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| Milton Cunha |
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 Amigos, que todo o esplendor do mundo resplandeça em vossas almas 2008! Cada amigo representado pelo pequeno grupo (e enorme em meu coração) que se encontrou na Lapa 2007. Saravá.....
 Me despeço emocionado de uma Luanda traumatizada por uma destas coincidências do destino, que faz ficção e realidade se fundirem da maneira inacreditável: filmando uma cena de assalto na região do mercado (aqui chamado de praça) Roque Santeiro, um grupo do jovem cinema Angolano foi metralhado pela polícia local, que confundiu e achou que a situação era na real. Dois jovens atores mortos, diante da incredulidade do país. E o agravante: a equipe da sétima arte tinha requerido licença para filmar a cena, que foi dada e só comunicada à polícia comunitária; e foi outro policiamento que vinha passando na hora. Tragédia na terra que ama e não esquece a Viúva porcina, o Sinhozinho Malta e o Beato Salu, que batiza com seu nome vários botecos. Aqui também a neve e o Papai Noel da Lapônia suam em bicas, mas resistem, no país da gloriosa Floresta do Maiombe, em Cabinda. Renas e pinheiros na Luanda africana, onde parece que as mulheres carregam o mundo na cabeça, pois tudo, absolutamente tudo é visto nos cestos de plástico modernos, que substituíram as fibras naturais de outrora (e que podemos ver nas gravuras de Debret do Rio antigo), e que se equilibram, lindos, sobre o glorioso rosto feminino Angolano. Dentro deles, passa chinela havaiana, milhões de sapatos de salto alto, coloridos; peixe salgado do rio Kuanza; ananás, muito ananás, deixando nosso DNA de Carmen Miranda morto de inveja. Tenho a impressão que a mulher daqui equilibra o País na cabeça. Aliás, nesta “quadra festiva”, uma das músicas que faz sucesso por aqui é um rap que diz : “nenhum pai gostaria de ter um filho paneleiro (nome português para bicha ou veado)...”. Isto me lembra que preciso compor uma musica que diga “nenhum filho gostaria de ter pais que decidissem seus sonhos, desejos e desempenhos na vida”. Acho que a chave deste problema, desta prisão que enclausura pais e filhos é esta: o ponto de vista é dos genitores, que por serem mais velhos e mais vividos deveriam poder decidir a vivência dos rebentos. Mas vale lembrar que pais nem sempre falam as verdades sobre suas vivências para os filhos, vendem uma imagem de heterossualidade feliz e bem resolvida. E no meio disto, todos, irremediavelmente condenados ao sofrimento, à clausura de não poder trocar de lado. Porque não é escolha, é destino. Quem é, é, e nenhum desejo paterno ou alheio mudará esta condição. Só a hipocrisia. Quando eu digo a certos pais, que não gostaria de ter um casamento como o deles, baseado na mentira, com cenas de violências explícita, desmonto um projeto que condiciona ser o casamento homem com mulher a melhor, a única possível, a desejável relação para todos os seres humanos. Quem não nascer dentro deste paradigma, como eu, por exemplo, que minta, que finja, que engane: é melhor que ser paneleiro e envergonhar o pai, cuja vida não é lá, também, muito bacana, não. Mas pelo menos ele, fez o que dele se esperava, ele cumpriu os sonhos de seus genitores, ainda que estes projetos não o levassem à certeira felicidade. Quase te dizem: não tem o menor problema jogar tua vida fora; desperdiça tua existência negando teu desejo, pois não tens chance nenhuma de ser feliz com ele. Mas sempre restará a pergunta: quem tem 100% de certeza de que seu desejo levará ao prazer ou à dor? Fora isto, uma linda senegalesa me conta que sua intuição diz que seu marido tem uma amante francesa, porque depois de dez anos de casados, as “requisições sexuais” dele estão a mudar, e isto só pode ser influência da outra. De onde ele tirou esta vontade de fazer por trás, se antes nunca pediu? Eu fico olhando-a e vendo que só muda de endereço e língua, porque os dramas são iguaizinhos: “se sempre fez assim, porque agora quer assado?” E ela mata a pau (ui!) quando invoca seu instinto: “eu sou mulher, eu sei quando meu homem tem uma amante”. Bem, adeus Luanda, e olá Brasil, resgatando todo o encantamento de um Roberto Carlos romântico, apaziguado, chique, envolvente, enfim, de primeira. Depois de anos numa chatice de religião e outros assuntos desinteressantes, ver o rei retomar sua emoções redondinhas, é o máximo. É o feijão com arroz bem temperado que funciona, que satisfaz. A melhor trilha sonora para uma pegada forte, um “vem cá minha nega!”. Tudo detalhes tão pequenos de todos nós, que somados constroem nossas grandezas de viver. E agora que já botamos o peru para dourar e o lombo está completamente amanteigado, sirvamos a ceia da esperança de um ano novo bacana e promissor. Que tudo dê certo, que a generosidade aumente, que a fraternidade guie os povos por um planeta melhor. Deus nos proteja de todo o mal, que nossos espíritos sejam de bonança, e que os encalhados desencalhem, pois meu amor, “se não vai me comer, não me tempera”.
 Não podendo mais mentir, confesso: eu dormi com Reginaldo Rossi! Um sono trepidante, uma noite de solavancos, uma turbulência! Na classe executiva da Linhas Áereas de Angola, tive o prazer de atravessar o Atlântico com este pernambucano arretado e homem típico de meus país, ou seja brega e chic numa só criatura Estávamos indo a convite do queridíssimo casal Agla e Minoru Dondo, para aplaudir o “Comitê valorizando a Beleza da Mulher Angolana”, que, presidido pela primeira Dama do País, a lindíssima Ana Paula dos Santos (a Cinderela Negra de Angola, pois aeromoça no avião presidencial, conheceu o presidente e homem de sua vida, casou-se com ele, teve filhos e é admirada pela população), pára o país em dezembro (como o Brasil parava nos tempos idos de Adalgisa e Yeda), para ver a eleição da mais bela da Nação, transmitida em cadeia nacional pela TV, e glamour impagável. No lobby do hotel, encontro a deslumbrante Miss Brasil Natália Guimarães e ela estava aflita, pois roubaram a mala com seus vestidos, e eu para acalmá-la disse: “Vá nua. Será um espetáculo: você só de salto-alto e brincos. Você pode tudo, gata, nas passarelas da vida”. O concurso de beleza, entre 26 lindas garotas representantes das províncias, é realizado num teatro gigante, sem paredes, dentro da mais pura tradição deste povo, que acredita nas forças da natureza: as árvores colam no teto, um gato passa pelo cenário, dá pra ver as casas dos moradores vizinhos. É pobre, então? Ledo engano. É rico, riquíssimo, e tanto como vitrine cultural quanto como produção material. Mas não nega o continente, não quer ser Hollywood. Este é o acerto: o Comitê, profissionalíssimo, arrasa na produção e a usa para divulgar o folclore, as tradições de Angola. Chique, chiquíssimo! Por exemplo, a super-produção abre com a exibição do homenageado do ano, o Grupo Kyela de dança das peixeiras do Mercado de São Paulo. Um deslumbre a exibição deste carnaval típico, trazendo para a cena, depois das senhoras, as candidatas em trajes de peixeiras em dia de festa. Para nós brasileiros conseguirmos entender, pensemos na hipótese do nosso (desmiolado e sofrível) concurso, abrindo com um grupo de Maracatu do sertão, e em seguida nossas misses entrando vestidas de bonecas Calungas. É por aí, e é lindíssimo. Pensei que tivesse terminada a parte cultural, mas que nada, surge o Balé Nacional dando um show de dança. E por Balé Nacional entenda-se um grupo étnico, com direito a gigantescos atabaques tocados pelos mais belos negros da face da terra. Uma belezura, que traz à cena as candidatas em trajes típicos das suas províncias, cujas roupas tribais autênticas, não fazem concessão alguma ao show ou para parecer sexy e moderno, como as falsas indumentárias que julguei no Miss Brasil deste ano. A ponto de uma candidata só trazer descoberto o rosto, nada mais, envolta em panos negros. Algo impressionante, como se no Brasil nossas candidatas usassem os trajes de Clementina de Jesus. Um espanto. Madrugada alta, todos de volta ao hotel, e na madruga de Luanda, Reginaldo Rossi comentando, orgulhoso: “a Miss Brasil disse para mim que sou lindo! Te cuida Gianechinni e Brad Pitty, que eu estou chegando....”. Nisso o maestro da banda do cantor já estava dedilhando no piano do bar do lobby, e acreditem, Rossi cantou Caruso, grande sucesso de Pavarotti, fazendo-nos calar e ecoando poesia na noite silenciosa; inesquecível. Deixo o animado grupo e vou até o Business Centre para atualizar meu Blog daqui do jornal, e como é muito tarde, abro a porta abruptamente pois acreditava que ninguém estivesse ali, tarde da noite. É aí que a cena acontece, que de tão forte me faz duvidar se não estava sonhando: diante do computador, um (belo e jovem) hóspede se masturbava na calada da noite, na sala coletiva onde todos acessamos o mundo. No susto, na admiração, na patetice, exclamo quase gritando, tenso: “tudo bem?”. Pode? Claro que nada estava bem. O mundo estava desabando, e nem Ciciolina faria melhor ou pior. “Tudo bem” é pergunta que se faça numa hora dessas, meu Deus? Com tanta coisa pra perguntar, tipo “quer uma ajudinha?” e eu naufrago num “tudo bem”. Num átimo de segundo, cortando meus pulsos por não ter me preparado para tão ravissante situação, fecho a porta e volto para o piano do grupo de artistas, que agora cantam a maravilhosa música “meu amor, meu bem, ma femme”. Acabada a festa, saio a procura de meus Deuses Bantos pelo país e a única grande entidade que percebo aqui é o Bispo Macedo, e sua onipresente Universal do Reino de Deus; nos dias seguintes encaro o país da poeira vermelha, cujas mães amarram seus bebês nas costas, com lindos panos coloridos; Luanda dos engarrafamentos de trânsito intermináveis, que disputam a atenção como atração turística de primeira grandeza. Visito o Museu da escravatura, na ilhota onde, tantos de nós, através de nossos bisavós, partiram para nunca mais voltar. Um lugar rico de emoções e que trilha o caminho da reconstrução. Um país que está procurando sua cara, sem ainda saber qual ela é. Mas sabendo muito bem, o que ela não é.
 Estou unha e carne com o divino e belo Reginaldo Rossi. Um amor de pessoa, um debochado de artista. Viemos no mesmo vôo, fomos juntos ao Miss Angola, cantamos no piano do Lobby de hotel. Que ninguém me ouça, mas madrugada alta, quando ele cantou Caruso fui às lágrimas, pois esta música que na minha lembrança é com Luciano Pavarotti, faz parte do tempo em que eu passava fome e sonhava em um dia ir à África. Hoje aqui, penso na longa jornada noite adentro. Grande beijo para o Brad Pitt do sertão, ou "te cuida Gianecchinni" como ele mesmo se define. O máximo ele, e viva Angola!
 Olá, Brasileiros lacraiudos. Os saúdo com meu novo sotaque Angolanérrimo. Do país da terra vermelha, da pele negra e do terçado amarelo (ui!) só posso dizer que isto aqui, ôo é um pouquinho de Brasil, iaíá. As mulheres vão e vêm, saídas das gravuras de Debret: hoje, em vez de frutas e galinhas, carregam cestos de plástico nas cabeças, vendendo panos coloridos, chinelos e que tais. Um luxo! Nos reconheço em cada costume. Em cada tradição. E pendurar roupa nas janelas é algo igual às cidades portuguesas. Quem influenciou quem? Beijos africanos.
 Nesta tarde chuvosa, rumo ao Continente negro. Indo para Luanda ver meus irmãos, meus iguais, meus semelhantes, onde a humanidade tem seu esplendor maior e as forças da natureza se manifestam em todo o lugar. Deus salve Angola, Deus salve a negritude divina de umbigadas e glória filosófica. Deixo para vocês ares misteriosos africanos, saudades, amor fraterno e esperança de dias de bonança. Que a luz do bem tinja vossas existências..... Namastê! Saravá! Axé!
 Foi o ano do Renan Calheiros, que nos mostrou um país refém do intricado jogo político. Ao mesmo tempo que todos diziam que não queriam mais ele, não podiam tirá-lo, e na hora tardia em que chegou a votação, o absolveram. Um ano no estilo encalhado, e sei que vocês entendem. Mas foi um ano que desencalhou na gostosura e talento do cantor Diogo Nogueira; e na beleza morena (graças a Deus, pois este era o país das louras) de Camila Pitanga, que deu um sopro de frescor e talento na novela que homenageou o mafuá de gaveta que é o bairro de Copacabana, mafuá este irresistível, pois sempre neles existem perdidas jóias e lembranças preciosas. Relembrando o ano do Pan, ouvimos a vaia uníssona que demos no que nada vê, nada ouve, nada sabe. Depois o Rei Juan Carlos nos imitou, e não podendo dar a mesma vaia, traduziu-a na frase “porque não te calas?”. Ao invés de perguntar, a vaia do Maráca calou fundo a Nação, e a botou para reavaliar o apoio incondicional que diziam que o governo tinha. Fora isto, a cerimônia de abertura da maga Rosa Magalhães repousa em nossos corações, sobretudo com o jacarezão e a Calcanhoto tocando boi da cara preta e enchendo de lirismo o gramado duro de jogo de futebol, que viu Romário abrir o ano com tentativas de gol 1.000 e o fechar com tentativas de fazer o cabelo crescer. Ainda no mundo das chuteiras, foi o ano em que se discutiu se o fato de um jogador ser gay ou não, importa para seu desempenho no campo. Num ano de terremoto inusitado pelas terras de Minas Gerais, os indícios de fraude que o delegado da polícia federal sugeriu sobre o resultado das escolas de samba ainda não indiciaram nada, e fica o dito pelo não dito. Indícios que no final não precisam ser indiciadores, pois a investigação se estende até o fim do mundo, e os jurados continuarão a receber o “kit” que indiciava algo, e que recebem há anos: uma bolsa michuruca com os livros do julgamento, as camisas da Liesa, canetas, cheveirinhos e que tais, e o show tem que continuar, indiciando que indícios são noções abstratas jogadas nos ventiladores da vida. Quem for respingado que se defenda. Para sempre este ano será lembrado como o ano em que Ronaldo Esper assumiu sua homossexualidade em rede nacional, provando que nem tudo o que reluz é ouro. Segundo o saqueador de túmulos de cemitérios, dublê de apresentador de TV e partner da intelectual Gimenez, era preciso sair do armário pois todos julgavam que ele era espada, varão (ui!), pegador de mulheres do sexo oposto ao dele. Encantados com a revelação, além de cair na gargalhada, o país sugere que ele case com Thammy, a filha de Gretchem igualmente tolinha e possuidora de diversas sexualidades. Foi mais um ano de avião atrasado e avião explodindo. E como sempre um órgão jogando em cima do outro a responsabilidade. Entre lanhuras de pista, congestionamento do trafego aéreo e interesses escusos, não salvaram-se todos, ao contrário, continuamos todos perdidos. Um ano em que a segundona Natália Miss Brasil reeditou o glamour e o carisma de Marta Rocha, outra derrotada inesquecível. O que prova que nem sempre ganhar é o que importa. Às vezes é melhor perder para se dar bem à frente. Tudo a ver com a perseguição de Roberto Carlos para tirar das livrarias a sua biografia não autorizada. Foi um golpe publicitário que deu certo, pois todos os que leram a tal obra foram unânimes em achá-la devagar quase parando. Infelizmente foi o ano em que morreram meu amado Enéas e a cantora sertaneja Marinês, dois esquisitérrimos e divinos brasileiros. Primos do ET de Varginha e netos do boto-cor-de-rosa, eram representantes da luta e da resistência de nosso povo. Ríamos com eles, nos espantávamos com eles, mas acendiam a chama de que nosso povo é muito, muito resistente. Deus salve os feios, neste ano em que o deputado Clodovéia decorou seu gabinete parlamentar com uma cobra naja, sua irmã siamesa, e realizou seu grande feito: acusou suas colegas de terem nascido desprovidas de beleza. Será que ele tem espelho em casa? O Musical Sassaricando resgatou a estima carioca, fazendo frente ao horror definitivo: foi o ano em que o Rio de Janeiro viveu, na real, sua lenda similar ao Negrinho do Pastoreio gaúcho! Toda a dor se fazia presente no patrão infame que amarrava o corpo nu, sangrando pelo espancamento, do pobre do negrinho sobre o formigueiro. Nada na realidade poderia ser mais sofrido que aquilo, da lenda! Nada? Descobrimos que toda a crueldade humana ainda está por se mostrar, pois nosso Joãosinho da Piedade encontrou, arrastado pelo asfalto do subúrbio, seu formigueiro. Do patrão, cinco facínoras. Do cavalo, um corsa roubado. Da lenda, nós, vivendo fora dela, e convivendo com facetas da insanidade, dignas da mais desvairada tradição popular. Rezo para que, como na lenda, naquele momento tenha surgido a Virgem Nossa Senhora, e nenhuma chicotada tenha marcado a pele imaculada, agora lisa, do garoto. Quero ver o menino João beijando a mão da Santa, montando o baio, e partindo conduzindo a tropilha iluminada. É esta luz que desejo que sigamos, nos dias do ano que vem, e sempre.
 Meu sonho é fazer o enredo trash-escatológico-vomitório “Nunca houve mulher como Tiffany, a mulher de Chuck”, ou “Morra, Barbie!”. Neste enredo representarei o desenho Batatinha, pois fui eleito a mais perfeita tradução deste felídeo, ainda que o pobrezinho não seja cervídeo, ou melhor, aveadado como eu. Procuro uma esquisita Rainha de bateria para adentrar (uiu!) à frente dos Chucks nas Sapucaí. Quem seria a bizarra moça? Cartas à redação....
 O que eu mais gostei no Ensaio Técnico da São Cré Cré, na Sapucaí, sábado, foi a brilhante idéia do povo do Carro de Som, de abrir com um pupurri de grandes sucessos da escola, sem pausa. Foi de tirar o fôlego cantar sete sambas engatados, relembrar a história e se preparar para cantar o samba 2008 e desfilar. Foi bom o ensaio. Pode melhorar no canto, mas foi um show de alegria e descontração. Valeu!
 Sábado, 10 da manhã, saímos em Procissão do Balaio de Oxum e do Balaio de Oyá. Saímos significa, eu, meus alunos do Instituto do Carnaval, o Abarajé (Associação das Baianas do Acarajé), o Afoxé Filhos de Gandhi, a Amebrás (Associação das Mulheres Empreendedoras do Brasil), uma entidade que cuida das autoridades velinhas do Candomblé, de Vila Valqeire, que agora esqueci o nome, uma entidade de Oxumaré da Bahia, que também esqueci o nome, e quem quis ir atrás. Éramos poucos mas éramos honestos. Idéia de Maria Moura, a velha feiteceira negra, queríamos reviver a procissão de Ciata e Bibiana que saía da Gamboa e caminhava. Velhas tradições, divinas tradições. Saímos da Cidade do Samba, cruzamos o túnel da Rivadávia Correa, passamos pela Central do Brasil, cruzamos o Campo de Santana, subimos a Buenos Aires e terminamos na Praça do Mascate, nosso reduto de sábado e samba. Foi lindo, foi emocionante, não tivemos apoio da polícia, não precisamos de autoridade para ir abrindo caminho. Todas as graças do mundo para as Deusas de África!
 Pessoa marcante, inesquecível, positiva, empreendedora, pra frente, mobilizadora, aglutinadora, chique, honesta, feliz, responsável, amigo, mais amigo, sincero, ponderado, louco, extravagante, barroco, hi-tech, querido, Álvaro Câmara, Estrela Bana Banaiuti, lacraiudo da melhor cepa, divino, aniversariante de hoje 7 de dezembro. Quase um Cristo, quase uma flor, quase uma alegoria, quase um menino, quase um senhor, quase. Completo bom vivant, de carreria extensa e rica, sabendo que fora o motorista e o cobrador (ui!) na vida tudo é passageiro. Que nenhum mal se abata sobre você. Que os anjos derramem suas bênçãos sobre ti, amado! Salve Banaiute, parabéns! Recebe, sinceramente, de todos nós que te acompanhamos há um ano o abraço fraterno da amizade. Sobretudo de Bia Alves, hostess-socila deste espaço.
 Vocês admitem não serem no mínimo tratados e tratadas polidamente por seus companheiros? Sou uma pessoas que associa a relação amorosa ao mais puro cuidado, tato, obséquios, mesuras, galanteios. Jamais iria para cama ou daria beijos em que me dissesse: “você é sujo!”. Não permito, não admito, não tenho tesão em quem me critica sem a devida liturgia. Tipo: “você não acha que seria melhor desta outra maneira?”, ou “o que motivou este seu comportamento?”. Às vezes acho que sou fresco demais, mas os bons modos, a doçura e a delicadeza de um peão são mil vezes melhor que a grossura de um bonitinho, né não? Mas também tenho consciência de que neste campo as opiniões são as mais diversas, indo até aqueles que apanham e permanecem no desejo, aliás isto seria um reforço no tesão. Comigo não, violão! E vocês, como são? E notem, isto não tem nada a ver com a palmada na bunda que acho que o lacraiudo Maurício propôs na hora do vamos ver. Este tipo de palmada não ofende, não dói, só acende. Gostam de grosseria? Alguém poderia dizer “você é suja!”, e depois estar na tua cama?
 Ir ao Presídio divertir as internas é decisão que te joga no redemoinho moral, turbilhão vivido por muitos humanos, mas poucas vezes assumido e nem sempre motivo de honestas conversas. É mais bacana parecer resolvido, decidido, e sem impasses. Pois bem, como divertir quem errou e errou feio? Quem ali matou, quem ali roubou, quem ali seqüestrou? Diante destas perguntas, e sem a desculpa de que “estou fazendo isso pelo cachê”, proposição que na aparência resolve facilmente a pendenga, todos os preconceitos e dúvidas passam pelas nossas cabeças, e temos que admiti-las e conversar sobre elas. A questão do matar me aniquila, pois só consigo pensar na vítima. Nunca no algoz. Portanto não consigo lidar com assassinos. Eles têm que ser presos para sempre. Ponto. Mas e os que fazem o mesmo que Brasília faz tão bem? Porque a gente fica julgando os pobre-coitados, que por muito menos foram parar no xilindró e que perto dos escândalos são pinto, e deveriam estar em liberdade. Francamente, a realidade nos mostra que a mulher que roubou a margarina do supermercado e que mofa nas celas, é santa diante dos desvios de verba. Sei que um mal não justifica o outro, mas dá muita raiva ver os colarinhos brancos flanando por Miami, enquanto alguns, repito, alguns delitos leves enclausuram uma galera enorme. Não tenho certeza de nada nesta vida, quero tempo para pensar sobre tudo, quero o debate, mas se é possível ressocializar um humano, pode me chamar que estenderei a mão. Diante do espelho, me vestindo de galinha-do-arco-íris, botando em cima de mim todos os cristais possíveis, fui conversando comigo mesmo sobre tudo isso. Sol a pino, calor de matar, e meus enfeites carnavalescos tingindo de pontos de luz o altíssimo muro branco em Bangu. Nada. Ninguém. Silêncio. Bato na porta de ferro azul, uma janelinha minúscula abre, e um olho exclama: “Isto aqui, hoje, ta parece o PROJAC!”. Não intimidado, digo “Sou jurado, não de morte, e sim de vida, do Concurso Miss Talavera Bruce!”. O portão abre e não passo no detector de metais, pois minha coroa de Miss Universo na cabeça, de metal e strass, o dispara enlouquecedoramente. Entro descoroado, mas cheio de pose, e vou passando por corredores e grades que ao som de abrir e fechar, me relembram minhas dúvidas e perguntas. Mas sorrio, pois o clima é amigável, as internas vão gritando, os internos vão me cumprimentando... ué, mas não pode ter homens aqui: “Milton, são mulheres com aparência de homem, como um monte das suas amigas. Uau! Mas aqui dentro a parecência é maior, a produção é melhor”, continuo conversando comigo mesmo. E chego ao salão da passarela, a gritaria é intensa, sento ao lado da Fernandinha Abreu, a divina; de Gustavo Lins, o gostosinho; e de um moço, que bate muitas fotos e não é brasileiro. Ele me conta que é fotógrafo francês e com Brad Pitt e Angelina Jolie prepara um grande documentário sobre prisões femininas ao redor do mundo. Jolie fotografa a Ásia e ele a América Latina. “E o Bradd, faz o que?”, pergunto. “Dá o dinheiro”. Bem que ele podia dar outras coisas também, né não, mulherada? E aí a interna-apresentadora anuncia a entrada triunfal das onze candidatas, em conjunto (lindas por sinal), e alguém diz: “nem parecem presas”. Eu detono: “é que não nasceram presas. Nasceram humanas”. Mas como aqui fora, nenhuma humana com cabelo encaracolado, todas lisérrimas, escovadas, esticadas, progressivas. Começa o desfile individual, e a locutora vai dizendo “o charme e a elegância da mulher brasileira no Garota TB 2007”. Estes chavões da narrativa me fazem concluir que estou no moderno Miss Bangu. Pois se nos anos 50 eram as socialites que arrasavam, na pós-modernidade o concurso das presidiárias é mais intrigante, revelador e inquietante. E das candidatas, a mais confusa é a de nome Maria Argentina, nascida na Bolívia, e apresentada ao microfone como “o maior exemplo da integração Brasil/Bolívia”. Pensei que nem Lula nem Evo Morales fariam melhor. Além do estilo de música preferido, a locutora informa o sonho da cada candidata: o mais sonhado é a “tão sonhada liberdade”; depois teve “fazer faculdade de jornalismo” e “ser motivo de orgulho para minha mãe”. Olha, quem diria, os sonhos estão presentes. Elas sonham igual a nós. Portanto a vida é sonho, e não nos cabe arrancar o sonho de ninguém. Sonhem meninas, e continuem sendo claras: aplaudiram delirantemente as autoridades presentes que as tratam com dignidade e cruzaram os braços para as autoridades presentes que não gostam. Eu, louca e desavisada, aplaudi sozinho os tais que elas não gostam, e quando me vi aplaudindo , sem que nenhuma das outras 399 pessoas o fizessem, parei de aplaudir e caí na gargalhada. Eu, sempre eu. Tirei a coroa de minha cabeça, coroei a sonhadora vencedora, propus que em vez do indulto de natal existisse o indulto Sapucaí, que permitissem a elas que, como os participantes do Big Brother, saíssem, desfilassem, e voltassem para a clausura. As autoridades me olharam com cara de quem está olhando um insano, mas não importa, a vida é sonho, e todas as garotas aplaudiram. Saindo, uma interna chamado Carlão gritou “arrasou, bofe!”. Gritei: “perto de mim, vocês é três vezes mais bofe, maravilhoso!”. A grade bateu atrás de mim, e Carla Carlão deu o tiro de misericórdia: “Milton Cunha, o rei-momo do Talavera Bruce”. Perfeito, amada Carla, divino: assim como aqui fora, vocês também precisam dos três dias de folia, tempo do desvairio e de sonhos, nem sempre possíveis, mas sempre imprescindíveis”.
 Ô Sérgio Cabraaaal! Ô Cesar Maia.... Dá para tombar o Buraco da Lacraia também? Estamos na fila, hein. Queremos tombar tudo!... Vem aí o evento, a efeméride de um ano de avassaladora existência. Preparam seus modelos, obrigatoriamente de papel crepon. Depois digo o resto, mas adianto que Samylle irá de Carmem Miranda-Crepon. Saravá, tombada!
 Meu Deus, acabou a dupla Sandy e Junior!... Meu Deus, mas alguim dia existiu a dupla Sandy e Junior? Em represália, precisamos lançar a dupla Milton e Bia, putz......
 A divina Rute Alves,deslumbrando a passarela do samba, brilhosa, gliterizada, purpurinada. Bela mulher, talentosíssima, e com espírito show, já que a luz a faz resplandecer, e muito. Adora se exibir, adora se apresentar, nasceu para as mesuras e as comemorações. Fui para cima fazer o close que mostrasse a delicadeza, trabalho e preocupação de se enfeitar, pois pregou strasses, um a um em seu rosto. Neste momento, o amável e delicado Julinho meteu sua mão para ajeitar ainda mais o rosto de sua partner. Quanto amor, quanto respeito, quanto carinho. Lindíssimo. Os dois são espetaculares, pois belos por dentro e por fora. Por falar nisso, depois desta foto fui ver um negão na comissão de frente, sem camisa, que era de se cortar todinho, não com navalha, e sim com gilete enferrujada, e não em linha reta, se cortar todo no jogo da velha. Uma loucura, um torpor. Foi aí que um branco, assanhado e se jogando pro meu lado, gritou para todos ouvir: “me olha também, eu sou negro por dentro”. Ao que eu respondi: “só que o que eu to procurando é por fora, amorzinho”. Gargalhadas gerais, e lá se foi a Vila Isabel quebrar tudo na Avenida, Aplausos e nota dez para a lacraiuda Rute Alves, gloriosa....
 Desejo a vocês, para sempre, que nenhum mal os atinja. Livres das doenças físicas e espirituais, que vossas vidas resplandeçam e que vocês cumpram vossos destinos de brilhar intensamente. Na dor, a certeza de dias melhores. Gente bonança, nunca só tempestade. Gente que insiste em ser feliz, gente estrela que quer o carnaval, gente que saiba votar. Gente que pensa, que questiona as conversas-prá-boi-dormir que pela ideologia, parecem imutáveis verdades naturais. O mundo não é assim, o mundo nós que fazemos. Dia a dia, buraco a buraco, amigo a amigo. Primeiro fim-de-ano com vocês, para meu orgulho eterno. Almas parecidas. Beijos e olha a rabanada! (ui!)
 Amados leitores, esses caras dizem que gostam de mulher. Agora vê se pode um cara que gosta de mulher, tratá-las com tanta violência e grosseria:
- Amigo quando você seguir esta regra necessariamente nesta ordem você não mais sofrerá pois você despertará um grande interesse nas mulheres. Mulher gosta disso: PAU ! ESCULACHO ! E ABANDONO ! Siga essa regra e serás feliz.... Eu acho que é a mesma coisa com viado ! rsss wolffeder Tá na cara que o enrustido o-dei-a as meninas. E isso pode ser a raiz de todos estes espancamentos e violências contra mulheres e gays. Tratando-as assim, esconde de si, mas de nós não, seu desprezo pelas mulheres. Lobinho, lobinho, dá que passa, amor!. Quem gosta de pau é vo-cê! (e faz muito bem. É uma de-li-ci-a...). Milta Cunha
 Eu e a gata Márcia Helena, do grupo de Lacraios chegados, amigos e parceiros, e dos que conheço passoalmente. Sei que muitos eu não conheço, mas um dia, quem sabe.... Arrasou, super gata. Você está linda!
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