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| Milton Cunha |
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Parabéns para nós.....
 Bom carnaval......
 Quando a carruagem real passou pela Central do Brasil, durante o cortejo de abertura do carnaval Carioca, do Paço Imperial à Cidade do Samba, foi o maior babado. O ator Marcelo Reis, que interpretava D. João VI, ao ver as vans estacionadas, gritou: “nós também somos transporte alternativo”. A gargalhada foi geral e os cavalos relincharam. A atriz Casolina Grimião ficou passada com a quantidade de homens tarados que pediam para que nós deixássemos a pobre da Carlota Joaquina ali pelos bares de prostituição. E eu, bem, eu que interpretava os veados que D. João VI trouxe para o Jardim Botânico (eu sei que ele não trouxe nenhum cervídeo, mas a realidade não importa, o que importa é a farsa carnavalesca) eu dei pinta, saudei a multidão, e apresentei o casal real. E a cada solavanco de partida da carruagem, eu caía desengonçado e a chuva piorava. No placo, ao entregar a chave da cidade, o prefeito Cesar Maia disse para o Rei Momo, Alex: “toma que o filho é teu, a partir de agora as reclamações sobre o xixi dos brincantes é com você”. Sarava! No ano do Bi-Centenário, eu teria que ser o frango assado para D. João e acabou! Bom-humor, espírito carnavalesco e coragem não me faltaram: queijo de 5 metros de altura, atravessando a Sapucaí inteira e tremendo mais que vara verde, um calor insuportável dentro da roupa de frango (ser galinha, como sou, é mais fresco), e lá em baixo o tapete humano que provou que atrás do Bola Preta só não vai quem já morreu. Uma celebração. E pouco me importa ser ridículo, na terra de Chacrinha e dos anões do orçamento. Pagar mico (ou melhor, frango) é o máximo. Do coração não morro, pois estou aqui para viver o desejo, mesmo que ele signifique fantasia de espuma pintada de um laranjado-dourado que a gente só vê nas tvs de cachorro de padaria, aquelas assadeiras com as aves rodando e tostando. Tive que furar as asinhas da pobre ave para atravessar minhas mãos e segurar com força nos santo-antônios (aquelas duas varas, ui!, que os destaques seguram). No final, dois elogios (?) me deixaram tonto: “você estava lindo de tartaruga!”, ao que respondi “sai pra lá, tracajá, jabuti é você!”, aí veio a outra “que lindo o pintinho amarelinho de você!” ao que respondi “a senhora ainda não viu nada....” Mas nada paga o prazer de ver o sorriso, a cara de alegria do povo, aprovando a maluquice a qual você se propõe. Deus salve os loucos!
 Desfilando no Pinto Sarado, pelas ruas da Gamboa/Saúde, bloco de embalo do pessoal deslumbrante do Morro do Pinto e adjacências, com bateria da maravilhosa escola de Samba Vizinha Faladeira, me diverti horrores. Pelas ruas estreitas e sinuosas, fui sendo cumprimentado pelo povão, incrédulo de que eu prefira isto ao baile do Copacabana Palace. Mas prefiro. Prefiro a negona à socialite, a cervejinha ao Veuve Clicot, que sempre vem acompanhada da chative e desumanidade dos ricaços. Passa um casal: ele me diz “Milton, Excelência!” e a senhorinha, sua mulher, me cumprimenta “e aí Milton Cunha?”, antes que eu consiga agradecer o carinho destes senhores, uma negona divina me puxa pelo braços e surrurra no meu ouvido: “poderosa!”. Três saudações distintas em três segundos de folia, meu mundo resumido à simpatia dos populares bacanérrimos. Mesmo na cobrança, são amistosos: um senhor da bateria me dá uma bandana para eu amarrar na cabeça, mas ressalva: “mesmo você criticando nossa bateria na transmissão da TV, vale te dizer que a nossa é a melhor do Rio, e a bateria da Unidos da Tijuca é quase toda nossa, daqui...!”. Não me lembro de ter feito tal crítica, mas de qualquer forma, comento honestamente o que vai passando na minha frente, durante o desfile. Não sou pago para só elogiar, preciso citar os erros. E por isso não tenho o menor receio de estar entre os que aproveitam o carnaval. E sei que eles sabem que sou verdadeiro.
 Pedir ao Vaticano que venda seus tesouros e propriedades de preço incalculável, para com o dinheiro socorrer os pobres, objetos de sua doutrina, é pensamento descabido e similar ao deste padre que agora publica no jornal não entender tanto dinheiro investido no carnaval que poderiam ser melhor aplicados nos problemas sociais. Assim como os católicos precisam ter sua pompa e cirscunstância, o Rio de Janeiro também precisa de seu mega-espetáculo. É um jogo de aparências, onde nós do carnaval aprendemos com vocês, que visual e riqueza são tudo para passar bem a doutrina, e teremos que descobrir uma saída, fora das poderosas somas de dinheiro da Igreja e da folia. Aliás, por falar nisso, poderíamos perguntar para as bancadas católica e evangélica, no congresso em Brasília, onde está o dinheiro da saúde, da educação, etc, e tal, Sinto muito, padre, mas nessa, vocês têm telhado de vidro.
 Estou com a péssima impressão que as modernas produções de vídeos pornôs gays são um desserviço à causa da luta contra a AIDS. É impressão minha, ou sexo sem camisinha voltou a ser um must nestes filmes? Não é possível que estas produtoras internacionais (inclusive há uma agora, fazendo tais filmes sem preservativos, aqui no Rio) incentivem esta prática suicida. Nós não precisamos de mais esta pecha negativa. Não há o menor problema em ser homossexual, o problema é a burrice.....
 Recebi e transcrevo o engraçado convite: “Edilasio Barra tem o prazer em convida-lo(a) para a sua tradicional feijoada no sábado de carnaval! A Bateria da GRES São Clemente será responsavel pela animação, com a participação de Rogéria como MARIA DOIDA, será responsável pela alegria do salão”. Mas a pobrezinha era Maria I, a Louca, e agora, rebaixada de posto, virou Maria Doida? Que coisa de doido, meu Deus....
 Êxtase, torpor, loucura, glória, decadência, a Corte da Sapucaí, o Bola Preta, o Frango Assado, o tapete humano. Para poucos, para muitos....
 Eu, tributo a Chacrinha, tributo aos dólares na cueca, tributo à Gretchen e fricklen the bum-bum, enfim, eu, integrante da Galhofa Nacional, instituição cuja Musa é Dercy, e da qual sonho um dia em ser lembrado e guardado nos corações do inconsciente coletivo da loucura carioca e brasileira. kkkkkkkkkkkkkkkk
 O Bloco “No IPTU” passou na Praia do Leblon e eu disse para minha assistente: “que bloco mais politizado, que bacana!”. “Milton, você tá doido? Não é “No IPTU”, é “NO IPTU”, em inglês, mesmo, sacou.... Eu, passado, não acreditei que em sã consciência, uns seres humanos fariam em pleno país de língua portuguesa cartazes tão ridículos, que só contribuiriam para tornar risível o protesto. “Mas eu acho que eles estão querendo ser irônicos, sabe como é, já começou o carnaval, Ari Barroso compôs Yes, nós temos bananas, e eles querem dizer que aqui o IPTU tem peso em dólar”. “Não, Milton, eles são do Leblon, eles falam Inglês fluente, eles acham mais bonito parodiar os protestos americanos”. “Ih, muito mequetrefe isto. Quer saber? Não ao NO IPTU. Cafonérrimo este bloco”. Não IPTU e pronto! E claro, meu Banho de Mar a Fantasia, chiquérrimo, foi o único trio-elétrico da face da terra a desfilar de costas (ui!). Explico: fomos fervendo do Jardim de Alah até darmos de cara com o “Me esquece”, deslumbrante bloco de embalo, tradicionalíssimo do Leblon. Não podendo mais avançar, Gustavo, da Riotur, disse-me: “façamos como a Mangueira, que bateu na Praça da Apoteose e voltou”. Assim foi feito e desfilamos de marcha-a-ré embalados pelo magnífica Banda do Cordão do Bola Preta. Aliás, quando o grupo Batuque na Cozinha, dentro do clima de reviver antigos carnavais, atacou de Noel Rosa, 1920, e entoou: “Se você jurar, que me tem amor.... eu posso até me regenerar”, numa levada de choro, a mágica se deu, as pessoas se olharam, se abraçaram e caíram na gandaia, Era 2008 mas estávamos num ambiente atemporal, de lirismo, de confraternização. Nenhuma briga, nenhuma baixaria, o máximo. Como o planejado. E a madrinha? O que é Luiza Brunet, deslumbrante aos 46 anos, perfeita como representante da família carioca? Um luxo. Cabelo preso com rosas vermelhas, saia prateada, top de paetês pretos, óculos de arrasar quarteirão, enfim, vestida para matar, eclipsando o sol do verão, fazendo os marmanjos suspirarem. Como é bonita e simpática, a danada. E lá do alto do trio, vi muitos belos homens desenharem o coração para a bela Brunet, dizendo “amo você”. Mas aí eu olhava para a solidão dela e me perguntava: amam a grife Luiza Brunet ou amam a mulher? Porque acho fácil querer aquele deslumbre de estampa, mas penso na dificuldade de um deles bancarem a mulher. Comprar a briga de estar ao lado de um avião desses é complicado, né não? Linda, bem sucedida, madura, desejada, admirada. Ufa! Muita coisa para uma mulher só. Mas que eles desenharam muitos corações, ah isto desenharam.... Me lembro da famosa cantora que me contou que enquanto o cara estava na cama com ela, ele repetia em mantra, como que convencendo a si mesmo da realidade do fato: “estou pegando a FULANA.... estou pegando a fulana....”. Hilário, se trágico não fosse. Pior que isto, só o ocasional companheiro de sexo que arranjei, e que depois do ato consumado me pediu um autógrafo, para provar aos amigos que tinha estado comigo. Não é o máximo? Não é péssimo? Pois é. Fiquei até com medo de ele pedir uma prova do crime para levar para o tribunal. Mas é carnaval e vamos festejar. Ao final do evento, o grande Haroldo Costa, intelectual figura do mundo da folia, vaticinou: “você está herdando a disposição de Albino Pinheiro em promover estes encontros carnavalescos... O último banho de mar à fantasia que ele fez no Arpoador, ele fez com o dinheiro do próprio bolso....”. Confesso que as contas foram justas, mas não usei meu dinheiro para pagá-las. E só em dignificar a memória do amado Albino, já é uma glória. Ano que vem tem mais....
 Grande Rio ensaiando na Sapucaí, eu e Márcio Mourthé espremidos nas grades, e a energética escola dando espetáculo. David Brasil, no alto do carro alegórico dava um show de simpatia e comunicação com o público. Tem carisma, o divino gago. E sinceridade. O público sabe reconhecer a honestidade em seus aplaudidos. Parabéns, David, arrasou! Em seguida, perdida dentro de uma ala, passa uma mocinha negra linda, linda, altíssima, tipo 1.90, magra como a Olívia Palito. Mas com tudo no lugar, como só as magras negras sabem ter. Eu grito: “você é linda.... tente ser modelo....”. Ela responde, do alto de seus 14, 15 anos: “estou tentando. Mas para menina negra é difícil. Aqui eles não nos valorizam muito....”. Eu continuo: “junta dinheiro e pega um avião e vai para Paris. Se eles te virem lá, te contratam na hora. Você é perfeita para a moda....”. E o desfile levou, rumo à Apoteose, aquela linda gata-borralheira suburbana, que provavelmente, em seu barraco Caxiense, sonha com as passarelas, sonha com o estrelato, e se pergunta: “o que será que Naomi Campbell fez para chegar onde chegou?”. Claro que tem um punhado de sorte, mas morar num país onde as negras não figuram nas capas e páginas de revistas, e onde os propagandistas dizem “negro não vende” é barra-pesada. Nascer predestinado a matar um leão por dia, tendo tudo para acontecer, é desalentador... Passa uma loura, destaque de chão, tendo ao lado um atento bonitão que a instrui e a incentiva. Eu reconheço: “olha, é o gostosão do Maurício Mattar”. “Jornalista, quem é esta loura?”. “É a Paola Oliveira.....”. Silêncio na Sapucaí. Reflexão. “Mas jornalista, quem é Paola Oliveira?”. Cai o pano, no país mulato do carnaval, onde louras sempre serão celebridades, ou terão mais facilidades, e negras anônimas e deslumbrantes terão que pastar séculos nos campos do preconceito, até conseguirem seu lugar-ao-sol. Saravá, momo!
 A risível manchete do jornal popular anuncia: “Morre o ator da Globo Luís Carlos Tourinho”. O divino deve estar se mijando de rir, pois com sua folha corrida pelo teatro brasileiro, ser incluído no mesmo balaio de gato duvidosíssimo dos chamados “atores da Globo” é demais, né não? Até ex-BB está nesta categoria. Ator da Globo! Pois sim.... Morre um grande artista brasileiro, de emissora nenhuma, dos nossos corações, do melhor do talento brasileiro. Vai com Deus, maravilhoso.....
 Que delícia! Foi diversão pura....
 Muito difícil ser amante. Sempre beira a baixaria, você não pode nem deve se apaixonar, e tem que estar sempre preparado para o pior. Tudo isso rolou no inesquecível show, com o qual Alcione brindou o povão que lotou o setor 3 (arquibancada, frisas e pista, um sucesso!); E quando ela cantou a frase “quem vive na corda bamba, aprende a se equilibrar” eu disse para mim mesmo: “claro que me equilibro, mas é hora de saltar na rede, lá em baixo”. Explico: entre flashes de fãs, gritos de admiradores, enfim, depois desta passagem incensada que sempre recebo das pessoas das arquibancadas na Sapucaí, vi uma criatura fugindo de mim, tão apavorada, tão aflita, um rato procurando o buraco mais próximo de esconderijo, que repensei o equilíbrio que nós, amantes, precisamos ter para agüentar os trancos da existência. Me fez muito mal ver o sofrimento do humano que algumas vezes me visita na intimidade, e eu sofri tanto com o desespero dele, que conclui: nenhum amor vale mais que a paz de espírito e o deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Os amantes sofrerão para sempre a dúvida do encontro, os amantes precisam se esconder, e este é um papel péssimo para quem quer que vá interpretá-lo. Não quero, não posso, não devo viver sobressaltado com o encontro inevitável. Melhor passar sem esta. Foi quando eu, encostado no poste, ouvi a lourona ao meu lado, trintona, farta num vestido justérrimo preto, me confidenciar (no momento que tudo vem abaixo, pois os acordes da “loba” invadem os corações): “esta semana mandei meu amante vazar. Sou trabalhadora, digna, não devo nada a ninguém, mas mereço ser amada. O cara só vem pro sexo e pra eu lavar a roupa dele. Nem trocar uma lâmpada quer. Negativo. Vaza malandro. Quem tem que lavar tuas cuecas é a matriz e não a filial”. Portanto uma noite em que os amantes se queixaram, inspirados pela performance arrebatadora da Marrom, que sem cachê e nos braços dos povo, esteve inspiradíssima, com poses engraçadas de traída ou despeitada, se tremendo com se recebesse um santo, enfim, no quintal da casa dela. Ainda há esperanças de um mundo não comercial, não mercenário. Se não no terreno dos amantes, pelo menos na seara de cantantes populares, que falam a língua das dores das relações.
 Sambei duas horas sem parar com o grupo Batuque na Cozinha. Como são bons, os garotos! Um espetáculo de enorme envergadura cultural, já que no repertório cantam até Iaiá do Cais Dourado, um clássico da Vila Isabel. O máximo. De tantos e tantos grupos que tenho assistido, este sobra em qualidade, simpatia e charme. Sem perder o viés do espetáculo interessante, o que para mim significa não embarcar nos chatérrimos mela-cuecas dos pagodeiros-fashion (estes de brinquinho e cabelinho arrumado, um horror!). Se vocês não conhecem, corram para assistir. Ao vivo é a glória para se quebrar todinho em requebros e remelexos, e no cd é uma delícia para animar a casa ou o carro. Contratei=os imediatamente para abrir o Banho de Mar à Fantasia deste domingo. Com o tyrio-elétrico estacionado ao meio-dia em frente ao Jardim de Alah, as ondas da praia do Leblon serão testemunha da alegria, do bom gosto e da verve dos sambistas que o Batuque na Cozinha bem representam. Vai ser o Batuque na areia! E não se esqueçam: é um evento para a família carioca. Quiem quiser baixaria que vá cantar em outra freguesia. Se Deus quiser, vou controlar com rédeas curtas este meu evento com o Jornal O Dia, o Castelo das Pedras, o Babadão da Folia e a Riotur. Sarava!
 Já é o segundo ano que os seguranças da querida escola de Samba Viradouro agridem os jornalistas. Me lembro do ano passado, quando a responsável pelo site Tudo de Samba, Simone Fernandes, reclamou publicamente da truculência destes senhores. Agora foi o fotógrafo Diego Mendes, que todos, todos nós da Sapucaí estamos carecas de admirar e reconhecer o trabalho, que levou um socão e sangrou na passarela do samba. Vale meu depoimento de que este fotógrafo é educado, gentil e respeitador. Com certeza só queria fotografar a rainha de bateria, famosérrima, que precisa de repercussão na mídia. Se é assim, vale recorrer à influência da deslumbrante Juliana Paes e do adorado Mestre Ciça, para pedir ao Presidente Marcos Lira que entenda a necessidade da imprensa e trate os jornalistas com o carinho que merecem. Com certeza, não interessa à amada Viradouro continuar a ser citada como a escola que empurra e espanca a imprensa. Faz parte deste jogo, o assédio que elevou esta escola à categoria de Master dentre as agremiações da Corte da Sapucaí. Porrada, não!
 Corrigindo o livro Abre-Alas, da Liesa, através do qual somos julgados na competição do carnaval, me deparei com a informação de nosso diretor social, completando o título “Pessoas Notáveis que desfilam na Escola”: Sol! Pois é, o máximo, né não? Sol, a notável... Notável no sentido moderno, diria que num sentido Sapucaíano de Ser: ficou peladona várias vezes, cantava numa língua desconhecida no Big Brother, mas que seduziu muita gente, botou silicone, etc e tal. Portanto notoriedade conquistada literalmente no peito, não aquele ser notável tipo Fernanda Montenegro ou Guimarães Rosa: é uma notabilidade da sociedade de consumo, da sociedade do espetáculo, em que mais vale ter corpo que ter neurônios; que publicar um livro; interpretar uma peça teatral ou ter talento para negócios. Nada disso. Portanto sai Carmem Miranda, a pequena notável, e entra Sol, a mulata notabilíssima. Pra ela, o sambo do Império, transformado: Uma pequena notável / Tirou muita roupa / E é motivo de Carnaval / Próteses, camisas listradas, tornaram a mulata a notável do carnaval....
Olha isso! Diva, estrela, chiquérrima, sedutora, gliter, tudo de bom, escândalos, os homens preferem as louras. Gentem confirma aí se eu estou louco ou esta fotógrafa, Dani Dondo é o máximo, ou não?

É impressão minha, ou esta fotógrafa, Dani Dondo, é o máximo?

 Apresento-lhes, a Divina Christine.... Bacanérrima!
 Bom ver vocês, meu povo....
 Tentando reviver o esplendor e carioquice de uma das mais belas manifestações populares do carnaval de rua do Rio antigo, convoco todos vocês para participarem do Primeiro Banho à Fantasia do Tá na Onda, quando este que vos escreve estará reunindo a turma fantasiada de papel crepon para cair na gandaia, ao som das Baterias da São Clemente e da Unidos de Padre Miguel e da banda do Cordão do Bola Preta, sob a chancela de Ana Maria Maia, da Secretaria Especial de Eventos da Prefeitura do Rio de Janeiro, bem ali no Jardim de Alah. A concentração é ao meio-dia, com concurso de fantasias de papel nas categorias Baixo-Bebê, Terceira Idade, Drag Queen e folião mais animado. Dois ilustres moradores do Leblon serão convidados para serem os padrinhos do Banho de Mar: o divino Ney Matogrosso e a belezura, Luiza Brunet. Nada de nudez, nada de sexo, nada da ferocidade do carnaval atual. Só lirismo, diversão e fraternidade de Momo, para nossas famílias. A auto-estima do carioca está necessitada de eventos como este; e já que em 1934 quem realizou o banho de mar foi o jornal A Noite, pedi para O Dia jornal e FM me apoiarem e serem parceiros do balacobaco. No dia de São Sebastião do Rio de Janeiro, os alunos do Instituto do Carnaval, da Moda da Veiga de Almeida, e das Belas Artes do Fundão desfilarão o carnaval de antigamente, quando o grande barato era só beber até cair. Venham em paz e na certeza de que gente foi feita para brilhar e não para ser alvo de balas-perdidas....
 Sempre achei a Britney Espirro uma égua da melhor qualidade. Mas daí a imaginar que a coitadinha iria tomar remédio para cavalos, vai uma grande diferença. A vida desta menina está uma ferradura, e acho que no pasto da beldade está faltando garanhão. Ui! Controle o seu encosto de Chacrete: nunca dê em cima de um belo rapaz solteiro e sozinho numa festa; a menos que ele se jogue a seus pés e implore a sua atenção. É contra nossos princípios, é contra tudo o que sempre acreditamos, mas é muito, muito gostoso!
 Deslumbrante a pesquisa dos geneticistas da UFMG, que mapeia o DNA mitocondrial dos brancos brasileiros, buscando os marcadores ancestrais de escravos africanos, que corre nos corpos da branquitude. Minha conhecida riquíssima e preconceituosíssima, que mora de frente pro mar de São Conrado, imbecil como ela só, terá duas opções: ou recusa-se a colher material para a pesquisa, ou, encarando a realidade, se mudará de corpo, pois seria muita ironia do destino, colocar quem ela tanto odeia e despreza, dentro de suas próprias células. Mais do que ser prisioneira de uma nação mestiça que insiste em se ver germânica, escandinava, a tolinha é produto de um tipo de humano que precisa desesperadamente se sentir superior ao seu semelhante. Não percebe as influências culturais em seu pensamento, acredita ser isto obra do Deus que só ama os brancos e ricos, e ela é mais “cheirosa”, porque é, é assim a natureza (ela acredita, e verbaliza). Ainda há muito preconceito racial e temor econômico, pois o branco não quer “largar o osso” da civilização.
 Quadra do Salgueiro bombando no sábado à noite, o querido e tombado pelo patrimônio histórico apresentador do palco, Bira do Erre (divino representante das antigas, nobreza do samba, mesmo), enche os pulmões para anunciar a minha presença: “Quando ele pega o microfone é difícil de suplantar, pois ele é uma estrela do mundo da folia, está presente em nossa quadra o maravilhoso Carnavalesco Milton Cunha, da escola de samba (pausa)... Foliões de Botafogo!” A quadra fez “oh!”, eu caí na gargalhada e só para vocês sentirem o drama, aqui vai uma Nota da Redação: A Foliões de Botafogo era uma escola de juventude do Bira, extinta há muito tempo. Portanto só me restou o posto de Carnavalesco fantasma, aquele que foi sem nunca ter sido. Agora, investido no papel de Pluft, o fantasminha, quero posar nu para a capa da revista Kripta, invocar a Maga Patalógica que existe dentro de mim, e abrir o sarcófago de Tutancamon para ver se eu estou lá dentro. Seria um desfile de mortos-vivos.... Sai pra lá, Bira....
 Amin Kahder, soberano no pacake e no lápis cajal, invade minha residência com câmeras e luzes, gravando seu quadro sobre a intimidade das estrelas (risos) e seus cotidianos mirabolantes (mais risos); “Estamos aqui na casa do carnavalesco Milton Cunha, que se tivesse carnaval na China ele seria contratado também lá....” Eu exclamo meu mantra: “Saravá!”. Amim grita “corta”. E diz: “Milton, pelo amor de Deus, isto aqui é a Record, a emissora dos evangélicos. Não pode palavras do candomblé”. “Mas Amim, se o Bispo teve coragem de contratar você, que é um despacho vivo e saltitante, quase uma galinha de encruzilhada, porque eu não posso?”. E caímos na gargalhada. Não pode é não pode e recomeçamos. Aí Amin repete: “Se tivesse carnaval na China ele seria....” Eu grito: “Corta! Amin, tem carnaval na China, e eu não sou contratado lá, desiste desta abertura. Tenta outra....”. Depois de mil tentativas, avançamos na entrevista deliciosa, e ao final, Amin se confessa: “acho que você usa umas palavras muito difíceis na sua coluna. Você escreve difícil, têm palavras que eu não consigo entender”. Alvíssaras pois estou, portanto, a um passo da Academia de Letras, cujo critério, penso, é não ser de todo entendido pelo Kahder. “Por exemplo, agora você disse aí uma palavra difícil que eu não sei o que é: rolotê! O que é um rolotê?”. “Olha bem, meu bem, um rolotê é um rolo coberto por tecido laminado, que serve para dar acabamento e contornos nas decorações de carnaval”. Ele me abandona na entrevista, e para a câmera, profundo, olhar compenetrado, repete: “Rolotê,,,, Rolotê.... Que palavra mais bonita e difícil....”. Percebo então toda a dimensão solitária da intimidade das estrelas, seus mundos de palavras difíceis, e a angústia da incomunicabilidade. Será que o divino Amim saber o que significa conflagrado?

Recebi este correio sentimental e decidi dividí-lo com vocês: ...desculpa a ter me intrometido no seu email; vi esse endereço na sua página da orkut; bem, sou militar, casado, mas tipo, tenho um puta tesoa em vc.....sexta feira fui ao delíro, com vc e com Ney Matogrosso....queria um dia, poder sair com vc.....só isso que eu queria dizer, desculpe a franqueza e a sinceridade....risos....abraços Divino Militar casado, Que bom que´você é franco e sincero comigo. Gostaria de saber se você o é com sua esposa e filhos! Porque dos seus problemas, eu sou o menor. Sou sua delícia, seu sonho, sua fantasia. E eles, sua família? São o que? Respeite-os e não desconte neles as impossibilidades de sua vida. Não transforme suas frustrações no martírio deles, como tantos pais fazem. Lhe confesso que esta idéia de militar casado pode ser atraente e fetiche para muitos outros, mas infelizmente, não transo com homens casados. É um critério bobo, como aliás todos os outros, mas não posso, não quero, não gosto de ser a outra. Lhe desejo sorte e sucesso, saúde para seus familiares, e entendo seu tesão em mim: sou livre, desde criancinha sempre fiz o que quis, nunca me escondi, e ao dar minha cara a tapa, sempre soube que travesti ou político, militar ou cabeleireiro, bailarino ou policial, todos carregamos nossas personas e todos os tipos são alegoria de uma humanidade que tenta disfarçar e escamotear o verdadeiro desejo, mas na cova, na tumba, quando os ossos deitarem, eles saberão de vidas que passaram muito tempo disfarçando, fingindo, enganando. E já que só lhe resta a punheta, posso lhe enviar uma foto autografada com os seguintes dizeres: Neste momento masturbatório, a foto do personagem Milton Cunha, na impossibilidade de possuir o humano. Boas ejaculações, militar. Boas ejaculações..... Dos seus Miltons Cunhas
 Gente, o Leblon pa-rou neste domingo, meio dia. Nem a chuva assustou nossa Deusa, Samylle Cunha, que com seus alunos, parentes, amigos, agregados e interminável lista de amantes, estrelou a sessão de fotos para divulgação do Banho de Mar à Fantasia de Milton Cunha. Flashes tantos que parecia a Broadway. Turistas atônitois, cordão de isolamento feito por policiais belíssimos, e todos se jogando para cima dela, que é prima de Ana Maria Braga, quase um louro José, nem abacaxi nem laranja, nem boto cor de rosa nem ET de Varginha. Sucesso total, a loura creponada será a Rainha Drag do Banho de Mar, mas não poderá entrar nágua devido as suas dez meias kendall e seus avantajados pneus de enchimento de espuma. Mas ela é loura e linda, e nossos aplausos para ela, que, de salto alto deslizou como legítima sereia pelas areias do Leblon, e pasmem, com salto 17, imbatível....
 Se vocês não forem no meu Banho de Mar a Fantasia, nunca mais falo com nenhum de vocês.... Isto dito, anuncio que o “Tá na Onda” desfila dia 20 de janeiro, domingo, com concentração em frente ao Jardim de Alah, às 12 horas, seguindo em cortejo de papel crepon até o Pontão do Leblon, terminando às 19 horas. Ufa. Bateria da São Clemente e da Unidos de Padre Miguel, Banda do Cordão do Bola Preta e Luiza Brunet como Madrinha (vou convidar Ney Matogrosso, outro ilustre morador do Leblon, para ser o padrinho). Concurso de Fantasias de Crepon nas categorias: Baixo Bebê, Terceira Idade, Drag Queen, e Folião Creponado. Se vocês não aparecerem o pau (ui!) vai comer.... Vão fantasiados de quê?
 Viviane Araújo foi ovacionada, endeusada pela multidão. Tem carisma popular a moça, e podem chamá-la do que quiserem, ela segura a peteca legal. Na hora do "vamos ver" ela provoca comoção popular. Isto dito quero falar sobre ela e outra gostosona sambista, que desfilam desde sempre no samba, e não aterrisam de para-quedas na Sapucaí: quando vi Adriana Peretti espremida entre duas alas, no Salgueiro, dando nas cadeiras como se ainda Rainha fosse, percebi que ela é e sempre será uma sambista da melhor cepa. Muitas pessoas fazendo cara de desdém, dizendo "olha lá, já foi rainha e agora, olha como ela está". E Peretti nem aí, só sambando. Babaquice e maldade típica de invejoso. O que estas pessoas não alcançam é que Adriana quer é sambar, se for como Rainha, excelente, mas se não der assim, dará assado, pois ela quer é passar na Sapucaí. Parabéns, Peretti, você é sambista, não perde e nunca perderá o brilho, e quando esta estória mudar toda de novo, pois sabemos que a Sapucaí é uma gangorra, você será uma Rainha melhor, pois sabedoras das agruras da carreira. No papel que for, nunca perca esta vontade de sambar. É isto que diferencia a sambeira da sambista. Mil beijos e parabéns! Volte sempre....
 Pobre é demitido ou se demite, ou seja, perde o emprego. Rico e famoso tira período sabático de repouso de 2 anos. Saravá, maravilhosa Glória Maria!
 O mofo deu nas paredes das cavernas de Lascaux e nos Guerreiros de Terracota de Xiang. Será isto premonitório de que este ano-novo será um ano de mofo, fungo e bactérias? Será que isto tem a ver com os pré-candidatos das próximas eleições? Tem sim, porque sempre em ano eleitoral há uma praga de ultrapassados. Portanto, só me resta desejar pra vocês um 2008 com jeitão de fungicida, capaz de varrer de nossas riquezas esse lenga-lenga terrível do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
 Gente, e a ejaculação precoce dos fogos de Copacabana, hein? Eu estava prestando atenção na linda narrativa do locutor, quando sem mais nem menos “bum”, algo, alguém, alguma coisa, acabou com o texto e a reflexão. Não entendi nada mas também não ia melar minha festa porque não consegui contar o tradicional dez... nove... oito... sete...., e um maluco resolveu subir a cortina com os atores ainda nus no palco. O jeito foi curtir. Aliás, eu estava com uma blusa de shantung de seda púrpura, calça jeans rasgada, e não satisfeito, acrescentei uma gargantilha de strass, assim, como quem não quer nada. A multidão da areia foi abrindo, abrindo, acho que atônita, apavorada, entorpecida com meus brilhos, que sinceramente eu acho que foram a causa para a confusão do detonador, que ao perceber meu resplendor resplandecendo na praia, apertou o botão. O gay ao lado, invejoso, fez o seguinte comentário: “ih, camisa roxa: não tem medo de passar a virar o ano com esta cor, não?”. “Não é roxo, querido, é púrpura! Tá vendo? Por isso é que é bom estudar....” E fui saindo na minha cor de Cardeal. Outro gay (onde eu estava parecia um reveillon gay, que tem tudo a ver com a noção de “virada”, não é mesmo?) me apresentou o companheiro e disse: “ele não me deixou usar um colar parecido com o seu, que eu cheguei a experimentar em casa, e que eu queria usar, mas ele disse que estava muito carnavalesco....”. Ah, esses maridos que insistem em cortar a onda dos cônjuges... Mas eles só cortam porque existem os babacas que permitem que eles cortem, né não? Não pode dar ouvido, quem vai usar é você, quem vai pagar mico é você, portanto, no máximo, leva o colar na mão e de vez em quando bota para receber um elogio e cutucar o rabugento. Aliás, contrata um garotão lindo, paga vinte reais para ele se aproximnar e dizer a seguinte frase: “vou pedir a Yemanjá que me dê uma mulher que use um colar tão bonito como o seu....”. Neste momento você, recebendo uma Fernanda Montenegro de frente, diz em alto e bom tom: “Faça isso que dá certo. Este é meu marido e há anos atrás ele pediu a mesma coisa e eu surgi na vida dele....”.
 Imaginem a minha cara quando a executiva exclamou, abismada: “mas vocês estão enchendo as bolas em tamanhos diferentes! Está uma de cada tamanho!”. Incrédulo por algum ser humano deste planeta se importar com tão desprezivel assunto, não perdi tempo e quase perdi o emprego: “mas se nem a natureza fez as duas bolas do seu homem de tamanhos iguais, porque nós teríamos que ter um medidor de sopro? Aliás, minha senhora, que tipo de convidado é o seu, que em vez de olhar para a caipirinha ou para as coelhinhas nos queijos, vai se importar com as bolas penduradas no teto?”. Bufando, ela cumpria a sua inglória missão que se resumia ao raciocínio de “se eu estou pagando, vou infernizar a vida de vocês até a última gota”. Estranhíssima mulher, que na briga da vida para se fazer respeitar, para galgar postos dentro da empresa, esqueceu-se o que temos de melhor: a obrigação de nos divertir. E quando os convidados iam chegando e vendo que o tom da festa era de celebração e descompromisso, entre os dentes, comemoravam: “que bom que este ano não é aquilo chato! Fulana, parabéns, desta vez você acertou!”. E quanto mais tudo, absolutamente tudo ia dando certo, mais a criatura ia se enfezando. Que pessoas são estas que querem controlar o mundo, que querem fazê-lo do seu tamanho? E que mulheres são estas, feras da competição que esqueceram seu espírito feminino em algum canto do sistema solar?. Será que ela não liga para sexo? Será falta de homem? Será, será, será, e sem resposta sigo achando o mundo maravilhoso, pois quando a gente acha que não vai mais se surpreender com a vida, a existência coloca diante de nós alguém que raciocina de maneira inversa, que vê o mundo de forma cartesiana, e eu, que sempre celebrei o assimétrico do universo, preciso escutar a que quer bolas de festa em tamanhos iguais. Desde criança percebo que as pedras não são idênticas umas às outras, mas ainda assim apresentam um conjunto harmonioso e belo. No final da festa, levei uma bromélia de lembrança, não sem antes perguntar para o vegetal porque ele não nasceu com os espinhos iguais.
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