Untitled Document
Setembro, 2008
Agosto, 2008
Julho, 2008
Junho, 2008
Maio, 2008
Abril, 2008
Março, 2008
Fevereiro, 2008
Janeiro, 2008
Dezembro, 2007
Novembro, 2007
Outubro, 2007
Setembro, 2007
Agosto, 2007
Julho, 2007
Junho, 2007
Maio, 2007
Abril, 2007
Março, 2007
Fevereiro, 2007
Janeiro, 2007
Milton Cunha

Quarta-feira, 31 Janeiro, 2007

3 coisas de Falcão!


Pensando em "Falcão, meninos do Tráfico": Só mães guardam o desodorante preferido do filho morto. São capazes de identificar à distância o cheiro que o desaparecido usava. Memória olfativa de mãe. Impressionante. Outra: o garoto diz que quando deixar o tráfico vai ser palhaço de circo. Perfeito, meu filho, "de circo", porque palhaço do país Brasil você já é ( ou foi). Não sei se você notou, garoto, mas você tinha direito ao amparo do Estado. Você tinha que ter escola, saúde, acompanhamento rumo à uma maturidade saudável, meu menino. Se não te deram isso, te fizeram de palhaço. Que grande palhaçada social é esta vergonha chamada de nação. Mais uma: Nem a semiologia daria conta de destrinchar a grandeza do universo simbólico, gramatical e de significações da frase do ladrãozinho: "vida na favela é bagulho doido..." Perfeito como definição, insuperável como imagem. Reflexão final (?): Que homem lindo é este MV Bill. No sentido estrito e no figurado (e bota figurado nisso).

O Ser, Sendo!


Passeando no Orkut: Uma mulher publica uma foto com a seguinte legenda "minha mãe, meu ser, minha amiga...". Por meu ser entenda ela, na roupagem que veio nesta encarnação. É o cúmulo da espiritualidade: não sou eu, este que você vê é meu ser no mundo, aqui e agora. Subtende-se que este ser mudará, já que ser é passageiro, e dura uma existência. Pra que então fazer operação plástica no ser desta existência? Deformá-lo com silicone? Pra quem será que eu peço pra dar uma calibrada no meu ser no próximo "sendo"? Outra coisa intrigante é a quantidade de mestiço brasileiro que ao preencher o perfil se declara, orgulhosamente, "caucasiano". Será que eles acham que o Cáucaso está situado na Chapada dos Veadeiros? Você lê "caucasiano", sobe o olho pra foto do ser, moreníssimo, "sendo" nesta encarnação e começa a achar que este povo não tem espelho em casa, não.


Terça-feira, 30 Janeiro, 2007

Procura na lista!


Chego ao bacana Iate Clube, na Urca, com a linda e gostosona Ludmila de Aquinno, para a festa do amigo radialista Roberto Canázio. A recepcionista me segura: "Vocês estão na lista?. "Sim...." respondo. "Quais os nomes?" Eu detono: "Procure aí: Marilyn Monroe e Marlene Dietrich!" Durante minutos ela sobe e desce a lista, repetindo em mantra: "Marlene.... Marilyn.... Marlene... Mari..." Depois de muito "nos" procurar, desolada e exausta, a burrinha conclui: "Sinto muito, vocês não estão na lista..." Gargalhamos pensando nesta lista macabra de obituários, cuja festa seria realizada num cemitério de famosos....

Bonecas, mulheres com peru!


Repeti mil vezes, para os repórteres, na inauguração do Banheiro das Bonecas da Viradouro: "Não é banheiro gay, é banheiros das bonecas!" Menino gay vai no banheiro dos homens "porque é bom para manjar rola"; menina gay vai no banheiro das mulheres, mas não posso dizer "porque é bom", porque não sou lésbica. O problema é mulher com peru, mulher na aparência com carteira de identidade de homem... Elas não podem ir nem lá, nem cá. Portanto para evitar constrangimento, "banheiro para as bonecas". Boneca é como as tias, bichas mais antigas, designam as "montadas", as que se travestem. Tia também é chamada de "cacura" pelas maldosas, mas se não fossem as velhinhas, não teríamos conquistado todo este espaço de direitos civis. O problema agora, é segurar os heterossexuais que insistem em "visitar" o banheiro das bonecas, como se aquilo fosse um ponto turístico. Mas este assunto é muito polêmico, pois muitos gays não concordam com o banheiro só para as bonecas. E como algumas mulheres também preferem o seu banheiro só para mulheres sem peru, é aí quer tá formada a confusão.

Ecos do sambódromo!


"Gente foi feita pra brilhar e não para morrer de fome". Como gosto desta expressão. E quando vejo gente que brilha, aí ninguém me segura. Vai passando o caminhão de som, horroroso, quente, abafado, um barulho que parece que o mundo ia acabar. Tudo adverso por dentro, para que lá fora o mundo se fizesse maravilhas. Olho a boléia, porque sempre sobra um caminhoneiro bom pelas boléias da vida; quem sabe não seria desta vez? Dou de cara com uma mulher "nem aí" para a humanidade. Ela lá, linda, sozinha, curtindo horrores, de tiara na cabeça. Numa boléia, quase a barbie-princesa. Não é o máximo? Quem brilha, brilha até sem luz. Uma coroada sem platéia de súditos. Mas isto não importava. Sua platéia, talvez, fosse a multidão colorida, que ela vê em seus sonhos de rainha. Em seu reino imaginário, fictício, todos estavam ali para vê-la, feliz, bonita, arrumada, tirando onda com diadema de plástico de 1 real, que em sua fantasia, pertence às Jóias da Coroa de Elizabeth da Inglaterra. E daí, quem acredita em real ou imaginado. Salve nós, os loucos!

Ecos da Beija-Flor!


Não é uma escola de samba. É um rolo compressor, um escândalo, um torpor, um transe, uma vertiginosa aparição. Só comparada a luz de Zeus, capaz de calcinar quem a visse. Muito bacana. Bacanérrima. Seu patrono, Anízio Abrahão David, remoçou 20 anos depois que se apaixonou pela bela Fabíola. Passeavam com cara de realizados pela pista. E lá se vão vinte anos. Como passou rápido, e dois filinhos depois, eles têm uma cara de felicidade, o casal, que vou te contar. O máximo. A paixão remoça, senhores. Se apaixonem, se apaixonem. É melhor que botox, lifting ou qualquer fio de ouro. Imbatível. Vale registrar o tênis dourado do Anízio, tênis de garotão. Estão vendo? Apaixonem-se. Gosto muito do casal! Um luxo. Salve Beija, candidatíssima ao título, pelo conjunto da obra!

Ecos da Mangueira!


Senhores, eu vi a Mangueira entrar! E como gostei. Adoro a Mangueira entrando. E tal era a solenidade do ato, que defronte do Setor Um parou a bateria, o carro de som, e todos virados para o povão mandaram bem, muitíssimo bem, o Hino Nacional Brasileiro. É disso que eu gosto. E a galera respondeu cantando alto, emocionada. Se passarem cinquenta anos, eu não esquecerei que a mangueira era tão sedutora, que arrepiou até meus últimos cabelinhos do... coração. Mangueira é flórida. Chique até a última gota de suor da maravilhosa Márcia Fernandes, aí da foto, desta leva de mulheres que vai passar pela primeira vez tocando na bateria da Manga. Quem perdia era a Escola. Não elas. Olha só a pinta da Fernandes. Quando vi não resisti e fiz a foto. Achei a Márcia tudo de bom, ponto com ponto BR. Salve as mulheres Mangueirenses, que só não entendem mais de Mangueira do que eu, PHD no assunto. Ui. Amo Mangueira.


Domingo, 28 Janeiro, 2007

Querer é poder!


Rafael Azevedo, do Dia na Folia escreve que está preocupado com a evolução da quantidade de baianas que formarão todo o setor dois do Porto da Pedra. Nós também, Rafa. Nós também. Pra isso que existe ensaio, muito ensaio. E vim ao mundo para correr riscos, cair, levantar, cair de novo e morrer lutando. A- do- ro uma novidade, sempre respeitando e conversando com minha escola. Também se der certo, se aquele mar de baianas emocionar, aí viro purpurina. As mães, as deusas da passarela, riscando o chão com leveza e soberania. Nunca dantes vistos, pelo menos isto. Quem mais faria a passagem da liberdade orgulhosa da negritude para a prisão e a dor da segregação racial? Baianas, só as baianas podem. E elas vão mudando de cor e introduzindo o apartheid. Quanto a evolução, eu acho que a evolução das baianas é bonita por ser coerente com elas, sem pressa ou dança da bundinha. Claro que o vigor da garotada também é bacana. Mas baianas são litúrgicas, santificadas. Tomara que gostem das senhorinhas. Se não gostarem, agradeço o empenho das maravilhosos e me curvo ao erra de nossa decisão; mais uma idéia que não deu certo, na história da humanidade. Mas o outro não ta botando bateria em cima de carro? Porque eu não posso aprontar, também, né? Saravá...

Tiroteio na Lapa!


Estou chegando de um tiroteio na Lapa. Não estou chegando de um programa bacana. Não estou chegando do teatro, de um jantar com amigos, de uma big-festa. Estava voltando 5 minutos atrás da Marquês de Sapucaí, onde o Porto da Pedra desfilou em paz, para uma arquibancada linda, como só os amantes do carnaval sabem ser: calorosos. Voltei pela Men de Sá, e entrei naquela ruela que todos entram para pegar a Rua da Glória e sair no Catete. Antes da Rua Taylor, no cruzamento em frente, próximo, estampidos e clarões e um homem na moto tomba, acho que morto. Parece uma folha de papel, o coitado, se desmilinguindo ao vento. Oito estampidos, corre-corre no sentido contrário, fazendo com que os revólveres fiquem sozinhos Um formigueiro escapando. No meio do asfalto, na linha de tiro, o táxi na minha frente engata a ré,e eu jogo o meu carro no buraco do estacionamento, no meio-fio. Fecho os vidros tremendo, bato a porta e tranco com a chave, nervos em frangalhos. Vou me esgueirando pelas paredes, próximo, muito próximo do campo de batalha. O flanelinha, louco, bêbado, entidade, vem gritando atrás de mim: "oi, .... oi.... oi... olha o pagamento...." Eu grito: "não estou estacionando. Estou fugindo de uma guerra". Ao que ele retruca, sabiamente, e tão calmo que ao lado dele, pareço um histérico em fim de carreira: "Mas até no Iraque a gente paga estacionamento." Que cidade é esta que escolhi para viver, Deus do Céu? Acho que aqui, até para morrer, tem pedágio.



Sexta-feira , 26 Janeiro, 2007

Saudades de Salaberry!


Numa Copacabana ensolarada e mágica, passeando, vejo a divina Zilka Salaberry senso empurrada em uma cadeira de rodas por alguém. Sequer olho para o alguém. Um frio mortal me corre a espinha. Estou diante dela, velhinha, debilitada, e avassaladoramente hipnotizante para o menino de Belém do Pará, que a escolheu como avó em seus sonhos de arte e traquinagens. O que faço?, pensei. Eu que não costumo pensar, sou só impulso, congelo mortificado diante da grande Dama. Decidi me jogar de joelhos no asfalto quente e gritar: "eu te amo; grato por tanto sonho e fantasia". Ela é empurrada durante tais pensamentos. Pra que arquitetar amor e admiração? Não precisa. Tem que fazer na hora que dá vontade. Vai fazendo e se arrependendo na mesma hora. Não importa o depois.... E eu morro um pouco por ser covarde. Leio nos jornais, uma semana depois, que ela morreu por completo. Arrependimento, arrependimento, arrependimento... "Zilka, aí do céu, me escuta avó amada: você representou muito amor para um menino que pouco conheceu o amor". Mas como diz Lia Luft: a sombra escura da morte já nos rondava por trás dos postes e portarias da Figueiredo de Magalhães. Foi esta sombra que me mortificou....

O Querer!


O que toda mulher quer? (E nós gays também) Resposta: um homem rico. O problema é que quando eles sabem deste querer, eles já vem se explicando que a conta bancária não é lá estas coisas, mas que eles não se envergonham disso, etc. Meus amores, quem lhes disse que é dessa riqueza que elas (e eles, ui) estão falando? Esta é a única óbvia. As outras "fortunas" rendem para sempre: diga a ela que você é rico de sonhos, e você terá uma derretida em sua frente; responda que você é rico de bom humor, e a leve para um programa inusitado; diga que você é rico de ex-mulher e filhos, e aí sei lá como ela vai reagir; agora, só use a mais fatal das respostas, que você é rico de pênis, se você puder bancar o teste. Ou vai ter que ser avantajado, ou vai ter que mandar muito bem, porque você se moveu no perigoso terreno do exibicionismo (o que é ótimo, em alguns casos), e isto vai excitar muito, muitíssimo, a imaginação da gata. Riquezas são diversas, e a riqueza de grana só é decisiva para as "marias-gasolinas". Mas tem "maria-biblioteca", "maria-alternativa", "maria-amélia", "maria-lunática" e assim por diante. Seja qual for a sua riqueza, tem uma outra que não vai poder faltar: a riqueza de "pegada", porque tem uma hora que só enlaçando, parando de jogar conversa fora, e fazendo a jurupoca piar. É disso que toda mulher também gosta. Sem decisão não dá.

Tá coisa a feia!


O rapaz me escreve: - Sou inesperiente...
Eu retruco: É inexperiente...
Ele: Desculpe, foi um auto-falho...
Eu: Ato, criatura.... Ato-falho... Vamos nos conhecer?
Ele: Aí no Rio deve ter mais homens interessantes do que eu...
Eu: Mas quem te disse que eu te acho interessante? Eu quero te conhecer, não estou promovendo uma gincana, querendo te comparar com A, B, ou C. Isto não é concurso de interessantilidade (palavra que não existe, mas que achei cabível, diante de tanta insanidade).
Moral da estória: como tá difícil namorar pela internet...


Betty Grande e a minha classe e o mobral!


A leitora Betty Grande diz que discorda de minhas críticas ao Clodovil, e se diz admirada pois sempre soube que "minha classe sempre lutou unida". Acho que ela está se referindo à classe dos gays, repito, eu acho. Betty, meu docinho, tem gay que presta e gay que não presta, hetero que vale e hetero que não vale nada, loura burra e loura inteligente, enfim, Betty, ser gay ou ser qualquer outra coisa (focas e calangos incluídos), não define caráter. Em seguida, Betty, que não é a feia, afirma uma pérola: "ser analfabeto neste país não é opção do próprio, pois existe o Mobral". Mobral? Gente, a Betty é dos anos "antigamente". Acho que ela entrou na cápsula do tempo e acordou aqui, agora. Betty também declara que sou "uma pessoa que faz muita careta, e se pendura em penduricalhos (sic) para aparecer em um dia de fama". Meu Deus, a Betty ta me arrasando, mas não posso deixar de concordar: é verdade, Betty, eu adoro aparecer. Mas não para por aí, não: "tenha mais respeito pela profissão de overloquista". Olha, Betty, te dou toda a razão: que escorregada a minha de comparar os overloquistas, gente maravilhosa e decente, ao infame costureiro, duble de sábio. Ela vai mais fundo (ui): "o senhor já tem idade, fica feio demonstrar inveja por uma mal traçada linha!". Agora, a pergunta que não quer calar: Betty Grande, qual é a sua opinião sobre respeito aos analfabetos? Você também não os respeita? E Betty, pela tua redação, menina, corre pro Mobral que está próxima a hora do Clodovil não te respeitar nem um pouco. Beijos, gostosa.

Esper é espertinho!


Parece que o Esper é um Espertinho, pois estas obras de arte que "enfeitam" os cemitério são valiosíssimas. O que ainda segura a decoração de tão triste cenário, é que a maioria dos mortais, gente como nós, tem medo da morte, não querem mexer com o lado de lá, acreditam que os que já morreram podem voltar para puxar o pé, estas coisas. Mas parece que o Esper não ta nem aí para a "velha senhora", e manda ver bonito por entre esculturas de santos e sinistras vielas de cemitérios. "Isto não é uma casa, é um cemitério!" Foi quando gritei comigo mesmo, ao saber da estranha mania do costureiro Ronaldo Esper, de surrupiar pedaços do campo santo, para dar um aspecto melhorado à sua coleção caseira. E que coleção! A porta de entrada da casa dele deve ranger fantasmagoricamente, quando anjos com asas enormes e trombetas da anunciação surgem do nada e indicam a chegada do mordomo da Mortícia Adams; e o Esper, que já tem cara de ser do outro mundo, completa o sinistro quadro aproximando-se amparado em sua bengala, que segundo o "último grito em Paris", é em forma de foice. E ele que julgava elegância no programa da outra, se ferrou: elegância não passa nem perto dele, nesm neste, nem no outro mundo. Depois que você entra na sala de tal residência (ou eu deveria chamar de estúdio para gravação do Thriller, de Michael Jackson?), você deve ouvir uma música sacra altíssima, tocada num órgão imenso, pegado "emprestado" de qualquer igreja para extrema-unção. Pois bem, o cozinheiro é um coveiro, que deve entrar com bandeja e cabeça de caveira declamando o clássico "roubar ou furtar, eis a questão!". Será que o automóvel do Esper é um colche negro, um rabecão, ou um papa-defuntos? Deus, que dúvida cruel: será este sujeito um necrófilo, cujos amantes, já passados para o além, seriam as únicas criaturas capazes de encarar tal descaramento? Você decoraria sua casa com vasos de cemitério entupidas de cravos-de-defunto? Que estranho, né não? Começo a desconfiar que a cama de dormir deste Esper, deve ser uma lápide, igualmente surrupiada. Vai de retro. Tomara que o morto venha reclamar com o meliante, os mimos roubados. Será que o Ronaldo é um vampiro? Se eu já acho esta gente que gosta de passear em cemitério esquisita, imagina pessoa que leva pedaço de cemitério pra dentro de casa. Pensa bem: dia ensolarado, você não tem nada para fazer, vira pro melhor amigo e o convida para dar um rolé por entre os túmulos. Sai pra lá. Pior que isto só ter coragem de experimentar um caixão. Cruzes. Pé de pato, mangalô três vezes!


Quinta-feira, 25 Janeiro, 2007

Mar capixaba!


Será que tem explicação racional o mar do Espírito Santo ser testemunha de tanto decepar de pedaços de corpos humanos, mais trágicos e noticiados, que em qualquer outro lugar do Brasil? Assim como Recife, que para sempre será o lugar do ataque de tubarões, Vitória esta no topo de minhas lembranças como a praia dos navegadores malucos e sanguinolentos, cujas chiquérrimas lanchas são a versão moderna da guilhotina. Lá em Pernambuco, diz-se que a construção de um porto desalojou os vorazes. O que será que causa os acidentes capixabas? Seria impunidade, imprudência, fatalidade, carma, tudo junto, nada disso? Cruzes, o mar não esta pra peixe.

Cocoruto!


Por quê, nem todo o dinheiro do mundo consegue dar um visual natural para as perucas de homens? Por exemplo: o que é o casco de coco desfiado, sobre o cocoruto do pastor Estevam Hernandes? Me pergunto se ele não foi preso nos Estados Unidos, por causa de tais fios. Talvez o povo da alfândega tenho tomado um susto de tal magnitude, que, em estado de choque, resolveram perguntar, para a não menos alegórica mulher dele, Sônia, como ela tinha coragem de deixar o marido pagar tanto mico. Faz sentido, portanto, a proibição para o casal não permancer na rua após as 17 horas. Dá medo no escuro...

Os sem-remorso!


Alexandre Herchcovitch e Oscar Mitsevah, estilistas brasileiros com nome de vodka russa, acabaram de apresentar suas coleções no São Paulo Fashion Week, feira brasileira com nome de quermesse americana cafona. O primeiro se inspirou nas bóias-frias, que, coitadas, teriam que trabalhar um ano inteiro cortando cana, para comprar um modelito que deu close na passarela. Não sobraria grana prá boia, nem fria, quanto mais quente. O segundo se inspirou no desenvolvimento sustentável e nos povos da floresta, para criar sua coleção, e os pobres dos seringueiros teriam que tocar fogo em pelo menos mil hectares da floresta (o que segundo Oscar é imperdoável), para comprar uma superposição de pele de peixe que passou desfilando. Só uma coisa aplacaria de vez o dilema do mundo da moda, que não quer, não pode e não deve, parecer alienado (mesmo sendo) : realizar o "Pontal do Paranapanema Fashion Week" e a "Igarapé Solimões Fashion Week". Passarelas brasileiras infestadas de sacis, curupiras, sem teto, sem terra, que desfilariam para uma platéia enfim, sem-remorso. Mas que estava uma belezura os dois desfiles, ah isso estava!


Lucro Presumido


Comemos bem, bebemos geladíssimas. Paguei a conta e pedi nota fiscal. Não tinha. "E como os senhores pagam imposto?", perguntei eu. "Através do lucro presumido", respondeu o gerente. Fiquei pensando cá com meus botões, não, cá com meus strasses: lucro presumido.... "Quer dizer que eu sou um lucro presumido? Imagina... Maitre, eu sou um lucro assumido, aliás, assumidíssimo; sou um lucro contado, aguardado, esperado, ansiado. Ano passado me fantasiei de galinha do arco-íris e já tenho fantasia para a folia deste ano: lucro presumido". Aliás, qual é o lucro presumido da vida de vocês?. Acho que quando avistamos alguém que nos dá tesão e esperamos que na cama seja uma explosão, isto deve ser uma espécie de lucro presumido, e aí partimos pra dar a cantada na criatura, cheios de "presumição", palavra que não existe e que acabei de inventar... Ah, sim, sobre a nota fiscal, ela chegou no dia seguinte na portaria do meu prédio...

A Inveja é uma M....


O leitor Francisco Orlando pondera que minha opinião sobre o Clodovil foi "ciumeira típica de invejoso". Concordo plenamente com o leitor, pois não durmo há dias, de tanto remoer esta inveja. Isto posto, passemos ao que interessa: Francisco Orlando, meu bem, você também, como ele, não respeita analfabeto?


Quarta-feira, 24 Janeiro, 2007

Urubu, tô dentro!


Ai, como é bom ter um Blog, para desmentir um jornalista maravilhoso, dono de uma coluna deslumbrante. Não sei quem é a fonte dele, mas das duas, uma: ou é alguém que me detesta, ou é alguém que detesta o Porto da Pedra. A coluna insinua um mal-estar dentro da escola porque a ala de baianas não quer vestir cinza nem preto, e afirma que tive que buscar gente de fora da comunidade para suprir tal situação. Conto pra vocês que as 105 baianas tradicionais do tigre de São Gonçalo, estão satisfeitíssimas com suas "baianas de branco dos tempos da boa esperança" e "baianas de cinza dos tempos da transição e insegurança". Só que, além das que já encontrei na escola, inventei de fazer um setor inteirinho com baianas, um mar infindável de senhoras, e tive que me virar, a pedido do presidente Uberlan, em mais 145 baianas. Este é um antigo sonho meu, que tentei fazer na Unidos da Tijuca em 2003, no enredo sobre os Agudas, mas o presidente Horta não comprou minha idéia. Quando o Porto bancou, reservei para mim as 75 pretas, por serem mais dramáticas e requererem umas caras e bocas mais de "atrizes", e corri imediatamente para convidar minhas fiéis escudeiras, e alunas do Instituto do Carnaval da Estácio de Sá, e suas amigas, para interpretarem as 75 "Baianas de Preto dos tempos de luto pelo apartheid". Tipo mães cujos filhos morreram nas mãos dos racistas são as mesmas mães da Praça de Maio, mães da Candelária. Elas toparam imediatamente (é que preto emagrece...), com exceção da aluna e Yalorixá Maria Moura, ex-mulher do músico Paulo Moura, que é baiana do acarajé e não pode usar esta cor. Uma cor imprenscindível para nosso desfile, pois é metáfora dos anos de escuridão do regime racista na África do Sul. As demais mulheres, conseguimos convidando minhas adoráveis ex-alas de baianas, da União da Ilha do Governador e São Clemente. Aceitaram todas, hoje já estamos com uma pequena lista de espera. Elas todas estão passando muito bem, ensaiam todas as quartas, desde outubro, e se Deus quiser tudo dará certo. Ancelmo, adorei o título "Urubu, to fora!", mas preciso te contar que minhas alunas, e demais convidadas, estão dentro, alegres com seus urubus, pobre e bela ave maltratada pela humanidade intolerante, que não consegue enxergar beleza nesta árdua tarefa de ser sempre considerado feio. Aliás, muito parecida com a incompreensão branca, que sempre viu o padrão de beleza negra como não bela. Nos vemos na avenida, mestre, exaltando urubus, negritude e os incompreendidos e difamados.

Estrela Flávia!


Flávia Alessandra me diz: "eu me lembro de você!" Eu completo: "eu também". Ela aponta a linda moça e achando que eu não soubesse, acrescenta: "Esta é...." Eu a interrompo: "Sua irmã, a bela Keila, que concorreu na Garota de Ipanema em 85, quando eu era o produtor..." Batemos fotos, pessoas comentam ao redor, mas só nós três sabemos: eu, a estrela, e a irmã mais velha, temos percurso juntos, e parece que nenhum dos três quer apagar nada. Todos trilhamos caminhos diferentes, mas o importante é não perder o prumo, não esquecer o passado, ter, sim, velhos conhecidos. Dos tempos em que éramos bregas, virgens e moleques. Acreditávamos em concursos de beleza, os tomávamos a sério, e aquela garotinha loura, linda e saltitante pelos camarins, de uma vivacidade marcante, me imitando dizendo para as candidatas: "apressem-se, peruas. Milton já está no palco..." hoje é uma estrelona talentosa e lindíssima. Mas no fundo dos olhos, eu revi a moleca que só queria ter seu lugar neste mundão de Deus. Parabéns Flavinha e Keilinha....


Caracterização


Janeiro passado, sol escaldante, ensaio técnico da maravilhosa Vila Isabel, Av. Atlântica. O então Secretário de Minas e Energia do Rio, Wagner Victer se aproxima e diz: "Tá descaracterizado?" E eu: "como?" Ele insiste: "Você é o Milton, não é? Não tá caracterizado?" "Tô Secretário: tô caracterizado de ser humano, tênis, bermudão, sem camisa. Rio de Janeiro, verão. Ah, já sei, o senhor se refere às minhas penas e strasses, não é?" Sorrindo, ele confirma. E eu concluo: "Olha, Secretário, então deu empate, porque o senhor também ta descaracterizado. Cadê o paletó de Secretário? Cadê a evangélica de tailleur rosa? Cadê as minas, cadê a energia?" E saí rodopiando sobre as pedras portuguesas, tendo a certeza de que o paletó dele e as minhas plumas são fantasias estabelecidas socialmente: às vezes ele finge ser um homem sério, e eu, debochado, um veado maluco e extravagante.


Samba em Copa!


Junior, jogador-gato-sessentão, puxa uma roda de pagode no Temperado. Maria Gladys samba e ri no balcão. Estamos numa tarde de domingo, em Copacabana, esquina da Siqueira com praça dos Paraíbas. Acabou a feira. Hortaliças espalhadas pelo asfalto. Walter Alfaiate, majestade do Brasil, solta a voz que ecoa pelas paredes dos prédios altos. Ele canta alguma ode de amor a Portela, destas que a gente não sabe a letra, mas silencia pela autoridade e beleza da melodia. Magia em Copa: quem participa se olha com cara de "onde mais?": Em que cidade do planeta temos Walter e seu quilate de estrela, voz límpida e impressionante, cantando um patrimônio do país? Liturgia, caras-queimadas (traduzindo, é o mesmo que torpor alcoólico), felicidade de viver. Sem ingresso, sem camarote vip, sem nada. E com toda a sorte do mundo de ter parado ali, por deleite. Estar no lugar certo na hora certa.

Corta!


A produção da tv grita: "no ar!". Estou ao lado de uma simpática repórter, que manda: "estamos aqui direto de um camarote da Marquês de Sapucaí com o carnavalesco Chico Espinosa, da União da Ilha. E aí, Chiquinho?". Na lata eu respondo: Que prazer falar com os ouvintes da Band!... Com piedade e compreensão a repórter corrige..."Não é a Band, Chico, é a Manchete no Carnaval"... E eu: "isso não importa, querida, porque eu também não sou o Chiquinho... Eu sou o Milton Cunha, da Beija Flor.." A produção tira a imagem do ar, eu dou as costas e deixo aquele montão de luzes da tv, paradas e atônitas... Agora estou no elegante restaurante SanDomenico de Ipanema. Um emergente quase bicheiro vem até minha mesa: "Por que largou o salgueiro?" Eu, sem disposição de alongar, digo: "coisas da vida..." E ele: "está onde agora, Borrielo?" "Estou na Viradouro, felicíssimo". Ele conclui: "Volta pro Salgueiro, Borrielo. O Ita foi lindo..." Eu e meus amigos comentamos baixinho minha sina de ser confundido. Há três semanas atás, esperando ansioso com meus funcionários, defronte da tv na cozinha do barracão, pelo Jornal Nacional, que me traria numa reportagem, vejo o bigodão de meu querido Max Lopes falando do enredo da Mangueira, e em baixo escrito: "Milton Cunha, Carnavalesco da Viradouro". Quando finalmente falo, não há nada escrito para mim. Não tenho letras, palavras, títulos... Pobre de mim, imagem sem legenda, vagando neste poltergeist de vaidades.... Agora estou tomando sol no quiosque no Nilson, em Barra de Guaratiba, quando o cara grita pra mim: Laíla!... Num susto me levanto e decido: "Putz... Laíla... aí já é demais... Ninguém merece...." Tudo bem, fãs, imprensa falada, escrita e televisada, desinformados de plantão, admiradores e os que não me suportam: eu posso ser todos os homens (e mulheres) do mundo que vocês quiserem.... Agora, Laíla, não! Isto já passou de todos os limites aceitáveis.... Sarava!....


Chip é uma cachorrada!


Aproveitando esta onda mineira de botar chip em cachorro pitbull, para melhor monitorar a presença deles em área de risco, e prevenir ataques, sugiro que você, meu amigo, coloque um chip na sua namorada cachorra, para saber se ela está na Nuth ou na Lapa, e com isso apaziguar os ânimos de seus cornos. Fique diante da tela do radar e monitore todos os passos da coitadinha. Sugiro mais ainda: implante um chip sensível ao desejo e à prática sexual. Tipo assim: se ela se excitar o bip toca. Nesta época de tanta poluição sonora, ninguém vai perceber que a tua geringonça vive apitando.

Miltonia, a Orquidea!


Passeando pelo Jardim Botânico, (que precisa melhorar muito sua infra-estratura para ser uma atração sedutora para a turistada e os cariocas), no Orquidário deparei-me com minha versão vegetal, a Miltonia. Eu, longe de ser uma flor, caí na gargalhada com a plantinha e seu nome de batismo. Quem teria sido a Miltonia, meu Deus do céu?