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Milton Cunha

Segunda-feira, 26 Maio, 2008

Quebec....


Divinos,
ja estou em Quebec, depois de uma semana maravilhosa em Toronto, onde escrevi a coluna que esta pulblicada ai em baixo. Foram dias divertidos, entre belos humanos. Um grupo diferente, alegre e sempre disposto a ajudar e entreter. Um luxo.
Mas agora os deixei, pois ja que estou aqui, tâo ao norte, aproveito para subir mais ainda, com esta sensaçâo se que um dia chego ao polo norte.
Esta frio em Quebec, mas a rua San Jean e tudo de bom, uma destas esquinas do mundo por onde passam tudo e todos. Ha um clima de Entrevista com o Vampiro por aqui, pois muito me lembra a New Orleans de 1700, com aquelas igrejinhas e tal, voces sabem do que estou falando.
Quebec estâ completando 400 anos, com placas espalhadas por todos os lado dizendo Feton nos 400 ans! 1608-2008. Ha comemoraçâo por todo lado.
Pensei em vocës, ontem, no meu solitârio e delicioso brinde de agradecimento por tudo na vida que o destino me proporciona. Nâo pode ser como quero, rodeado pelos de bem, mas no intimo da concentraçâo os encontro, todos. Salut! Aliâs, a cidade ê francesa, ainda que um outro tente falar o inglës.
Domingo a noite, depois de um belo jantar, pedi a recepcionista de meu hotel que me sugerisse um programa para entâo. Sem pestanejar ela me disse que ha um guia que leva o jurista a luz de um candelabro para visitar os prêdiod mal-assombrados da vieux-Quebec. Deus que me livre. Vai que seja mesmo um vampiro e me chupe todinho.... Cruzes... Depois achei sexy e confesso que gostaria de ter o direito de dar uma olhadinha prêvia na cara do assomnbrado, para entâo decidir. Fica para a prôxima o roteiro mal-assombrado....
Acordei lindo nesta segunda-feira, corri para esta lan-house, que aqui ninguêm sabe que nome ê este, riram de mim, lan-house.... pois sim.... e agora tomo o expresso para Montreal, de ondo retorno sexta para os braços de meu povo amado. Saravâ.... Serâ que tem vampiro em montreal... E este trem, meu deus, o que acontecera, serâ que ê nesta que descarrilho....

Viagem e atividade....


As luzes do avião que faz São Paulo-Toronto, durante 11 horas, já são de boate, fazendo todo mundo ficar bem na fita (é boa para pele), com os passageiros iluminados pelo lilás vivo, depois azulado, dando a sensação de um vôo lounge. Ao amanhecer, para o café da manhã, começa com um rosa forte, indo depois para a antiga claridade que caracterizava os aviões de antigamente. Mas como para o homem moderno, é impensável ficar tanto tempo sem produzir (bobagem que seja), cada assento já conta com sua tomada para laps-tops que os alimentam durante todo o vôo, entradas usb, bem como tvs particulares que começam e pausam o filme no desejo individual. A aviação corre atrás dos padrões modernos de bem-estar numa velocidade vertiginosa. Já imagino o tempo dos vôos temáticos, quando serão ministrados cursos para os passageiros. Não há tempo a perder, nem no vôo se pode sossegar.

Qual è o seu nome....


Quando nosso barulhento e animado grupo de sambistas chegou para o embarque, a atendente do balcão da companhia aérea virou para a linda loura, destaque do carnaval, e perguntou: “Senhora, qual o seu nome?”. Jogando as longas madeixas, a bela declarou, voz grossa: “meu nome é José Mário”. Parece, mas não é....

Papai vai na intelectualidade....


Adorei ver dentro do banheiro público para homens, no Centro de Convenções de Toronto, um troca-fraldas em forma de tabuleiro, que desce da parede e pode ser usado pelo papai que leve seu bebê consigo para o compromisso no Centro. Fiquei pensando comigo que, para existir aquela oferta, era porque a demanda existia. Portanto, lindos papais que já conseguem se virar com seus pequeniníssimos rebentos, cocô e xixi na fralda incluídos. Um luxo, a civilização ultra-moderna.

A bela acèfala....


Explicando para a top-model que vai participar do nosso desfile de carnaval, que o personagem que ela interpretaria seria o de Maria Antonieta, no setor do Palácio de Versailles, e que ela fora decapitada por ser uma alienada sobre as mazelas de seu povo, a deslumbrante mulher, orgulhosa, acrescentou: “estudei sobre ela no colégio... Era conhecida como Maria, a Louca”. “Não, bonita, esta era a mãe de D. João VI, que veio com ele para o Brasil. Esta era outra”. A criatura belíssima, enquanto provava a fantasia, pensou, pensou, e, num rompante de clarividência, disparou: “claro, Milton. Como sou distraída. Claro que sei quem é esta, estudei sobre ela no colégio, o nome dela era Maria Madalena”. Antes que a nobre francesa virasse Mariah Carey dei um jeito de encerrar a prova de roupa, perfeita naquele corpo escultural desprovido de cérebro.

Protegendo os diferentes.....


Adoro ligar a televisão e num canal qualquer passar o seguinte comercial: “Se você se sente discriminado no seu país por ser gay, nós o acolheremos. Conte sua história e peça seu asilo, que o Canadá o receberá de braços abertos”. Aí, quando comento isto com minha amiga brasileira que mora aqui há anos, ela me diz: “Milton, aqui primeiro são as crianças (que assim que começam a ter aulas de numerais para aprender a contar, logo aprendem o número de emergência-polícia para denunciarem os pais, caso estes as maltratem, tendo inclusive a filinha desta amiga a colocado em apuros pois a pequena só queria testar se a polícia viria mesmo, e não é que veio, mesmo? Foi um banzé daqueles), depois são os diferentes, depois as mulheres e no fim da fila vem os homens adultos. O governo protege os cidadãos nesta ordem de interesse”. Escutei atentamente e me perguntei se ser negro ou islâmico seria considerado na cetegoria diferente, que para mim deve também engoblar os eficientes físicos, ou portadores de necessidades especiais.

The Royal Ontario Museum....


Fui conhecer o magnífico prédio do Cristal de Concreto, obra de um destes bam-bam-bans da arquitetura moderna, uma deslubrante massa de pontas que se projeta sobre um antigo edifício de pedras, envolvendo-a de atualidade, e, atônito assisto a brilhante exposição sobre Darwin. Tudo muito bom, tudo muito bem, até que chego à parede que traz o mapa dos cinco anos de navegação dele e sua equipe no Beagle. Partindo da Grã-Bretanha, sigo atento a seta sobre o enorme oceano até que a linha desenhada em destaque vai parar em Salvador: a observação escrita diz que foi aqui que o evolucionista viu a floresta tropical em todo o seu esplandor. Que em nenhum outro lugar do mundo a mata fechada o impressionou tanto. “Arrasou, o meu Brasil varonil”, penso, quase aplaudindo a nota lida por todos aqueles cidadão do mundo que por ali transitam. Vou seguindo a seta do barco, que logo abaixo ancora na Cidade Maravilhosa, nosso Rio de Janeiro: um balde de água fria esparrama-se em meu semblante: “Darwim ficou impressionado com a crueldade com que eram tratados os escravos, pelos senhores brasileiros. Dignidade e respeito humano eram inexistentes”. “cruzes”, pensei eu, que queimação de filme. Se por um lado a natureza exuberante, por outro habitantes intolerantes e cruéis. Deus me livre. A diáspora negra da escravidão encontrou em meu país seu exercício exemplar: como pode um ser humano se achar melhor ou mais digno de benesses que seu semelhante?

Surdez da bela....


Uma das modelos contratadas para o nosso Baile de Carnaval é a segunda colocada no Miss Brasil, a ceraense deslumbrante, uma iracema dos lábios de mel loura. A gafe ficou por conta do gostosão bofe-modelo que viajou ao seu lado no avião, e que, ao desembarcar, me disse que achou-a meio antipática e metidona pois ela não respondeu suas perguntas nem deu bola para as tentativas de conversa. “Claro amado, que ela não te ouviu. Você não sabe, mas a gata é surda!”


Quarta-feira, 21 Maio, 2008

Dois mundos.....


Um dos guardas da blitz, arma em punho, me pediu que eu saltasse do carro, e quando estávamos para abrir a mala, ele me perguntou: “está tudo bem com o senhor? O senhor está sendo seqüestrado? O senhor está rendido?”. Olhei para meu acompanhante e só aí entendi tudo. “Quem é o acompanhante que está com o senhor dento do carro, ele é seu amigo?”. “Não. É meu namorado”, respondi. “Independente da sua opção sexual, o senhor foi tão simpático e ele, tão hostil, que o senhor entende, há uma favela logo ali do outro lado e imaginei que o senhor pudesse estar sofrendo um assalto”. “Nada! De qualquer forma eu agradeço a sua atenção e seu empenho, mas é que eu gosto de mulatos, e eles de mim”. Ao entrar no carro e nos afastarmos da cena, trêmulos, vi a ira de meu companheiro, tão desmedida e tão insana, que compreendi estar no meio de algo maior que eu, maior que minha compreensão. De um lado o menino que viveu na favela Kelson, sabe como a banda toca, e odeia policiais, a ponto de nem querer saber se estes são da banda boa ou podre. De outro, os “home” que viram de tudo no mundo e sabem que a vida não é fácil, e que, algumas vezes, um negro com cara de poucos amigos ao lado de um branco, no volante, pode indicar coisa ruim. Pode? E notem, além da cor da pele, nesta cena tem expressão facial hostil incontrolável, por parte de meu acompanhante. Desta vez, o “da comunidade” deu mais bandeira de sua impossibilidade de pensar o que o levou a se arrepiar com a simples (simples?) aproximação do fardado. Mas, resta a lição: onde a cidade conflagrada vai nos levar? Que cara você faz diante de uma blitz, mesmo não devendo nada? Mais que isto, você tem consciência da sua expressão ao se deparar com os fuzis? Dentro daquele carro os policiais viram um, dirigindo, que acredita que, talvez, um sorriso valha mais que uma arma; e ao seu lado, um humano com reflexo condicionado de se defender diante do preconceito eterno. O cerne da questão é quanto de auto-estima tais tempos estão deixando restar, para que optemos por concórdia ou discórdia.

Estereótipos....


Me peguei pensando: “toda aeromoça de jatinho particular é piranha!”. Como assim, Milton, quais são tuas evidências, o que te leva a pensar isto? “Ih, vi dois filmes no último mês que trazem cenas ratificando tal pensamento: “Antes do Fim” mostra o milionário Jack Nicholson fechando o zíper e saindo do banheiro do jato dele, enquanto a comissária sai do mesmo lugar abotoando os botões da blusa (e ele com cara de “peguei!”); depois vi “O Homem de Ferro”, onde o milionário faz uma “festinha” dentro de seu jato particular, e aí as aeromoças aparecem de blusas amarradas dançando num poste, enquanto ele e o amigo estão aplaudindo e aproveitando a cena. Mas, Milton, isto é ficção, isto são versões da realidade, e não A realidade. Pode ser. Mas que estes dois filmes fizeram a minha cabeça, ah isto fizeram. Configuraram em mim a pergunta: “mas é assim mesmo, né, a maioria é vagabunda?”, em vez de pensar: “mas nem todas são assim, a maioria é honesta” (como se isto fosse desonesto). Aí me lembrei de todas as enfermeiras que protestam contra personagens de ficção que as associam a papéis sexualizados e “merendinha” do enfermo; pensei em todos os negros reclamando sempre do papel de empregado doméstico ou marginal nas novelas; pensei em quem reclama da estigmatização do físico de paraíba sempre interpretando porteiro. Chega! Está mais do que na hora do José Dias interpretar Olacir de Moraes, milionário da soja (de físico tão típico quanto o ator) e Milton Gonçalves interpretar um bacana cientista como Milton Santos. Acredito que a ficção não faz assim, definitivamente, a cabeça dos assistentes, mas chega! É hora de nos surpreender: aeromoças de jatos particulares sem dar para os milionários; negros em papéis de intelectuais; travestis que nem sempre enganem os coitadinhos dos que não sabiam que eles eram o que eles parecem; fazendeiros brancos que contratem, sim, matadores de missionárias. Tá tudo muito reproduzindo a ideologia dominante, vamos nos rebelar contra estes papéis onde, sempre, quem é pobre, é este mesmo pobre que o ibope aponta. Façamos a cabeça do espectador por outro ângulo.

Estimulantes....


“Até no brasão da República, o Brasil é um país de doidões, de drogados”, disse o ferrenho defensor de que se retire do símbolo nacional o ramo do tabaco, outrora sinônimo de progresso econômico do país. Importante na economia, ainda é, mas o anti-tabagismo queimou o filme do pobre do tabaco. Sem contar que o galho do lado, no brasão, é o do café, cuja característica maior é deixar todo mundo ligadão, excitadíssimo. Portanto, aos pés do Brasil, o cigarro e o cafezinho (a cara da nossa pátria). O que acham? Seriam outros tempos e hora de mexer no símbolo? Ou o símbolo é atemporal, significando que ali, café e tabaco, não representam eles mesmos, mas sim o ideal de boa ventura para o país? Fiquei pensando o que colocaríamos aos pés de nosso brasão, e, desde que não fosse peito de silicone ou bunda de melancia, estaria tudo bem.

Menino do Rio....


Concordo com o governador Cabral que o presidente Lula é um menino do Rio: sobretudo na característica de coração de eterno flerte, apontada pela canção de Caetano. São tantos e tão díspares flertes, que ele me surpreende a cada investida. Praticamente um balaio de gatos, onde cabe de Médici a Severino Cavalcanti. É um presidente de flertes ecléticos, digamos assim. Eu adorava dois flertes dele, que infelizmente caíram em desgraça, e eu acho, sinceramente, que quem perdeu foi o menino do Rio: Heloísa Helena e Marina Silva. Estas são calor que me provocam arrepio, e, se eu fosse um presidente, gostaria de ser conhecido como Seu Flor e suas duas esposas. Imagina Lula com Heloísa e Marina tacando o Brasil pra frente. Mas estes são os desmandos do coração, e cada um flerta com quem bem entende. Boa sorte, cupido verde-amarelo!


Domingo, 18 Maio, 2008

Cortei, corto, cortarei!


FÉ CEGA, FACA AMOLADA, O CORTE DO PRECONCEITO É CERTEIRO, AFIADO E AMEAÇADOR. VOCÊ É ASSIM PORQUE NASCEU COM TAL COR DE PELE, VOCÊ É ASSADO PORQUE É GAY, VOCÊ E COZIDO PORQUE TEM CONTA BANCÁRIA ABAIXO DE 50, VOCÊ É GRATINADO PORQUE MORA NA FAVELA, TODAS EXPLICAÇÕES CAOLHAS PARA UM CORTE MORTAL NA HUMANIDADE E NA POSSIBILIDADE DA CONVIVÊNCIA HARMONIOSA ENTRE O GRANDE MOSAICO HUMANO QUE COMPÕE O PLANETA. CORTE ME LEMBRA MALDADE E MALDADE ME LEVA À INTOLERANCIA, AO CINISMO, AO EGOÍSMO. UM HORROR. O QUE TE RESTA? CORTAR RELAÇÕES OU CORTAR O CRÍTICO COM O CORTE AFIADO DO DISCURSO DA LIBERDADE INDIVIDUAL E DE QUE O ESTADO É LAICO, E TODOS TEM DIREITOS E DEVERES IGUAIS, MAS A VIDA ÍNTIMA DE CADA UM SÓ INTERESSA AO PRÓPRIO DONO E HOMOSSEXUALIDADE NÃO É CRIME. CRIME É A HOMOFOBIA E A DISCRIMINAÇÃO. CHÔ PERERECA, SAI PRÁ LÁ, BROCOIÓ COMO DIZ A DIVINA SURICA, DAMA DA PORTELA. BROCOIÓ ADORA CORTAR, TESOURAR OS OUTROS, PORQUE O BROCOIÓ, TAMBÉM CONHECIDO COMO MOCRÉIA, É MUITO, MUITO INFELIZ, E JÁ QUE SUA VIDA É MUITO DESINTERESSANTE, SÓ LHE RESTA CORTAR A VIDA DOS OUTROS. DESAMOLE TAIS CORTES SENDO JUSTO, HONESTO E EM PAZ COM SUA CONSCIÊNCIA. QUANDO ELES GRITAREM CONTRA VOCÊ OLHE-OS E OS DESPREZE. ELES VÃO FICAR PARA MORRER PORQUE VÃO SENTIR SUA FELICIDADE E VÃO PERCEBER QUE VOCÊ NÃO ESTÁ INTERESSADO NA OPINIÃO DELES. MAS SE QUISER REVIDAR DIGA: OK, JÁ SEI O QUE VOCÊ PENSA DE MIM, MAS NUNCA QUEIRA SABER O QUE EU PENSO DE VOCÊ. SAIA EM DIREÇÃO À LUZ DA VERDADE E O BROCOIÓ VOLTARÁ PARA A SOMBRA DOS QUE SÓ SE PREOCUPAM COM A VIDA DOS OUTROS E NÃO GOZAM, LITERALMENTE, A PRÓPRIA EXISTÊNCIA.

Passageiro.....


DIZEM OS PROFISSIONAIS DA TERAPEUTICA QUE MUITOS ADOLESCENTES PASSAM PELA HOMOSSEXUALIDADE, SEM FIXAR AÍ DESEJOS QUE SE REPETIRÃO PARA TODO O SEMPRE. SERIA A EXPERIENCIA HOMOSSEXUAL PASSAGEIRA, MUITO LIGADA À CURIOSIDADE E AMBIVALÊNCIAS TÍPICAS DA FASE JOVEM DA VIDA HUMANA. QUERER DESCOBRIR, CONFUNDIR AFETO COM SEXUALIDADE, TUDO ISTO FORMARIA UM QUADRO PASSAGEIRO, SUPERADO LOGO DEPOIS PELA FIXAÇÃO DEFINITIVA DA LIBIDO NO SEXO OPOSTO.
ACREDITO TAMBÉM QUE SER GAY ASSUMIDO É PASSAGEM GARANTIDA PARA UMA VIDA ADULTA FELIZ E REALIZADA E CLARO, ALGUNS PROBLEMAS, QUE SÓ MUDAM DE NOME E ENDEREÇO MAS QUE SÃO, BASICAMENTE, HUMANOS, TIPO QUERER SER FELIZ, ENFRENTAR DIVERSOS PRECONCEITOS E A IRA DOS ENRUSTIDOS E INTOLERANTES. MAS ESTA PASSAGEM É MELHOR QUE A OUTRA, A NÃO PASSAGEM, O EMPACAR, O ESTACIONAR NA HIPOCRISIA QUE, A PRINCIPIO PODE PARECER MAIS FÁCIL, MAS É A MAIOR DAS ROUBADAS: IMAGINA ALGUÉM TRER QUE FINGIR 24 HORAS POR DIA QUE DESEJA O QUE NÃO DESEJA. É A MAIS ÁRDUA E DOLOROSA DAS TAREFAS.
PASSAGEM TAMBÉM ME LEMBRA OS CHARTERS COR DE ROSA QUE ATRAVESSAM OS OCEANOS RUMO AO PARAÍSO GAY QUE É O BRASIL. ESTRANGEIROS DE TODAS AS PARTES DO MUNDO COMPRAM PASSAGENS INTERNACIONAIS PARA PASSAR O CARNAVAL NO RIO E ENCONTRAR AQUI O MITO DO AMOR CALIENTE. PASSAGEM ESTA, ÀS VEZES, CARÍSSIMA E QUE NÃO GARANTE A REALIZAÇÃO DOS SONHOS DO COMPRADOR. CHAMAREI DE UMA PASSAGEM RUMO À SORTE, COMO É, ALIÁS , A VIDA. TOMARA QUE A PASSAGEM QUE VOCÊ COMPROU PRÁ TUA EXISTÊNCIA TE LEVE Á PLENITUDE.

Máscaras.....


Dizem que a realidade é um grande palco, onde cada um de nós somos atores, nesta grande encenação que é o universo. E este teatrinho, você pode participar dele de cara lavada ou usando uma máscara. Qual é o seu caso? Você tem interpretado muito? Ou você tem vivido da forma mais confortável , dentro das suas crenças? Na última parada Gay de São Paulo, vi uma máscara impressionante, no meio daquela multidão de dois milhões de pessoas que estavam ali para celebrar a não-máscara, o respeito pelas escolhas alheias e a criminalização da homofobia. Eu estava no alto de um trio elétrico e resolvi descer para o primeiro andar. Ali, na fila do banheiro, na minha frente vi um senhor careca de meia idade, caretinha, mocassim, jeans e camisa pólo, carregando uma gigante cabeça de coelho, destas armadas, grandes, de pelúcia branca. Achei que alhos não tinham a ver com bugalhos, mas mesmo assim, avancei: “Bonita a sua fantasia”, eu disse. A resposta: “Não, não é minha fantasia, é meu disfarce. Meu pai, minha mulher e meus filhos não podem saber que eu estou aqui, que eu sou gay”. Silêncio. Dor, desolamento de um mundo, onde a criatura acha que engana os outros, mas a criatura só engana a si mesmo. Quanto desamor e quanta irresponsabilidade de colocar a saúde da mulher dele, em risco. Nem falo dos filhos, já que a barra é pesada demais. Subi angustiado para o segundo andar do trio elétrico, e sob o sol abrasante da Avenida Paulista, vi o Pernalonga Gay pulando, dançando, fotografando. Ele estava felicíssimo atrás de sua máscara, mas que persona estaria ali escondida? Trágicos anos de chumbo que obrigam as pessoas a fingir. Máscara só tem graça se for em bailes de fantasia. Na real, elas não colam, elas denotam forçação de barra. Algumas não machucam muito tempo, outras vão doer para toda a eternidade. Não desperdice sua vida colando no seu rosto, uma sórdida máscara da mentira.

No lastro do cometa....


À sombra das estrelas é uma expressão maravilhosa do mundo. São aquelas pessoas que adoram estar ao lado de celebridades, para pegar um pouco de carona na fama, sucesso e poder alheios. E é engraçado que tais capachos vivem o universo da estrela como se fosse seu. Fazem discursos sobre “a piscina”, “a ilha de Caras”, como se delas fosse. Anulam sua personalidade aparentemente, mas por trás da membrana, já se pode ver o réptil se formando. Sim, o Ovo da Serpente, de Ingmar Bergmam, que trata da encubação da maldade, dos primórdios do ódio, pode ser muito bem aplicado à estes casos. Eu morro de medo destes “secretários”, que de secretária não Têm nada, que só ficam esperando a hora de dar o bote. Esta situação se potencializa com a mãe de miss, que traz para a herança, o hereditário,o universo familiar e educacional, a desgraça de querer reproduzir no descendente, tudo aquilo que o antecessor não conseguiu fazer. E lá vai a pobre da criança para milhões de testes, audições e concursos, sem nem ser consultada sobre se quer aquilo ou não. O pai passa a ser a sombra do filho, e esta luta se estende por anos. Inclusive na escolha da profissão, quando as crianças terão que cursar tal aprimoramento, porque interessa ao pai a continuidade no escritório. É um absurdo, mas ta aí. Não permita que tal sombra abata-se sobre o seu universo. Seja o que você quer ser, não permita que outros projetem na sua vida o que eles escolheriam para a vida deles. Ninguém, na face da terra pode impor para qualquer outro, filho ou não, a não-realização. Como disse Nelson Mandela: “Quero acordar num mundo onde eu possa ser, aquilo que eu quero ser”.


Terça-feira, 13 Maio, 2008

Distância...


A pessoa suspira e distante, diz: “se eu ganhasse na loteria iria para um lugar bem distante!”. Real, disparo: “e quão longe de você mesmo você acha que conseguiria ir, mesmo estando em órbita?”. Como a criatura me olhou incrédula, eu continuei: “pobre assim mesmo, pega um ônibus e vai prá Búzios pra vê se você consegue melhorar. Não vai adiantar nada. Porque em Búzios ou Katmandu, você vai estar com seu coração dentro. Todos os seus sentimentos e rancores vão junto. Melhor, em vez de ganhar na loteria, seria desencanar desta. Perdeu, perdeu, bola pra frente. Parte pra outra. E aí, se entrar um dindim vai ser muito bom.....”.
Quão distantes de vocês mesmos, vocês conseguem ir?

Pura filosofia do lacraiudo Banaiuti, em resposta magistral:

"Quão distantes de vocês mesmos, vocês conseguem ir?"
Essa pergunta me faz pensar numa outra Milton:"Quão perto de vocês mesmos, vocês conseguem chegar?"
Penso nela quando me deparo com o confuso mundo virtual que se confunde cada vez mais com o real.
Vejo pessoas se aproveitarem de uma ou várias identidades possíveis para colocar pra fora todas as suas frustrações, seus fantasmas, suas doenças, suas invejas, seus recalques, suas incapacidades e penso nesta outra frase.Até onde as pessoas podem chegar tão próximas de si mesmas que se dêem a possibilidade de liberar todo seu lado mal, toda canalhice, todo lado preconceituoso, maldoso, doentio, vilão que todos nós temos na nossa personalidade e que por imposição não podemos ou não devemos deixar aflorar?Poucos tem essa coragem de se mostrar de cara limpa como bons filhos da puta, como cafajestes, enganadores, chantagistas, mentirosos , ardilosos que usam a inteligência que têm para cotidianamente estarem fazendo o mal até para aqueles que os tem amizade.Mas para estes covardes que pela frente são só elogios para quem lhes interessa tirar vantagem, o mundo virtual veio bem a calhar, pois aqui, "travestidos" de nicks diversos eles podem sorrateiramente deixar aflorar aquilo que mais os faz chegar perto de si mesmos , ou seja, a maldade, a vontade de atirar pedra no espelho.Pobres seres virtuais que não percebem que atirando contra o que eles acham ser mazelas alheias estão apenas pondo a arma nas próprias cabeças pois o que vejo aqui são pessoas que atiram naquilo que elas acham que tem de pior nelas mesmas.Mas como diz a amado, fingimos que "Não desejamos mal a quase ninguém..."
Banaiuti


Segunda-feira, 12 Maio, 2008

Enfrentando a segundona....


Eu, pessoa acostumada a ser de quinta, viro hoje de segunda. E, se passei a vida inteira repetido o mantra: “quero ver é segunda-feira, sete da manhã, acordar e ir à luta!”, para desafiar todos aqueles que me diziam ter força de vontade, chegou a hora da jurupoca piar. Quem, se não for obrigado ou em sã consciência, enfrenta a segundona? E a ressaca do churrascão com pagode de domingo, não conta? E o enterro de quem se suicidou, cortou os pulsos, com a solidão diante de Faustão e Fantástico? Esqueçamos tudo isto e (com licença) vamos à luta, pois é na hora do perrengue que triunfa a luz que mora dentro de nós. Chô baixo-astral, hellô início de ensolarados dias em nossas vidas. Ninguém é feio para sempre, nenhuma cruz durará a eternidade. Avante, companheiros, com força e determinação, pois é numa destas, quando menos se espera, que não acontece nada mesmo, ou você se dá bem e um príncipe encantado jura-lhe amor eterno.

Ponto Final....


Que máximo: o flamengo e o Fenômeno são BI!

Arthur Bacana da Távola....


Morreu o moço da Távola, amado jornalista que tanto li na juventude, e que em minha desvairada fantasia de menino, eu supunha escrever em pesada mesa de madeira cheia de cabeçotes de metal, vestido com roupas medievais. Para mim, Artur, a entidade-escritor, era maior que o humano gigantesco que ele era (suas formas físicas, que descobri existirem, anos depois, nunca suplantaram a grandeza imaginada através dos seus escritos); e seu amor à telenovela brasileira, me fizeram acordar para a dramaturgia doméstica de nosso país. Era o tempo de Gabriela, primeira novela a cores de nossa TV, e ele me mandava prestar atenção na linda branquinha que interpretava a decidida e revoltada Malvina. Havia tanto amor e respeito em suas frases, que seu universo me interessava particularmente; e ele, cavaleiro armado, dentro de toda esta ficção. Penso em Elizabeth Savalla, nestes anos que se passaram, penso em meus anos idos de mocidade, e agora, naquele cais da noite misteriosa da antiga Ilhéus cacaueira, partindo no barco, em vez da filha do coronel, estão Jorge Amado e Arthur da Távola. No cais, Maria Machadão e sua meninas do Bataclan acenam, agradecidas, a estes dois marinheiros, sempre a nos navegar pelos tempestuosos mares da alma pátria.

Treme Toronto mais uma vez....


Mais uma vez, nossa trupe de sambistas está partindo para o distante Canadá, para pela 42 vez realizar a fuzarca carnavalesca Brazilian Ball, decorada pelo mago Zeka Marques e produzida pelo gringo Howard. Este ano o baile será emocionante, pois morreu Ana Maria de Souza, mineira que soube juntar sonho e empreendimento, e pela primeira vez, depois de tanto tempo, ela não encabeçará, literalmente, a alegria. Mas vamos manter acesa a chama da beneficência, e arrecadar muito para as entidades beneficiadas deste ano, um hospital do câncer no Canadá e outro no Brasil. Conosco estão indo os primeiros bailarinos do Municipal do Rio, Cecília Kerche e Vitor Luiz; a gaúcha Miss Brasil 2008, Natália Anderle (e 8 outras candidatas), e para as senhoras alegres e solteiras do salão, o Mister Internacional Alan Bianco, espanhol de virar a cabeça de quem gosta da mercadoria. Cereja do Bolo, Rainha do Baile, a top brasileira Fernanda Motta, escândalo de mulher, que parte direto de sua casa em Nova York (chique, esta moça). Mas quem quebra tudo é Mestre Marrom e sua bateria, com Wantuir no microfone e as mais belas mulatas do carnaval carioca, fazendo os canadenses suar bicas, e torcer tanto o pescoço que é um Deus nos acuda. Lucinha Nobre rodopia a bandeira brasileira, e eu, desta vez, abrirei mão de minha eterna fantasia “Galinha do Arco Íris” e, em homenagem às renas geladas envergarei o “Veado Imperial”. Ao derreter da neve, exclamarei novamente “Treme Toronto!”.

Chico, coisa de Bia Alves....


Ao perguntar para a bonitona que estava fazendo trinta primaveras, qual seu desejo secreto, minha divina amiga detonou: “que seja sempre primavera, pois no outono tudo cai e no meu corpitcho não vem que não tem!”. Depois falando sério (pois ela fez uma cara concentradíssima, olhou para o infinito, e começou a sonhar),disse: “queria ter trinta no tempo daquele clipe de Mulheres de Atenas, e pegar o Chico”! Cruzes, pensei, esta mulher está em brasas, e assim que cheguei em casa corri pro You Tube, acessei o clipe e, em estado de choque, relato: garotas, o que faz um homem ser sexy na opinião de vocês? Mulherada, acessem o filminho (giletes para cortar o pulso, não em linha reta, mas em jogo da velha, serão bem-vindas) e obtenham a resposta. Buarque está ainda no meio do caminho (o que significa homem com cara de gato e entonação de maduro), bigodinho e boca de arrepiar, camisa florida de latim lover aberta de forma abissal, o que revela um bico de peito que provoca as mais loucas fantasias, e olhos em close que são piscinas de orgasmo. Saravá, liberta este corpo que não te pertence! Última frase da aniversariante, afastando-se lânguida para um território só dela: “naquela pegada, queria ser o violão dedilhado, no colo”. Nem uma retro-escavadeira arrancaria a suspiradora de tão profundo arfar.

Luma e eles....


Já imaginaram a cara dos senhores poderosos de nossa folia, numa plenária da Liesa, tendo ao lado as melancias da Luma? Visualizemos a cena: os presidentes da escolas, vetustos respeitadores casados, reunidos, e nisto surge o decote e a fenda do vestido de La Oliveira (hipoteticamente eleita presidente da Viradouro), fazendo com que os falantes silenciem pois aquilo é mais que o choro de uma cuíca. Ela desce o corredor central do auditório, rumo ao presidente Castanheira, num rebolado malemolente que faz o queixo dos senhores balançar na mesma cadência, surdo de marcação à pino. O perigo talvez fosse a impossibilidade de concentração da marmanjada, defronte da presidente cujas curvas reinam na Sapucaí. Um sucesso de comissão de frente e recuo de bateria (ui!) jamais vistos nos encontros semanais da cúpula do carnaval.. O ziriguidum do mulherão iria bombar no folclore carnavalesco! Sonhar não custa nada, ou quase nada: isto sim seria o samba do crioulo doidaço....


Sábado, 10 Maio, 2008

Viva dois erres: Rê e Ruth....


Todos do Blog:
Parabéns, Renata Cunha e Ruth Porta Bandeira, por mais esta primavera....
As duas, respondendo, em coro:
Graças a Deus que é mais primavera, porque no outono cai tudo, e em nossos corpitchos, nada, jamais, outonará....
Aplausos intensos e gritaria são ouvidos....
E para todas as mães, nossos desejos de eternas primaveras. Que a lei da gravidade vá cantar em outra freguesia....


Sexta-feira , 9 Maio, 2008

Cai o pano....


Gente, o que aconteceu com o terceiro travesti? E se oito cenas valem 10 mil, cada cena sai por 1.250. Tão baratinho este pornô, que agora eu entendo os 50.000 da extorsão: esta moça não sabe cobrar....


Quinta-feira, 8 Maio, 2008

Velhas mentiras-verdades.....


Foi a terça-feira do arrependimento, em que emergiram novas versões para a procura de verdades que têm mobilizado a opinião pública: o pistoleiro Rayfran ( que nomezinho, meu doce; deve ter pai Raimundo e mãe Francisca) que matou Dorothy Stang, mudou o curso do julgamento, ao desmentir-se sobre quem forneceu a arma para que ele cometesse o crime; e Andréia Albertini (que nomezinho, meu bem: padece desta obsessão dos travestis por nomes escalafobéticos, pois nenhuma é Maria Silva, o que festeja uma internacionalidade que exclui a grandeza dos Costas e Souzas) voltou atrás (ui!), e disse que não houve sexo nem drogas nas três horas do quarto de motel (é correto, portanto, supor que eles discutiram a influência do pensamento de Foucault na filosofia dos monges libertinos da Idade Média). Fiquei até meia-noite esperando que este surto de reviravolta se abatesse sobre o outro caso que nos intriga, o de Isabella Nardoni, e que o terceiro elemento resolvesse desembarcar de sua nave espacial e enfim nos contar o que e como tudo aconteceu. Claro que o fato destas mudanças limparem a barra da tradição, família e propriedade, não tem nada a ver. É tudo grande coincidência do destino. Mas que bom seria viver num mundo onde a corda não arrebentasse sempre para o lado mais fraco, né não? A única que foi presa foi a mulher que roubou um tablete de manteiga, ano passado, no surpermercado da periferia de São Paulo. Esta vai mofar na cela com mais 50 detentas, pois este caso não tem dinheiro para o recurso jurídico. E a frase emblemática deste raciocínio que põe-se acima do bem e do mal é do milionário em sua ilha paradisíaca declarando para o fantástico que “não posso esperar comportamento correto deste tipo de gente”. Nós nos colocamos de fora desta sociedade injusta formada por pistoleiros, travestis e terceiros elementos (sempre pobres e muitos negros). Somos os “outros”, somos os bacanas. Eles cometem crimes, nós escorregamos. Imagina se fazendeiro que se preze vai contratar matador de missionária; imagine se traveco tem ética; imagina se pai e madrasta classe média mata filha criancinha. Parece que perseguimos a retidão de caráter a qualquer custo, mesmo que isto seja uma mentira. Parece hipocrisia de uma sociedade capaz de proibir uma marcha pacífica que queira questionar a proibição de algo, só permitindo a passeata de avestruzes cujas cabeças enterradas em buracos, sofrem nas suas casas com seus filhotes consumidores e acreditam que é só negar o debate, que tudo estará resolvido.

Cabelos, cabeleira, cabeluda, descabelada!


A instrutora de segurança nos parquinhos, disse no RJTV, durante a matéria da menina que teve parte dos cabelos arrancados, que é preciso prender os cabelos dos pequenos em tais ocasiões. Criança sofre, gente! Quer dizer que as meninas terão que abrir mão do visual, pois é um perigo suas longas e belas madeixas se enroscarem nas engenhocas dos brinquedos que elas amam? Gente, tá feia a coisa (um pouco pior para as de cabelos mais armados e que não têm dinheiro para a chapinha). Daqui a pouco teremos uma onde de meninas carecas, ou joãozinho, ou de chanel Cleópatra. Nenhumas mais poderá fazer a linha Maria Bethânia. Por um minuto de passeio na roda-estrela, terão que desfilar horas a fio pelo parque, de coque, trança ou maria-chiquinha. E se o ingresso das engenhocas incluísse uma cabeleireira ao lado da bilheteria, nas portas dos brinquedos? As meninas iriam adorar mudar de visual antes de rodar. Uma fila de barbies, já imaginaram? Última pergunta: além de cabelo, cabem dedinhos nestas roldanas divertidas? Não é melhor isolar tudo que possa prender nossa infância, não?

Cara de pau tem DNA?


Sobre testes de DNA para verificar paternidade, o radialista Lincoln declarou sobre o pizzaiolo Felipe, há 17 anos sem se encontrarem: “não precisa de prova, não tenho dúvidas de que é meu garoto que sempre procurei”. Adoro. Acho que a emoção arrasou com a ciência, como se dissesse: “menos, DNA, menos”. É cheiro, é pele, é intuição, é por este lastro que o genitor, algumas vezes, identifica a cria. Bicho assim. Selvagem assim. Aliás, em alguns casos, é tão desnecessário fazer DNA, que poderíamos propor teste de cara-de- pau, patrocinado pelo óleo de andiroba, para certos fazedores de pequenas cópias humanas, que flanam por aí. Foi o que aconteceu quando dei de cara com o filho não autorizado do jogador com a ex-modelo, e instantaneamente gritei: “gente, tá na cara, no corpo e no espírito que este menino é filho do tal. Inclusive brabo e emburrado como o criador da criatura”. A multidão a meu redor concordou, e aí percebi que só o dito cujo precisava da cadeia de ácido desoxiribonucleico para rastrear seu poderoso esperma.

Guardar pode, publicar não....


Você pode guardar quantas imagens você quiser de crianças praticando ato sexual que isto não significa nada, só significa que você acha isto bacana ou na pior das hipóteses, material de pesquisa. Esquisito pensar que não seria indício ou comportamento suspeito, a pessoa guardar este material e fazer sei lá o quê dentro de quatro paredes. É a máxima de que, no privado, você pode tudo. Não tem nenhum problema ter; só tem implicações divulgar, tornar público, negociar, mostrar. Que estranha lei. Igualzinha a que diz que cheirar cola não é se drogar. Cola e álcool pode. As outras não. Guardar material pornográfico retratando adultos é o mesmo que guardar este tipo de material retratando crianças? Não podemos legislar sobre arquivos privados? Eles são intocáveis? Cada um coleciona o que quer? Inacreditável ter que flagrar com a boca na botija para caracterizar a coisa ruim.


Quarta-feira, 7 Maio, 2008

Coutinho, o mangueirense....


Prezado Milton.
Percebo que a grande maioria dos jogdores de futebol,
desperdiçam o panalti, quando colocam as mãos na linha da cintura.
Desejaria saber, por gentileza, se sobre a luz da psicologia este ato provoca alguma
mudança no âmago do atleta. Parabéns pela brilhante coluna. Saudações
mangueirenses.
Ass. Coutinho

É não, amado. É uma forma de homenagear as travecas, pois, sózinho, diante do gol, a solidão do craque só é igualável ao seu martírio de enfrentar suas mais profundas fantasias. Do espelho, a imagem devolve: tá boa, santa?
E tenho dito....


Terça-feira, 6 Maio, 2008

Milton e a Delegada Fã....


Querido,
Quisera ser você amanhã...
Quisera acordar com a certeza do dever cumprido. Com a leveza de haver discorrido com rara conseqüência sobre o assunto do dia, da semana, sobre o assunto que afastou dos cariocas o crime ocorrido em São Paulo.
Que me lembre, jamais alguém misturou tantos conceitos e preconceitos num só artigo: normalidade; mania de bom moço; prostituição; irritante chatice da felicidade; suburbanice; dentes, cabelos, joelhos ruins; mãe e o maldito édipo que ela nos inculca... Tanta coisa misturada!!!
Disse a você um dia que não melhorasse, porque ficaria ruim...Mentira! Você foi o melhor dos melhores e, embora não seja meu hábito, me senti na obrigação de lhe escrever, para parabenizá-lo pelo belíssimo artigo.
Quisera ser você amanhã... Mas hoje, sendo eu, preciso lhe dizer que sou sua fã. Obrigada!
Com carinho,
Márcia Julião.

Gratíssimo, Delegada.
Se um dia eu for preso, a senhora me ajuda?
Não permita que os detentos (ui!) me agarrem....
Beijos, autoridade. Estou enquadradíssimo....

Este tipo de gente!


Ronaldinho, na Ilha em Angra, para o Fantástico: “Não posso esperar deste tipo de gente um comportamento correto....”

Eu: Portanto, amado, quem não espera sempre alcança....


Segunda-feira, 5 Maio, 2008

A cigarra e a formiga!


Tenho um amigo que há quinze anos diz que um dia sua vida econômica estabilizará e então ele gozará a vida. Ao mesmo tempo minha vida não estabiliza nunca e eu vivo viajando, dando festas, curtindo eventos culturais e aproveitando sempre meu dinheiro da melhor maneira possível. Já tive muito, já perdi bastante, mas conheci o mundo e tive experiências que me foram fundamentais na idade que as vivi. Podia ter economizado mais. Pode ser. Certamente teria mais bens e não seria tão feliz. Um dia chegará a hora (ou nunca chegará), em que ele enfim conseguirá ir a Nova York, seu eldorado sonhado há anos. Ele já estará cinquentão, e tomara que aproveite. Ele não fica nas festas até tarde nem bebe nem curte, pois tem que pegar a van para voltar para a casa na praia da Barra, porque pegar um táxi seria desperdício. Deixa o carro caríssimo na garagem, e só o tira para ir levar e buscar roupas para que sua amada lavadeira, que cobra baratinho, em Nilópolis, as lavem, baratinho. Acho que fica mais cara esta operação do que comprar uma boa máquina de lavar e traze-la para operá-la em casa. Enfim, tudo isto para contar que o tempo está passando e fica a impressão de que ele acumulará mais e mais não conseguirá nunca usufruir isto que lhe é tão caro, o vil metal. Pão duro, avarento, seja lá que nome derem, parece que ele não se acha digno de gastar consigo o rico dinheirinho. Uma formiga que não pára nunca de trabalhar. Será um velinho bem riquinho, e eu, cigarra, um serelepe pobrezinho.


Sábado, 3 Maio, 2008

E-mail do mestre....


Milton Cunha,
Bela crônica a de hoje, Milton.
Acho que uma seleção do "Chapa quente" daria um belo livro.
Herminio Bello de Carvalho

Mestre Bello de Carvalho,
Belíssimo mestre.
Vindo de tão bacana figura de meu tempo, este elogio guardarei no coração. Humildemente, simplesmente, lhe agradeço a atenção de saber-lhe olhador de meus pedaços de escrita.
Lá se vão dois anos de Chapa Quente.
Saudações enormes, e me diga o que o senhor está aprontando agora?
Saravá, divino Cabeça de Prata.....
Milton (querendo ser belo) Cunha.

Milton querido,
Agora mesmo, a equipe da Cecilia Scharlach está debruçada sobre minha correspondência com Drummond para pré produzir a pesquisa do "Aporo Itabirano".
Um dia gente ligada ao jornalismo, manifestará a intenção de selecionar suas (ótimas) crônicas prum livro.
Conte comigo como atentíssimo e constante leitor.
Gostaria que fizessem chegar às tuas mãos (aos teus ouvidos e coração, diria) o " Áurea Martins - até sangrar".
Procure ouvir.
Cuidado para, depois, não giletar os pulsos.
Herminio Bello de Carvalho

Divino Carvalho, o Bello Hermínio,
Adoro Áurea Martins e, já de gilete em punho, aguardo sangrando. O senhor é um luxo!
Milton Orgulhosíssimo Cunha


Quinta-feira, 1 Maio, 2008

Deuses e monstros....


E aí, numa noite, o dono do mundo, enfastiado com tanta correção e felicidade, dando um basta à bonança, resolve se divertir como um normal, e sai para apanhar sexo em troca de dinheiro. Todo mundo faz, a vida é assim mesmo: todos eles com suas mulheres no quentinho de suas camas, no conforto do lar; todos eles com uma fila de garotas se jogando a seus pés por sexo grátis. Mas não é isto, nesta hora: o que se quer é a frieza e distanciamento do coito enquanto mercadoria de compra e venda. Não pode ser com alguém conhecido, não pode ser confortável: há de ter um quê de baixaria; urge um pouco de sordidez, única forma de contrastar e completar a sempre enfadonha vida realizada, que se só vivida do lado de cá do bom moço, contradiz a máxima que “todo homem é assim”. Muita chata a felicidade, muito repetitivo o sucesso: só ganhar, ganhar, ganhar, não dá; é preciso lembrar dos tempos em que se perdia, e num amanhecer tudo muda! A vida dá o rasteirão, e a emenda fica muito maior que o soneto. Pôxa, destino, não era bem isso o que o cara tava pensando, precisava pegar tão pesado? Pode rebobinar, voltar a trás, teclar o delete? Já era, companheiro. Como mostra “A Fogueira das Vaidades”, não é o sempre bom que conta, e sim o átimo de segundo que faz a história dar a curva. E dobra feita, taca em linha reta para um novo fim, porque a marcha-ré é o próprio mistério do “porquê eu, Deus, porquê eu?”. Dando uma olhada para o histórico, é muito joelho, muito castelo, muito cabelo, muito dente, muita consagração, muita mãe, muita benfeitoria, muito subúrbio, muita cobertura, e agora, muita humanidade. Ah, os ídolos! Queridos deuses que não podem ser a única coisa da qual jamais poderão escapar: humanos. Contratos com cláusulas onde fantasias corriqueiras serão motivos de cancelamento (“faça, mas faça bem escondidinho....”). Ah, divina fortuna gloriosa que subentende estar acima do bem e do mal. Ah, traiçoeira praça pública, da delícia do desfile em carro de bombeiros, e da dor da fogueira incinerando reputação. Nós, incapazes de renunciar ao que faz de nós, gente. Nós, atraídos pelo prazer da carne comportada e do osso proibido. Quando a cabeça de baixo não pensa, o corpo padece na mansão, em Angra. Tenho medo de Maradona, pois a cada notícia do seu último descontrole, sempre ouço ele me dizendo: “eu sou você, amanhã....”.

Galã Gay....


Muitos galãs esconderam durante décadas sua condição de gay: parecia fundamental que a platéia não sacasse que o cara agasalhava o croquete (este tipo de público acha que ser gay é isto!), para continuar acreditando que o bonitão era pegador (do sexo oposto). Ora, se a grandeza do ator é convencer interpretando um papel de algo que ele não é, vai entender esta obrigatoriedade do sistema que produz astros e estrelas. Parece contrasenso, e é! Pois bem, todos os pegadores (não vou usar o termo ator, porque acho que não cabe aqui) que se candidatam ao primeiro beijo gay da tv brasileira, ao dar entrevistas sobre a possibilidade das línguas entrelaçadas (selinho não vale), se apressam para declarar: “ainda que eu não jogue neste time, respeito o direito desta agremiação”. Eles atendem ao apelo da legião de fãs-tolinhas, que não mais escreveriam cartinhas perfumadas para o ibope, se eles beijassem homem e não esclarecessem de antemão que aquilo é só na ficção. Se é assim, porque os atores que interpretam assassinos ou pedófilos não declaram que não praticam tais atos fora da tela? Farinha pouca, meu pirão primeiro....

Diferenças culturais....


Se tem que respeitar a diferença cultural, se não pode se meter no sistema de valores religiosos das aldeias indígenas brasileiras, o que faz o forasteiro ao escutar o choro do indiozinho enterrado vivo por seus genitores (ou abandonado perto do rio para morrer de fome), pelo fato dele ter nascido gêmeo ou com deformação física (o que é sinal de mau agouro para as crenças de sua gente)? E se você prontamente responder: “selvagens desalmados”, saiba que não é fácil assim, não. Os índios nos respondem que há várias formas de matar crianças, e que nós, civilizadérrimos e encastelados em nosso saber, também matamos nossas crianças em malabarismos de sinais de trânsito, ou nos nossos fornos de carvão de trabalho infantil escravo. Eles jogam na nossa cara que não somos o que achamos, não. Pois foi isso que vi no Sem Censura sobre infanticídio em aldeias, quando uma missionária-linguista, presidente de uma ONG que socorre crianças indígenas neste corredor da morte, esteve em embate ideológico com um antropólogo que passou a vida tentando compreender o sistema de valores daquele bela sociedade. Sempre escuto todos os lados de uma questão com enorme interesse, verdadeiro respeito, pois acho isto o melhor da vida. No final minha balança está uma confusão, não fecho conclusão e só me emociono muito. Como quando a líder da ONG declarou: muitos casais abandonam o que lhes é mais caro na vida, suas famílias, porque olham seus bebês e apaixonados, não permitem que a tradição seja maior que seus instintos paternais. Índios adultos que se matam por dentro, mas não matam por fora seus filhos.

Prisão


E o maluco austríaco tarado, que trancou a filha e seus netos, também filhos, no porão, e cuja pena, no máximo, será metade da pena que ele impingiu aos coitados? Vai entender a justiça dos homens.... Fora isto, o sem-vergonha declarou que trancou a garota para que ela não sucumbisse às drogas. Velho desgraçado, não entendeu que a pior das drogas é um pai que acha que pode fazer isto com um filho.....