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| Milton Cunha |
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 Depois dos seres anelídeos, aqui está a cabeça dos seres da água! É para o quadro de abertura "Noite Mítica" do novo show da Cidade do Samba, Forças da Natureza! Nos vemos por aí....
 Depois da discípula, a origem de todo o desvairio, a semente de todo o aplomb, a gênese de todo sentimento, a origem do bem: para vossos aplausos, a minha, a sua, a nossa, diva magistral, eleita Rainha do Rádio, Favorita da Marinha, Bum-bum 2008, a nova Jackie Kennedy; ela, a esfuziante, a colossal, a magnânima, a egípcia, a mesopotâmica, a inacreditável Musa do Buraco da Lacraia, Samille Cunha!
 Ela sempre postou, posta e postará. Restava revelar o touché, ou o élan, ou a aura de glamour, puro diva 50. Eu diria, cinematográfica!
 Tráfico e milícia não se contentam mais em só traficar e miliciar. Agora querem se eleger, pois descobriram as benesses de estar dentro das assembléias legislativas, câmaras de vereadores, prefeituras, governos estaduais. Se tudo correr mal, daqui a pouco teremos um candidato deles para presidente da república. É grave, gravíssimo, porque se você morar na rua X, na comunidade Y, você não tem o direito de receber a campanha de todos os candidatos e escolher as plataformas que mais lhe interessam. Você é obrigado, inclusive, a declarar que vota em beltrano. Se a moda pega, acho que eles vão juntos para dentro das cabines do sufrágio, conferir se realmente o sujeito votou em quem eles mandaram. Tudo muito estranho, porque se você já paga os impostos para ter o direito de ir e vir bem, porque você ainda teria que pagar pedágio para tráfico ou milícia te protegerem? Você está sendo duplamente tachado, pois o estado que recolhe teu imposto não comparece com a ordem estabelecida pela constituição. E não é só você, não, os candidatos também estão impossibilitados. Pelo menos a m.... agora está no ventilador, e eles, interessadíssimos em se eleger, porque isto significa poder e dinheiro no bolso deles, estão denunciando. Enquanto tudo ficava só na esfera do pobrezinho ninguém tomava atitude nenhuma. Mas agora estão mexendo com o bolso deles, e aí a coisa pega. Já tem gabinete de político dentro dos presídios. As diretrizes estão vindo diretamente das celas. Nunca imaginaríamos que receberíamos orientação de voto vinda de cadeia. Mas se estamos vivos, é justamente para testemunhar que chegamos ao fundo do poço, que não é o fim, nós sabemos. Daqui a pouco a coisa afunda mais e salve-se quem puder. Estes candidatos plantaram, eles estão colhendo. Chegou nos currais eleitorais o que era só do zé povinho. E como de quatro em quatro anos eles vão precisar passear por estes territórios, talvez agora eles se acordem. E não vão poder dizer que traficantes e milícias estão mentindo, ao dizer que eles só procuram estes lugares em época de eleição, porque tudo o que está acontecendo comprova justamente esta tese de abandono e de ausência do estado. Será que ao chegarem nestas comunidades, durante os comícios, estes candidatos teriam coragem de gritar no microfone “se eu for eleito, eu vou expulsar traficantes e milicianos daqui, além do que eu sempre prometi, que era posto de saúde, posto de polícia, escola e praça?”. Antigamente o político só prometia pão e circo a torto e a direito. Hoje tem que pedir licença dos criminosos, fardados ou civis, para prometer o mesmo.
 Meu Deus, como é pessimista este filme do Batman, Cavaleiro das Trevas. De sair se arrastando do cinema. Primeiro, por mostrar um fascinante vilão assassino psicopata, que nos coloca defronte do mal em estado bruto, que é o mal que não tem explicação, disfarce, objetivo, intenção. É mal porque é mal e ponto final. Não quer roubar, não quer se eleger, não quer fama, não quer nada. Só a destruição do gênero humano e das construções da civilização. Só a anarquia é seu fim último, ou seja, a barbárie. Prazer em matar, prazer em destruir, só isso, nada mais. Segundo, porque defende a tese desta nossa sociedade do espetáculo que precisa de heróis e vilões para se manter equilibrada, mesmo que estes conceitos sejam mentirosos e falsos. Precisaríamos ser enganados. Nos alimentaríamos da farsa. Ninguém presta, nada vale a pena, tudo é bolha de sabão, linda e prestes a explodir e se desfazer no ar. Não sobra nada, nem esperança, o amanhã já morreu. Para quem sofre de depressão, é de cortar os pulsos.
 Como será que está a Dercy, em pé no seu caixão e no seu mausoléu? Não paro de me perguntar se esta posição é confortável, porque sempre associei morto ao deitado no caixão. Vou ter que me acostumar com esta nova modalidade, morto em pé, na praça pública. Por outro lado, a grande piada da mestra é que ela agora é atração turística. Um monte de gente quer ir ver a pirâmide da Dercy, e daqui a pouco os ambulantes estarão vendendo fotinhos, pererecas da vizinha, enfim, os souvenirs que sempre o capitalismo. Grande sacada da divina ser a versão brasileira do túmulo visitadérrimo de Oscar Wilde no Pére Lachese. E de quebra, ajuda Santa Maria Madalena a mover sua indústria turística. Será tudo isso a grande e melhor piada da Gonçalves?
 Muito bom a novela colocando na roda a questão do marido que bate na mulher, e da mulher que, apanhando, fica dentro da gira. Este é o principal e mais intrincado aspecto da questão, que quem está de fora se questiona, incrédulo, do porquê destas senhoras agüentar o sofrimento caladas. Temos que considerar que as relações são complexas, que os casamentos precisam ser vistos de dentro e cada caso é um caso. Mas mesmo quando tudo parece insolúvel, o que devemos fazer é dar força para a espancada denunciar. Do chão não passa, o agressor. E ela poderá passar para o estado de morta por ele, portanto, quanto antes, melhor. Esta é a grande função social da telenovela, e, de forma interessante e com bons ganchos, ela pode socorrer a população que não tem formação mais consolidada. Por falar em bom gancho, Lilian Cabral é sempre uma interprete convincente e como nós gostamos muito dela, não queremos que ela continue apanhando. Parece que é uma velha amiga, e queremos solucionar as querelas dela.
 A nega divina virou para a mesa de oito pessoas, no Império do Bacalhau, Niterói, e bradou: “meus amores, não vou enganar vocês não, eu aliso o meu cabelo. Aliás, queridos, um cabelo que desafia a lei da gravidade, não se pode confiar nele...A gravidade puxa prá baixo todas a coisas da natureza. Ele sobe lindo e não baixa de jeito nenhum. Às vezes, para ir comprar pão na esquina, ele acorda com cachos ótimos. No dia que tem festa ou casamento, ele vira para você e diz “hoje não”. E não tem chapa que faça ele ficar bonito......”.
 “Depois o sujeito morre de câncer no c... e não sabe por quê!”. A casa de espetáculos lotada veio abaixo numa sonora gargalhada, coroando o gran-finale do show de humor de Dercy Gonçalves no Asa Branca, Lapa, 1986. Eu, recém chegado num pau-de-arara de Belém do Pará fui conferir com meus próprios olhos, me convencer de que ela realmente existia, fui aprender a gostar, fui começar a medir e pesar o impacto de uma grande artista sobre sua audiência. Há 26 anos aquela frase, aquela cena ecoa em minha cabeça. Jamais esqueci, pois no escracho do palavrão, aquela senhora rasgou minha intimidação e me fez compreender que mesmo em dificílimo terreno, como o humor com palvrões, você pode ser definitivo na análise de certas situações. Visceral, a loura de brilhos, à primeira vista uma respeitável dama, ao abrir a boca jorrava sinceridade, verve e autoridade de só quem é verdadeiro consigo poderá o ser com mil e quinhentas pessoas que pagaram para assisti-la. Ela já não se lembrava de todo o texto, a seqüência de quase hora e meia de piadas não era tão amarrada, pois a quantidade de cacos e interjeições era enorme, e seu partner ficava ao lado soprando as continuações. Era lindo de ver, era admirável a atenção e o cuidado dele, as repetidas dicas dela no palco, que sinalizavam para ele que ela precisava do empurrão, e toda a platéia, dentro do jogo teatral, fingia que não via e não escutava o acólito sempre a lembrá-la do próximo bloco. Amor, admiração e respeito era o que sentíamos e sentiremos. A velha dama indigna do começo do século XX transformou-se, na virada do milênio, na grande dama digna de um país que se viu nela, que se percebeu exatamente um pouco da pá virada e do bairro remexido. Talvez nos anos de outrora o Brasil ainda quisesse se ver europeu, com fleugma britânica ou savoir francês. Mas a esculhambação da ditadura, da Leila Diniz, da abertura, do Collor, do Sarney, Zélia e o bolero com o boto tucuxi, do Henrique Cardoso, do Lula e as trapalhadas monumentais em que o PT se meteu, tudo esfregou na nossa cara que ela tinha razão, um pouco de palavrões exclamados na hora certa cortam mais que faca amolada. E às vezes, é bom desabafar. Voltando à frase que dela em mim ecoa, agora é a minha hora de parodiar: depois uma mulher destas morre no auge de sua glória, na unanimidade de representar o chica-chica-boom da brasilidade, e não sabe bem por quê! Mas sabe sair muitíssimo bem de cena, mausoléu-palco-show incluído e construído. Seu cordel da galhofa nacional é eterno. Perereca inesquecível, peito aberto foi sangrando, e é mãe do país, generosa que foi e sacana na medida. Seus cílios enormes foram mastros de várias bandeiras verde-amarelas. Graças a Deus, Dercy Gonçalves está cada vez mais viva em nossos corações.
 O que é o biocombustível senão a consumação dos velhos ensinamentos dos Orixás africanos que, sendo eles próprios, energias naturais (cachoeira, vento, fogo, etc.) sempre ensinaram os seus, a compreender o cosmo como relações produtoras de força, para o bem e para o mal? Já que a África hoje na mora na Bahia, temos na água salgada, Yemanjá, mãe cujos filhos são peixes, os oceanos de sabedoria. O biocombustível é divino porque evoca a divindade salvadora que a ecologia é! Ele nos contacta com Ossain e seus grãos, sementes, galhos, folhas, frutos. Vem daí Ewe, fórmula de salvamento através do verde. Moer a cana, a mamona, o dendê, e disto retirar bons fluídos para a vida. São as ervas que curam. Bagaço é lodo, lama, limbo, morada de Nanã. Do velho abandono, a experiência sábia e tranqüila de força inimaginével. Bagaço é vovó que deve ser ouvida, pois viveu, produziu e tem muito o que contribuir. Sentemos embaixo do Baobá. Deixemos viver as borboletas, respiremos o ar puro, fitemos a fogueira e deste fogo fátuo antenemos a cadeia da noite, antecessora do dia. Aurora e crepúsculo afro-baiano, jorrando sapiência e ação: busquemos a terra (ayê) para manifestar Orum. Viradouro faz, às três da manhã, última e primeira, o Orum/Ayê se encontrar na avenida Marquês de Sapucaí.
 Que bom que agora a Secretaria de Ciência e Tecnologia, no projeto Orla Digital, nos conectará sem fio e de graça com a internet, do calçadão e da areia da perigosa babel Copacabânica. Mas será que alguém avisou para a secretaria que ninguém em sã consciência leva lap-tops para tal zona de guerra? Turistas morrem quando pivetes arrancam prosaicas máquinas digitais de seus pescoços; portanto quão inocente é pensar que aquela faixa de gaza é local apropriado para navegar na rede? Só dá para dar uma andadinha, tomar um coco e picar a mula de volta pra casa. É louvável que as autoridades tentem passar esta imagem de que aqui não é arriscado, de que tudo está no seu lugar, mas sinceramente, eu vivo num outro planeta, eu moro em outra Copacabana que não é esta de lap-tops ligados nos quiosques da orla. Sinto muito, madatários, mas estamos morrendo de medo, e não é só em sentido figurado, não.
 Para minha geração, o concurso vestibular era Leviatã, monstro a ser abatido. Tudo mudou, como aliás tudo deve mudar para o bem da crença de que a vida não é estática, e as instituições, dinâmicas. E me espanto ao ver quatro ou cinco opções, dependendo do gosto do cliente, digo, aluno, na prateleira de escolha nestes supermercados da formação superior, para prestar o vestibular, que de concurso não tem mais nada. É quase um mais cedo ou mais tarde você passa, não tem escapatória. Vamos às opções: doe alimentos e ingresse na faculdade (qual seria a relação entre espírito filantrópico e preparação para a vida acadêmica eu ainda não estou bem certo); faça uma redação e concorra na categoria escrita do futuro; sente diante da tela e como vídeo-game, detone o inimigo que seria não ingressar na universidade; vá bem no Enem e tudo estará resolvido; e procuro a velha opção de prova de concurso e .... não existe mais, ir simplesmente com a caneta em punho, sentar numa carteira de instituição educacional e marcar simplórias respostas ou redigir parágrafos para atestar o saber. Cruzes, tudo morreu, tudo passou. O mundo acabou e só eu que não fui informado.

Em nome do Presidente Marcos Lira e de toda a comunidade de minha amada Unidos do Viradouro, humildemente, aqui está a Sinopse de nosso Enredo para o carnaval vindouro, e Viradouro: Unidos do Viradouro Enredo para o Carnaval 2009 “Vira-Bahia, pura energia!” O povo baiano herdou toda a sabedoria da ancestral oralidade Africana. E como o sistema de pensamento negro sempre valorizou a natureza, fazendo inclusive com que seus deuses, os Orixás, encarnassem manifestações de forças da ecologia, era de se esperar que este respeito e reverência viessem desaguar nas terras do sem-fim, que este misterioso e fascinante estado é. O senhor do Bonfim (católico, sincretizado com Oxalá no Candomblé) traz para a Marquês de Sapucaí a boa-nova do bio-combustível. E como urgem as providências para encontrar saídas para mover motores do futuro, a baianidade se lança de corpo e alma nesta tarefa de melhorar a qualidade de vida dos habitantes do planeta terra. Não estão fazendo mais do que foi a eles ensinado desde sempre, pelo Deus Ossain, constantemente repetindo que as plantas curam (neste caso até o mundo). Temos, desta forma, uma nova versão do tradicional tabuleiro da baiana, que antes cantado em prosa e verso, apresentava guloseimas que sobravam dos trabalhos e oferendas nos terreiros, e hoje, em consonância com o terceiro milênio, apresenta-se repleto de esperanças por um ar menos poluído e por uma natureza em harmonia. No tabuleiro do progresso tem mamona e tem um pouquinho de dendê, ambos antigos conhecidos nossos, que agora revelam-se, quem diria, poderosas fontes para a produção de bio-diesel. Giram máquinas movidas ao óleo brasileiríssimo, e devemos celebrar. É a Bahia fazendo a sua parte, ajudando o Brasil (Ayê) a cumprir as metas do internacional Protocolo de Kioto, inatacável realização humana, visando a sustentabilidade através da renovação das matrizes energéticas, já que as antigas estão desaparecendo ou magoando o cosmo (Orum), que não custa lembrar de novo, sempre calou fundo na sensatez da alma da negritude. A Unidos do Viradouro se une à este maculelê, que antes dançado pelos escravos nos canaviais das terras de São Salvador, com toras da cana-de-açúcar, agora festeja a utilização do bagaço da cana para esquentar as caldeiras. Se já tínhamos o álcool, o etanol, agora nos esmeramos mais ainda para não desperdiçar nada. Do lixo, um luxuoso calor para esquentar os corações do carnaval carioca. Terra, sol e gente para trabalhar a Bahia tem de sobra. Para que não falte chuva, encerramos este canto de fé e tributo às verdes energias, pedindo que Xangô e Yansã, das cores de nossa agremiação, tragam do infinito, para encerrar os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, seu trovão da bonança. Todos os Deuses da sagrada Bahia sempre souberam que mais cedo ou mais tarde, todos nós, seus filhos, nos acordaríamos e entenderíamos que, sabendo cultivar, a natureza tudo no dará. Girou, girou, e era Olorum quem tinha razão! Milton Cunha Carnavalesco
Marcos Lira Presidente do Gres Unidos do Viradouro.
 Carlinhos de Jesus se diverte com a cabeça que criei para as bailarinas que abrem o nosso novo show da Cidade do samba, intitulado Forças da Natureza. Como a cena é sobre o início dos tempos, o caos que moldou da amálgama a forma terrestre, existem seres do lodo, da água, da lama, do fogo, etc. Esta cabeça é o povo dos anelídios e ficou leve, exuberante, e dá um efeito na cena deslumbrante. Adorei. Adoramos. O show deve estrear em agosto. Saravá! (Foto do magnifício Henrique Matos).
 Constrangido com o fuzilamento, Beltrame decidiu visitar o Batalhão fuzilador para resgatar o próprio élan da tropa. Resgatar o élan.... élan.... Antes que eu pensasse tratar-se de um novo figurino para eles, cuja camuflagem seria toda bordada em paetês nacarados com tufos de plumas nos ombros (sinônimo de élan, para alguns), corri no dicionário para me certificar do apropriado uso de tal termo para a situação de carnificina. Encontro lá: arrebatamento, impulso, entusiasmo, disposição, inspiração; força ou impulso criador de natureza espiritual que, ao perpassar e reorganizar a matéria, origina o processo evolutivo da vida. Pois é, resgatar o impulso de quem age de forma tão impulsiva, desastrada, destemperada, impensada e atrapalhada, não sei se é bom não. Acho que o secretário deve resgatar a placidez, o bom senso, a paz de espírito destes senhores, para que eles possam analisar melhor a situação e ter consciência dos furos e perda de massa encefálica que suas armas provocam. Se não conseguir tudo isso, poderia pelo menos resgatar um salário digno para que muitos não precisassem fazer bicos e dormir pouco, sem saber como sustentarão suas famílias no final do mês. No meio artístico, élan é termo usado para designar o ar afetado e estrelar que algumas pessoas possuem, sempre deixando um rastro de frisson elegante e endeusado por onde passam. Este élan é definitivamente o que a polícia do Rio não tem, não teve e não terá jamais, porque o terreno da segurança pública não admite erros nem rodopios, exigindo sempre controle quase matemático e absoluto de ações, o que transforma todas as suas situações em ações planejadas, pensadas com corte cirúrgico. Élan de máquinas é o máximo que desejamos destes policiais. E para ter élan de robôs, precisos cumpridores de planejamentos prévios, estudados, ensinados e aprendidos, a primeira coisa que as autoridades precisam resgatar é o treinamento perfeito dos agentes. Mas aí vem a ordem superior de que eles são obrigados a freqüentar cursos rápidos de treinamento para abordagens. Cursos rápidos... Estes sim têm élan, pois são revestidos da sensação de estrelato, estrelismo, dinâmica, rapidez, e na maioria das vezes, falta de conteúdo e impossibilidade de correta apreensão da matéria ensinada. Acho que nós, da população, não queremos curso rápido, não, queremos correta formação. Queremos que eles não atirem em nós, só isso.
 No momento de maior desgraça dos pais, o ato de altruísmo: córneas do pequeno morto para a visão esperançosa de duas crianças que, vivas, lutam por dias melhores. Da cegueira, a luz. Da noite, a claridade. Numa página do jornal, sorrimos com a felicidade da que sempre sonhou em ver o mundo. Nas páginas seguinte, choramos com a cara do taxista que busca fôlego nos porões da alma para bradar aos céus por justiça. Gostaríamos de um mundo só com a felicidade da que recebeu o presente, mas pensar na capacidade humana dos pais dilacerados de, em meio ao oceano da dor proporcionar o oceano de glória da outra família é surpreendente e reconfortante.
 Na porta da loja de decoração de festas infantis, a jovem mãe loura discursava para sua filhinha-cópia, para a amiguinha dela, e provavelmente para a mãe da amiguinha, (amigona da que falava alto), na calçada do Saara: “vou dar para você uma festa discoteca onde os convidados deverão ir vestidos de preto e eu, eu, eu colocarei os acessórios nos convidados conforme eles forem chegando”. Ficou claro, claríssimo, que a festa era dela. Era dela para ela, e a filha, apenas um apêndice necessário para provar que a falastrona havia crescido, se tornado mãe e adulta. Mas tal era sua loucura que a festa era dela, e mais que isso, os convidados também a pertenciam. Um monte de pequenos zumbizinhos de preto, pois a dona da festa queria que eles combinassem com os acessórios. Mães que piram, que se desfiguram, que argumentam, que roubam o prazer das filhas de pensarem sua própria festa. Tudo ali está para agradar a mãe. E nós, de fora, vendo a cena, só dizemos: “coitada da aniversariante, ela é só uma desculpa”. Será que não tiveram uma só festinha na infância que fizesse a cabeça delas? Será que tiveram todas, e nunca deixaram esta sensação lhes escapar? Não sei. Mas o que sente uma criança ao não ser consultada sobre nada do que lhe diz respeito? Ao perceber que não conta? Mais que isso, o que esta menina faz quando os colegas da escola dizem “lá vem a mãe da fulana querendo mandar em todo mundo”. Mais que mico, um pesadelo, estas que já foram mãe de miss e hoje são misses-mãe. Um saco.
 A agente imboliária chegou tão diferente que pensei tratar-se de outra mulher. Ela era mesma, só que depois de uma escova marroquina que lhe alisara os cabelos até o dedão do pé. Cruzes!. Mas marroquina? E as de chocolate, a progressiva, a regressiva, a depressiva, a de keratina, a de leite, a de morango, enfim as escovas de antigamente, que eram do ano passado? Coisa de gente velha. O Marrocos está com tudo e pensei se não seria escova feita com o cocô do camelo do deserto, pois até barbatana de tubarão o povo usa em regimes e dietas de nomes tão escalafobéticos, só comparáveis aos nomes de escovas-lançamento (quase da Nasa). Houve o tempo da escova inteligente, provando que há também as escovas burras, que não devem ter freqüentado o primeiro grau. Houve a escova definitiva, que não durava mais que o crescimento do fio do cabelo, um definitivo até o mês seguinte; e já estou preparado para os futuros lançamentos, que em meus delírios deverão ser a Escova Esquimó, cabelos prensados nos gelos dos iglus, e a escova Afegã, feita com poeira das cavernas onde Osama Bin Laden se esconde de Bush. Um mercado que mais que não ter fim, não tem limites para a nomenclatura de suas estrepolias.
 Gretchen, a Ciciolina brasileira, entre um filme pornô e outro, decide continuar no mesmo ramo (a pornografia) e se candidata a prefeita. É maravilhoso porque, fazendo na tela aquilo que os políticos sempre fizeram com o povo, ela demonstra que entende do assunto muitíssimo bem.
 A senhora acenou a bolsa com material de criança como os antigos personagens de minha infância tremulavam a bandeira de pano rasgado branco, cujo mastro era um graveto de árvore, seco. São pedidos de paz, são sinalizações de cessar fogo, são declarações de postura amistosa dos que estão encurralados, entrincheirados. Em que condições você admite um abrir fogo contra algo não identificado, ainda que suspeitado? É legítimo metralhar um carro suspeito, cujos vidros fumês não permitem a visão do que está dentro? Há margem de erro possível para uma situação destas? Matou pensando que eram os assaltantes, esta pergunta cabe? Uma mulher acena com uma sacola infantil. Acena com o futuro, com os sonhos. Tão braba é a situação de despreparo, que os policiais vendo e identificando a bolsa, ainda assim suspeitam que seja uma bomba, ainda que dentro de um saco com ursinhos e pernalongas. Tudo explodido: nossos corações em frangalhos pelos ares, nossos bebês embalados em estilhaços. Um pai grita ensandecido na noite escura procurando qual família da vizinhança ficou cuidando de seu filho que não morreu. Todos morreram naqueles ecos de dor do pai insano, cujas entranhas vimos na televisão. Martírio dos pais que ficam e sobrevivem aos corpos de seus amados bebês nos pequenos caixões. O entorno está para sempre comprometido e nós, de longe a olhar e nos perguntar quando é a nossa vez, porque parece ser ponto pacífico que nossa hora chegará. Quando seremos fuzilados, quando seremos metralhados? Assim que começam estas perseguições, estas blitzs, estes baculejos, acendo a luz, abro a porta, levanto os braços e monto o maior sorriso do mundo, gelado de tremor e morte por dentro. Eu boneco de mim mesmo. Eu, pose montada de “não me matem”. Eu tentando sinalizar minha bandeira de paz: meu corpo iluminado, sorrindo amarelo, saltando do carro e quase suplicando o “não atirem”. Eu, ator, controlando o desespero. Eu sentindo o esburacar dos projéteis e a quentura do meu sangue escorrendo sobre o que resta de mim, deitado no asfalto. Eu, bolsa infantil voando de um lado para outro. Eu, mãe, volteando o carro, gritando meu filho, atravessando o ricochetear de balas porque sei que meu pequeno foi atingido. Eu buscando salvar eu através de minha criação. Eu, que encontrarei eu mesmo, que agora partiu, em outra dimensão. Meus pêsames, senhores!
 Ser democrata na maré boa é fácil, duro é no revés manter o direito dos outros baixarem o sarrafo. E neste momento de maré boa, quando a transmissão do Festival de Parintins rendeu boas críticas, veio a contratação pela Viradouro para fazer a Bahia na Sapucaí no carnaval 2009, o Doutorado na UFRJ vai de vento em popa, algumas pessoas tentam fazer despertar em mim o monstro da revanche e da mágoa, e me sugerem que agora é hora de calar a boca de muita gente. Acho tão engraçada esta mania de alguns quererem tapar a boca dos outros, como se a crítica, a discordância, ou o simples fato de alguém não gostar da gente ou do trabalho que realizamos, fosse motivo para desolação e dor. Só poderíamos ser felizes se fôssemos cem por cento amados, admirados. Não haveria possibilidade de sobrevivência fora da aprovação. Não sei que tipo de vida estas criaturas levaram, mas a minha me levou a acreditar que é necessário ouvir a voz discordante, é necessário suportar a crítica, pois estes são fios condutores para uma percepção não deformada da realidade. Quer saber? Não somos sempre legais. Não vivemos as 24 horas do dia resolvidos e saltitantes. Tolos aqueles que se acham o máximo; estes não sabem ouvir, não encostam a cabeça no travesseiro e pesam prós e contras. E isto não significa que a punhalada de um pensamento horroroso e duro a nosso respeito não nos balance. Dói descer de grupo, ser o último colocado, mas isto não anula, não aniquila, não apaga nossas possibilidades de futuros acertos e de construção de resultados melhores. Não deixe as palavras cruéis lhe imobilizar. Mas use-as a seu favor, tendo consciência de que tem gente que não lhe gosta, mas na mesma hora, seja sensato e pense nos que gostam (porque na dor, quase sempre não conseguimos ver a bonança, tendemos a achar que tudo é feio). No fundo do poço, acredite que ali não é para sempre. E no gargalo aliviado, não se ache para sempre vencedor. Resumo: no alto ou baixo, você não é o primeiro nem o último. Não é o melhor, mas com certeza a pior das criaturas, como alguns desejam te convencer, você também não é. Mas não tente calar. Admita que o mundo é plural, e que há beleza na diferença. Não busque a unanimidade, busque a sinceridade consigo mesmo. Isto sim lhe deixará sempre bem, pois quando tudo lhe faltar, ou sobrar, restará sempre você, sua luz, sua certeza do bem.Vaia ou aplauso, divirta-se sem fazer mal a ninguém. Viva as opiniões!
 Minha amiga Mila esteve em Berlim e foi à boate. Procurou a chapelaria e lá depositou sua capa e chapéu. Ao seu lado um alemão tresloucado, calmamente arrancou todas, absolutamente todas as suas vestes (meia e sapato incluídos), e partiu para a pista de dança nu em pelo. Com o queixo caidérrimo de surpresa e pudor ofendido, a passada carioca percebeu que ninguém, nem uma almazinha sequer olhou para o piu-piu rosado do branquelo. Foi um fracassso de bilheteria os pelos pubianos aloirados do desinibido, que encontrou vários nudistas pista e boate afora. Não é só neste lugar, em todos os lugares, Berlim é uma loucura de tão liberal. No dia seguinte, o grupo de minha querida resolveu sair só com as calças dos pijamas e dar uma volta no quarteirão. Eram bobinhos perto dos cabelos rosas espetados, dos piercings e das roupas e botas pretas. Como o sucesso não veio, voltaram e se vestiram deles mesmos, que aí sim, de tão normais, pareciam anormais. O bom de tudo isto é festejar a liberdade de cada um ser (e parecer) o que quiser, sonhar e desejar. Aqui no Brasil, iríamos com certeza ficar conferindo o tamanho do membro do sujeito na pista de dança. Ui!
 O reitor da Universidade Veiga de Almeida, Mário, me contou que após onze anos de tentativas, enfim a União aceitou de volta as chaves do Hotel Paineiras, sonho acalentado por ele há vinte anos: uma escola de hotelaria, cujo projeto contemplava vestiários públicos abertos, para os que ali praticam cooper. Levou todo este tempo para ele, após comunicado oficial em 1997, conseguir tristemente se desfazer das chaves. A Universidade pagou os porteiros este tempo todo de espera, só para o prédio não ser invadido. O que acontecerá agora? Tomara que não o deixem abandonado. A bela construção não resistiria muitos anos sem manutenção. Vamos torcer para que este belo lugar encontre um final feliz e proveitoso.
 Todos torcíamos para que os dois fossem encontrados, por motivos antagônicos. Localizados, fizeram duas viagens emblemáticas no noticiário da semana que passou: a ponte-aérea Mônaco-Bangu I , inaugurada por Cacciola é muito, muito chique! Dos cassinos de apostas, suas mulheres lindas de longos e brilhantes, para o cárcere restrito e seus agentes penitenciários, duas pontas da realidade que tornam-se alegoria de uma existência. Flanar com dinheiro surrupiado é mole, quero ver trabalhar duro e ganhar. Malandro escapa, escapa, mas sempre tem a sombra do xilindró projetada sobre seus luxos de veludo. E o inverso: a trajetória jaula na selva para os braços de sua amada família, o percurso Ingrid Bitencourt foi um sucesso, do cano de fuzil apontado na cara para o afago e o reencontro. Lindo, lindo. Ufa, dois finais felizes para a humanidade!
 Luiza Brunet aos 45 não virou o ciborg que as de trinta estão virando, com peitos duros de bolas siliconadas e apliques artificiais. Perfeita Luiza, que sacou que homem quer apertar carne normal, sem medo de explosões (mesmo sendo tempo de festa de estalinho e foguetes)!
 Mas com certeza não aceitaríamos sem a Bia....
 Em pose Sex-and-the-city, a deslumbrante Bia Alves fecha contrato com a Vanity Fair e permite cliques ousados desta que é a nossa preferida. O que desejar para uma criatura transcendente, generosa, bacanérrima e sobretudo disposta, disponivel, desposável.... e destilada. Que toda a felicidade do mundo esteja ao teu lado... Biérrima.....
 Amados e divinos lacraiudos deste blog: eu, Lacraiudo Mor, ao lado do também bloguista Prof. quase doutor Madson de Oliveira, coordenador do curso de carnaval da Veiga de Almeida, ao lado de Celia da Mangueira, da Amebras, e ao lado dos alunos, receberemos para coquetail segunda, 19 hrs. no Barracão Um da Cidade do Samba inaugurando a Exposição de Apetrechos Carnavalescos, carnavalizados e carnavalizantes, produzidos pelos docentes ao longo do Semestre. Gostaria tanto que vocês, amigos, aparecessem para um blinis de caviar e uma verre de champagne....
 O Datena não engole sapo. Engole mariposa! Explicando: narrávamos as apresentações magníficas dos bois folclóricos de Parintins, quando os canhões e spots que iluminavam as lendas e mistérios amazônicos atraíram milhares de pequenas borboletas, que baixaram com força total sobre o bumbódromo e invadiram nossa cabine de transmissão impiedosamente. Parecia que a biodiversidade da floresta também queria aparecer, também queria brilhar ao vivo para todo o Brasil. Como estava de camisa preta (acho que mais quente), Datena foi revestido pela camada de insertos, e a cada exclamação de êxtase diante dos rituais, uma mariposa voava para dentro de sua boca. E ela cuspia para fora e se defendia como podia, numa aflição digna daquelas cenas de filmes onde o mocinho tem que enfrentar peçonhentos inimigos. Foi um sufoco que durou até 3 da manhã, e que ele enfrentou com profissionalismo e uma paciência exasperante. Imprevistos da primeira transmissão histórica ao vivo, em rede nacional, da qual tive a honra de participar como comentarista ao lado das autoridades locais. Quando vi balsas subindo o grande rio, com containers de equipamentos digitais de última geração, céu escarlate ao fundo, nas margens distantes, lembrei-me do sonho de Fitzcarraldo e sua epopéia rio acima. Dá muito trabalho, parece filmagem de Os dez mandamentos, de Ceciç B. de Mille, mas revelar ao Brasil a intrincada estrutura narrativa do Garantido e Caprichoso é aumentar nossa auto estima, pois no meio da longínqua ilha de Tupinambarana ergue-se uma das mais notáveis realizações de nosso povo. Dar voz à alma cabocla, deixar discursar o índio, são tarefas imprescindíveis para fazer da Amazônia realmente, pedaço de Brasil. Urge escutar os povos que sempre viveram lá.
 Não sou Boi Caprichoso azul, nem tão pouco Boi Garantido vermelho. Sou Boi-ola, o boy gay de Parintins que desfila rosáceo na quinta a noite, antes do festival começar na sexta. Tudo dentro da parada gay da ilha, quando travestis-índias- caboclas, passam faceiras por entre a multidão embasbacada da Avenida Amazonas, a principal da cidade. Tudo muito incipiente, tudo muito pobrezinho, mas tudo muito interessante, pois com aquele ar exótico de surrealismo. Na versão hetero, cada boi escolhe sua Cunhã-Poranga a mais bela índia da tribo. Na noite gay é eleita a Canhão-Poranga, horrorosa tupinambá que reinará no boi pintosa até o ano seguinte. De morrer de rir e de se divertir com o politicamente incorreto, pois a ilha é cruel mesmo, já que dividida em dois contrários, fazendo com que farpas cortantes atravessem as conversas constantemente. O folclore é perspassado pela rivalidade, deixando uma tensão no ar, mais acirrada que na Sapucaí. A ponto da mulher do espetacular cantor cego David Assayag ser denominada de “bengala” pelos rivais, nenhum pouco preocupados com o mau-gosto ou a polidez. Salve-se quem puder, pois só um pode ganhar, e os dois se acham o melhor e pronto. E apontam na cara dos gays e caem na gargalhada debochada, chamando-nos de frescos. Quem está na chuva é pra se molhar, e não podemos transformar a ilha em Manhattan.
 A aparição de Thiago de Mello, o grande poeta brasileiro traduzido em mais de trinta línguas, no alto de uma vitória-régia, no meio do bumbódromo, para declamar seu poema Estatuto do homem, foi o ponto alto na categoria humanismo da primeira noite. Aos 82 anos, ele que mora ainda hoje na beira do rio, tem um ar Antonio Conselheiro de ser que lhe confere tom profético e visionário. Ao conclamar os rivais dos dois bois a plantarem cem mil árvores durante o ano vindouro, ele age no evento como aglutinador e um patamar acima da competição, pois, como sempre, ele está interessado na vida. Um erudito nos braços de seu povo, um sonhador no auge de sua loucura: aplacar corações em fúria competitiva e pairar sobre a mata verdejante.
 Sobre a questão de se o boi de Parintins é ou não parecido com o Carnaval do Rio, sendo inclusive chamado por muitos de o “carnaval da floresta”, vale esclarecer: aproximam-se na quantidade de penas e plumas, no uso de alegorias (sendo no Rio monolíticas e limitadas a dez metros de altura, e na Amazônia em pedaços que se completam e tendo o céu como limite), no estrelato de belas mulheres; e afastam-se na forma de exibição, uma procissão sempre para a frente e a outra evoluindo quase sempre de forma circular, em arena, entrando e saindo pela mesma abertura; na estética, uma brilhosa e outra fosca; na música, uma samba-enredo único e outra várias toadas na apresentação; na presença obrigatória de índios, em Parintins; na obrigatoriedade de coreografias para a maioria de seus componentes no Boi, enquanto na escola de samba a virtuose individual ainda é imprescindível, no julgamento, com o Rio tendo dez quesitos e Parintins 26 itens. Mas a tônica dos dois é o transe da celebração, a alegria dos brincantes, a disposição de fazer sua agremiação ganhar e o tempo de suspensão: o frisson que arrepia as duas cidades na semana de apresentações é a mesma.
 “Olha que tucunaré de primeira, este aí”, “nossa olha o pirarucu dele!”, “que tambaqui bom!, “mostra aí teu matrixã, mostra!”: os nomes rsquisitos dos peixes de água doce são prato cheio para os turistas começarem a mexer uns com os outros, como se fossem habitantes das profundezas dos igarapés. Resta saber como é Parintins nos outros 360 dias.
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