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| Milton Cunha |
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"Tomara que vocês dêem sorte e peguem a Ivete Sangallo!". Menos, leitores, menos. Não é nada disso, é muito pior: milhares pagam para pegar a Ivete, simpático e veloz ferry-boat para atravessar para Itaparica, e curtir a ilha de Mestre Diddi e Ubaldo Ribeiro (sobre o brilhante escritor, o motorista da van me diz que ele está toda hora por lá). Enciumado, retruco que o grande baiano é visto todo dia na praia do Leblon, e acredito que está começando mais um desterro: assim como a Bahia lida mal com a saída de Dorival Caymmi, está analisando se o escritor ficará no tabuleiro ou não. Baiano estréia, mas tem que permanecer naquele palco. Os guias apontam para as igrejas e monumentos, mas não perdem a chance: "ali é o apartamento de Ivete. Naquela cobertura mora Arthur Moreira Lima; aquela é a mansão de Duda Mendonça...." e por aí vai. Tipo Beverly Hills mesmo, o bairro das estrelas de Hollywood. No Pelourinho, do momento em que você chega até o último segundo, você é a-ta-ca-do por paupérrimos oferecedores, de todas as mercadorias que você pode imaginar: vai de cordãozinho e fitinha, até as mais pesadas drogas. E como eles têm aspecto miserável, infelizmente, os turistas ou ignoram solenemente, ou saem correndo de volta aos ônibus. A verdade é que não se tem mais sossego para admirar o casario e as ladeiras. Como sempre, eu resolvi cair na gargalhada, e a cada oferecedor, eu mostrava meu delegum (gigantesca guia do candomblé, vermelho e preto para Exu, que comprei nas escadarias do Bonfim). Como todo baiano sabe o que significa o colarzão, gritavam "axé, Babá!", me deixavam passar como se sacerdote ou feiticeiro eu fosse, e eu ia saracuteando sobre os paralelepipidos, com cara de babalaô. Cheguei a tempo de ver o espetáculo "Luz e Som" na mais rica Igreja do Brasil, a barroca São Francisco. Um escândalo. Quando a escuridão desaba profunda, só o Cristo no altar, abraçado à Francisco, que o ampara, são vistos. Silêncio no claustro. Em seguida, explode a luz sobra as douradas volutas, reentrâncias e que tais de todas, todas as paredes e colunas da igreja. Um esplendor, uma iluminura, um fausto. Todos fazem "ahhh"(todos quem, Milton? Só tinham dois na platéia, eu e meu assistente, e pasmen, nenhum, nenhum guarda ou vigia ou câmera, estávamos sós ali dentro e poderíamos ter roubado o que quiséssemos, coisas do Brasil e problemas do patrimônio histórico), e a voz de Othon Bastos começa a narrar a história do templo. De 1700 até agora, trezentos anos de história são contados em meia hora de espetáculo. Bethânia canta duas músicas, Fernanda Montenegro declama dois poemas, Caetano canta, Lima Duarte declama. Lindo, lindo, inesquecível. Um grande presente da Eletrobrás para o povo brasileiro. Indico também, quinta à noite, as apresentações do Balé Folclórico da Bahia, extremamente bem dançado e bailarinos cujo vigor e beleza deixam a platéia tonta.
O motivo da viagem foi conhecer a Usina de Bio-Combustível de Candeias, emblemática cidadezinha no recôncavo, pois ali a energia brasileira se manifestou: o primeiro poço de petróleo, há 61 anos atrás, e agora a primeira depuração do verde ouro. Da mamona, do dendê, do caroço de algodão, do sebo animal, do óleo que sobra das frituras de restaurantes e residências, do girassol e da canola, a transformação para óleo diesel. 31.000 famílias plantando e colhendo as oleaginosas, progresso e fartura no semi-árido. Bacanérrimo, mas um teste de resistência à tantas regras, objeções. Impossibilidades. Tudo não pode, por questões de segurança. Lembram daquela sala de controle das naves e dos submarinos dos seriados de nossa infância? Pois tem uma sala igual no controle da usina. Não podia bater fotos porque "o americano, o russo e o japonês estão trabalhando e eles ficam aguniados com a presença de curiosos". Mas quem são estes, meu Deus? Decretei que a Guerra fria havia começado no sertão do Cariri, olhei os estrangeiros, gostei mais dos brasileiros cheios de sotaques de personagens de Jorge Amado, e bati em retirada. Acredito realmente que o futuro é bio, pois todos teremos que contribuir para cumprir as metas do Protocolo de Kioto, que é meu rei e axé pra ocês. Entrei na sede do Afoxé Filhos de Ghandi e Agnaldo, o presidente do Afoxé, muito simpático, me recebeu. "São dez mil componentes, Milton, uma procissão inacabável que abre o carnaval de Salvador. "Mas, presidente, só pode desfilar homem?". "Sim, Milton, só homem, mas tem muito..". "Não, claro presidente, bicha veado gay tem em tudo que é lugar, mas eu estou perguntando das mulheres, porque na Bateria da Mangueira não podia entrar mulher....". "Aqui realmente não entra mulher, mas elas criaram as "Filhas de Gandhi", só para elas. Balcão de embarque da companhia aérea, voltando para o Rio: "Senhor, tem que desmontar o berimbau". "E tem como desmontar o coitado?" "È só o senhor apertar a corda, que a cabaça desce e sai. Ela pode ir como bagagem de mão. A vara e a corda, não". "Gente, mas vocês do embarque são especialistas em instrumentos exóricos". "Segundo a segurança, o arame pode ser utilizado como degolador". "Cruzes, mais que arma branca isto é arma miscigenada, sincretizada e cafusérrima, como toda a Bahia. Será que o 11 de setembro começou com um berimbau? Tudo a ver: Osama Bin Laden e o berimbau baiano".
Rumo à Candeias, Bahia. Refinaria. Bio-eu. Eu-biocombustível. Meus Deuses. Orixás. Energia. Com que roupa eu vou? Me lembrei do colunista social de Itabuna, calor de caldeira, e ele com roupão de feltro e chapéu Parisiense. Fog de poeira, atmosfera de Londres em seu coração. Os mandacarus que viravam postes art-nouveau. De que importa estar ali naquele calor de Tupã, se a outra se sentia na Avenue Foch? Candeias, a fonte da água milagrosa. O ministro. O encontro, o patrocínio. Carnaval. Usinas da alegria. A grande Salvador, as ladeiras do Pelô. Lhes mando um cheiro, um beijos e uma moqueca coral, cor incendiária que tem encantado meus dias de sucesso e aplausos. A apresentação no palco da Cidade do Samba foi precisa. Todos precisamos, todos precisávamos.À equipe, meu muito obrigado, e um até logo. À Candeias, aqui vou eu....
Se Paes sobe e Crivella desce, eu me jogo: a vida é gangorra, e o carrinho da montanha-russa se aproxima do looping. Sou branco, sou preto, sou descendente de índio, quero cotas, me declaro esquimó, sou ativo, sou passivo, sou depressivo, devo me preocupar com a quantidade de opções da vida moderna, é melhor não marcar o "xis" dentro do parênteses? Muito questionário, muita prateleira para eu me enfiar. Sou objeto, preciso de um escaninho, e quero me envolver numa briga com Andréia Albertini, a ex de Ronaldo, pois se ela quer limpar sua ficha, para que todos esqueçam seu passado, para mim meu passado começa hoje, aqui e agora, e acho chique ser ex-gay. Ou ex-hetero, dependendo do cliente! Qualquer dia encontraremos a opção ex-humano e, cyborgs ou coração de gelo, seremos estes espectros prateados dos filmes do futuro de antigamente, futuro este que chegou e tá feia a coisa. Não me vejo, não me acho, mas hora de preencher formulário não é hora para crises existenciais. A fila anda, a catraca gira e eu não sou sorvete para ser chupado. Quero meu jardim de infância de volta, meu mundo fácil e descomplicado, porque pensar e viver dói. Escolhe aí: de quem você, candidato, aceitaria doações em dinheiro para ajudar na divulgação da sua campanha? E quanto é o salário de um prefeito e de um vereador? Tem insalubridade? Tem caixa dois? Vale a pena gastar quinhentos para, somando todos os meses de salário ganhar 480? O que está por trás (ui!) ou pela frente disto tudo? Quais são os ganhos não contabilizados? E se eu me candidatar e não tiver dinheiro algum, e se eu não fizer pacto com os donos das vans e nem com a guarda municipal, e se eu for eleito e fincar o Palácio da Cidade em Vigário Geral, e obrigar meu secretariado de putas, travestis, donas-de-casa e freiras a freqüentar o mosteiro de São Bento? Quem se atreve a virar o jogo, quem é louco o suficiente para suplantar os votos do Clodovil? Faltam mamelucos na campanha e sobram qualificativos como o "pai dos trigêmeos". Que máximo, tenho uma cachorra chamada Amy Winehouse e isto pode me credenciar para uma poltrona na Câmera (fotográfica, porque Câmara, Deus-me-livre). Mas se Deus me livre, a culpa é minha e depois o maluco sou eu pois o homem não pisou na lua, foi tudo armação e Elvis não morreu. Cansaço. Fastio. Incrédulo. Nas últimas. Cortando o pulso com gilete enferrujada, cujos cortes em jogo da velha jorram a sangria desatada da eleição do desânimo. Vamos às ruas, vamos às urnas, vamos à Sangri-lá! Já escolheu? Tá se sentindo? A gente se vê no próximo santinho....
Em tempos de mulher-melancia, temos o secretário-abacaxi! O chefia dos transportes municipais entrou na onda das frutas e está oferecendo, bem humoradíssimo, o troféu bromeliácea para quem não anda na linha. Uma graça! Um sopro de descontração para dar uma animadinha na cidade sitiada. Vamos entrar na onda, e sugerir que aquela blitz que toda a noite, guarda o palácio do Governador, e que, obrigando o motorista, com cones laranjados, a passar com o carro em dois ou três bueiros-buracos (coisa de toupeira, mesmo, pois foi só isto que sobrou da pista), leve o troféu Xuxu: tem quem goste, mas a maioria despreza. Como cidadão fico felicíssimo do palácio estar bem guardado, pois me lembro que certas vezes, no governo Rosado, os meliantes passaram em disparada e atiraram contra as paredes de tão inocente construção. Quem tem ele, tem medo, está certíssimo. Mas fico me perguntando porque eles não aproveitam a onda cívica e consertam as tampas que estão dez centímetros abaixo do asfalto e que acabam com os amortecedores dos pobres-coitados dos não-encastelados. No império do executivo Xepa, oferecer abacaxi tem tudo a ver....
Tá cada vez mais down no Hight Society: boates, fazendas, concessionárias de carro, postos de gasolina e aviões de cocaína para o morro do alemão. Tá meu bem? É mole ou quer mais? Desconfie dos bacanas, por trás das coberturas com vista para o mar e festas no Amaury Junior, o que pode estar financiando tudo isto é babado fortíssimo. Na mansão do Itanhangá, coisa finíssima, endereço elegantérrimo, armas para derrubar alvo aéreo e lunetas bacanérrimas para o tiro não sair pela culatra. Enquanto isso, coletes à prova de bala de nossos bravos policiais, com o prazo de validade vencido. Vide-bula, correndo. Nossos guardas sangram em praça pública e fazem vaquinha do próprio bolso para não morrer dando mole. Em artigo de primeiríssima necessidade, qualquer descuido pode ser fatal. Será que é casa de ferreiro, espeto de pau?
O teatro Poeira é erguido sobre o sonho e a luta de Marieta Severo e Andréia Beltrão. Ponto para elas, que juntaram uma graninha e abriram um espaço simpático e boa opção para a cultura carioca. Quem não tem cão caça com gato. Fora isto, as duas, neste palco, montam um espetáculo excepcional sobre o universo das rezadeiras e dignificadoras de velórios do semi-árido e do sertão brasileiro. Portanto, talentosas empresárias, constroem o salão e organizam a própria festa, mas quem ganha são os convidados. Preço do ingresso possível, conforto na medida certa (sem desperdícios) e magia teatral em excesso, As Centenárias é fino biscoito para a alma: um pouco de humor, um pouco de reflexão, e duas atrizes e um ator na plenitude de seus ofícios. Direção acertada, figurinos belos, cenário lindo e luz refinada. A cidade é maravilhosa por esta e outras. Estão eleitos!
Pruridos da Filosofia: "Tudo vale a pena, se a mala não for pequena....."
Eu, brilhosíssimo, e os recepcionistas fantasiados de Família Real Portuguesa, aplaudimos calorosamente a passagem do casal real da TV Brasileira, Tony Ramos e Lidiane. Eu gritei: "nós amamos vocês...", e Carlota Joaquina puxou os aplausos. Pontualíssimos, estávamos vivendo a pré-estréia do show Forças da Natureza, em cartaz na Cidade do Samba até março. E quem chegou primeiro? Ele, com cara de menino tomado banho e entalcado pela avó, cheirando a colônia de madrinha, e ela, linda, coquete, graciosa, feliz. "São considerados a família padrão brasileira", sussurrou D. João no meu ouvido. Não deixei de pensar: "quem dera que a família padrão fosse isto aí....". Tony se aproximou sorrindo e cumprimentou com uma sinceridade enorme todos nós, artistas trabalhadores do entretenimento, e eu desejei que eles se divertissem muito. Lidiane me conta que nunca assistiu ao desfile, e eu afirmo que ela não pode deixar de sentir tal emoção, pois acredito que ali o Brasil mostra o seu melhor. Surge Suzana Vieira e seu gostosão, e ela exclama para mim: "meu bebê, leio tudo que você escreve e a-do-ro". Estrelar, luminosa, desenvolta, a loura quase morena é Yansã dos ventos, e vai soprando seu carisma pelo enorme corredor de entrada. Dou uma segunda olhada pro Xangô dela e confirmo sua gostosura, indo e vindo. Encontro dos Miltons: "Senador, como vai?". "Porra, Milton, é Deputado. Eu interpreto um deputado", reclama Milton Gonçalves aos risos. "Não importa o cargo, negão maravilhoso, todos são corruptos e você é brilhante". E o maravilhoso ator aproveita para me cobrar o terrível erro, muito comum em desfile de escola de samba: destaque da alegoria cinco do enredo sobre a África do Sul, no Porto da Pedra, em 2007, o grande ator foi esquecido pela escola na dispersão, e como seu lugar era dificílimo, altíssimo e sem escada ele não desceria jamais, e como as empilhadeiras ficam igual barata tonta pois o tempo é exíguo e o carro tem que sair rapidamente da praça da Apoteose, ele foi deixado lá por quase uma hora, segundo me relatou. Imediatamente me lembro que Bidu Sayão foi deixada pela Beija-Flor em igual situação, em meu enredo de 1996, e pondero que, se escrever sobre isto e revelar minha maldição da galinha pintosa, ninguém mais aceitará meu convite para subir em carro, pois ou despenca de lá como Neusa Borges, ou corre o risco de ser encontrado na quarta-feira de cinzas, já na apuração, dormindo sobre um queijo, agarrado num Santo Antônio. Cuidado com meus convites, pelo amor de Deus, galera....
Menino pobre de Belém do Pará, sempre que alguém diz: "quer ir ao Teatro Municipal?" já me encontra no momento seguinte prontíssimo. Pode ser enterro de anão, batizado de boneca, festa de fim de ano de academia de dança, não quero nem saber, eu quero é "ir para o teatro". Esta possibilidade é mágica para o sonhador que sou. É a chave para subir as escadarias, ver o mármore, tempo no qual o mundo pode estar desabando lá fora, mas ali é o país das maravilhas, sou Alice e chamem o chapeleiro maluco rapidamente, pois este momento é meu. Sentei para assistir ao Concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira no recital em agradecimento aos patrocinadores. O moço do microfone avisa quer a regência e direção geral é do Maestro Roberto "Mintchun" (e cantarolo mintchura, mintchura, da desaparecida Neuzinha Brizola). Hino nacional, todos de pé, a pedido do Maestro, que diz que não é só na Copa do Mundo ou nas Olimpíadas, que na Cultura também devemos ser cívicos. Depois Rossini, Bernstein, e chega o intermezzo da Cavaleria Rusticana (que eu não conhecia). É aí que fecho os olhos com a música tristíssima, meu eu lírico sai de meu corpo, e alma iluminada, paira quase no teto, para depois sobrevoar minhas lembranças repassando a vida, a infância na floresta, o pau-de-arara descendo o centro do Brasil, a vaga onde morei em Copacabana nos anos 80, o incêndio na União da Ilha. Nem sei para quem ou para o quê Mascagni compôs a tal "Cavaleria", mas isto não importa no momento que a música rasga tuas entranhas e se apodera de teu canal mágico, de tua porta para o sonho. Portanto, qual é a chave de vocês? Qual é o ritual que revela para os senhores a mágica mais forte do mundo, que ao se apoderar do corpo, os revela em glória? Sei que só muda de endereço, cada um sabe a dor e a delícia de se ser o que se é. Seja qual for a resposta, só não me digam que vocês não têm mais a capacidade de sonhar. Isto sim, é insuportável de ouvir.
Depois da garotinha vietnamita correndo com a pele dissolvendo, efeito da Napalm, agora a foto emblemática é o "corpo em queda" do World Trade Center, no dia do atentado. Imagens que sinonimizam uma era, que congelam uma atmosfera, que só de fitá-las trazem o "onde você estava e o que você estava fazendo no momento em que isto aconteceu?". Será que a tragédia nos marca mais que a comédia? Quais são as fotos alegres, ou pelo menos respiráveis, que estamos guardando no coração, para depois expor ou conversar sobre? Penso na voz do astronauta: "a terra é azul!" e nesta respectiva foto, penso na Leila Diniz de biquíni e grávida na praia, e penso que a alegria é muito particular, parece mais vivida em individualidade ou pequeno grupo, já a dor é de todo mundo, compartilhada, todos podem dimensionar, pois todos têm telhado de vidro.
Se fosse eu o celebrante do casamento da belíssima Juliana Paes eu seria acometido de uma ereção. Juro que eu não conseguiria tirar os olhos dos peitões quase saltando de tão abissal tomara que caia, caindo mesmo. Eu ali, em pé, de frente pro crime, ela, na bandeja quase no meu nariz, e seja o que Deus quiser. Linda de morrer, mas um perigo para qualquer desejante de fantasias sobre as saltantes mamas. Um escândalo! Imagina a cara de um padre....
Nosso novo Show da Cidade do Samba estreou terça passada, o "Forças da Natureza". As baianas representam a exuberância da flora e fauna da Amazônia, principal investimento de nosso patrocinador, o Banco do Planeta, Bradesco. Foi um sucesso bacanérrimo. Estou muito, muito feliz.
Estrela. Concentração. Entrega. Desprendimento. Emoção. Seriedade. Deboche. Profissional. Hipnótica. Maravilhosa. Poderosa. Atriz. Drama. Entendimento. Realização. Luxo. Sabe tudo. Pode. Faz. Vai. Empreende. Brilho. Diva!
Ainda bem que atualmente a estampa física do candidato à cargo político não é mais determinante. Taí Jorge Babu e Núbia Cozzolino, duas pérolas da compleição, que não me deixam mentir. De visual arrojado e assinatura inconfundível, camisas, cabelos e caixões fazem parte da imagética que cola em nossas memórias e se tornam referências de que gosto não se discute, cada um tem o seu, e salve-se quem puder. Há tanta força visual que a plataforma de projetos e propostas torna-se secundária e quase esquecível. O que importa é a superação da surpresa. Babu tem corte Chororó em cabelos cacheados e grisalhos, o que é contribuição definitiva para a semiologia do sufrágio, enquanto que a Mortícia Adams de Magé, corretamente senta-se sobre o caixão para povoar o imaginário dos eleitores, pois caixão lembra cemitério, que lembra morcegos, que lembra lápides e esculturas em noite enevoada, enfim, lúgubre atmosfera de enterro e fim de uma era. Saudades do Enéas, inesquecível astro popular que marcou nossa memória emotiva com barba que só caberia na ficção. Outro dia desenhei turbante sobre foto e ele ficou da família de Osama Bin Laden. Enéas tinha charme, deboche, loucura sã e mais que isso, tinha sua misteriosa Senhorita Suely. Onde andará Senhorita Suely? Eu a amava, pela ausência de informação que ela representava, ou seja, eu a amava pelo nada, pela ausência. Saudades desta trupe de outrora, quando não precisávamos de nenhum gole de cachaça para achar graça nas opções esquisitas, que davam colorido para as eleições.
Conheci de perto Fernando Barbosa Lima. Foi ele quem me tirou direto da quadra da União da Ilha do Governador (sempre fiz palco, a Escola de Samba só me interessa enquanto relacionamento com as pessoas que a amam), para fazer o programa de televisão Primeiro Time. Depois ele me indicou para ser debatedor da sua obra maior (e olha que o comparativo, neste caso, com programas como Abertura, também criação dele, é de nível altíssimo), o programa Sem Censura, onde fiquei sete anos ao lado de minha mestra maior, Leda Nagle. Também me colocou para fazer dois anos o Comentário Geral, e criou na TV Universitária um programa chamado Ilustres Anônimos, que foi uma grande e deliciosa farra: personagens hilários da cidade, como o Zé das Medalhas e o saxofonista da Praça da Carioca eram alvo de longas entrevistas ali mesmo, onde passavam grande parte de seus tempos. Aí ele sugeriu: faz um programa entrevistando o homem que conserta os bondinhos e os cabos que sobem para o Pão de Açúcar. "Como assim, Fernando?". "Simples. Te pendura como ele faz. Se ele pode, você também pode. Os espectadores vão adorar. Se ele não cai, você também não cai!". Deus, que loucura inesquecível, ver a Urca de cima, e os bondinhos passando aqui do lado. Eu tremia por dentro, e perguntava normalmente por fora. Muito vento, muita beleza, um sol belíssimo e agora, uma enorme saudade deste senhor bacanérrimo que, de olhos abertos e sempre com uma pitada de inovação, tem seu toque de ouro associado a pontos fundamentais da pensante TV brasileira. Eu, Lula Vieira, Narcisa Tamborindeguy, Maria do Rosário Nascimento e Silva e Ronaldo Rosas nunca esqueceremos as noites agradáveis que passamos com nosso amado diretor, naqueles estúdios da TVE Brasil. Valeu, Barbosinha!
Só há uma explicação boa para o fato dos carecas fazerem tanto sucesso: é que as opções restantes são ridículas, e um convite para uma sonora gargalhada. Fora o cabelo normal, cheio, saudável e higiênico, o que podemos apresentar? Aquele penteado melado que arruma os fios cuidadosamente, puxando-os de um lado para o outro, fazendo-os atravessar longas distâncias para cobrir a careca? Muito ruim, dá aflição de sair do lugar facilmente, pois é de frágil fixação (e quando vem de trás pra frente, aí até a força da gravidade sente-se incomodada, é de matar); aquela plantação de pelos, cuidadosamente costurados um a um, saindo sozinhos da pele, mostrando que nasceram em lugar onde mais nenhum quis nascer? Ridículo. Parece cenário para O rapto das cebolinhas (sempre penso que o Camaleão Alface vai surgir no cocoruto do implantado), e dependendo do tipo do fio, eles geralmente saem duros para cima, como se estivessem arrepiados, olha, um horror; tiro de misericórdia: peruca! O pobre do peruquento jura que ninguém sabe, ninguém percebe, ninguém desconfia. E a torcida cruel para o anzol pescar o muco, revelando o lado Zacarias destes senhores, é total. Careca é natural, resistente à chuvas e ventanias, prática e gostosa de ser alisada. Um sucesso de bilheteria, porque não vale a pena pagar pelas outras opções. Acho que impotência sexual e cabelo são os quesitos que mais destroçam a auto-estima da macharia. Não é à toa que os remédios para os males de cima alteram o desejo da cabeça de baixo.
As eleições municipais colocam na berlinda a liberação de verbas para o desfile das Escolas de Samba no Carnaval, pois é contrato entre Prefeitura do Rio e Liesa que precisa ser celebrado sete meses antes, tempo mínimo para que uma escola de samba comece a fazer as compras para levantar cinco mil fantasias e oito carros alegóricos, fora as contratações que precisam ser honradas. Como eu não vivi o tempo pré-Liesa, pergunto: poderíamos passar sem os desfiles, seria possível mudar a organização, era pior antes, melhorou, piorou, como seria o espetáculo só começado em janeiro, o que será que a população da cidade acha de tudo isto? Qualquer que seja a resposta, Deus salve os sambistas cariocas.
Assustado, publico a foto da van alugada pelos lacraiudos para transportar a internacionalmente famosa Intentona da Beleza, grupo de belíssimos que se deslocarão pela ponte fazendo trajetos inusitados que patirão de lugar nenhum para todos os lugares. Salve-se quem puder, pois até anfíbia a rural é! Motorista de Bana, um negão escândalo, abstêmio de álcool, o que não os fará cair na malha finíssima da lei seca. Venham, Divinos, e seja o que Deus quiser.....
No momento em que foi anunciado que EU ganhei o concurso de Rainha da Bateria da Viradouro.... Em seguida fui desclassificando, perdi o título, porque a comissão de inspeção do sumiço da vara concluiu que a minha não houvera sumido, portanto era preciso continuar a eleição, desta feita restringindo o sexo obrigatório das candidatas para a categoria "desvaradas", já que a denimonação genérica "mulher" não mais açambarca a totalidade de significações, significados e significantes que possuiu outrora. Uma pena à Sapucaí ter sido negado o direito de me consagrar como a Galinácea mais galinha de que se teve notícia no carnaval Carioca..... Continuarei tentando.... Bia, você não vai se inscrever, não? Banaiuti, cadê o Camarote Lacraio para me ovacionar (com ovos, mesmo, numa claque tipo contratada). Márcia Helena, Renata, Chris, Ivone, coragem, se apresentem.... Freddy, Rodrigo, você não vão vir olhar as gostosonas, não? Vocês são dos poucos deste blog que apreciam mexilhões, moluscos e crustáceos afins.... Cruzes.... E viva o perú! Chô perereca.....
Muito bom.... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Foto Henricão)
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Foto Henrique Matos)
O jato... Depois nudez sobre a cama. Comodamente instalados na desarrumação do quarto gelado; Teto suposto, acima da cabeça sobre o peito e a escuridão... De repente a luz azulada do celular avisando carga máxima. E na parede vislumbro o ostensório da velha conhecida: É a pomba do misterioso Divino, Abrindo as asas sobre nosso esplendor Gigante, magnífico! Pelo sim, pelo não, Fitando-a em vislumbre, Dou uma piscadela de olho, Agradecendo presença tão marcante Do vôo em coração retumbante.
Oi Milton, hoje eu fiquei sabendo que os Estados Unidos não liberam vistos para pessoas soropositivos. Na hora do visto eles perguntam sobre doenças infectocontagiosas e se vc mentir, pode ser deportado caso encontrem o coquetel em sua bagagem, as que se atrevem ir pra La, mentem e não levam o coquetel, isso é o fim do mundo. Beijos Ricardo Vandervelt
Rick, pensei no filme Os sete Macacos: pelos aeroportos do mundo moderno, a contaminação se irradiará. E penso também que os portos navais, há 100 anos, eram as estrelas deste tipo de segregação. A catraca gira, o mundo roda, e fronteiras são fechadas para os atingidos. Eles ainda não concluiram que o planeta vai explodir como um todo, que não há fronteiras, no caso da aldeia global. A bolha da Michael Jackson é um bom exemplo de que um dia a casa cai. A coitadinha andava de máscara, dormia em assepsia, mas o que ela queria era ser Peter Pan e Sininho num mesmo corpo. Só sobrou Gancho e o Jacaré. Saravá!
"Meu namorado pode ser meu dependente no plano de saúde?". Perguntei eu, ao entregar o formulário preenchido no departamento pessoal da Universidade Veiga de Almeida, de onde sou assalariado como Coordenador do Núcleo de Estudos do Carnaval. Através do vidro, vi que o funcionário engoliu a seco, e por um momento tive a impressão de ver sua enorme mancha de vitiligo no rosto aumentar consideravelmente, diante de indagação tão moderna e inesperada. "Acho que.... bem... se for união estável.... Bem.... união estável pode.... Acho.... o senhor pode me dar um tempo para eu consultar?". Só para enlouquecer o rapaz, instiguei: "e se até lá a relação estável se desestabilizar, quem é que vai me indenizar?". Pois lá estava eu, diante da prática de situação que tanto falamos na teoria: duplas gays podem ter o cônjuge, parceiro, marido, partner, sócio, mulher, amante, enfim, o outro (cuja nomenclatura é dificílima), como beneficiário do plano de saúde? Exigir direitos é fácil. Quero ver é segunda feira, dez da manhã, enfrentar a realidade e perguntar na lata, com uma fila de "normais" atrás (ui!), esperando para ser atendido e dando risinhos incrédulos. "O senhor é o primeiro funcionário assumidamente gay de toda a Universidade. Por isso eu preciso de um tempo". "Deus, como falta veado no mundo. É por isso que me sinto tão sozinho, ninguém é gay no universo, só eu!". E caí na gargalhada, por viver neste mundo de escondidos, de trapaceadores, de fazer pode, assumir não. Pois eu queria meus direitos e estava lá firme e forte. "O senhor tem que trazer uma declaração de que participa de uma relação estável". "Certo. Declaro a quem? Tem que ser reconhecido em cartório? O papel é timbrado, a folha pode ser rosa-bebê? Os dois assinam?". Dúvidas cruéis de novos tempos, quando ninguém sabe, ninguém viu. Pois voltarei lá semana que vem para ser instruído de como formalizo meu casamento aos olhos da lei. Tomara que estes olhos sejam com delineador e cílios e-nor-mes: para me olhar com bons olhos.
O que acham de Rainha de Bateria que não sabe sambar? Acham que tem situações na vida que não admitem o tradicional "nem fede nem cheira"? Quando a bateria adentra a Sapucaí, quem for podre que se quebre, e o público quer ver samba? Ou as lindas que "arranham" o samba também são filhas de Deus e podem saracutear sem dizer no pé? Tudo isto me perguntei, porque fui assistir ao musical "A Noviça Rebelde" e constatei que Herson Capri é um bom galã. Mas fica no meio do caminho ao estrelar um musical, pois não sabe cantar. Vai bem nas cenas de fala, é carismático, mas quando nos preparamos para ouvi-lo cantar, vem a decepção. Seria condição mínima exigida para esta função em musicais, cantar com potência? Ainda mais no Edelweiss tão emotivo e lembrado por todos que amam o cinema. Quando a gente pensa que vai cantar junto, o fiapo de voz do ator joga a pá de cal no que já vinha titubeante. E a comparação é inglória, porque o restante do elenco arrasa, não deixa pedra sobre pedra, liderados pela estonteante Chiara Sasso no papel emblemático de Maria. Sou do tempo em que Teatro era uma construção com quatro paredes, boas poltronas, bom palco e etc. Mas o novo e belíssimo Teatro Casagrande é uma nave espacial, cujas paredes acendem com numerosos leds e fazem-nos sentir dentro do "Perdidos no Espaço". Esperei que a qualquer momento, a pintosa cientista Dr. Smith, saísse com seu robô deslizando sobre o chiquérrimo tapete de listras coloridas, ambos tão satisfeitos quanto eu do Rio ter ganho teatro tão bem equipado quando este. No telão à frente do palco, surgem todos os patrocinadores (lembram do tempo em que eles só eram lidos no microfone da cabine de som? Lembram quando eles nem eram citados, pois a bilheteria dava conta das contas?). Mas quando vão falar das saídas de segurança e das orientações em caso de emergência, a mesma tecnologia bacana não é utilizada, e as importantes indicações quase não são ouvidas, num som pra lá de chinfrim. Perigo, perigo, não tem registro. Uma pena, e isto deve ser corrigido. A inteira custa 150 reais, o que convenhamos, inviabiliza o programa para a maioria da população. Grandes empresas poderiam comprar a lotação e proporcionar este prazer tão especial para jovens de primeiro grau que nunca foram ao teatro. Todos sairiam ganhando.
Pretendo me fantasiar no próximo carnaval de Lagosta de Bangu, pois acho que o chiquérrimo crustáceo servido na penitenciária vai muito bem com lista pretas e brancas que estão no imaginário como sinônimo do xilindró. Mas tenho matutado sobre a receita, a forma como ela foi degustada. Será que entrou pela porta da frente inteira, alaranjada, com patas e tudo? Ou já foi descascada, tipo fricassé? Paece frescura, mas isto é que vai determinar minha apresentação no quesito originalidade, na festa dos destaques da cidade do samba. Alta cozinha, mafiosos e penitenciárias, bom tema para o skindolelê que nossa realidade se transformou.
Não paro de me perguntar, sobre este transtorno da compulsão sexual, que está nas manchetes fazendo sofrer o bonitão que estrela o Arquivo X; se ele é um transtorno para quem o possui ou para o parceiro (a) de quem o possui. Uma mulher que é diariamente procurada pelo marido, passa a sofrer com tanto assédio? Ou é uma felizarda? Se ela gostar e incentivar, isto não causará nenhum transtorno ao desejante demasiado, então não é transtorno, pois todos estão satisfeitíssimos, não é? Mas e se ela, mesmo dando no coro, não aplacar o tesão do marido (ou vice-versa) e ele tiver que ir procurar na rua, durante o dia, e depois, de noite, mandar bem com a Dona Maria? Se a compulsão for só por sexo fora do casamento, aí é melhor separar, né não? Antigamente o nome disto era só sem-vergonhice, mas atualmente tudo tem nome científico e ninguém pode falar abertamente sobre mais nada. Se o tratamento for por saciação, quando você oferece muito mais do que o paciente possa agüentar, enjoando-o, o que vai ter de maluco se candidatando para se tratar não vai estar no gibi.
Eu acredito que viver é criar repertório, sempre. Experimente, prova, ouça, sinta. Não se negue a conhecer novos lugares, novos sabores, novas experiências. Inclusive para poder dizer "fui e não gostei., não é minha praia". Sou do tipo que entra em chocolateria só para procurar novos sabores, inusitados. Não gosto de chocolate, mas quem sabe o com pimenta da Prússia é bom? Paro no balcão e exijo de mim mesmo o teste. O mesmo que me obrigo diante de sardinhas e ovos coloridos nos pés-sujos da vida. Não temo o novo, o desconhecido me fascina, e sempre tenho calma para dizer "nunca ouvi falar". Não tenho medo da ignorância, tenho medo da imobilidade.
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