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Milton Cunha

Quinta-feira, 31 Maio, 2007

Que país é este?


Voltei! Aqui é meu lugar....
E como me disse Leda Nagle: Milton, no Brasil você não pode ficar mais de três dias fora que você perde a última amante, o último rombo no orçamento, a ultima falcatrua, enfim, você perde o último Brasil...
É a mais pura verdade e desde segunda feira não consigo me pronunciar porque acho que tomei um ácido e só pode ser viagem: quem é esta apresentadora que virou celebridade e quase capa de Playboy? Quem é este presidente discursando e sendo aplaudido no senado por seus comparsas, sobre pensão para amante engravidada? Quem é esta esposa dizendo que quer a família preservada? Que família? Que preservação? Que hipocrisia? Merda no ventilador, respingo em todos, e enquanto varrem para baixo do tapete, fingem que nada aconteceu. Eu também finjo, vocês deveriam fingir, e tudo será a grande farsa. Vai morar no absurdo assim no raio que os parta....

Segundo que vale muitos primeiros....


Joãozinho Trinta e Beija-Flor ficaram em segundo lugar e ninguém nunca mais esqueceu dos mendigos e dos ratos e urubus que precisavam largar a fantasia do outro. Por duas polegadas a mais, Marta Rocha entrou para a história como a injustiçada, encontrando agora outra belíssima mulher brasileira, também Miss Brasil, para fazer –lhe dupla como sinônimo de que, nem sempre, a melhor, ganha. Vamos aprender com o segundo lugar, que vale mais que um primeiro. É aquele que ganha a simpatia do povo, que o tinha escolhido para vencer. E quando o povo escolhe, o resultado oficial vai para as cucuias. Não tem para mais ninguém. E a opinião pública é tão forte que faz, e diz, ter sido este segundo quem venceu. E acabou. E pronto. Na cabeça do povo, os esfarrapados ganharam de arraso naquele ano, só deu Marta Rocha na eleição. Donde se conclui que mais vale um segundo na mão que um primeiro voando. E ninguém mais lembra quem ganhou naqueles anos, porque a opinião do júri não importa, é pequena diante do clamor da multidão. “Se o segundo foi só um acidente de percurso, transformemos-o em primeiro”, é assim que realizam. Eu, particularmente, adoro ter esperanças de que os derrotados nestes concursos, possam fazer carreira mais vitoriosa que o vitorioso. Me lembro que no MPB 80, da Globo, amava os derrotados Demônio Colorido de uma tal de Sandra de Sá e o Nostradamus de um maluco chamado Dusek. Graças as Deus os dois estão aí, lindos e louros, até hoje. Quem ganhou mesmo o MPB 80?

Esfinges da modernidade....


Hipnotizado pelo belo mulato a minha frente na fila do embarque, admiro-lhe as coxas e a bunda, espetaculares, supondo ser um atleta. A pessoa que me acompanha sussurra: “é um jogador de futebol...”. Então percebo que além do físico, estou fascinado pela produção do rapaz, que indica ter ele dispensado inúmeras horas e muitos euros para chegar, triunfante, a tal momento. Não era um ser humano, era um out-door ambulante, cujas partes do corpo exibiam, orgulhosas, marcas e logotipos poderosos. Separadas, as pecas eram bacanérrimas, indicariam talvez, bom gosto e personalidade; todos juntas, ali exibidas combinadas, faziam o desastre ser fatal. O conjunto da obra era um circo. O cabelo, lindo, estava cuidadosa arrumado, tipo penteado mesmo. Uma belezura, um bolo de noiva.. No rosto um ray-ban fume, de aros dourados, cujas hastes exibiam DKNY. Os grossos lábios não estavam com gloss, quesito metrossexual que ele não completou. A blusa justa, sustentava na parte central do peito, algumas pedrinhas brilhosas que escreviam o nome do mago do consumo de luxo, VERSACE. Sobre os ombros, casaco de couro com a inscrição ARMANI. Sobre tudo isto, cruzando o corpo em diagonal, a bolsa fina, LUIS VUITON, para documentos de viagem. Relógio tala-larga, como manda a moda, ui!, que preferi não ler o fabricante, mas vamos, por maldade, achar que era um BULGARI; que entre dourados e prateados combinavam com pulseiras, polidas ao extremo do brilho. E aí, a calça. A calça que apertava-lhe as formas do quadril e me embalava nos loucos devaneios de supor a carne. Era um jeans, todo feito com pedaços de jeans remendados, costurados, esgarçados, desalinhados. Tipo caipira de quadrilha de São João, mesmo. E para arrematar, sapato na cor da moda (um bege misturado com gelo), cru, também em pedaços superpostos, fazendo pendant com o resto. Foi ai que percebi que o arremate do qual voz falo, dialogava insistentemente com uma continuação, um outro pedaço de corpo, fora daquele corpo, e que estava em pé, grudado ao seu lado, mantendo o conceito, segurando a concepção visual, prolongamento da overdose de dinheiro e deslumbre: a loura que o acompanhava, apêndice imprescindível da modernidade, personagem que completa o discurso do poderoso negão bem sucedido no futebol brasileiro, que foi para o exterior. A loura posava ao seu lado, esfinge calada e testemunha do poder e da vontade de ter. Ela sim, como manda o figurino, tinha gloss nos lábios.

Ah, esta terra ainda vai ser....


Ir a Portugal è: ver filme no cinema, cortado pelo intervalo de 10 minutos; ficar embasbacado pela coleção de arte da Fundação Calouste Goubenkian; ser chamado de Brazuca; achar o Palácio da Ajuda lindo de morrer; ler, acima do aparelho publico: “o telefone não dá troco”; constatar, triste, que a Torre Vasco da Gama esta abandonada; descobrir que em Cabo Verde, alem de casadas, as pessoas podem ser amantizadas (e que isto é valorizado socialmente); achar o Palácio de Queluz bonito, mas saber que ele esta precisando de reformas; ser abordado insistentemente por vendedores de drogas, em muitos, muitos pontos turísticos, a qualquer hora do dia; beber Caipirona (que é com tequila); achar o Palácio de Cintra uma armadilha para turista, mas supor que lá, melhor teria sido ir ao Palácio da Pena; assistir ao musical Música no Coração, com a noviça rebelde dizendo ora, pois, pois; fazer pic-nic na beira do Tejo; tomar café ao lado da estátua de Fernando Pessoa; e perguntar ao motorista de Táxi quem é a grande fadista, depois da morte de Amália Rodrigues, e o gajo responder: “gosto da Dulce Pontes, mas Fafá de Belém e Roberta Miranda são as melhores”.

Vale por duas...


E por falar em Portugal e cantoras brasileiras, saibam que lá, uma Ivete Sangalo vale duas e meia Beionce! Fui assistir a Diva da MTV americana, no Pavilhão Atlântico e, impressionado com as 18 mil pessoas que estavam comigo, exclamei para o casal ao lado. Sabe o que eles me disseram? “Precisava ver os quarenta mil que foram ver Ivete Sangalo. Ela sim é a musa de Portugal. Ela levantou a poeira....”. A baiana está com tudo na terra de Camões....


Segunda-feira, 28 Maio, 2007

A prova do trecho....

Sr. Milton,
Solicito que sejam devolvidos os comprovantes de viagens do trecho Rio/Lisboa/Rio utilizados também pelo Sr. Roberto Gomes à esta Diretoria conforme Decreto nº 25.077 de 24 de fevereiro de 2005,publicado no DO - Rio de 25 de fevereiro de 2005.
Grata,
Magda

Sra. Magda:
Mas voce não acha, queridíssima Magda, que vocês deveriam ter me avisado desta necessidade antes do embarque? Ou vocês acham que minha modesta e vulgar vida é regida por decretos? No máximo conheço o meu decreto de nascimento, Decreto n. 242424 de 24 de 24 de 2424, decretando que nasceu o escandalo do planeta. Magda, querida, quem mais, alem de voces, guardam comprovantes de trechos de viagem, minha Nossa Senhora? Assim que desembarco, eles vão para o lixo, meu Deus. E agora, gente, e agora? Vou ser preso? Ah, já sei, a prova é esta, a foto deuzinho lá. Serve?


Quinta-feira, 17 Maio, 2007

Cenários deslumbrantes!


Elton Medeiros e Negra Li. Lindo, lindo....

Serpentinas e confetes para as apresentadoras da noite: Dama Fernanda Montenegro (o nome do vencedor pop-rock é... Pat... meu Deus está escrito Patife... DJ Patife... Ele se chama assim mesmo... Aplaudam o patife....) e Camila Pitanga. Maravilhosas....

Mais Premio Tim.


Esta cena arrepiou: Paulinho da Viola e velhos dançarinos do samba. Aplaudido em cena aberta.

O Bonde de Carnaval do velho Catumbi e Monica Salmaso.

Ministro Gil e "Eu sou o samba".

Oh, Quanta alegria!


Esta primeira mostra a escala de Sapucaí do cenário. Aos pés da gigante figura, o divino Milton Nascimento.São fotos do belíssimo cenário de Gringo Cárdia, para a concepção deslumbrante de José Maurício Machline, para o espetáculo sobre o grande Z´e Ketty, que premiava os melhores da musica brasileira, através do premio Tim. Um acerto total, e aplaudidíssimo pela lotação. Notem a escala “carnavalesca” das figuras, que são arquétipos do samba: o malandro, a mulata-baiana, o bonde, o morro, o violão. Simnplesmente o máximo. De chorar de bom. Parabéns.

Renata Sá e Lenine. Ao fundo, a magnífica baía de guanabara.

Casal de passistas gigantes, com Zélia Duncan, Zé renato e Hamilton de Holanda.

Joaninos... O Nascimento do Carioca.


Não sou “Maria vai com as outras”, mas já que Portugal nos mandou a maravilhosa D. Maria, a Louca, o prefeito César Maia envia a Lisboa “Dona Milton, a louca”, sua resposta pós-tropicalista e desconstruída, para celebrar os dois séculos desta grande transferência, que concluiu o estabelecimento do Reino Carioca Unido à Portugal e Algarves. Fomos (e somos) a mais cobiçada vitrine brasileira, e bem informada, a monarquia portuguesa quis dar sua poderosa contribuição para poder depois, um dia, quem sabe, ser celebrada em carnaval. Volto no tempo, para explicar-lhes as efemérides: “Não quero um D. João flatulento; não quero um D. João comendo frango; eu odeio o filme da Carla Camurati”. O Prefeito César Maia, articulado e culto, nos olhava fixamente no fundo dos olhos, enquanto vez por outra, batia um pouquinho na mesa. Nós: Jorginho Castanheira, o Vice-Presidente da Liesa, o Presidente da São Clemente, Renatinho, e seu irmão, Roberto (que me convidaram para o encontro), o Presidente da Mocidade Independente, Paulo e seu carnavalesco Cid Carvalho, com o namorado Ale (chamado de assistente, mas todos sabendo namorado). Já achei este dado chic, muito chic, e isto me levou a pergunta-chave, que emudeceu a reunião: “mas Prefeito, eu posso interpretar D. Maria, a louca, no desfile da Sapucaí?”. Após um átimo de silêncio, o alcaide riu, e todos então riram atrás. Sim, César Maia está empolgadíssimo com os festejos dos 200 anos da chegada da família Real ao Brasil, e para tanto, montou a Comissão dos festejos, encabeçada pelo deslumbrante embaixador Alberto Costa e Silva, que já me auxiliou na pesquisa do enredo africanista Agudás, de 2003, e teremos exposições, reedição de livros, filmes e.... carnaval sobre o período Joanino. Acertadamente, o Prefeito e seu Secretário de Cultura, o querido Macieira, decidiram apoiar as duas escolas que abrem a noite de Domingo (São Crê-Cré) e Segunda (Lá vem a beteria da...) e explicavam, naquela manhã, a glória destes viajantes. Adorei quando o Prefeito pediu que homenageássemos os Fuzileiros Navais, que foram a Guarda Real Marítima que D. João trouxe consigo para o Rio de Janeiro. É que todo gay que se preza, treme, só de ouvir a expressão fuzileiro naval: a farda é fetiche e a gente já se sente fuzilado, ui!, no sentido estrito e figurado da questão. E quando o Prefeito nos mostrou a foto de um parrudo fuzileiro, encantado, já vi os trezentos da bateria engalanados e sedutores. Um sucesso a fuzilaria. Neste momento, o carnavalesco Cid Carvalho disse que gostaria de fazer um enredo relacionado com o Quinto Império que os portugueses desejavam fundar desde os tempos de D. Afonso, que viria a se fundir com o Sebastianismo e que, segundo o carnavalesco, encontraria no Brasil, nesta viagem, a fundação mítica do Quinto Maior Império da Humanidade. Carnaval é carnaval, e vamos em frente, fantasiosos e fantasiados, em busca das homenagens à João: quando o prefeito nos mandou ir pra casa, ou melhor, barracões, e pensar, eu disse “espera aí, Prefeito, que eu ainda não falei: o que o senhor acha da São Clemente enfocar a contribuição portuguesa para a formação do espírito magnífico do carioca? Sim, porque já tínhamos o índio emplumado nas matas virgens, já tínhamos o negro lamentoso e soberano em seu axé, mas faltava a consolidação do branco (e já que cari-oca significa casa de branco...) para estruturar o espírito deste povo brejeiro das margens da Baía de Guanabara. O tacape e o tambor precisavam do chouriço, do boteco da esquina com bolinho de bacalhau, do tamanco da terrinha para fechar o trinômio, e isto, a corte de D. João assenta definitivamente no Brasil, através do Rio de Janeiro, promovendo a miscigenação e o surgimento da mulata, que é a tal e é a tal... Só mato, sem palácios, sem a Quinta da Boa vista, sem o Banco do Brasil, sem o Paço Real, sem o Teatro Real de S. João, não produziria o Carioca”. “Escreve e me manda...”. É o que estou fazendo, mas desde já, acho o máximo o Perído Joanino como enredo, acho que rende, concordo que a homenagem é merecidíssima, e acho que isto tudo dá o maior samba. Me junto aos cariocas que festejam esta cidade como a verdadeira capital do Brasil, pois tenho orgulho do sangue índio, negro e portuga que corre em minhas veias. Sou um pouco caravela, sou um pouco Tupã e um pouco o candomblé, como todos vocês, até os que acham que não o são. Foi isto que formou o carnaval, foi isto que deu na Cidade Maravilhosa, foi isto que produziu esta gente bronzeada que é a cara do país. Quer saber? Não é à toa que Salvador, cheia de si, só foi escala na viagem do Magnífico. Ele estava louco para desembarcar no Rio, porque seria aqui que, além de ser feliz, ele promoveria a “verdadeira descoberta do Brasil”. E tem mais: acho um desafio estimulante tentar mostrar um outro lado, de algo que a televisão (Quinto dos Infernos), o cinema (Carlota Joaquina) e o Teatro (Império) já detonaram de forma inteligente e crítica. O carioca é um caldeirão, efervescente de vida e influências, e tudo cabe, até aplausos. Estou embarcando para Lisboa, e fazendo o caminho inverso da Rainha Louca, cumprindo o destino de dar uma olhadinha simpática sobre este povo que enraizou-se por estas bandas, ao sul do Equador; terra brejeira e engraçada, que percebia a importância daquela gente enfeitada, que se vestia como se já tivesse chegado o carnaval.Vale a pena terminar lembrando as emocionadas palavras do jornalista português Carlos Leitão Carreira sobre o monarca: “D. João VI ficaria na História como um homem fraco, pacato, sem iniciativa, um glutão inveterado, sem normas básicas de higiene ou asseio. Ainda assim, preferível será lembrá-lo como um homem bom, com uma sorte má”. O carnaval clementiano será sobre este homem bom, verdadeiro carioca, que Vossa Alteza foi, o e entrudo que nossa gente preparou para ele. Ah, sim, ao ver o desfile, D. Maria tomou a bandeira do Reino e ao rodopiar, foi a primeira-porta bandeira do carnaval carioca. São Jorge, que ela tanto amava, foi seu Mestre-Sala.




Quarta-feira, 16 Maio, 2007

Ela e eles!



Havia uma mulher altíssima no meio do ensaio da bateria da São Clemente. Fui chegando perto, com meus alunos do Instituto do carnaval e.... “professor, não é mulher, é uma drag-queen!” Assustadíssimos e excitadíssimos, só queríamos ver como ela segurava a baqueta (ui!). Um sucesso, uma ovação, um sinal dos tempos: ontem tinha menino querendo ser porta-bandeira, hoje tem drag neste outrora reduto machista. E a São Crê-cré é à frente de seu tempo, lança a moda e mostra o pau. Quer dizer, mata a cobra, e mostra o berimbau.... sei lá, estou confuso, preciso retomar o fôlego e revelar o nome dela: Samille Cunha, alter-ego de seu cavalo, o professor Samuel Abrantes. Pretende desfilar na Bateria? “Nem pensar, a roupa é padronizada e acaba com a produção, todo mundo se parece”. Quer aprender a tocar, mas jamais abandonaria o posto de destaque. O que os meninos que ensaiam ao lado estão achando? “Acho que eles só estranham meu perfume. Uso Lou Lou de Cacharrel”. Imaginam a inhaca de alguns ritmistas, misturados com a estonteante fórmula de Samille. Um sucesso o bração da moça....


Terça-feira, 15 Maio, 2007

A atriz Gisele Bundchen...


Quem será o redator das dicas que Cleo Pires dá no Multi-Show? Agora ela está dizendo a seguinte pérola: “se você gostou dos papéis que Gisele Bundchen interpretou nos filmes Táxi, e O Diabo Veste Prada, fica na torcida para ela estar ao lado de Tom Hanks na continuação de Código da Vinci”. Putz, não vi Táxi, o que é uma lacuna imperdoável em meu arcabouço cultural (risos) mas em O diabo.... a coitada é um ciclone supersônico que passa pela tela e nunca mais é visto. Chamar aquilo de papel é não saber o que é ponta ou figuração de luxo. E vamos combinar que o ruinzinho código só precisava desta mãozinha para soterrar de vez sua carreira. Será que La Bundchen será Maria Madalena? (Ui!)


Segunda-feira, 14 Maio, 2007

Marinês, eu te amava!


Estou detestando este maio: fora o papa mala, que graças a deus escafedeu-se, morreu o divino “Meu Nome é Enéas”, e agora desaparece Marines, glória sertaneja, figura impagável, que eu amava dentro de meu pequeno circo dos horrores. Quem vai sobrar? Só eu, o adestrador de pulgas? Tomara que restem a mulher barbada, as xipófagas e conga, a mulher gorila. Marines, sempre te amei. Marinês costumava referir-se a si mesma como “o último mito vivo da música nordestina”. Entre os clássicos da música nordestina lançados pela cantora, estão as maliciosas "Peba na Pimenta" e Pisa na Fulô, de João do Vale e "Só quero um xodó", de Dominguinhos. O último a sair apague a luz. Falta personagens, falta deboche....

Porque me ufano de minha cidade....


Tomei um susto na Concessionária Itavema, de São Cristóvão, que exibe, orgulhosa, esta instalação pós-moderna carioca: três tiros sobre a vidraça blindada de um automóvel, e várias marcas de tiro, com as armas que os dispararam, cuidadosamente identificadas através de notas de rodapé. É tanta arma que trata-se de um arsenal. Cheia de orgulho, a peça sintetiza a inversão maluca que vivemos. Ao lado disto, poderíamos exibir um coração blindado, cujas flexas de cupido são imediatamente repelidas. Pelo menos teria humor, onde só tem desolação. Saravá. Fui!


Domingo, 13 Maio, 2007

Mais um triunfo de Miguel Falabella...


Miguel Falabela chorava copiosamente na última cena do último dia de sua magnífica montagem para seu musical Império. Interessante crônica de nossas entranhas, de nossas grandezas e mazelas, o espetáculo mais uma vez reafirma a diva que Stella Miranda é. Divina, deslumbrante, catalisadora, um espetáculo por si só. Parabéns, Miguel. Você é um exemplo de tenacidade, e sua presença no palco, de D, João, hilária. Parabéns, toda a turma de Império, que, infelizmente, infelizmente, acabou. Não era para acabar nunca.

Cláudia Raia é tudo!


O número em que Cláudia Raia sola, de cartola e bengala, em Sweet Charity, já vale o ingresso. O número de conjunto, dentro da boate também é estonteante. O que atrapalhou a sessão de sábado no Vivo Rio foi o bate-estaca do clube Boqueirão, que invadiu a casa de espetáculo, transformando a Sweet Charity numa versão enlouquecida de Tati Quebra Barraco. Uma confusão, uma loucura.

Esse povo tá louco....


A pesquisa CNT/Census revela que 1% da população brasileira acredita no nosso Parlamento. Meu Deus, tudo isso ainda acredita? Deve ser o povo do Gabeira....

Mãe é paz!


Dia das mães, dia dos pais: todas as pessoas do mundo que, independente de serem ou não, percebem a importância de bem educar os novos, rumo à democracia, ao respeito dos direitos humanos, a maturidade frente às diferenças, a um mundo melhor e possível, urgente para a manutenção dos povos e do planeta. Nada de genitores que queiram que seus rebentos dizimem os irmãos que professem diferenças, que desejam que só suas famílias sobrevivam. Salve a paz, que está na mão das mães e dos pais e dos professores de todo o mundo.

O veado tá sissi!


Vem cá, gente, não seria hilário se, em vez de chorar e fazer documentos oficiais de representação contra, esta deputada botasse as mãos na cadeira, e dissesse para a Clodovéia, aos berros: “bicha velha, eu sou feia mas eu tô na Moda”?. Será que isto desconcertaria a nazista agressora? Porque eu acho que ela tá se criando no Congresso porque ninguém roda a baiana com ela, o que significaria descer o nível, mesmo. Sei não, mas acho que ta faltando outrazinha lá, para peitá-la. Tão deixando ela se sentir, e tudo o que ela é, é Sissi. Cortem as asinhas do veado, e se ela processar vocês por preconceito e discriminação contra gays, metam a porrrada nela, que a maluca ta merecendo. No mais, tomara que prendam esta sofrível espécime que tanto mancha a reputação de nós, homossexuais. Ainda bem que lá tem um monte de hetero que vivem de manchar a reputação de seus pares.


Quinta-feira, 10 Maio, 2007

Ficar e Prostituição....


“Milton, eu não fico com meus clientes: eu dou pros meus clientes em troca de dinheiro. Não sou católica, já fiz vários abortos e ninguém tem nada a ver com isto”. Gritava minha amiga, e eu lá, tentando aplacar a ira da coitada “Calma, porque o pior é que se você for pro inferno, lá você vai encontrar uma quantidade enorme de católicos, padres incluídos, e você vai ter que conviver com esta segunda opinião”. “Sem problemas”, gritava a garota de programa (confirmo, minha amiga), “desde que eles só se metam com as mulheres católicas. Não vejo nada demais nelas não ficarem, darem, ou praticarem o aborto. Regra é regra. Mas que não se metam na minha vida. Não quero ser evangelizada. Pago Imposto de Renda para um estado laico, que não pode se meter na minha vida”. “Mas você é uma puta muito inteligente, muito centrada, meu Deus!”. E me lembrei imediatamente da Puta com PHD, divina personagem do magistral Woody Allen. Será que alguém já informou para os “da passeata” que o inferno é aqui? Ninguém mais acredita que haja algo mais complicado e difícil, metafisicamente falando, do que esta realidade. Ninguém sai impune de um aborto, ninguém é puta sem fardo, ninguém é casto sem tormentos, ninguém é santo sem sofrimento. Portanto, o melhor seria, mesmo, cada um com suas regras, que aplacassem dúvidas individuais, e todos deixando o outro viver. Acho que é isto, quando falam de questão de foro íntimo. Porque parece que não existem regras que aplaquem as dúvidas coletivas. Um sempre discorda. Parece razoável permitir que quem queira viver de outra maneira, que arque com o ônus (e o ânus, ui, se for o caso). Mas ordem vindo de fora pra dentro, é meio barra-pesada né não?

Tradicional família....


Seria a tradicional família carioca mais “da pá virada e do barro remexido” que as demais famílias tradicionais brasileiras de outros estados? O que caracteriza a tradicional família paulistana? E a gaúcha? Pois o que caracteriza a tradicional família carioca parece ser a galhofa: é o subúrbio, o carnaval, a praia, e o porre de felicidade aí embutidos. Saí convencido disto depois do maravilhoso espetáculo Sassaricando, do pai do governador e da amiga dele. Aliás, começa por aí: a família do mandante do estado é de gente bacanérrima, entendida em antigas marchinhas de carnaval, sonoridade que deve ter embalado a infância dele. Estamos em boas mãos, nem que seja nesta “ambiance” de sambista. Além disso, quando me deparei com a tentativa do espetáculo de conceituar a família do Rio de Janeiro, me lembrei da família pervertida de Nelson Rodrigues, a mãe gorda que vê cacetes voadores por todos os lados, e me lembrei da grande família da televisão, que agora está em segunda versão no ar. Há um quê de diversão, descompromisso, tolerância e maluquice familiares, que só a cidade do carnaval permitiria. Maridos que desaparecem de casa nos três dias de carnaval; cabrochas que botam um biquíni, enganando os namorados, e vão para as batalhas de confete; e o corno, Cornélio, que é sempre o último a saber. A perda da virgindade, a gravidez inesperada, o “vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai” da garota convidada para fazer um pic-nic na Barra da Tijuca. O “com jeito” significa o jeitinho brasileiro de fazer tudo isso, só que com a esperteza de não deixar a casa cair, mas também não deixar de aceitar o convite para tomar banho em Paquetá. Esperteza carioca. “Joga a chave meu amor” é o pedido do marido bêbado, que bêbado e errado, jura amor debaixo da janela, e convence a Amélia a abrir a porta, pois o bêbado teria bebido na intenção dela. Quer coisa mais carioca que a tal de “mulher quando é boa, é boa muito boa, mas também quando é feia, pode chutar que é um bicho”? E o cara que levou a mulher boazuda para ver o pelotão e no dia seguinte foi empossado como o “Corneteiro” mor? A baratinha (veículo) da menina não funcionava, e a marchinha pedia para ela botar este motor para funcionar. O que era feito com charme e figuras de linguagem, hoje é feito pelo funk da forma mais direta e cruel. Perdemos em bossa e perdemos em finesse....

Espadas urbanas...


Me lembro da estória da espada de samurai que torturou e teria matado o inesquecível Tim Lopes. Agora vejo a foto de uma espada cheia de volutas, nuances e decorações, quase uma espada de heróis medieval ou de estória em quadrinho, que pertence ao proprietário do castelo-fortaleza, encarapitado no alto de uma montanha carioca. E me arrepio. A lâmina, o golpe, a estocada, o atravessar de corpos, a degola. E penso no que passa pela cabeça destes carrascos, já que sei que eles têm tribunais particulares, rituais de julgamento e punição. No delírio de seus torpores, nas mantanhas brancas de cocaína, devem se imaginar He-Man, quiçá Rei Artur. Devem se desejar membros samurais honradíssimos da Yakusa, ou cavaleiros da távola que sonham em um dia encarnar o Príncipe Valente. Também porque tiveram suas infâncias roubadas, também porque são deformações do espírito humano. Também. De qualquer forma, este fio de navalha espelha o final dos tempos de inocência, na lâmina é refletida nossa própria incompetência de entrar nas comunidades com saúde, educação, esporte, cultura. Só entramos com o caveirão. Aqui, do lado de fora, pontes Rosinhas são inauguradas (aliás, a segunda atração de um futuro circuito garotinho, se considerarmos a escultura do casal na praçinha do interior), tributo de um para o outro, sobre o fosso de jacarés famintos, na aldeia medieval abandonada.

Igreja Show


Na verdade, o projeto do magnífico Crivella, atenta para um aspecto que nosotros não percebemos: a Religião enquanto espetáculo! Vejam os paramentos e ornatos dourados, a fumaça, os cânticos, os ofertórios, o recolhimento de dízimos, os transes de possessão, a retirada dos maus espíritos, tudo cronometrado e ritualisticamente bem dirigido. Uma atração que já ganhou as televisões (tem até canal exclusivo), um show que agora quer equiparar-se nas leis de incentivos fiscais aos demais espetáculos. Padres-pops nos programas das Xuxas, pastores elegantérrimos em shows que lotam estádios. Se dotados do “cênico espetaculoso”, porque então não podem ser patrocinados pelos impostos recolhidos, já que nada os diferencia dos demais shows? Ah, aquilo é em nome de um Deus? Mas gente, isto é um conceito que pode ser alargado infinitamente, até a subvenção oficial. A hora é chegada: “Gessy Lever do Brasil apresenta o Culto tal em curtíssima temporada...”

Salve o peludão....


Tony Ramos deslumbrou a nação com seu desempenho de cafajeste arrependido por ter sido descoberto, mas achando natural enganar durante décadas, a pateta da mulher apaixonada. Sofria por ter sido apanhado em flagra, mas não sofria pela conduta desonesta. Chorava a perda do objeto preferido, certificando-se de deixar espaço para tantos outros objetos. Que ator sublime. De quantas nuances é capaz! Fábio Assunção foi bem, mas padecia do mal do eclipse: o astro menor também é legal, mas a sombra do planeta gigante ofusca até os bacanas. Em eclipse, sombra e brilho no mesmo fenômeno: assim era Tony, inteiro, machão, burrinho, bobo, gigante, poderoso, no quase abraço, meio abraço, que machões permitem dar em outro cara. Ponto para autores e direção, mas jogo ganho para o desempenho, irretocavelmente verdadeiro e cheio de comoção.

Que merda!


Sempre me perguntei se as fezes reais eram iguais ao cocô dos simples mortais, e agora descubro que só um rei é capaz de merda tão grande! O autor da biografia, de joelhos, deve agradecer a mão de ferro decisiva para transformar sua simples goiabada em suflê. Moral da estória: a função bacanérrima da Internet, pois sempre que algum rei censurar uma obra, ela cai imediatamente na rede e mostra, de graça, pra todo interessado, o que não poderia ser mostrado. Sem ela, teríamos que bater fotocópias não autorizadas, ou rodar no mimeógrafo, e mandar de casa em casa, a cópia clandestina. Alias, sua eminência deu uma força e tanto para a pirataria, quando censurou sua biografia: se o oficial não pode, lancem mão das cópias. Último pedido: será que alguém pode escrever algo sobre ele que a gente não sabia?

Votem, queridos, botem....


Ih, o Cristo Redentor está em antepenúltimo lugar na eleição das maravilhas do mundo moderno. Tomara que o Papa dê uma força e peça pro Brasil votar nele. Vamos nos mobilizar, minha gente...

Novo romance na praça!


Nada sobrevive a Brasília: sai Roland Barthes e seu “Grau Zero da Escrita” e entra o “zEROS GRAU da Escritura”.


Quarta-feira, 9 Maio, 2007

A Bonitona mais votada!


O Dia : Em entrevista a jornalistas, porém, Clodovil admitiu que chamou a deputada de feia. "Eu tenho culpa de ela nascer feia?", disse.

Minha resposta: Não, Clodovil, quem tem culpa são os teus eleitores, que te fazem acreditar que tu és bonito.... PQP, esse cara já ta passando dos limites...

Aranha rebolativa....


Seguinte: muito ruinzinho esse Aranha 3, né não? Num universo onde é plausível existir um homem aranha, como uma tranformação pode soar tão non-sense, tão sem pé nem cabeça, a ponto de parecer que o grande sonho do Parker nunca foi ser aranha e sim John Travolta rebolativo, muito, mas muito pior que o inesquecível original dOs Embalos de sábado à Noite. Um horror. O heróis, senhor de si, posudo, garanhão, tolo conquistador, faz isto com uma canastrice exemplar, constrangedora, o que lhe credita ao Framboesa de Ouro por não conseguir convencer no papel de sissi (se sentindo). Sair do universo suspenso que é homem-aranha, tentar passear pelas inseguranças machistas, e voltar ao tom dos quadrinhos, é tarefa que naufraga este filme. Roteiro interminável, que manipula mal a humanização do herói, superposição confusa de atributos, excesso de vilões e heróis, excesso de vai e volta, no final parece que ninguém sabe muito bem o que é e o que quer. Até Carmem Miranda poderia aparecer com suas bananas rodopiantes, que estaria dentro do contexto, ou seja, fora de qualquer plausibilidade. O homem-areia desdiz tudo o que construiu sobre a psicologia do personagem, assim como a namorada cisca no terreiro tipo galinha perdida. Fica para a próxima. Quantos milhões jogados fora....

Terra do Demo!


Já que o Papa sugere a excomunhão dos políticos, me sinto encorajado para ir mais além, e pedir: Papa, faça um exorcismo em Brasília. É uma cidade “endemonhada”, no sentido de que lá, o Congresso, terra do Demo, resolveu para sempre infernizar a vida dos Brasileiros. Senão, vejamos: rabos, eles têm (muitos, presos); chifres, idem (ui! e bota corno nisso); vermelhos, muitos são, nesta era PT; fogo, eles têm de sobra, cafetinas como Mary Jane que relatam; e por último, tridente, é o que usam para cutucar o gado dos currais eleitoreiros. Vamos convidar a Linda Blair para participação especial?

Gosto não se discute....


Não gostei de ter blog, não gostei de alguns comentários, não gostei de escolher o que pode e o que não pode, não gostei de não proibir nenhum post, não gostei de ter que ler milhões de propaganda de viagra e ciallis e ter que deletar todas, não gostei do tempo perdido, não gostei da chatice dos reclamões, não gostei... Gostei de ter mais esta pra contar. Divirtam-se....


Terça-feira, 8 Maio, 2007

Index Religioso!


Paulo Betti fez uma denúncia gravíssima, quinta-feira, no Sem Censura: disse, com todas as letras, que seu filme Cafundó, premiadíssimo, com Lázaro Ramos no papel do Beato milagreiro, e que trata do sincretismo religioso no Brasil, foi recusado no grande circuito, pois o “dono” dos cinemas, por ser católico fervoroso, ordenou a não exibição da película que seria uma agressão à religião Cristã. Num país Laico e miscigenado, sincrético por excelência, e democrático, por onde andará a possibilidade de exibir uma obra de arte, se o exibidor se guia por um catálogo pré-concluído, das temáticas que podem e que não podem ser tratadas na obra? Já pararam para pensar que estamos nas mãos destes circuitos? Para ver o Cafundó, só num cinema bem longe, ou em DVD.

Atânticos!


E o meu amigo milionário, respeitável pai de filhos, como é que ele vai ficar nesta catalogação de clientes que buscam os serviços das travecas na Av. Atlântica? O que dirá sua esposa, seus netos, quando ele encabeçar a lista dos mais assíduos? Não sei não, mas acho que esta listagem proposta pelo Governador Sérgio Cabral, vai afugentar, por uns tempos, estes “acima de qualquer suspeita” que com seus carrões fazem a alegria da noite à beira-mar.


Domingo, 6 Maio, 2007

O meu nome se foi....


Ah, meu Deus. Como vai ser o próximo horário eleitoral, sem os gritos do Enéas? Que vazio sinto neste momento em que me despeço da barba arbusto, dos óculos, e de um certo humor que vou desconfiar para sempre, ele tinha. Sempre achei que ela tirava o maior sarro com a nossa cara, que ela sacava tudo. E aqui pra nós, a Senhorita Suely só prestava enquanto ele existia, no sentido de que era o máximo desconfiar que eles dois namoravam. Eram perfeitos, nascidos um para o outro. Senhorita sem ele, meu senhorito, não resplandece. Enéas, amado, todos os meus aplausos pra você... Era a cara do Osama Bin Laden!


Sábado, 5 Maio, 2007

Eclipse!


DURANTE A EXIBIÇÃO DO MUSICAL “SASARICANDO”, OS OUTROS QUATRO DO ELENCO VÃO SENDO ECLIPSADOS PELOS DOIS ASTROS, NÃO PORQUE SEJAM MENORES, MAS NÃO APRESENTAM, AINDA, O QUALITY STAR DE FAZER DO PALCO, DAS LUZES, DO GLAMOUR, SEU HABITAT NATURAL. EDUARDO DUSEK NOS ENVOLVE PELA TRANSPARÊNCIA, PELO DEBOCHE DIRETO, PELA SINCERIDADE, PELA ENTREGA ABSOLUTA; JÁ SORAYA RAVENLE SEDUZ PELO MISTÉRIO, PELO NÃO EXECUTADO, PELA POSSIBILIDADE DE EXPLODIR; ALTERNA MOMENTOS DE PURO MENOS COM RODOPIOS DE MAIS, NOS DESCONCERTANDO. E MOSTRANDO QUE LÁ OU CÁ, HÁ UMA LUZ, UMA PRESENÇA CATALISADORA NO PALCO. O METRO E MEIO MAIS EFICIENTE EM CENA, DESDE ELIS REGINA. CORRAM PARA VER, ESTÁ NO JOÃO CAETANO, NA PRAÇA TEATRAL DO RIO.


Quinta-feira, 3 Maio, 2007

São Cartola!


Prezado Presidente Renatinho,
esta carta não é particular, pois trata-se de interesse público (de todo carioca de boa cepa, festeiro, sambista, alegre, e por conseguinte, sabedor da necessidade de levantar nossa auto-estima, batendo na tecla dos ícones populares que significam o melhor do nosso povo); venho lhe implorar que o senhor redima a nossa vergonha de que, no ano das Comemorações do Centenário do emblemático e genial Cartola, a Marquês de Sapucaí não abra espaço em um desfile para reverenciá-lo. Se isto acontecer, nunca mais as quadras dormirão em paz, uma maldição se abaterá sobre nós, pois subestimamos o poder de Aruanda, paraíso para onde vão os fortes negros mortos. Sei que não é sua obrigação, mas não é por obrigação que lhe peço. É por ousadia, desprendimento, coragem; virtudes que têm acompanhado a amada São Clemente desde que seu pai fundou a escola há quase 50 anos. Sabe, Presidente, o Cartola era um lavador de carros, como um monte de freqüentadores da sua quadra e como alguns homens da sua ala de compositores. Ele era povão, como sua agremiação. E já que, parece, nenhuma das outras onze vai fazer enredo tão nota dez, aproveite e vá na contra-corrente: sem patrocínio nenhum, faça um desfile pobrezinho de grana e transbordante de alegria, sem efeito especial ou mirabolância coreográfica, mas cheio de boas intenções. Sei que disto, o inferno e o segundo grupo estão cheios, Presidente, mas o que é a tristesa de cair de grupo, diante da vergonha nacional da avenida dos desfiles não aplaudir um de seus (senão o maior) maiores filhos? Além dos Clementianos, imagine a torcida toda da Mangueira gritando por esta “prima-pobre”, vestida de amarelo e preto, misturados com o verde e rosa, linda, linda. E o senhor ainda contará com o apoio de todos nós, outros, que temos uma escola preferida, mas estamos achando que esta praga de patrocínio está escondendo a verdadeira bossa do samba. Pelo amor de Deus, Renatinho, não fale de petróleo, do pirarucu, de cidades ou estados: fale deste sambista que, marcado por Deus (que é Brasileiro), com um nariz preto, para que Ele sempre o cuidasse com carinho, compôs as canções imortais do Brasil. E Presidente, “São Cartola na São Clemente” é um título tão simpático, a cara de vocês. E a vida dele é um carnaval: fundou a Estação Primeira, namorou e viveu com Deolinda, foi amigo de Noel, Donga e outros, cantou no Transatlântico Uruguai para Villa Lobos e Stokovsk, amou Zica, foi Quixote num mundo de moinhos, teve um bar divino chamado Zicartola, e no mais, nem precisa esforço: é só colocar o título das 30 obras-primas que ele compôs, nas 30 alas. Pena que vai sobrar obra-prima, sem citação. Mas a vida é assim mesmo, e a gente não pode querer tudo. Mas temos que nos mobilizar para festejar o centenário das rosas exalantes, elas que, mais que falar, testemunham a poesia e o lirismo que tanto precisamos. Só posso lhe prometer, de antemão, em nome de todos os brasileiros: vai ser um campeão de audiência e nossa torcida vai estar com a salvadora da dignidade do samba, a raçuda São Cré-Cré! Beijos e saudações sambísticas....

Maquiagem...


A morenaça Ana Paula Araújo já estava pronta para entrar no ar, no RJTV, às seis e trinta da noite, direto do Show do Dia dos Trabalhadores, na praia de Copacabana. Uma estridente voz de mulher vem da multidão: “aí Ana Paula... Te vejo muito na TV.” Todos rimos, pelo óbvio da observação, mas ela ainda tinha o que arrematar: “como a maquiagem ajuda, hein?” A autora da observação, não era que ela fosse feia: ela era um demônio de horrorosa. Fizemos “oh” com a grosseria, mas a repórter não se fez de rogada: “ué, você ta me chamando de feia, é? Minha gente, eu sou feia?”. E a multidão gritou “nãaaooooo” e aplaudiu a jornalista delirantemente. A desdentada nunca mais foi vista....

A Boate e o Peixe!


Não é não, Peixe! Não é moderninho demais, você entrar na Boate gay La Cueva. Pois para um astro moderníssimo como você, que não escondeu a linda filinha com síndrome de down, e que ajudou na divulgação e promoção da inclusão positiva; para um suburbano que galgou a glória, e hoje é bacana da Barra da Tijuca, e isso desafiando o confinamento das concentrações indo para boates, se divertir; que desafia o tempo, fazendo com idade o que outros não fazem; porque seria moderninho demais uma boate para pessoas do mesmo sexo dançarem e se beijarem, recebendo a visitinha do grande peixe? É moderninho demais um heterossexual famoso desfrutar de um ambiente gay? É moderninho demais ser um famoso sex-symbol da heterossexualidade e exemplo de virilidade, e ainda assim entrar numa boate de gays? É moderninho demais dar de cara com o amor que não ousa dizer o nome? Não para você, Peixe. Você pode quase tudo, você é um exemplo de naturalidade, do não-mascaramento. Qualquer que seja a resposta, e olha que só fiz perguntas politicamente corretas (porque a que martela em nossa cabeças é a mais óbvia: “essa pouca-vergonha é moderninha demais!”), a resposta para esta exclamação é: graças a Deus, Romário, a modernidade chegou para nós, minorias. Pouco importa se os outros entram ou não em nossos guetos, mas que bom que respeitam e admitem a existência deles. Somos ancestrais, velhíssimos, e para nós, Peixe, os tempos nem sempre foram moderninhos. Fomos perseguidos, marcados, mas sobrevivemos e parece, chegou o tempo em que todos podem freqüentar tudo, sem, necessariamente, se manchar com a lama da suposta degradação moral. Sem dúvida, Romário, o mundo pós-moderno é moderninho demais: é ele quem exige rampas para os cadeirantes, escolas normais para os portadores da síndrome de down, a inclusão de negros e índios, e boate moderninhas para os velinhos gays que só querem dançar, beijar e se divertir. Que chance você perdeu, querido amigo, de ser definitivo numa possível atitude macha de dar uma passadinha, rapidinha, na boate moderninha. Iria provar que não somos devoradores da moral humana: nós te aplaudiríamos, te reverenciaríamos e morreríamos nos lembrando que, um dia, um astro-machão chamado Romário, quebrou o paradigma e enfrentou o assustador mistério da modernidade: cada um na sua, e todos juntos, misturados.... O convite está de pé!

E o barrigão?


O nascimento do primeiro bebê carioca fertilizado em outra barriga, que não a da mãe, de repente, me jogou no redemoinho de alguém que é mãe, sem ter visto a barriga esticar. Sim, porque eu sou do tempo, em que mãe que é mãe, tem que sentir a dor do parto, tem que ter foto do barrigão, tem que ver o peito cair por causa do estica e puxa da amamentação, tem que ficar com estrias que marcam a pele que foi e voltou, tem que ter o talho da cesariana no ventre, tem, tem, tem.... E hoje não é mais preciso nada disto. Antes de delirar em meus pensamentos, esclareço que dou o maior apoio para se lançar mão das facilidades científicas, para realizar sonhos que a natureza impediu; mas é que este caso me fez pensar num outro mundo possível, mas assustador, que esta questão vislumbra e indica, próximo. A ciência moderna para a manutenção da estética e o improvável dos tempos em que sobrevivi para ver, me aterrorizam. E viajei na idéia de que as mulheres malucas que eu conheço, que acham filho lindinho, mas acham que a gestação acaba com a beleza do corpo feminino; que até queriam ter filhos, mas sem embagulhar ou sentir que o marido já não as olham com o mesmo apetite; de repente pirei na idéia de que elas serão uma geração futura de mulheres que serão mãe, sem precisar, necessariamente, passar pelo martírio (?) que elas acham desnecessário. Elas terão seus rebentos nos úteros de outras mulheres, serão mães sem os nove meses de gravidez. E vejo que isto está em total consonância com a mulher siliconada, botoxizada, a que não envelhece, a que não enruga, a que não demonstra o passar dos anos e as marcas que isto deixa no corpo, a mulher que apaga as marcas do que viveu. Será possível ser mãe-bibelô, mãe biológica linda, com o mesmo corpo de antes do parto, e nem por isso menos mãe?. Elas vão poder ter quatro, cinco, quantos quiserem, e sem padecer no paraíso da gestação, talvez só no da criação dos rebentos (mas como as babás já substituem este tipo de mãe, acho que elas não padecerão nem na educação, pois são mães bibelôs). E enlouqueço pensando na possibilidade de um casal engravidar várias mulheres ao mesmo tempo, pelo simples capricho de querer vários filhos, todos na mesma idade. Ainda estou vivendo o tempo em que uma doida não pode botar isto em prática, mas já vivi outros tempos, e sei que eles passam. É possível suprimir os ritos de passagem? Quais as lembranças e emoções necessárias para a formulação de um ser humano? E o álbum do bebê, meu Deus? Como vai ficar o álbum do bebê sem a mãe segurando o barrigão?


Quarta-feira, 2 Maio, 2007

Tim Tim aos trabalhadores....


Acerto total da TIM a escolha da super Daniela Mercuri par estrelar o show do dia dos trabalhadores na praia de Coapacabana. Um sucesso, com repertório acertado, dançante, alegre, popular, belo cenário, três lindos vestidos, dois curstos e um longo, belíssimo. Um clima da folclore nordestino, com caboclinhos, maracatus, muito colorido, flores, fitas e rendas. O público aplaudiu muito. Duas senhoras convidadas: Beth carvalho fez o público delirar e Margarete Menezes botou lenha na fogueira. No final, Daniela colocou três crianças da platéia para dançar no palco, e um menino de Copacabana, que estava no ombro do pai, arrasou: quando ela lhe perguntou se ele queria samba, funk ou axé, ele disse que não queria dançar, queria “fazer coisas de circo”. A criaturazinha deu um triplo mortal carpado, assombrando a multidão, pois achávamos que ele ia parar na água do oceano. Foi bom demais.


Terça-feira, 1 Maio, 2007

Uma era Marizilda... A outra...


Segunda imprensada entre domingo e feriado. Ninguém na rua. Meio dia. Viro na Mena Barreto para ir ao contador, fazer Impo