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Milton Cunha

Terça-feira, 29 Abril, 2008

Fechando o anel (ui!)


É chegada a hora do estrelato, neste Blog, da competente tradutora e divina mulher Renata Cunha. Ela está sendo convocada para o estabelecimento de significado, significação, significante do título do novo filme de Richard Attenborough “Closing the ring”. Literalmente, “Fechando o anel”. Ui!
Hipétese de significação I: Travestis fecham o anel contra Ronaldo Fenômeno, que queria abrir o brioco anelóide das coitadas. Closing the ring nele...
Hipótese de Significação II: O médico cirurgião plástico marido da vaginângela, erroneamente, pensando tratar-se do canal vaginal, Closou o ring da pobrezinha....
Hipótese de Significação III: Um filme homenagem à pedra-pume, ao sal-moura e tantas arcaicas técnicas que sempre restabeleceram o efeito elástico do perseguido. Esta versão Closing the Ring teria o patrocínio do fio elastano legítimo da lycra dupont, a que estica (ui!) e não deforma....
Saravaá.... Fala Ranata, querida!
Foto acima da Diva do Blog, Samille Cunha, na reta (ui!) de Ronaldo o Fenômeno. By the way, o closing de ring de Samille é conhecido internacionalmente como tensão 10, nota 10.....


Domingo, 27 Abril, 2008

Não sou, mas quem não é?


“Não tenho nada contra, mesmo sendo hetero”, declara o ator que torce para que ele entre para a história da dramaturgia doméstica brasileira, tendo seu personagem consumado o primeiro beijo da tv brasileira. Pois eu, mesmo sendo gay, tenho tudo contra esta necessidade de marcar território, estabelecer a reserva de mercado que, no fundo, no fundo significa: “gays assumidos ou gays confessos é que defendem a causa gay, pricisamos declarar que não somos gays para esclarecer a opinião pública que não legislamos em causa própria, e que eles são normais, desde que eu não seja incluído nesta. Protagonizarei o beijo gay, mas eles lá e eu cá”. Portanto é só fama, é só auto-promoção, é só querer ser célebre e entrar para a história. Pouco importa a causa, os direitos humanos, a celebração da liberdade de cada um poder amar quem quiser. Imaginem se neste blog, os lacraiudos heteros já entrassem (ui!) no primeiro dia dizendo “mesmo não sendo veado estou aqui”? Que ridículo! Meu amor, quem gosta, gosta e não precisa de antemão pedir que “não me confundam”. Com a convivência, tais caras foram galanteando as moças de forma verdadeira e, neste arrastar de asas, confortavelmente vamos percebendo as posições. Enquanto houver a necessidade de declarar-se não hetero, para interpretar o beijo gay, tudo estará errado. E enquanto os gays assumidos não puderem protagonizar o beijo hetero, ou os galãs precisarem esconder sua condição gay para continuarem galãs, o ofício de ATOR, que deveria significar talento para a construção de personagens outros, que não traduzam a vida pessoal do artista, estará sendo confundido com mercado de popularidade e ibope para bonitinhos mascarados. Mesmo não sendo hetero, sei que muitos heteros precisam colocar o adendo nas frases (sou isso mas os outros podem ser aquilo), reproduzindo o velho papai que dizia “o filho do vizinho é a maior bichona e o meu é educado”. Mesmo não sendo hetero, reconheço que heteros podem ser inteligentes e apaziguados ao ponto de não precisarem se dizer não-algo para entender a diversidade bela e gloriosa que faz de nós, humanos. Abaixo artistas e sobretudo atores, que precisem dizer que não são gays. Queridos, quem escorrega no quiabo mesmo dizendo que adora xuxu, chafurda na horta da opinião pública, que é burra mas não é sonsa: ou foi, ou é, ou será.....


Quinta-feira, 24 Abril, 2008

Tempo das bestas humanas....


Sempre ouvi falar de “crime da mala”, “bandido da luz vermelha”, “crime da Sacopã”, “fera da Penha”, quando um frio percorria minha espinha, associado ao conforto da distância no tempo destas bestas humanas. Mas a existência foi passando, e minha própria vida foi sendo marcada pelos personagens horripilantes, que foram cometendo o impensável, e mais que isso, após o horror, comportavam-se de uma forma tão descarada, e eram tão ajudados pela justiça, que foram provocando indignação e dor, em mim e no meu país. Na minha galeria particular, a tesoura da dupla de namorados diabólicos, que acabou com a bela Daniela Perez e nos fez conhecer o que vai por dentro de Guilherme e Paula. No meu museu de cera, o vigia Juarez que decepou ao meio o corpo de Edna, espalhando por Botafogo pedaços do corpo. São lampejos de brutalidade, são flashes de insanidade. Não consigo pensar em todos, organizando-os racionalmente. Às vezes misturo as vítimas, às vezes pulo de um lugar para outro. Penso num haras e numa jovem amazonas, nos tiros pelas costas desferidos por um respeitável jornalista. E agora, acreditem, sou atormentado pelo corpo da menina que está pendurado no vazio da noite paulista, com os braços rijos do assassino já estando para fora do prédio, com os ombros espremidos na tela: vejo seu semblante contrito e martirizado, e rezo para que ele não a solte, que ele recoloque o corpo na cama, chame a polícia e enfrente e pague pelo erro, menor que este outro no qual ele está se colocando. Tudo ruim, tudo choroso, mas tenho a irracional esperança de que o tempo volte e que o corpo não caia. Corta. Pula no tempo, acho que o próximo passo é todos estes personagens do mal se encontrarem. No circo da sociedade do espetáculo, que diferença faria o psiquiatra esquartejador, cuja pena foi mínima, ir até o prédio Jatobá, confortar com seu próprio exemplo os indiciados? Há possibilidade de sobrevivência, há chances de pagar bem rápido por tudo. Nas nossas mentes, flutuando, os corpos das vítima das atrocidades, e sua prisão eterna na condição de morte, enquanto seus algozes flanarão por este paraíso de vida, transformado num pequeno inferno para os sobraram e têm que conviver com dúvidas sobre o ser humano. Sou de um tempo assombrado por vítimas específicas, com nome e sobrenome, algumas tão pequenas, que não deixam sair da minha cabeça as pequenas cadeiras coloridas de meu Jardim de Infância, agora banhadas de sangue.

Se costurar o buraco errado....


“Você não está confundindo os buracos, não?”, perguntou a inacreditável Luciana Gimenez para o cirurgião plástico que, apontando para as cavidades de um desenho científico sobre o corpo humano feminino, explicava onde daria os pontos para reconstruir a virgindade de sua noiva. “Ih, é verdade, este aqui é o ânus, aqui na frente é que é a cavidade da vagina....”, concordou o doutor. A noiva-cadáver caiu na gargalhada, e a apresentadora arrematou: “você tá ruim da buraco, hein, doutor”. E todos riram no circo dos horrores. Pois é, amado leitor, ao começar a reportagem, tudo já beirava o inacreditável, mas isto era pinto diante do médico apontando para aquele canal marrom do desenho, que eu diria inconfundível, mas que ele sequer reconhecia. Quase tudo foi parar em hemorróidas, quiçá reconstrução de pregas, se me permitem a licença poética (quanta poesia e lirismo!). A que ponto chegamos, o que mais falta? Talvez, numa entrevista vindoura, no mapa mundi, um geógrafo brasileiro apontar mi Buenos Ayres querida, como a capital do glorioso país Brasil! Quanto vale o show?

Salve Jorge....


Além de toda a glória do Santo São Jorge, ele é o preferido das multidões porque ele é bonitão: todo devoto quer se ver na armadura do soltado destemido, valente, imbatível; e toda devota quer ver seu companheiro como ele, pois tal imagética é sinônimo de virilidade. Quem não se encaixar em nenhuma das duas aspirações, sempre restará o dragão para se comparar, ou o solo lunar, onde tudo acontece. Ainda assim estará dentro. O fato é que Jorge Guerreiro é alegoria das aspirações do povão, esplendoroso no quesito cênico. Até a lança ou espada na mão do valoroso, inspiram discursos inflamados. Jorge foi o cara, Jorge é o santo, Jorge será modelo para quase todos. Caiu no gosto popular porque é só bater o olho na imagem, e já se intui tudo. Haja devoção!

Foi-se o tempo....


Lembram da piada que dizia que pelo fato do território brasileiro ser livre de guerras e catástrofes naturais, Deus colocaria aqui um povinho que vou te contar? Piada datada do século passado. Guerras, todos sabemos que estamos travando várias: contra o narcotráfico, contra a dengue, contra as milícias. Catástrofes naturais, é um furacãozinho aqui, um terremotozinho aculá, parece que está chegando perto. Meu sinal vermelho acendeu quando ouvi a bancada do Jornal Nacional anunciar que não havia risco de tsunami. Cruzes! Não era exagero, pois como explicou um especialista depois, se as placas do fundo do Atlântico resolverem se mover, lá vem a onda sobre nós. Botando as barbas de molho, o tal do zé povinho já deve ir procurando terras nas montanhas altas para quando bater o toque de evacuar o litoral.

Esforço....


Quando acusamos nossos pais ou educadores de não ter nos vigiado ou cobrado corretamente para que estudássemos mais na infância e juventude, será que consideramos que, em alguns casos eles até tentaram, mas existem coisas na vida que são melhor deixar pra lá, correr naturalmente conforme são? Talvez se dedicar duas horas por dia aos livros seja realmente algo difícil de ser feito. Mas jogar a culpa na mãe é facílimo. Quero ver é se auto vigiar, complicado é não ter olhos externos que te guiem, e, ao contrário disto, possuir dois terríveis olhos da culpa e da dor, que todo o tempo, da própria alma, te vigiam até no sono e no descanso: “estude mais, se esforce mais, aprenda mais, leia mais, exponha-se ao extenuante limite do cansaço intelectual. Só assim você vencerá!”.Interessante pensar que mesmo não tendo nada, a não ser seu próprio esforço para contar, algumas pessoas não conseguirão se esforçar mais. Permanecer nesta vida já é seu maior esforço.

Além do beijo gay....


Ana Carolina prefere os homens e procura um garanhão reprodutor; Ângela Ro Ro está namorando um padre; quase toda a Portelinha é gay; até agora só rolou “quase beijo” na dramaturgia doméstica da Rede Globo, e no que deu (com duplo sentido) tudo isto? Diante de quadro tão caótico, sugiro algo mais picante, pois precisamos apimentar o marasmo: mostra uma família respeitável escurraçando o companheiro de anos do filho que morreu, tomando todos os bens da ex-dupla, ato tão prosaico como um simples beijo. Quem sabe assim as pessoas não acordam para o cerne da questão: superado o beijo ou o bi e tri das cantoras de sucesso, queremos além de beijos nossos direitos civis, pois só para lembrar, os heterossexuais também são tão complicados como nós.


Quarta-feira, 23 Abril, 2008

Tinha que ser no dia de S. Jorge....


BIA ALVES É A RAINHA DESTE BLOG. AO LADO DE SUA REBENTA, SAMILLE, SEMPRE ESTRELOU TODAS AS MONTAGENS, PROTAGONIZOU TODAS AS FALAS, E SEMPRE FOI VISTA IMPONENTE, VAGANDO PELAS CONSCIÊNCIAS, ATORMENTADAS OU NÃO, DE TODOS NÓS.
DEUSA, DIVA, DOIDIVANA, DANIFICADA, DIABÓLICA, DIAGNOSTICADA, DEFEITUOSA, DEIFICADA, ENFIM, DIVINA,
E COMO TODA ESTRELA, PASSIONAL, TEMPERAMENTAL, DE PAVIO CURTO.
PUBLICO SUAS DESPEDIDAS DA RIBALTA LACRAIUDA, QUANDO EXIJO OVAÇÃO DE PÉ DURANTE 15 MINUTOS, AO MESMO TEMPO QUE PUBLICO O CLAMOR DAS MULTIDÕES DE FÃS ESPALHADOS PELAS GALAXIAS PRÓXIMAS E LONGÍNQUAS, QUE DESENCADEARAM O MOVIMENTO PLANETÁRIO "FICA BIA!" E "BASTA INOMINÁVEIS, MILTON É O ALVO, POIS ELE RECEBE PARA ISTO (KKKKKKKKKKKKK) E NÃO BIA!"

VAMOS AOS FATOS.....

....não posto mais no blog. Nem leio, para ser sincera (apenas a coluna do jornal). Aqui fiz amigos fraternos q hj fazem parte do meu dia a dia.
Pq deixei de frequentar o blog? Pq apesar dos pedidos todos que lhe fiz, não fui atendida. Cansei de ser agredida, ofendida,....
BiaAlves@poderosa.com

... ver que uma pessoa como Bia Alves, inteligente, sagaz, intuitiva, e com um senso de humor cortante esteja nos abandonando por causa de pessoas tão pequenas e sem brilho própio...
Marcia Helenamhelena.bh@hotmail.com

O blog anda meio vazio sem sua presença. Volta aqui e vamos começar tudo de novo.
Nelsonnelsoncaraca@hotmail.com

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Bjs a todos!
Liliarevisora@hotmail.com

mas é pq ela "É" parte do blog. Sua onipresença é tamanha que, mesmo quando ela não aparece, as pessoas insistem em achar que ela está por aqui.

Beijooooooooos
Renata C.renata@uol.com.br

fica Bia...
bjs
Christine SteegmullerSalve Jorge !

FICA BIA!
E continue agraciando-nos com tua presença e blz.
Rodrigorodrigouff@hotmail.com

tudo que sei e que quero é que FIQUE BIA!!!
Mauriciomauricio@hotmail.com

Portanto peço sim a Bia que fique e que todos que se afastaram voltem a brincar nesse play e que ainda venhamos a dar boas gargalhadas com as xoxotas das Bismarchis da vida, nos emocionar com as Piafs, esperarmos ansiosos para vermos publicadas as fotos dos encontros lacraiudos e sermos xoxados pelos "inomináveis do bem" que sempre existirão e torcer para que os pobres de alma achem seus caminhos.
Fica Deusa.Fica, vai?
Banaiuti-----bana@globo.com


Vou continuar sendo o que sempre fui... Linda, ruiva, querida, rainha, requisitada. Sorry, periferia!
Bia Alves.


Terça-feira, 22 Abril, 2008

Oh, mundo cruel!


Minha empregada me diz que devo ter cuidado com a quantidade de açúcar que ponho na água dos passarinhos, pois eles podem ficar diabéticos. Céus, cruzes! Vivo num tempo assolado pela informação, pela mídia que democratiza o saber, por dados que esmiúçam mesmo o mais singelo ato de ter em casa as flores de plástico, que são atrativos para que as belas aves venham, em plena manhã, bebericar no meu jardim. Eu, possível algoz de pássaros gorduchos como eu; eu viciador ornitólogo de criaturas indefesas recebendo toneladas de glicose; eu, em tempos politicamente corretos, perdido na dor de deformar a natureza que nasceu bela e exuberante. Já não se fazem passarinhos como antigamente, e preciso providenciar um spa emagrecedor para os voadores acima do peso. Talvez colocar um psicanalista, para mim e para eles, passarinhos, que passarão das gramas ideais, e para minha tresloucada empregada Déb (talvez Loide), sempre pronta para pontuar a vida moderna, com seus minutos de sabedoria.


Segunda-feira, 21 Abril, 2008

A plástica e o imposto.....


Dizem que as turbinadas entram lindas com os recibos médicos da cirurgia, para obter abatimento do Imposto de Renda, e que o fisco não entende tal procedimento como indispensável à saúde humana, e portanto, não está nem aí para o botox. Leão desalmado, abocanha até o silicone!


Sexta-feira , 18 Abril, 2008

Fio da navalha....


Você acredita que todos os seres resistem ao pecado ou à tentação da mesma maneira? Sobre a pedofilia na Igreja Católica, que insiste no discurso totalizador: como instituição feita por humanos, não acredito que nem o Papa nem ninguém, consiga erradicar estes vestígios de humanidade ou de desumanidade de dentro dela. Para não ter lá dentro, o que tem aqui fora (tudo feito por Deus), seria preciso que ela não fosse composta por homens, ou que acreditássemos que existem muitos 100% santos. Faz parte de nossa condição o erro, o tentar esconder o erro, o se declarar acima de qualquer suspeita. Mas tem feito parte de nossas descobertas a falibilidade de nós, hominídeos. Acredito nas boas intenções dos católicos, mas vejo que é impossível varrer de seus quadros as mazelas do mundo moderno. Como nós, vocês vão ter que conviver com isso, envergonhados ou não.


Quinta-feira, 17 Abril, 2008

Festa do Interior!


Como são bacanas o Zezé de Camargo e o Luciano. Durante o programa Sem Censura. não pararam de derramar simpatia e consciência de que o bom do ser humano, é ter passado, é ter história. Adoro milionário que enche a boca e diz: “quando éramos pobres e felizes, no interior de Goiás....”. Acho chiquérrimo! Porque não é possível que só haja possibilidade de vida venturosa no eixo Rio-S. Paulo. Ser jeca-tatu também tem seu valor, ainda que longe da Daslu! E aí corri para ver o show deles no “não seio o quê Hall” (que quando eu era virgem chamava-se Metropolitan, e que hoje é o nome do patrocinador Hall). Gente, assim que começou o show, os dois desancaram com as emissoras de rádio do Rio de Janeiro, que segundo eles são preconceituosas com a música sertaneja, quase não executam os sucessos. Um babado a denúncia, de tão direta e sincera. Fora isto, achei um erro colocar um grupo de bailarinos street-dance, para coreografar melodia de rodeio, e aí me lembrei que no programa, quando eles afirmaram que cantar no Rio era desafio, perguntei se o brasileiro urbano nega as raízes sertanejas do Brasil. Luciano disse que não era isto; e Zezé disse que também tinha isto, sim, e que muitos de nós não queremos parecer bregas. Pois achei brega os dançarinos vestidos como rappers americanos. Mas quando, no meio do show, uma fazenda inteira aterrisa no palco, com direito a telão com colinas, árvores, e vaquinha, tendo ao lado uma casa de sapê tri-dimensional, cuja luz da lamparina ilumina a cabocla, aí sim, a mágica se dá. Sabe a sanfona, a viola, os chapéus de vaqueiro, o povo sentado nos troncos das árvores com a camisa quadriculada, aquele quadro típico da emoção brasileira do interior? É isto, e é espetacular. A roda de cantoria, de meia hora, é inesquecível de tão singela e genuína. E a gritaria da mulherada é tão desvairada, que a moral da história é a seguinte: haja galinha caipira para estes dois galos garnizés!

Cotas no municipal!


Vamos combinar que a grande bailarina tem que ser rebatizada para Ana Giselle Botafogo, pois tal é sua naturalidade, que ela não interpreta, ela é a tal. Muito engraçado o roteiro do Ballet de quase 200 anos: as mulheres mortas de paixão e que não conseguiram consumar a relação em vida, quando morrem, transformam-se em seres espirituais que ficam vagando nas florestas, atormentando os rapazes. Tá vendo, mulherada? Pra quê tanta dificuldade? Antes que vocês morram virgens e doidas, recalcadas e frustradas, e que tenham que ficar na ponta da sapatilha pelos bosques, eternamente, liberem a perseguida e morram felizes e descansem para sempre. Nada de bruxas e florestas, pois o amor é lindo. Mas nenhuma das trinta mulheres no palco é negra, o que mostra que de 1800 para cá, nenhuma afro-descendente se interessou em fazer parte do Corpo de Baile do Municipal. A outra explicação seria que as negras não viajam tanto na maionese, mas acho que o povo acha mesmo que elas não combinam com saiotes empinados de tule. Moral da estória: a coisa tá branca nos palcos da Cinelândia.

Eu tenho o KIT!


E já que está na moda distribuir kit-dengue, conclamo meus fiéis seguidores para receberem também gratuitamente meu conjuntinho de produtos: pensei em dar (ui!) para todos os habitantes (ui, de novo!) uma ombreira de carnaval, destas estruturadas em arames grossos, que sustentassem no alto da cabeça do protegido, um mosqueteiro belíssimo, que desceria até o chão, terminando numa barra belíssima de renda. Já imaginaram que, como estamos na comemoração do Bi-Centenário do período Joanino, aquela profusão de mosqueteiros andantes pelo Rio de Janeiro, em várias cores e modelos, diáfanos, transparentes, revelando em suas volatilidades executivos engravatados, surfistas, meninos de rua pedintes dos semáforos, estes vultos formariam uma cena lírica e nostálgica divina? Se houver dificuldades de distribuição, conclamo os aedes para abrir uma igreja comigo, cujo kit serão cones que os mosquitos deverão usar no tubo da sucção, impossibilitando a tal. Em vez de Maravilhosa, nossa cidade seria internacionalmente conhecida como “Terra da Picadura”. Se tudo isso não desse certo, reza forte também ajudaria!

Visto americano....


Senhores, confesso que me senti atraído a responder o quesito “a que clã ou tribo você pertence (se aplicável)?, durante o preenchimento do formulário para conseguir o visto americano. No meu caso é aplicável sim, pois descendo de uma avó-índia chamada Irene; portanto pertenço, ainda que 25%, à tribo dos Sateré-Maués da Amazônia. Fazer parte de clã ou tribo..., nada mais aldeia global que isso. Quando fui entregar o formulário e passar pela entrevista, e juro que não compareci de cocar de penas de araras, fui normal (se é que isto no meu caso é possível), achei.... engraçado, o funcionário nem abrir minha declaração de imposto de renda deste ano, que atesta meus bens, relaciona todos os meus rendimentos bancários, enfim, um resumo completo de minhas finanças, entregue dois dias antes às autoridades brasileiras. Ele disse, com cara de pouquíssimos amigos “Só isto não basta. O senhor trouxe os extratos bancários para eu ver?” Como eu tinha muitos, entreguei-os. Ele retrucou: “como posso saber se estes extratos são do senhor?”. Pelo vidro, humilhado, acuado, respondi: “acho que todo extrato traz no cabeçalho, lá em cima, o nome do titular da conta”. Pois o caboclo das florestas encontrava o branco colonizador primeiro-mundista (que no caso era afro-descendente). Ele confortavelmente sentado. Eu, espremido numa gaiola de vidro. Quem manda eu querer visitar a terra dele? Ou que ele acha que é dele?

Todos na Palastra da Lacraiuda Lilian....


Diálogos e Aproximações
Seminário de Pesquisa de Pós-Graduação em História da UFRJ
Largo de São Francisco de Paula, 1 - Térreo - 20051-070 - Centro - Rio de Janeiro – RJ
• 16:00

Programação
6.ª Feira – 18/04/2008

Sessão 45: Cultura para uma sociedade plural
Diálogos e aproximações entre gerações, através de projeto realizado no Centro Cultural Cartola, no Rio de Janeiro

Lília Gutman Tosta Paranhos Langhi,
Nossa lacraiuda assídua.

Resumo: esta pesquisa apresenta o projeto de preservação da Tradição Oral realizado no Rio de Janeiro, através do “Ação Griô”, no Centro Cultural Cartola. Este projeto visa à preservação da tradição oral, em relação direta com as gerações dos avós – revestidos do papel de griô (contador de histórias) entre crianças na comunidade da Mangueira e arredores. O projeto pedagógico GerAções, de minha autoria, tem como objetivo promover a cultura do samba (recém considerado bem imaterial do Patrimônio Histórico pelo IPHAN) por meio de pesquisa em arquivos, bibliotecas especializadas e trabalho de campo e tem como norteadores os indicativos da Pedagogia Griô (criada por Lilian Pacheco), do Ministério da Cultura.


Terça-feira, 15 Abril, 2008

ede A a Z....


Neste fim de samana vi o Ballet Clássico Giselle, com Ana Botafogo, um espetáculo inesquecível. Depois caí no Zezé de Camargo e Luciano, cuja sonoridade não me agrada, mas admiro o jeitão de fazenda no meio do show, a legítima roda de viola caipira. Interessante pensar que a gente virou de A a Z, sem o menor problema. Hoje não precisamos gostar só de uma coisa ou outra, podemos ser universais e particulares em muitos momentos. Vocês acham que quanto mais o homem fala de sua aldeia, mais universal se torna o entendimento de sua estória?


Quinta-feira, 10 Abril, 2008

Batalhadores da arte....


O que te parte o coração? Criança abandonada? Noiva deixada no altar? Doente terminal em CTI? Tudo isso junto? Pois para mim, o esforço dos artistas sem público, é o que me leva às lágrimas e a profundas reflexões. Aqueles que oferecem o entretenimento e por vários motivos não podem exercer seu ofício, são dignos de aplausos e colo. Pois fui ver Hedda Gabler, texto de Ibsen que amo e que tive o prazer e sorte de assistir décadas atrás, com a magistral Dina Sfat, agora remontado com o grupo de Virginia Cavendish e Walter Lima Junior. Vale ressaltar a coragem desta gente em escolher tal empreitada, pois o mais fácil é um besteirol ou um comercial já testado pela opinião pública. Mas artista é um bicho esquisito, se apaixona pelo projeto e paga para ver. No horário marcado para começar o espetáculo, éramos nove espectadores. Número menor que os envolvidos na montagem por trás das cortinas. Às nove e quinze, um desolado ator desce as escadinhas do meio do palco, já vestido e caracterizado como seu personagem do século passado, e diz: “Sinto muito. Adoramos o esforço de vocês de estarem aqui. Respeitamos e consideramos cada um de nossos espectadores. Mas não dá. Não é possível representar este drama denso durante duas horas em condições tão adversas (nós, espectadores, não preencheríamos sequer a primeira fila da platéia, colada ao palco). Amanhã vocês são nosso convidados para assistir de graça ao espetáculo. Se Deus quiser amanhã vem mais gente....”. A cortina que não abrirá, o sofrimento e loucura de Hedda, que não viverá naquela noite, a despedida que se antecipou ao encontro. Aquele homem de antigamente que surgiu de um lugar que não é seu, cortinas fechadas, para falar conosco. O que não foi, sem sempre ter sido: o mágico mundo do teatro e seus maravilhosos obreiros. Era terça, estava chovendo, o ingresso é caro, os atores não estão na novela, o texto é difícil, a crítica não elogiou, as pessoas não saem mais de casa com medo da violência, casa de espetáculo é criadouro de mosquito da dengue: Santo Deus, o que pode explicar tamanha penúria de meus amados artistas, condenados à solidão da falta de incentivos?

Duas mulheres, duas cidadãs estudantes.....


Duas alunas do Doutorado da Letras da UFRJ, me impressionaram por suas declarações pessoais, e com conhecimento de causa, dos problemas que comentavam: a primeira, nissei e professora primária do famigerado ensino público, disse que se sentiu pessoalmente atingida pelas declarações de Lula sobre a reprovação dos alunos da rede do ensino fundamental. “Quando ele diz que se o aluno fica reprovado uma ou duas vezes o problema é do aluno; mas quando o aluno é reprovado pela terceira vez o problema é do professor, ele está jogando em cima de mim uma culpa que não tenho. Bato fotocópias do meu bolso, enfrento perigos, não ganho quase nada, tudo porque amo meus alunos e quero continuar dando aula. Alguns não passarão de ano por vários anos, e isto independe do meu esforço, como profissional, e até como cidadã”. A outra detona as discussões sobre o aborto: “se fosse homem que engravidasse, o direito ao aborto sequer seria discutido, seria uma prática corriqueira, pois foram eles que sempre fizeram as leis, religiosas ou civis. Eles sempre dispuseram de seus corpos e legislaram sobre nossos corpos como bem entenderam”. São alunas, são mulheres batalhadoras, e estas são algumas vozes de nosso povo.

Nós, alegorias....


A socialite tinha um cabelo vermelho com mecha verde, usava um extravagante modelo aplicado com flores de organza, e eu estava fascinado pela alegoria humana que ela representava. Após exclamar para as duas senhoras à minha frente, na fila de cumprimentos, “Vilma Guimarães Rosa; Gisela Amaral....”, eu avancei e disse-lhe “você é deslumbrante....”. Agradecida, ela olhou-me de cima em baixo e perguntou: “e você, quem é?”,”Sou Milton....”. Assim mesmo, sem sobrenome, sem explicações posteriores que costumam dar os títulos, cargos e ocupações da pessoa. Ela me olhou de novo, analítica, deixando claro sua expressão de estar esperando um sobrenome ou insígnias. Sorri e deixei-a no vácuo, com sua cara de piedade para este que vos escreve, sem nobreza das explicações sobre seu “eu”. É que não vim de lugar algum, não vou para lugar nenhum, só estou aqui para admirar penteados e vestidos exuberantes, e também adoraria admirar a vida interior de meus semelhantes, o que acontece de vez em quando, mas não sempre. Sou Milton, simples assim, sozinho assim. Admirador. Elogiador. Desiludido com este mundo que valoriza cotas e pertencimentos. Me lembro que nos meus anos de início de carreira, quando eu era o desconhecido carnavalesco da Beija Flor, ao chegar a um evento bombado numa casa da moda, a relações públicas, do nada, me adotou, e sem saber quem eu era, me colocou na sua mesa prestigiada. No meio da noite, alguém gritou: “Milton, Carnavalesco da Beija-Flor”. Admiradíssima, ela exclamou: “você? Tá vendo como eu tenho feeling?”. Levarei para o túmulo a dúvida cruel de se ela tinha feeling para pessoas boas ou para cargos de importância.

Casa de Cultura Julieta de Serpa.....


Quero dar uma dica cultural-chic: já foram à Casa de Cultura Julieta de Serpa? É na Praia do Flamengo e é linda. Durante os chás da tarde, e às quartas, durante um jantar bacana, rola um pequeno espetáculo teatral sobre o período Joanino e o início do Império, dirigido por Alexandre Murucci, com lindos figurinos e atores jovens talentosos. Tudo empreendimento do filho Serpa, que tanto enobrece o nome da falecida mãe, e que desta forma mantém aceso o ideal de agitar o Rio. Faça cara de bem de vida (mesmo não sendo), se encontrar lá uma socialite enjoada, empine o nariz mais ainda e faça também cara de rica (pois elas têm esta cara, mas muitas são falidas) e divirta-se, nem que seja só em visita à deslumbrante residência. Não tenha meda de flanar por estes lugares. Não acredite que o mundo é pré-estabelecido, como alguns te querem fazer acreditar.

Há desastre na beleza....


Estive na exposição HEAVEN TO HELL: BELEZAS E DESASTRES.
É uma mostra inédita de fotos que desvenda o universo de David LaChapelle, artista que amo pela concepção onírica de suas imagens.
Está em cartaz até 4 de maio, no Oi Futuro, Rio de Janeiro, espaço bacanérrimo e gratuito, no Catete. Bom para pegar o elevador, ver o Flamengo do alto, e tomar café. Um luxo!
Em exibição, retratos de Madonna, Leonardo Di Caprio, Uma Thurman, Angelina Jolie, Naomi Campbell, Marilyn Mason, Courtney Love, Drew Barrymore, todos revestidos de um clima louco como só La Chapelle sabe crier. O máximo. Vejam o que Richard Avedon fala sobre o louco fotógrafo:“De todos os fotógrafos que criam imagens surreais, é o Sr.
LaChapelle que tem potencial para ser o Magritte do gênero”.
Eu indico e dico..... Até porque na foto sou eu e a obra: Rex e o cunnilingus.... Para bom entendor um rex e um cunni (ui!) já bastam....


Segunda-feira, 7 Abril, 2008

Eu era virgem....


Depois o maluco sou eu...
- Ele chegou, ele chegou!
Era 2004 e o Presidente da São Clemente adentrou o barracão, avisando-nos de que o Presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, estacionava com seu séqüito defronte de nossa fábrica de alegorias.
-Seja o que Deus quiser... (pensava eu, já me vendo preso e algemado como a besta fera do deboche brasileiro, já que aqueles eram dias difíceis, pois ainda tinha a Câmara de Vereadores da cidade de Pelotas ameaçando tomar as medidas jurídicas cabíveis caso eu insistisse na ala “Veadinhos de Pelotas”).
João engalanado então me foi apresentado pela Deputado Júlio Lopes; olhei os policiais que rodeavam e uns que pareciam puxas-saco. Seguimos para a sala refrigerada, os dois presidentes, eu, Julio e uma assessora de Brasília. Enquanto isso a imprensa acotovelava-se no hall, pois era a primeira vez que um presidente da Câmara vinha até um barracão censurar uma alegoria, coisa que a igreja faz corriqueiramente.
-Eu pediria que você retirasse a escultura do Tio Sam defecando na bacia do Congresso Nacional. O Congresso está fazendo (não me lembro quantos anos ele disse) de existência, é uma instituição respeitada e amada pelos brasileiros, que deve ser resguardada, sobretudo nesta pós-eleição de tanta renovação de esperança.... O Congresso não pode ser maculado...
-Mas deputado, é só uma brincadeira crítica de carnaval, nosso enredo é sobre a Galhofa nacional. Não é contra o PT, é contra os políticos.
-Você sabe que eu tenho meios legais de retirar....
A voz de João era baixinha, educada, sussurrante. Não me meteu medo, mas era decidida, parecia que realmente ele acreditava que aquilo era uma ofensa...
-Tudo bem... eu tiro...
Como artista, criador, personalidade tresloucada que sou, fiquei pensando onde tinha ido parar o PT que eu acreditava como sinônimo de liberdade? Era aquele o partido que eu tinha colocado no poder? Que nem sabia mais brincar? Então porque ele não saía da brincadeira?
Se Collor tinha agüentado a charge do Chico Caruso na primeira página do Globo, quando do impeachement, com ele defecando na mesma bacia, como é que o PT não agüentava a sátira da São Clemente do acordo com o FMI depois de anos dizendo que não renovaria o acordo?
O Enredo era “Boi Voador Sobre o Recife, o Cordel da Galhofa Nacional”, que partia da promessa feita por Maurício de Nassau, de que quem pagasse o primeiro pedágio do Brasil veria um boi voar, e a partir daí tomava a expressão “boi voador” como sinônimo de promessa política irrealizada e saía sacaneando as maluquices da política brasileira.
Tinham os anões do orçamento em uma ala, o ranário do Barbalho em outra, que aliás não ameaçaram me processar, enfim, tinha um monte de coisa risível deste país.
Mas Deus é testemunha, nós ainda não tínhamos os bois, eles mesmos, que o Marcus Valério gostaria de adquirir com seus milhões, e que materializa, em carne e osso, o que eu pretendia demonstrar: que o boi decolou sobre o Recife e hoje sobrevoa Brasília.
A realidade superou minha mente criativa e hoje ela rebatizou meu enredo: “Boi Voador sobre Brasília...” Nem eu imaginei tanto; e perdi a chance de transformar em ala o paletó lilás de Jefferson, arauto da galhofa brasileira: se não brinco, não deixarei ninguém brincar...
Faltou a ala dos Correios, a ala do Mensalão, a ala do Fura Poço, ala dos dólares na cueca,faltou tanta coisa que estou pensando, seriamente em, depois de passados quatro anos, já reeditar este profético enredo, que tentou macular a imagem de instituição tão respeitável como nosso valoroso Congresso Nacional.
Aliás, sabe como terminou aquela visita do Cunha político a este Cunha carnavalesco?
Os repórteres fotográficos pediram para nos fotografar juntos, eu vesti a cabeça de veado cheia de galhos da ala “Não dou Pelotas aos Veadinhos” (meu tributo eterno à mãe da galhofa, Dercy) e fiz pose ao lado do impoluto presidente da Câmara.
Foi quando ele me sussurrou entre os dentes, quase suplicando:
-Vê lá se vai botar essa cabeça em mim!
Cai o pano?


Quinta-feira, 3 Abril, 2008

Porque eu sou é homem....


Ih, segundo a Justiça Federal de Porto Alegre, há mais de sete anos o Brasil está estimulado a inferiorizar a mulher por causa do sucesso musical “um tapinha não dói”. Ainda bem que neste país não se pratica a prostituição infantil, as mulheres são valorizadas pelos três poderes, a previdência social é justa. O juiz, um pouco atrasado (mas sabe como é, né, o judiciário tem muito o que fazer), acatou a denúncia de banalização da violência. Pegando carona nestes assuntos periclitantes, será que poderíamos abrir processo contra a boquinha da garrafa, contra o creu, contra eu não sou cachorro não? É que isto é determinante para nossas vidas continuarem. Só não se metam com meu hino “telma eu não sou gay”, música inofensiva símbolo dos enrustidos que povoam nossas existências, como por exemplo o psiquiatra Marcelo (quase o homem-tangerina pela quantidades de gomos que apresenta), capaz de entrar na casa do Big-Brother se declarando gay, lá virou bissexual porque sentiu tesão no Pedro Bial e por fim, saiu do programa em fase hetero, pois agora está interessado em praticar o coito com marcianos, palmeiras imperiais e pássaros raros da Amazônia. Este moço é íntimo do Papai-noel, do boto-cor-de-rosa e do ET de Vargina: nunca viu rastro de cobra nem couro de lobisomem....

Cassação e Planeta!


Dá para tirar as seguintes lições da sessão de cassação na Alerj: mulheres têm 100% de chance de perder o mandato, enquanto os engravatados sobram para a absolvição. Fico me perguntando se o fato da Cozzolino e da do Posto usarem a mesma tintura de cabelo, e cortes e fios muito parecidos, se isto despertou a fúria da homenzarada da Assembléia, que seria fã de outro tipo de look para as fêmeas daqueles corredores. Será que houve corporativismo ou reserva de mercado entre os cuecas? Coitado do sexo frágil. Analisando as gravatas, vejo que todos os absolvidos usaram modelos pontilhados, talvez uma supertição, tipo “em dia de cassação, o peti-poá te absolvirá”. De qualquer forma, as duas roliças para lá, os maurições pra cá, e o reino da Dinamarca fedendo de podre cada vez mais. Por que será, meu Deus, que estas meninas não botaram um tailleur Chanel tradicional, não usaram um penteado Dilma mãe do pac (óculos incluídos), e não tiveram uma postura “eu sei que você sabe que eu sei, o que vocês fizeram no verão e nos mandatos passados”. Pra quê buscar inspiração na Carla Peres? Por que não assistir o Superbonita da GNT? Nada mudou, são dois pesos e duas medidas: falou mais alto a arquetípica identidade dos machos, que saem para caçar juntos, deixando-as para os afazeres domésticos. Moral (ui!) da estória: lugar de mulher é na Câmara dos Vereadores!
Será que o posto, da do Posto, está localizado na Faixa de Gaza, e por isso ela ache que a descendência árabe aponta para um lugar horrível? Será que na terra de Mahomed os postos não funcionam honestamente como aqui (risos)? Sei lá, mas como ela confessou no parlatório que seu erro foi ser negligente, não fiscalizar seus próprios funcionários, pelo menos isso os árabes têm de bom: são ótimos fiscais. Taí as mil e uma noites das arábias que não nos deixam mentir: Ali babá em os quarenta ladrões (não seriam mais, não?) foram todos presos. Esquenta não, do Posto, te inspira na Sherazde e dá a volta por cima. Ou pega teu tapete voador e vai cantar em outra freguesia. Quem sabe você não dá de cara com a lâmpada maravilhosa do Aladim, e seu gênio, aliás, engravatado.

Goiaba!


Eu, colunista-frutinha-bichada, dou meu furo: A casa da mulher Melancia virou xepa. Explico: sua avó-maracujá desalmada, jogou todos os caroços dela no ventilador, quando dedurou que ela e sua mãe, a mulher-melão, não pagam o aluguel do pomar onde moram há mais de sete anos. O agravante é que alguns dias antes, a calipígia hotifrutigranjeira havia declarado que, com o cachê da Playboy (sua edição será casa-e-jardim) comprou a residência. A vovó leguminosa não perdoa netinha tão abastada e abundante, que não comparece com o adubo necessário. Dizem as más línguas da plantação, que tudo terminará em pesticida agro-tóxico. Será que esta família-melancia é transgênica?