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| Milton Cunha |
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Ele- oi, e vc mesmo milton cunha .... Eu - sou eu mesmo.... eu acho.... Ele- tem, certeza ou não? ou vc esta com algum problema de cabeça....??????? rs,rs.rs Eu- É que eu não sei se este eu que eu sou, é o mesmo eu do Milton que você supõe.... Ele-vc e carnavalhesco? da são clemente ainda ? Isso é o que dá, eu querer ter profundidade filosófica no site de pegação, onde você publica suas pretensões e fotos, e salve-se quem puder. Mercado da carne, fratura exposta no comércio ilegal dos sentimentos e desejos, persona pública e homem querendo pegada se confundem no turbilhão dos questionamentos: quem sou eu? Eu sou quem você pensa que eu sou? Você é real? Um dia poderei te tocar o âmago? Se não puder tocar o âmago, posso só tocar uma punheta? Triste destino de pensar e tentar ter prazer. Mais fácil responder, sim, sou Eu, sabendo que isto é uma mentira pois "sou eu", oceânica expressão da subjetividade e da construção de uma identidade, esbarra em várias camadas de significação: a internet e a mentira dos personagens, eu personagem de mi mesmo, com poucos a conhecer o homem atrás da máscara, e o desejo sexual, que nos cega, nos dilacera e nos faz ver merda como goiabada. Vocês já se cadastraram nos sites de pegação (que se intutulam relacionamento, kkkkkkkkkkkkkkk)? É ótimo. Ótimo porque as insanidades humanas não têm limites. Quero isto, sou aquilo, detesto alcatra, quero maminha, possuo pênis de 30 cm, e não é de borracha, digno tudo isto das mais profundas reflexões existencialistas que botariam Sartre e Beauvoir no chinelo. Mas aí gozo, teclo delete, e um pedaço de meu cérebro volta a funcionar diante do paraíso das delícias e do pecado, que os bites e megabites conseguem me fornecer. Inclusive vocês, deste blog, minha dor e delícia. O que procuram? Gostam do quê? Querem o quê? Vivem além desta tela? São felizes? São personagens? Deus os ajude, porque só muda de URL, digo, endereço. Login!
O governador se encastelou e não quer ver a horda protestando, passar diante de seu palácio de governo! Não aprendemos nada com Masria Antonieta, vagando linda pelos jardins de seu paraíso, o palácio de Versailles, e lá, bem longe dos muros a população gritava, protestava, esperneava. Tão mergulhada em seu maravilhoso mundo de perucas, laçarotes e champagne, talvez a rainha não soubesse, realmente, que seu mundo não era o mundo de todos, talvez ela acreditasse que tudo ia bem, lá na cidade. Eis a moral da estória: quem vive às custas do trabalho da população, quem recebe salário público, deve agüentar a encheção de saco que é a lamúria destes pagantes de impostos. É o único caminho, é o real indicador de como estamos. Fazer cordão que os mantenham distantes, é ver as quadras de escola de samba, ficando o tempo todo no camarote: a negrada lá em baixo suando e dançando maravilhosamente, e a criatura bebericando uísque sentado achando que está vivendo o mágico torpor popular. Samba de camarote é coisa de branco que não entendeu nada. Vai sentir o quadril da mulata, vai ver o sorriso, alguns desprovidos de dentes, da contagiante face gloriosa do verdadeiro sambista. Não acho um bom caminho para o governante afastar-se da multidão, que tem direito de chegar perto do poder (só não pode violência e quebra-quebra). O protesto pacífico e ordeiro deve sim chegar à porta da Casa Branca e do Palácio Rosado. Nem que seja para Evita vir à sacada e cantar "não chores por mim Argentina". Taí. Boa opção pro governador: deixa o protesto chegar na porta, surja magnânimo na sacada do Laranjeiras, sobe a Orquestra Tabajaras e o senhor, silenciando a multidão, emite os primeiros acordes vocais. A seleção do seu repertório é que sempre será um problema, porque se cantar a canção errada, pode ter vaias. Mas confiemos que o senhor saberá cantar com graça e desenvoltura alguma coisa que apazigúe os corações aflitos destes que protestam. Não vai ser proibindo-os de chegar próximo do senhor, que eles se calarão. Não se calaram lá atrás, quando derrubaram a Bastilha francesa, prisão que os cerceava, e pularam os muros e ficaram frente a frente com a rainha iludida. Todos perderam a cabeça, ainda que alguns as mantivessem pregadas no pescoço. O povo é soberano, precisamos escutá-lo para que eles nos esclareçam quer, em vez de brioche, só está lhes sobrando angu.
 Houve um tempo em que os meninos mediam os penis no quintal, e faziam concurso de quem mijava o jato mais distante. Depois cresceram e começaram a comparar seus automóveis. Não era potente sexualmente ou de imaginação? Comprava uma ferrari e tudo estava resolvido. Depois vieram os celulares e adolescentes se perguntavam: quantos megabites tem seu telefone? Sempre o poder comparativo, sempre o maior pênis, sempre a crucial questão de que tamanho é documento. Coloca-se qualquer coisa no lugar da deficiência, que vira escudo, inclusive com intelectuais bradando "eu tenho doutorado e você só mestrado". Sempre me espanto da necessidade das Escolas de Samba declararem o tamanho de seu abre-alas. Os jornalistas adoram perguntar e sambistas enchem a boca: o abre alas de tal escola terá duzentos metros. E lá vai o grande pênis da agremiação para a avenida, abrir alas e impor a potência da escola. Desprovidas de pênis, as carnavalescas apresentam preciosas caixinha de jóias na abertura de seus trabalhos (sim, estou falando da deslumbrante autoridade Rosa Magalhães), e vão tecendo em pequenas delicadezas seus grandes desfiles. Não teriam as mulheres necessidade do botar o peru na mesa, e comparar seus tamanhos, como os masculinos? Seriam elas mais conscientes de que tamanho não define qualidade? (mas um peruzinho muito pequeno também é de chorar, na hora h, ou cair na gargalhada, da própria desgraça, né não?). Se bem que já tem garota comparando os mililitros de suas próteses de silicone. Seria o reino do air-bag. Quantos quilômetros tem o abre-alas de tal escola? Chegará o dia desta pergunta, pois o canal que a Sapucaí é, precisa ser penetrado com altivez e imponência. E, como algumas vezes acontece no sexo, o enorme penetrador vai murchando, murchando, e sai meia-bomba apoteose afora. Não é que broche, é que talvez falte bombeamento no corpo cavernoso para entumecimento e pegada (ui!). Sensato é o porte médio, bacana, todo acabadinho, arrematado e com disposição de leão. Aí é correr pro abraço porque só chassi não ganha a parada, no sentido estrito e figurado. Aposto no remelexo, fico com o chica-chica-boom, porque mais importante que o tamanho da onda, é o balanço do mar.
Por que a adoção de crianças por casais homossexuais mexe tanto com os conservadores? Minha hipótese é de que os tradicionalistas não sobreviveriam ao sucesso desta empreitada, de gays educarem um pimpolho direitinho. Eles querem ser os únicos donos do afeto, do amor, da educação. Se os gays, ou os ets, ou as baleias, provarem que podem, sim, educar uma criança, então o gueto de promiscuidade e desamor que eles criaram para os homossexuais corre o risco de desaparecer. Como assim, duas bichas, ou dois sapatões, podem levar uma criança ao colégio, ou à festinha no play? Para eles, é questão crucial não deixar vir à tona o bom andamento do processo educacional de pais gays em relação à suas crianças, porque isso demonstraria que, heteros ou homo, somos todos iguaisinhos nas deficiências e grandezas. Também não acho que duplas gays seriam melhores educadores que casais hetero. Viver é perigoso, todos estamos passíveis de erros e acertos. O que não pode, é fazer deste medo que aprisiona os tradicionalistas, o motivo imobilizador. Daqui a algumas décadas, quando estes filhos de duplas gays crescerem e alguns, mais bem sucedidos emocionalmente que alguns dos filhos de heterossexuais, declararem que foram amados e respeitados, entenderemos que qualidade afetiva de proporcionar o desenvolvimento de um ser humano, não está relacionada ao sexo, e sim ao coração.
Opinião do querido Blogueiro Daniel, daqui do jornal O Dia On Line, no Blog Roda de Samba, aquele mesmo que achou que só pode mulher gostosa como Rainha da Bateria, decretando o desaparecimento de rainhas deslumbrantérrimas e inesquecíveis como a inenarrável Dodô da Portela:
(analisando o samba 2009 de minha amada Viradouro) Os autores são Heraldo Faria, Flavinho Machado, Edu, Rafael e Floriano. Não estive na disputa na Viradouro e, por isso, não sei como estava o nível das outras composições. Mas a escolhida não é boa, não. A melodia não está bem definida. A música é difícil de cantar, não tem pegada. Sobre a letra, deve ter uma grana forte da Petrobras nisso aí. Vejamos, os autores afirmam que "olurum mandou buscar no biocombustível a nossa proteção". Jura? Ele mandou isso mesmo? O samba entra numa questão política delicada na parte "o acordo do bem se faz oração. O mar não pode invadir o meu sertão". Pergunta-se: que acordo é esse? No refrão que puxa a cabeça poderiam usar logo a frase da Petrobras (O DESAFIO É A NOSSA ENERGIA), porque está claro que a intenção era falar mais da empresa petrolífera do que do povo baiano. Enfim, é um samba cheio de problemas. Resposta ao gato Daniel, sambista desprovido da fantasia carnavalesca e com excessivas limitações de imaginação, características de uma cobrança eterna, de que a lógica sapucaiana deva seguir o cartesiano raciocínio acadêmico-científico (já que meu Divo, Joãozinho Trinta, foi quem me ensinou a colocar Adão e Eva na Lapa cuja serpente era Madame Satã, interpretado pelo deslumbrante hermafrodita Lafond, o que não é, certamente, a verdade das escrituras sagradas; com ele também aprendi que a viola do cocho pantaneira, de Tereza de Benguela, enredo também patrocinado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, nasceu há oito mil anos atrás na região entre Suméria e Babilônia, ui! Graaande João). Sim, nós da poderosa Viradouro afirmamos, juramos até, que Olorum mandou buscar na mata, no biocombustível, a nossa proteção. Olorum é Deus, senhor do Infinito. Portanto senhor de Orum, paraíso dos Deuses, e de Ayê, terra dos homens. É na esfera de Ayê que Olorum, operando sobre o poder de Ossanha, seu Orixá protetor das matas e guardador dos segredos das ervas, revela aos mortais que os grãos salvam. Neste caso, os grãos, sementes, salvarão a humanidade e o futuro do planeta. Atualmente, a ciência branca, a pesquisa da química moderna, paga enorme tributo a Ewe, o sistema filosófico yorubano das receitas, (Dani, super gato, te sugiro a Leitura de toda a obra, fundamental do mago Ney Lopes, epígafe desta afirmativa através do enredo), pois os africanos através de sua oralidade milenar, têm tentando fazer a humanidade entender que a Ecologia deve ser respeitada, que o trovão, o fogo, a cachoeira, o vento, a lama, a cana de açúcar, a mamona, o dendê, o girassol, a canola, o pinhão manso, a castanha do pará, tudo isto têm um poder enorme, daí pode, e deve, vir a nossa salvação, a nossa proteção. Bio é vida, organismo da natureza, e combustível é força motora, propulsora de energia que pode mover máquina, mas também, para nós da Viradouro, combustível pode ser motivador de nossa energia alegre e felicidade de celebrar nossa escola em desfile. Posso afirmar que Olorum sussura em cada ouvido vermelho e branco de Niterói: "cuidem de meu jardim, de minha criação, e digo mais, vão buscar na mata, no biocombustível, a vossa proteção". Se, além de todo este raciocínio que me move, me comove, e acende em mim a chama do carnaval, tem proteção econômica, se eles estão dando milhão, caguei para tanto dinheiro e bonança. Dani, dane-se o mecenas, eu quero é liberdade criativa, para soltar a minha franga. Quero através deste dinheiro elogiar o panteão negro, cantar a negritude e os Orixás e Inquices. Dane-se o dinheiro, que vai permitir ao presidente Marco Lira doar três mil roupas para o povo pobre de minha escola. O que importa é que acreditamos que a dinheirama atual de biocombustível é conhecimento embutido na lógica africana de saber que terra, plantação, depuração química de elementos é o que o homem tem de mais salvador. Não me basta só ganhar tanto dinheiro, quero usa-lo para aplaudir a negritude do samba. Que sorte tenho em poder fazer o que quero artisticamente, em escola tão divina e com patrocinador injetando dinheiro. Farei surgir da lama do bagaço de Nana Buruquê, a reciclagem que utiliza esta massa para esquentar as caldeiras. Desde que nasci, sempre ouvi vovó Nanã me confidendiar tudo isto. No mais, belo Daniel, niteroiense da melhor cepa, o "acordo do Bem", mais que um acordo político, como você cita, é um acordo humanitário, cujos signatário, cento e setenta e cinco países, se comprometem a reduzir as emissões de gases que aumentam a temperatura do planeta e faz o sertão virar mar, caso as energias alternativas tratadas no nosso enredo não se firmem como forma capaz de conter a desgraça do planeta. Este acordo, no delírio da escrita carnavalesca, é o Protocolo de Kioto, que virará na quinta alegoria o deslumbrante tema Deuses em Kioto, quando Rajiku-Ji, deus japonês de vários braços e várias cabeças, cujo templo em Kioto é uma belezura, receberá a bela Yemanjá, deusa afro-baiana da água salgada, portanto dos oceanos, aqueles que estão subindo. Deuses do Oriente recebem deuses terceiro mundistas. O que acha do encontro entre pretos e amarelos, todos sambando juntos? Uma Lou-cu-ra. Tudo piração de bicha-carnavalesca maluca, que pira na maionese? Bingo. Acertou. Este é o carnaval, isto é o que temos de melhor. Fernando Pinto sempre me diz: "agüenta firme, maricona, que comigo foi igualzinho. Depois que eu morri, eu virei santo, mas não morre não, em vez disso, emagrece que você tá gorda". Relaxa, Daniel, senão você não vai conseguir acompanhar, na folia, a mulata bossa-nosa que cai no halli-galli. Mire-se no velho, na porta da colombo, ele sim é um assombro, sassaricando. Quem descobriu o Brasil, o fez três meses após o carnaval. Não é que o carnaval não trate da verdade. É que pra ele, a verdade pode ser fantasiada. Senão vira aula de ciência, missa ou parada militar. E aí, neste dia, a folia vai acabar, porque esta lógica real, raquítica, já tem no resto do ano. O desfile serve para soltar os bichos, ou no meu caso, a bicha, ainda que cheia de problemas. Beijos, Daniel. Fui claro?.
Se os heróis do Cazuza morriam de over-dose, os meus estão morrendo de campanha eleitoral. Meus libertários estão derrapando na prepotência tola, que defende que um grupo já nasceu superior ao outro, quer por diferença de localidade de residência, quer por opção sexual. Semana passada foi o ataque aos suburbanos, agora, a sexóloga quer fazer crer que vida íntima determina caráter de prefeito. Tiro pela culatra, e já que faço parte do grupo dos não casados e sem filho, também me acho no direito de perguntar: a senhora usa vibrador rosa ou cor da pele? A senhora prefere papai-e-mamãe ou frango assado? E é imperioso eu ter acesso à tais respostas, porque acho que mulher que gosta de brinquedinhos sexuais de cor extravagante ou que só fica por baixo na relação, não tem competência para administrar São Paulo. Quanta besteira, pagar na mesma moeda, neste caso, é ser muito, muito burro. Será que a moral da estória é "ganha quem errar menos?". Então é igualzinho desfile de escola de samba. Todas entram com a nota dez na avenida, e durante o percurso, quem errar menos (voar sapato do mestre sala, quebrar uma alegoria, genitália desnuda, etc) perde menos ponto e ganha a mais certinha. Mas no caso de política, errar menos pode significar esconder mais o jogo, não ter opinião firme sobre nada (ou ter mas achar mais sensato escamotear), portanto não se mostrar humano, verdadeiro e contraditório como todos nós eleitores. Será que devemos votar nos mais dissimulados, nos que se controlam, nos que não fedem nem cheiram? Ou devemos dar voto de confiança a quem sangra em praça pública, tendo que conviver com suas facetas e rompantes de opinião. Que candidato preferimos? O que posa de bom pai e bom marido, e que tá pegando a estagiária no banheiro, com charutos e tudo, ou o que dá a cara à tapa e acha coisas sobre a vida pública (sem entrar na questão do certo ou errado)? Declaro de antemão que não acredito no marasmo da vida dos que não se colocam, tenho medo do controle destes senhores. Acho que só muda de endereço e de perto ninguém é normal. Mas sou um eleitor atípico e fico me perguntando se conservador (que sabe que dentro de si existem demoninhos) vota em candidato conservador que se policia bem, e que esta seria uma qualidade admirável e imprescindível num político: fingir, e fingir bem como estes pudicos votantes fingem. Não tenho opinião formada e definitiva sobre nada neste mundo, a não ser a necessidade da fraternidade e bondade. Fora isto, admiro a coragem dos que erram, dos que se expõe, dos que pedem desculpas. Sem dúvida a Beija Flor é linda, rica e poderosa, e merece ganhar sempre. Mas faz falta o deboche, o escracho e o bom humor do Fernando Pinto na Sapucaí. A vida não é tão certinha.
Gilberto Gil tá gato, né não? Como está bem o negão. Não consigo deixar de admirar a invejável forma e a placidez das novas fotos de divulgação do cantor, que estréia novo show, no Rio. Tá com tudo e não está prosa. A foto com o torso nu, os muitos colares e os drads-locks voando com o balançar da cabeça está simplesmente maravilhosa. Um menino moderno, surpreendente, classudo, étnico, polissêmico. Como os negros envelhecem melhor que os outros, ou não envelhecem nunca. Se já tínhamos uma Elza Soares, Deusa da beleza, agora o ébano tá fazendo de GG um ícone do tesão após os 60. Será que é a Flora? Atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher? Ao lado? Em cima (ui!)? Acho que sim. Bem casado com uma descolada divina, dá nisso: pele boa, cara de safado come-quieto, enfim, "se você soubesse o valor que o preto tem, tu tomava um banho de piche". Afe!
Sessenta tiros é um pouco demais, né não? Que chances tem um pobre senhor, cumpridor de seus deveres, humanitário na preocupação com os direitos dos detentos, firme na condução moral do cárcere, diante que tantos inimigos, que não param de atirar? Chance nenhuma. Virou peneira, crivado de buracos, que são as lacunas de nossa realidade, que expõe sem blindagem e segurança nossos insanos cidadãos do bem que aceitam ser diretor de presídio. Vão caindo um atrás do outro, tipo pedras de dominó em jogo sujo. Alguém do bem, em são consciência, ainda quer ser diretor de presídio? O que leva um homem bom a aceitar nadar de frente em rio de piranhas, se jacaré nada de costas? Eita, função inglória. É só listá-los que estão todos no corredor da morte. Será porque o salário vale a pena? Será que é idealismo? Seria o destino que os fazem ficar no lugar que suas trajetórias indicaram, mesmo sabendo que estão no olho do furacão? Como balas, sobram indagações neste tiro ao alvo carioca. Meus pêsames à família, e a todos nós, que assistimos o desenrolar de tão macabro questionamento.
 Santo Antônio de Jacutinga está em polvorosa com o colorido de sua Igreja. Parece carro-alegórico, todo nos tons fechativos de laranja escândalo e amarelo-ouro cheguei! Fiéis desmaiando, beatas gritando indignadas, e a pergunta que não quer calar: o que a prefeitura da Nova Iguaçu tem a ver com o singelo fato de que tais nuances são as mesmas, por coincidência, da palheta cromática do logo da Prefeitura? E se resolverem pintar todos os monumentos urbanos da mesma cor, teríamos a cidade sukita, a fanta laranja da Baixada Fluminense? Seria este o plano secreto? Será que serei convidado para desenhar a coleção primavera-verão dos freqüentadores? Sugiro pantalonas transparentes no degradê do por do sol, echarpes em avermelhados, para acender a audiência, e salpicados de strass nas sancas e volutas. Valei-me, Jacutinga, que o alocaide pirou!
Lobão é coisa do passado. Perdeu toda a graça ser ou ter sido maconheiro. Todo mundo é ou foi, certinhos inclusive. Será que a próxima indagação será: "você já roçou com pessoa do mesmo sexo, inclusive no tempo da escola primária?".
Querido, Lembra que a frase que mais repeti foi: "cada dia um pouquinho" ? Pois é! Esta é a vida, cujo maior segredo é a criação de repertório. Acordar a cada manhã e saber que ontem não foi em vão, que você não foi em vão na minha vida, e que sempre, mesmo no término, terminamos mais ricos de vivências e sensações, belas porque humanas. O que inclui raiva, dor, decepção, mas que certamente não serão estas as eternizadas pela lembrança, e sim a felicidade de pedalar contigo na claridade da lagoa. Fui feliz, fomos felizes, seremos felizes. Amigos, companheiros, cúmplices do que vivemos e orgulhosos de saber que somos os dois únicos habitantes do planeta que sabemos como foi bom viver estes últimos sete meses. Não desista de, a cada dia, se tornar um homem melhor. Leia um pouquinho, aprenda pequenas sabedorias, observe simples coisas. Desta somatória, daqui há alguns anos, se revelará a bonança. Não é rápido, não é simples, não é indolor; mas que outra bonança existirá nesta vida senão esta de, recapitulando, saber que valeu a pena? Nesta manhã de segunda-feira, o futuro desponta, majestoso, para nós dois, em separado. Seja feliz, seja forte, seja homem, sempre! Do seu,
 -Alô... É seu Milton Cunha quem está falando... -É sim... -Bom dia Seu Milton Reis Cunha Junior. Aqui é da Caixa Econômica Federal, quem nos deu seu telefone foi o Gerente da sua Agencia... -Sei. E aí? -O senhor está se aposentando por invalidez, não é mesmo? Então eu gostaria de oferecer... -Vai tomar no cú. Quem tem que se aposentar por invalidez são vocês, instituição que além de não saber o que faz, ainda seca a pimenteira de quem está ótimo. Vai se foder, meu prazo de validade ainda tem muito tempo.....
A chiquérrima suburbana Lucinha, exige do precário Gabeira singelas desculpas. Muito fina. Se todo suburbano fosse barraqueiro, ela tinha todo o direito de chamá-lo de veado e maconheiro, mesmo qualificativo que os não suburbanos e não precários pares do congresso costumam usar. Qual é o contrário de ter "visão suburbana e precária" ? É ter visão suburbana e gloriosa, com certeza. A arte popular pode ser boa, ou indigente, dependendo da proposta artística. O mesmo se aplica à arte erudita, chatérrima quando erra a mão. Portanto suburbano e precário não são sinônimos, e daí a necessidade da partícula _e, que os unirá em tempo e espaço específico. O que não pode é achar que um sempre levará ao outro e vive-versa. Podemos considerar que existem "visões zona-sul e precárias" (como a naturalidade com que os pit-boys acham que podem espancar os gays e as pessoas nas boates), e podemos ter certeza de que existem "visões suburbanas definitivas em sua clarividência sobre o mundo" (cumprimentar os semelhantes, por exemplo). Lutemos por um mundo em que não precisemos mais recorrer a palavras como suburbano e madame para qualificar ou exemplificar posturas que são humanas, e ponto. O mundo não nasceu bipolarizado. Ou nasceu? Mas confesso que certas vezes me pego pensando "gente, este cara tem visão de mundo de bichinha quá-quá-quá", o que é puro preconceito contra as pobrezinhas gazelas. Reunir no mesmo balaio de gatos, todos os que moram em subúrbio, como se todos pensassem em uníssono, ou todas as pintosas, como se todo gay assumido partilhasse a mesma crença, é terrível. Deve ser coisa de ex-guerrilheiro, que sentiu na pele os qualificativos de "maconheiro" e "veado da tanga de crochê". Nada mais humano e verdadeiro, e menos programado, que a contradição, o paradoxo de lutar pela liberdade e apresentar no âmago desta luta, o preconceito. Ainda bem que não somos máquinas, somos confusos, e vivemos num mundo de "coisa de favelado", "típico de playboy", "cara de funkeiro". Deus salve os suburbanos, alguns u-ó, mas a maioria do bem, competentes e inteligentérrimos.
Chove nos campos do senhor. A senhora Arlete surge, tal qual aparição, cabeça baixa e circunspectra, dentro do avião, que voltava de Florianópolis para o Rio. Não é Fernanda Montenegro, a Diva, que todos queremos aplaudir a pagar para ver. É Arlete, perdeu o marido recentemente e não nos deve nada. Nenhuma cara, nenhuma boca, está viva, sofrendo, cabisbaixa, provavelmente pela perda irreparável de seu homem de trocentos anos. Vontade de aplaudir, todos temos, mas não é hora. Como está sentada na fila 1 da aeronave, e rapidamente senta-se em seu lugar (profundo silêncio de tristeza e dor), todas as fileiras a admiram, gostariam de dizer que amam a outra, a Fernanda, mas todos se calam porque respeitam esta que defronte deles está. Ela não dá um olhar, e mesmo assim desejamos este, que nos petrificaria. Impressionante a diferença da mulher real e da estrela. Quando ela quer, as mesmas. Quando sofre, deixa claríssimo o que quer e sente. Ela quer silêncio, abandono ensimesmado, ruminando o buraco. E respeitamos, porque ali não está a tola garota-celebridade que posa nua sobre o túmulo do marido, a que usa a viuvez para tentar ser. Arlete é, senhora absoluta de seu destino e seus meandros. Como se ela dissesse: "sempre combinei com vocês que sou ótima na ficção, mas não me confundam, tenho vida, sou real, e quero sempre este pequeno direito de ser eu". O combinado é cumprido e lá está a atriz que tanto queremos bem e que de longe, acompanhamos no que acontece a todos nós, mas que insistimos em espetacularizar quando se trata das famosas: o velório é duradouro, público, e espetacular. Véus negros são sensação popular, e poderíamos até descrever a dor. Não é o caso. Nenhum pio. Deixemos esta senhora para lá, pois é a única forma de, esperançosos, aguardarmos o emergir, mais rico, se isto é possível, da maravilhosa dama do teatro. Por se dar um tempo para viver o que todos sentimos (e que só muda de endereço), talvez este seja o segredo de Arlete e Fernanda. Nossos pêsames, divina. Que isto te seja leve, e nossos eternos aplausos, ainda que silenciosos, sejam pesados e imorredouros.
 No meu tempo, área de risco era território perfeito para a polícia freqüentar e acabar com o risco que os simples mortais corriam, porque o risco era até a página oito. Foi-se o tempo. Agora é área de risco até para a polícia, pois o tenente Sá não teve coragem de virar para a página nove e buscar o carro roubado logo ali, na rua do Borel. Esperar amanhecer e orientar o próprio cidadão roubado a ir até o local onde a polícia não quer ir, é o que de melhor os nossos oficiais podem fazer. De cortar o pulso, de desmaiar de tanto rir da própria desgraça. Neste ínterim, os meliantes levaram o veículo estacionado morro acima, na poética localidade de Verão Vermelho, que trata-se da página 200, portanto nem mais lugar de risco é, transformando-se simplesmente na certeza de tiroteio. De cabelo em pé, penso que a cinco minutos da área segura que é o asfalto movimentadíssimo, existe um território terra-de-ninguém, onde o bang-bang corre solto. Quem diria que o realismo fantástico latino americano iria corporificar-se na cidade Maravilhosa. É hora de Garcia Marquez escrever Verão Vermelho.
Caveirinha, caveirão, tudo caveira. A cidade pirata. Em pé de guerra. Corsários e mocinhos juntos e misturados, com pouquíssimas diferenças, buscando a ilha do tesouro, e a população em pânico, tonta de aflição. Canhões apontados uns para os outros, saques, abordagens clandestinas. Sobra violência, falta o charme dos que, pendurados em cordas, com olho de vidro e cara de mau, eram Piratas com P maiúsculo. Tabernas e rum para afogar as mágoas e esquecer. Mas sempre, no horizonte, as naus fantasmas vigiam sorrateiramente os insulanos outrora feliz. Quem será o capitão Gancho desta estória?
Uma velha senhora passa, de guarda chuva aberto, pela Santa Clara. Vento e pingos a tumultuar tudo, menos o penteado da cabeça branca. Pois ela pegou um saco plástico infame de carregar as compras da sendas, enfiou no cocoruto, rasgou a frente para ab rir o buraco do rosto e saiu, impávida para enfrentar a batalha. O cabelo armado, talvez pronto para festa, pois está bem vestida a danadinha, faça o quadrado perfeito que o saco toma forma. O máximo.
Não reclamei do abandono de Salvador? Pois estou passado com a civilidade de Santa Catarina. Nenhum lixo nas ruas e estradas, e fico me perguntando: culpa do povo ou dos governantes? Será que os catarinas jogam coisas e o gari recolhe rapidamente? Me dizem que não, que há dez anos as campanhas para manter as cidades impecáveis começaram e o conceito pegou com rapidez. E hoje os próprios cidadão fiscalizam e detonam quem é sujismundo. Onde estão os pedintes, a população de rua, os miseráveis? Será que esconderam para eu não ver? Não os encontro. A população local vai bem, obrigado. Quem vem de fora passa perrengue, mas a terra não é deles, vão ter que lutar. Aqui em Itajaí os locais não pegam trabalho com salário menor que 500 reais e ponto final. Quem vem de fora fará tal trabalho. E as estradas e ruas, onde estão os buracos, que para quem vive no Rio de Janeiro são peças imprescindíveis para o cotidiano, e que de tão presentes na desgraça dos motoristas parecem normais? O asfalto é um brinco, fui de Florianópolis para Balneário Camboriú, depois Itajaí, Navegantes, Blumenau, Penha, afe, como rodei sobre o tapete negro. Um luxo, uma delícia, uma segurança tranqüilizadora. Redescobri um mundo sem solavancos. Estou aqui para palestrar na grande Univali, maravilhosa universidade no Vale do Itajaí, morada da branca de neve. Lembram da pele da branca de neve? Pois a pele das adolescents locais é igualzinha. Parecem feitas de leite. Vim do café da deslumbrante negritude baiana, e caí no colo da lactose. Penso nos meus antepassados índios amazônicos, vou até o nordeste, lembro dos bugres do pantanal e concluo que meu país é lindo pela diversidade, pelas diferenças que nos igualam, pelas muitas caras que os muitos brasis têm. Por aqui eles estão bem, bem alimentados, saudáveis e parecem felizes. Momento culinário: os nomes de comidas alemãs são testes para sua capacidade de pronunciar palavras nunca dantes imaginadas. O singelo joelho de porco (argh, a grossa cobertura vem com pelos e pelinhos, que parecem aqueles implantes um lá, um cá, dos carecas costurados, um horror). Se você tiver coragem de descascar isto, chegará à muitas camadas de gordura pura para degustar e pequeninos pedaços de carne. Deve ser própria para enfrentar o frio, mas como não pretendo ir morar no pólo, só dou uma provinha no que eles denominam Einsenban à pururuca. Tem o kassler defumado (lombo de porco), o chucrute e o Ernst Crevst, que mais que um nome difícil, é costelinha, chucrute e abacaxi. Portanto estou na terra do chucrute, que é a mais perfeita tradução para as bochechas rosadas destes que desde criança se vestem de Fritz e Frida, os bonecos que encarnam o arquétipo deste povo que veio de longe e agora em outubro enlouquecem com a OktoberFest. As cidadezinhas já estão engalanadas, e as tulipas vão transbordar. É a alemanha com o chicachicabum brasileiro, tipo um cruzamento do Fritz com a Carmen Miranda, produzindo uma Frida dançando na boquinha da garrafa. É ver para crer. Balneário Camboriú é cenário para os programas tipos Flash, do Amaury Junior. Lindos apartamentos à beira mar, que hospedam endinheirados turistas, muitos argentinos e uruguaios à procura do calor brasileiro. Calor? Um inferno em vida. Frio? De matar. São oito meses à meia bomba, e quatro meses de folia. Só descobri que aqui em Santa Catarina tem afro-descendentes, já que não os encontrei em lugar nenhum, pois no debate político de quinta feira, entre os cinco candidatos à prefeito de Blumenau, um da oposição acusou o da situação de só liberar verbas para a manifestação cultural dos germânicos.
O líder estudantil Aoki, que organizou a bacana Semana de Comunicação (da qual faço parte como convidado), descendente de japoneses, namora uma negra do curso de psicologia, que nasceu nos morros cariocas. Um escândalo tão grande, que faz Aoki reclamar que seus amigos não cansam de repetir que "neguinha é boa de pegar, mas pra casar só com as louras". Os amigos em questão são os universitários catarina, o que supõe que o preconceito está aí e ponto final. Acalmo o japona dizendo que eles reproduzem o que Gilberto Freire narra em Casa Grande e Senzala: "concebidos nas cozinhas da Casa Grande, paridos nos horrores das Senzalas, a nova geração de mulatos brasileiros iria circundar as duas construções, buscando encontrar sua identidade". Esta estória de casar com a branca e desejar a negra é velha, e temos que enfrentar com disposição, e detonar. Vivemos, vivemos, mas os caras ainda dividem as mulheres entre as que servem para casar, e as que servem para pegar. Objetificam a mulher, que serviriam para isto ou para aqui. Na verdade, quem não serve para as mulheres são estes manés, que acham que presenteá-las com um jogo de panelas no dia das mães, é o máximo. Vai de retro (ui!), satanás!
Dos muito pretos, aos muito brancos. Da Bahia para Santa Catarina. Floripa, Navegante, Balneário Camboriú, Blumenau se preparando para a OktuberFest, Penha, Beto Carrero World. Passear, bater pernas, dar palestra, correr, andar de teleférico, de barco, de alegria. O estado é civilizadérrimo e passei três dias ótimos. Segunda conto tudo na coluna. Bom fim de semana.....
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