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| Milton Cunha |
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 O que será que a televisão brasileira tem contra os elasmobrânquios? Explicando: Amaury Junior, perguntou a Maria João (parada defronte das câmeras com uma naturalidade próxima da postura de um impalado), o que um ser humano não pode deixar de fazer pelo menos uma vez na vida. “Margulhar com os tubarões em Fernando de Noronha. Você vê raia, tartaruga”. Imediatamente pensei o que estaria fazendo Cláudia Raia no fundo do mar (talvez interpretando a encarnação tropical de Ester Williams e seu ballet aquático), quando a reprise das imagens mostrou uma arraia nadando, linda, por entre os pedregulhos submersos, ao lado da Maria. Foi aí que eu percebi que não tratava-se da gostosona atriz dando pinta no fundo do mar, mas sim do peixe elasmobrânquio, da ordem dos batóides. Bem que a produção podia pagar um “mobral” para tão linda (e dura) repórter; quem sabe assim ela aprende a falta que, um a e dois erres, fazem. Fugindo da maldição da raia, tentando navegar por mares desconhecidos, mudei de canal e caí nas cenas de favela da novela da Record. Morri na praia. Uma favela esquisitíssima, cujos tijolos, milimetricamente assentados, faziam fundo para as cenas num bar, onde uma delegada, lindíssima, buscava descobrir o paradeiro de um moçoilo rico que estaria tentando resgatar a namorada, mantida refém pelos traficantes. Olha, de morrer de rir. Hilária a favela toda arrumadinha. Nem precisa subir o morro, é só freqüentar, por exemplo, os bares em frente a quadra da Mangueira, para perceber que o diretor de arte da novela enlouqueceu, e construiu uma favela limpíssima, digna dos Alpes suíços, com toda a pinta de que foi decorada pelo Philip Stark. Mas não era disso que eu queria falar, quero continuar nos habitantes das profundezas aquáticas, que pareciam ser a minha sina naquela zapeação da noite de sábado: na delegacia, a tal da delegada, diz para o inspetor que, se cada brasileiro cumprir o seu dever cívico (assim mesmo), é possível afogar os tubarões corruptos que assolam a vida pública do Brasil. É, pois é: afogar um peixe (aliás, mais um peixe da classe dos elasmobrânquios)! Minha nossa senhora, como é que se afoga um peixe? Deve ser da mesma maneira que, mantendo um humano respirando oxigênio, na atmosfera terrestre, tencione-se matar o indivíduo de tanto respirar. Alguém precisa dizer prá estes personagens burrinhos, que o tubarão já nasceu afogado, ou melhor, que a condição de estar submerso, ao contrário de matá-lo, vai fazê-lo ficar muito, muito feliz e serelepe. Se o texto queria dizer punição, o melhor seria propor tirar os tubarões de seu habitat natural, aí sim eles asfixiariam. Conclusão: podiam juntar a repórter, a novela, os golfinhos de Miami e Orça, a baleia assassina, que p fuzuê era total. Pois o mar não estava pra peixe, mesmo, naquele dia. Me senti uma piranha, do gênero serrasalmo.
 Contradições de ser um pouquinho famoso, para o bem e para o mal: na quadra da São Clemente, enquanto apresentava a eliminatória dos sambas, na sexta à noite, dei um pulinho no banheiro. Estou lá eu fazendo pipi na cuba coletiva, quando um grito ecooa entre os granitos: “é por isso que eu te amo”!. De cabeça abaixada estava eu, assim permaneci. Veio o tapa nas minhas costas, e a insistência: “vai apresentar bem assim na casa do cacete. Você é ótimo!”. Um pouco molhado do xixi, que voou longe com o safanão, continuei no pipi. Ignorando completamente que eu não queria papo, ali, naquela hora, o sujeito acomodou-de ao meu lado, virado para mim, sem a menor cerimônia pelo fato de eu estar ali, órgão na mão, em atividade íntima. “Muito bacana mesmo, você trata todos os concorrentes bem e da mesma maneira”. Como vi que o sujeito não ia desisti, guardei o peru, dei um sorriso amarelo, e bati em retirada. Nem mijar em paz, se pode. Outra: estou comprando as peles falsas para o grande cantor, no Palácio das Pelúcias, centro do Rio, e estréio meu novíssimo talão de cheques da novíssima conta da Caixa Econômica Federal. Tenho meu pagamento recusado, pois só com quatro anos de conta. Este não me reconheceu. Próxima: estou, minutos depois almoçando no Saara, buffet bacana de comidas orientais, já estou na mesa degustando meu prato, quando um homem, celular no ouvido, se levanta no meio do salão, e partindo para a minha direção, grita para quem o ouvia do outro lado da linha, o que assustou todos no restaurante: “eu estou aqui almoçando ao lado do Milton Cunha e ele vai dar uma palavrinha contigo (estou com o garfo na boca, imaginem a cena), porque você adora ele e ele vai falar contigo”. Engulo, olho desolado para a criatura, mastigando, boca cheia, e disparo: pode ser depois do almoço?”. “Quando ele acabar ele vai falar contigo”. Já almoçaram angustiados, com alguém prostrado do lado, esperando você terminar? É uma experiência inesquecível. Quando estou no caixa para pagar, atrás de mim uma mulher diz: “olha a hora da dieta!” (é que eu estou comendo um casadinho). Continuo saboreando meu doce e já entregando o cartão para a mulher do caixa, a mulher diz: “ele não ouviu...!”. Eu a olho, ela repete: “olha a dieta! Você não me ouviu!”. Respondo: “Eu ouvi....(longo silêncio). É que achei tão idiota que preferi não considerar.... “ A mulher do caixa gargalha e eu me mando. Na máquina para pegar café, na TVE, o garoto que abastece o equipamento, me diz: “você é o Messias? “Não, mas eu posso ser quem você quiser!”. “Não me leve a mal, é que meu tio é árbitro de futebol, e ele tem um árbitro amigo que é o Messias que é muito parecido com o senhor? “Mas ele é gay?”. “Não, não é”. “Então não pode ser parecido comigo….”. “Não, o meu tio não é. Mas o Messias é....”. “Então ele pode ser eu....” E vou me afastando com o café na mão, pensando nos árbitros de futebol pintosos, todos na esteira do Armando Marques, divino.
 Como carnavalesco você é criativo apesar de fazer muita firula e não ter ganho nada até agora. Mas reconheço que você é entendido no assunto. Agora esse blog é um pouco demais. Podia se resumir a falar de carnaval. Bela nota sobre o Projeto do Manoel Dionísio. Mas a apologiaao homosexualismo é um pouco demais . Chega a ser desrespeitosa com as pessoas normais, sem nenhum desvio de personalidade. Deus nos ensina a amar o próximo do jeito que ele é. Eu não discrimino uma pessoa com hanseníase, com câncer ou qualquer outra doença. Por isso entendo que você seja gay. Mas querer aplaudir as práticas sodomitas e enaltecê-las é falta de caráter ou problema mental. Como é que um filme pode ser bonito com a cena de dois homens numa relação doentia e degenerada, como o tal filme dos judeus gays.? Lembre-se que uma pessoa para ser curada, precisa antes de mais nada reconhecer que está doente. Insinuar que Deus pode ser uma mulher é uma heresia. Vocês gays querem a compreensão de todos para a doenaça de vocês, mas não respeitam ninguém, achincalham até a religião. Pobres almas que vão penar no inferno. Duvido que no tempo do Ary de Carvalho, ele aceitasse essa apologia ao homosexualismo. Aliás, orgulho gay ? Me aponte um pai que tem orgulho pelo filho ser gay. Pode até aceitar, porque não tem outra alternativa (embora existam tratamentos para essa moléstia) agora ter orgulho. Me engana que eu gosto. Você é criativo, inteligente. Use essas qualidades para passar alguma mensagem positiva às pessoas. Fale de Carnaval. Deixe o homosexualismo para os psiquiatras. ass: londrachapaquente@bol.com.br
Resposta: Lontra, meu amorzinho, Lontra: Que venha o inferno, querido! Mato no peito, rebolo, namoro o diabo, e me divirto à valer. Bom céu prá você, normal. Que para dar uma animadazinha, não deixa de passar por aqui, para ver este degenerado (cruzes!). Quando estiver entediado, experimenta fazer a "tocha cubana". Você vai a-do-rar.... Aliás, já ganhei muitas coisas até agora nesta vida, as melhores são meus negões, que posso te fornecer o endereço deles; mas dentre elas, a melhor é o prazer de saber o quanto incomodo pessoas como você! Viva o carnaval!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Milta Cunha, primeira e única!
 Dei de cara com o homem-cigarro, nas calçadas de Copacabana. Já tinha visto homem-sandwiche, mas homem cigarro, foi a primeira vez. Ele faz parte do programa da prefeitura do Rio que incentiva a população a deixar de fumar. Imediatamente fotografei, para mostrar a vocês. “O povo do Blog vai adorar”. Se vocês tivessem que se fantasiar, se fantasiaram de quê? Eu gostaria de ser uma galinha, patrocinado pelos frangos rica. kkkkkkkkkkkkk
 Fui até a escolinha mirim de Mestre Sala e Porta Bandeira, que funciona no setor 1 do sambódromo, todos sábados à tarde, capitaneada pelo mago e mestre maravilhoso Manoel Dionísio. Lá chegando, vendo tantos alunos bacanas e garbosos rodopiando, dei de cara com esta pequena pequeniníssima, reparem a cara de felicidade e a expressão plena, cuja bandeira era maior que a porta, e quando o vento batia, ia ela, a bandeira, nossos corações, todos juntos, pois “e o vento levou....”. Era engraçadíssimo, tocante e de morrer de rir de tanta emoção, charme e riqueza. O nome dela era esquisito, pomposo, tipo Scarlet ou Marjorie ou Jéssica, ou Rubish. Sabe como é, a mãe já pirou na estrela que tem em casa. Aplausos para quem não deixa o samba morrer, como Manoel Dionísio, e nossa certeza de que se deixarem, novas Lucinhas, Selminhas e Marcelas virão por aí...
 Nunca imaginei que a vida gay de Tel-Aviv fosse tão aberta, evoluída e descolada quanto vi no maravilhoso filme “The Bubble”, em cartaz na praia de Botafogo, nos bacanérrimos cinemas do Unibanco. Um bairro inteiro, charmosíssimo, tipo Village, e a maravilhosa fauna e flora assumidas, zanzando de lá para cá. As fronteiras, as barreiras, a luta política, tudo isto existe, é debatido, mas é lá. Só que tem uma hora que é aqui, do lado, mutilando pessoas. E esta mutilação também é mostrada no espírito, onde os gays não podem assumir sua homossexualidade. A mais bela cena é quando o diretor intercala na montagem um casal hetero e um casal gay fazendo amor, as duas duplas nas mesmas poses. Lindo de morrer, tentando discursar que o amor é o mesmo, independente das escolhas.Lindo filme. Corram para ver.
 Homem total flex, denominação para “gente que faz”, é coisa do passado. Homem moderno, que vai e volta, é homem “bi-volt”: 110 ou 220, a criatura pega (se é que vocês me entendem....).
 Vi uma Punta del Leste fantasma, abandonada por seu público endinheirado que só lhe dá trela no verão. Quase todas as lojas fechadas, num interminável discurso de “ah, você precisa ver isto aqui de dezembro pra lá... Não há mais um quarto de hotel para o reveillon”. Tipo uma pessoa mais ou menos, que quando se arruma fica um escândalo; que só funciona produzida. Como o gigante urso que se abandona na hibernação, e acorda poderoso para passear no quentinho, o chic balneário está às moscas (se é que elas sobreviveram ao vento cortante, peninsular, de 5 graus). Mesmo sem estar bombando, há um charme bacana nas casas, mansões, e hotéis sem muros, integrando a janela da moradia à grama que a rodeia, bem cuidada, e sem mendigos dormindo por ali, ou assaltantes ameaçando os moradores, uma imagem de sonhos, de cenário de cinema para nossa prisão diária. Como será que eles conseguem tanta calmaria?, é boa pergunta, já que nos interessa muito, muitíssimo, entender a vida sem os condomínios gradeados que infestam o Rio de Janeiro. Mas os pichadores de lá são igualzinhos aos cariocas, já que o símbolo da cidade, a escultura Mão de Areia, impressionantemente linda, com os dedos de concreto emergindo da areia da praia, está toda pichada por aqueles hieróglifos que atestam que a bestialidade passou por ali. “Limpa num dia, os vândalos fazem-na amanhecer suja....”, me disse o simpático motorista de táxi, cinquentão e logo se dizendo apaixonado pelo Brasil. Fiquei orgulhoso do Cristo Maravilha não ser pichado diariamente. “Qual é o maior problema do Uruguai?” perguntei eu, nesta minha síndrome de sociólogo. “Falta uruguaio, a nossa população é muito pequena, e não há demanda de serviços. Formamos jovens profissionais em nossa universidades, e eles têm que ir embora ganhar a vida em outros países. Forma, exporta, forma, exporta. Poucos ficam aqui, somos, ao todo, só três milhões de habitantes....” Estava explicado o deserto de gente na cidade. “Quem é o maior cantor do Brasil, pro senhor?”, perguntei animado para saber as impressões do mercosul sobre nossa cantoria (aliás, o slogan do país é “o coração do mercosul”). O uruguaio me respondeu que era Roberto Carlos, mas ele amava mesmo.... Maria Creusa. Gente, por onde anda a Maria Creusa? Tive que dar o paradeiro da cantante para o bigodudo, e chutei: “acho que ela está cantando num bar, em Ipanema”. A partir da devoção emocionada do condutor, revirei minha memória atrás da Maria Creusa que restava em mim. Cabelão, bossa-novista meio sambista, a morena é da minha infância e juventude. “Mas há quanto tempo o senhor gosta dela? È que tem muitos anos que ela canta, ela está até meio sumida!”. “Tenho todos os discos dela....” me disse ele. Me perguntei em pensamento: “mas ela ainda lança discos? Ela não era do lp preto, enorme?”. E fiquei com uma vergonha danada de ter que ir ao Uruguai para ter notícias da maravilhosa Maria Creusa. Que deve aproveitar tanto ibope e se mandar, no verão, para Punta. Vai fazer o maior sucesso.
 Continuando nos motoristas de táxi, só que agora pulando para o Brasil, na volta do Galeão, ao pagar os quarentas reais pela corrida aeroporto/Copacabana, pergunto ao motorista do táxi amarelinho, normal e muito confortável, por que será que a outra companhia, dos opalas (que ela me diz que não são mais opalas, mas a cor é a mesma), cobra pela mesma corrida setenta e dois, não podendo parar em dois bairros pois “este preço é só para uma parada”. Ele num estalo detona: “sabe as estórias da Infraero, as licenças, concessões e coisa e tal? È isso. Eles são do tempo da comissão pra tudo!”. Pois é. O conforto, o ar refrigerado, o modelo novinho do táxi normal que peguei na porta do Galeão, estava tudo nos conformes. Será que o preço dos outros inclui show da Maria Creuza? Aí valeria a pena.
 Fui jurado de um concurso de Miss Gay, numa destas quadras maravilhosas de escola de samba no subúrbio, quando, de repente, durante o desfile do traje típico de Miss Tradição, cuja indumentária chamava-se “Semeando Sonhos”, vi todo o júri ao meu lado debandar, os vips saíram correndo mesmo, para longe da mesa. Tentando entender o alvoroço de tanto medo, virei para a desfilante e compreendi a desgraça: de vestido rodado camponesa, a semeadora transformista retirava de dentro de seu cesto de semeadura, fartas mãozadas de purpurina irisada finíssima, e atirava sobre a platéia, o que fazia com que grandes buracos fossem se formando com a passagem catastrófica da candidata. Em agosto, purpurina ainda não faz parte do figurino. Para onde ela ia, um vácuo se formava. A semeadora, em vez de sonhos, semeou muito pesadelo naqueles cuja chuva, de fino gliter, banhou o ser. É que o brilhinho não sai fácil e três meses depois você ainda o encontra no corpo, no tapete da casa, sendo este brilho o maior dedo duro do século. A semadora foi muito vaiada, mas saiu com uma cara de danada satisfeita: sua passagem pelo concurso tinha sido apoteótica, inesquecível.
 Vem cá, muito bom o filé-mignon do Uruguai. Tanto as carnes de churrasco, como os belos empregados do Mantra Plaza. Gatos, ou novilhos, sei lá. Partindo estou, com todos os projetos decorativos na cabeça. Outubro tem mais. Que venha o Rio de Janeiro, seu samba e carnaval, pois nesta quarta, receberemos a Coca-Cola em mega evento. Dia de formatura de meus amados pupilos. Que o futuro lhes seja leve. Sarava.
 Aviões da Gol, novinhos. Rio até Porto. Três horas de espera, aeroporto bacanérrimo. Vôo para Montevidéu, aeroporto meio caído, free-shop bacana. Echarpes lindíssimas, baratérrimas. Comprei 2, me enrolei e saí n o frio de 5 graus. Van do Hotel Mantra para nos levar até punta. 2 horas de carro. Hotel bacana. Piscina linda, spa faraônico, cassino bom, mas já vi melhores, quarto pobre este meu aí, na foto. Imagina a presidencial. De catiguria. Reuniões, reuniões. Pulo no shopping, motorista uruguaio dizendo que com certeza, na outra encarnação foi brasileiro. pergunto que cantora gosta, ele responde que ama Maria Creuza, como se ela fosse aqui e agora. Tenho saudades dela, eu me digo. No shopping: peles baratas, comprei duas para Ney Matogrosso. Panos indianos, comprei 2 para mim e 1 para Samuel Abrantes. Lindos. Com paetês. Ui! Esculturas de jardim hilárias: comprei 2 flamingos e 2 colhelheiros. De morrer. Uma síncope. Cafona perde. Portanto a minha cara. Comprei mala para jogar tudo dentro. Compras não previstas. Agora, de volta ao hotel, mais reuniões. Frio, muito frio. Conhecem a mão de areia, símbolo da cidade(interrogação). Divina. Depois conto o resto. Volto amanhã à noite. Beijos. Se cuidem, queridos amigos.
 Da longa conversa que tive com Ney Matogrosso, quando o astro me explica demoradamente o sentido de seu show que estréia no mês que vem, “Um Pouco de Calor”, o que mais me chama a atenção é o conteúdo humanista do pensamento central, que Ney repete como um mantra, de desconcertante honestidade e verdadeira preocupação: meu irmão, meu semelhante, meu igual. E olhando no centro dos olhos do interlocutor, é fácil descobrir a absoluta convicção e verdade do cantor, que não acha que devemos nos afastar do que é mais humano e bonito em nós: a fraternidade, a preocupação com o outro, a consciência de que todos nos igualaremos nos sepultamentos. Mas será um show social, de protesto, de cobrança? Sim e não. Sim, pois cobrará em canções como “Ode aos ratos” a emergência de providências como respeito, bom governo, honestidade de propósitos. E não, pois o simples fato de viver já é tudo isto. Estar aqui, de pé, já é político. Falando do humano, estaremos falando de governantes, igualmente humanos (ainda que alguns não pareçam). Sem ser panfletário, o grande intérprete deseja festejar as qualidades humanas e as relações de respeito, que não devem ser mediadas por conta bancária, cor de pele, escolha religiosa, opção sexual, e outras criações sociais. Indago se tudo isto estará embalado em simplicidade e discreção, que poderiam parecer antagônicos à exuberância do artista, já definido certa vez pela imprensa internacional como uma “mistura de David Bowie, Carmen Miranda e Josephine Baker”! Nem um pouco. Não é preciso ser sério ou feio, para ser responsável. Não precisa estar sobre a pobreza visual para pensar os problemas. Lá estará o bom e velho Ney. Quem disse que luxo e exuberância não rimam com raciocínio? E o público agradece, aplaudindo. Em embalagem bacana, com figurinos do mago Versolato, o espetáculo evocará antigas civilizações, afamadas por deslumbrantes arabescos, lado a lado, em cena, com o deslumbre da imagética dos índios do Xingu, suas tabatingas e seu grafismo lindo. Chico Buarque e jovens compositores, consagrados e desconhecidos. Não há nada de chato em ser engajado. Outra questão que será abordada pelo espetáculo será o tempo. E já que falávamos da passagem de horas e minutos, elogio a forma dele aos 66 anos (no almoço descobri um segredo: só come galinha caipira, do sítio em Saquarema, o que convenhamos, é um luxo, a tal da garnizé), pergunto que cantora, madura, mantém tanto sex apeal, e ele sem titubear, detona: Elza Soares, e se derrama de elogios para a black, que segundo Matogrosso, bate o maior bolão. Tempo nas conhecidas letras de Cazuza e nas novas canções inéditas dos compositores que ele está lançando. Ney e seus gatos, Matogrosso e sua macaca, a estrela e as pessoas: é um grande prazer desfrutar da companhia do artista, no auge de sua articulação e poder criativo. Ney é uma festa serena, uma pororoca pós-revolução, correndo apaziguada rumo ao oceano. Até as cortina abrirem. Aí ninguém segura a entidade, aí a explosão se personifica. Tem medo das críticas, Ney? “A abandonei em 75. Desde lá não perco tempo com as maldades. Eu e meu público, minha gente e eu. Isso é o que interessa, o que importa”.
 O engraçado juiz que despachou o processo que Richarlisson (como a mãe deste menino estava inspirada na hora de decidir o nome do rebento, acho até que ela teve auxílio da numerologia!) moveu contra o preconceituoso dirigente, usa a profunda expressão “cada macaco no seu galho” para separar o galho dos gays e do futebol. Sem querer revelar a lista de jogadores que já me namoraram, o que faria o juiz arrancar todos os seus cabelos, é preciso, usando o mesmo código de raciocínio do meretíssimo, declarar: “Juiz, juiz, cada jumento no seu pasto, querido....”
 No meu tempo de universidade, as garotas pagavam a faculdade fazendo bicos como modelo, recorriam aos programas de financiamento do governo, conseguiam vaga de monitora das disciplinas, e para passar nas matérias chatas, uma ou outra dizia que o horroroso professor era uma gracinha. Mas jamais pensei que ser universitária seria um requisito para ser garota de programa. Mas hoje, além de lindas, gostosas e sedutoras, parece que virou um fetiche anunciar o serviço de universitárias, qualificação que, a priori não tem nada a ver com o desempenho sexual exigido para tal ocupação. Mas se pensarmos bem, descobriremos que talvez elas finjam melhor, ou o cliente valorize o fato de que elas sairão dali direto para a sala de aula. Se a hora é 300, vezes 8 dá 2.400. Vezes vinte dias de trabalho, 48.000. Na baixa temporada, meio expediente, 24. Com 50% para a agencia ou a cafetina, sobra 12 mil. Cruzes, como eu estou ganhando mal....
 Não se fazem mais Barbies e Batmans como antigamente. O representante da Mattel, com dois tes, diz que o problema só existe se a criancinha engolir dois ímans. Um íman não dá peripaque magnético no bucho dos pequenos. Sem saber se é para rir ou chorar, e respondendo a esta empresa que tem fixação por dois, já que também vendeu para agora recolher, poderíamos perguntar se durante os testes de adequação do brinquedo, ninguém viu, pensou ou supôs estes problemas. Porque agora, querer recolher milhões de brinquedos, parece brincadeira (e não de criança). Tudo bem que o recall é uma chiqérrima estratégia de civilidade contemporânea, mas é desanimador pensar, que agora podem estar botando no mercado perigosos produtos para os seres humanos. E quando penso na mãe pobre que tem que telefonar a mandar a artimanha para a China, fico de olhinho pequenininho e acho que tudo é complicado demais. E olha, isto é o que vem à tona, à público. Imagina a quantidade que conseguem abafar.
 Primeiro, saudades de Marisa Raja Gabaglia, ou Rasga Navalha para os mais loucos e íntimos. Segundo, a nossa Marisa Labanca, a menina que bota banca, quebra o coco, e mostra a sapucaia. A maquiagem, nada de carregada. Depois a flor Sandra Rosa Madalena em chiquititas. A expressão deliciosa é de que “vou acontecer, vou me apresentar e me aguardem que arrasarei na Caipira!”. Um sucesso. Quando ao folho babado no peito, toda a tradição perua mirim, de que mais é melhor e sempre. Mas o comprimento da saia, a saia, a pequena tira, as pernocas, nada, nada se compara a tamanha vertigem. Um pequena nesga de pano, um mínimo na peruazinha, que deve ter gritado, exigido tamanho descalabro. De tirar o fôlego, a vedete, quase Virginia Lane, pequena Marisa Caipirésima Joanina. Sarava.....
 Mesa sobre carnaval no 2º Simpósio Internacional do Dep. de Línguas Neo -latinas, no dia 3 de setembro, na Fac. de Letras da UFRJ. Palestras de Fred Góes, sobre o Carnaval nas Américas, de Helenise Guimarães, 2 professores da Bahia, 1 de Pernambuco e de Milton Cunha. Sobre a Palestra deste que vos escreve: Título: Quando o Carnaval Dança com o Fantástico Resumo:O trabalho investiga e analisa a recorrência da ultilização de elementos fantástico na construção poética dos enredos escritos por Joãosinho Trinta, com o objetivo de demonstrar como a utilização de recursos da mesma ordem, que notabilizam a literatura latino-americana contemporânea, pelo o carnavalesco inventor, ganham vida na passarela do samba. Milton Cunha: Carnavalesco da Cidade do Samba é mestre em Teoria Literária pela UFRJ,Conselheiro do Instituto de Carnaval da Universidade Estácio de Sá e Professor de Moda da Pós Graduação da Universidade Veiga de Almeida
 Quando o entrevistador Gilles me perguntou: "mas o que é o blog Buraco da Lacraia?", só me restou responder: "é um mafuá de gente maravilhosa, da pá virada e do barro remexido". Muita boa a noite, casa lotada, bombando. Ao final, no palco iluminado, as seguintes estrelas, vedetes, ou personalidades, mas todas, absolutamente todas, celebridades: (da esquerda para a direita) nossa lacraiuda Fabíola, de vinil preto e madeixas blonde; o idealizador da noite, figura ímpar, carismática, do bem total e grande sacador de bons lances, Bana, Banaiuti; Bia Chic Alves, sempre e eternamente homenageada como amiga divina; esta estrela que vos escreve (kkkkkkkkkkkkkk); e o líder da Turma OK, Gilles, o afamado visagista. Um sucesso, uma noite para ser guardada no coração, e lembrada, esta homenagem aos Lacraiudos...
 Fui a uma reunião bacana no Hotel Sheraton. Tudo certo, terminou a reunião, vou à garagem e pego o carro. Quando o homem da guarita me informou que eram seis reais, abri faceiro a bolsa e.... não tinha dinheiro. Perguntei se podia pagar com cheque, cartão. Não, não podia. Cato as notinhas miseras, chego à cinco reais. Começo a suar, nervoso e procuro, suplicante, moedas que interem 1 real para eu alcançar a porta da liberdade, que custava seis reais. Nada, duas moedas de vinte e cinco centavos, e eu dou o tiro de misericórdia: moço, tenho 5 reais e cinqenta. Pelo amor de Deus me deixa sair. Ele me respondeu que não podia, senão ele teria que arcar com os 50 centavos. Compreendi o que ele dizia, olhei desolado para a cara dele, e ele me mandou voltar à garagem, subir ao lobby e tentar o caixa 24 horas, ou, que eu fosse até o Leblon de táxi e lá sacasse dinheiro no meu banco para pagar o estacionamento. Nunca 1 real, ou melhor, 50 centavos, fez tanta falta. Corro ao lobby e atarantado e com vontade de rasgar a roupa a atear fogo às vestes, vejo que o caixa é banco Bradesco e não aceita meus cartões. Vejo uma loja chamada The Men`s Shop. Invado, pego uma cueca samba canção bonita e digo: quanto custa? Resposta: 43 reais. "Minha senhora eu compro, se a senhora passar 44 reais no débito e me der 1 real pelo amor de Deus". “Não posso dar troco para cartão, são as regras da loja”. Me ajoelhei no mármore: “senhora, por misericórdia, eu preciso de 50 centavos, vai virar o horário e o estacionamento vai subir para 8 reais. Eu jamais sairei deste hotel de luxo. Eu estou preso neste hotel como o Tom Hanks ficou preso naquele aeroporto no filme, eu vou ter que morar aqui”. A vendedora começou a rir, passou o cartão cobrando 43,50 e me deu as moedinhas que faziam o total de 50 centavos, que inteiravam meus 5 e 50, perfazendo o total de 6, seis, repito, seis reais me levariam de volta a vida normal. Atraquei aquele dinheiro com tanta força para que as moedinhas não desaparecessem, paguei, e sumi daquele lugar amaldiçoado. Agora tenho uma cueca samba canção medonha aqui em casa, que fica me olhando, como se me perguntasse o que estou fazendo com ela. Ela me olha como se me dissesse: "fui eu quem te salvei. Você me deve esta...."....
 Recebi um e-mail de Terezina, Piauí, que dá a brilhante idéia da "Investidura" para Lacraios iniciantes. Tipo Novatos na Távola Redonda, mesmo. Os mais antigos, velhos, anciões, bíblicos mesmo, estão com a palavra. Como poderia ser a cerimônio do Aceite Lacraio? Saravá..... Eis o e-mail, o cara é mestrando em não sei o quê, e quer me entrevistar.... (ui!)
Oi Milton, como você me convidou, como faço pra me tornar um lacraiudo ? Existe algum ritual e,ou investidura ? Há algum recebimento de diploma ou título? Abraço, Daniel - Teresina - Piauí ps. Piauí é o lugar mais quente o qual você conheceu? seja sincero Abraços, Daniel de Moura....
Resposta: Meu Deus, que Demora! Entre no site do Jornal, depois escreva algo, qualquer coisa, se apresente, conte sua estorinha, e o resto, o povo vai fazer. Eles são enlouquecidos, os Lacraiudos. Entra logo, que demora. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
 Vi no palco um Eri Johnson indomável, agarrando o leão na unha, para fazer as coisas darem certo, já que os problemas se sucediam (por exemplo o telão do vídeo da abertura não subir, o que paralisava todo o resto). E na virtuose de improvisar brilhantemente, arte na qual ele é imbatível, para deleite da platéia, ele confessa, encurralado: “pqp, tava tudo indo tão bem....”. E no canto do sorriso, no final do acri-doce pensamento, vi no fundo do olho do homem, não do ator, do homem, a luta que foi, não tendo nascido belo para ser galã, conquistar o lugar ao sol como palhaço de si mesmo, personalidade maior que qualquer papel que lhe caiba, histriônico talento que o público paga para ver, e que se só tiver o personagem, a chiadeira da platéia é geral. Ele é um sucesso, dono de uma expressão corporal ímpar, de uma presença iluminada, e ao mesmo tempo é o maior desarumador de texto e cena que pode existir. Contracenar com ele é delícia e suplício, sem possibilidade de meio termo. E fiquei ali pensando nos grandes virtuoses prejudicados fisicamente, e que superam com garra e determinação o que a natureza não lhes deu. Em aspectos diversos, Renato Aragão, Mateus Nachtergale, Procópio Ferreira e outros, são artistas que driblaram a impossibilidade de serem mocinhos bonitos, mas encarnam o mocinho com talento de forma impagável. Não é fácil lhes alcançar este desprotegido aspecto da personalidade, empurrado à força para o fundo dos olhos, o canto da alma. Calejados pelas adversidades, em cena só lhes sobra o Titã, o magistral da própria presença. E naquela queda-de-braço para arrumar a casa e corresponder ao que dele esperam, ali estava Eri, fazendo das tripas coração para não ser menos que total no que faz. São seres que se cobram ao limite. E se a gostosura não é determinante, que ajuda, ajuda. Mas para sempre em nossos corações nossos Mazaropis, nossos Jecas-Tatu, nossos pequenos grandes-homens.
 Deixando a Barra, seguindo pela noite fria rumo à Zona Sul, na Lagoa, me deparo com os meninos que se exibem no sinal. Eram dois, pequeninos, raquíticos. De short curto, sem camisa, suas costelinhas reluziam na noite gelada da quase meia noite. Eram o que costumamos chamar de “infância abandonada”. Pois desta vez não estavam pintados, não faziam malabares com limões, não subiam uns nas costas dos outros. Como se dissessem: “não somos artistas, não vamos nos apresentar. Somos só esfomeados, precisamos desesperadamente de um trocado qualquer, e para isto faremos as mais tolas e inacreditáveis palhaçadas para vocês”. Palhaços de tempos de desesperanças, os desvalidos moleques davam o tiro de misericórdia, tentavam a última cartada sem ser o crime, pois sem a oportunidade que lhes florescesse qualquer talento, só lhes restava o desolado picadeiro daquele circo macabro, que me dava vontade de chorar: eles fizeram uma apresentação constangedora, arrastaram suas miudinhas bundas no chão, dançaram a ridícula dança do siri, fizeram macaquices. Mas não disfarçaram, não pegaram leve, não queriam ser outra coisa: eram apenas os miseráveis, e não adiantava enfeitar o pavão fingindo-se artistas. Estavam se atracando com o gigante Golias, seus corpos como feridas abertas. Há algo de parecido entre estas estórias, há algo que nos junta, todos, brasileiros, terceiro-mundistas: do limão, a limonada; da tragédia, a esperança; da lacuna do Estado, o salve-se quem puder. A luta, a batalha está por aí, na noite, na madrugada, no teatro ou nas estradas, no sonho de ser alguém, e construir uma carreira, bem no meio da cova das feras, que tendo nascido com aquilo virado para a lua, não vivem no fio da navalha.
 Eu não tinha gostado nadica de nada, do comercial onde um badaladíssimo treinador jogava coisas de cima de um prédio para que o grande jogador, lá em baixo, na calçada, se virasse para apanhar todas elas. Não achei educativo, achei mau exemplo, praticado com uma felicidade estonteante. Me perguntei se alguém veria grandeza naquele ato, e olha que eu ainda nem tinha assistido ao vídeo onde os socialites atiram ovos, pelas janelas endinheiradas dos que moram à beira-mar. Mas aí estreou o comercial das sandálias, onde, o rapaz roubado, é levado para identificar as ladras, elas são lindas e famosas, e ele esquece o crime e fica com um tesão danado na sala de reconhecimento. Deve haver alguma coisa de muito errado numa sociedade onde delinqüentes sejam endeusados, pois são famosos e pouco importa os atos que praticaram no filminho, que quer vender ou divulgar um produto. A moral da estória é a seguinte: bonita pode roubar e desportista famoso pode atirar objetos de cima de um prédio. Rezemos para que ninguém imite. Acho que o CONAR deveria obrigar, tais peças publicitárias, a escrever em baixo, como no comercial das bebidas: praticar os atos aqui mostrados faz mal à saúde física e mental dos consumidores.
 Da cadeira presidencial, Calheiros ameaçava abrir a boca. Apontava com ódio inominável, constrangendo seguro, quem tinha telhado de vidro. Ali, materializado na nossa frente, o que desde criança sempre ouvimos: se começassem as denúncias, elas derrubariam todos, o país inteiro cairia, não sobraria ninguém. Quase pude ouvir a galera torcendo: “conta, conta, conta....”. Porém não foi desta vez que a merda no ventilador foi espalhada. Mas não deixa de ser engraçadíssimo ver e ouvir entrelinhas, expressões que traduzem: “eu sei que você sabe que eu sei, e se eu cair, despenco levando muitos de vocês, inclusive você...”. Para uma nação que só ouve tiroteio em comunidade pobre, este fogo cruzado Braziliense confirma a tese de que tá cada vez mais down no High Scociety.
 Sim, Banaiuti, eu expulsaria Gianechini de minha cama. (Neste momento é preciso que vocês se espantem, façam uis! e ais! ohs! e ahs! para que a estória termine convincente e risível, o que é muito mais importante). Porque neste momento, Rocco Pitanga teria chegado em minha porta,e dito "ou ele ou eu" (e eu, sabedor de que o menino puxou aos dotes do pai, que já me confessou tal façanha, faria a escolha correta), neste momento surgiria a boneca Barbie e eu diria: morra de inveja, querida.... e partiria sobre seu cavalo branco (se tudo, tudo desse errado, sempre me sobraria o cavalo branco para distração), para a terra de Neverland (óbvio, sem a Michael Jackson). Gianecchinni ficaria aos prantos, expulso que foi de meu leito (leito, putz.... muito ruim....) Lá, no paraíso Lacraio, receberia em festa todos vocês, e...... e...... e..... me acordaria.... É dura (ui!) a vida da bailarina.....
 Queridos, tenho achado a boca da Kirchner tão esquisita, parece bico do Pato Donald, que me veio à cabeça: antigamente boca de velha era pra dentro, riscadinha, a que tinha perdido a formosura do volume. Agora vem o contrário desproporcional, a revanche exagerada, e boca de velha é uma couve flor inchada, cheia de micro volumes secundários. È esquisito, né não? Isto me lembrou o comentário de meu irmão, que disse que viu um menino que posou nu para a G Magazine e que tinha tomado injeções para avolumar o peru. Mas que o líquido criou uma bolota lateral estranhíssima no corpo cavernoso (ui!). Parecia uma jibóia que engoliu uma bola de futebol. Sarava... Donde se conclui que boca e pinto, cada um tem a sua... Ou não....
 Domingo, tinha que ir ao lançamento do Enredo da União da Ilha do Governador. Escola simpática, samba clássico, e eu teria que, convidado, dar pinta e confirmar que eu apresentarei, sim, no sábado à noite a noite dos Destaques da Escola. Quem quiser, pega convite comigo. Vai ser bacana. Mas preciso contar para vocês que Leci Brandão pegou o microfone e arrepiou. Quanta mágica, quanta empatia, quanta comunicação. Mulher de força enorme, mulher de fibra. Extasiado, parti para a Lapa, o post abaixo.
 Depois, acabado o samba na União da Ilha, por volta das 7, pensei: deve ter algo na Lapa para distrair. E passei por lá. Vi movimentação na FEBARJ (Federação dos Blocos Afros do Rio) e fui lá conferir. Pois todo domingo, à partir das duas da tarde, até nove da noite, tem festividade do Afoxé Estrela de Oiá, com almoço dos deuses. Sem ser convidado, entrei, puxei a cadeira, pedi para a bela baiana um xinxim de galinha e fiquei lá, vendo o povo dançar afoxé. Atabaques, um acarajé, papo aqui, papo lá, pensei: domingo, 6 da tarde, poderíamos todos marcar uma convenção Lacraia no Afoxé. Como servem até oito da noite, quase um jantar, não atrapalha o almoço com família. E mais: o risco que corremos, pois galinhas em chinchim de amigas é um problema, ui! Mas tudo dará certo. Quem vai dançar o Afoxé, domingo, sem ser este, que estarei no Palco da São Clemente, o outro, às 6 da tarde, na Lapa? Saravá...
 Sempre adorei este nome: Fatal! Parece personagem de minha peça de teatro. E para meu espanto, na caixa postal esta “Fatal Criança”. E nada mais foi dito, nem o nome nem as fatalidades do destino. Menino ou menina? Boné ou arco de cabeça. Piloto ou pilota de provas? Não importa, passemos ao quesito charme: o carango é um escândalo de antigamente, o rostinho, fofura total, e a pose, bem... duas mãos no volante: decidido e seguidor das regras. Não olha para a objetiva, faz cara de distante, estrelar. Pedras de um muro e velho portão de volutas de ferro. Meu calhambeque, bip bip.... Quero buzinar meu calhambeque.... Arrasou, Fatal fatalíssimo.... Sarava...
 A lacraiuda Christine, em tempos de criança, arrasando total no “Duas peças”. E não venham me dizer que vocês não sabem o que é isso: vocês também são do tempo do Maiô inteiro ou Duas peças. E como toda garota à frente de seu tempo, um tanto quanto enfezada, aqui está a outrazinha exibindo a barriga, coisa de corajosa. A foto é um deslumbre, a mãe então nem se fala. Reparem a toca de banho, os óculo JacK O, enfim, a tradução de um tempo. Que praia será esta? Aliás, reparem a pose decidida e marrenta da pimpolha. Um escândalo. Muito bacana. De resto, dizer que estas fotos têm revelado, além do paraíso infantil, a pose das mães, um luxo. Arrasou, Christine com Ch (não é uma qualquer....)
 Em reunião lítero-musical, ontem à noite reuniram-se em esbórnia lapesca, quatro criaturas lacraiudas de primeira instância: Monsieur Milton Cunhá, Embaixador da Rússia; Monsieur Bana Banaiuti, Vice-Consul da Prússia; Mademoiselle (ui!) Biá Alves, cirigaita dos Países Baixos e La Dame Rê Renata Cunhá, Arqui-duquesa da Áustria. Tanta nobreza acabou em porre e vexame, como bem condiz com os abastados e abestalhados. Comemos (ui!), fomos comidos (ui, ui, ui!), e celebramos a vida e, atrasados, o tal do famigerado dia do Orgasmo. Foi um escândalo, foi uma beleza, pois o Nova Capela é uma capela para celebrar a vida. Prostitutas, cafetões, artistas e ..... nós.... lacraiudos. Como pintos no ninho, como pintos (ui!) no lixo. Saravá, e precisamos marcar na rua, território do povo que deve ser saudado, já que nossas almas, vagabundas, transitam entre estes mundos com uma desenvoltura de espantar qualquer um. Aliás, não sou gayzista, sou gazista: e PUM para os invejosos. Morra, Barbie, porque sou belíssimo. Risos e PUTZ!
 No corredor da galeria movimentadíssima de Ipanema, encontro Ângela, velha conhecida de alegria e comemoração. Existem pessoas que são lembradas pela esfuziante animação. Não que você nunca as tenha visto em outros momentos, pois todos perdem entes queridos ou ficam doentes. Mas fora estas fatalidades, que acontecerão a todos, existem seres humanos que estão sempre de bem, com um sorriso e uma alegria contagiante, para enfrentar o cotidiano, e até na feira-livre são o que são. Fazem festa com tomates, quando o resto da humannidade não vê o menor motivo para tal. Saindo da cafeteria, ouvindo meu i-pod, dou de cara com ela, espécie viva de Poliana, e automaticamente um frisson toma conta de mim. É bom ver pessoas positivas, é bom encontrar, do nada, gente que faz o bem. Pessoas que insistem em ver a vida pelo lado do arco íris. É o povo “mágico de Oz!”, ao qual orgulhosamente pertenço. No caminho para abraçá-la, Caetano Veloso começa a cantar a filha da Chiquita Bacana em meus ouvidos, e eu não acho aquilo coincidência. Fico só com um fone e o outro taco na orelha da maravilhosa, fazendo-a ouvir a trilha sonora perfeita para nós, gêmeas agora xipófogas, ligadas por um fio de celebração, e ela começa a cantarolar em voz alta “porque sou família demais...”. No “puxei à mamãe” já peguei nas mãos de unhas verdes, por causa do PAN, da louca, e já estamos rodopiando e rebolando na Galeria, para o olhar atônito dos vendedores e das chics que passavam. E quanto mais em câmera lenta o mundo a nossa volta ia ficando, mais dançávamos e cantávamos: “na minha ilha, iê, iê, iê...”. O bom de contracenar com maluco é que não precisa ser pré-combinado. É só soltar as feras, que tudo dá certo. Não há cenário, figurino e direção, não há clausura, não há vergonha, só há uma vontade despudorada de ser feliz. Quem vê, pensa que ganhamos na loteria. Ao final da dança ela me conta que escapou da morte, pois padeceu com um tumor maligno no seio. Pois é, eu ficaria muito surpreso se um câncer batesse a felicidade de minha morena festiva. Porque então, seria só teoria, que vontade de viver e disposição para a superação eram bons aliados contra as doenças? Eu quero ver é na prática, eu quero testemunhar que uma amiga como Ângela, não entrega os pontos no primeiro obstáculo. Acho até que quando a doença tenta se instalar, ela já vai logo saindo de fininho, dizendo “aqui eu não vou me criar, no corpo da feliz”. É isto, exatamente: desfrute a vida, veja as coisas pela lente bacana, e quando a adversidade chegar (porque com certeza ela vai chegar), mate no peito e faça o melhor que puder. Não é possível que em campo adubado, a semente de dor que busca o brejo se instale. Há sol em você, terra arada, há poder vital, e não permita que nada baixe a sua guarda. “Viva a filha da chiquita, iê-iê-iê....”
 “Doutor, o mundo virou um borrão impressionista...”. “É que eu retirei o seu cristalino do lado esquerdo, Milton. Você vai ficar meia hora assim, vendo tudo embaçado, até que eu coloque a lente monofocal”. Deitado ali, eu experimentava a sensação, fechando o olho direito, dos que só vêem o mundo como um vulto, uma mancha. Aproximo a mão de meu nariz e não vejo o contorno das unhas, olho a maçaneta da porta, que antes identificava como aço escovado, e agora ela é só uma onda disforme de dourado, mais brilhoso que o amarelo da parede, que antes discernia como pau-marfim. É o mundo do não exato, sem linhas retas, sem identificação do detalhe, por enorme que seja, tipo a luz dicróica no teto de gesso rebaixado, que agora virou ponto luminoso, impossível de saber o que o produz. Lembro dos filmes nos quais a mocinha quase cega testemunhou um crime, mas só viu o vulto. É assim, as enfermeiras que passam ao meu lado são só vultos, e não sei quem são, não lhes vejo rosto, olhos ou narizes. E aí, na espera de ter meu cristalino de volta, começam os “e se...” tão característicos de nós, os ficcionistas: e se faltar luz? Pára este centro cirúrgico? E se o doutor Edigezir tiver um mal súbito e cair duro, morto, fulminado pela ira do demônio ocular? Quem recolocará meu cristalino? E se minha lente, na hora da colocação, pular do aplicador e cair no chão, e se perder para sempre? Tudo maluquice de quem não tem o que fazer, e resolvo parar de intelectualizar a dor da separação de meu órgão, que será substituído pela tecnologia boa, que auxilia o humano a voltar a ver melhor, a respirar ou viver melhor. Além de tudo isso, se estas doidas estrelas vivem com mais 500 mililitros de peitos de silicone, porque eu não sobreviveria com um fina película do mesmo silicone, implantado no interior do olho? Um óculos interno, isso, uma auxílio implantado, para que eu possa enxergar a minha amada Sapucaí, o rosto de meu irmão, a tela do computador. Foi isso que respondi ao meu amigo, quando ele ponderou que eu não deveria mexer em algo tão sagrado como a minha visão. Se vos escrevo, é que tudo terminou bem! Sou agora um ciborg, produto do mundo cibernético que recorre à equipamentos de ponta para corrigir a vista cansada pelo tempo. Se no tempo de meus avós, esta mesma vista cansada era incorrigível, vejo que o que vivo é ainda passagem para um mundo onde, se Deus quiser, crianças pobres que nasçam cegas, surdas ou mudas, receberão implantes que dêem a elas o direito magnífico de desfrutar o planeta e a vida de maneira quase plena, o que já será muito. São equipamentos humanistas, que auxiliarão o mundo a ser menos injusto e doloroso. Viva a vida!
 Nós aqui nesta palhaçada de impávido colosso, e O DIA divulgando que uma serpente de 5 m matou a pobrezinha menor só de 2 metros, no Instituto Vital Brazil, com Z. Um amor lesbiano (ou será que todas as serpentes têm nome feminino?). Esfriou, a coisa ficou difícil, e uma cobra para se esquentar, passou do ponto, passou da medida, e estrangulou a outra. Me falta o ar! Às vezes o amor é assim mesmo: faz-nos fazer coisas que não queríamos. Conta-se a boca miúda que certa vez, Samylle deparou-se com fabulosa sucuri pantanesca. Enorme. Grandiosa, impávida colossa (desculpem o feminino inenarrável e infame). Era ou ela, ou ela (entenderam, ou a musa ou o ovídio). Do contrário, nossa musa seria impalada (ui!) pelo candiru (ué, não era sucuri? Não importa, o que importa é o final da estória!) La Cunha amansou a cobra só com sua destreza manual, o que fez a bichona (a serpente, não Samille) sentir-se mais calma. Uma estória sem pé nem cabeça, mas quem quer lógica? A gente quer é deboche....
 Depois desta insanidade do Rodrigo, que já me fez gargalhar horrores, quero elogiar o dito cujo, Rodrigo, que é um cara bacanérrimo, que entrou aqui sabendo chegar, passeando com desenvoltura entre a maioria enfeitada, homens e mulheres, que aqui postam, heterossexual convicto (ui!), jogando seu charme para cima das mancebas de forma espetacular, sem detonar babacamente os gays, colocando (ui!) suas opiniões de maneira educada, democrática, brincando e zoando de maneira risível e agradável, concluindo, o IMPÁVIDO COLOSSO. Tudo isto para dizer que o post é sobre a pergunta de Paula Toller, numa música: “O que significa impávido colosso?”. No meu desvairio, significa saber chegar, de mansinho e depois mostrar tudo a que veio. Daí Rodrigão, Com todo o respeito. Além disso, para mim impávido colosso era o bolo da minha avó índia, de fundo de quintal. O que é IMPÁVIDO COLOSSO para vocês? Olha, me respeitem hein! kkkkkkkkkkkkkkkk Aliás, tô puto que nunca mais chegou foto do paraíso infantil de ninguém! Tá faltando Marisa, Monillay, Cristine, Rodrigo, etc, etc, etc.... Coragem, gente.... Não dói (ui!)!
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