois (1987), que Cazuza começou a mostrar a real cara de seu trabalho individual. Este álbum tem tonalidade romântica que oscila entre o rock, o blues e as baladas. O hit radiofônico foi a faixa mais pop, O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica). Mal sabia que Cazuza que ele iria ver a cara da morte logo em seguida ao lançamento de Só se For a Dois ao se descobrir portador do vírus HIV. Mas a morte estava viva e Cazuza - amadurecido à força pela luta contra a Aids - teria forças para achar o ponto exato da mistura entre rock e MPB na sua obra-prima Ideologia (1988), o disco de Boas Novas, Brasil, Blues da Piedade, Um Trem para as Estrelas, Faz Parte do meu Show, Vida Fácil e Minha Flor, meu Bebê - além da emblemática música-título, Ideologia, retrato sem retoques das (des)ilusões da geração 80. O Tempo Não Pára (1989) foi o registro ao vivo desse momento de maturidade precoce e preparou o terreno para o duplo Burguesia (1989), espécie de testamento do poeta. Irregular, excessivo, exagerado - como Cazuza, aliás - mas pungente. Já Por Aí (1991) foi a raspa mercantilista do baú de um artista que marcou sua geração com seus rasgos exagerados de poesia e lucidez - reunidos nesta caixa. Que também traz o já lançado DVD Pra Sempre, com registros de Cazuza em programas da TV Globo.
 2008, definitivamente, não está sendo um bom ano para o Cidade Negra. Em abril, Toni Garrido deixou o grupo em clima tenso. Agora é a vez de Da Gama - um dos criadores da banda, inicialmente intitulada Lumiar - anunciar sua saída do quarteto. Eis o texto no qual o músico explica (de forma bem vaga, diga-se) as razões de sua saída: "Entendemos que a vida passa por diversas etapas e dentro delas existem caminhos que precisam ser seguidos e com eles decisões tomadas que refletem o melhor para cada um dentro das suas expectativas pessoais e profissionais. Logicamente, sabemos que o Cidade Negra tem uma trajetória de 20 anos de sucesso e com a benção de JAH fui agraciado com a felicidade de convidar Lazão, Bino e Rás Bernardo, meus vizinhos de bairro, para compor o Lumiar que tornou-se Cidade Negra. Bem como, sempre fui fiel aos interesses da banda e à manutenção de um excelente trabalho com qualidade que enchesse os corações das pessoas de sentimentos positivos ao longo desses anos. Saibam que continuo da mesma forma, como há 20 anos com o pensamento e o ideal de transmitir a alegria, a positividade e o comprometimento social através da minha arte, pois esses sempre foram os meus principais objetivos demonstrados através das minhas atitudes, além da simples diversão que a música traz.Vocês perceberão que será uma nova maneira que possibilitará a minha realização artística e profissional numa nova etapa de vida com muita paz e amor e esperando trazer realizações para todos nós. Desde JAH, agradeço o carinho de todos os fãs e amigos, a benção de Nosso Pai e conto com vocês nessa nova cruzada profissional. Abraços a todos e continuamos juntos, AXÉ!!!". Da Gama.
Olivia Byington está lançando, pela gravadora Biscoito Fino, o DVD do show A Vida É Perto. Vi o show na sua primeira temporada, em julho do ano passado, no porão da Casa de Cultura Laura Alvim, e recomendo a compra do DVD. Olivia consegue criar uma envolvente atmosfera caseira no recital. Mas não posso deixar de registrar a desatenção da ficha técnica. No roteiro, a cantora surpreende com boa releitura de Pense em mim, o hit da dupla sertaneja Leandro & Leonardo. Pois não é que, no encarte do DVD, a autoria da música é atribuída aos dois cantores quando, na realidade, ela é de Dougla Maio, Zé Ribeiro e Mário Soares??!! Um erro lamentável que precisa logo ser corrigido! Inclusive porque, nos créditos que rolam ao fim do show, não aparecem os nomes dos compositores das músicas.
 Taí a capa do disco de inéditas que Kelly Key vai lançar no fim de setembro pela gravadora Som Livre, na qual ela ingressou este ano com coletânea editada na série 100%. A música de trabalho do CD é Parou para Nós Dois, versão de Strictly Physical, sucesso do trio alemão Monrose. O repertório inclui Você pra mim , a balada de Fernanda Abreu lançada pela autora em seu primeiro disco solo, Sla Radical Dance Disco Club (1990) - e revivida por Kelly com o aval de Fernanda, que sugeriu um tom mais sensual.
Sim, sei bem Que nunca serei alguém Sei, de sobra Que nunca terei uma obra Sei, enfim Que nunca saberei de mim Mas agora Enquanto dura esta hora Esse luar, esses ramos Essa paz em que estamos Deixem-me crer O que nunca poderei ser Sim, Sei Bem (Sueli Costa - Fernando Pessoa)
Como a lembrar poeticamente que todas as glórias são transitórias, Maria Bethânia abriu o show idealizado para a cerimônia de entrega do Prêmio Shell de Música 2008 com Sim, Sei Bem - poema de Fernando Pessoa, musicado por Sueli Costa. Mas, sim, Bethânia tem uma obra. E na noite de ontem, na casa Vivo Rio, a hora era de render homenagens a essa obra tão autoral que fez com que, pela primeira vez, o Prêmio Shell de Música laureasse uma intérprete - e não um compositor como, até então, mandava o regulamento do prêmio criado em 1981. Em seu discurso de agradecimento, a cantora lembrou nomes importantes na sua trajetória majestosa - como Nara Leão (1942 - 1989), que, ao precisar deixar o elenco do musical Opinião em 1965, indicou Bethânia para ocupar seu lugar no espetáculo - marco inicial de carreira pautada pela extrema coerência e devoção aos seus credos e origens. A Bahia estava feliz, sinalizou Bethânia ao agradecer seu Prêmio Shell, e não foi por acaso. "Sou de Keto", sentenciou em verso do inédito samba Feito na Bahia, composto por Roque Ferreira e apresentado em primeira mão no show. De Keto, e e de guetos, Bethânia cantou sua história nobre sem deixar de ser quem sempre foi. Recitou poemas, desafinou, encantou, esqueceu letra (a de Vila do Adeus) e, como sempre, saiu de cena consagrada, Abelha Rainha, enternecida pelo mel e pelas flores dos súditos que puderam ver o show para convidados. Sem forçar um caráter retrospectivo no roteiro, Bethânia costurou no inédito show músicas de vários discos e shows. Houve surpresas, como O Canto do Pajé e Não Identificado, e até algumas músicas inéditas. Entre outras músicas que identificam o canto intenso de Bethânia no imaginário popular, passaram pelo filtro de sua voz - nessa noite de festa - Yayá Massemba, O Nome da Cidade, Lamento Sertanejo, Viramundo, O Quereres, Drama, Explode Coração, Bela Mocidade, Iluminada, Lágrima, Olhos nos Olhos, Volta por Cima, Doce Mistério da Vida, Beira-Mar, Debaixo d'Água / Agora, O Canto do Pajé e Sonho Impossível, Reconvexo e, claro, Rosa dos Ventos, tema do show emblemático de 1971, matriz dos espetáculos teatrais da intérprete. Também matriz da obra de Maria Bethânia, a figura de Dorival Caymmi (1914 - 2008) foi elegantemente reverenciada com João Valentão - número ao qual se seguiu o delicioso Doce, tema de Roque Ferreira que Bethânia lançou este ano no show feito com a cantora cubana Omara Portuondo. Doce reverencia a baianidade nagô de Caymmi. E Bethânia, vale lembrar, é da Bahia, é de Santo Amaro da Purificação. Simbolicamente, Motriz e Céu de Santo Amaro foram estrategicamente posicionadas ao fim do roteiro para evidenciar que, por mais voltas que dê pelo mundo, a obra majestosa de Maria Bethânia ainda gravita em torno de Santo Amaro.
 Estandarte é o nome do aguardado álbum de inéditas que o Skank lança em setembro, com produção de Dudu Marote (que pilotou discos bem-sucedidos do quarteto, como Samba Poconé, de 1996). A música que puxa o disco, Ainda Gosto Dela, tem letra de Nando Reis e conta com o vocal de Negra Li, cuja participação no CD do Skank noticiei na coluna impressa Estúdio da sexta-feira passada. Estandarte estará nas lojas no fim do mês.
 Quem te viu, quem te vê... Em sua estréia solo no Canecão, na noite de ontem, Roberta Sá em nada lembrava a cantora tímida dos primeiros shows. Que só faltava pedir desculpas por estar no palco. Com exceção da inclusão da (boa) inédita Agora, Sim!, a artista manteve inalterado o roteiro do show Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, que estreou no Teatro Rival, passou pelo Circo Voador e aportou num hiperlotado Canecão em noite consagradora. O sucesso crescente de Roberta Sá é a prova de que o público e o mercado continuam receptivos à música de grande qualidade.
 Taí a capa multicolorida do DVD que Maria Rita lança este mês, com o registro do show Samba Meu, captado na casa Vivo Rio, em junho. Fui na gravação e testemunhei uma apresentação calorosa. O público, jovem, cantava todos os sambas. Se o diretor Hugo Prata captou a energia do público, o DVD tem tudo para ser bom. Goste-se ou não de Maria Rita, e há quem a ame e há quem a odeie, o CD Samba Meu rejuvenesceu o público da cantora, que cortou o cordão umbilical a partir deste terceiro álbum. O público de Maria Rita agora é dela, não mais de Elis Regina. Por mérito próprio.
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