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| Milton Cunha |
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 O pecador Chico Anísio aponta para meu pecado: “É aceitável ser homossexual, mas não é certo. Está na Bíblia”. Pois para este mesmo código de certo e errado, Chico é um abominável homem que já casou inúmeras vezes. Engraçado pensar que os pecados heterossexuais são mais certos que os errados pecados homossexuais, fazendo com que machões pecadores possam, ainda assim, discursar como guardiões da moral, pois pecam, mas pecam com naturalidade (seria natural todo machão trocar de mulher, mas não é natural um gay amar o mesmo companheiro a vida inteira; portanto não é o amor que vale, é o objeto, segundo este código de certo e errado, tudo é uma questão de anus ou vagina, e não de cérebro e coração). E mais engraçado é ver que há uma legitimação machista hetero, que aponta os outros, para desfocar sobre a impossibilidade da vivência deste código de certo ou errado. Só para começar: não cobiçarás a mulher do próximo, exercício no qual homens que casam muitas vezes parecem ser insuperáveis. Pouquíssimos humanos podem se arvorar de viver estritamente neste código de certo e errado católico. Mas ainda assim, estão mais certos que os errados gays. Já nascemos com o pecado original. Telhados de vidro; casa de ferreiro, espeto de pau!.
 Um fã me manda uma linda mensagem no Orkut: “O que faço, para a encontrar a felicidade que você transmite através do seu olhar?” Perco o fã, mas não perco a piada. A resposta: -Óticas do Povo, morou?
 Sou Odorico Paraguassu, quero comer as três, e declaro: Mulheres divinas, mulheres bacanas, mulheres gostosas, na pista para negócio, mas negócio arretado, do bom, fina flor do samba, caviar, mesmo, não negócio pão com ovo, se bem que acho que se o pão com ovo vier acompanhado de algo mais, elas topam. É que tem pão com ovo e ovo com pão, se vocês me entendem, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E essa três são outra coisa, mesmo, ui!. Minha homenagem a Bia, Samille e Renata Cunha, divinas.
 Gostaria de conversar com vocês sobre o deslocamento do papel da prostituta na vida destes jovens. Antes, as cortesãs eram tratadas com mística envoltura de sensualidade, nos bordéis e ruas, pois ali era a única possibilidade de ter o primeiro ou vários encontros amorosos fora do casamento. Eram condenadas pela moral vigente, mas ninguém pensava em espancá-las. No máximo, tirar desta vida. Hoje, vejo que grupos de rapazes se divertem espancando prostitutas. Quero pensar que já que todas as meninas da idade deles dão, não apresentam mais o comportamento respeitoso de outrora. Não precisam mais da prostituta, já que as amiguinhas são as primeiras a voar em cima. Será isso? Não tenho certeza do que escrevo, mas escrevo para dividir com vocês. O que faz jovens se divertirem espancando prostitutas? Não reconhecer nela humanidade, importância, valor. E ter certeza do jogo da impunidade. Fora isto, um homem bater em mulher? Vários homens baterem na mesma mulher? Agora vamos mudar o foco e pensar: que masculinidade é esta? É uma masculinidade que puxa o cabelo das garotas em boates. Que estranha forma de ser másculo. Aliás, que mulher gosta de tal masculinidade? Pelo amor de Deus não venham dizer que são veados enrustidos, pois isto é um assinte, para nós, veados. São monstros, não veados. Sai pra lá, tracajá. Se eles forem veados, eu me demito.
 E já que qualquer pancadinha nos faz ficar roxos, fomos à deslumbrante Parada Gay de New Iguaiçu prontos para ficarmos totalmente arroxeados (de raiva destes pais desalmados, que não percebem que educação necessita de alguém com aquilo roxo, e não o contrário, arroxear os outros). Durante a marcha, fiquei me perguntando se haveria um plano secreto dos gays de Nova Iguaçu, para dizimar todas as outras sexualidades da cidade, já que as palavras de ordem da ParadaGay deste domingo, sopravam aos quatro ventos que “Nova Iguaçu é gay!”. Não é que a cidade fosse também gay, ou simpatizante dos gays. A cidade teria que ser gay, segundo a gritaria. E ao olhar para tantos moradores que não o eram, já os vi despejados de suas moradias, sendo obrigados a deixar suas residências. Voltei assustado, como sempre, quando me encontro com o absolutismo. Acho que devemos pegar leve, devemos ter consciência de que somos uma minoria, que merecemos respeito, mas que ele só virá, quando pararmos de afirmar que todo o mundo é gay. Temos que ter calma com o andor, que não é assim que a banda toca. Esperei até o último momento que alguém afirmasse no microfone: “Nova Iguaçu respeita os gays!”. Mas isto não veio.
 Fora isto, a Parada Gay de Nova Iguaçu foi uma linda manifestação de alegria, engajamento político e... fé. Sim, fé. Coisa religiosa, mesmo!. Acreditem, zanzando atordoado no meio de tantos coloridos e emplumados, em baixo de sol quente, de repente me vi dentro de uma sub-parada, uma passeata dentro da grande manifestação: fui lendo os cartazes que diziam “somos deuses”, “o pecado não existe” e ao tentar ler o terceiro letreiro, uma mulher gritou para mim:”és um abençoado, aqui está o CD com nossas realizações, aqui tem o panfleto de nossa propaganda, e creia, (neste momento ela aumentou o tom, messiânica) tu és um abençoado!” E levantou a mão, como se me benzesse. Tentei escapar, mas ela foi mais rápida: “aceitamos qualquer tipo de pessoa em nossa Igreja. Todos são bem vindos”. Eu respondi na lata: “não gosto de todos os tipos de pessoas, e não quero pertencer a uma Igreja que aceite todos os tipos. Não posso me sentar num culto, ao lado do Renan Calheiros...”. Quem estava em volta, naquele asfalto quente, riu muito, e eu aproveitei para devolver as propagandas. A mulher tentou o tiro de misericórdia: “o diabo já foi destruído!”. Dei as costas (ui!) para a pregadora, e hoje vejo que os diabos, naquela mesma hora, não só não estavam dizimados, como estavam vivíssimos, habitando os corpos dos playbos que se drogavam, para depois espancar uma pobre trabalhadora, num ponto de ônibus na Barra da Tijuca. Vejo que nós, gays, viramos um alvo a ser conquistado por correntes moderníssimas religiosas, que acenam com tolerância desmedida e conforto futuro, que tenho certeza, terá um preço a ser cobrado. Seja ele qual for. Nem que sejam ridículo rituais com perucas coloridas, botas de salto alto e um diabo com malha justíssima de vinil vermelha, tridentes de paetê e cílios postiços. Estranho, muito estranho. Pareciam lobos-maus de olho no rebanho de cordeirinhos. E muitos gays, que se acham descoladésimos e espertíssimos, estão caindo nessa de buscar alento em quem só quer se dar bem. Mais uma vez, muita calma nesta hora.
 Gente, começou a guerra; desejo a todos vocês uma boa guerra. Enfim, ela mostrou a sua cara em todo o esplendor de horror. A sensação que tenho é que sempre foi mais forte de lá para cá. Daqui para lá só era forte o abandono governamental de décadas, que produziu tal guerra. Agora para o Governo, parece que a guerra está declarada. Desejo a todos vocês uma boa guerra!
 Duas frases me chamam a atenção, nos jornais, destes dias: uma é do grande Ricardo Cravo Albim que diz que “os dois eram finos. Não falavam sobre homossexualismo. Só falavam sobre arte”; a outra é da mãe que, atacando os playboys que espancaram a doméstica, diz:”mesmo que fosse uma prostituta, não mereceria isto”. São duas afirmações emblemáticas, e coroadas com a hipocrisia dominante de nossa sociedade: gente de bem não trata de homossexualidade e prostituição. Gente de bem trata de bondade, e aí é que nem gay nem prostituta devem apanhar. Mas não são citações para as boas conversas, as boas rodas. Devemos separar estes assuntos. Guardá-los em baixo do tapete. Vamos deixar eles de lado. Não trataremos de homossexualismo e prostituição. Não é fino, não é bacana. Não interessa expor nossas entranhas, nosso preconceito. Eles existem, mas não devem ser pensados, não devem participar das boas rodas. Mas também não merecem morrer, porque somos finos, somos bacanas, somos bondosos. Quando dizemos que NEM ou ATÈ certo grupo não merece ou não deve, o NEM ou o ATÉ devem ser pensados. Quero morar numa sociedade que trate de prostituição e homossexualismo e negritude e crianças inconseqüentes que tocam fogo em índio com a fineza de ter consciência de que fino é só uma desculpa para não encarar as diferenças humanas de frente. Pra mim, fino é quem percebe a grandeza e a pequenez da espécie humana. Todos, todos os assuntos são finos, finíssimos. Brega é espancar qualquer ser humano. Ou incendiá-lo. Ou ser hipócrita. É a hipocrisia que aborta estas aberrações, mauricinhos que brincam de exterminar os humanos que não participam das conversas finas de seus pais, nos grandes salões.
 Tentando me defender das acusações de que fumo tóchico, e das tentativas de me enclausurarem num sanatório para superdotados, que perderam todos os limites do mundo real, insisto na minha afirmação de que Lacraia é a Billy Hollyday da Baixada fluminense, na questão IT. E não venham me dizer que vocês não são da geração que tinha IT, pois sei a idade dos principais Lacraiudos, e vossas pegadas estão endurecidas na lama do dilúvio, queridíssimos. Senão vejamos: ambas são mulatas chocolate; ambas adoram uma florzinha no couro cabeludo; ambas são brejeiras; ambas são loucas; ambas perambulam pela noite; ambas gostam de homem; etc. Paro por aqui senão descubro que ambas são a mesma pessoa, ou melhor, descubro que Billy reencarnou em Lacraia, no palco de Nova Iguaçu. E o repertório não tem o menor significado no quesito IT, já é outra catigoria. Última mensagem: o blog é meu, kkkkkkkkk. Não sabe brincar não desce pro play....kkkkkkkkkkkk. Vão cantar em outra freguesia...kkkkkkkkkkkkkk Adoro vocês..... Olha o deboche, olha o senso de humor....kkkkkkkkk
 Anunciada como a primeira travesti a abrir uma parada gay brasileira cantando o Hino Nacional, a querida Jane de Castro não sabia a letra de cor, como aliás a esmagadora maioria de nosso povo. Um homem ficou segurando o caderno com a letra do impávido colosso. Foi engraçado....
 A DIVINA Lacraia, com um it de Billy Hollyday, arrasou na Parada Gay de Nova Iguaçu. Musa do povão, ao som de MC Serginho, Lacraia é imbatível, uma Diva. A galera delirou de tanto aplaudir. Diversão garantida.... Como eu gostei da Parada de New Iguaiçu! Parabéns...
 Como passar pela vida sem aproveitar? Como não dançar um ridículo casamento na roça? Como não elogiar noiva tão bela, Ladjane? Como não ser amigo e cúmplice dos alunos, em sua juventude por realizar? Como não amar o próximo? Como não celebrar a saúde? Como não louvar a loucura? Não perder a linha com carretel e tudo? Como não ser fraterno? Como não querer distâncias das maldades e das brigas? Obrigado existência.... Por tudo o que já curti. Vem aí mais um campeão de audiência.... Foto da amadíssima Lucinha Garcia. Saravá... Anarriê....
 Há um travesti estudando na Universidade Estácio de Sá, Campus Praça XI. A cara que você fez aí, lendo, é pinto (ui!), perto da cara dos caras que estudam nos cursos caretas, tipo Administração, Direito e Economia, quando têm que dividir o mesmo elevador com o nascido Geovani, agora transformado na fulgurante Giovana. Aliás, foi neste mesmo elevador, lugar suplício que obriga os diferentes a pegar o mesmo bonde, que ouvi a célebre frase: “só tem veado e galinha neste curso de carnaval!”. Eu, lindo, exclamei: “é verdade. Além de veados e galinhas são humanos, fraternos, bondosos, respeitadores dos direitos dos outros poderem ser o que quiserem ser, até ser um babaquara como você. Se espelhe neles e procure ser um ser humano melhor”. Antes que eu tomasse uma porrada do machão, cheguei ao andar de minha aula e fui correndo conferir os longos cabelos aplicados em cachos louros, e um corpinho de sereia, que faz do estranho hermafrodita um sopro de desconcerto, quando ela vai num doce balanço a caminho da sala de aula do Instituto do Carnaval. Tudo bem, eu sei que de perto ninguém é normal, e que todos, ou a grande maioria, dos estudantes de carnaval, são muito, muito esquisitos, como este professor que aqui vos escreve. Somos quase a nau dos insensatos, o bloco das piranhas, mesmo, no sentido da fantasia e da estranheza. Tem aluna-senhora de cabelo rosa choque; tem radialista metido a machão, esquisitíssimo; tem a velha feiticeira negra, Maria Enésia Moura; tem a gostosa rainha de bateria Tatiana Pagung; tem o gordo destaque Maurício; mas entre mortos e feridos, todos estes pertencem, em tese, aos dois sexos tão comuns no século passado. Mas Giovana é docente para o terceiro milênio, quando não mais mulheres, chamarão a atenção por dirigir caminhões. Foi-se o tempo em que o sexo frágil disputava vagas do mercado de trabalho com os cuecas. O desafio agora, parece ser o embate entre o terceiro sexo, o gay power, e os outros dois sexos que, em condições normais de temperatura e pressão, eram a maioria do mundo arrumadinho do papai e mamãe. Não, o mundo não está de cabeça para baixo. Agora é que ele está se aprumando, pois as pessoas podem ser as Giovanas que querem ser, e ainda assim, ter direito a educação, mesmo acendendo o maçarico com sua gliterizada presença. Os europeus já estão elegendo políticos transexuais, mas isto não é nada perto do vereador travesti Kátia Tipiti, que conheci no interior árido do Piauí, em 1997. Kátia e o marido parrudo eram uma referência de amor e união no sertão do cariri, e o trabalho filantrópico dela era memorável, para os flagelados da seca. Eu conheci a Evita da Serra da Capivara. Mas voltando ao jeans apertadinho da ninfeta Giovana, é preciso relatar que a calcinha marcando os glúteos, a fazem uma Raimunda: se não é bonita de cara, é um espetáculo de bunda. E os rapazes sofrem, pois olhar não pode. Mas como não olhar para aquilo? E todos olham, atônitos. Homens e mulheres. E ela passa: só quer estudar, só quer encontrar seu lugar no mundo (que não é nem a calçada, nem a prostituição, nem o salão de cabeleireiro). Serás atendido em breve por dentistas, funcionários públicos e até quem sabe, por um PM traveco, já que a corporação de Bombeiros da Bahia reconheceu o primeiro dependente homossexual, como companheiro de seu taludo “apaga fogo”. Basta ver que o último bastião dos machões na escola de samba, a bateria, já esta sendo freqüentado pelo doutor que se veste de mulher, Samille Cunha, cujo perfume adocicado, enlouquece e inebria os marmanjos da São Clemente. Ainda são exceções, mas aguardem: as unhas longas e vermelhas do caixa do banco, em breve ao contar o seu troco, vai te fazer se perguntar se é “o” caixa ou “a” caixa.
 Quando o velejador Ricardo Winicki, o Bimba, nos disse no Sem Censura que já desviou até de cadáver na Baía de Guanabara, durante os treinos para o Wind Surf no Pan, fizemos cara tão estarrecida que o pintor inglês, que estava sentado ao meu lado, me olhou tipo perguntando o que estava acontecendo, pois ele não alcançou a gravidade, não entendeu mesmo; e tudo o que passou na minha cabeça foi dizer para ele que um presunto havia feito o campeão desviar: “a ham...”, louca de pedra, eu traduzi. E como a tradução seguinte que eu teria que fazer era porta de geladeira, que o magnífico velejador listara em seus encontros inusitados, eu desisti, pois presunto e geladeira dariam a impressão ao intelectual estrangeiro, de que aquilo não era uma baía, e sim um frigorífico....
 Nunca mais teremos corridas de submarino, já que o Vaticano quer acabar com o sexo dentro dos carros. Ícone da juventude, que não tem grana para pagar motel ou só acha isso excitante, engraçado, o automóvel é um quebra-galho maravilhoso e sedutor, para sexo com um quê de apressado. Certa vez, estava mediando um seminário sobre sexo e comportamento, e um dos entrevistados era um professor de sexo tântrico, que discursava sobre o valor do sexo com tempo, com cuidado, com etapas. Nisto eu perguntei, meio que detonando: “Mas e o sexo ocasional? Quem aqui nunca transou em terreno baldio ou dentro do carro, só sexo pelo sexo?”. Foi uma gargalhada geral e quase todos levantaram a mão. Foi quando o professor disse que isto tem o seu valor, mas o bom é demorar e demorar. É, vai ver as rapidinhas não estão com nada mesmo. Outra coisa que me chama atenção na matéria sobre o Vaticano e os carros, são os padres com Renault Megane. Que coisa mais chique! Tá meu bem? O padreco em cima da charrete com sombrinha para se proteger do sol, já era. Agora é teto solar, para ver Deus no céu, meio fumê.. Mas tem um aspecto importantíssimo do documento: é preciso ser mais humilde, no trânsito. Essa mania dos homens, de fazerem do auto uma extensão de seu pênis e de seu poder másculo, tem levando à muita desgraça.
 O filme “Os melhores anos de nossas vida”, sobre agruras de dois cadeirantes, é magnífico, porque mostra que se a vida não é honesta com alguns humanos, nos resta ser honestos com o que acreditamos e com nossa possibilidade de nos superar. No fundo, no fundo, todos nós sabemos que podemos mais, e devemos fazer exatamente isso: dar voz e vida a esta crença que está dentro de nós. Assistam ao filme que está no tele-cine, preparem as lágrimas e os lenços, e superem-se. Vale a pena estar vivo.
 O evangelho segundo São Renan: no começo era o feto; depois a Eva traiçoeira; em seguida o gado dos pastos imaginários; e por fim, nós, eleitores, cuja vida marcada e feliz, já cantada pelo visionários em “Vida de Gado”, nos faz platéia compulsória desta bíblia conhecidíssima, onde o Adão é sempre ingênuo e traído. Quem será a cobra, meu Deus?
 Kelly Key: "Sozinha não dá para relaxar e gozar"
Meu Deus, mas esta grande cantora nunca se masturbou?
 Durante o check-out na recepção do Blue Tree Park de Angra, depois de uma magnífico final de semana, quando 450 pessoas me mostraram, na prática, que o melhor do Brasil é o brasileiro, eu pedi uma xícara de café para a recepcionista, pois já era meio-dia, eu tinha acordado naquela hora, e precisava de meu velho pretinho para me sentir vivo. A resposta: -Senhor, o café da manhã já acabou... -Não, querida, estou pedindo uma xícara de café. Só uma xícara... Não é o cafezão de vocês, cheio de salamaleques... -Senhor, o café no restaurante é até as 10.30 e no quarto é até o meio dia. -Sei querida, mas eu quero comprar uma simples xícara de café... -Teria que ser no room-service... -Mas eu não tenho mais quarto. Eu estou sentado na recepção. Eu quero comprar, pelo amor de Deus, uma xícara de café. -Senhor, o horário... -Dane-se o horário. Eu estou num hotel cinco estrelas, são 12 e 40 de um domingo e eu quero, eu preciso, eu tenho que tomar uma xícara de café, nem que vocês tenham que mandar comprá-la no centro de Angra dos Reis. -Senhor, o horário... Foi quando outra funcionária, comovida com meu desespero, chegou perto de mulher máquina-horário, quase uma mulher timer e disse: -Senhor, aguarde um momento que eu vou mandar ligar a máquina do café expresso que está ali ao lado de sua poltrona... Não é o máximo? Tomei 10 cafés, pensando em Kafka e no surrealismo. Ah, sim. O café era de graça, tipo cortesia mesmo do hotel para os hóspedes indo ou chegando. Coisa de cinco estrelas...
 Sexta feira, de 19 às 24 (ui!) horas, tem minha festa Junina intitulada “Caipirinha do Amor”, totalmente produzida pelos divinos alunos do Terceiro período do Instituto do Carnaval, em nossa disciplina “Projeto de Eventos”. Será uma ferveção inacreditável, pois a musa deste Blog Sammmmiiiyyylllleeeiiii Cunha é, pelo segundo ano consecutivo, e será para todo o sempre, a rainha, musa e miss caipira do referido baile. Eu sou o padre da quadrilha, que dança ao som da bateria. É na quadra da São Clemente, na Presidente Vargas, em frente ao Piranhão (ui!). Desejo que todos os leitores do blog apareçam, e se apresentem: Milton eu sou o fulano de tal.... Quero muito conhecer todos, pois só conheço a mãe da Miss, Bia Alves, a quem homenageio com esta singela fotografia. Ela é minha musa-mãe. E como preciso arranjar título para todos os leitores, quero conhecê-los e fazer fotos, na referida festa-arraial-forró inacreditável, que terá Grupo de Brega, casamento, quadrilha, Bloco da Galinha Chefe e sei lê mais o quê, tenho até medo, às vezes; depois passa. A entrada é franca e começamos a ferveção pontualmente às 19 horas. É que tem programação e os números se sucedem numa velocidade vertiginosa. Botem suas caipiras, e se joguem neste dia 22. Sejam bem-vindos e divirtam-se.... PQP!
 No hotel de luxo, ontem, durante a preparação para o grande desfile de carnaval que eu estava produzindo com 450 queridos empregados de uma grande empresa, descendo as escadas entre o lindo salão e meu quarto, alguém me segurou nos degraus e disse: - Milton, eu sou o Wolfedder... -Meu Deus, o que odeia os gays e os detona no meu blog.... - É personagem, Milton. Não me queira mal. É só para instigar as pessoas... Silêncio. Olho o pequeno rapaz, um menino, nos olhos. Vou fundo buscando a humanidade por trás do personagem, tentando enxergar mais do que está na minha frente. Há batuques de sambas sendo confeccionados. Há gritaria. Correria. Multidão fantasiada. Há um clima de carnaval, máscara, baile, que é perfeito para o ator se revelar. É só uma brincadeira.... penso. Como aqui, como tudo. Como a vida. Respiro fundo e tento voltar ao sábado lindo daquela organização de desfile em tempo recorde. Uma linda menina, branquinha, de cabelos meio avermelhados e totalmente Bete Balanço, se pendura no pescoço do pequeno Wolfeder, e me diz, consciente: - Deixei de falar com ele por causa daquelas agressões no blog. Não é real? Tudo é verdadeiro? O sonho é agora? Estarei dormindo? Quanto há de verdade nesta estranha realidade de encontros que vivo. que vivemos? -Não se preocupe, querido Wolfeder, entendo que existam provocações... O que é Wolfeder? O que significa? - Wolf é lobo, em inglês, e Feder é da minha vó. Minha homenagem à ela... Me lembro que a pessoa que o respondia, e dizia conhecê-lo, o agredia muito, ao escrever respostas e denunciá-lo como quase nazista. Sorri em meu personagem, magnânimo, e fui me afastando como grande Diva, que não registra, não sente, não vê. Mas a cada degrau mais distante deles, mais próximo estava eu mesmo, do lobo e da avó, num encontro de devoramento, onde um, espadaçado, comido (ui!) vai parar, literalmente, nas entranhos do outro. Eu vi o lobo e a vovozinha, e eles estavam felizes, eles eram a chapeuzinho vermelho! Perto desta eterna dúvida, sigo matutando cá com meus strasses: quanto de real isto aqui é? - Milton, publique no blog o nosso encontro... Vou gostar de ler... É todo para você, pequeno lobo traiçoeiro e igualmente indefesa vózinha. Em tardes de folias inebriantes, eu, Minotauro, a me debater, aprisionado neste labirinto...
 Milton Tô aqui na redação, no meio do feriado, meio de bobeira, vi sua coluna no Dia e me lembrei de que estou para te escrever, há muito tempo, para agradecer as boas gargalhadas que você me proporcionou na crônica sobre sua excursão de ônibus por Lisboa e arredores. Fiz o mesmo passeio. Mas morri de inveja de não ter tido a mesma guia. Abraços Xexéo
Queridíssimo e amadíssimo Xexéo, Meu vizinho de Peixotão... Então estou te retribuindo as milhões de gargalhadas e milhões de pensamentos que tenho, há anos, com sua verve, seu estilo inconfundível de redigir, enfim, minha inspiração. O que é minha guia portuguesa doida, perto da sua chacrete incendiária para sempre desaparecida ou suas fitas bananas? Professor, aceite minha confissão: quando eu crescer (e emagrecer), quero ser como você. Mil beijos.
 Mais uma vez se confirma o micro-cosmo que a moda é, representante legítima do macro-cosmo da sociedade, refletindo com todo o esplendor as crenças e valores das pessoas que a cultuam: bastou um Oxalázinho surgir na passarela, pra levantar a platéia fashion nariz-empinado, que como os mais simples dos brasileiros, têm o pé na cozinha. Se uma grife gasta milhares, contrata Giselle e explode na mídia, a outra gasta centavos, tem uma boa idéia, e toca o coração da galera que adora roupas. É que ninguém resiste a um Omoluzinho, ninguém se segura quando uns atabaques tocam. Paris é o máximo, Tókio, Milão e Nova York, tudo de bom; mas é no Cantois e no Opô Afonjá que está enterrado o axé da nação, e todos os que buscam brasilidade se enxergam na negritude. Mesmo os que não assumem, mesmo os que discursam ao contrário. Porque na tenda coberta, fechada, com o som e as representações, a força do transe faz bolar até os que arrotam caviar. No fundo, no fundo, a Complexo B sabe que ninguém resiste a um bom Exu.
 Singelo, levo com minha amiga seu pimpolho à sessão da tarde do teatro num barulhento shopping do Rio. Temendo que uma das crianças me reconhecesse como uma Xuxa mais velha, esperei o coió, como no dia em que fui passear no zoológico da quinta da Boa Vista com meus amigos esquisitos, de cabelo colorido, e nas nossas costas uma criança disse: “mamãe, olha os veados...”. Foi um constrangimento, pois não sabíamos se eram os animais nas grades, ou nós, descobertos pelo moleque. Nenhum de nós virou para checar a informação. Como são fofos os pequenos! Sempre desconcertantes. Voltando ao teatro, como a peça atrasou, o filho de minha amiga, batendo palmas, puxou o pedido de “começa, começa, começa...”, e eu, olhando a cena pensei “ih, que garoto líder, vai dar a maior trabalho quando crescer...”, só que não passou meia hora de peça e ele começou a botar as manguinhas de fora: na hora da interatividade com a platéia, uma atriz vestida de cozinheira, colher de pau na mão, e um bambolê significando uma panela de comida, desceu do palco e rumou em direção ao pestinha da minha amiga: “quer um pouco de feijão?”. “Não, quero que a porra desta peça acabe porque ela é muito chata....”
 Todo o esplendor dos bailarinos brasileiros, com excelente preparo técnico e nível de execução da coreografias muito bom, se manifesta no palco do Municipal do Rio durante a temporada de Coreógrafos Brasileiros. Mas várias coisas muito esquisitas rodeiam esta quadro lindo dos esforços individuais: a platéia não prestigia (falta de dinheiro? Divulgação meia-bomba? Ballet não atrai grandes platéias? Medo de sair a noite na cidade? Tantas explicações), mas dentre os que estavam lá, grandes grupos de crianças e adolescentes com toda a pinta de bailarinos, gritando e aplaudindo os tarimbados que parecem ser sua inspiração, portanto, o martírio de ser bailarino no Brasil, que ganham salários irrisórios e dedicam suas vidas à dança, está assegurado, para o bem e o mal (conversei com alguns profissionais que me contam o quanto ganham, fizemos comparação com bailarinos de companhias internacionais do mesmo porte, e quase choramos: uma porta bandeira de escola de samba ganha mais, muito mais). Mas quando sopra a coreografia Novos Ventos, de Roseli Rodrigues, aí o Municipal treme de virtuosismo e qualidade: folhas secas fazem um tapete sobre o palco, usado pelos bailarinos para deslizarem lindamente. É um tal de roda pra cá,roda pra lá, fazendo barulho nas folhas secas, uma delícia. E quanta sensualidade, quanta alegria brasileira, quanta capacidade de encantar, entreter, seduzir. Movimentos originalíssimos compõe um quadro ao mesmo tempo bom e ruim: nossa dança é talentosa, mas falta muito dinheiro para dar a ele dignidade e paz de espírito. Se isto vier, um dia, ninguém nos segura.
 Fui assistir a gravação do DVD da divina Ivete Sangalo no Maracanã. Interminável, maçante, músicas repetidas a exaustão, invasão de maquiadores, cabeleireiros, convidados breguésimos, um horror de chato. Fui no dia dos namorados assistir a gravação do DVD de Caetano Veloso, na Fundição Progresso: ágil, direto, na medida, só pouquíssimas repetições, um luxo. O vovô está com tudo, sua platéia, impensável, super paquitos e paquitas, com o astro dançando de forma muito pessoal no palco, cheio de assinatura e irretocável. Donde se conclui que pesa sobre Ivete uma máquina pop que precisa ser enxugada, para deixar florescer a estrela poderosa que ela é. A embalagem está muito enfeitada. Só maquiagem e cabelo básico, e deixa rolar que vai ser uma delícia. Temos que aprender com os mais velhos, aliás, como a quarenta anos mais jovem namorada de Ce; mas certos de que o garoto ali é o baiano charmoso.
 Ih, menino, esta utilização de tipos de peixes para exemplificar o destino, que o Presidente Merlin Lulói fez, dizendo ser seu irmão um simples lambari (coitadinho), numa pescaria que almejava um cardume de pintados, é velha como D. João VI. O monarca, ao ser obrigado a partir do Rio de Janeiro para Lisboa, teria dito ao destino: “dei-te uma sardinha e recebi em troca uma tainha”. Como vemos, entre peixões, peixinhos (sem esquecer jamais as piranhas, ui!), os poderosos do Brasil têm se movimentado com os perigosos tubarões. Aliás, assim como parentes de grandes astros populares, tipo “sou filho de fulano de tal”, “sou neto do beltrano” (exclamação a qual devemos responder com a singela pergunta “mas qual é o teu talento?”), é interessante imaginar a pose de um parente de presidente da república! Nem precisa fazer nada, é só ficar impoluto, parado, que já é o máximo do mínimo. A criatura é íntima do mandatário da nação, e por ser tal, já é muito. Ou seja: nada, mas pode...; o quê, ninguém sabe....
 Arrasado, indignado e despeitado com todos os outros blogs deste jornal, que vira e mexe sorteiam mimos para seus leitores, eu, lacraia pobre e sem patrocinadores, me lanço ao desafio de ofertar também um mimo a este séqüito de desocupados, que de seus escritórios vivem me infernizando 24 (ui!, aqui, até o dia é 24!) horas por dia: a amada Cláudia Cecília sorteia livros, o outro sorteia CDS, a outra, Gibis raros e alternativos... Portanto eu, Rainha da Cocada Preta, Priscila do Viaduto do Chá, Viscondessa do Cais do Porto, Dona Beija da Gamboa, e tudo o mais que couber neste balaio de gatos, sorteio uma.... NOITE DE SEXO SELVAGEM E ANIMAL COMIGO MESMO, EUZINHO, QUE NÃO SOU UM SER HUMANO, SOU UMA BRITADEIRA SEXUAL, UMA LAVÍNIA CENTRÍFUGA WESTINHOUSE (desde criança adoro esta denominação, mas nunca comprei a tal máquina). Agora, refeitos do terror e pavor que tal oferecimento causou, só resta a vocês saírem de fininho, para que nenhum corra o risco de ser o agraciado (agraciado?) com tamanha bizarrice. Só espero que o pior de vocês, a desgraça do século, não vença certame tão disputado, o que me obrigaria a cumprir promessa tão impossível de ser cumprida. Saravá. Corram, mas corram para bem longe, porque ninguém merece o paraíso de desfrutar de minhas curvas da estrada de Santos, quando este balneário esquisitíssimo ainda era o refúgio de Luz del Fuego pré Paquetá. E tenho dito....
 O perigo do Fashion Rio ser onde é, é a quantidade de sobe e desce de aviões bem do ladinho: se um deles cai ali, sobre as tendas, desaparece de uma só vez as mais esquisitas pessoas do Rio de Janeiro. Vai ser uma perda inestimável, tão grande quanto as desgraças do Osama Bin Ladem com os aviões do World Trade Center. Mas que aquelas turbinas poderiam abduzir uns ets que vimos por lá, lá isso poderia....
 O presidente da Associação Brasileira de Antropologia, Luis Roberto Cardoso de Oliveira, falou ontem no Sem Censura que a “ética alternativa”, vulgarmente chamada de “jeitinho brasileiro”, está presente no caso Furacão, pois só os advogados dos magistrados puderam entrar no presídio para falar com seus clientes, enquanto os outros presos não tiveram a mesma sorte, e ele acha que isto supõe uma aprovação, uma aceitação social não oficial, mas real na prática, de que o alto escalão do país sempre se dá bem nas paradas. Basta ser colarinho branco. Agora vem a pergunta sobre este mesmo tema, que não quer calar no mundo do samba: Por que os bicheiros permanecem presos, se todos os outros conseguiram a liberdade? Será que os contraventores são piores que os desembargadores, políticos e todos os outros que foram indiciados? Nós já sabíamos que no Brasil só vai preso quem é preto e pobre. Agora podemos colocar mais gente neste dito popular: No Brasil só vai preso preto, pobre e bicheiro. E se pensarmos que os bicheiros operam dinheiro da contravenção, enquanto empreiteiros e políticos operam dinheiro público, adivinhem como fica a cabeça dos sambistas? Muito estranhas estas manobras jurídicas, que libertam todos os poderosos, menos os poderosos bicheiros. Segundo o antropólogo, tal ética particularista, elimina a ética universalista que conhecemos, de que todos os cidadãos são iguais perante a lei.
 O alto executivo, vestido de maneira improvável, tipo modesto mesmo, mas me levando para fechar um grande contrato, numa grande empresa, me conta que faz povoamento de talentos nas empresas, e o termo povoamento me leva a antigos desbravadores, assentamentos, colonizadores em terras desabitadas e inóspitas. Uma profissão da modernidade, o povoador de empresas. Engraçado até. Pergunto-lhe como ele encontra talentos, e ele responde que, dependendo do cargo, busca a “formação primeira” dos candidatos. Pois pelo perfil e currículo, que ele me explica, é a “formação segunda” da pessoa, o que estudou, e portanto uma formação adquirida que não é tão determinante quanto a tal da formação primeira, a formação do caráter, as características da personalidade, estas sim, fundamentais. Porque os cursos e os conhecimentos adquiridos ele pode fazer as empresas pagarem para os candidatos bons em primeira instância, mas sem a formação desejável para o cargo. Mandam jovens estudar fora, aprender línguas e estratégias sofisticadíssimas de marcado, desde que tenham as condições pessoais para a futura ocupação. Fascinante, não e? Fiquei ali, interessadíssimo, ouvindo-o falar deste ramo dos negócios, que valoriza o humano, busca as entranhas dos aspirantes ao posto, e até investem, patrocinam a formação, pois conseguem intuir, vislumbrar que aquela alma será um grande executivo. Um mundo dos negócios moderno, interessado na perseverança e na.... resiliência. Palavra chave, ele me explicou, para entender este mundo: resiliência é a capacidade que os metais têm de se deformarem, e voltarem depois a forma original, várias vezes. E este é o “x” da questão: humano bom é aquele que tem resiliencia, aquele que não perde a luz inicial, interior, mesmo com as porradas ou baques menores da vida. Ele me diz que profissionais bons são os que tem capacidade de segurar longas negociações, sem perder a positividade. É preciso acreditar em si, perdendo ou ganhando. Não acreditar nunca que se é o pior ou o melhor, por causa dos resultados imediatos. Os degraus de uma carreira, passos de uma existência, quando ficamos em primeiro ou último lugar, não devemos nos achar nem rei da cocada preta nem a ultima das criaturas; retire destas experiências o melhor que possa, sem nunca perder as qualidades do caráter que são o melhor em você: generosidade, fraternidade e consciência de limites, limites em todos os sentidos.
 No Fashion Rio, uma senhora loura voou em cima de mim, falando pelos cotovelos: “Milton, eu moro em Nova York, mas aqui sou amiga do Pelé. Lá na América, onde moro, trabalho com festas e eventos. Sabe que uma vez, conversando com o Pelé, eu contei pra ele um enredo de escola de samba que eu criei e...” Quando a Novaiorquina ia começar a desfiar seu rosário insuportável, surge Lili, do programa da Lili e me salva da roubada. Luzes acesas, começamos a entrevista: “Milton, é bom vir na Feira de Moda, né não?”. “Lili, é ótimo pra ver a flora e a fauna esquisitíssimas do mundo fashion. Aliás, Lili, se gritar pega veado, sobram pouquíssimos. Os homens heterossexuais são raríssimos”. Depois de muitas gargalhadas, acaba a entrevista e eu volto ao meu lugar, agradecido por tudo ter voltado ao normal. É quando a voz da poltergeist vem do alto, surge do nada, sobre meus ombros, anunciando o apocalipse: “Só para concluir, como eu estava te dizendo, eu moro em Nova York e sou a miga do Pelé, e quero te contar o meu enredo que ele me sugeriu que eu contasse para um carnavalesco...” “Minha senhora, volte para Nova York, leve o Pelé junto, e faça um desfile no Central Park”. Eu moro no Rio, e orgulhoso, deixei a novaiorquina no vácuo....
 A Juíza Sifuentes fez os parlamentares “sifu”. Acho que a divina Mônica raciocinou que tem que pagar a tal da verba indenizatória são os políticos, para todos os cidadãos brasileiros. Pela vergonha de receberem a bagatela de 15 mil para despesas extras, não contando como extras, acreditem, aluguel de moradia, passagens de avião e coisas do exercício do mandato parlamentar. Então, vem cá, o salário é pra que? Ah, sim, é para eles pagarem a pensão das gestantes. Agora entendi. Sem contar que reajustam os ganhos em trinta por cento, porque as gestantes custam muito caro.
 E já que Mahatma é a grande inspiração de sua política, pensei nas armadilhas de um figurino: imaginem Lulinha com as vestes brancas, os drapeados de gazes e voils, molengos, indo e vindo de seu corpitcho pra lá de.... não fazedor de jejuns. Pneus em profusão, cajado desajeitado na mão, falta de contemplação, olhar não calmo, não contemplativo, não sábio das coisas misteriosas deste mundo. Será que neste caso, querer não é poder? Sei lá! Só sei que o nome de Gandhi é invocado em vão por muitos neste planeta, mas a elegância da criatura original, e entenda-se por elegância tudo, absolutamente tudo, era imbatível. Ele era O CARA! Viveu e morreu elegantemente por seus princípios. E parece que príncipio não é algo que se queira ter, espelhar, ou se inspirar. Quem tem tem, e ponto final. Quem não tem pode, no máximo, aplaudir e admirar. O resto é discurso, e a impossibilidade de envergar a indumentária.
 Me jogo no balcão do Amor aos Pedaços, ávido pelo “melhor bolo da face da terra” e me pendurando no ombro da balconista, peço exatamente isto. Ela pula de susto e começa a palhaçada entre eu e elas, as tres funcionárias. Me servem uma coisa que dizem ser com farofa de algo, massa de algo e cobertura de algo com salpicos de algo. Era exatamente o que estava procurando. Enquanto como a outra cliente que estava fuçando no balcão, não quer nada e sai de fininho. É aí que as empregadas da doceria me servem o seu melhor: -Vai lá a suburbana.... Eu- Como? -Suburbana é quem pergunta sobre os 40 itens que temos em exposição, e não leva nada, não come nada e não compra nada... Eu- (Só em pensamento) Mas vocês são suburbanas.... - Isso quando as desgraçadas não pedem uma fatia tão fina, tão fina, que a coitada da fatia não consegue nem ficar em pé no prato... Eu- Quase uma membrana... (Penso que a venda por peso tem destes problemas) -Isso quando não reclamam que é tudo caro... Terminei meu melhor bolo da face da terra e me despedi das malucas funcionárias de uma doceria que realmente, é maravilhosa. De comer de joelhos, quando não se é suburbano. Risos.
 Sonhos eróticos com perigosíssimo marginal, corpão, de sunga grifada bacana, arrastado pelas vielas de guetos abandonados pelo Estado. Nestas estações de uma novíssima Tentação de.... EU, vou passeando por um suplício que sabe ser arriscado sequer pensar, quanto mais confessar. Mas estamos aqui para publicar o impublicável, achando que passa pelo fetiche do outro, também, a explosiva atração pelo carrasco, uma Síndrome que deixa de ser de Estocolmo e poderíamos chamar de “Complexo do Alemão”: o tesão irresistível das cenas de guerra da cidade maraperigosa. Algozes morenos, peitudos, seminus, para deleite de vários tipos de platéia, e para provar o desarme, enquanto outras armas pululam de lycras cretinas, que marcam os flancos e indicam os volumes. Vontade de ser um forro de cueca: coisa pequena, pouca, rasteira, mas vontade, e daí? Como se fôssemos feitos de grandezas 24 horas por dia. Não somos, e prefiro a guerra das outras armas. Deveriam aboliar as escopetas e AR-15 e privilegiar tais canhões de Navarone, ui! Quanta besteira, minha Nossa Senhora. Ajudai-me a aplacar tais sentimentos e desejos pecaminosos, mas não me tirai a chance de sonhar com o arrastado jogado na traseira (ui!) do Camburão. Eu, idiossincrasia de mim mesmo, nos porões do inconsciente acusado, alvejado, apontado e orgulhosíssimo de me eleger Milton Camburão....
 Se deus criou a mulher... o buraco da lacraia cria sua musa, primeira, única, inatingível. Meio serpente meio maçã, esta Eva e Adão reunidos num só corpo, abalou a estrutura do blog, foi a mais votada, mais até que Emilinha e Marlene, e entra para a história como... sei lá... isto não tem a menor importância, entra para a história e pronto. Salve Sammyylleeyyii Cunha (êta nomezinho difícil, será que é numerologia?), MUSA DO BLOG e unanimidade em luxo, originalidade e simpatia. Namorou Saddan Hussein e foi amante, ao mesmo tempo, de Osama Bin Laden. Perdeu a virgindade nas colinas de Golan, ainda para Matusalém. Produto do cruzamento de botox com silicone, patrocinada por pneus pirelli, salve-se quem poder. Se este espaço já era da pá virada, a pá de cal agora é chegada.... Ui! Avantes, companheiros, rumo a.... rumo ao infinito, pois através de meus óculos laranja, o mundo é uma sukita... Sarava....
 Ziraldo deu uma banana enorme para Al Gore no Sem Censura. Disse que não acredita em nenhuma palavra do líder norte-americano; e que sabe, por trás das palavras, estar o desejo de internacionalizar a Amazônia. O que vocês acham?
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