Untitled Document
Agosto, 2008
Julho, 2008
Junho, 2008
Maio, 2008
Abril, 2008
Março, 2008
Fevereiro, 2008
Janeiro, 2008
Dezembro, 2007
Novembro, 2007
Outubro, 2007
Setembro, 2007
Agosto, 2007
Julho, 2007
Junho, 2007
Maio, 2007
Abril, 2007
Março, 2007
Fevereiro, 2007
Janeiro, 2007
Milton Cunha

Segunda-feira, 30 Abril, 2007

Versões maravilhosas da realidade!


A divina feiticeira negra Maria Moura tem quase 70 (ela vai ficar louca quando souber que escrevi isto). Me controu que quando era criança, ouviu de uma ex-escrava que na Pedra do Sal, Gamboa, foi enterrado o segredo e o axé dos primeiros negros (este Exu teria sido o primeiro trazido para o território nacional, nas primeiras levas de negritude escravizada). No assentamento, a promessa: só poderão desenterrá-lo quando ali, no mesmo lugar, se erguer o templo para os Orixás Yorubanos, Geges e Vodouns e para a grandeza de África. Além disso, um dos problemas do Rio de Janeiro, é que em nossas prisões ainda mofam velhos pretos-velhos, pais de santos e malandros de ruas, velhíssimos, presos quando o Candomblé era crime (era?). Aprisionados, atormentam, nossa realidade. E a inteligência institucional, Governo, Polícia, Judiciário, não são capazes de separar o joio do trigo, não os soltam (e com a implosão do Frei Caneca, vários axés foram ali soterrados, em antigas celas) e nos fazem padecer. Esqueçam se acreditam ou não, se é plausível ou não: não é uma fascinante explicação mítica para uma realidade cruel? Quanta poesia, quanto lirismo, quanta possibilidade de ficção, desvairada e inesgotável, o entorno da mesa africana proporciona. Porque é em volta da feijoada que tudo se dá, tudo se conta, tudo se tenta explicar. Sedutor.

Preto, no branco.


Deslumbrante a pesquisa dos geneticistas da UFMG, que está mapeando o DNA mitocondrial dos brancos brasileiros, buscando os marcadores ancestrais de escravos africanos, que corre nos corpos da branquitude. Minha conhecida riquíssima e preconceituosíssima, que mora de frente pro mar de São Conrado, imbecil como ela só, terá duas opções: ou recusa-se a colher material para a pesquisa, ou, encarando a realidade, se mudará de corpo, pois seria muita ironia do destino, colocar quem ela tanto odeia e despreza, dentro de suas próprias células. Mais do que ser prisioneira de uma nação mestiça que insiste em se ver germânica, escandinava, a tolinha é produto de um tipo de humano que precisa desesperadamente se sentir superior ao seu semelhante. Não percebe as influências culturais em seu pensamento, acredita ser isto obra do Deus que agora envia seu Papa para visitá-la; e ela é mais “cheirosa”, porque é, é assim a natureza (ela acredita, e verbaliza). Ainda há muito preconceito racial e temor econômico, pois o branco não quer “largar o osso” da civilização.


Domingo, 29 Abril, 2007

Ecos do Canadá!


Homenagem pós-Toronto às deslumbrantes Lucinha Nobre e Renatinha Santos, sambistas da melhor cepa (e blogueiras lacraias), que muito me honram com suas amizades. Lá na viagem nos debatemos em acalorada discussão sobre nossas rainhas preferidas: Lucinha defende ferrenhamente a que considera Deusa, Luma; e Renata prefere a brejeirice de Juliana Paes. Vocês preferem quem, mesmo?

Má intenção....


Com o relançamento dos discos do Príncipe Ronnie Von, vou pegar pesado, me desculpem, mas não vou perder a oportunidade: sou o primeiro a assinar a lista “eu já bati uma na intenção do Ronie Von”. PQP, que homem interessante, lindo e gostoso. Aqueles olhos naquela pele, com aquele cabelo e aquele mistério do ser, saravá, pé de pato mangalô três vezes. Música, não me lembro de nenhuma, mas dele, jamais esquecerei.... Eu era virgem naquele tempo.... Hoje, não sobrou mais nada....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

A que já acorda "em cena"...


Não é o blog que está chato: a vida é que é normal, apaziguada, e só de vez em quando é que ela apimenta. Deus que me livre ser engraçadinho 24 horas por dia. Isto sim é que é ser chato, achar que a vida se resume a bichices babacas o tempo inteiro. O bacana é a bicha maldita baixar de vez em quando, como o hetero maldito, o cachorro maldito, o caxinguelê maldito. No resto do tempo, vivam apaziguados, não se obriguem a estar no looping o tempo inteiro. O bom de viver é que a vida é às vezes apimenta, às vezes é bem temperada e deliciosa, ás vezes salgada e às vezes, insosa. Amo vocês todos, mas procurem outro personagem ou blog em busca de fôlegos incessantes. Abram o de vocês e sejam interessantes para sempre (ainda que fingindo). Este aqui é só humano, verdadeiro, enfadonho e honesto. Mas definitivamente, não serei o que vocês querem. E não sejam o que eu quero: é que cada um tem um modelo, e eu não estou gay maldito o resto da existência. Acreditem, adoro arrumar gavetas, jogar papel fora. Sou super, super desinteressante. No resto, vendo o meu personagem muito bem. E até ganho dinheiro com ele, de vez em quando.

Grande Casal de belos!


Perfeito entrosamento, simpatia e classe nas doses certas, disposição para fazer o melhor rodopio: assim é a apresentação impecável dos belos Giovana e Marquinhos, primeiro casal de Mestre Sala e Porta Bandeira da Verde-e-Rosa. O pavilhão está muito bem exibido pelos maneios destes jovem e energético casal. E o traje confeccionado pelo mago Edmilson Lima é opulento e leve. Um banho de beleza os dois evoluindo no centro do Palácio do Samba. Lindo, lindo....

Exuberância de Mangueira (ui!)


Fiquei pensando sobre a exuberância mangueirense, algo que esta mulata deslumbrante tão bem exemplifica: é tanta tradição, personalidades, lendas, glamour, magia, enfim, um sarapatel de importância, que peço aplausos para os 79 anos da Estação primeira. O Cenário é uma beleza que a natureza criou, o Baile de aniversário foi um Glamour só, e vale a pena ser carioca ou brasileiro para compartilhar deste patrimônio de nossa gente bronzeada que mostra seu valor.

Lembram da Gigi da Mangueira?


Depois da exibição do lindo filme documentário sobre Cartola e seu entorno mangueirense, uma das fundadoras da ala de Passistas, a lendária Gigi da Mangueira, fez um discurso emocionadíssimo ao microfone. Foi de arrepiar. Gigi é tombada pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Geográfico, como móveis e utensílios do Carnaval Brasileiro. Foi um prazer encontrar a Grande Dama do samba.

Griots de ontem e hoje!


Numa das salas do Centro Cultural, a que sedia o projeto Novos Griots, fui recebido por Lilian Gutman e a velha feiticeira Maria Moura, divina baiana do acarajé, guardadora do axé misterioso das mães baianas. Pois pasmem: todas as quartas à tarde, elas recebem 25 crianças do morro de Mangueira, e Maria conta suas velhas e lindas estórias africanas para a molecada, que depois as recontam para as duas. Fazem batas africanas, desenham e aprendem a respeitar o sistema de valores africanos e suas raízes. Este cenário da sala de contação de estórias, é a Pedra do Sal, na Gamboa, cuja falação de Maria Moura sobre o local será tema de um post exclusivo, já que é muito para meu coração, e para o de vocês, com certeza, também será. Divino o Novos Griots! (para os que não sabem, os Griots são os narradores africanos nos tempos da tradição oral, quando a escrita ainda não documentava o cotidiano. Os anciões eram o centro da roda, os guardadores da oralidade, amados e respeitados pelos grupos).

Violinos jovens de Mangueira


Antes da exibição do filme, com a presença dos diretores e da produção, 12 crianças do projeto jovens violinistas da Mangueira se apresentaram. Foi de tirar o fôlego: eles executaram Carinhoso e As rosas não falam. Aplaudidíssimos, ovacionados, nem caíram na gargalhada quando, no meio da apresentação, com um silêncio tumular da platéia, emocionada, um desavisado homem empolgado, mas sem saber como era, o que era, como se assiste, começou a acompanhar com palmas a bela exibição, e ainda gritava “vamos lá, mais palmas!”, o que acabava com a harmonia da apresentação. Rapidamente a audiência xoxou em uníssono o palmeiro, gritando: “cala a boca”, vai bater palma na casa do...”, “eles não precisam de acompanhamento...”. Tudo se resolveu, mas sem sururu não é casa de bamba. Tem que ter bafafá e xoxação.... Mas as crianças, impecáveis, nem aí para o palmeiro. Arrasaram....

Musica para os olhos....


O Sábado foi totalmente Mangueirense. No dia em que a escola completava 79 anos, fui ao Baile de Gala no Palácio do Samba. Mas antes, fui ao Centro Cultural Cartola, bacanérrimo, para a feijoada mensal e para o lançamento, para a comunidade, do documentário Cartola-Música para os olhos. Emocionante ver o morro na tela, e sentir o morro do lado, literalmente. As instalações do Centro Cultural são ótimas (vão melhorar, mas já está bacanérrimo). Sem contar que é lá a sede do Projeto que cuida do Samba como Patrimônio Imaterial Brasileiro. O Máximo.... Nilcemar, a neta, está de parabéns. Mulher de fibra e vontade.


Quinta-feira, 26 Abril, 2007

Convicção e vacilo.


É revigorante conversar com o cantor e músico Lobão. Quanta capacidade de pensar a carreira, o mercado, o jabá, o sucesso, as cobranças. Enfim, um ser pensante, metralhadora giratória, impiedoso, sarcástico, caústico, sofrido, dilacerado. Uma alma esticada no cortume, como diz Caetano em sua O Ciúme. O Sem Censura não pára nunca de me surpeender. Leda tem um fôlego enorme, e suas entrevistas parecem que jamais pararão de render. Diante de Lobão rimos e pensamos, eles nos dá a volta, nos joga na cara o sistema de valores que construímos. Mas também é doce e fala de sua infância, de seus pais, de sua filha. E volta a atacar, e a expor os avessos. Diz: "cansei de ser contestador. Agora vou ganhar muito dinheiro, pois este acústico vai ser um mega-sucesso", e ri. Ele foi lançar o Lobão MTV, uma belezura de trabalho. Mais uma vez, salve Lobão. De tudo, o que não me sai da cabeça, é sua frase-emblema, que parece resumi-lo: “Convicção não admite porcentagem. 99 % já é vacilação...”

Treme, Toronto....


Toronto tremeu! Tudo bem que o olho do furacão foi no sábado, quando o Brazilian Ball fez a fina flor do Canadá cair no samba (do Primeiro Ministro do país ao Prefeito da cidade), passando pela idealizadora do baile, que esta em sua 41º versão, Ana Maria de Souza, uma mineira que arrecada milhões de dólares todos os anos com este baile beneficente, para ajudar duas instituições, uma do Brasil e outra de lá, oferecendo a alegria do carnaval brasileiro em troca. Mas desde que nosso grupo aterrizou nas margens do lago Ontário, que Toronto nunca mais teve sossego. Imaginem 80 brasileiros animadíssimos, o assim chamado “povo do samba”, trazendo plumas, paetês, biquínis, instrumentos musicais, mulatas, misses de todo o Brasil, porta-bandeira, os primeiros bailarinos do Municipal do Rio, alguns modelos masculinos tipo go-go boys, fantasias gigantescas, e, no fim das contas, eu! Eu, que não sou um ser humano, sou um carro alegórico, fazendo o queixo dos “canadians” cair incrédulos (descobri nesta viagem que possuo “a flamboyant image”, que é como eles descrevem Elton John no auge da pinta, e eu, no auge da fantasia). Acho que por flamboyant, neste caso, entenda-se aveadado. Um sururu de capote a 5 graus. Um frio que não nos intimidou, e no salão do Centro de Convenções, o aquecimento global que nós provocamos foi do balacobaco. A Rainha do Baile chegou em separado, muito chique e distante, a loura Caroline Bitencourt (quando eu a vi num canto do salão com o Álvaro Garnero, ele sim, de smocking, um pedaço de mau caminho, não pude deixar de pensar: a dupla que acabou com o Castelo da Cicarelli; tomara que não acabem com isso aqui...), mas quem reinou absoluta os seis dias de folia foi Gloria Maria, que tinha ido para trabalhar, para cobrir o baile para o Fantástico, mas o charme da repórter e sua simpatia são tão cativantes que todos, absolutamente todos os brasileiros, a aplaudiram do inicio ao fim. Não posso deixar de contar pra vocês que ainda na viagem, na troca de aeronaves no aeroporto Kennedy em Nova York, eu levei um susto quando vi a Gloria, coitadinha, descalça, as seis da manha, num frio desgraçado, numa fila. “O que você esta fazendo sem sapato, mulher?” indaguei tolamente, para segundos depois, ser obrigado pela polícia americana a também tirar o tênis. O medo de bomba esta generalizado, e aquilo parece uma fila de indigentes buscando o pão de Santo Antonio. Sem contar que você vê cada meia inacreditável, exposta de surpresa pela ameaça terrorista. O vôo até Toronto é da American Eagle num jatinho brasileiro, e quando o comissário diz “sejam bem vindos ao Embraer tal”, dá um orgulho danado de ser brasileiro; de ser de um pais que fabrica aviões. Voltando a Rainha Gloria e sua corte torontense, estávamos ensaiando no Centro de Convenções, quando ela eufórica me mostrou uma tanguinha para homem, com a cara de um elefantinho na frente, e uma tromba enorme naquele lugar. “Que diabo é isso?”, assustado e excitado perguntei. “Milton, fui a um sex-shop maravilhoso, comprar estas cuequinhas para sacanear os câmeras lá do estúdio do Fantástico. Vou fazer todos eles desfilarem para mim trajando só isso”. “Mas Glória, eles têm que ter um negócio e-nor-me para preencher esta trombona. É muito grande...” Dizendo que não importava, Gloria já tinha virado o centro das atenções mostrando tangas de oncinha, de coelhinho da playboy, e... vibradores femininos que acendem luzes e tremem mais que vara verde. Pra que será que serve a luz acesa, nestas horas? Será para esquentar? Para parecer um ET? Sei lá, o que sei é que Gloria reinou absoluta, e quando comentei que ela ficou com o galã do filme 300, ela bradou: “sou uma mulher que abati Esparta. Que venham os Persas...” e aí a galera delirou. Outra coisa muito marcante foi que todas as manhãs, as misses já desciam maquiadíssimas e arrumadíssimas para o café da manha. No resto de nós, mortais, reinava a esculhambação; mas miss que se preza dorme embalada a vácuo e já acorda deslumbrante. Acho até que as predestinadas a tanto sacrifício deveriam ganhar um adicional de insalubridade, porque não é para qualquer um, não, estar impecável às oito horas da manhã. Haja pancake. Depois do triunfo do Baile (Howard, o produtor, diz que o segredo é ser ele um canadense que mora há anos no Brasil, e, entendendo os dois povos, não deixa a máxima brasileira “na hora tudo se ajeita” ser uma constante nos cinco meses de organização; mas no momento em que eu fui destribuir as cabeças com plumas, para animar o publico que paga 10 mil dólares por um ingresso, o “avança” foi igualzinho ao da Cidade do Samba, porque na hora de garantir um presentinho do carnaval, não tem primeiro mundo que segure), partimos para as Cataratas do Niagara, um deslumbre, que muito me lembrou Niterói, porque só do lado Canadense é que se pode ter a maravilhosa vista, porque se você estiver do lado dos Estados Unidos (ou no Rio), você não pode contemplar o espetáculo do conjunto à distância. A infra-estrutura turística em volta das três quedas d`água deixa Foz do Iguaçu anos-luz atrás. Se a natureza nos deu Cataratas mais bonitas, ainda falta muito para a Embratur aparelhar nosso espetáculo: lá tem roda gigante monstruosa, rua de lojas temáticas, túneis que dão dentro da cascata de água, show de luzes noturnas, rede hoteleira para todos os gostos e preços, enfim, um parque de diversões como só o primeiro mundo sabe fazer. Fofoca final: depois de perguntada zilhões de vezes se seria a Rainha da Bateria da Mangueira, Gloriosa Maria respondeu que não, que não trabalhava com o corpo, e sim com a mente. Ela ponderou que esta função não tem ganho, só perda; mas disse também que faz muito bem ao ego. Adorei conhecer este país, cujo animal símbolo é um alce gracinha (ui!), e quem é montada é a policia. Um luxo!




Quarta-feira, 25 Abril, 2007

A Rainha....


A Rainha da quadragésima primeira versão do Brazilian Carnival Ball, em Toronto, que aconteceu este sábado, foi a modelo Caroline Bethencourt, que levou (para matar todo mundo de inveja) o gato Mario Garnero à tiracolo. Pena que a Cicarelli não pagou com a mesma moeda, e não foi lá infernizar a vida da rainha 2007 como ela fez no casamento do Castelo. Eu teria a-do-ra-do mais um barraco...

Belíssimas Cataratas do Niagara!


Na portaria do Hotel, em Toronto, comprei o pacote para passar o dia em Niagara on the Lake, a cidade Canadense onde se pode admirar as tres quedas dágua: A queda Americana, a queda Véu da Noiva e a queda principal, a Ferradura. Pelo lado americano você não vê quase nada, só a linha dágua que vai despencar e a bruma formada pelo impacto das quedas. A cidade americana chama-se Niagara Falls, e, uma de frente para a outra, só são ligadas por uma ponte, vigiadíssima pela imigração. Do lado Canadense sai de baixo, é um deslumbre de infra-estrutura e atrações variadas. O que mais gostei foram dos túneis que levam até bem perto da água caindo. Mas é frio, muito frio lá embaixo. Gostei também da roda gigante colossal, parece que só tem cinco no mundo, igual àquela. Muito bacana. Uma passeio imperdível, que custa 300 reais, com direito a jantar no Sheraton, virado para o show de luzes, ao anoitecer (que não achei tão bom).

Bata Shoe Museum


Visitando o Bata Shoe Museum (Bata é o sobrenome da senhora tcheca riquíssima que colecionava sapatos, e que inspirou o museu, depois que se mudou, após a segunda guerra, para Toronto), descobri que a denominação em inglês para pintosa, muito pintosa é flamboyant image! Adorei o flamboyant e agora me defino como uma pessoa que tem um genoma flamboyant, um dna compartilhado com Elton John no auge da pinta, pois, ao exibir sua bota escândalo, ao lado de uma foto de Elton super gliter num palco, o Museu o define como portador da tal da flamboyant image. Portanto, já sabem: bicha flamboyant é aquela farta, exuberante, mais que árvore de natal. E tenho dito.

Apitando aeroporto....


Nessa loucura de aeroportos, eu parecia uma sirene enlouquecida. Explico: resolvi viajar com uma calca jeans modernosa, cheia de bossa e bolsos repletos de zíperes. Era uma beleza para soar alarme. E toma-lhe revista com o detector, e a cada fecho, um apito. Ninguém merece estar na moda, com estes terroristas soltos por ai. Nunca mais, aeroporto é lugar de gente básica.

Dei um pulo no Canadá....


Bem do lado do Centro de convenções onde montávamos nosso espetáculo para apresentar aos Canadenses, ergue-se a deslumbrante Canadian National Tower, ou simplesmente CN Tower, para os íntimos, como eu, que no final já a considerava uma praga na minha existência, pois onde quer que fosse, em Toronto, lá estava ela me vigiando. Não agüentava mais. Subi logo no primeiro dia: paguei os 35 dólares e tive acesso as três atrações: a parada a 450 metros de altura, para ver a cidade de cima, em 360 graus, depois o mirante mais acima, sem vidro e com frio de rachar, a 480 metros, e por fim, o pesadelo dos pesadelos, pisar no glass floor (chão de vidro) e se sentir pisando no nada com a terra lá embaixo, muito distante. O medo ou pavor do vidro quebrar e você cair, vai variando de turista para turista, mas confesso que tive um ataque de tremedeira, e fui, passinho a passinho, pagando o maior mico do mundo. Ela e apresentada como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Mas o Cristo não perde pra ela, não. Ambos são imperdíveis.


Sábado, 14 Abril, 2007

Da Série: A um passo da eternidade- II


Agora, vem cá: se já tem sala com cti dentro das casas onde as raves de jovens estão acontecendo, porque esta galera não aluga o Copa D'Or e manda ver? Tenho até uma sugestão: o de Copacabana, da Figueiredo de Magalhães, tem um heliporto alucinante, que seria um cenário inesquecível. E os pobrezinhos (?) já desceriam desacordados direto pros ambulatórios. Sai mais baratinho, e tem mais charme... Se contar os (ui!) enfermeiros... Outro bom lugar, em total sintonia com a proposta, é fazer num cemitério, com várias covas abertas. Vão caindo por ali mesmo, e com certeza, os doidaços que não tombarem, são capazes de pegar a pá e tapar os buracos...Que roubada, meu. Cadê os pais destes infelizes?...


A mais nova expressão arrasadora!


Sexta a noite, Vivo Rio no aterro do Flamengo, a Band me convida para ser jurado do Traje Típico da Miss Brasil, já que não pode ser realizado no sábado ao vivo, pois as roupas são difíceis de montar. Aceito participar deste Júri Técnico mas acho que esta complicação de montagem já é um mau sinal: traje típico é simples, revela os valores culturais da cidade, estado, região. Nunhum traje com esplendor, plumas, cristais, armações, ombreiras é traje típico; aí estaríamos no terreno de fastasia sobre algo típico local. Tudo bem que estes dois conceitos se fundem em estados como o Rio e Amazonas, cujas festas máximas possuem trajes gigantes (mas no Rio, isto pode ser substituído pela Passista de Escola de Samba, e no Amazonas, pela singela e doce Índia). Também a Rainha do Maracatu, de Pernambuco (que pode ser substituída, com honra, pela Cana de Açúcar ou vendedora de Bijou), e só. São 3 em 27! Mas não é o que se vê. Elas trazem estruturas similares à linguagem carnavalesca e apenas 5 são simples, realmente usáveis pela população local em suas atividades simples. Como se a, por exemplo, seringueira, tivesse que trazer nas costas a árvore. Menos estilistas locais, menos. Olha o conceito. Isto posto, escolhemos a Miss mais faceira, mais coquete na apresentação, cuja roupa, intitulada Riquezas Naturais mostrava elementos da cultura e o mais importante: no ombro o nome do tambor, grupo de dança típica local que ela graciosamente ali representava e com leveza, defendia. Anunciado o resultado, um silêncio tumular na platéia, que pensando em escala carnavalizada não a colocaria nem entre as 15 melhores, pois palco é palco, tv é tv, e não interessa conceito, o povo quer é luxo. Dos três jurados, eu sorri e fiz cara de paisagem, o figurinista de novela disse: "o público vai nos matar" e a classuda paulistona, stylist, que sentava entre nós dois, uma moça linda do doer, altíssima, elegantérrima, enfim, "a" figura do mundo fashion, retirou do rosto o enorme óculos fumê Prada, de linda bordas azuis, deu uma piscadela para nós dois e calmamente detonou: "meu cú com fritas para eles; viva a simplicidade!". Uma mulher inesquecível, destas que saca tudo com humor e deboche. Levantou-se e como garça elegante, alçou vôo de volta à Sampa. E eu fiquei lá, certo de que só uma criatura divina pode dizer algo tão bagaceiro, na hora e lugar certos, com tamanha propriedade. Está adotado para sempre: "meu cú com fritas" para desprezar a pobreza de espírito. É o fim da era "tô nem aí" ou "caguei...".




Sexta-feira , 13 Abril, 2007

O Blogueiro Lacraio Banaiuti propõe o tema!


É uma recorrência no mundo gay a frase : "só transo com bofe (hetero masculino)". Sempre detono: "se ele é bofe, porque então ele transa contigo, e deixa de ser bofe?" Resposta: "Ah, mas eu sou o único veado com quem ele transa". Um silêncio de compaixão exala de mim, nesta hora, e convido a criatura para irmos procurar duendes na Floresta da Tijuca. Ele enxerga um mundo que ele precisa desesperadamente acreditar. Ele não pode ver um mundo onde suas conquistas sejam apenas os "deformados" como ele. Que graça isto teria? O bom são os troféus de vitória na vida, a exibição da suposta conquista hetero. Derrota seria transar com alguém desprezível como eles, os gays. Por trás disso tudo, uma auto flagelação, uma baixa auto-estima, um desconforto com sua condição gay (ao afastar os gays, ele não vê sua imagem refletida, ele procura um espelho admirável, o suposto homem que gosta de mulher; e como ele, o gay, mulher não é, ele é o único, porque se outros existissem para o mesmo bofe, o bofe seria um.... gay). Daí a necessidade de alguns gays, de repetirem a ladainha falsa de que todos os homens fazem. È para aplacar sua angústia, drenar a dor de não se sentir pertencendo a humanidade (ouvem esta acusação desde criança, vinda do mundo adulto). Não percebem que ser uma minoria expressiva, com quase 20% da humanidade, já está de bom tamanho. Que necessidade fundamental seria esta de não aceitar os heteros-heteros e os bissexuais? Esta premissa imperativa que temos de fazer nosso semelhante idêntico a nós, têm consumido muitas vidas, isto em qualquer plano. É preciso deixar cada um com seus fantasmas, o que já não é pouco. Precisamos parar de querer compartilhas espectros, no sentido de obrigar os outros a sentir o que sentimos. Não tem como. Nada contra os negros que só gostam de louras, desde que isso não implique num menosprezo (às vezes nojo) da própria raça. Nada contra seguidores da religião tal, desde que isso não signifique que os seguidores da outra são piores. Eu também, querido blogueiro lacraio Banaiuti, propositor do tema, me espanto com os sites gays que desprezam os outros gays. Me espanto com Clodovil, bicha-velhérrima, descriminando travestis, trasngêneros e afins (aliás, o que seria afins? Acho que eu próprio...risos). Será que ele se acha melhor, diferente, acima dos travecos? Deve ser este sentimento de ser privilegiado no sentido moral, a gênese de toda a guerra. Uma última proposta para refletir: seria este vício gay-masculino, de pular a cerca, um vício hetero masculino, portanto um vício masculino (já que todos foram garotos criados para serem heteros), de sempre tentar pegar a mais gostosa, a mais bonita, a mais comunicativa garota do grupo? Parece que há na educação dos meninos, um aspecto agressivo, competitivo, selvagem a cumulativo de comer mais e mais, não importando se você já tem ao lado a melhor companhia do mundo! Não basta amar, tem que subir no pódio e erguer o troféu "pagador".

Alguém esquece seu bebê?


É perverso ouvir que o pai que esqueceu o filho bebê, ontem, no Guarujá, dentro do carro das 10 às 15 horas, matando-o queimado pelo escaldante forno que o veículo se tranformou, já que o bebe teve parada cardíaca e seu corpo chegou no hospital marcando 45 graus, pagou uma fiança de $300,00 (trezentos) e foi libertado. Quem matar um boto cor de rosa ou um mico leão, crimes inafiançáveis, nem por todo o dinheiro do mundo é liberado. Como é que é? Ele diz que esqueceu seu rebento no banco de trás? Esqueceu? O bebê é uma couve, um alface, que ele esquece assim, assim? Mas e o padecer no paraíso? Permaneço concordando que os crimes silvestres são perdas inestimáveis, mas acho que bebês com pais responsáveis, também estão correndo sério risco de extinção.

Sua Majestade Alul Avlis diploma a ralé!


Esse "pega pra capar" defronte de Sua Majestade Alul Avlis, durante a diplomação de Guias Cívicos do PAN é emblemático, já que o Brasil discursa no civismo e vive a realidade das facções; e parece que o meio termo não existe nem diante da tese governamental em carne e osso, ali representada por Sua Eminência: diante da nação, os que tiveram, provavelmente aulas de civismo e civilidade para receber os de outras partes do mundo, não podem usar as tais regras com quem mora na comunidade ao lado. Parece que eles podem ser cívicos com os visitantes, mas se no caminho se depararem com a facção rival, tudo desmorona, pois acima do civismo estaria a guerra declarada, a dor, a morte a sobrevivência. Entre a teoria e a prática tem a realidade, e esta não se curva diante de boas intenções. Ela se curva diante de vontade política. E olhe lá...


Quinta-feira, 12 Abril, 2007

O amor é uma prisão!


Que maluquice esta estória do travesti que, amando seu companheiro preso, vai à delegacia pedir para voltar à ser presa. Como ouviu de resposta que só seria presa se cometesse um crime, foi a calçada em frente, assaltou e agrediu uma mulher e foi.... presa. O traveco pisou na bola ao agredir a mulher. Poderia ter cometido o crime, dizendo: passa tudo senão te mato... e em seguida, falava baixinho pra vítima: "agora grita por socorro bem alto, e diz que te bati". Porque a transeunte, coitada, não tinha nada a ver com tanto amor que o boneca tem pra (ui!) dar. Mas que a cena é fantástica, isso é. Além do mais, pensem bem: cama de graça, segurança total, seu amor do lado, e nada pra fazer o dia inteiro.Sem contar a possibilidade infinita de, se não dar (ui!) certo com este, a quantidade de novos pretendentes deve ser enorme. Será assim a lua de mel dos pombinhos, na prisão? E depois, a resposta eterna mais exótica e marcante do mundo: "onde foi a lua-de-mel?". "Na penitenciária de Sorocaba, querido!". Muito bom, e muito ruim ao mesmo tempo....

Saia Justa no sexo oral!


Sensacional o Saia Justa desta semana, quando a lindíssima e chic Maitê traz para a roda uma questão bombástica: Você gosta de praticar sexo oral no parceiro? Primeiro um silêncio de surpresa e com caras tipo: meu Deus, vou ter que falar sobre isso?. A primeira que responde, Waldvoguel, diz que adora, que pratica com prazer, que acha o máximo, delicioso. A segunda, Soninha, diz que não responde sobre suas intimidades, nem morta. A terceira, Tiburi, usa Freud para dizer que tudo que é obrigatório não é bom, sempre. Mas como sempre a filósofa goza com o pau dos outros, dos filósofos, e não responde simplesmente sobre se mama ou não. Maitê arremata dizendo que prefere o beijo bem dado. Mas vem da maravilhosamente louca Beth Lago o melhor: me incomoda muito o sacão, murcho, batendo na minha cara. Não é surpreendente? E, se vocês não viram, não resvala na baixaria, não. É bacanérrimo, um grupo real, na sala de estar da casa de uma delas, em reunião íntima e confiável, só de mulheres (no máximo com gays presentes), trocando experiências. E a evolução e maturidade de Mônica, que agora separa a apresentadora oficial, da emissora de opiniões, enquanto mulher, está visível. Sensacional.

Me acessem, queridas, me acessem....


Indignado com meu corpindo de sereia, a furiosa leitora (e concorrente) Julio César, joga sobre mim a praga da ex-mucama, e me acusa de ser "Lacraiona manjadora de rola da Cidade do Samba...". Preciso defender minha honra (que honra, bicha?) e detonar a ex: primeiro não sou ona, sou lacrainha, toda bonitinha, segundo, se sou ornitólogo, você queria o quê? Que eu manjasse vagina? Cruzes... Pé de pato mangalô três vezes, sai pra lá com esta maldição, divina. A-do-ro e serei um eterno (e terno) manjador de (ui), delas, as roláceas. Quanto ao local, imagina se eu só manjaria na Cidade do Samba. Estou nos banheirões da Central do Brasil, no Campo de Santana, na Lapa, sempre com esta minha postura de biólogo da vida animal, que analisa locais de muita ocorrência de seu objeto de estudos, para tentar manipulá-los. Liberdade ainda que enROLAda. Uma idéia: decora teu gabinete com a escultura de uma rola gigante, e põe nela o singelo nome de Milton. Adoraria a homanegem....

É camaleão e não leão...


Qual o único concorrente do Big Brother Brasil que jamais será ex-BBB? O Imposto de Renda. É o participante eterno mais confortável: não precisa se trancafiar na casa nem fazer qualquer prova, pois qualquer resultado lhe dará 27,5 % do primeiro e do segundo e de outros prêmios. Não tem paredão que o retire da parada, jamais pode ser detonado. E assume várias caras, como Bam-Bam, Alemão, Cawboy, e pode até mudar de sexualidade, assumindo sua porção Jean, ou mudar de profissão. Quer saber? Este leão é um descarado. Tá mais para camaleão do imposto de renda....

"A um passo da eternidade..." - I


Da série "A um passo da eternidade..."
-Nunca imaginaríamos que o batom se tornaria um instrumento de defesa. Pois foi. As duas funcionárias de um motel de Sampa, que assaltadas no guichê, tiveram seus lábios grudados com super-bond (Deus meu, que aflição!) pelo larápio grudento, só não perderam mais pele da boca na hora de desgrudar, porque o batom ajudou, e muito, a isolar a poderosa cola do tecido da pele. Mas graças a Deus, como em boca fechada não entra mosquito, as duas passam bem, graças ao carmim....
-Nunca imaginaríamos que crianças de colégios teriam que pular sobre cadáveres para chegar à sala de aula (já estariam sendo treinadas para um PAN macabro, na modalidade "corrida com obstáculos?). Mas isto aconteceu no Santa Dorotéia, na Rua do Bispo. E olha que os lindinhos ainda nem estão estudando anatomia, para aproveitar e dissecar o cadáver.
Acreditem, esta série não terá fim jamais....

Cobra X Veado!


Em sua carésima reforma do Gabinete, o cerzidor dublê de Deputado, a maravilhosa Clodovéia, pôs a deslumbrante escultura de uma Naja batizada com o singelo nome de Marta. Agora, espera-se que a Ministra do Turismo, botoxizadérrima, reforme seu enorme Gabinete e "plante" lá a escultura linda de um veado de ouro, singelamente batizado de Clô. E se a moda pega, imaginem o tanto de escultura de galinhas, piranhas, gatos, cachorros, cavalos, tartaruga, coelhos, gazelas, e sobretudo, porcos, a adornar os espaços dos parlamentares. Acho que por aqui, ia dar muita "bolinha"...

Arte ou obscenidade?


Vendo as fotos violentamente eróticas de Mappletorpe, ou visitando a sala dos maiores assassinos britânicos, no Museu de Cera de Madame Tussaud, sinto a mesma estranha sensação de que estou admirando o inadmissível, o incivilizado, o enjoativo. Só que um, sendo sexo, é linchado publicamente e processado inúmeras vezes, e o outro, pessoas brutalmente assassinadas em série, é revestida de um caráter mais de curiosidade palatável. Sexo choca mais que morte. Esta semana assisti o filme "Fotos Proibidas", no Universal Channel, que conta o trágico e hilário processo que o Comitê de Ações Morais de Cincinati, Ohio, moveu contra o Centro de Artes Contemporâneas da mesma cidade, que, segundo o requerente, expôs material pornográfico e pedófilo do fotógrafo que admiro. Após ser rejeitada ou cancelada por uma série de cidades vizinhas, que temiam represálias, o curador da tal galeria, achando que é papel da arte questionar e expor as contradições sociais e não só o que a maioria do público acha bonito, resolveu bancar, pondo em risco sua reputação e sua família, mulher e filinhos (que até apanham na escola primária, por causa da maledicência dos adultos). Tudo a ver com a querela entre o Centro Cultural Banco do Brasil e a pintora Márcia X, cuja pintura formava, com um terço católico, o desenho de um pênis. "Para não ofender certos valores", o CCBB rejeita o "Desenhando com Terços", desencadeando revolta e protestos pela censura, mas também aplaudido por parte do Rio de Janeiro e Brasil. Pra completar, três assuntos relacionados: nesta semana foi aprovada a sanção do uso de imagens católicas no desfile da Escola de Samba (o que concordo plenamente, pois ali é palco de poderosos e divinos Orixás, do maravilhoso Candomblé africano); um famoso padre-mauricinho de Ipanema abandona sua paróquia, por não concordar com a inexistência do sexo para a vida religiosa. Amado e admirado por uma legião de jovens devotos, leva consigo a certeza de que sem fornicação, não dá. Na prática, o padre-pop diz que pênis e terço conviveriam sem problema, pois revelam o humano por trás do religioso ( e dizem que a fila de devotas querendo "pegar" o padre era maior que a do muro das lamentações); além disso, um importante político presidente de um partido direitista, publica a seguinte pérola: "é melhor a juventude se masturbar do que usar camisinha". Que maravilha! Uma república de punheteiros, uma geração que resolve "na mão" sua vontade de parceiro (não posso deixar de lembrar meu amigo setentão, que diz ter o melhor método para fazer, todas as manhãs, o coração "pegar no tranco" e começar a bombear sangue para o corpo se ativar: se masturba ao acordar). Meu Deus, como estou longe do tema principal, que é o filme, mas sexo tem destas coisas, o picante te faz viajar. Voltando à "Fotos Proibidas", sobre reações às fotos de Robert Mapplethorpe, de composições clássicas e sofisticadas, naturezas mortas refinadas e imagens da sexualidade explícita do universo sadomasoquista, que despertam tanto a idolatria quanto a fúria da sociedade norte-americana (em compensação, no Brasil, a exposição desse polêmico fotógrafo norte-americano, com 209 retratos, auto-retratos e cenas de sadomasoquismo homossexual, em abril de 1997, foi a terceira mais visitada da história do Museu de Arte Moderna de São Paulo), o filme expõe um tribunal, técnico, respeitoso, formal, tentando descrever iluminação sobre cabeça de pênis, volume de nádegas, em cujos anus foram intoduzidos pulsos em primeiro planos, e daí vocês podem imaginar a cara constrangida do juri, o burburinho da platéia, as explosões nervosas de gargalhadas e o desespero do juiz para manter as rédeas da seriedade. É tenso, muito tenso, mas é risível. Agentes da acusação tentam demonstrar que aquilo não é obra de arte, pois não demonstra emoção, pela ausência de olhos do possuidor da bunda ou do pênis ("só o rosto humano demonstra emoção"). Agentes da defesa tentam demonstrar que aquilo é obra de arte, tal qual o nu nas imagens religiosas cujos anjinhos estão com as genitais expostas (e que seria um absurdo cobrí-las, pois não permitiria ao público contemplar a grandeza da obra). Além do embate moral entre duas correntes de pensamento, com enorme coragem para assumi-las plenamente (a maioria esconde), o julgamento não é sobre fotos pornográficas, ele vai se revelando sobre nossa liberdade de decisão. Quem define o que é arte e o que é obscenidade? Você próprio, o xerife, a polícia secreta, o presidente, as religiões? Quantos seres humanos existirem, quantas respostas diferentes, antes que se chegue ao veredicto. Com medo do que aconteceu ao Salmon Rushdie, jamais coloquei nos meus trabalhos a manipulação de imagens religiosas dos fundamentalistas. Morro de medo da perseguição. Mas também sou incapaz de proibir quem tenha este atrevimento. É muita coragem e muito desprendimento. Aliás, o filme é pontilhado pelas participações do próprio Rusdie, que declara em uma das vezes: "acho importante dizer que vencemos o caso de Versos Satânicos. As pessoas que nos atacaram, sendo que "nós" somos editores, tradutores, tiveram que entender que foram longe demais e recuaram. Não sem perdas graves, como a assassinato do tradutor japonês, o editor norueguês levou três tiros nas costas, felizmente ele sobreviveu e se recuperou, o tradutor italiano foi esfaqueado, felizmente também sobreviveu. São ataques reais, e não teóricos, no plano das idéias. Se você não lutar pela liberdade de expressão na hora que pode, depois que te tirarem ela, vai ser muito difícil você lutar para reavê-la". No final, inocentado, o Curador da Exposição declara: "Foi a vitória de todos os museus e todos os artistas de qualquer lugar do mundo". E a última declaração é do próprio Mapllethorpe, que morreria em seguida, vítima das complicações da Aids: "Eu tinha um ponto de vista: fazer imagens que ninguém tinha visto. Todos nós temos tia imorais, tios neuróticos, filhas ninfomaníacas. A idéia de que vivemos em um mundo limpo, onde tudo é bonito, e onde os artistas que mostram coisas horríveis devem ser calados, é um mundo de ficção. O mundo não é assim. A vida real é tempestuosa, cheia de aberrações, dificuldades e distúrbios. Minhas imagens vivem dentro das casas, da vida privada, e não podem lá ser trancafiadas. É algo que fingimos que não acontece, e quando os artistas às vezes refletem estas coisas nós os culpamos". Seria este pensamento contrário a razão da existência da civilidade? Pois o que faz a sociedade funcionar, é cada indivíduo aceitar a inibição de seus desejos, e as pessoas viverem e trabalharem juntas, em empreendimentos comuns, ainda que discordando em alguns pontos. O que você acha? E qualquer que seja a sua resposta, não acho que você deve ser processado por isso, a menos que você queira matar quem pensar diferente.


Quarta-feira, 11 Abril, 2007

Se fosse hoje, qual o seu boi voador preferido?


HISTÓRICO DO ENREDO
SÃO CLEMENTE 2003

BOI VOADOR SOBRE O RECIFE :
CORDEL DA GALHOFA NACIONAL

<</b>b>I - A Cobra vai Fumar...
Nos idos do encantado Século XVII, a cobra fumava nas terras do nordeste brasileiro, pois várias nações disputavam o título de Rei da Cocada Preta do Branco Açúcar , que por aqui produzíamos.
Os verdes mares bravios viram ancorar o Conde Maurício de Nassau, representando a Corte Holandesa, a gananciosa Casa de Orange ,que estava atrás de um dindim e que acreditava que o paraíso fiscal era aqui, que o Eldorado precisava ser conquistado.
II - É na Boquinha da Garrafa...
Pouco tempo se passou para que eles enxergassem as índias boazudas , as mamelucas, as cafusas, as negrinhas, a Conga la Conga da Gretchen, o chicote da Tiazinha, o Carandiru da Rita Cadilac e a boquinha da garrafa da Carla Perez; enfim, gringos em turismo sexual atraídos pelo paraíso das gostosonas desprotegidas, índias que se não quisessem o "apito", o pau iria comer...
Noves fora isto, ele governava a Capitania Hereditária de Pernambuco com grande destreza política e visão social, porque ninguém é de ferro.
III - Dos Países Baixos para a Baixaria...
Os mangues, pântanos, lamaçais e afins que circundavam a área do porto do Recife infernizavam a vida dos branquelos com insetos enlouquecedores, conhecidos como as pragas do Brasil, que eram cinco, o que levou o Comandante em Chefe de Mar e Terra, Nassau, a duas conclusões: uma de que muita saúva, caracol, mosquito, etc... e pouca saúde, os males dos aborígenes eram; e outra, que a brasileirada adorava a pompa e circunstância dos "estrangeirismos" , e achou melhor para impressionar geral a galera se
apresentar como Príncipe. A partir deste dia ele abalava Bangu em chamas...
IV - A Ponte que te partiu...
Reestruturava-se a sociedade pernambucana e imprimia-se o progresso à cidade do Recife, movimentando-a cultural, política e socialmente.
A Corte incluía grandes artistas, cientistas e engenheiros, que acabaram por deixar marcas indeléveis para a vida brasileira,como os Jardins Botânicos e Zoológicos onde se percebia que o jeitinho brasileiro dava à Nova Holanda um tempero especial; que as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá; que o Carcará pega, mata e come...Dentre as inúmeras obras magníficas que o Conde construiu em sua Mauritia (assim era conhecida a capital pernambucana), destacam-se o Palácio de Boa Vista, sua residência de verão, uma espécie de "piscinão" da época; o Forte Orange; e para alegria do Zé do Caixão, que a meia-noite levará a tua alma, um cemitério chiquérrimo. Mas foi a construção da ponte sobre o Rio Capibaribe, sua última grande obra, que acabou esvaziando os cofres da Deficitária Companhia das Índias Ocidentais, e deu o maior rebuceteio. Ele que já tinha sido Flor do Campo nas Oropa,estava preste a se transformar em tiririca do brejo neste fim de mundo. Uma situação tipo ou dá ou desce, e ele resolveu dar: dar uma cartada decisiva, lançando mão do que de melhor ele tinha aprendido em terras terceiro-mundistas,a galhofa nacional brasileira.
V - O Boi decola...
Para fazer "caixa" era necessário oferecer uma festa do arromba, um arraial onde a Corte chutasse o pau da barraca, e cobrar algum tipo de pedágio à população que atravessasse a ponte em busca de higiene mental. Já familiarizado com o Zé povinho, após sete anos de permanência nos trópicos, o Conde lançou mão do bom humor e de seu espírito aventureiro e empreendedor de sonhos: anunciou que durante a inauguração um boi voaria sobre a festa.
O arraiá estava lotado de bichos e bichas: Falcão dos Guararapes regendo a fanfarra dos cornos, o Velho Guerreiro e seu bacalhau, a Eguinha pocotó, o chupa-cabras, os veadinhos de Pelotas, o ET de Varginha, a mula sem cabeça e até os ex big-brothers; e o povo feliz perguntando-se como aquele samba do crioulo doido seria possível. Todos pagaram o pedágio e queriam ver o impossível. Para espanto e aplausos do povo, um boi cruzou o céu negro da noite recifense, acima dos telhados do palácio: um boi empalhado, mas um boi; um vôo pendurado em corda estendida entre as duas torres do palácio de Friburgo, mas um vôo. A mais pura magia do espetáculo, uma das grandes galhofas nacionais. Gritos, comemoração, o Nassau fizera voar um couro de boi cheio de palha preso por fios que a noite escondia.
O boi, que já era amado nos folguedos populares do nordeste alcançava mais uma esfera de magia e encantamento.
O Conde-Príncipe-Comandante em Chefe Maurício de Nassau mostrava à gente brasileira seu "fair-play" e sua plena compreensão de nossa alma e do jeitinho brasileiro. Talvez o Governante que melhor tenha brincado de Brasil e desta maneira melhor tenha feito o Brasil se enxergar.
O povo recifense, que adora uma festa, comprou a brincadeira e a partir de então adotou a expressão idiomática para designar promessas que levam na gozação o cumprimento das mesmas : "Isto é coisa de boi voador!".
VI - Ainda tem boi na linha...
Tantos bois voadores contemporâneos: os empréstimos "mui-amigos" do FMI; grampos telefônicos; ex-mulheres movendo a história política do Brasil e denunciando seus ex-maridos; anões do orçamento que ganharam várias vezes na loteria; ranários que consomem milhões da Sudam; escândalos que acabam em pizza; o imaginário popular riquíssimo, que resiste e reafirma o Brasil como nação Soberana.
VII - Nóis Sofre mas Nóis Goza... no Gran Circo Brasil.
Traduções da galhofa nacional, do traço que nós mesmos intitulamos "jeitinho brasileiro".
E já que é Carnaval aqui está nosso besteirol para a "Veneza Brasileira", terra onde tudo acaba em frevo... ou samba... (Mas nóis não somo palhaço não, visse?).

PARA MAURO RASI E SEU CREYSSON


JUSTIFICATIVA DO ENREDO

O Carnaval nasce como manifestação contestatória de inversão de papéis, segundo os historiadores.

Durante os três dias em que o Rei Momo manda na cidade, a crítica política, social e de costumes se instala na celebração grupal, e passa a ser a tônica das relações: homens se vestem de mulher, pobres de reis e imperadores, governantes de governados. Isto tudo perpassado por um clima de malícia, excitação e explosões catárticas de alegria.

Trazer de volta este carnaval espirituoso e debochamento crítico é a intenção deste enredo de carnaval para a Escola de Samba São Clemente, que apresenta em sua história diversos títulos que a credenciam para esta retomada.

Nos interessa também tocar diretamente o coração do povo, com despretensão e clareza.

Por isso o período de Maurício de Nassau e seu Boi é povoado de personagens atuais da galhofa brasileira. Um carnaval "casseta e planeta", uma metralhadora giratória para fazer as pessoas rir. E rindo acreditamos que o Brasil possa pensar em seu destino e desta forma, festejando, alcançar dias melhores.


Segunda-feira, 9 Abril, 2007

Desonra!


É impressão minha, ou está cada vez mais recorrente o número de homens que atacam suas mulheres, que não os querem mais? Por que esta atitude delas provoca reação tão descontrolada deles? Será que eles acham que podem tudo, até matar? Acham que não serão punidos? Acham que mesmo pagando, melhor assim? Estariam as mulheres mais controladas, donas de seus destinos, mas ainda indefesas e inferiores quando no terreno da ira? As mulheres que jogavam água quente no ouvido dos maridos enquanto dormiam, parece que estas estão cada vez mais distantes. Eles seqüestram ônibus, invadem igrejas, chegam atirando, e elas dedicam-se a cada vez mais se aprimorar. Que descontrole será este? Temos que dar bom exemplo, e exigir punição severa. Lembrei-me do coronel do romance Gabriela, que mata em defesa da honra. Que coisa mais sem honra matar uma mulher. Ou qualquer pessoa. É, na verdade, uma desonra.


Quinta-feira, 5 Abril, 2007

Xerxes, xexelenta!


Sob o patrocínio dos delineadores Lancome, a aparição da Xerxes, primeira Drag-Queen da história da humanidade, é uma fechação to-tal e des-lum-bran-te no filme 300 (todo filmado na Le Boy). Tem até carro alegórico em metal prateado, para deixar claro que a Sapucaí é uma bobagem, diante da Avenida Espartana da outrazinha. Festival homofóbico pra Zeus nenhum botar defeito, esta fantasia cinematográfica reserva o papel de Clóvis Bornay do Peloponeso ao rei do piercing, Rodrigo Santoro, que, coitado, não tem culpa nenhuma do mico, ou melhor, veado, que paga. Muito pancake depois, e uma obsessão por fazer os outros se ajoalharem diante de si (clara metáfora à mamação), esta "montada" da Pérsia cumpre o destino de todos nós, gays pintosos e desvairados da face da terra: somos muito frequentemente os tiranos, que adoramos uma surubinha em nossos palácios, pra descontrair (lembram do Herodes do Mel Gibson, na Paixão de Cristo? Igualzinho...); enquanto os virtuosos bofes heterossexuais, cujas mulheres (lindas) e filhinhos (saudáveis e graciosos) estão sempre esperando que seus genitores voltem da batalha, são sinônimos de honradez, caráter e conduta. Um espetáculo de tanto maniqueísmo. Na corte da Xexelenta, claro, habitam elefantes, rinocerontes, criaturas bizarras e zumbis cujos olhos faíscam na noite, que é o nosso lugar, a escuridão dos indecentes, a sombra dos imorais. Já do outro lado, a tradição, a família e a propriedade, se instalam sem problemas, e mostram que é a união deste virtuosismo que vai aniquilar as trincheiras deformadas do reino da perversão. A Xerxes é a cara da Marlene Dietrich, e só serve para dar close e pinta por entre penhascos e cromaquis, sem nenhuma moral, só capaz de olhar para o próprio umbigo. Depilada à cera quente, a maricona oriental até pensa em perdoar os bíceps e tríceps dos seguidores de Leônidas, mas quando o próprio abre um talho na cara dela, clara associação à "vou abrir um talho com minha navalha na tua cara", a semi-deusa dá um ataque de perereca, só não mais risível do que o primeiro encontro com o garanhão, quando massageia as costas do espada, numa das seqüências mais bisonhas da história do cinema. Estão malucos os críticos que enxergaram grande carga de erotismo em tal encontro: nem na Galeria Alasca, na relação interesseira e interessada de michês com homossexuais, se vê artificialismo maior. Quer saber? Por favor, meus sais, porque eu não agüento mais só nos restar ser sinônimo de coisa ruim nestes clássicos. Não tem uma só bichinha que seja boa bisca nos trigais gregos. Cansei desta vida, desisto de habitar este Olimpo. Está mais do que na hora dos gays conseguirem, se não serem super-heróis também, pelo menos não ser sempre a descontrolada da parada. Convoco desde já Jane de Castro, Rogéria e Rudy, a maravilhosa, para rodarmos, na Macedônia, o clássico brasileiro "Toco Cru pegando Fogo", quando mostraremos que, além dos animais do ministro Magri, nós também somos seres humanos.

Duo 40 anos


"Quem depois dele está autorizado a cantar?", pergunta a divina Alcione, a um Canecão atônito com o espetacular Emílio Santiago! "Você, só você, Marrom". Respondemos, todos que abarrotamos a platéia, embriagados de tanto talento, afinação, presença de palco e capacidade de ser brilhante. Que ótima idéia, esta, de reunir no projeto "Duo 40 anos" cantores tão amados pelo Brasil quanto estes. E além de arrasar cantando, os dois são muito espirituosos e fazem a platéia gargalhar de tanta zoação um com outro. Eles se sacaneiam o tempo todo, como irmãos que se adoram, até na picuinha. O máximo quando Alcione relembra que já teve um corpo iguialzinho ao da Adriana Bombom, com os peitos apontando pra Jesus, e Emílio retruca contando dos dois, jovens, pelas noite de Copacabana. Falo das risadas, porque do repetório irretocável desta negritude vitoriosíssima, seria chover no molhado, como atestam as sábias palavras de Sérgio Cabral, na abertura da cortina. Imperdível, e como o povo não é bobo nem nada, esgotará todas as temporadas como esta. Acho que eles são a Ângela & Caubi do terceiro milênio.

Borboleta ou águia?


A confortabilíssima quadra da Acadêmicos da Rocinha ferveu sábado à noitinha, na feijoada da deslumbrante Beth Pinto Guimarães. O festão rolava animado quando chegou a hora do bolo e do grande presente: uma borboleta em ouro branco cravejada de diamantes, que o casal presidente, Maurício e Tânia Matos ofertava para a bela aniversariante. Mas como samba é samba, só muda de endereço e de platéia, lá vai: o locutor, a plenos pulmões no microfone, enche a bola da agraciada com a riquíssima jóia "Borboleta símbolo da Portela". A quadra faz "oh!!!" e acho que a águia de Madureira está até agora tentando encontrar pouso na maior favela da América Latina. Borboleta ou águia, o locutor bateu as asas e nunca mais foi visto.