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| Milton Cunha |
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 Bia Alves lamenta o desaparecimento de dois grandes diretores do cinema mundial. Eu também. Vi alguns Antonionis mas vi quase todos os Bergmans, entre 13 e 18 anos. Ele me ajudou a crescer. Me mostrou o complexo mundo dos adultos, ao qual eu já pertencia. De Bergman, o meu preferido é Sonata de Outono. O embate entre duas mulheres adultas, suas queixas, ressentimentos e lacunas. Uma mãe pianista, estrela de sua profissão, que passou e passa a vida viajando. Uma filha cheia de recalques, dor, e desejos de ter uma mãe normal, comum. A velha dama não abriu e não abre mão de sua realização profissional, e dentro da primeira classe do trem, passando por uma cidadezinha do interior, ela diz: “Ao ver os pontos de luz das cozinhas das casas acendendo, penso na vida comum das famílias que moram dentro destas casas. Nunca pertenci a este distante universo. Minha vida foi as salas de concerto....” A solidão estratégica do reconhecimento, do talento, da arte. Em contraposição à vida mediana da filha, exatamente uma dona de casa como tantas outras espalhadas pelo mundo: a grandeza de se ser simples, de amar um marido normal, de ter uma vida sem sobressaltos e aplausos. E o filme: durante um outono, as duas vão se engalfinhar em busca de respostas, perguntadas pela filha e, segundo a mãe, sem soluções. Meu momento preferido: a diva está ensaiando ao piano, a filha está sentada ao lado, e aí vem a pergunta definitiva da esmagada: “será o fracasso da filha, o triunfo da mãe?”. Longe do palatável mundo de mães boazinhas, o filme se move num mundo real, de queixas e lamentações, verdadeiríssimas, cujas mulheres estão presas entre o ser e o fazer. Pesa sobre elas a necessidade de abrir mão da carreira para estar presente na vida dos filhos. Tudo isto levemente deformado pois trata-se de uma estrela. Mas longe disso, são queixas normais que ouvimos: “você não foi me buscar na escola....”. As mulheres de Ingmar são plausíveis, e os homens flutuam ao redor deste universo, calados e observadores. Salve Ingmar Bergmam, cineasta, companheiro de minha adolescência, quando descobri que na Ilha do Marajó ou na Suécia, tudo só muda de endereço, mas parmanece vibrante e inquietador.
 Na página da Marisa, mãe da diva mirim, Sylvia, vi um depoimento de uma amiga dela que diz que elas freqüentavam o Escravos da Mauá, tradicional samba de beira de rua, reduto boêmio da Gamboa. Aí, me deu uma vontade louca de sugerir o próximo encontro nosso fosse numa destas ruas festivas. Confesso que penso em algumas, mas gostaria de ouvir as sugestões. Vamos lá, Lacraiudos, em qual bagaceira será a próxima Convenção Lacraia? Cartas para a redação....
 O Dia - Neste período, foram consumidos no refeitório da Vila Pan-Americana, entre outras coisas, aproximadamente 4 toneladas de leite condensado.O alto consumo de leite condensado se deve, principalmente, pelo sucesso do pudim de leite entre os atletas e freqüentadores do refeitório. A sobremesa era produzida diariamente.
Sei, então tá... Duvi-d-odó que não desviaram uma latas para outro tipo de sobremesa.... (ui!). Imagino outros pudins.....
 Uma bacana professora de Geografia de escola municipal me conta, na sala de espera de nossa doutora, que dá aulas para a comunidade de Rio das Pedras, numa escola da Barra. E que alguns filhos da classe média alta, vão parar lá depois de muito aprontar nas suas escolas particular de origem. -Ah, é um castigo para eles, que terão que estudar em escola pública... -Não, Milton. O castigo é conviver com os pobres. Estudar é o de menos. Ter que conviver com pobre é que é a grande queixa... E ela me conta que, na sua opinião, fora as escolas Classe A, poderosas, para ela todo o resto é igual e todo o resto apresenta problemas. Na opinião dela, os pais deveriam matricular seus filhos, caso tivesse vaga, em escolas públicas boas e reconhecidas, e pagar por fora curso de aprimoramentos, tipo informática e língua estrangeira. Mas me diz que isto seria em condições ideais, mas que na real não é assim. Fala que estes jovens são educados para um Brasil mítico, isolado em bolha, e que a convivência entre as classes seria o ideal, para formar cidadãos conscientes das diferenças de sua sociedade.
 Atriz de rara beleza, desta vez a bela ganhou o papel errado: teria que encarnar a feíssima e terrível infanta Bourbon, a famigerada Carlota Joaquina. Investida de um esforço espanhol, quando a nossa Musa viu que não dava para ela, tentou o contrário: compôs uma rainha Sedutora fisicamente, cheia de silicones e pneus pirellis, e sedutora no trato, pois distribuiu sorrisos, tocou o seu tamborim e rodopiou feito o furação Catrina na quadra. Se perdeu em laboratório dramático, reinou absoluta em glamour e presença de palco. Ovacionada pela multidão que queria-lha um autógrafo, ou mesmo uma dedada, Samilly mais uma vez matou a cobra e mostrou o pau (ui!). É musa absoluta deste blog, cheirosa, poderosa e só ela capaz de pronunciar a definitiva frase: “Morra de inveja, Barbie!”. Só deu ela, só ela deu.... Deus do céu!
 Havia uma mulher vagando pela festa, uma tal de Maria Louca. Numa performance admirável, a atriz que a interpretava, Bia Alves, arrasou na caras e bocas. Olhem a expressão da interprete nesta foto! Enquanto isso, sua filha, destalentada para as artes dramáticas mas sobrando-lhe beleza, esteve sempre bem na foto, na fita, e na foda, pois bela é bela, não precisa saber falar e acabou. É preciso dizer que o Prêmio de Interpretação Feminina do Ano vai para Bia Alves. Samilly ganha a Framboesa de Ouro, e mais o contrato para posar nua e o posto de apresentadora do Super Pop. Eu e D. João, até que tentamos alguma coisa, mas a noite, definitivamente, era das meninas. O mar não estava para peixe, e sim, piranhas!
 Cruzes! Só posso dizer que foi um empurra-empurra desgraçado, quando o fotógrafo gritou: “foto para o blog!”. Foi um Deus nos acuda, e quase que eu, estrelíssima, fiquei de fora. Consegui pegar um canto ali no cantinho. Fui empurrado pela tsunami de alegria, difícil de conter. A geléia se arrumou assim, da esquerda para a direita: Lilian Guttman, Milton Cunha, Madson Oliveira, Bia Maria a Loca Alves, Samilly Carlota Joaquina Cunha, Renata C, Maridón e quase caindo para fora da foto, Márcia Helena. Como gostam de aparecer, os lacraiudos. Qualquer dia, nem eu consigo mais uma brechinha. Criei as cobras (ui!) agora, eu que as cuide.... OS: O que seria da vida sem pessoas como vocês?
 O DIA - Lula diz que entrega a vida a Deus quando viaja de avião.
Podia fazer o mesmo, quando estivesse em terra, né não?
 O que sente um homem comum, diante de uma gostosona capa da Playboy? Suponho: “pô, muito gata; boa de pegar de vez em quando, mas a dona encrenca tem lá o seu valor!”. Por outro lado, as mulheres normais, quando se deparam com um príncipe encantado, pensam o que? Eu acho que elas dizem para si mesmas: “bom pra uma noite de contos de fadas, mas o sapo que tenho em casa, tem lá os seus encantos”. Penso nisto pois assisto muitos programas de culinária e a impressão que sobra, tem tudo a ver com estes mitos citados, pois termino dizendo: “tudo muito bom, tudo muito bem, mas estas comidas só de vez em quando, pois no dia a dia quero o meu bom feijão com arroz”. Imagino impossível um cotidiano enfeitado de endívias, vinagres balsâmicos dando sopa pelos cantos, finas ervas da Macedônia em vez do diário coentro. W e Y são letras sedutoras, mas nada como o bê-a-bá. Já pensou nossas vidas nessas cozinhas que parecem um hospital? Porque todo programas gastronômico tem cozinha impecável, e conjunto de panelas espelhadas, novinhas e prateadas. O bom da vida é o manuseio, e os amassados e pretinhos, nos cantos, que vão ficando com o tempo. Quebra uma alça aqui, despenca um cabo, acolá. Mulher de capa de revista não tem pedaço quebrado ou deformado pelo tempo. Portanto são iguaisinhas ao cenário por onde os chefes se movimentam. Faltam-lhes um passado, quando tenham sido ariadas por várias vezes. Só enganam rapazes muito jovens, ou velhões endinheirados, que possam mantê-las intocadas. Homem comum e mulher normal sabem que companhia boa é aquela que não está sempre na pose, que você pode (e deve) jogar na parede de vez em quando. Tem que ter quilometragem rodada, e não eterna cara de que está precisando, sempre, de teste-drive. Tudo isso para dizer, que adoro o mau humor da belíssima Paula Toller, quando detona os elogios dizendo “querido, isso porque você ainda não me viu acordando de manhã cedo!”. É isso, Paulinha: cozinha de cenário e príncipe encantado não acordam, porque nunca dormem. Não precisam destas coisas simples, não são humanos. São construções míticas, inatingíveis. Entendo sua recusa de ser tratada como capa-de-revista, e desejo-lhe um companheiro que, mesmo te vendo acordar, com remela nos olhos e despenteada, ainda assim te ache linda. Esta é a vida: nas cozinhas verdadeiras, pode ter uma peça novinha em folha, de vez em quando, mas todo o resto é usado. Desconfie sempre das pessoas intocadas: panela real é que faz bom caldo.
 Peço encarecidamente à TAM, em público, que no dia que eu morrer, a bordo de um de seus aviões, que convoque para o culto ecumênico de seu pesar por tantas mortes, um líder religioso do Candomblé, pois sou um dos milhões de brasileiros que me vejo refletido nos Orixás. Quero, ao lado de Buda e Jesus Cristo, que meu Exu esteja no altar. Quero vê-Lo, reconhecê-Lo, e confortar meu espírito desencarnado Nele. Não é justo que além de morrer, veja, no além, todos os mortos praticantes de outras importantíssimas religiões, conversando com seus Deuses, e eu lá, sozinho, sendo obrigado a fazer o que sempre obrigaram meus irmãos negros a fazerem: fingir que falar com o Deus Católico ou outro Deus, seja a mesma coisa que falar com meu Orixá. Não é. Quando é que os cultos afros vão sentar ao lado das religiões dos brancos ricos?
 Você compraria ações da Infraero, sabendo que a primeira providência é fazê-la continuar na máquina do Governo? Para sempre, 51% das ações, ou seja, as decisões, continuarão na mão de Brasília, o que significa que os mais desqualificados amigos dos ministros continuarão a ser postos nos cargos mais importantes. Fora isto, em 2004 todos acharam que não era hora de abrir o capital, pois a crise estava desvalorizando os papéis. Agora pode! Agora pode? Pois é. Na verdade, agora é obrigado, pois tem que surgir 20 bilhões de algum lugar (e dinheiro aqui só sobra para comprar boi ou criar novos cargos no governo); mas fala-se em agora pode, que a valorização está tinindo, e a gente finge que acredita, duas tragédias depois. Mais uma sedução: a empresa tem o monopólio da atividade. Não há concorrência, não há fiscalização, não há competição. Bacana, né? Última coisinha: os cálculos estão sendo feitos, contando com o ovo na galinha, ou seja, em seis meses ninguém se lembrará que um dia houve caos aéreo no Brasil. Promissor. Comprem, pois, suas ações!
 Visitando a Vila Residencial do PAN, já pensei naquele mundinho sendo habitado por famílias cariocas. Claro que lá tem problemas, como os mosquitos, mas eles estão em toda a Barra. Mas que o lago central com seu jeitão Miami de ser é belíssimo, ah, isso é. Como é grande, arejado e encantador. O que me incomoda nestes condomínios, é que não tem esquina, no sentido de boteco pé sujo. Onde é que estas pessoas tomam um pingado, vêem ovo cor de rosa ou folinha de mulher nua na parede e estátua de São Jorge Guerreiro? Acho que o espírito carioca não está nestas construções, e acho que o melhor negócio seria abrir nas lojinhas chiques do térreo, um pé sujo. Com nome de pé sujo, porque um que se preze, não pode se chamar “Coconut Groove” ou “Dirty foot”.
 Sexta feira, na Quadra da São Clemente, às 22 horas, é o lançamento do Enredo para o Carnaval 2008. Vai ter bateria, vai ter cortejo desfilando com a inacreditável Musa do blog e Musa da Escola, Samylle Cunha, interpretando a déspota Carlota Joaquina, e seus alunos de Moda da Veiga, e meus alunos do Instituto do Carnaval, interpretando a Corte Joanina. Gostaria de convidar todos os lacraiudos do Blog para passarem por lá e me dar um beijo, e fazer fotos com os fantasiados para que eu possa mostrar para quem não foi, a ravissante loucura da noite. Mil beijos, espero vocês lá, na noite do “O Clemente João VI no Rio, a Redescoberta do Brasil!”.
 Apagou a tocha do Pan. Será que a Ceg cortou o gás? Saravá.....
 Dia amanhecendo, em frente à União da Ilha do Governador, final da noite de sambão. Para quem não conheceu, deixa eu explicar o que significa “em frente à quadra”: do outro lado da rua, no terreno baldio, naquele tempo (1998) chão de terra batida, montavam-se uma 15 barracas de feira e aquilo virava uma quermesse de cidade do interior, com muita pinga. Lá terminávamos o sambão, com a bateria saindo da quadra e invadindo as barracas, por volta das 6 da manhã, eu do alto de meu queijo com rodas, liderando a multidão de desgovernados. O dia estava amanhecendo, tinha chovido muito, e a lama vermelha e as poças eram totais. Estou eu, bebendo minha saideira, sentadinho perto do lamaçal, na barraca de minha querida Tia Dagmar (até hoje minha conhecida), quando uma bicha cabeleireira chatésima, completamente colocada, depois de muito me encher o saco, puxou a cadeira para sentar em minha frente e me alugar. Ao tentar sentar, puft!, a cadeira virou e a pobrezinha foi parar dentro do lamaçal, ali adiante, sem deixar o copo da carveja entornar. De dentro da poça, equilibrando o copo, sem condições de se levantar, pois ela estava, como direi, encaixada na lama que a cercava, afundando cada vez mais na areia movediça, ela nos dizia, sem se mover: “a Padilha me derrubou.... a Padilha me derrubou!” Padilha ou cachaça? Cachaça ou Padilha? Não importava a resposta, estávamos, no lusco-fusco da manhã tentando desatolar a pobre da cabeleireira, que atribuía à uma rasteira da entidade em sua cadeira, a desgraça sofrida. Um grupo de alegres, tentando desatolar uma Padilha para que a gira continuasse o seu fim inenarrável. “A Padilha me derrubou!” virou mantra de meu grupo para sempre....
 Esta foto da querida Lukalu me recorda o que mais amo nas crianças: os olhos de surpresa perante o mundão de Deus. Adoro supor o que pensa uma criança, se pensa ou não precisa pensar, pois o mundo que a rodeia já é muito estimulante e maluco. Salve a amada e louca Luciana Lukalu, espantada com os mistérios da vida, que depois iria compreender (ou não). E quando espoca o flash, que o rebento cai no chororô? Um sucesso. Reparem no cabelo, pentiadíssimo, nos braços que se abrem para as mãozinhas agarrarem os braços da cadeira! Menina firme, esta. A-do-ro a estampa cangaceira da salopete. O máximo, e já defensora das raízes brasileiras. Lu, me responde: tem um colar de bolas verdes, acima do decote, é isso? Acho que não. O que é? Fora isto, você estava tentando balbuciar algo, só no bocão, hein, querida? Linda, linda a Lukalu: seu exemplar é a estupefação das crianças diante dos loucos adultos. Sem contar, que para esta foto chegar, teve que dar a volta ao mundo. Foi uma saga, mas chegou. Bia Alvez a resgatou nas montanhas do Paquistão. Saravá....
 Já que O DIA tem o Blog “É o Bicho!”, acho que vou rebatizar-me de “É a bicha!” Aliás, adoro o nome da jornalista responsável, Gislândia Governo. Nunca quis ser Governo, mas Gislândia é bem bacana. Quanta besteira, meu Deus!
 Continuando a saga de revelação do paraíso infantil, chegou a hora e a vez, não de Augusto Matraga, mas sim do queridésimo professor Madson de Oliveira. E como o louríssimo não é um qualquer, nos manda talvez a melhor composição de nossa série: sentado majestosamente sobre uma pedra, o pequeno Madson é segurado por sua mãe, com a atenção, o carinho e o preciosismo como só as mães sabem fazer, ao segurar a amada cria. Se tudo isso não bastasse, temos a cachoeira, deliciosa, escorrendo foto abaixo. Que lindo, querido Madson. Uma belezura sua foto.... Exaltação bucólica à tenra infância... Adorei o sungão! O maiô, tudo de chiqérrimo....
 Fui conhecer a Vila Olímpica do PAN, um pouco temeroso, pois me recordo da.... intensa impressão que delegações como Jamaica, Haiti e Cuba causaram no meu ser. Mas decidido a contemplar os edifícios de concreto e não os edifícios de negritude, parti para Jacarepaguá, pois, como profissional (risos), preciso conhecer tais produções. Domingo de sol, recebo meu crachá de convidado da.... Guatemala, e eu, que desde criancinha fui Guatematelco, vejo as belíssimas bandeiras das 42 nações tremulando logo na entrada. O jogo multicolorido das bandeiras é prenúncio do grande encontro humano que está lá dentro: passa um boxeador, cara de índio colombiano; meninas do Uruguai estão na sauna a vapor, falando aquele espanhol gritado e fininho; vários ciclistas americanos e lá vem correndo.... os mais lindos negros que deus botou sobre a face da terra. Brincos, cabelos quitéria, bossa e charme incontroláveis de cubanos, lindos, lindos, lindos. “Olá, Fidel....” penso, louco para ver a havana que cada um possui dentro (ui!) de si. Belas instalações, lindos edifícios com lagos centrais bem bacanas, pistas excelentes, restaurante bom, comida maravilhosa, e a falta de paz de espírito para contemplar mais, porque não é possível transitar num espaço onde 90% dos humanos sejam sarados, dispostos e jovens. Este mundo, definitivamente, não é justo.
 Sintomática a convocação da Tam para seu culto ecumênico. Um ecumenismo que não inclui o Candomblé, a importantíssima religião afro-brasileira, com enorme número de adeptos e decisiva na formação cultural do povo brasileiro. Donde deve-se concluir que preto e candomblecista não viaja de avião. Mais um erro. Mais uma insensatez. Mais uma insensibilidade. Presentes as seguintes autoridades religiosas: budista, católico, luterano, judeu, anglicano, evangélico e muçulmano. Última reflexão: será que alguma autoridade religiosa se recusa a estar presente ao lado de uma autoridade do camdomblé? Atentem para o que estou escrevendo. Já vi gente chutando santo de outra religião.
 Ecos do Primeiro Encontro Lacraio da História da Humanidade! Em comemoração ao dia do amigo. Presenças marcantes na Adega do Gostosão, Praça Principal da Cadeg, em almoço absolutamente regado a inenarráveis lingüiças (ui!). Da esquerda para a direita: Mamãe Yó, que a partir de hoje, em momentos periclitantes dará a palvra final, também conhecida como o tiro de misericórdia do Blog (se você não for íntimo, por favor, Yolanda), Bia Alves, eleita mais amiga 2007, o queridésimo Samuca Abrantes (se não for íntimo, por favor, Samuel), esta estrela que vos escreve, atracada nas flores de Yansã, num ofereciimento Bana Banaiuti, cujo décor foi comentadíssimo pelos presentes (tudo mentira, mas o Buraco é assim mesmo), a gostosíssima Renata C (se você não for íntimo, please, Renata Cunha), o louríssimo e camaleônico Madson Oliveira, investigado também por suspeita de se passar por uma segunda pessoa, aqui no Blog, em seguida Marrom Bombom (mas se você não for íntimo, por favor, call her Márcia Helena, e finalmente, mas não final, representando o high society de Belford Roxo, a revelação 2007, P.O (se você não for íntimo, chame-o Paulo Otávio). Foi fantástico....
 No meio do Encontro Lacraio, o belo Mancebo, proprietário do Estabelecimento Comercial, também conhecido como restaurante, anuncia: “Buraco da Lacraia, encomenda para vocês!”. Todos fizeram “oh!”, aguardando ansiosamente o strip tease do bofão, mas ao invés da nudez dele, surge um.... carro alegórico grená, tributo à Yansã, um arranjo de flores deslumbrante, e foi quando uma ventania soprou na Cadeg. Todos se olharam e concluíram: Banaiuti! Batata, coisa do chiquérrimo, com direito ao mais bacana cartão de que se tem notícia. A mesa aplaudiu em cena aberta, quando um ser estranho passou e disse: “Veados!” E todos da mesa: “Quem chama?” E o ser se esgueirou pelos cantos, o que nos levou a concluir que aquele era o enviado do inominável. Invocando meu espírito de guerreiro, pus o arranjo na cabeça, invocação do bem, e ataquei com “o meu cantar faz chica chica boom” e fui delirantemente aplaudido (menos, Milton, menos!). Alguém da mesa puxou “na casa do senhor não existe satanás, xô satanás!”, e o inominável escafedeu-se. Só me resta agradecer, e muito: merci, Bana. Você é um luxo! E para Ebós, flores grenás são a solução. Tiro e queda....
 Eleita por sufrágio universal (sempre adorei este tal de sufrágio, escrevi só por adorar, mas é tudo mentira), quando toda a população do Planeta Lacraio votou, a escolhida como amiga maior do Terceiro Milênio é a inacreditável e queridíssima BIA ALVES Amado por muitos, odiada apenas por "aquela que vocês sabem quem é" E hoje conduzida ao trono de amadíssima e veneradíssima e amissíssima número um do Buraco da Lacraia. Criadora do movimento FOTO INFANTIL, Bia é uma humanista incansável, utópica, e despudorada. Quase Madre Teresa de Calcutá (de quem herdou a absoluta fraternidade), não fosse sua porção Ana Preta, a prostituta da beira do Cais. Deus e o diabo na terra do sol, Bia reúne em si o não-reunível: louca e sã. Nós te amamos, Biete, Vedete, o beijo da Grapete. Amanhã, na CADEG é sua premiação, com direito a coroa de.....pepinos.....Ui!
 Ser amigo de Blog é: 1) Ficar imaginando a cara que as pessoas têm por trás das mensagens que mandam. E imaginar como estão falado isso, poses e caras e bocas incluídas. 2) Ter que agüentar não-amigos postando, e por não-amigos entendam os agressivos, os despeitados (discordar pode e deve; não deve e não poderia se achar o único dono da verdade) por entender que estes precisam de amigos que os ouçam, e também para não quebrar a corrente inicialmente mantida da diversidade... 3) Abrir toda hora o blog pra ver se alguém postou, e às vezes se sentir desolado porque ninguém postou... 4) Ter que agüentar nomes ridículos e deliciosos: Fatal (quem será?), Banaiuti (O que significará), Mamba Negra (será ele negro?), Lukalu (uma Lu louca?), e tantos outros, inspirados num louco que se auto intitula Lacraio Mor, putz.... 5) Escolher como Musa absoluta a deslumbrante, primeira, única, e insuperável, Samylle Cunha.... 6) Pedir para vocês completarem esta lista....
 Com olhinho apertado de Chinês, desconfiado e querendo analisar mais as condições, bato palmas para a decisão da Prefeitura de conceder a Bolsa-Pequim, para auxiliar financeiramente os atletas cariocas, ou não, que treinam em nossas terras. Atitude louvável e bacanérrima, que se Deus quiser será bem aplicada.
 E agora, Marta? Estão lá os corpos estendidos no caminhão! E agora, quando mesmo tendo pedido desculpas, tornaste-te sinônimo dos tempos de desgraça na aviação nacional? Supusestes que nosso infortúnio já tinha chegado ao fim, que, passada a tragédia de nove meses atrás, as probabilidades atestavam impossível a queda do raio, duas vezes no mesmo lugar. Caiu, Marta, e ouso supor que és um fator a ser considerado: o fator Marta. Traduzo: condescendência, pouco caso, amadorismo, confiança na sorte (pois Deus é Brasileiro), falta de investimentos e, sobretudo, semvergonhice e desfaçatez. Achar que no final, tudo vai dar certo. Não deu. Viraste piada de mau-gosto: entre um desastre e outro, impossível relaxar e gozar. Supondo que nada tenhas a ver com o caos aéreo (o Turismo está acima disto), Marta, quanto azar o teu, hein, mulher? Nem o “coloca o pijamão e senta no sofá” foi tão célebre. Marta, choro sozinho na escuridão de minha sala, acompanhando o desespero dos diretamente envolvidos em tanta tragédia. E choro por me sentir abandonado, como cidadão-passageiro, entregue à piadas em vez de providências. Mas minha dor é menor. Vejo famílias destroçadas, amados entes que não voltarão mais para casa. Meu Deus, que urucubaca: há fila de aviões derrapando, hangares incendiando, o que mais falta? Falta a consciência de que sobre a dor, relaxar e gozar tornaram-se macabros indícios do fim de uma era. Santos Dumont deve estar dando voltas e mais voltas no seu túmulo.
 Será que a enorme e uníssona vaia que demos na locutora do PAN, que disse que era proibido fotografar com flash, também foi orquestrada? Só sei que graças a Deus não somos cordeirinhos, e não obedecemos. E aquele Maracanã repleto de vagalumes, lindo, lindo, espocando em mágica jornada, jamais será esquecido por nossos corações. Fizemos o que queríamos, na hora que queríamos. A festa era nossa, da população que sofre com a degradação da cidade, e toma para si os melhores espetáculos. O resto é lenda urbana. Fui o último a comprar o ingresso. Nunca compro antes, pois posso me casar com um príncipe, e ir morar num reino distante. Como o conto de fadas não chegou, parti de metrô para o Maracanã. Às 16:30, fui encaminhado aos containers azuis que, no interior do pátio, viraram bilheterias. “Quero um lugar bacana!”. A bilheteira, querida, me disse: “Só o de 250. É ótimo lugar”. “É perto do Lula?”, perguntei eu. “Não, perto da Tribuna de Honra era mais barato, quando tinha. Perto da tocha é que é mais caro. A tocha tá mais valorizada que o Lula”. “Então, divina, atocha a tocha que é este lugar que eu quero”. E subi, serelepe, aos 45 do segundo tempo, para ver o que a cidade estava esperando há meses. Não deixei de lembrar da deslumbrante Rosa Magalhães, no sol inclemente da Cidade do Samba, carregando, na véspera, suada e cansada, umas folhas enormes, até um caminhão, coitada. É dura a vida da bailarina, mas havia chegado o momento da mestra brilhar em todo o seu esplendor. Quando sentei, Virna e Robson Caetano estavam, no microfone, mandando abraços e beijos para seus pais e suas mães que estavam assistindo. Que coisa mais família, pensei. Em seguida, anunciaram a grande cantora Lua, e diante da platéia atônita e silenciosa, explicaram: “é uma candanga, que veio de Brasília”. Além de não terem sido socorridos por um script, que os impedisse de dizer o óbvio, tipo “é muita emoção, que platéia linda”, essas coisas de quem não tem o que falar, tinham que apresentar o nada para coisa nenhuma. Desinteressado, dei um pulo na lojinha dos produtos do PAN: “tem boné?”. “Não, tinha mas acabou”. “Quanto custa este casaco?”. “$ 400, mas só tem este, que é P”. Comprei uma canequinha de café, só para não dizer que não trouxe uma lembrancinha, mas achei a oferta meio michuruca, pra primeiro dia. Quando começou a vaia, me perguntei se ela não foi puxada pela bilheteira que me vendeu o ingresso. Mas quer saber a verdade? Mais cedo ou mais tarde, o Presidente teria que se deparar com os 20% que não apóiam o governo dele. Não sei por quê tanto espanto. Se a aprovação nunca foi de 100%, então era óbvio que, ao lado de tantos dias de aplausos, um mísero dia iria pintar a cobrança, pelo fato dele nunca ter percebido as falcatruas que aconteciam em baixo das barbas dele, né? O dia chegou, e os presentes no estádio cantaram o hino, aplaudiram o nosso Brasil, mas deram o recado de que PAN é bom, mas melhor seria morar num pais que além de Jogos, tivesse mais ética, pois não agüentamos mais tanta bandalheira. Cadê que alguém vaiou o hino, a delegação brasileira ou qualquer coisa relacionada a verde e amarelo, que não fosse político? Ao contrário, aplaudiam tanto, e vaiavam tanto, que demarcaram muitíssimo bem o território entre o que apóiam e o que estão de saco cheio. Se melhorar, prometemos não vaiar na abertura dos jogos de 2014. Mas os políticos vão ter que fazer a parte deles, já que continuarão a ser eleitos. Aos que dizem que foi falta de educação, o que será que estas pessoas acham da educação dos políticos? A lógica deste raciocínio é esta: é educado engolir sapos calado. Gostei de tudo, só não gostei da falta de bom humor de alguém, que pudesse colocar o animal típico do Congo, um gorilão, bem no meio da arena. Eu acho que o bichinho seria, ao lado do jacarezão, delirantemente aplaudido, sobretudo na hora das vaias para os norte-americanos. E se ele segurasse uma faixa tipo: “bem vindo ao Brasil, que ama o Congo”, aí teria sido o máximo. Seria muito pedir que a águia estado-unidense vestisse um biquíni de paetês, deste de mulata, e caísse no samba, com a bateria? Acho que sim, sei lá.
 Jogando o tempo fora, passeando pelos corredores do Rio Design Leblon, páro no balcão da Maiorca, para admirar as peças. “Por que o senhor não aproveita e leva um presente para a sua mulher?”, me disse, lânguida, a vendedora. “Não, meu marido não vai gostar nada destas pérolas, não vai combinar com a farda. Ele é um rapagão de 1.90 e serve ao exército.”, detonei, e nem olhei para trás para vê-la desmaiada. Ah, estas imorredouras perguntas sobre o paradeiro de nossas mulheres, que desde que ficamos jovens, são um bombardeio em nossa paciência. E que linda a frase do travesti alemão, magistralmente interpretado por Edwin Luisi, e que é título da referida peça: “Eu sou minha própria mulher”, em resposta a mãe que queria conhecer a futura nora.
 O Congresso Nacional segue sua linha Maria Antonieta, pois afundado em crises e críticas de todo o lado, não para de ir às compras. Últimas aquisições: carpetes novos, com toda a razão: o tapete tem que ser muito bom para esconder a sujeira, quando a varrerem para baixo dele; cadeiras giratórias, escolha perfeita, pois vai que o lobista esteja sentado na cadeira de trás, não fica nem bem ficar se entortando para pegar a mesada; sistema de alarme de última geração, para a casa do Renam: ultra necessário, pois ladão que rouba ladrão, terá cem anos de perdão.
 Minha geração de atores famosos de Hollywood foi de brutamontes que, sem talento dramático, tipo Schwazenneger, Van Dame e Stallone, produziram filmes violentíssimos e interpretavam personagens bobíssimos, mas não deixavam de exibir o peitoral. Foi a era Alexandre Frota de ser ator. Agora vejo Pitt e De Caprio, produzindo filmes-cabeça. Antes deles, Rodrigo Santoro já tinha sacado a importância de não se curvar, Selton Mello escolhia com critérios seus trabalhos, e esta geração é melhor que a anterior, comprometida mesmo: não tem produtor, eu produzo, pra ganhar um bom papel. O máximo estes belos, pensantes.
 Falta lanhura ao Brasil. Faltam flancos decentes por onde a lama escorrer, pois ela deveria ir para a prisão. Tais valas deveriam carregar os escrotos políticos para os presídios. O dinheiro da corrupção deveria ir para a modernização dos sistemas de transportes públicos desta nação. As lanhuras das estradas são buracos que acabam com qualquer amortecedor. E não há lanhuras na pista do avião. Estamos patinando no limbo, estamos deslizando pista abaixo, estamos aquaplanando, ou lamaplanando. Faltam freios, faltam seguradores. Faltam controles, pois falta atrito. Data para o próximo atrito: próxima eleição. Façamos lanhuras no nosso quadro político, façamos flancos nesta trincheira de batalha. Meu voto é minha lanhura, nesta pista traiçoeira que insiste em desgovernar a população!
 Choro sozinho na escuridão de minha sala, desamparado, pela desgraça nacional da aviação, que tragicamente chamo de o “Fator Marta”. Tratar de forma pueril um problema gravíssimo, de segurança nacional, e achar que pode fazer graça sobre dor e sentimento de que algo está fora do lugar. Não estamos bem, não nos sentimos seguros, e a bruxa está à solta em nossos vôos. Seja lá de quem for a responsabilidade, daqui há anos lembraremos da ministra do botox, que nos mandava relaxar e gozar entre uma queda e outra de aeronaves. Tô passado, tô muito puto, e não tenho a quem reclamar, a não ser dividir com vocês minha dor e meu desespero. Mesmo que seja erro do piloto, ou causa para sempre inexplicável, estes são os meses que a aviação viajou da profunda miséria da dor à irresponsabilidade de mandatários da república, debochando do esfacelamento da nossa malha da aviação.
 Há um canto em minha casa, que atrai todos os que tem TOC (transtorno obsessivo cumpulsivo): um abajur e um quadro formam um imã para quem adora arrumar a casa dos outros, como se fosse a sua. E eu adoro sair perguntando, em voz alta: “quem tirou o meu quadro do lugar”. “Mas eu pensei que....” “Você já pensou que, às vezes, o que você chama de normal, pode não ser o que a outra pessoa, dona de outra casa, outro corpo, outra vida, outra história, queira para a vida dela?”. Há um silêncio constrangedor, e o pobre do quadro volta a ficar corretamente pendurado, o que, segundo a maioria está incorretíssimo. E é tão torto, digo, correto, que não dá para achar que ele foi parar desta forma por um esbarrão ou ventania. Teria que ser um terremoto, mesmo. E as pessoas não se perguntam por que ele está assim. Será que alguém o quis assim? Não, elas decidem que o coitado dono da casa, o Milton, não tem ninguém que zele por ele, e se investem da armadura de colocadores da minha casa em posição normal. Para mim, também é um exercício de tolerância, já que me dá uma vontade enorme de ir na casa da criatura, e colocar todos os quadros do meu jeito. Vocês arrumam a casa do outro, sem se perguntar se é assim que ele gosta? Ou você acha que todo o centro de mesa nasceu só para ser centro de mesa; se um armário que nunca foi colocado em cima de outro armário, nunca deve aí ser colocado? Beijos...
 Acabou de ser noticiado no Manhattan Conection: Mais um ultra conservador senador norte-americano, foi pego com a boca na botija em.... bordéis de New Orleans. Foi descoberta uma lista extensa de passagens do "metido a santo" pelos puteiros. Este senador fez campanha contra o casamernto gay, apresentou projeto onde a educação sexual nas escolas de primeiro grau deveriam, obrigatoriamente, pregar a abstinência sexual, como única forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis; enfim, era um reacionário. Agora, ele já confessou que, sim, infelizmente é viciado em transar com prostitutas, e espera receber o perdão dos eleitores. Não é o máximo?
 Fui ver Harry Potter. Gosto do namoro multi-étnico do bruxinho prodígio. Gosto da crítica à educação tradicional e punitiva. Gosto dos figurinos da diretora babaca. Gosto da turma dos amigos do bem. A presença de Maggie Smith me emociona profundamente. E a-do-ro a denominação do mal: “aquele que não deve ser nomeado”. Tem coisa mais emblemática do que a gente não poder dizer o nome da criatura, para não invocar as energias estranhas? Aliás está decidido: este BLOG tem a turma de esquisitos do bem, e do outro lado, vocês sabem, a partir de agora, “o que não deve ser nomeado”. "Saravá, Hogwarts”.
 Mas não é um deslumbre nosso primeiro ouro vir de um negão lindo, que já foi menino de rua, pobrezinho, e transformou-se neste príncipe de ébano, que agora vira príncipe do Brasil real? Estou felicíssimo. Viva o maravilhoso Diogo Silva e sua emoção respeitável. Nota da Redação: tentei comprar o casaco oficial, lindo, que o campeão usa ao subir no pódio, na lojinha do PAN, mas só tinha P, putz. Precito: $ 400,00. Fica pra próxima.
 Antes de entrar no espetáculo propriamente, precisava chamar à arena as delegações. Surge a brilhante idéia: formar o corredor de boas vindas com ritmistas. São chocalhos, tamborins, surdos, caixas e cuícas dizendo aos desportistas “sejam bem vindos e boa sorte”. Excelente sacada, a cara do Rio, mas mal executado por falta de grana. Que diabo de playback era aquele? Imagina o desfile ao som da Bateria. Teria sido a glória. Mas fica para a próxima, a idéia é maravilhosa. Fora isto, quantos paíse dos quais jamais tomei conhecimento. Nem sabia de algo chamado, por exemplo São Cristóvão. Mas é bom que a gente aprende. Mas fiquei pensando se eles não estavam desaparecidos até hoje, já que é por ali o Triângulo das Bermudas.....
 Grandes brasileiros trazem o nosso fogo olímpico. Por outro lado, somos um fogo, um outro tipo de fogo. E não seria nossa pira, uma pira simplesinha. Teríamos nuances de sonho. E acende-se uma rosa, não de Hiroshima, a rosa com cirrose; a Rosa do Rio é múltipla e abençoada. Fogo literal aceso, hora de acender o fogo que queima nesta cidade e que encanta as delegações: tragam Daniela Mercuri para entoar Cidade Maravilhosa, soltem todos os bailarinos que participaram do espetáculo com pedaços de suas roupas, a maioria com a malha de baixo, mas antes da maravilhosa esculhambação do cordão do Bola Preta, deixe dançar a pomba da paz, que antes parecia os inanimados da Ligia Clark. No começo, os bailarinos de Deborah Colker estão manipulando um móbile, um origami, uns pedaços brancos que formam um todo, exatamente como as pequenas obras da grande modernista. No final, é a paz, a pomba da paz que faz voar o bailarino. Paz pedida, soltem os bichos: sambão, bateria, cordão de sujos, alegria total. As delegações descem de suas tribunas e caem na gandaia, pois esta é a tônica desta cidade que sedia os jogos: aqui, tudo acaba em samba, até abertura de Jogos. Uma doce brincadeira, que sem se levar tão a sério toca o âmago do coração. Desconfiando de si, mostra o quebra-cabeças de sua grandeza, sua contradição, sua alma em apuros. Como se divertir e dançar samba na cidade partida e sitiada? Vamos dançando, encerrando o espetáculo, certos de que conseguiomos, de que podemos, de que temos talento. Mas como lidar com todo o resto? Não importa, amanhã a gente pensa. Agora é hora de encantamento, é hora de alegria, é hora de celebração. Parabéns, Rio.
 O Maracanã é o quarto da menina sonhadora, ela está esmigalhada pela cadeira fabulosa e gigantesca, e nada lhe resta fazer senão chamar a companhia de seus bonecos. E como fazer isso? Cantando as antigas canções de ninar do interior, do país e de nossas almas. Boi, boi, boi da cara preta.... Surge o folclore, o folguedo, as fitas (mais uma característica da imagética da carnavalesca), que tanto amarram os cabelos das meninas, quanto decoram as encantarias interioranas. Lá vem Bonecos de Recife, Reizado, Maracatu, Folia de Reis e igualmente, bonecas tapajônicas e palhaços arengueiros. Reis e rainhas, carinhas pintadas e pequenas maçãs marcadas pela equipe do visagista Beto Carramanhos. Um grande boneco-menino, de pinturas tribais no corpo, toma o lugar de todos nós, que ajudamos em uníssono Calcanhoto: pega este menino que tem medo de careta.... Somos todos o menino Brasil, orgulhosos de nossas riquezas culturais. Não há mais cor predominante, pois ao lado do preto dos bois, as cores explodem, múltiplas, e mosaicos de muitos detalhes. Bacana, bacanérrimo....
 Desta água lamacenta do primeiro bloco, surge a água azul e cristalina do segundo momento: o mar entra saltitante com bailarinos, cujos esplendores gigantescos, ainda fechados para o alto, logo se abririam em diáfanos leques, para formar as ondas do mar. Por falar em transparência, a volatilidade, como a alma feminina, delicada, foi a tônica do espetáculo. Ajudada pela iluminação, esta estratégia funcionou muito bem, na arena. A luz vazava os tecidos, nylons, organzas, voils, em belíssimos efeitos. Voltando ao mar, no que as ondas começam a dançar surgem barquinhos, e quando os bailarinos tomam o fundo da arena, se apertando, para que só em meio Maracanã ficasse esta água, aí então, borboletas que eram azuis e brancas tomam a linha da frente, e percebemos o que elas realmente representam: as espumas brancas e flutuantes que vão margear a areia que logo se formará. Lá vêm banhistas, guardas-sol, cataventos, redes de esportes de praia, com bolas gigantes sendo manuseadas. Mar azul/espumas brancas/areia da praia: é o trinômio carioca do litoral, e vale ressaltar que a parte dos banhistas, na areia, faz entrar em cena o rosa choque tão característico da obra da criativa e colorida carnavalesca. Muito rosa, misturado com amarelo chegei, dão um ar de verão cítrico aos habitantes da praia de Magalhães. Pronto, terminou a nossa praia. Não terminou? Não, a magia invade a arena, quando o calçadão de Copacabana vem em 50 bandeiras retangulares (novamente as transparências), e as pedras portuguesas parecem estar na vertical, elas correm pelas bordas e diante de uma multidão atônita, elas se deitam, tomam a horizontalidade que lhes é real, mas ficam a dançar, para lá e para cá, ainda que deitadas. Aplausos, muitos aplausos para o segundo bloco, que termina por aí. Era hora de entrar o sonho da garota, menina sonhadeira em seu quarto de bonecos a cantar.
 O primeiro bloco do espetáculo abriu com o nosso hino maravilhosamente bem cantado. Como sua letra evoca uma natureza exuberante, uma terra de encantos mil, isto trouxe para a arena elementos de nossa fauna e flora: bailarinos eram folhas gigantes e magníficas, cobras sobre rodas deslizavam, garças e borboletas em pleno vôo, e flores se revezavam em danças, bem desenhadas pelo mago Renato Vieira. Camas-elásticas se transformaram em vitórias-régias e um grande fumacê transformava aquela atmosfera em pântano, quase brejo, lugar de onde brotou a vida, a tal da lama primordial. E aí surge a estrela do primeiro bloco, o gigantesco jacaré, cheio de bossa e movimentos, deslizando majestosamente no grande círculo. O passeio do réptil foi maravilhoso e o encantamento era único e deslumbrante. O coração do Maraca bateu forte, e o espetáculo tinha mostrado ao que veio: encantar, sempre encantar com nossos simples símbolos. Vale lembrar que esta primeira parte foi colorida sobretudo com verde, em várias nuances e alaranjados, com um pouco de vermelho e amarelo. Um belo colorido. Mas aí era hora de entrar o azul, então passaríamos para o segundo bloco do encantamento.
 Foi a competente acuidade do olhar feminino, que fez a diferença! Ao contrário de tantas outras aberturas de mega-eventos, quase sempre belas, tecnológicas e desalmadas, o espetáculo de abertura do PAN do Rio de Janeiro foi lírico, poético, belíssimo em sua simplicidade como só a delicadeza da alma feminina sabe ser. Tudo isto representado pela sinuosidade, cheia de curvas femininas da Rosa-Pira Olímpica. Uma reluzente rosa de metal, cujo pistilho é o fogo fátuo, movediço, alaranjado, encantador. Só que se desdobrando em mil rosas-piras, tanto refletidas nas mil voltas do metal, quanto no espelho d`água que não cansa de multiplicá-las. Rosa Magalhães, rosa olímpica, rosa pan-americana. Mestra, mulher, majestade do encantamento, primeira e única na utilização das cores. E tão mulher que escolhe dois homens ultra bacanas para fazer o contraponto, homens que esbanjam o que as mulheres gostam: sensibilidade. Os escolhidos, Arnaldo Antunes e Chico César, pareciam estar ali para dizer: já fui mulher, eu sei. E sabiam os motivos da mulherada, representadas num leque magnífico: Elza Super Soares e o domínio da simplicidade absurda, linda em seu black-power, entoando o hino na veia, arrepiante, trazendo a multidão para dentro de seu bolso. Calcanhoto a menina, mínima, na gigante cadeira da casa do interior. Era a boneca na casa de brinquedo da garota crescida. La Mercuri mandando ver na morenice e no swing. Enfim, a glória de ser conduzido por gloriosas garotas.... Vamos aos quatro blocas da narrativa do Brasil visto pelo prisma da rendeira, preciosa com suas almofadas e bilros, onde vai tecendo as entrelinhas da alma mágica do povo brasileiro.
 Acho que o melhor programa de hoje, é convidar um parceiro (a) ideal, para juntos assistirem a maior abertura que já se teve notícia na história da humanidade (triplo sentido). Isto posto, antecipem o salto com vara, nunca é demais....
 Sugiro almoço, tipo 14 horas, na Adega do Bom Mancebo, no sábado dia 21 de julho. E já que seremos plantados para uma exposição de flores exóticas, a ser exibida em Kew Garden, London, sugiro que cada um faça de uma flor um detalhe de seu ser. Serei Milton Girassol, primeiro e único. Vocês irão de que flor? Sarava, salve-se quem puder.
 Meu amor, pés-palitos não são para qualquer uma. Olha a bossa da poltrona.... Depois corra para o braço esquerdo, dengosamente posicionado em look “sou mais eu”. O cabelo? Xuxetes antes de Xuxa. A mulata bossa-nova estava com tudo, e prosa, muito prosa... As botas e as meias-guto são tudo do bom. Mas o olhar, este sim pára-tudo: olá, queridos, sou mais eu (leave me alone). Arrasou! Ainda bem que sem bimbinha....
 “Senhora, é na Casa dos Flamboyants, praia de Jurujuba”. Eu sussurava no celular, pois acredito que a vida é um filme, que existem câmeras escondidas pelo mundo, e sempre minhas cenas são importantíssimas, e dou o melhor de mim. Desta vez tudo indicava que o filme era policial, e iria terminar em morte. “Senhora, sua filha invadiu a festa da amante do marido dela, e a senhora tem que chegar antes da entrada triunfal da aniversariante, que será dentro de quinze minutos...”. Desliguei o celular, e agora, enquanto supostamente espero a chegada da mãe da barraqueira milionária, que era a única capaz de arrancar a traída da cena do crime, volto no tempo para contar para vocês o começo da confusão: meu amigo, poderoso bicheiro a quem muito sou agradecido, me pedira para eu, por favor, ajudar a produzir a festa de aniversário, de sua bela e quarenta e cinco anos mais jovem, namorada. Era um pedido especial, pois como ele mesmo fizera questão de frisar, menina de rua na infância e na adolescência, vendedora de balas nos sinais de Niterói, a deusa de ébano jamais havia tido uma festa de aniversário. E lá fui eu, fazer vestidos caríssimos, comprar as melhores jóias, para que o sonho da bela se realizasse: ela queria trocar de roupa três vezes durante a noite, num crescendo de ciganas que até Deus duvidaria, menos os cinco violinistas contratados para alegrar as fechações. Mas eu estava ali para ser a fada madrinha, não para questionar, e como a varinha de condão era um cheque em branco, poderíamos fazer todas as loucuras, que o apaixonado senhor pagaria. Do que é capaz um homem rico, apaixonado por uma jovem cheia de lacunas... Preciso parar de delirar e contar que duas semanas antes do rega-bofe, que custou caríssimo, tínhamos feito uma festa singela para o poodle dela, num quiosque chiqérrimo na praia de Icaraí. Quer dizer, não era tão singela, pois teve direito a enorme bolo em fora de osso (que eu, inadvertidamente provei, e só aí percebi que era feito de ração canina), buffet para oitenta convidados, muitos com seus espécimes animais, elegantemente trajados (não os humanos, os cães, mesmo); mas nada superou o modelito do cachorrinho-estrela, que coitado, estava veadésimo num rendilhado vindo de Nova York. E foi um espetáculo inacreditável, e não adianta você que está lendo, ficar aí pensando, como eu: “tanta criança passando fome neste mundo, etc. e tal”. Eles já cuidavam de duzentas crianças carentes, tinham creche, projeto social, socorro odontológico, tudo, mas aquela era a hora do totó e acabou, pois até ele era gente, e a trilha sonora especial do aniversário cachorral foi produzida com esmero e executada pelo DJ, onde Dusek imperava com a “cachorra chamada sua mãe”. Voltando à festa principal, trabalhamos dois meses e gastamos fortuna: eu, o cerimonialista, o decorador, e o... assistente para a lista de convidados. O que é isto? Esclareço: como a menina não tinha amigos, nem de infância, nem de juventude, pois todos os antigos camaradas tinham se perdido pelas comunidades da vida, era preciso produzir, inventar, criar, fazer surgir, um grupo de duzentos convidados que teriam que fingir conhecer, e pior, fingir gostar da moça e compartilhar da alegria daquele momento. Do barracão da escola de samba conseguimos uns setenta voluntários; dos meus alunos do curso de carnaval, aderiram uns cinqüenta; e o resto foram rapazes alegres, divertidos, elegantes e brilhosos que catamos entre os freqüentadores de uma boate gay. “Gostaria de ir a uma festa boca-livre poderosa?”. Quem dissesse sim, estaria na lista, sem medo de overbooking, pois era melhor sobrar que faltar gente. Tochas acesas, noite cálida, começam a chegar os convidados vestidos a caráter (pois quem não tinha roupa cigana recebeu uma de presente da nossa produção, porque sonho é sonho e acabou, se tem dinheiro, faz!). Ciganos, véus, medalhinhas cujo tilintar era mágico, e após subirem uma rampa com almofadas reluzentes, mesas com bola de cristal e toda a imagética relacionada, os famintos encontravam um salão enorme onde as fluts de champagne passavam em quantidades generosas. Cascatas de camarão, hadock, tudo pronto, deliciosamente caro e desconhecido. Canapés divinos, garçons com argolas, lenços amarrados nas cabeças, e faixas vermelhas na cintura: o carnaval estava pronto na concentração, era só tocar a sirene da avenida, que a rainha da bateria entraria em sua glória (não no sentido figurado, pois existiam quarenta ritmistas e um mestre para fazer verdade, o desejo da mulata). Missão cumprida, estou no american-bar deste grande salão, sentado num banco alto, cotovelo no balcão (adoro esta pose de Gilda), quando, mortificado, sinto o frio correr minha espinha: a atual esposa do patrão subia a rampa, calça jeans e camiseta, e vinha, decidida, em minha direção: “Pois é, eu vim...” disse-me ela. “Estou vendo....” foi só o que consegui balbuciar. “Aproveita e vê também este solitário em meu dedo (ela levanta a mão, para me mostrar a enorme e reluzente pedra). Sabe quando ele vai dar um igual à este para esta vagabunda? Nunca...”. Digo, lívido: “belo anel”. E ela, aos gritos: “onde está ela...” E sai para o meio do salão, quando cincos gays (aqueles da boate, lembram?) percebendo a situação, a rodeiam e começam a elogiá-la dizendo que ela era linda e coisa e tal. Será que eles acharam que esta já era a outra, a dona do balaco? (me pergunto hoje). Mas não importa. Corri rampa abaixo para o asfalto, e dei o telefonema para a genitora. Quando volto, pulo sobre o capot do carro de luxo que ela havia estacionado na porta de entrada, obstruindo a passagem de qualquer cigano. Nesta volta, vejo as duas negonas, únicas familiares da aniversariante, cercando a dondoca e ameçando pegá-la de porrada se ela não se mandasse. “Perdeu... te conforma que perdeu” Gritavam elas. Neste momento a mãe chamada pelo fone está, velha, se jogando desajeitada sobre o obstáculo na porta. Ajudo-a. Chinelo de dedo, ela puxa violentamente a Iansã para fora do roncó, e segundos depois, ataca a bateria, e a Oxum se apresenta em todo o seu esplendor de dourados, para alívio de toda a claque desta festa de tantas solidões. Tenho pena de nunca ter contado isto para o patrocinador do sonho dos outros (sua vida foi o pior dos pesadelos), o velho Xangô, disputado pelas duas entidades, e entusiasta maior da passionalidade que seu poder provocava. Durante o desenrolar destes acontecimentos que aqui descrevo, o querido senhor da justiça já tinha entrado em trabalho de morte. Faleceu horas depois, deixando toda a sua fortuna material para os mortais. Carregou consigo a ironia fina, que eu via no canto do lábio, quando ele dizia: “sonho é para ser vivido”. Olhei o corpo no caixão, e disse-lhe em pensamento: “bons sonhos, querido generoso!”. De minha parte, já me acostumei com esta voz, que, do nada, vem não sei de onde, e grita: “Corta”!
 Chegue por volta de meio dia que sempre tem uma vaguinha para estacionar na Praça Central. É que os normais, que vão lá para comprar as plantas a preços inacreditáveis, chegam por volta de (ui!) seis da manhã. Qualquer dia é bom, mas recomendo a excursão de sexta a partir das 18, até sábado às 18. Durante 24 horas a Adega da Praça principal não fecha, e o fumacê que vem da churrasqueira é um sinal de que onde há fumaça, há fogo. Não é programa para frescos. Tem que ter estômago para relaxar e gozar. A gente põe tanta coisa pior na boca, que não será lá que a gente vai fazer cara de peido, não é? Deixa rolar, pede o churrasco misto, ajoelhe-se e morra de tanto comer. Fauna, flora e Primavera (risos) são inacreditáveis e sedutoras de se ficar contemplando por longos períodos. Os cariocas cadegueiros são o máximo, e tudo é na boa. Poderíamos marcar a convenção anual dos Lacraios (mal posso esperar para botar meu figurino MOR, em tal ocasião festiva), lá. Os empregados que carregam as plantas.... O único risco é eles nos confundirem com um jardim exótico da floresta tropical, e nos plantar em vasos para sermos exibidos nos Jardins Reais de Kew Gardem, como expressão máxima das carnívoras (ui, de novo!) brasileiras.... Topam?
 É bacanérrima a feijoada na Portela. O que eu mais gosto é o show musical da Velha Guarda. E o meu preferido é o “do Pandeiro”, que entra feijoada, sai feijoada, canta a mesma, deliciosa e engraçada música. O máximo. "Eu sou velho mas ainda não morri". Há uma aura de beleza e estirpe incotroláveis, na quadra da Portela. Minha reverência aos Portelenses (te acalma, Bia), nobreza do samba....
 Amigos Lacraios, Apos vasculhar todos os albuns, a única foto nao comprometedora que encontrei foi essa... rsrsrs Nao chega aos pés dos modelos ja postados no nosso buraco da lacraia, mas eu já era visionaria e sabia que o look vermelho seria tendência! Minha festinha de 2 anos, e, segundo mamãe embora eu tenha escolhido "coelhinho da pascoa" pq sou de abril, nao aceitei a ideia de me vestir como tal, o que hj se tornou uma pena, já que daria uma foto e tanto... rsrsrs Cata o copinho de laranja... Beijos La Lorsque, primeira e única! (esta assinatura já é coisa minha, Milton Cunha)
 Sobre a febre de câmeras e celulares, que põe Banaiuti a se perguntar sobre a deformação do comportamento pós-moderno, diante de uma platéia que não se conforma só em ver o Slava`s Snow Show, já que não pára de fotografar, dois testemunhos meus, que já debocho disto há anos: em Paris a criancinha francesa gritando “les japonaises, les japonaises” e quando virei, compreendi, vi uma manada de trezentos japoneses, fotografando a entrada de Versailles. As lentes eram pontiagudas e pareciam os marfins. Era assustadora a rapidez dos flashes, movimentos, câmeras. Fiquei pensando “Deus, esta gente não relaxa, só quer fotografar, um saco....”, e a outra coisa, a piada genial do turista, defronte do belíssimo por do sol, vendo tudo através da vídeo-filmadora, e exclamando “mal posso esperar a hora de chegar em casa para me deliciar com tão belo filme....”, sem sacar que o filme jamais reproduziria a grandeza do ao vivo. Que sentimento será este, de não curtir com o coração e a retina, que Bana chama a atenção; e querer guardar, possuir, ter a cena em máquina. Deve ser esta compulsão por adquirir da sociedade globalizada. Não basta presenciar, tem que registrar. Acho que tem a ver com a economia fecal dos humanos, que Freud discorre: o cocô é um pedaço de mim, olho a privada e me despeço de um pedaço de mim, pois controlo tudo. Pessoas que passam horas lendo no vaso, folheando revistas num fedor horroroso. A poupança fecal deve render ao máximo, inclusive de tempo e cerimônia do adeus. Hilário e algo escatológico, como nós, humanos. Filme, registro e cocô: o mundo é meu, o mundo é parte de mim, eu tenho o mundo, o que sai, e o que entra em mim, na minha privada vida, é meu, eu só deleto na hora que eu já me satisfiz. Saravá... Só enlouquecendo....
 Gente, tô passado a ferro black and decker: minha amiga Tetê, cantora cearense louquésima, descobriu uma fórmula infalível de fazer seu filho tomar a papinha, que ele não vai muito com a cara, não; é só a Tetê ameaçar, que vai chamar a Daiane, e que ela vem saltando, pro Helinho comer tudo rapidinho. O menino tem pavor da ginasta, tipo medo infantil mesmo. E a louca repete: come tudinho senão mamãe vai chamar Daiane pulando, aqui.... E a criança se entope. Diz Tetê que acha que foram os enormes cílios e o make-up das apresentações do Brasileirinho que traumatizaram o pobre rebento. O que acham?
 -Solteiro ou casado? -Solteiro.... Mas acabaria um casamento por tua causa....
 Hoje, fazendo macarronada, ao pegar a panela quente para virar no escorredor da pia, com as velhas luvas térmicas patas de caranguejo (big-crab), que comprei na minha juventude, no porto de São Francisco (só por achá-las lindas, originais e cheias de bom humor; mas quando ainda não tinha nem fogão, pois morava de emprestado, na casa dos outros), num tempo em que tinha certeza que um dia eu as usaria em minha casa, em meu fogão, numa manhã normal de domingo, de repente me vi pensando, sem querer: “gente, as velhas luvas, aquelas dos tempos de esperança e certeza de que um dia eu iria ter uma cozinha...” E chegou o tempo, chegou a hora, e tento refazer a ponte da esperança, a ponte que me liga àquele moço magrinho, ao caboclo recém-chegado de Belém do Pará, Ita do Norte incluso, e que na sua inocência e loucura, não tinha o menor medo do bicho-papão que o destino era. Eu só tinha o estudo, a formação incial, o canudo de psicologia, e a disposição de ser artista, fosse isso sei lá o que. Passaram-se 20 anos, deu no que deu (ui!), e finjo nem dar tanta importância para as luvas térmicas. Mas na parede, alaranjadas, elas ficam lá, paradas, me lembrando da força com que agarrei e agarro, pela pata, a vida e seus meandros. Eu e elas sabemos de tudo, das dores, das alegrias e da tentativa de ser o mais ético e feliz possível, numa realidade avassaladora. Patas de caranguejos são testemunhas do viver achando que o melhor ainda está por vir.
 Uma bolotazinha, quem não tem balangandãs, ai não vai no Bonfim.... O que é que a Cunha tem? Charme, brasilidade, alegria e uma vontade de viver danada. Vai baianinha, vai cumprir o teu destino de ser gauche na vida. Trejeitos e traquejos de uma menina que sabe das coisas....
 Tudo bem que eu não vou entrar no céu, de jeito nenhum, porque sou gay, e está na Bíblia, isto não é certo. Mas algum anjo encarregado de proteger o cumprimento do “vale o que está escrito”, tem que apertar a campainha da casa do Chico Anísio, tocar a trombeta da anunciação e disparar: “Será que o senhor poderia parar de falar em nome do Livro Sagrado? Porque a sua vida é uma blasfêmia, seu filme está queimadíssimo, o senhor não está com esta bola toda, e não pense que atacando os gays, o senhor vai ter abatimento nos muitos débitos que o senhor tem com a Bíblia. (O Anjo rodopia) Senão, vejamos: (neste momento o Anjo larga a trombeta e abre uma lista enorme) Cruzes, só de ex-mulher o senhor é uma lista telefônica. Até com aquela capeta da ex-ministra o senhor teve coragem de casar. (O anjo voa sobre um Chico petrificado, em direção ao jardim da casa. Virando-se abruptamente, o Da Guarda fala para o pecador, imóvel). Aliás, é certo afirmar que como artista, o senhor divulgou personagens homessexuais.Todos pecam, mas eu vou te contar, hein, Chico, ganhar dinheiro com personagens gays, e depois vir apontá-los como errados? Não é aceitável faturar em cima do que você considera desgraça alheia, e nem ao menos doar parte de sua fortuna para a pesquisa da AIDS. Além disso, dizemos na Bíblia que é proibido comer moluscos, crustáceos, camarões e carne suína, sob pena de morte, coisa que seus filhos, mesmo não tendo se tornado gays, praticam ininterruptamente. Fora isto, está escrito também que deficientes físicos e visuais, nem mesmo com um pequeno problema de visão, entrarão no Templo do senhor, portanto todos os seus filhos com óculos, mesmo os que não se tornaram gays, estão fora, e não adianta lentes de contactos, hein Chico, pois temos um detector oftalmológico de última geração na entrada do Paraíso. E como saidera, (as enormes asas de penas brancas se armam ainda mais, tendo o céu azul como moldura; e neste momento, Chico, o pecador, já está de joelhos, no gramado, apavorado) pecador Chico, em nome da Bíblia: não podeis ser nem glutão e nem beberrão, o que parece ser seu caso, mesmo não sendo o senhor gay. Ih, tá feia a coisa, deu empate. Nem os gays, nem você Chico, nem seus filhos, nem quase ninguém da humanidade, seguindo à risca o texto bíblico, vai se salvar. O céu vai virar um deserto. Vamos combinar o seguinte, seu Chico: em vez de se vangloriar de que não teve nenhum filho gay, se vanglorie de que eles foram bem educados, são gente boa, solidários. Foi-se o tempo em que era preferível ter filho ladrão ou assassino, do que filho veado. Isto é coisa do passado. Pra você ver, Chico, até eu assistia a Salomé, e achava que você levava o maior jeito pra boiolice. Esquenta não, Maranguape, isso deve ser coisa do envelhecimento, da proximidade da morte e do medo do juízo final; mas aquelas escrituras sagradas valem como metáforas sobre a grandeza de se ser humano, e entre estas grandezas, está a capacidade que o homem tem, de não pegar tudo ao pé da letra”.
 Por que será que a gente se sente melhor numa festa que em outra? Será que numa, a gente reconhece a nossa tribo, e na outra, aquelas pessoas não fazem parte do nosso mundo? Ou será coisa cármica, mesmo, tipo energias que rolam solta no ar, e conspiram para a festa dar certo, na sua visão? Não sei a resposta, só sei que me divirto mais no arraial da comunidade da mangueira, realizado na quadra, neste último domingo à tarde, do que na festa poderosa da entrega do Premio Tim, por exemplo, num Ginástico Português divinamente decorado e bem freqüentado, inclusive por estrelas de primeira grandeza. Um lindíssimo aquário, onde eu, peixe fora d`água, nado por entre belas paisagens, mas considero o oceano asséptico demais, quase hospitalar. Já no forró dos mangueirenses, bêbados, exus e inconvenientes incluídos, o que sobra é a vontade do povo se divertir, pessoas simples, que, se fazem caras e bocas, é no intuito de cair na gandaia e mostrar que estão vivos. Ali, cara de paisagem é meio impossível de fazer, e salve-se quem puder. Pague para entrar, e reze para sair. Fui o padre, num casamento da pá virada, e na quadrilha mais esculhambada do mundo, divina, cantada pela louca da Guezinha, filha da inesquecível Neuma, que não parava de dizer no microfone, pra gente: “vocês estão fazendo tudo errado”, “fulana, você não sabe fazer o cerrote”; e quanto mais rabujenta ela ficava, mais a quadrilha (que segundo ela “tinha ensaiado com afinco por seis meses”) caía na gargalhada, e nada, nada, dava certo, a não ser o prazer de estar naquele arraial em verde e rosa. Quando acabou nossa horrorosa e inacreditável apresentação, começou o espetáculo da Quadrilha do Sampaio, que é de quem eu quero falar, verdadeiramente. Grupo Cultural Folclórico fundado há 60 anos, no subúrbio do Rio, a mãe e o filho, responsáveis pelos jovens, continuam a percorrer as comunidades com seu bando de artistas, brindando a platéia com números belos, como o sapateado dos tamancos, a dança típica de Parati chamada Catirina, e a tradicional Quadrilha, que fez números lindos com paus e fitas, que vão se trançando. Vale lembrar que não são estas quadrilhas esquizofrênicas, meio carnaval, meio São João, que infestam os cafonas arraiás modernos. É manifestação genuína, bela em simplicidade e grande em proposições, como só a sinceridade do povo sabe ser. Ali, Festa Junina não quer ser Marquês de Sapucaí, e ponto final. Ocasiões que valem uma vida, sem a tradicional saia-justa de não querer parecer crianças se divertindo à valer. Recomendo este arrasta-pé (agora, só ano que vem), para os que tem o rei na barriga, chatos que se acham melhor que o resto da humanidade, pois eles vão sair de lá mais putos do que entraram, e se Deus quiser, vão explodir de tanto ódio, o que fará o planeta terra ficar bem melhor, sem a presença de tais pedantes. Gente que não sabe relaxar é um problema, né não?
 Lembram dos bonequinhos da série “Amar é...”? Pois é. Proponho uma versão moderna destas máximas, em versão calafrio. Pasmo com as declarações de Siri e Alemão, vejo que nada é mais antiquado, que a forma de amar à moda antiga. Portanto, vamos à “Desamar é...”, já que, em praça pública, os amantes ardem na fogueira das vaidades: “Desamar é... disputar público, mas ele se achava mais famoso do que ela, pois ele já é global e ela não passava de uma ex-BBB”; “Desamar é... se o romance e a fama acabarem, o que importa é ficar bem finaceiramente, pois é isso que importa!”; “Desamar é.... Deus ter dado tudo o que eles sempre quiseram: casa, carro, roupas novas, produtos com o nome deles”. Concidadãos, há uma profunda inversão de valores na produção de famosos, é preciso fazer algo urgente, pois estamos construindo uma sociedade egoísta e desalmada. Talvez se nossos famosos o fossem por espírito humanitário, realizações em prol da sociedade, avanços nas pesquisas da cura dos males que dizimam os seres vivos. Mas não: o materialismo é admirável, e quem não concordar com as máximas do Desamar é... é só um otário.
 Índio brasileiro, na selva tropical. Fantasia tapuia espalhada pelo coração e pensamento. A vida é um palco, e tratemos de fazer de nossa cena a melhor. Estrela nasceu é para brilhar, e não para morrer de fome. Soltem suas fantasias, que a Mamba é negra, negríssima.... De quem será este braço anônimo, meu Deus, ao lado? Cartas à redação....
 Renata é minha aluna do Instituto do Carnaval. Já nasceu empreendedora. Destaca-se pela liderança e sinceridade. Já em bebê, não passava de um sorvete embrulhado em cone estampado, como só a loucura de uma mãe, apaixonada por enfeitar a cria, sabe produzir....
 E como estamos nesta listagem de paraíso infantil, é chegada a hora do “inferno é também aqui”: a pequena já se maquiando, já preocupada com o corte e o penteado, com a estética, digamos assim (se é que isto pode ser chamado de estética, sei lá). Palavra final, tiro de misericórdia: depois de Chuck, o boneco assassino, depois de a noiva de Chuck dizendo, “Barbie, morra de inveja”, e depois do filho de Chuck, hermafrodita medonho, eis que surge nossa versão tupiniquin para os macabros bonecos. Ainda bem que Samille, hoje, largou a sessão arrepio e “veio para o glamour, carolaine”.... Um autêntico poltergeist, pqp....
 Banaiuti, Bana.... Sobre um podium decô, a mão no bolso perfeita para uma posa pensada. Mas o rosto, os olhos, o sorriso, estes, o menino não pode aprender. A expressão tem que estar lá dentro, para expor na hora do clic. Vejam a certeza do sorriso, e o hominho pronto para brilhar....
 Betriz, Beatriz Alves.... Morena isoneira, sassaricando pela Carioca, a procura de um futuro humano. Nos olhos da menininha, a esperança de um adulto bacana. Nunca fomos tão felizes. O amanhã era tudo de bom que poderia vir.
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