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Milton Cunha

Quinta-feira, 26 Junho, 2008

Na verde mata, uma ilha em azul e vermelho....


Viva o lado impensável da vida: divirta-se, quebre paradigmas!


Quarta-feira, 25 Junho, 2008

Dois perdidos numa noite de Boi!


Luzes de Manaus, no Tropical Business, margens do Rio Negro. Milton Cunha e o mago, Samuel Abrantes, prontos para partir para a Ilha de Tupinambarana, fronteira Amazonas]Pará, rumo à Parintins e ao Festival do Boi. Me assistam: 27,28 e 29, transmissão pela Band, onde serei o comentarista e Samuel estrela divinérrima. Saravá! Que venha o Boto Tucuxi!


Segunda-feira, 23 Junho, 2008

Asfixiando....


Estou voltando de um baile, num taxi. O dia amanhece e vejo os homens do exército vindo em minha direção. Nada temo, sou direito, sou pedreiro, estou cadastrado como trabalhador nas obras que eles vigiam e, mais que isso, vou me alistar na corporação da qual eles fazem parte. Serei um deles. Mas eles estão estranhos, estão transtornados, estão esmurrando, jogando-nos contra o muro. Ainda bem que os dois menores conseguiram cair fora. Nós, mais encorpados, vamos levar uns sopapos mas vamos aguentar firme. Somos duros na queda, pois somos direitos, somos honestos, ouvi a televisão dizendo que somos cidadãos. Estou numa sala do batalhão e sei que minha mãe está aos gritos no lado de fora. A vi rapidinho. É estranho. Isto está se alongando mais do que devia. Que besteira nós fizemos: dissemos alguma coisa que eles não gostaram e agora são onze contra três. Mas tudo bem, o superior já deu ordens para nos liberarem. Eu ouvi ele dizendo: “libera os garotos”. Acho que é isto que estão fazendo agora. Estamos num caminhão indo para... não... este não é o caminha para a Providência. Não estão me levando para a minha casa e conto com a providência divina para me proteger. O motorista parou o caminhão na boca do morro.... meu Deus, o que esta gente fardada está fazendo, conversando com aquela gente de rosto escondido e armada, da facção inimiga do tráfico do morro onde moro? Ainda bem que não faço parte disto. Será que eles estão .... será que eles são amigos, será que eles vão fazer uma batida aqui para colocar mais detidos dentro deste caminhão? Que sacanagem! Estão nos levando em direção aos traficantes. Meu coração dispara pois o exército está indo embora e nos deixando aqui com os matadores. Tento escapar e levo uma porrada tão forte nas costas, que caio, quase desacordado. Minha mãe deve estar aflita. Meus irmãos devem estar preocupados. Quase dez da manhã e eu aqui, sangrando. Amarraram minhas mãos com fios de telefone, colocaram saco plástico na minha cara, e, enquanto eles passavam a fita durex para que eu asfixie, daqui, de dentro do saco, quando meu mundo é pequeno, miserável, reduzido, ainda assim acredito que não vou morrer. Sou direito, sou pedreiro, serei do exército e a televisão disse que sou cidadão, então por que vou asfixiando lentamente? Temo a falta de ar, meu coração esperançoso dispara, e a imagem dos talhos na cara ensaguentada de meu amigo, aqui do lado, não sai de minha cabeça. Enquanto desfaleço, sinto o cheiro do latão de lixo onde fui jogado. Estarei morto ou estarei vivo? Só sei que estou injustiçado, pois isto eu não merecia. Como pude terminar minha existência dentro de um caminhão de lixo, como posso ser jogado num aterro? Que onze homens são estes que fizeram isto comigo? Quem e o que mesmo, eles estão combatendo? Serão exército da destruição, em vez da salvação? Para mim e para meus dois amigos, sim. Porque eu? Porque eu, que era um bom filho, um bom estudante, um bom namorado. Maldito baile, maldito amanhecer, maldito urubu que sobrevoa nossos tres corpos abandonados. Somos lixo? Somos tão imprestáveis que merecíamos isto? Quem decidiu, quem determinou, quem condenou? Hora de abandonar os resquícios terrenos que passam em minha consciência. Viro luz para iluminar consciências que ficam: humanidade, fraternidade, igualdade. Todos merecem o bem, é preciso puxar o freio de mão da insensatez. Quem achar que olho por olho e dente por dente resolverá alguma coisa, sempre terá laços imorredouros com os lixões da terra. Como estes onze assassinos: além de nós, três jovens cidadãos dignos, mataram suas reputações, mataram um pouco da esperança de nossos semelhantes, e terminaram com a moral de toda a tropa enterrada na lama. Providência, urge providência.....

Cimento social.....


Porque cimento social? Porque é pesado, é duro, engessa os corações, vira pedra, ergue paredes da separação, enfim, protege mas pode também matar por asfixia. Principal material usado na construção como aglomerante, neste caso, o que faltou foi um outro tipo de aglomeração: a capacidade de onze homens do exército de compreender o direito à vida, sobrou insanidade de acreditar que decisões terríveis poder ser tomadas em foro íntimo, que isto poderá nos levar à solução de algum problema. Faltou coração humano. Sempre tenho calafrios quando penso num torcedor com a camisa do time rival acordando bem no meio das arquibancadas lotadas do time oponente. Agora meus pesadelos serão ser entregue pelo tenente para bandidos da facção, rival de alguns e amiga do oficial. Nem em noites mais atormentadas sonhei com tal mazela. Porque cimento social? Cimento é material cerâmico que, em contato com a água , produz reação exotérmica de cristalização de produtos hidratados, ganhando assim resistência mecânica. Mas cimento social é material político, que em contato com a realidade desigual, produz reação endotérmica da cristalização da bondade, ganhando assim sordidez e arrogência mecânica. E não posso concordar com Crivela, que escreveu que foi a fatalidade de nossos dias violentos: fatalidade seria destino que não se pode evitar, fado, fatalismo; e isto não só se pode, como se deve, evitar. Veio do Exército, instituição respeitável, acima de fatalismos combinados antecipadamente com criminosos. Será que seria acontecimento infausto, cruel, desgraça? Sem dúvida. Mas como está na sinonímia de desdita e destino, dou a rasteira: aprendendo com a crueldade, sigamos na rota do bem. Somos muito. Somos a maioria.


Domingo, 22 Junho, 2008

Destaques são um luxo! Viva ADERJ.


Ainda bem que não explodiu uma bomba no dia da fundação da ADERJ (Associação dos Destaques de Luxo das Escolas de Samba do Carnaval do Grupo Especial do Rio de Janeiro), senão acabaria o glamour dos desfiles. Olha isto, todos estavam lá! Na foto Loyá, João Helder, Carlos Reis, Tânia Índio do Brasil, Tereza de Aquino, Nabil Habib, Jorge Brás, Maria Francisca, Zeza Mendonça, Ronaldo Bastos, Jorge Kleber, Amaro Fabiano, Tereza de Aquino, Ednelson, Lê Roy, Ari Lang, Monique Larque. Ufa.... E isto só metade do Auditório da Cidade do Samba.....

Iriam descansar.... e fizeram o que fizeram....


“Todos sabiam o que ia acontecer ali. Os militares estavam na base para descansar e receberam ordem para seguir no caminhão. Saíram da rota comum da tropa, sabendo que tudo fugia da rotina normal. Podem pegar até 30 anos de prisão e as penas serão multiplicadas por três”, disse Dominguez.

Recortei este pedaço da declaração e destaco o termo descansar. Em vez do descanso, o torpor. Em vez da inércia, o desvario. Em vez do repouso, o tormento do turbilhão do assassinato de três jovens. Descansar, descanso, três corpos no lixão. E nossas consciências atormentadas pela barbárie. Creio em Deus Pai todo poderoso!


Quinta-feira, 19 Junho, 2008

A casa desmontável no Anhembi....


No Salão Nacional do Ministério do Turismo, em São Paulo, a Associação das Cidades Históricas de Minas ergueu a maior edificação de toda a feira, tornando-se uma referência e um sucesso. Muito, muito trabalho, mas tudo em cima. Valeu! Saravá.


Segunda-feira, 16 Junho, 2008

Para casar, tem que plantar!


Tarzan casou com Jane e foi morar numa árvore. Depois disso, veio o projeto de lei do Deputado Manato do Espírito Santo, que prevê que para se casar, a pessoa terá que plantar dez árvores. Será que vem daí a expressão “pau-brasil” (ui!)? Foi-se o tempo que a grande preocupação dos casais era o povoamento do planeta. Agora é o desmatamento que inferniza a vida dos futuros consortes. Fiquei na dúvida se o casal tem que plantar no próprio terreno onde vai morar, ou pode ser em logradouro público. Vale horta na varanda do apartamento? E se o parceiro não valer muito a pena, pode plantar só areca, que é totalmente levada da breca? E se alguém casar com anão, pode plantar dez bonsais que resolve? Um baobá-gigante vale por dez amendoeiras menores? Tantas dúvidas cruéis e, para o divórcio, ele nos atazana sem piedade: tem que plantar vinte e cinco árvores para dar o passa-fora no cônjuge. Minha amiga se propõe a reflorestar toda a Amazônia para se ver livre do mocréio-cilada em que caiu. Isso é que dá relacionar casamento com vegetais. Para união bichada, plante goiabeira, para homen-gostoso, livre-se do olho grande e plante comigo-ninguém pode. Para marido-brocha, plante catuaba e agrião. Vale plantar e presentear a sogra? Urtiga nelas. Desde já, proponho casamentos não mais em igreja e sim em jardins-botânicos, para que você já vá escolhendo a sua obrigação. Se esta lei não emplacar, não tem o menor problema. O congresso Nacional não tinha nada mais urgente e melhor, mesmo, para votar!
Só é uma pena que esqueceram da chita. Acho que vou propor que para se casar uma segunda vez, o cidadão tenha que criar dois bichos de zoológico, em casa.

Premio Tudo de Bom....


Quais são as personalidades brasileiras que, com sua “atitude social”, ajudam o país a melhorar ou a pensar com clareza sobre si? Esta importante pergunta é uma das que definem os finalistas do premio Tudo de Bom, aqui de nossa revista do Dia. O título do premio já é em si positivo, crente de que é possível ver a realidade por uma ótica esperançosa. E lança responsabilidade sobre atos e discursos de nossa gente, valorizando a prática da cidadania. Pensei, pensei, e acho que o almoxarife da Faetec, que denunciou os doze mil por cento de superfaturamento dos preços das chapas de alumínio compradas pelo órgão federal, traduz bem o conceito de que “mesmo pequeno, você pode”. É aquela velha história do beija-flor apagar o mega-incêndio com suas desprezíveis gotas de água. Se cada um fizer a sua parte, ganha a união que tem força. Fiquei imaginando a cara deste senhor quando foram aterrisando em seu almoxarifado os produtos que, na banca ao lado, custavam infinitamente menos. E ele pensou: “não é assim que um país vai pra frente. Deixa eu denunciar....”. Estamos cheios de exemplos de pessoas simples que dão banho de sensatez. Este é um, que declara: “sou pobre mas mantenho minha dignidade”.
Depois voltei a lembrança para a Marina Silva, que sempre pareceu um peixe fora dágua, fritando eternamente na frigideira da desfaçatez dos interesses em nossos mananciais. Franzina, cara de brasileira da floresta, a ex-ministra tinha prazo de validade. E a data de vencimento ia se aproximando quanto mais ela fazia cara feia para os ricos exploradores. Era certo que cairia. E esperneando, bradava que dormia tranqüila pois era coerente com seus sonhos. Peitava a insustentabilidade do latifundio como se fosse briga em casa, e demonstrou que, nem sempre, para se fazer política é preciso enfiar a mão na merda. Valeu, cabocla.... E por último procurei um artista famoso que, com suas atitudes, fizessem tremer o marasmo dos que acreditam que artista é só para palco, e não para a vida. E como não podia votar no Tico Santa Cruz, hors-concurs que virou jurado, concluí que Caetano Veloso colocou na roda dois assuntos periclitantes, confirmando sua fama de não ter papas na língua, de ter sinceridade desconcertante. Veio “os três travestis”, quando ele afirmou o direito à liberdade de Ronaldo Fenômeno e em seguida, a célebre “entre uma mulher e um negro eu prefiro o negro (referindo-se à Hilary e Obama). Independente de você concordar ou não, Veloso joga no ventilador sua opinião e quem quiser que pense, resolva, ou corra atrás do prejuízo. É pensante e presente na atitude social. Os demais votados são bacanas, e todos, de alguma forma, são exemplos a serem seguidos. Fazem pelo próximo e têm espírito de doação. Qualquer um que ganhar representará bem a categoria.

Salve Jamela....


“Senhor Jamelão, seja bem-vindo...”, disse São Pedro, estendendo a mão para cumprimentá-lo e abrindo o grande portão do céu, para o maior interprete de samba enredo que o Brasil possuiu, entrar. “Sei lá onde é que você andou com esta mão....” retruca o cantor, cara de poucos amigos, sem apertar a mão do Santo. Enrolando seus elásticos, pisando em nuvens, vai entrando com cara de desconfiado e pergunta: “Cadê Cartola e Cachaça?”. Um lindo querubim responde: “naquela nuvem verde-e-rosa....”. “é lá o meu lugar....”. E assim fecha-se o ciclo da morte terrena para os imortais da Estação Primeira. Só faltava ele. Uma plêiade de entidades gloriosas, que dignificaram o mundo do samba, bordaram de sensibilidade a passarela dos desfiles. Ecoa em minha alma, quando penso neles, a voz de Alcione: “quando eu não puder pisar mais na avenida/ quando as minhas pernas não puderem agüentar/ levar meu corpo/ junto com meu samba/ o meu anel de bamba/ entrego a quem mereça usar”. Tomara que nós, sambistas que ficamos, mereçamos usar tais anéis.

Paternidade e Maternidade,,,,


Quem é que disse que a mãe com síndrome de Down e o pai com retardo mental não têm condições de cuidar do filho que fizeram? Que condições são estas que os “normais” alegam ter, menosprezando o amor incondicional, este sim indispensável para a o crescimento de uma criança? Vai me dizer que estes “normais” que espancam, abandonam, vendem seus filhotes, são mais preparados que este casal? Pois sim. E a beleza desta estória é o apoio da família, que de tão solidária e orgulhosa, exige que o tabelião reconheça a identidade do pai, mesmo que ele não consiga declarar que é o pai. Avôs e tios sempre se meteram na vida de seus netos e sobrinhos. E estes estão com a corda toda. Pode dar tudo errado? Pode. Mas qual vida não pode desandar, me fala aí? Se não tentarmos, estaremos concluindo sobre o que não vivemos. E isto é preconceito. Quem sabe não descobriremos nestas pessoas o talento para a paternidade e maternidade? De antemão, acho este caso comovente e prova de que ainda temos muito o que descobrir sobre o gênero humano.

A fila não anda....


Há 253 pessoas na fila para a brutal operação de mudança de sexo, no Hospital das Clínicas de São Paulo. A espera mínima é de quatro anos, tempo suficiente para arrepender-se, não ser autorizado, descobrir que não era bem isto, ou confirmar que vai cortar o mal pela raiz. É muita gente, e num país onde a saúde pública é um escândalo, o médico que já realizou mais de 500 cirurgia deste tipo, Jalma Jurado, declara que falta dinheiro parta a implantação (não de pênis, mas do programa de saúde). Haja coragem para estar do outro lado, mas se isto ajuda a regatar dignidade, quem sou eu para ser dono da verdade.


Sexta-feira , 13 Junho, 2008

Existo. logo....


Adorei o maluco que pendurou uma velha prancha de surf no alto deste poste em Copacabana, onde se lê “Surfo, logo existo”. O máximo, pois traz a máxima do pensamento para pertinho de cada um, que encontrariam em prosaicas atividades a comprovação da maravilhosa existência. Penso em pendurar em meu poste: “transo, logo existo!”


Terça-feira, 10 Junho, 2008

Exército avestruz....


O amor está fardado com a camuflagem do exército brasileiro, que quer camuflar também a existência de gays em seus quadros. Tal camuflagem não é feita mais de manchas, e sim de algumas pintas. Existir na real pode, divulgar não. Esta semana que passou foi a do “Hipócrita Brasil”, com estrelas brilhantes que sacudiram o coreto: Luciana Gimenez acendeu o pavio do estopim (e está de parabéns), ao entrevistar os sargentos amantes fardados; Lula detonou os homossexuais que não se assumem e atacou os avestruzes que enterram cabeças em buracos e ficam com o rabo (ui!) todo de fora dizendo que não sabem e não viram nada, enfim, que não é com eles. Quem agiu desta forma, mais uma vez, foi o exército que mandou prender o amor fardado. A grita é geral, até porque um dos sargentos, casado com o outro há dez, notem bem, dez anos (portanto, de fazer inveja há muitos casamentos heterossexuais de oficial ali de dentro), é portador de uma doença cujo nome, Disfunção Vertiginosa Labirintal, neste caso, vira um emblema: quem disser que gay não pode fazer o que hetero faz, no exército, é possuidor de algumas disfunção de observação, vítima de vertigem e está num labirinto sem saída. Preferência sexual não define talento bélico e não decide quem é bom ou não nas campanhas de resistência na guerra. Vinte por cento da humanidade é gay, e portanto vinte por cento das forças armadas também o é. Já foi-se o tempo em que só bailarinos, cabeleireiros e estilistas o eram (eram os que apareciam, mas na real, nunca foi assim). Eu e todas as pintosas assumidas do mundo, sempre soubemos que muitos não pintosos e muitos não assumidos, sempre foram médicos, advogados, garis, policiais e até, das forças armadas (a Gestapo Alemã aí incluída). Quem disser que a existência de homossexuais afeta a moral da tropa, também considera que a existência deles afeta a moral da sociedade. A menos que se almeje que tais setores sejam partes fora da sociedade como um todo. Aí estaremos no terreno do preconceito declarado, o que é melhor do que este fingimento de que “aqui não tem disso”!.

O lixo é um luxo....


Se você é o lixo que você produz, seria bom que o lixo dos solteiros exibissem muita, mas muita camisinha, né não? (se houver a prática de sexo ali, mas o morador pode ser, quem sabe, um humano que não precise disto). Tem que se proteger, tem que se precaver. E quanto ao lixo dos casados, que mulher tem coragem de pedir para seu marido colocar a camisinha? Que mulher, por outro lado, aceita sem pulga atrás da orelha que um belo dia, “ele” que nunca se vestiu, apareça encapado, sem mais nem menos? Complicadíssima, esta questão. Mas teremos que aprender a lidar com ela. O seguro morreu de velho, e o lixo daqui de casa, desde os anos 80, tem sempre camisinha. Sou da geração que praticou, a vida adulta todinha, o sexo com borracha. Meu lixo varia de produtos de alimentação, dependendo da dieta que estou fazendo. Meu lixo varia conforme a obra que faço em casa. Meu lixo varia conforme a moda. Só camisinha de Venus não deixa de ser uma unanimidade por aqui. São meus tempos, foi como sobrevivi até aqui. Meu lixo conta, de forma coerente, minha postura implacável perante o sexo que pratico.

Os brancos....


Vendo as fotos dos líderes das milícias, não deixei de me espantar, quando as comparei nas minhas lembranças de fotos publicadas sobre os chefes do tráfico: os milicianos são branquérrimos, ao contrário das fotos quase sempre de negros do outro lado. Gente, levei um susto! O acusado de ser líder, Odnei e o Davi Liberato são a estampa do bom moço branco, que toda senhora quer para genro. Parece que nesta comparação está toda a história mundial injusta, que privilegiou o estereótipo branco para o lado da polícia e, ao contrário, comprimiu a maioria negra no preconceito do sempre marginal. Como agora o lado policialesco está sendo questionado, como um crime organizado disfarçado de falso protetor (já que praticante das mesmas atrocidades que o lado classicamente identificado com a maldade), os belos brancos estão na página policial, o que é incomum, pois só apareciam nos crimes de colarinho branco, que é crime de rico, e rico neste país é branco. Pelo menos fica claro nesta história que cor de pele não define caráter. Humano, independente do biótipo, pode vender gato por lebre. E não me venham com a pergunta de se eu prefiro o tráfico ou a milícia, porque para mim é a mesma coisa, já que terei que ser liderado por um dos dois, e isto não faz parte dos meus planos para a sociedade em que quero sobreviver. Prefiro o Estado justo, onde o poder que eu e você elegemos através de nosso voto consciente, seja efetivo e se faça respeitar, respeitando-nos como cidadão. Sem essa de inferno ou inferno (nem ao menos tem purgatório). Luto pelo paraíso, que mesmo dificílimo de ser alcançado, não pode desaparecer de nosso horizonte dos sonhos.

Amor sem receita....


Um conselho amoroso: muita gente quebra o galho usando óculos de camelô, que mesmo não sendo cem por cento, resolve por aproximação os problemas da vista cansada. Se seu coração está cansado, e você não encontra seu oftalmologista (amante) perfeito, contente-se com um namorado adquirido no camelô, por aproximação. Claro que ele não é cem por cento, claro que ele não é o príncipe do cavalo branco. Mas criatura, entre não enxergar nada e dar uma melhorada na visão, pelo menos por um tempo, pode ser um saída engraçada para a sua vida. Não deixe de dar uma olhada (e dar oportunidade) para os pretendentes de banca de varejo. Minha amiga, linda, jovem e saudável, está perdendo sua mocidade, pois só quer os homens com receita, que tenham passado pelo laboratório e pela medição anterior. Ela quer ver todas as linhas e todos os contornos. Às vezes, um pouco de embaralhado não faz mal nenhum, só ajuda. Mas cegueira total nunca, jamais.

A Amazônia é nossa!


E já que a Amazônia está em pauta, com as denúncias do General Lessa, afirmando que aquilo é uma terra de ninguém, e que as ONGS estão se sentindo, deixa eu contar uma para vocês: estou passeando pela loja do Real Ontário Museum, modernérrimo, quando numa prateleira de vidro me interesso por um DVD do americano Smithsonian Institute sobre o planeta Terra, cujo diferencial é que ele foi filmado do espaço, de dentro das naves que eles lançaram no firmamento. Uma visão única, com muralha da China e golfo do México visto do muito alto. Comprei empolgado. Cheguei em casa, e para meu espanto, a parte final, depois das maravilhas do mundo tipo Serengueti e Mar do Caribe, eis que o documentário chega na floresta Amazônica Brasileira e afirma que a floresta é do mundo, é de todos nós. E o tom não é de ecologia, não. É um tom acima, meio que não tocando em soberanias nacionais e o que é mais grave, ignorando que o país produtor daquele DVD, é um dos que mais polui, um dos que não assinam os tratados internacionais para redução de gases poluentes, enfim, um DVD balela, que conta metade da estória, a que interessa aos produtores. A Amazônia vai mal, com certeza, mas acho que vai melhor do que o resultado que o mundo civilizado conseguiu com sua noção de progresso.

Formação intelectual e amoralidade...


Aquele alto funcionário do governo americano (que veio trazer um extraditado, e recebeu uma menor em seu quarto de hotel, em Copacabana); e este procurador-geral de Roraima (drogava e fazia sexo com crianças entre 6 e 13 anos) mostra que formação intelectual e freqüência em cadeira de Universidade, às vezes, não proporcionam amadurecimento emocional e, ou, moral. Adultos senhores, que do alto de suas vidas e cargos, sentem atração incontrolável pelo corpo imberbe, púbere e mal-formado das meninas. O que estará por trás disto? Uma incapacidade de sentir tesão por um corpo adulto? A vontade de se sentir sórdido? Se estes senhores podem, em tese, comprar o sexo que quiserem, o que os leva a tão malucos e arriscados atos? Sem dúvida, estamos no terreno da incompletude humana. Fascinante conjunto de perguntas que deixa, quem está de fora, perplexo na busca de hipóteses que não esclarecem totalmente os dados.
A coisa boa dos órgãos democráticos, é que a Polícia Federal pode investigar a polícia estadual e vice-versa; o Senado pode investigar a Câmara de Deputados e vice-versa; todo mundo pode fiscalizar todo mundo. Sem corporativismo, vão surgindo as denúncias comprovadas, outrora impensáveis, sobre grupos poderosos flagrados em exercício ilegal de sua atividade. Não é nada, não é nada, não é só a miserável que rouba leite em supermercado e que mofa na prisão que é manchete de jornal.


Sábado, 7 Junho, 2008

Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


A Associação das Cidades Históricas de Minas me encomendaram o projeto de uma casa mineira de dois anadares para, desmontável, ir seguindo os salões de turismo pelo Brasil, em caminhão. Portando, todas as peças teriam que ter no máximo, 7mX2.70X2.40. Entre colunas, vigas, paredes e teto, são 64 pedaços, que formam um lego gigante, e liberado pelo CREA para 30 pessoas no segundo andar, sendo que projetamos para segurar vinte. Portanto, seguríssima. Pronta está, após 60 dias de trabalho árduo, e publico as fotos da sequência da construção, para vocês amados. Alunos da Veiga de Almeida e do Projeto Social Amebrás e Carnaval e Cidadnia estagiaram no projeto e cresceram. Aos ferreiros, marcineiros, pintores e decoradores, povo de barracão, meu muito obrigado. Sem vocês, minha estrela não brilha. Vocês são a glória (aliás, no coquetel de lançamento da casa, estes profissionais foram as grandes estrelas. Ah, sim, pago bem, muito bem. Pago acima do mercado. Saravá!)

Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!


Construindo uma casa desmontável para rodar o Brasil!



Quinta-feira, 5 Junho, 2008

Grande Araca....

Nesta segunda, 02/06, às 19h, nós do CPC, em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói, através da Secretaria Municipal de Cultura, convidamos para a abertura da exposição “Aracy de Almeida – 1914/1988: A Realidade do Samba”, lembrando os 20 anos de morte da Dama da Central.
Com acervos recolhidos junto ao Jornal Tribuna da Imprensa, Associação Brasileira de Imprensa e pessoais (Família de Grande Otelo e Maria Pompeu, por exemplo), serão apresentadas fotos de diversos momentos da carreira de Araca, capas de álbuns e discos, frases de Aracy.
Será lançado também um libreto, com distribuição gratuita, composto por trechos de entrevistas da cantora, nos quais ela fala de assuntos variados (Noel, Ary Barroso, Rio Antigo, rádio x TV, etc.), depoimentos originais de Cristina Buarque, Olívia Byngton, Ana de Hollanda, Eliane Faria e recolhidos de Maria Bethânia, Caetano Veloso, entre outros.
Na abertura, os cantores Gil Miranda e Agenor de Oliveira apresentarão um pocket-show com o repertório da cantora, nos jardins do Teatro Municipal de Niterói, onde a exposição ficará baseada.
Exposição Aracy de Almeida – 1914/1988: A Realidade do Samba
Sala Carlos Couto – anexo ao Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro, 35 – Centro/Niterói (em frente ao Plaza Shopping e próximo as Barcas)
Abertura: 02/06 – 19h – Visitação de 03 de junho a 31 de julho de 2008. De terça a sexta-feira, das 10 às 18h; sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h – Entrada Franca.


Segunda-feira, 2 Junho, 2008

A privatização de Deus....


Privatizaram Deus. As igrejas agora são pequenas corporações cuja figura maior, o grande criador, tem interesse particular sobre o domínio da região onde seus adoradores atuam. A seita intitulada “Deus responde com fogo”, (que a arriscada e valente
reportagem do Dia encontrou funcionando em pleno vapor na comunidade do Batan, dominada pela milícia), é a mais perfeita tradução da manipulação da noção religiosa por instituições que se petendem igreja, e que se apresentam como a própria manifestação de Deus na terra. Seria uma igreja a serviço de um Deus e um Deus a serviço de uma igreja, na maneira mais específica deste ser supremo e destes homens que O representam, aqui se manifestarem: de arma em punho. Deus deixa de ser a entidade abstrata e magnânima, bondosa e acima da pequenez de suas criaturas, e se rebaixa (nivelando por baixo) sendo igualzinho a seus adoradores. Todos partem para a barbárie, liderados por um Deus que parte para o confronto, não mais contra uma categoria de conduta moral (isto é coisa do passado), agora Deus combate a facção inimiga que foi expulsa da comunidade tempos atrás. Deus não mais está interessado na humanidade, Deus combate o pequeno grupo que disputa o poder local, e sendo tão interessado nestas questões ínfimas e particulares, não pode ser o mesmo Deus adorado no resto dos lugares. Se algum morador achar que Deus não responderia com fogo, é melhor ficar calado ou ir cantar em outra freguesia, pois aqui, só é permitido este Deus que está do lado dos milicianos (inclusive eles proíbem a existência dos cultos afros, em mais um capítulo da demonização do Candomblé, empreendimento que parece não ter fim).
Tudo isto já era suspeitado nesta tendência dos últimos anos, que viu a lenta e gradual aproximação de pastores e presídios, religião e poder paralelo, enfim Deus e o crime. O que teve de malandro botando paletó e gravata e bíblia em baixo do braço não estava no gibi. Na década de oitenta existiu um movimento parecido, que levou antigas estrelas pornôs, vedetes da esbórnia, capas de revista, manequim-modelo-piranha e artistas de quinta categoria, a encontrar em Deus uma tábua de salvação e um expurgo de seus passados, de deixar qualquer cristão de cabelo em pé. Não é que isto não seja possível, é! Só que o uso da noção Deus tranformou-se em mais um aspecto da sociedade do espetáculo. De repente, as criaturas da pá virada acordavam em Cristo, sem a menor verdade interior, e então, regeneradas, lançavam discos ou montavam shows para elevar o nome do Senhor. Um Deus que não mais se contentava em existir nos corações de seus fiéis, mas sim um Deus que queria exibir-se, que desejava um canal de televisão, que queria fazer parte do show business. Um Deus-palco, um Deus-ribalta. Naquele tempo Deus respondia com a mídia, e daí a Deus responder com fogo, foi só um pulo. Vivemos um tempo quando Deus responde de maneira específica, conforme o gosto e o interesse do adorador.
O uso desta noção de resposta de Deus para justificar a ação de homens encontra na ultra modernidade seu ápice, na declaração de Osama Bin Laden, quando disse que os aviões, ao se chocarem com as torres gêmeas o faziam como manifestação de Deus na terra. Mas décadas antes, nos anos setenta, Deus respondeu com a AIDS, demonstrando toda a sua desaprovação para com os homossexuais e seu comportamento abominável de promiscuidade e desvio do padrão papai-mamãe. Hitler também dizia que Deus estava respondendo através de seu governo e de sua limpeza genética. E houve um tempo quando Deus respondeu com a escravidão do povo negro, única forma de dar alma à negritude africana que não a tinha. Eram selvagens e desalmados, então navio negreiro neles, com direito a capela bem no centro da nau para os pretos já irem se acostumando a tal resposta do Senhor. Deus respondeu na catequese indígena das Américas chamando Tupã (glorioso Deus das matas virgens do novo mundo), de impostor. Deus já respondeu através de Lutero e de Calvino, e houve o tempo em que Deus respondeu com fogueiras para queimar mulheres bruxas malvadas, que eram fêmeas que desejavam uma outra vida, uma nova realidade.
Portanto, como Deus tem respondido de tantas maneiras, em tantas épocas, e cujas respostas depois revistas, são sempre motivos de pedidos de perdão e confissões de equívocos históricos, é justo eu pensar que não é Deus quem está respondendo, e sim o homem. Porque a única, grandiosa, universal e atemporal resposta do Deus que guardo em meu coração, é o caminho do amor, da tolerância das diferenças, e da compreensão do humano para com seu semelhante.

Voltando do Canadá....


Voltei, aqui é meu lugar! Adoro viagem, adoro gente nova, lugar desconhecido, mas esta festa tem validade contada para mim: mais de dez dias e o fastio que me dá é enorme, sinto saudades, canso da novidade, quero meu povo e minha rua de volta, os problemas de meu país, enfim, meu paraíso e inferno tupiniquim. E não deixo de contar que saboreei a pizza de jacaré, oferecida em cada esquina de Quebec, iguaria da apimentada criole cuisine. Uma delícia que não comeria de novo, pois existem coisas boas na vida que só devem ser feitas uma vez (ui!). Inclusive quando fui visitar o Estádio Olímpico de Montreal, uma das informações que o jovem guia nos deu é que a construção estourou o orçamento inicial em 6 vezes, e que a grita da população foi total. Gente, será que só muda de endereço? Porque não faz muito tempo, o escândalo das obras do PAN pareciam mazela de terceiro mundo, e não é, não. Vi fotos de Nádia Comaneci novinha, sagrando-se a única nota dez nas provas, e me lembrei que Montreal era inatingível neste tempo, para mim. Agora tão próxima, vejo que muito mudou, mas prefiro minha floresta e minha história. É tudo que tenho, é a minha cara, é minha identidade. Parabéns, Canadenses, mas em vez de urso polar, viva minhas araras, que de tão familiares as reconhci íntimas enclausuradas no Biodome da grande cidade. Há uma estufa gigante de floresta tropical, com mico-leão dourado e riacho. Ri de mim mesmo, por ter que ir tão longe para admirar em gaiola o que Deus me deu livremente, solto na natureza exuberante de Belém do Pará na minha infância. E é tamanho o sucesso da música brasileira no exterior, que até em estação de metrô toca bossa nova em francês, portanto, um banquinho e um violão é presença constante nos ouvidos do viajante saudoso.