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| Milton Cunha |
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 Queridos, vamos todos marcar na aula inaugural da Universidade Veiga de Almeida, terça às 16 horas, na Rua Ibituruna, Tijuca? Podemos assistir a aula inaugural do Alex Rei Momo, que é sempre interessante, para o Curso Superior de Carnaval, e depois tomar um chopp ali pelas redondezas do Instituto de Educação, onde eu e Samuel Abrantes fomos virgens secundaristas, até ali, normalistas. Poderíamos dar um porre no Prof. Madson de Oliveira, que há muito não se alcooliza. Quem viver, verá. Ah, sim, aceitei o convite da Universidade e fui contratado como Professor Visitante. Ah, sim: renovei meu contrato com a Cidade do Samba e já estamos trabalhando a todo vapor nas exposições e feitura do novo show. Ah, sim: desfilo dia 9, domingo, na Atlântica, a convite da Prefeitura, o Cortejo de D. João VI que fiz para a Liga. Ah, sim: recebo segunda, no Porcão, da Rádio Manchete, o título de "Celebridade do Carnaval", durante jantar de entrega dos premios dos melhores do ano para tais jornalistas. Ah, sim, o doutorado sobre Semiologia doCarnaval vai de vento em popa. Ah, sim, quarta estou no Barrashoping com o Cortejo de D. João na abertura da exposição sobre o período Joanino, da prof. Lúcia Garcia, da Comissão D. João VI da Prefeitura do Rio. Ah sim, dia 11 agora, palestra no Shopping Leblon, ao lado de Haroldo Costa, durante o lançamento do Livro do Prof. Fred Goes, Antes do Furacão, sobre o carnaval de New Orleans.Beijos.
 É impressão minha ou Will Smith é o cara? Vai ser gostoso assim lá no raio que os parta, e tomara que os parta seja aqui na minha cama. Outra: quando ele chora, que lágrima mais grossa é esta que banha seu rosto? Por favor, Will, menos, menos, senão só posso invocar: Jeová, me abana! Se Samille é nossa madrinha, lanço a candidatura de Will para varão do blog. Votem, lacraiudos, votem!
 Martnália é o bom malandro e ponto final. Tão bom e tão malandro que nasceu mulher, mulheríssima. Deu volta no destino, enganou o cromossoma, e “be happy”. Com todas as qualidades do cidadão, e sem os seus defeitos. Quer dizer, defeitos de fabricação, ela os teria, mas que podem ser virtudes, dependendo do ângulo de quem analisa, se é que vocês me entendem. Porque, às vezes, nem todo peru canta de galo, e mais importante que o tamanho da onda, é o balanço do mar. E sobra swingue no grande caldeirão montado por esta bruxa da Lapa moderna, que enfeitiça a platéia aquecendo nossos corações de brasilidade e malemolência. Que em priscas eras foi qualidade só da cabrocha, e agora nos tempos modernos, também sobra no varão. Martinália vara nossas convicções machistas com força total. Se Zé Ketti era o samba, ela é o sambista, pois seu novo show é quase insuportável de se assistir sentado. Estrela à vontade, como só os que cresceram no palco sabem ser, a sedutora não completa o pensamento “mulher de amigo meu....” e quando a platéia finaliza “pra mim é homem”, Martnália surpreende e diz: “eu traço de qualquer maneira”. Alvíssaras! Começa e termina de papel na mão, debochada que é, cantando num inglês macarrônico (consciente) grandes sucessos que sabemos repetir sem saber falar a língua estrangeira fluentemente. Igualzinho a ela. Além disto, canta o melhor do Brasil, num repertório avassalador, acompanhada de batuqeiros de primeira. Madame Satã encontrou rival à altura, no palco do Rival. A violência da sambista é o seu talento gigante de colocar tudo e todos no bolso do paletó de linho branco. Salve gloriosa, a mais perfeita tradução das possibilidades de nosso mundo, cujas barreiras caíram. Aliás, se o muro de Berlim desabou, os Arcos da Lapa estão virando farofa carioca sob os passos seguros da sambista, cujas canções são navalhas, tênis nike é o sapato bicolor, e o blush e o batom, como antigamente, continuam ausentes, no palco. Mas que as lourudas gostosonas se rasgam na platéia, maquiadésimas, só vendo para crer que isto ainda está igualzinho ao passado. Se as mães gritaram por Martinho, nada mais justo que as filhas suspirem por Martinália.
 A não-demonização da mulher que assume sua absoluta vocação para a maternidade, é o maior achado do filme Juno. A armadilha de tornar incompreensível, para os olhos destes tempos em que a mulher mata um leão por dia, a figura da bela moça que sonha em ser mãe, seja lá por quais meios forem, é superada pelo excelente roteiro da ex-stripper Diablo Code, que não moralista, retrata o mundo real e contraditório. A protagonista não tem o menor instinto materno, a ponto de comparar o peso de sua nova barriga com o peso da bolsa que carrega e concluir “o que são cinco quilos a mais?”, e está na proporção inversa da outra personagem, que acredita que é importante escolher se a cor das paredes do quarto do bebê devem ser amarelo-manjar ou amarelo-pudim (quase iguais, mas não aos olhos da criteriosa futura mãe), que lê livros, faz testes, analisa qual deve ser o quadro central da parede defronte do berço, enfim, que encarna todas as maluquices desprezíveis que adoramos ridicularizar, e que são primordiais e importantes para a que está no centro da roda da procriação. A beleza do filme é mostrar que há grandeza em ambos os lados, e que é preciso lançar um olhar fraterno e compreender por quê as pessoas são diferentes. E a madura senhora que é mãe da adolescente que vai expelir o feto e pronto, do alto de sua sabedoria é capaz de arrasar com a prepotente enfermeira e logo em seguida se enternecer com a mãe postiça que será super-mãe, ao receber o recém nascido em seus braços: “Você está belamente apavorada, como todas nós, mães do mundo!”. Vocês também acham que aos jovens é fácil serem profundos, e que a melhor saída para os velhos descolados é pegar mais leve no encaramento da existência? É o que vaticina o delicioso personagem milionário de Jack Nicholson, ao ser acusado de superficial pelo companheiro, porque adora sexo, champagne, futilidades. Será que, entrincheirados pela proximidade do fim, que em si já transforma o cotidiano numa profundeza só, o melhor é sair flanando, sem martírio? Por que e para que complicar o inevitável? Aliás e a tal da lista que todos deveríamos fazer, das coisas que gostaríamos de realizar, antes de bater as botas? Muita coisa, né? Quantos perdões gostaríamos de pedir, quantos sonhos não conseguimos realizar, a quantas situações gostaríamos de voltar e fazer diferente? Outro dia vi um jovem lindo, lindo, em seu fulgor de tenra idade, se penteando cuidadosamente. Ao perceber meu interesse, disse:”é pra ficar sempre melhor!”. Eu, cá com meus strasses, pensei: “santa boa esperança de querer e poder ficar melhor. Eu, desta merda não passo”; Ah, doce pássaro da juventude, do esplendor, do amanhã que está tão longe. Ah, a tranqüilidade da maturidade calma diante da beleza que não se reflete neste tipo de espelho, mas que brilha durante o diálogo, e que seduz de forma implacável até os deslumbrantes e novinhos amantes.
 Aprofundando a lista que relaciona maravilhas da natureza com eletro-domésticos, proposta pelo divino Presidente Lula, e já que, segundo ele, a Antártida é a maior geladeira do mundo, podemos também concluir que as cataratas são o maior chuveiro, que o deserto é o maior forno, que o vulcão é a maior panela de pressão, e o Rio de Janeiro, a maior máquina de moer carne humana do mundo. Acho que nunca, antes, na história deste Brasil, o rolo de papel higiênico foi tão grande.
 Um: Você ta largando o maior gato.... Dois: Querida, descobri que tenho asma, que o caso dele só a Suípa resolve e não sou wriskas....
 Um: Jura de pés juntos, que me ama.... Dois: Mais que isso, juro de pernas abertas....
 “De que serviria beber se não fosse para vacilar de vez em quando? Então bebe água” Bomba, bomba, a estrela da sinceridade, monsieur Pagodinho, detonou na reestréia do Sem Censura. “Cara admirável é aquele que mesmo sabendo que você tem dinheiro para pagar as 200 cervejas que foram consumidas na rodada, ainda assim ele separa duas prá ele pagar com o dinheirinho contado dele, pois onde fica o brio, a dignidade pessoal?” Zeca Pagodinho, que me faz revirar os olhos orgulhosíssimos por ter tão qualificado leitor, esquenta a chapa e me conta da... inveja, aquela que é uma merda! Pois saímos todos do programa e fomos convidados por ele para beber cerveja num boteco de quinta no centro da cidade. Diante dos olhares incrédulos dos freqüentadores frente ao poderoso, ele, vivido, sambado, experimentado, o malandro do bem (como ele se define) me contou que ao voltar às casas, ruas, situações de seus tempos de pobre, só um ou dois caras reagem mal. Mas que estes se esmeram em cutucar o bem-sucedido de maneira implacável. Mas Zeca me diz que leva na flauta, se finge de morto e vai ficando por lá mesmo. Me conta que ao bater na porta do barraco na favela, o cara exclama: “ta sumido. Ficou rico. Não fala mais com os pobres”. E ele lá, parado, paspalho, fazendo o quê? Ficou rico e está na porta do amigo que tanto ama. Mas entende o malandro, exclama um impropério de volta e senta-se no banco do barraco para lembrar os velhos tempos, e, se possível, ajudar o amigo. Me conta também do quanto é delicado ir com o carrão de luxo até tais lugares. Se chega no automúvel belo, o cara exclama: “veio assim só para humilhar”. Se chega de táxi, o mesmo cara exclama: “ta escondendo o jogo, porque não veio no possante que saiu na revista, ta com medo de mostrar?”. E é nesta corda bamba que, de vez em quando, ele lida com as durezas da vida. Mas não reclama, acha quer faz parte do jogo. E faz todo mundo gargalhar quando o assunto é oftalmologia, pois ele não se acostuma com óculos bifocais, cujo partezinha de baixo é para ver perto, e aumenta o tamanho das letras. Certa vez, usando um, foi fazer xixi, e, ao olhar para baixo viu um membro masculino tão grande, tão avantajado que, certo de que não era o seu, guardou e foi-se embora, mijar em outro lugar. Um sucesso, o queridérrimo Zeca, Ele arrasou ao lado de Eri Johnson, Rildo Hora e Max Pierre, no programa de Leda Nagle, edição 2008. Bem vinda a Zeca Pagodiscos e o CD e DVD Cidade do Samba. Já o grande Max Pierre, foi definitivo em seu veredicto sobre as diferenças de uma gravadora ontem e hoje: tínhamos o controlador de qualidade, que avaliava os projetos artísticos. Este cargo desapareceu e deu lugar ao Medidor de Custos, que é a única coisa que interessa hoje em dia. Tudo tem que ser barato e dar lucro. Concordando com o super-produtor, o Maestro Rildo Hora, me explicando se os arranjos de ontem eram diferentes do de hoje, vaticinou: só em apuro tecnológico, porque em arranjos e combinações de notas e instrumentos, o melhor até hoje é... Pixinguinha.
 Rolé bacana de carioca descolado: o arraial português que se forma nos almoços de sábado no Cantinho das Concertinas, Cadeg, Benfica. É de passar mal, pois a mistura é explosiva: vinho verde geladíssimo, grelhas em brasa assando porco e bacalhau, e os repentistas lusos e descendentes, tocando fogo nas vielas do mercado, com a animação típica da terrinha. Não é chic, não é arrumado, mas sobra em honestidade, e euforia. Eu, que já fui à estas rodas de modinhas no interior de Portugal, achei que o clima é para lá de típico. Concertinas são filhotes do acordeon, e fezam a portuguesada, comandada pelo dono, Carlinhos, varar a madrugada cantando e dançando. Não morra sem conhecer esta sensação de que no Rio suburbano, o nosso melhor é a diversidade, a capacidade das diferenças serem sedutoras e conseguirem completar este painel tão bonito de brasilidade e harmonia. Ah, sim, lá pelas tantas, o que mais se ouve é “a minha mulher brasileira é a melhor mulher do mundo! Eu é que sou um safado, um sem-vergonha....”
 Cláudia Leite é gostosa, muito gostosa. Ponto. Tem carisma e dá para o gasto em canto. Mas encanta e eletriza setecentas mil pessoas, nesta terra que nunca descansa, pois todos tinham me dito que o ano-novo começaria depois do carnaval. Não foi e não está sendo bem assim. Fora tudo isso, a loura tem que enxugar a produção, não precisa trocar tanto de roupa, não precisa ter tantos convidados para participações especiais. Faltou organização, pontualidade e alguém para ordenar: menos, gostosa, menos. Deslumbrada com seu poder e possibilidade, La Leite exagerou no tormento de obrigar o público a esperar e esperar para que o show decolasse. Não decolou nunca, mas é inegável que foram seis blocos poderosos, e hiatos chatérrimos. Se bem costurados, se transformnariam na mais bela fórmula de uma bomba linda de alegria, que teria encantado a todos nós na praia de Copacabana. Mas justiça seja feita: se é verdade que, sem patrocínio, a louca cantora investiu 4 milhões do próprio bolso para se auto-produzir com galhardia, estamos defronte de um novo Elimar Santos, a última grande estória da loucura-sã de artistas que escrevem com seu ímpeto uma história de sucesso. Não é para qualquer um apostar todas a fichas da conta bancária num show que pode ou não dar certo. A carioca-baiana mostrou disposição invejável e prometeu sempre respeitar seu público. Poderia ter começando entrando só uma hora atrasada. Mas valeu e ela está de parabéns.
 E já que o blog está chato, vamos apimentar: 1) Se um dia a vida me der as costas, tudo bem, não tem problema, eu enrabo ela.... 2) O final de O amor nos tempos do Cólera deixa claro que aquele pênis esperou por aquela vagina por mais de 50 anos, e na hora que ela cede, sem viagra, fica claríssimo que a penetração é arrebatadora (ui!) inclusive pelo close na senhora que é penetrada. Portanto não ao medicamento e sim ao amor verdadeiro. Vocês estão esperando algum pênis ou alguma vagina há mais de ano? Vejam o filme. É esquisito ver o povo de Cartagen, Colômbia, tentando falar o inglês de hollyfood, o que atesta o acerto do Caçador de Pipas, onde o povo de Kabul fala Afegão. 3)Baixaria tem hora, e como não apareceu ninguém na convenção lacraia, fui tomar vinho verde e ver os belos mancebos portuguesas tocar a concertina. Bacalhau na brasa, dança do vira (ui!) e diversão garantida na Cadeg todos os sábados. Saí de lá às 9, felicíssimo. O bom é que nada nem ninguém me faz falta. Não tem vocês, vão outros mesmo. Sarava......
 “Elizabeth- A era de Ouro” é um deslumbrante filme sobre a solidão do poder. “Não tive filhos, mas sou a mãe de toda a Inglaterra”, diz a Rainha, através de uma Cate Blanchet impecável, incorporada, sofrida, solitária. A dor de não se entregar, porque falta um, um único que se atreva, é forte. Claro que ela diz "não me olhe", mas louca para que um olhe, e diga que não olha pelo que ela representa, mas sim pelo que é. Mais fácil amar e desejar as bonitinhas e acessíveis da corte. Dá menos trabalho namorar uma tolinha, que uma Rainha. As cenas em que ela retira as perucas e apetrechos e fica literalmente nua, diante dos espelhos, resolvem todo o mascaramento do enfeite. A imagem revela e feiúra, cheia de beleza, da mulher. Vestida e aprontada é um carro alegórico. Sem a toca que segura as perucas, é humana. De gritar pela acuidade visual, o filme deslumbra os olhos em muitas cenas. E não cansa. É lindo e se desenrola com fluência. Imperdível. Corram para os cinemas.
 Decifro o novo e aparentemente banal filme dos irmãos Coen, “Onde os fracos não tem vez”, pelas duas rápidas cenas de gorgetas ensangüentadas, que tanto o mocinho quanto o bandido usam em benefício próprio. São duas notas de cem dólares imundas de sangue, no caso do mocinho, atravessando a ponte da fronteira México/EUA, ele precisa comprar uma jaqueta para esconder seus ferimentos. No caso do bandido, quase no fim do filme, ele precisa comprar a camisa do garoto para fazê-la de tipóia pois seu braço está quebrado. São cenas rapidíssimas, que não fazem diferença no roteiro, não mudam a vertente, mas que para mim foram reveladoras do posicionamento dos diretores perante o discurso que gostariam de fazer. São desajustados que precisam dos ajustados, pelo menos naqueles momentos, para os socorrer. Não que os ajustados tenham caráter ou comportamento exemplar. Mas o que parece é que o filme discursa contra a loucura de se fazer tudo por uma mala contendo dois milhões de dólares. Matar é o de menos, pois miolos explodem em profusão. Famílias destruídas, autoridades entrincheiradas, uma sociedade decadente e imobilizada diante de sua degradação. O final não existe, não há final, como na vida, e só resta a estupefação diante dos acontecimentos. Sem rumo, como muitas vidas. A história não importa em si, ela não faz sentido só nela, enquanto história de duas horas. Um filme intrigante.
 Princípio do Desejo: se o bonde te trouxer, começo lambendo os trilhos.... Se for a charrete, começo lambendo as mulas.....
 A cena em que o Gangster americano, interpretado por Danzel Washington, distribui perus para a população pobre comer no Dia de Ação de Graças, com cara de benfeitor, solidário e magnânimo, ao mesmo tempo em que surgem os viciados se injetando a heroína que ele trafica, e os coitados vão desfalecendo, caindo, desmaiando, morrendo (uma mãe inclusive morre ao lado de seu bebê, que chora), resume muito bem a desfaçatez do assistencialismo que tem atrás de si atos condenáveis. Mas isto tem que valer para todos os crimes organizados. Já viram o tanto de mulher de político com seus chás e jantares chiquérrimos para os mais pobres, enquanto seus maridos desviam vultosas somas da merenda escolar? Melhor seria deixar a verba em paz, né não? Não angariariam fundos para os mais necessitados, pois não desviariam tais fundos dos descamisados. Só é bacana e justo praticar o assistencialismo com dinheiro próprio e honesto, né não? Ou não? Diriam uns que pelo menos alguns que roubam, aplicam uma parte do roubo em ajudar o próximo, enquanto outros aplicam 100% do desvio em benefício próprio, e não estão nem aí para os menos favorecidos. Existiria dinheiro honesto? Ou lá atrás, no âmago da questão “capital”, tudo é um redemoinho condenável? Só acho que nesta questão fica fácil contestar o gângster bandido e seu assistencialismo, pois neste terreno o bem e o mal estão claríssimos. Mas e o mal disfarçado? E o monstro que não revela seu nome, a quem só interessa usar o gangster como bode expiatório? Ponta do iceberg, os marginais e sua proteção gratuita para as comunidades, disfarçam a grande geleira submersa, como bem mostra o filme: ¾ da polícia (eu diria, da sociedade como um todo) lucram ou estão envolvidos com o condenável, mas disfarçam bem a fronteira, com roupas de grife, penteados, jóias e sorrisos brilhantes em festas filantrópicas.
 Alguns jovens (e outros nem tanto) aceitam a argumentação da desgraça que é álcool e direção de carro. Mas existem os relutantes, também chamados ultra-confiantes, que desafiam as estatísticas e o bom-senso e, além de marra, às vezes são mais espertos que suas companhias. Quando conversar não der mais jeito, e você não puder simplesmente retirar o carro ou proibir, e quando a situação desandar para o crítico, use a criatividade e seja você o mais malandro: suma com a chave, fure os pneus, retire uma peça, jogue óleo no banco. É tão desesperador certos casos, que já vi tais maluquices serem cometidas. Claro que é melhor conversar, mas nem sempre a vida prática é assim, né? Então, coragem. Ao motorista bêbado só restará voltar praguejando para casa, vivo. E você com cara de “não posso imaginar quem fez isto”, felicíssimo de ter seu amado em segurança, ao seu ladinho.
 Não me candidato a nenhum cargo político porque como representante dos eleitores, teria que medir minhas palavras, teria que contar até dez, teria que levar a sério a persona social-político que os eleitores esperam e desejam de seus eleitos. Tudo bem, sei que Marta Suplicy e Clodovil e um monte deles não faz nada disso. Só que eles fingem ser sérios, e eu sou da turma da Dercy, não quero nem saber se o pato é macho, eu quero é comer o ovo. Isto posto, passo às considerações sobre a declaração, de brincadeira, do governador Sérgio Cabral, para Lula e o manda-chuva Alemão: no dia da comemoração, o germânico traria salsichas, o do ABC traria cachaça e o carioca traria.... assanhadinho.... mulatas. Em nome das mulatas agradeço prontamente ser enfileirada como produto comestível e/ou bebível, pois a carne mais barata do mercado é a carne negra (salve Elza!) e o líquido mais explorado é o suor destas passistas. Confesso para vocês que, se numa festa não tiver negão, para mim, em particular, não tem a menor graça. Mas como não posso dizer isto como candidato, não quero me eleger. O Governador é ótimo, mas tem que acompanhar suas considerações sobre nossas mulatas, divinas, com expressões tipo “pois elas traduzem a alegria do povo brasileiro”, “elas representam a graça da mulher brasileira” etc e tal. Sem explicar, pode passar pelas nossas cabeças que ele quis dizer que depois de comer salsichas e beber cachaça eles iriam fazer com as mulatas... bem, é exatamente isto que está passando pela sua cabeça que passa pela minha....
 Desconvidado pelo Secretário das Culturas, Macieira, para encenar os soldados-lanceiros de D. João, desenhados por Debret, dia 8 de março na Praça XV, durante a cerimônia de reinauguração da Sé, só posso pensar que o grande medo, agora, é que a moça do micro tapa-sexo invada novamente o meu trabalho sobre o período joanino, e, depois do programa da Hebe e do Fantástico, perante as autoridades brasileiras e portuguesas, queira provar que sua perereca estava sim, coberta. Imagina a cara das senhoras... E a alegria dos senhores! Aliás, de tudo isso retiro um ensinamento: o que é coberto, para vocês? Um fino arame cobre, tampa ou esconde algo? Não, mas se ele está lá, na frente da coisa, ele está lá e ponto final, né não? Uma coisa que ninguém vai poder dizer é que, mesmo não cobrindo nada, tinha uma coisa naquilo.....
 Com tanto cérebro por reconstruir, o único neurônio desta cidadã a faz prestar o desserviço para o feminismo: a membrana que prova que a espada ainda não penetrou o campo sagrado, símbolo da pureza, castidade, virgindade das donzelas em tenra idade, agora poderá ser a pele de um papo-de-peru cuidadosamente costurado por um cirurgião plástico para dar felicidades aos maridos que o exigem. Pais, pretendentes, todos corram aos consultórios. Depois da inteligência artificial, a virgindade artificial, mesmo que numa velha senhora, vivida, experimentada, e que sonha em ser casta, novamente. Não mais 15 minutos de fama, um himem de fama. E a certeza de que a próxima notícia é de que ela vai restaurar as suas pregas do brioco. Jogo maníaco, golpes baixos, loucura a qualquer preço, todos nós neste redemoinho de início de milênio. A sociedade do espetáculo, onde não importa ter perdido, o importante é reconstituir e fingir que isto serve de alguma coisa. Pedra-pome, sal moura, coisas do passado para apertar e enrigecer. Bisturi na perseguida, pontos nas cavidades e orifícios. Ah, se estes grandes e pequenos lábios falassem..... Vem aí mais um campeão de audiência: minha fantasia para o carnaval que vem será "Â vaginângela...." E ela vai se sentir honrada, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
 O Gangster é um ótimo filme. A Nova York pré Tolerância Zero, a cidade destruída pelo tráfico, muito parecida com o Rio, hoje. É o Tropa de Elite dos americanos, agora passado (sera?). Danzel é um gato, e na cena do casamento, de fraque, então, é de se rasgar. Cuba Jr. faz a ponta da ponta da ponta. Mas é a gangorra. A recriação dos 60 e 70 é divina. Harlen e The Bronx inclusos. Um charme.
 Eu, meu amigo D. João VI (o esplêndido Marcelo Reis, primeiro e único), a siderada da Carlota Joaquina (querida Carol Grimião, minha aluna) e minha intimérrima Maria, a Louca (minha aluna Dayse King). Foi uma prazer, e assim me despeço: Milta, a Louca. Foto de Marcelo O'Reilly de Miranda, do Portal Academia do Samba.
 Sabemos que Tim Burton é um diretor decadentista, dentro do redemoinho da vertigem, pessimista, enclausurado, dilacerado e dilacerante. Mas pela primeira vez o banho de sangue é total, pela primeira vez estamos literalmente no esgoto. Ratos e baratas em profusão. A navalha no pescoço trabalha mais de 20 vezes e os guichos de sangue chegam até nós. Aliás, da abertura ao encerramento, o sangue é o personagem dominante. O barbeiro e a torteira são escravos dele. A metáfora está clara de que aquilo é igual ao judiciários, igual aos manicômios, sinônimo da sociedade de classes. Tudo ok. Mas é para quem gosta, quem tem estômago, quem acredita estar a estética acima do discurso. Nada que um engov não resolva, tomado antecipadamente. Jhonny Deep e Helena Carter são divinos. A direção de arte um primor. Não é imperdível. Mas vale a prova de resistência. Quem se habilita?
 Eu clico na chamada do blog, lá em cima quando dos tres blogs chamados, eles exibem Buraco da Lacraia, e abre o blog É o bicho!... Se pelo menos fosse É a bicha!.... Mas tudo bem.... Ponto para quem diz que aqui só tem veado e galinha..... kkkkkkkkkkkk Beijos, vejo vocês na Band, na Noite das Campeãs.... Só faço pelo cachê, que é divino (considerem isto uma mentira!).

O que acham? Concordam ou discordam do lacraiudo Piauiense: Milton você num acha que em muitos momentos a Escola Unidos da Tijuca confundiu o conceito de colecionador, o ato de colecionar algo com cópias, com reproduções de produtos em série. Eu por exemplo Coleciono algo mas não objetos iguais, ou seja réplicas identicas.... Colenciono categorias mas de produtos ou objetos diferentes, dentro de uma mesma categoria. Por exemplo na Comissão de Frete e no Carro dos pinguins, tudo igual várias cópias, muita linearlidade; a qual vc quebrou com essa estética de linearlidade na Beija-Flor apartir de 1994. Abraço, Daniel de Moura Carvalho - Teresina - Piauí. e ainda vou entrevistar vc para minha tese de mestrado, exatamente sobre essa quebra de linearlidade que vc trouxe aos desfiles das Escolas de Samba do RJ. Grande Abraço Milton
 Perguntas: MÍLTON CUNHA, Malandro é malandro, mané é mané, já diz Bezerra da Silva, o saudoso bamba. Você está na mídia, mas em nenhum momento foi questionado sobre o rebaixamento da São Clemente, cuja escola tem você como diretor. O que é melhor, ser carnavalesco de uma grande Escola de Samba, onde a cobrança é maior ou ser de uma Escola de pequeno porte para não ser bombardeado quando não se ganha um carnaval ou até mesmo é rebaixado, o seu caso? Grande abraço e sucesso com seu blog Fabio Amaro de Lacerdaio,
Respostas (?) Fabio, Grato pela categoria do questionamento, e respeito. Você deflagra em mim o turbilhão dilacerante de não saber o que fazer com o fato de não saber se é melhor ser eu ou você, se índio ou cara pálida, se Beija ou São Clemente. É que estas possibilidades nunca existiram excluindo dor ou delícia. Viver é perigoso, e jamais acredite em resposta que diz que é feliz, assim ou assado, o tempo inteiro. O que faço com o fato de eu estar na mídia, e ser solicitado para tirar fotos com as pessoas, pois, (segundo declaram na hora de fazer as fotos), me adoram, me amam, alguns dizem que a mãe, a empregada me ama (mas desconfio que são eles mesmos) e alguns dizem que os ajudei a se assumirem gays, cheios de gratidão pela minha postura pública. E no dia seguinte ao rebaixamento, acredite, já houve até uma fã que me ligou para pedir que eu fosse ao casamento do filho dela em Sepetiba, pois os convidados estavam loucos para me conhecer. Sou, portanto, uma atração turística, tipo Pão de Açúcar, que os turistas e os amigos querem ver, visitar. Devo cobrar cachê pela presença, como os ex-big brothers? Ou devo permutar nota e reconhecimento para encantar festas no interior? O que faço com tudo isto, Fábio? Com esta única opção de ser eu e de viver a única vida que tenho, que posso fazer? Me mato? abandono o carnaval?, praguejo a mídia que me apóia, me publica?, dou bananas para a multidão que grita para mim vestido de galinha no Cordão do Bola Preta? Rodopio como Maria a louca na corte dos desvairados? Me mudo para um vilarejo na Chechênia? Me nego a responder questões do que é mais fácil? Querido Flávio, está posto o mais antigo questionamento misterioso da humanidade: ser ou não ser, eis a questão! O que sou, o que fiz, é irrecuperável. Personagem de mim mesmo, sou da categoria dos sinceros, que o povo confia ser pura diversão. Mas que sofre por não viver a vida de pura diversão; É o preço que pago, previamente combinado com minhas opções. Não queria? agora que aguente! Quando faço uma grande escola, tipo Beija ou Viradouro, fico em terceiro, quarto. Quando faço Tijuca, coleciono prêmios e prêmios e prêmios. É para mim, é para a escola, é o destino? Mas sou forte o suficiente para envergar mas não quebrar, pois palhaço das ilusões, já tenho outroas ocupações e não sou exclusivamente do samba Enquanto a resposta não vem, Amaro de Lacerda, trato de estudar e aprender com meus professores e alunos; de ser honesto, de ser fraterno, e claro, como não sou de ferro, trato de namorar uns belos negões que como o mundo sabe, são objetos de meu desejo, contemplação e fulgor (ui!). Fico no meu canto, quieto, esperando cobranças, e quando elas vêem, educadamente como agora, minha-confissão é minha resposta de ignorância. As respostas que você solicita, claramente, eu não as tenho. Eu tenho a minha loucura, e levanto-a como um facho a arder na noite escura. E sigo em frente, cabeça erguida, pois mal não fiz à ninguém. Só a mim mesmo. De arder em praça pública. Nos restaurantes, no ponto de ônibus, lá vai ele, a louca amada mas também rebaixada, o vencedor também detonado, o convidado para tantas coisas boas mas também convidado agora a voltar à Marques e enfrentar o Leviatã, na categoria perdedor, pois sou realizador do espetáculo de abertura da Liesa e lá tenho que estar. Que estranha personalidade sou eu, amado Fábio? Que carreira mais irregular é esta que desfraldo como currículo? Para o bem e para o mal, não abro mão de nada. Sairia em pau de arara novamente, de Belém do Pará, naquela manhã em que o mundo raiava para minha vida, pobre de marre de ci, para passar fome e virar o que virei, que não defino e não entendo. Não sei por onde vou, não sei prá onde vou, só sei, que não vou por aí. Aproveito para citar Joãozinho Trinta, já na cadeira de rodas, no sábado das campeãs de 2004: quando eu cheguei no camarote da Rio Samba e Carnaval, e ele, sozinho na janela, olhando a Sapucaí vazia, ao me baixar para beijá-lo, ele olhou profundamente em meus olhos e caiu na gargalhada. Ele me disse: “o demitido (ele, da Grande Rio, ficou péssimo na fita) e o rebaixado (eu, pela São Clemente)”. Ele gargalhou, e com sua gargalhada de ser rei e demônio, de já ter ficado em último e em primeiro, me ensinou, me mostrou, me esfregou na cara, a ilusória gangorra de ser melhor ou pior na passarela do samba. E na vida, pois rei absoluto da folia, não pereceu jamais diante de Leviatã, quer o monstro fosse isquemia ou execração da escola que era sua patroa. Qual será meu Avatar, já que Leviatã se desenha maligno e implacável? Quem deve se envergonhar, eu ou o júri? Ou ninguém deve se envergonhar de ser sincero, na existência? Nem eu nem eles? Entretanto me envergonho de não ter podido acudir a comunidade que em mim confiou, o povo da São Clemente e meu amigo presidente Renato Almeida Gomes. Mas também não me cobro ao extremo, não sangro etá a morte, pois, humano, quando pego uma tarefa sempre cogito a possibilidade do insucesso. Nem infalível, nem sempre falhando. Ganhando aqui, perdendo acolá, e cuidando da saúde para embarcar, um dia, em paz, em minha encantada carruagem rumo à Pasargada. Assim é a vida, e, sabedor das cobrançasm vou alertando meus humanos irmãos de que amanhã, quando o sol se revelar a ponta do baseado de Deus, eu malandro-mané, abrirei os braços rumo às gaivotas que grunhem no céu azul infinito, e exclamarei, lindo: “eu sempre soube que tudo isso era só uma viagem....” Ah, sim, não existe escola de pequeno-porte no coração dos ela SÃO. Só na cabeça das autoridades. Do seu (ui!), Milton Cunha.
 UM: sou solteiro. adoro ser livre!
DOIS: adoro ser livre e casado com uma pessoa que valha a pena! Aló, Lacraiudos, pode o casamento libertar, ou ele sempre é uma prisão?
 E a moça foi parar no The Sun..... Londres nunca mais será a mesma. Dizem que até Elizabeth está contactando a Beija Flor para tanto reconhecimento e fama..... Saravá.....
 Foi o carnaval do periquito de asa quabrada; dos 4 centimetros de sem-vergonhice da moça; da roubada que era ser pingüim em qualquer das escolas; da única Rainha de bateria de chifres do mundo (que eu adoro e admiro); do carnavalesco trancado num fusquinha a gás, que empacou em plena Marquês; do mestre de bateria que desafiando os males da saúde, triunfou na passarela, mostrando-se um sambista guerreiro; das baianas pesadas e sem poder rodar, culpa de nós, carnavalescos, que as estamos escondendo e as obrigando a carregar tralhas descabidas, incompatíveis com a liturgia do cargo. Menos, meninos (eu incluído), menos.... Um enredo sobre o gás, teria que trazer o pum maior da Sapucaí. E assim foi feito. Passou a alegoria borrifando essência e fazendo o povo chiquérrimo dos camarotes (caixas fechadas em si, e super mal-ventiladas) engasgar, tossir, se abanar, passar mal. Foi um Deus nos acuda, foi a vingança do povão das arquibancadas, que se por um lado pega chuva e senta no duro (ui!), por outro lado não é obrigado a respirar um ar irritantemente perfumado. A senhorinha que estava ao meu lado, bradou: “se pelo menos esta fumaça desse uma ondinha, mas nem pra isto serve”. E correu para o banheiro, praguejando o fato de que aquele cheiro iria grudar nos seus cabelos azulados, dando-lhe ares de vulgaridade e pobreza. Alguém defendeu e declarou que aquele era o cheiro de Coari, a cidade do gás patrocinadora da minha amada Grande Rio. Um grupo próximo gargalhou com uma piada infame que trocou o nome da cidadezinha amazônica para Cuari, a do gás-pum mortífero.... No paraíso da loucura, que a Sapucaí é, foi muito interessante acompanhar a presença dos Fuzileiros Navais, que embalaram com seu toque marcial o Show de Abertura, que preparamos para a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Discretos, pontuais, retilíneos, comportadíssimos, contrastavam com a loucura, o desvairio, a purpurina e a nudez que estava logo ali. Cada bum-bum que passava, exibindo-se, era acompanhado por discretos entre-olhares que deviam fazer as fardas esquentarem, e muito, por dentro. Alguns até fizeram roda e entoaram hinos de louvor, como se quisessem espantar a cobiça e a tentação. Fizeram um lindo e elegante espetáculo. E os quatro cantores da Banda Marcial, que entoaram o hino são um show à parte. Lindo ver a Sapucaí de pé, surpreendida por um ato de civismo, fazendo o povão do setor um vibrar com o patriotismo do evento. Salve os duzentos anos da chegada destes bacanérrimos fuzileiros, que não podia morrer sem antes brilhar em nosso maior palco, na Corte da Sapucaí. É interessante pensar que o espetáculo perfeito que está passando na sua frente, em determinado ponto da Marquês de Sapucaí, pode não ter nada a ver com o que está se apresentando metros antes ou depois, para uma pessoa posicionada em outro ponto. Portanto não tem um único ser humano que presencie os quatro pontos cruciais de apresentação para o júri. E mesmo que tivéssemos quatro câmeras simultâneas, nos faltaria o “ao vivo”, que muda tudo. Esta é a dificuldade: julgar a procissão em andamento. Este é o mistério, pois a Sapucaí é dinâmica e viva. Claro que belas cenas são gostosas de se ver. São belas mesmo sem samba no pé. Para isso você compra ingresso e vai a um rodeio em Barretos, ou vai ver o grupo Corpo de ballet etc. Mas quando você compra um ingresso para a Sapucaí, isto necessariamente inclui samba no pé? Ou lindas encenações sem o diferencial do carnaval não fazem a menor diferença, pois o que está em jogo é a capacidade da escola montar uma fabulosa cena de outra linguagem, circo por exemplo, em plena passarela? Só isto já vale o ingresso? Este parece ser o questionamento do carnaval moderno, o dilema da linguagem deste espetáculo, que desta forma reafirma seu vigor e capacidade de refletir a alma brasileira, pois dialoga com outras artes e outras formas de exibição. Que engraçada a irreverente quantidade de homens interpretando grandes mulheres da história do Brasil, nas escolas que citavam o bi-centenário do período Joanino. A Maria, a louca, da São Clemente, Mocidade e Salgueiro, todas eram transformistas competentíssimas em suas exibições. Carlota não deu (ui!) a mesma sorte, e só foi homem na Mocidade. Defendendo o carnaval, esclareço que é nesta corte que a inversão dos papéis, a subversão da ordem, a exposição das entranhas e das contradições são elementos fundamentais. Portanto, pelo menos neste espaço, a família real que chegou ao Brasil, era engraçadíssima e levemente gay. Havia um grupo de trombadinhas, na dispersão, depenando os detalhes das alegorias que lhes interessavam. Vimos um ladrãozinho roubando coisas que nos chamaram a atenção pois o conjunto da obra pós-furto, era engraçadíssimo: o mesmo menino passou com o buquê de flores de plástico da carruagem de dom João, do show de abertura, preso na peruca vermelha que ele surrupiou da comissão de frente sobre os Japoneses do Porto da Pedra. O resultado visual da composição do pequeno delinqüente era de bom gosto, bem-humorado e pronto para acontecer na passarela....

Milton Cunha: Sempre achei a palavra "irreverente" muito injustiçada, porque era sempre usada ou na hora errada, ou para a pessoa errada, ou por alguém com preguiça de encontrar um sinônimo pra ela. Então, ao invés de crítico, cáustico, debochado, tascavam logo um "irreverente" na frase, sem dó ou piedade, como aqueles pacotinhos de bolo de massa pronta do supermercado, só faltanto acrescentar leite à mistura... Assim, como ela sempre me pareceu com um pé na antiguidade que, mal conservada, cheira a quase mofo, declino de usá-la. Mas não é que tenho que admitir que, vendo você desfilando numa carruagem numa incrédula Presidente Vargas, com um guarda-chuva quebrado, preto, no meio de um temporal instantâneo, puxando alegria e jogando-a no colo dos engravatados, me rendi à palavra? Não se pode deixar de reverenciar a paixão quase alucinante que você tem pelo carnaval, em todas as suas vertentes e possibilidades. É bom ver vida inteligente na cidade, ela normalmente anda escondida ou sufocada. Aqui, não - deve ter alma de leonino, com certeza. Sua genuína irreverência me fez pensar em com o carnaval pode ser mais animado, mais alegre, mais feliz. Ass: Sonia Alves.... __________________________________________________ Querida Sônia, também acho.... Mas este amor ainda vai me render uma pneumonia.... Se pelo menos eu arranjasse um engravatado.... Aliás, de cima daquela carruagem imaginei que um dia irei à Shangri-lá de meus sonhos dentro de uma delas. Estar numa, de verdade, como aquela, me acende o príncipe e o conto de fadas. Só espero que o meu encantado seja um negão, ui.....
 Oi. Agradeço o apoio de todos vocês. Mas sou conformado, acho o resultado justo, pois considero uma competição de altíssimo nível. O carnaval é o máximo, e parabenizo todos os vencedores. Deus salve a Liesa, Deus salve os foliões e o carnaval carioca. Ano que vem, se Deus quiser, tem mais.....
 O pudor no carnaval mede 4 centimentros.....
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