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Milton Cunha

Terça-feira, 31 Julho, 2007

Sonata de Outono!


Bia Alves lamenta o desaparecimento de dois grandes diretores do cinema mundial. Eu também. Vi alguns Antonionis mas vi quase todos os Bergmans, entre 13 e 18 anos. Ele me ajudou a crescer. Me mostrou o complexo mundo dos adultos, ao qual eu já pertencia. De Bergman, o meu preferido é Sonata de Outono. O embate entre duas mulheres adultas, suas queixas, ressentimentos e lacunas. Uma mãe pianista, estrela de sua profissão, que passou e passa a vida viajando. Uma filha cheia de recalques, dor, e desejos de ter uma mãe normal, comum. A velha dama não abriu e não abre mão de sua realização profissional, e dentro da primeira classe do trem, passando por uma cidadezinha do interior, ela diz: “Ao ver os pontos de luz das cozinhas das casas acendendo, penso na vida comum das famílias que moram dentro destas casas. Nunca pertenci a este distante universo. Minha vida foi as salas de concerto....” A solidão estratégica do reconhecimento, do talento, da arte. Em contraposição à vida mediana da filha, exatamente uma dona de casa como tantas outras espalhadas pelo mundo: a grandeza de se ser simples, de amar um marido normal, de ter uma vida sem sobressaltos e aplausos.
E o filme: durante um outono, as duas vão se engalfinhar em busca de respostas, perguntadas pela filha e, segundo a mãe, sem soluções. Meu momento preferido: a diva está ensaiando ao piano, a filha está sentada ao lado, e aí vem a pergunta definitiva da esmagada: “será o fracasso da filha, o triunfo da mãe?”. Longe do palatável mundo de mães boazinhas, o filme se move num mundo real, de queixas e lamentações, verdadeiríssimas, cujas mulheres estão presas entre o ser e o fazer. Pesa sobre elas a necessidade de abrir mão da carreira para estar presente na vida dos filhos. Tudo isto levemente deformado pois trata-se de uma estrela. Mas longe disso, são queixas normais que ouvimos: “você não foi me buscar na escola....”. As mulheres de Ingmar são plausíveis, e os homens flutuam ao redor deste universo, calados e observadores. Salve Ingmar Bergmam, cineasta, companheiro de minha adolescência, quando descobri que na Ilha do Marajó ou na Suécia, tudo só muda de endereço, mas parmanece vibrante e inquietador.


Segunda-feira, 30 Julho, 2007

A Bagaceira....


Na página da Marisa, mãe da diva mirim, Sylvia, vi um depoimento de uma amiga dela que diz que elas freqüentavam o Escravos da Mauá, tradicional samba de beira de rua, reduto boêmio da Gamboa. Aí, me deu uma vontade louca de sugerir o próximo encontro nosso fosse numa destas ruas festivas. Confesso que penso em algumas, mas gostaria de ouvir as sugestões. Vamos lá, Lacraiudos, em qual bagaceira será a próxima Convenção Lacraia? Cartas para a redação....

Prá que serve leite condensado?


O Dia - Neste período, foram consumidos no refeitório da Vila Pan-Americana, entre outras coisas, aproximadamente 4 toneladas de leite condensado.O alto consumo de leite condensado se deve, principalmente, pelo sucesso do pudim de leite entre os atletas e freqüentadores do refeitório. A sobremesa era produzida diariamente.

Sei, então tá... Duvi-d-odó que não desviaram uma latas para outro tipo de sobremesa.... (ui!). Imagino outros pudins.....

A professora legal....


Uma bacana professora de Geografia de escola municipal me conta, na sala de espera de nossa doutora, que dá aulas para a comunidade de Rio das Pedras, numa escola da Barra. E que alguns filhos da classe média alta, vão parar lá depois de muito aprontar nas suas escolas particular de origem.
-Ah, é um castigo para eles, que terão que estudar em escola pública...
-Não, Milton. O castigo é conviver com os pobres. Estudar é o de menos. Ter que conviver com pobre é que é a grande queixa...
E ela me conta que, na sua opinião, fora as escolas Classe A, poderosas, para ela todo o resto é igual e todo o resto apresenta problemas. Na opinião dela, os pais deveriam matricular seus filhos, caso tivesse vaga, em escolas públicas boas e reconhecidas, e pagar por fora curso de aprimoramentos, tipo informática e língua estrangeira. Mas me diz que isto seria em condições ideais, mas que na real não é assim. Fala que estes jovens são educados para um Brasil mítico, isolado em bolha, e que a convivência entre as classes seria o ideal, para formar cidadãos conscientes das diferenças de sua sociedade.


Domingo, 29 Julho, 2007

Tributo à Samilly, musa do Blog!


Atriz de rara beleza, desta vez a bela ganhou o papel errado: teria que encarnar a feíssima e terrível infanta Bourbon, a famigerada Carlota Joaquina. Investida de um esforço espanhol, quando a nossa Musa viu que não dava para ela, tentou o contrário: compôs uma rainha Sedutora fisicamente, cheia de silicones e pneus pirellis, e sedutora no trato, pois distribuiu sorrisos, tocou o seu tamborim e rodopiou feito o furação Catrina na quadra. Se perdeu em laboratório dramático, reinou absoluta em glamour e presença de palco. Ovacionada pela multidão que queria-lha um autógrafo, ou mesmo uma dedada, Samilly mais uma vez matou a cobra e mostrou o pau (ui!). É musa absoluta deste blog, cheirosa, poderosa e só ela capaz de pronunciar a definitiva frase: “Morra de inveja, Barbie!”. Só deu ela, só ela deu.... Deus do céu!

Só deu elas! Só elas deu....(ui!)


Havia uma mulher vagando pela festa, uma tal de Maria Louca. Numa performance admirável, a atriz que a interpretava, Bia Alves, arrasou na caras e bocas. Olhem a expressão da interprete nesta foto! Enquanto isso, sua filha, destalentada para as artes dramáticas mas sobrando-lhe beleza, esteve sempre bem na foto, na fita, e na foda, pois bela é bela, não precisa saber falar e acabou. É preciso dizer que o Prêmio de Interpretação Feminina do Ano vai para Bia Alves. Samilly ganha a Framboesa de Ouro, e mais o contrato para posar nua e o posto de apresentadora do Super Pop. Eu e D. João, até que tentamos alguma coisa, mas a noite, definitivamente, era das meninas. O mar não estava para peixe, e sim, piranhas!

Foto pro Blog! Um sufoco...


Cruzes! Só posso dizer que foi um empurra-empurra desgraçado, quando o fotógrafo gritou: “foto para o blog!”. Foi um Deus nos acuda, e quase que eu, estrelíssima, fiquei de fora. Consegui pegar um canto ali no cantinho. Fui empurrado pela tsunami de alegria, difícil de conter. A geléia se arrumou assim, da esquerda para a direita: Lilian Guttman, Milton Cunha, Madson Oliveira, Bia Maria a Loca Alves, Samilly Carlota Joaquina Cunha, Renata C, Maridón e quase caindo para fora da foto, Márcia Helena. Como gostam de aparecer, os lacraiudos. Qualquer dia, nem eu consigo mais uma brechinha. Criei as cobras (ui!) agora, eu que as cuide.... OS: O que seria da vida sem pessoas como vocês?


Quinta-feira, 26 Julho, 2007

Assim na terra como no céu!


O DIA - Lula diz que entrega a vida a Deus quando viaja de avião.

Podia fazer o mesmo, quando estivesse em terra, né não?

Beleza que põe mesa!


O que sente um homem comum, diante de uma gostosona capa da Playboy? Suponho: “pô, muito gata; boa de pegar de vez em quando, mas a dona encrenca tem lá o seu valor!”. Por outro lado, as mulheres normais, quando se deparam com um príncipe encantado, pensam o que? Eu acho que elas dizem para si mesmas: “bom pra uma noite de contos de fadas, mas o sapo que tenho em casa, tem lá os seus encantos”. Penso nisto pois assisto muitos programas de culinária e a impressão que sobra, tem tudo a ver com estes mitos citados, pois termino dizendo: “tudo muito bom, tudo muito bem, mas estas comidas só de vez em quando, pois no dia a dia quero o meu bom feijão com arroz”. Imagino impossível um cotidiano enfeitado de endívias, vinagres balsâmicos dando sopa pelos cantos, finas ervas da Macedônia em vez do diário coentro. W e Y são letras sedutoras, mas nada como o bê-a-bá. Já pensou nossas vidas nessas cozinhas que parecem um hospital? Porque todo programas gastronômico tem cozinha impecável, e conjunto de panelas espelhadas, novinhas e prateadas. O bom da vida é o manuseio, e os amassados e pretinhos, nos cantos, que vão ficando com o tempo. Quebra uma alça aqui, despenca um cabo, acolá. Mulher de capa de revista não tem pedaço quebrado ou deformado pelo tempo. Portanto são iguaisinhas ao cenário por onde os chefes se movimentam. Faltam-lhes um passado, quando tenham sido ariadas por várias vezes. Só enganam rapazes muito jovens, ou velhões endinheirados, que possam mantê-las intocadas. Homem comum e mulher normal sabem que companhia boa é aquela que não está sempre na pose, que você pode (e deve) jogar na parede de vez em quando. Tem que ter quilometragem rodada, e não eterna cara de que está precisando, sempre, de teste-drive. Tudo isso para dizer, que adoro o mau humor da belíssima Paula Toller, quando detona os elogios dizendo “querido, isso porque você ainda não me viu acordando de manhã cedo!”. É isso, Paulinha: cozinha de cenário e príncipe encantado não acordam, porque nunca dormem. Não precisam destas coisas simples, não são humanos. São construções míticas, inatingíveis. Entendo sua recusa de ser tratada como capa-de-revista, e desejo-lhe um companheiro que, mesmo te vendo acordar, com remela nos olhos e despenteada, ainda assim te ache linda. Esta é a vida: nas cozinhas verdadeiras, pode ter uma peça novinha em folha, de vez em quando, mas todo o resto é usado. Desconfie sempre das pessoas intocadas: panela real é que faz bom caldo.

Orixá não entra!


Peço encarecidamente à TAM, em público, que no dia que eu morrer, a bordo de um de seus aviões, que convoque para o culto ecumênico de seu pesar por tantas mortes, um líder religioso do Candomblé, pois sou um dos milhões de brasileiros que me vejo refletido nos Orixás. Quero, ao lado de Buda e Jesus Cristo, que meu Exu esteja no altar. Quero vê-Lo, reconhecê-Lo, e confortar meu espírito desencarnado Nele. Não é justo que além de morrer, veja, no além, todos os mortos praticantes de outras importantíssimas religiões, conversando com seus Deuses, e eu lá, sozinho, sendo obrigado a fazer o que sempre obrigaram meus irmãos negros a fazerem: fingir que falar com o Deus Católico ou outro Deus, seja a mesma coisa que falar com meu Orixá. Não é. Quando é que os cultos afros vão sentar ao lado das religiões dos brancos ricos?

Comprem ações da INFRAERO!


Você compraria ações da Infraero, sabendo que a primeira providência é fazê-la continuar na máquina do Governo? Para sempre, 51% das ações, ou seja, as decisões, continuarão na mão de Brasília, o que significa que os mais desqualificados amigos dos ministros continuarão a ser postos nos cargos mais importantes. Fora isto, em 2004 todos acharam que não era hora de abrir o capital, pois a crise estava desvalorizando os papéis. Agora pode! Agora pode? Pois é. Na verdade, agora é obrigado, pois tem que surgir 20 bilhões de algum lugar (e dinheiro aqui só sobra para comprar boi ou criar novos cargos no governo); mas fala-se em agora pode, que a valorização está tinindo, e a gente finge que acredita, duas tragédias depois. Mais uma sedução: a empresa tem o monopólio da atividade. Não há concorrência, não há fiscalização, não há competição. Bacana, né? Última coisinha: os cálculos estão sendo feitos, contando com o ovo na galinha, ou seja, em seis meses ninguém se lembrará que um dia houve caos aéreo no Brasil. Promissor. Comprem, pois, suas ações!

Sem esquina e pé-sujo!


Visitando a Vila Residencial do PAN, já pensei naquele mundinho sendo habitado por famílias cariocas. Claro que lá tem problemas, como os mosquitos, mas eles estão em toda a Barra. Mas que o lago central com seu jeitão Miami de ser é belíssimo, ah, isso é. Como é grande, arejado e encantador. O que me incomoda nestes condomínios, é que não tem esquina, no sentido de boteco pé sujo. Onde é que estas pessoas tomam um pingado, vêem ovo cor de rosa ou folinha de mulher nua na parede e estátua de São Jorge Guerreiro? Acho que o espírito carioca não está nestas construções, e acho que o melhor negócio seria abrir nas lojinhas chiques do térreo, um pé sujo. Com nome de pé sujo, porque um que se preze, não pode se chamar “Coconut Groove” ou “Dirty foot”.


Quarta-feira, 25 Julho, 2007

Samylle Cunha é Carlota Joaquina!


Sexta feira, na Quadra da São Clemente, às 22 horas, é o lançamento do Enredo para o Carnaval 2008. Vai ter bateria, vai ter cortejo desfilando com a inacreditável Musa do blog e Musa da Escola, Samylle Cunha, interpretando a déspota Carlota Joaquina, e seus alunos de Moda da Veiga, e meus alunos do Instituto do Carnaval, interpretando a Corte Joanina. Gostaria de convidar todos os lacraiudos do Blog para passarem por lá e me dar um beijo, e fazer fotos com os fantasiados para que eu possa mostrar para quem não foi, a ravissante loucura da noite.
Mil beijos, espero vocês lá, na noite do
“O Clemente João VI no Rio, a Redescoberta do Brasil!”.


Terça-feira, 24 Julho, 2007

Falta Gás....


Apagou a tocha do Pan. Será que a Ceg cortou o gás? Saravá.....

Para Dedeca!


Dia amanhecendo, em frente à União da Ilha do Governador, final da noite de sambão. Para quem não conheceu, deixa eu explicar o que significa “em frente à quadra”: do outro lado da rua, no terreno baldio, naquele tempo (1998) chão de terra batida, montavam-se uma 15 barracas de feira e aquilo virava uma quermesse de cidade do interior, com muita pinga. Lá terminávamos o sambão, com a bateria saindo da quadra e invadindo as barracas, por volta das 6 da manhã, eu do alto de meu queijo com rodas, liderando a multidão de desgovernados. O dia estava amanhecendo, tinha chovido muito, e a lama vermelha e as poças eram totais. Estou eu, bebendo minha saideira, sentadinho perto do lamaçal, na barraca de minha querida Tia Dagmar (até hoje minha conhecida), quando uma bicha cabeleireira chatésima, completamente colocada, depois de muito me encher o saco, puxou a cadeira para sentar em minha frente e me alugar. Ao tentar sentar, puft!, a cadeira virou e a pobrezinha foi parar dentro do lamaçal, ali adiante, sem deixar o copo da carveja entornar. De dentro da poça, equilibrando o copo, sem condições de se levantar, pois ela estava, como direi, encaixada na lama que a cercava, afundando cada vez mais na areia movediça, ela nos dizia, sem se mover: “a Padilha me derrubou.... a Padilha me derrubou!” Padilha ou cachaça? Cachaça ou Padilha? Não importava a resposta, estávamos, no lusco-fusco da manhã tentando desatolar a pobre da cabeleireira, que atribuía à uma rasteira da entidade em sua cadeira, a desgraça sofrida. Um grupo de alegres, tentando desatolar uma Padilha para que a gira continuasse o seu fim inenarrável. “A Padilha me derrubou!” virou mantra de meu grupo para sempre....

Lukalu tenta compreender o mundo dos adultos....


Esta foto da querida Lukalu me recorda o que mais amo nas crianças: os olhos de surpresa perante o mundão de Deus. Adoro supor o que pensa uma criança, se pensa ou não precisa pensar, pois o mundo que a rodeia já é muito estimulante e maluco. Salve a amada e louca Luciana Lukalu, espantada com os mistérios da vida, que depois iria compreender (ou não). E quando espoca o flash, que o rebento cai no chororô? Um sucesso. Reparem no cabelo, pentiadíssimo, nos braços que se abrem para as mãozinhas agarrarem os braços da cadeira! Menina firme, esta. A-do-ro a estampa cangaceira da salopete. O máximo, e já defensora das raízes brasileiras. Lu, me responde: tem um colar de bolas verdes, acima do decote, é isso? Acho que não. O que é? Fora isto, você estava tentando balbuciar algo, só no bocão, hein, querida? Linda, linda a Lukalu: seu exemplar é a estupefação das crianças diante dos loucos adultos. Sem contar, que para esta foto chegar, teve que dar a volta ao mundo. Foi uma saga, mas chegou. Bia Alvez a resgatou nas montanhas do Paquistão. Saravá....


Segunda-feira, 23 Julho, 2007

Firma veado!


Já que O DIA tem o Blog “É o Bicho!”, acho que vou rebatizar-me de “É a bicha!” Aliás, adoro o nome da jornalista responsável, Gislândia Governo. Nunca quis ser Governo, mas Gislândia é bem bacana. Quanta besteira, meu Deus!

Cascata Madsoniana de beleza....


Continuando a saga de revelação do paraíso infantil, chegou a hora e a vez, não de Augusto Matraga, mas sim do queridésimo professor Madson de Oliveira. E como o louríssimo não é um qualquer, nos manda talvez a melhor composição de nossa série: sentado majestosamente sobre uma pedra, o pequeno Madson é segurado por sua mãe, com a atenção, o carinho e o preciosismo como só as mães sabem fazer, ao segurar a amada cria. Se tudo isso não bastasse, temos a cachoeira, deliciosa, escorrendo foto abaixo. Que lindo, querido Madson. Uma belezura sua foto.... Exaltação bucólica à tenra infância... Adorei o sungão! O maiô, tudo de chiqérrimo....

A Guatemala é aqui!


Fui conhecer a Vila Olímpica do PAN, um pouco temeroso, pois me recordo da.... intensa impressão que delegações como Jamaica, Haiti e Cuba causaram no meu ser. Mas decidido a contemplar os edifícios de concreto e não os edifícios de negritude, parti para Jacarepaguá, pois, como profissional (risos), preciso conhecer tais produções. Domingo de sol, recebo meu crachá de convidado da.... Guatemala, e eu, que desde criancinha fui Guatematelco, vejo as belíssimas bandeiras das 42 nações tremulando logo na entrada. O jogo multicolorido das bandeiras é prenúncio do grande encontro humano que está lá dentro: passa um boxeador, cara de índio colombiano; meninas do Uruguai estão na sauna a vapor, falando aquele espanhol gritado e fininho; vários ciclistas americanos e lá vem correndo.... os mais lindos negros que deus botou sobre a face da terra. Brincos, cabelos quitéria, bossa e charme incontroláveis de cubanos, lindos, lindos, lindos. “Olá, Fidel....” penso, louco para ver a havana que cada um possui dentro (ui!) de si. Belas instalações, lindos edifícios com lagos centrais bem bacanas, pistas excelentes, restaurante bom, comida maravilhosa, e a falta de paz de espírito para contemplar mais, porque não é possível transitar num espaço onde 90% dos humanos sejam sarados, dispostos e jovens. Este mundo, definitivamente, não é justo.


TAM: TRATEM DE APARTAR OS MACUMBEIROS.


Sintomática a convocação da Tam para seu culto ecumênico. Um ecumenismo que não inclui o Candomblé, a importantíssima religião afro-brasileira, com enorme número de adeptos e decisiva na formação cultural do povo brasileiro. Donde deve-se concluir que preto e candomblecista não viaja de avião. Mais um erro. Mais uma insensatez. Mais uma insensibilidade. Presentes as seguintes autoridades religiosas: budista, católico, luterano, judeu, anglicano, evangélico e muçulmano. Última reflexão: será que alguma autoridade religiosa se recusa a estar presente ao lado de uma autoridade do camdomblé? Atentem para o que estou escrevendo. Já vi gente chutando santo de outra religião.


Domingo, 22 Julho, 2007

Nós, que nos amávamos tanto!


Ecos do Primeiro Encontro Lacraio da História da Humanidade!
Em comemoração ao dia do amigo.
Presenças marcantes na Adega do Gostosão, Praça Principal da Cadeg, em almoço absolutamente regado a inenarráveis lingüiças (ui!).
Da esquerda para a direita: Mamãe Yó, que a partir de hoje, em momentos periclitantes dará a palvra final, também conhecida como o tiro de misericórdia do Blog (se você não for íntimo, por favor, Yolanda), Bia Alves, eleita mais amiga 2007, o queridésimo Samuca Abrantes (se não for íntimo, por favor, Samuel), esta estrela que vos escreve, atracada nas flores de Yansã, num ofereciimento Bana Banaiuti, cujo décor foi comentadíssimo pelos presentes (tudo mentira, mas o Buraco é assim mesmo), a gostosíssima Renata C (se você não for íntimo, please, Renata Cunha), o louríssimo e camaleônico Madson Oliveira, investigado também por suspeita de se passar por uma segunda pessoa, aqui no Blog, em seguida Marrom Bombom (mas se você não for íntimo, por favor, call her Márcia Helena, e finalmente, mas não final, representando o high society de Belford Roxo, a revelação 2007, P.O (se você não for íntimo, chame-o Paulo Otávio). Foi fantástico....

Do nada, as flores de Banaiuti!


No meio do Encontro Lacraio, o belo Mancebo, proprietário do Estabelecimento Comercial, também conhecido como restaurante, anuncia: “Buraco da Lacraia, encomenda para vocês!”. Todos fizeram “oh!”, aguardando ansiosamente o strip tease do bofão, mas ao invés da nudez dele, surge um.... carro alegórico grená, tributo à Yansã, um arranjo de flores deslumbrante, e foi quando uma ventania soprou na Cadeg. Todos se olharam e concluíram: Banaiuti! Batata, coisa do chiquérrimo, com direito ao mais bacana cartão de que se tem notícia. A mesa aplaudiu em cena aberta, quando um ser estranho passou e disse: “Veados!” E todos da mesa: “Quem chama?” E o ser se esgueirou pelos cantos, o que nos levou a concluir que aquele era o enviado do inominável. Invocando meu espírito de guerreiro, pus o arranjo na cabeça, invocação do bem, e ataquei com “o meu cantar faz chica chica boom” e fui delirantemente aplaudido (menos, Milton, menos!). Alguém da mesa puxou “na casa do senhor não existe satanás, xô satanás!”, e o inominável escafedeu-se. Só me resta agradecer, e muito: merci, Bana. Você é um luxo! E para Ebós, flores grenás são a solução. Tiro e queda....


Sexta-feira , 20 Julho, 2007

Bia, Bia, Bia, Bia!


Eleita por sufrágio universal (sempre adorei este tal de sufrágio, escrevi só por adorar, mas é tudo mentira), quando toda a população do Planeta Lacraio votou, a escolhida como amiga maior do Terceiro Milênio é a inacreditável e queridíssima
BIA ALVES
Amado por muitos, odiada apenas por "aquela que vocês sabem quem é"
E hoje conduzida ao trono de amadíssima e veneradíssima e amissíssima número um do Buraco da Lacraia. Criadora do movimento FOTO INFANTIL, Bia é uma humanista incansável, utópica, e despudorada. Quase Madre Teresa de Calcutá (de quem herdou a absoluta fraternidade), não fosse sua porção Ana Preta, a prostituta da beira do Cais. Deus e o diabo na terra do sol, Bia reúne em si o não-reunível: louca e sã.
Nós te amamos, Biete, Vedete, o beijo da Grapete.
Amanhã, na CADEG é sua premiação, com direito a coroa de.....pepinos.....Ui!

Festa estranha com gente esquisita....


Ser amigo de Blog é:
1) Ficar imaginando a cara que as pessoas têm por trás das mensagens que mandam. E imaginar como estão falado isso, poses e caras e bocas incluídas.
2) Ter que agüentar não-amigos postando, e por não-amigos entendam os agressivos, os despeitados (discordar pode e deve; não deve e não poderia se achar o único dono da verdade) por entender que estes precisam de amigos que os ouçam, e também para não quebrar a corrente inicialmente mantida da diversidade...
3) Abrir toda hora o blog pra ver se alguém postou, e às vezes se sentir desolado porque ninguém postou...
4) Ter que agüentar nomes ridículos e deliciosos: Fatal (quem será?), Banaiuti (O que significará), Mamba Negra (será ele negro?), Lukalu (uma Lu louca?), e tantos outros, inspirados num louco que se auto intitula Lacraio Mor, putz....
5) Escolher como Musa absoluta a deslumbrante, primeira, única, e insuperável, Samylle Cunha....
6) Pedir para vocês completarem esta lista....

Cesar Shao-Lin Maia


Com olhinho apertado de Chinês, desconfiado e querendo analisar mais as condições, bato palmas para a decisão da Prefeitura de conceder a Bolsa-Pequim, para auxiliar financeiramente os atletas cariocas, ou não, que treinam em nossas terras. Atitude louvável e bacanérrima, que se Deus quiser será bem aplicada.


Quinta-feira, 19 Julho, 2007

O raio caiu duas vezes no mesmo lugar....


E agora, Marta? Estão lá os corpos estendidos no caminhão! E agora, quando mesmo tendo pedido desculpas, tornaste-te sinônimo dos tempos de desgraça na aviação nacional? Supusestes que nosso infortúnio já tinha chegado ao fim, que, passada a tragédia de nove meses atrás, as probabilidades atestavam impossível a queda do raio, duas vezes no mesmo lugar. Caiu, Marta, e ouso supor que és um fator a ser considerado: o fator Marta. Traduzo: condescendência, pouco caso, amadorismo, confiança na sorte (pois Deus é Brasileiro), falta de investimentos e, sobretudo, semvergonhice e desfaçatez. Achar que no final, tudo vai dar certo. Não deu. Viraste piada de mau-gosto: entre um desastre e outro, impossível relaxar e gozar. Supondo que nada tenhas a ver com o caos aéreo (o Turismo está acima disto), Marta, quanto azar o teu, hein, mulher? Nem o “coloca o pijamão e senta no sofá” foi tão célebre. Marta, choro sozinho na escuridão de minha sala, acompanhando o desespero dos diretamente envolvidos em tanta tragédia. E choro por me sentir abandonado, como cidadão-passageiro, entregue à piadas em vez de providências. Mas minha dor é menor. Vejo famílias destroçadas, amados entes que não voltarão mais para casa. Meu Deus, que urucubaca: há fila de aviões derrapando, hangares incendiando, o que mais falta? Falta a consciência de que sobre a dor, relaxar e gozar tornaram-se macabros indícios do fim de uma era. Santos Dumont deve estar dando voltas e mais voltas no seu túmulo.

Confissões da abertura (ui!)....


Será que a enorme e uníssona vaia que demos na locutora do PAN, que disse que era proibido fotografar com flash, também foi orquestrada? Só sei que graças a Deus não somos cordeirinhos, e não obedecemos. E aquele Maracanã repleto de vagalumes, lindo, lindo, espocando em mágica jornada, jamais será esquecido por nossos corações. Fizemos o que queríamos, na hora que queríamos. A festa era nossa, da população que sofre com a degradação da cidade, e toma para si os melhores espetáculos. O resto é lenda urbana.
Fui o último a comprar o ingresso. Nunca compro antes, pois posso me casar com um príncipe, e ir morar num reino distante. Como o conto de fadas não chegou, parti de metrô para o Maracanã. Às 16:30, fui encaminhado aos containers azuis que, no interior do pátio, viraram bilheterias. “Quero um lugar bacana!”. A bilheteira, querida, me disse: “Só o de 250. É ótimo lugar”. “É perto do Lula?”, perguntei eu. “Não, perto da Tribuna de Honra era mais barato, quando tinha. Perto da tocha é que é mais caro. A tocha tá mais valorizada que o Lula”. “Então, divina, atocha a tocha que é este lugar que eu quero”. E subi, serelepe, aos 45 do segundo tempo, para ver o que a cidade estava esperando há meses. Não deixei de lembrar da deslumbrante Rosa Magalhães, no sol inclemente da Cidade do Samba, carregando, na véspera, suada e cansada, umas folhas enormes, até um caminhão, coitada. É dura a vida da bailarina, mas havia chegado o momento da mestra brilhar em todo o seu esplendor. Quando sentei, Virna e Robson Caetano estavam, no microfone, mandando abraços e beijos para seus pais e suas mães que estavam assistindo. Que coisa mais família, pensei. Em seguida, anunciaram a grande cantora Lua, e diante da platéia atônita e silenciosa, explicaram: “é uma candanga, que veio de Brasília”. Além de não terem sido socorridos por um script, que os impedisse de dizer o óbvio, tipo “é muita emoção, que platéia linda”, essas coisas de quem não tem o que falar, tinham que apresentar o nada para coisa nenhuma. Desinteressado, dei um pulo na lojinha dos produtos do PAN: “tem boné?”. “Não, tinha mas acabou”. “Quanto custa este casaco?”. “$ 400, mas só tem este, que é P”. Comprei uma canequinha de café, só para não dizer que não trouxe uma lembrancinha, mas achei a oferta meio michuruca, pra primeiro dia.
Quando começou a vaia, me perguntei se ela não foi puxada pela bilheteira que me vendeu o ingresso. Mas quer saber a verdade? Mais cedo ou mais tarde, o Presidente teria que se deparar com os 20% que não apóiam o governo dele. Não sei por quê tanto espanto. Se a aprovação nunca foi de 100%, então era óbvio que, ao lado de tantos dias de aplausos, um mísero dia iria pintar a cobrança, pelo fato dele nunca ter percebido as falcatruas que aconteciam em baixo das barbas dele, né? O dia chegou, e os presentes no estádio cantaram o hino, aplaudiram o nosso Brasil, mas deram o recado de que PAN é bom, mas melhor seria morar num pais que além de Jogos, tivesse mais ética, pois não agüentamos mais tanta bandalheira. Cadê que alguém vaiou o hino, a delegação brasileira ou qualquer coisa relacionada a verde e amarelo, que não fosse político? Ao contrário, aplaudiam tanto, e vaiavam tanto, que demarcaram muitíssimo bem o território entre o que apóiam e o que estão de saco cheio. Se melhorar, prometemos não vaiar na abertura dos jogos de 2014. Mas os políticos vão ter que fazer a parte deles, já que continuarão a ser eleitos. Aos que dizem que foi falta de educação, o que será que estas pessoas acham da educação dos políticos? A lógica deste raciocínio é esta: é educado engolir sapos calado.
Gostei de tudo, só não gostei da falta de bom humor de alguém, que pudesse colocar o animal típico do Congo, um gorilão, bem no meio da arena. Eu acho que o bichinho seria, ao lado do jacarezão, delirantemente aplaudido, sobretudo na hora das vaias para os norte-americanos. E se ele segurasse uma faixa tipo: “bem vindo ao Brasil, que ama o Congo”, aí teria sido o máximo. Seria muito pedir que a águia estado-unidense vestisse um biquíni de paetês, deste de mulata, e caísse no samba, com a bateria? Acho que sim, sei lá.

Pérolas aos porcos....


Jogando o tempo fora, passeando pelos corredores do Rio Design Leblon, páro no balcão da Maiorca, para admirar as peças. “Por que o senhor não aproveita e leva um presente para a sua mulher?”, me disse, lânguida, a vendedora. “Não, meu marido não vai gostar nada destas pérolas, não vai combinar com a farda. Ele é um rapagão de 1.90 e serve ao exército.”, detonei, e nem olhei para trás para vê-la desmaiada. Ah, estas imorredouras perguntas sobre o paradeiro de nossas mulheres, que desde que ficamos jovens, são um bombardeio em nossa paciência. E que linda a frase do travesti alemão, magistralmente interpretado por Edwin Luisi, e que é título da referida peça: “Eu sou minha própria mulher”, em resposta a mãe que queria conhecer a futura nora.

Comam brioches....


O Congresso Nacional segue sua linha Maria Antonieta, pois afundado em crises e críticas de todo o lado, não para de ir às compras. Últimas aquisições: carpetes novos, com toda a razão: o tapete tem que ser muito bom para esconder a sujeira, quando a varrerem para baixo dele; cadeiras giratórias, escolha perfeita, pois vai que o lobista esteja sentado na cadeira de trás, não fica nem bem ficar se entortando para pegar a mesada; sistema de alarme de última geração, para a casa do Renam: ultra necessário, pois ladão que rouba ladrão, terá cem anos de perdão.

Saem bíceps e tríceps, entra talento.


Minha geração de atores famosos de Hollywood foi de brutamontes que, sem talento dramático, tipo Schwazenneger, Van Dame e Stallone, produziram filmes violentíssimos e interpretavam personagens bobíssimos, mas não deixavam de exibir o peitoral. Foi a era Alexandre Frota de ser ator. Agora vejo Pitt e De Caprio, produzindo filmes-cabeça. Antes deles, Rodrigo Santoro já tinha sacado a importância de não se curvar, Selton Mello escolhia com critérios seus trabalhos, e esta geração é melhor que a anterior, comprometida mesmo: não tem produtor, eu produzo, pra ganhar um bom papel. O máximo estes belos, pensantes.


Quarta-feira, 18 Julho, 2007

A Metáfora da falta das lanhuras na pista...


Falta lanhura ao Brasil. Faltam flancos decentes por onde a lama escorrer, pois ela deveria ir para a prisão. Tais valas deveriam carregar os escrotos políticos para os presídios. O dinheiro da corrupção deveria ir para a modernização dos sistemas de transportes públicos desta nação. As lanhuras das estradas são buracos que acabam com qualquer amortecedor. E não há lanhuras na pista do avião. Estamos patinando no limbo, estamos deslizando pista abaixo, estamos aquaplanando, ou lamaplanando. Faltam freios, faltam seguradores. Faltam controles, pois falta atrito. Data para o próximo atrito: próxima eleição. Façamos lanhuras no nosso quadro político, façamos flancos nesta trincheira de batalha. Meu voto é minha lanhura, nesta pista traiçoeira que insiste em desgovernar a população!


Terça-feira, 17 Julho, 2007

Vai continuar fazendo piada, Marta?


Choro sozinho na escuridão de minha sala, desamparado, pela desgraça nacional da aviação, que tragicamente chamo de o “Fator Marta”. Tratar de forma pueril um problema gravíssimo, de segurança nacional, e achar que pode fazer graça sobre dor e sentimento de que algo está fora do lugar. Não estamos bem, não nos sentimos seguros, e a bruxa está à solta em nossos vôos. Seja lá de quem for a responsabilidade, daqui há anos lembraremos da ministra do botox, que nos mandava relaxar e gozar entre uma queda e outra de aeronaves. Tô passado, tô muito puto, e não tenho a quem reclamar, a não ser dividir com vocês minha dor e meu desespero. Mesmo que seja erro do piloto, ou causa para sempre inexplicável, estes são os meses que a aviação viajou da profunda miséria da dor à irresponsabilidade de mandatários da república, debochando do esfacelamento da nossa malha da aviação.

Arrumado ou desarrumado?


Há um canto em minha casa, que atrai todos os que tem TOC (transtorno obsessivo cumpulsivo): um abajur e um quadro formam um imã para quem adora arrumar a casa dos outros, como se fosse a sua. E eu adoro sair perguntando, em voz alta: “quem tirou o meu quadro do lugar”. “Mas eu pensei que....” “Você já pensou que, às vezes, o que você chama de normal, pode não ser o que a outra pessoa, dona de outra casa, outro corpo, outra vida, outra história, queira para a vida dela?”. Há um silêncio constrangedor, e o pobre do quadro volta a ficar corretamente pendurado, o que, segundo a maioria está incorretíssimo. E é tão torto, digo, correto, que não dá para achar que ele foi parar desta forma por um esbarrão ou ventania. Teria que ser um terremoto, mesmo. E as pessoas não se perguntam por que ele está assim. Será que alguém o quis assim? Não, elas decidem que o coitado dono da casa, o Milton, não tem ninguém que zele por ele, e se investem da armadura de colocadores da minha casa em posição normal. Para mim, também é um exercício de tolerância, já que me dá uma vontade enorme de ir na casa da criatura, e colocar todos os quadros do meu jeito. Vocês arrumam a casa do outro, sem se perguntar se é assim que ele gosta? Ou você acha que todo o centro de mesa nasceu só para ser centro de mesa; se um armário que nunca foi colocado em cima de outro armário, nunca deve aí ser colocado? Beijos...


Segunda-feira, 16 Julho, 2007

Mais um santo do pau-ôco...


Acabou de ser noticiado no Manhattan Conection: Mais um ultra conservador senador norte-americano, foi pego com a boca na botija em.... bordéis de New Orleans. Foi descoberta uma lista extensa de passagens do "metido a santo" pelos puteiros. Este senador fez campanha contra o casamernto gay, apresentou projeto onde a educação sexual nas escolas de primeiro grau deveriam, obrigatoriamente, pregar a abstinência sexual, como única forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis; enfim, era um reacionário. Agora, ele já confessou que, sim, infelizmente é viciado em transar com prostitutas, e espera receber o perdão dos eleitores. Não é o máximo?

kkkkk.....Aquele que não deve ser nomeado.... Risos.....


Fui ver Harry Potter. Gosto do namoro multi-étnico do bruxinho prodígio. Gosto da crítica à educação tradicional e punitiva. Gosto dos figurinos da diretora babaca. Gosto da turma dos amigos do bem. A presença de Maggie Smith me emociona profundamente. E a-do-ro a denominação do mal: “aquele que não deve ser nomeado”. Tem coisa mais emblemática do que a gente não poder dizer o nome da criatura, para não invocar as energias estranhas? Aliás está decidido: este BLOG tem a turma de esquisitos do bem, e do outro lado, vocês sabem, a partir de agora, “o que não deve ser nomeado”. "Saravá, Hogwarts”.


Domingo, 15 Julho, 2007

Arrasou, negão lindo....


Mas não é um deslumbre nosso primeiro ouro vir de um negão lindo, que já foi menino de rua, pobrezinho, e transformou-se neste príncipe de ébano, que agora vira príncipe do Brasil real? Estou felicíssimo. Viva o maravilhoso Diogo Silva e sua emoção respeitável.
Nota da Redação: tentei comprar o casaco oficial, lindo, que o campeão usa ao subir no pódio, na lojinha do PAN, mas só tinha P, putz. Precito: $ 400,00. Fica pra próxima.


Sábado, 14 Julho, 2007

O Prólogo: Corredor polonês é alegria pura...


Antes de entrar no espetáculo propriamente, precisava chamar à arena as delegações. Surge a brilhante idéia: formar o corredor de boas vindas com ritmistas. São chocalhos, tamborins, surdos, caixas e cuícas dizendo aos desportistas “sejam bem vindos e boa sorte”. Excelente sacada, a cara do Rio, mas mal executado por falta de grana. Que diabo de playback era aquele? Imagina o desfile ao som da Bateria. Teria sido a glória. Mas fica para a próxima, a idéia é maravilhosa. Fora isto, quantos paíse dos quais jamais tomei conhecimento. Nem sabia de algo chamado, por exemplo São Cristóvão. Mas é bom que a gente aprende. Mas fiquei pensando se eles não estavam desaparecidos até hoje, já que é por ali o Triângulo das Bermudas.....


Sexta-feira , 13 Julho, 2007

Quarto Bloco: Fogo, paz e samba, na Maravilhosa....


Grandes brasileiros trazem o nosso fogo olímpico. Por outro lado, somos um fogo, um outro tipo de fogo. E não seria nossa pira, uma pira simplesinha. Teríamos nuances de sonho. E acende-se uma rosa, não de Hiroshima, a rosa com cirrose; a Rosa do Rio é múltipla e abençoada. Fogo literal aceso, hora de acender o fogo que queima nesta cidade e que encanta as delegações: tragam Daniela Mercuri para entoar Cidade Maravilhosa, soltem todos os bailarinos que participaram do espetáculo com pedaços de suas roupas, a maioria com a malha de baixo, mas antes da maravilhosa esculhambação do cordão do Bola Preta, deixe dançar a pomba da paz, que antes parecia os inanimados da Ligia Clark. No começo, os bailarinos de Deborah Colker estão manipulando um móbile, um origami, uns pedaços brancos que formam um todo, exatamente como as pequenas obras da grande modernista. No final, é a paz, a pomba da paz que faz voar o bailarino. Paz pedida, soltem os bichos: sambão, bateria, cordão de sujos, alegria total. As delegações descem de suas tribunas e caem na gandaia, pois esta é a tônica desta cidade que sedia os jogos: aqui, tudo acaba em samba, até abertura de Jogos. Uma doce brincadeira, que sem se levar tão a sério toca o âmago do coração. Desconfiando de si, mostra o quebra-cabeças de sua grandeza, sua contradição, sua alma em apuros. Como se divertir e dançar samba na cidade partida e sitiada? Vamos dançando, encerrando o espetáculo, certos de que conseguiomos, de que podemos, de que temos talento. Mas como lidar com todo o resto? Não importa, amanhã a gente pensa. Agora é hora de encantamento, é hora de alegria, é hora de celebração. Parabéns, Rio.

Terceiro bloco: Sonhar e brincar de encantaria


O Maracanã é o quarto da menina sonhadora, ela está esmigalhada pela cadeira fabulosa e gigantesca, e nada lhe resta fazer senão chamar a companhia de seus bonecos. E como fazer isso? Cantando as antigas canções de ninar do interior, do país e de nossas almas. Boi, boi, boi da cara preta.... Surge o folclore, o folguedo, as fitas (mais uma característica da imagética da carnavalesca), que tanto amarram os cabelos das meninas, quanto decoram as encantarias interioranas. Lá vem Bonecos de Recife, Reizado, Maracatu, Folia de Reis e igualmente, bonecas tapajônicas e palhaços arengueiros. Reis e rainhas, carinhas pintadas e pequenas maçãs marcadas pela equipe do visagista Beto Carramanhos. Um grande boneco-menino, de pinturas tribais no corpo, toma o lugar de todos nós, que ajudamos em uníssono Calcanhoto: pega este menino que tem medo de careta.... Somos todos o menino Brasil, orgulhosos de nossas riquezas culturais. Não há mais cor predominante, pois ao lado do preto dos bois, as cores explodem, múltiplas, e mosaicos de muitos detalhes. Bacana, bacanérrimo....

Segundo Bloco: O barquinho vai na praia da Rosa....


Desta água lamacenta do primeiro bloco, surge a água azul e cristalina do segundo momento: o mar entra saltitante com bailarinos, cujos esplendores gigantescos, ainda fechados para o alto, logo se abririam em diáfanos leques, para formar as ondas do mar. Por falar em transparência, a volatilidade, como a alma feminina, delicada, foi a tônica do espetáculo. Ajudada pela iluminação, esta estratégia funcionou muito bem, na arena. A luz vazava os tecidos, nylons, organzas, voils, em belíssimos efeitos. Voltando ao mar, no que as ondas começam a dançar surgem barquinhos, e quando os bailarinos tomam o fundo da arena, se apertando, para que só em meio Maracanã ficasse esta água, aí então, borboletas que eram azuis e brancas tomam a linha da frente, e percebemos o que elas realmente representam: as espumas brancas e flutuantes que vão margear a areia que logo se formará. Lá vêm banhistas, guardas-sol, cataventos, redes de esportes de praia, com bolas gigantes sendo manuseadas. Mar azul/espumas brancas/areia da praia: é o trinômio carioca do litoral, e vale ressaltar que a parte dos banhistas, na areia, faz entrar em cena o rosa choque tão característico da obra da criativa e colorida carnavalesca. Muito rosa, misturado com amarelo chegei, dão um ar de verão cítrico aos habitantes da praia de Magalhães. Pronto, terminou a nossa praia. Não terminou? Não, a magia invade a arena, quando o calçadão de Copacabana vem em 50 bandeiras retangulares (novamente as transparências), e as pedras portuguesas parecem estar na vertical, elas correm pelas bordas e diante de uma multidão atônita, elas se deitam, tomam a horizontalidade que lhes é real, mas ficam a dançar, para lá e para cá, ainda que deitadas. Aplausos, muitos aplausos para o segundo bloco, que termina por aí. Era hora de entrar o sonho da garota, menina sonhadeira em seu quarto de bonecos a cantar.

Primeiro Bloco: O pântano de onde surgiu a terra adorada!


O primeiro bloco do espetáculo abriu com o nosso hino maravilhosamente bem cantado. Como sua letra evoca uma natureza exuberante, uma terra de encantos mil, isto trouxe para a arena elementos de nossa fauna e flora: bailarinos eram folhas gigantes e magníficas, cobras sobre rodas deslizavam, garças e borboletas em pleno vôo, e flores se revezavam em danças, bem desenhadas pelo mago Renato Vieira. Camas-elásticas se transformaram em vitórias-régias e um grande fumacê transformava aquela atmosfera em pântano, quase brejo, lugar de onde brotou a vida, a tal da lama primordial. E aí surge a estrela do primeiro bloco, o gigantesco jacaré, cheio de bossa e movimentos, deslizando majestosamente no grande círculo. O passeio do réptil foi maravilhoso e o encantamento era único e deslumbrante. O coração do Maraca bateu forte, e o espetáculo tinha mostrado ao que veio: encantar, sempre encantar com nossos simples símbolos. Vale lembrar que esta primeira parte foi colorida sobretudo com verde, em várias nuances e alaranjados, com um pouco de vermelho e amarelo. Um belo colorido. Mas aí era hora de entrar o azul, então passaríamos para o segundo bloco do encantamento.