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Milton Cunha

Sábado, 28 Fevereiro, 2009

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Alegoria 6 - Nanã Buruquê e os ensinamentos da reciclagem!


Nossa Diva, Samile Cunha, Raízes de Nanã!
O céu por testemunha de todo o lilás que Nanã possui!


Quinta-feira, 26 Fevereiro, 2009


Desde que nasci só tenho a liberdade de meu olhar. Não vou prendê-lo em coisas pequenas, poucas. Vejo o mundo pela retina da emoção. Qual não foi minha surpresa e decepção ao procurar alguém da produção da transmissão do maravilhoso desfile do grupo de Acesso, e descobrir onde teríamos que ficar para viver o carnaval. "O caminhão onde vocês vão comentar está estacionado na rua de trás, logo ali". Como assim? Quem combinou não ver a luz do sambódromo? E não venham me dizer que é a mesma coisa pela tela do monitor, que não é mesmo, nem aqui nem na China. Aliás, quer dizer que eu poderia estar na China e ficar só comentando pelas imagens que o diretor escolhe? Mas então não é mais comentários sobre o desfile de escola de samba, é comentário sobre imagem que vai aparecendo no vídeo. Muito ruim. Minha claustrofobia gritou e eu saí de fininho, agradecendo o convite da Lesga para participar do requintado grupo de comentaristas, encabeçado pelo grande e querido Paulo Stein, mas não é minha praia não ver o meu povo da fuzarca de rua, a minha gente do samba. "Mas o senhor não quer aparecer na televisão?", me perguntou o câmera, na pista. "Olha, até quero, desde que isso não signifique a impossibilidade de ver pulsar o evento". Desfile na Sapucaí é pulsação que te obriga a vê-lo passar com arquibancada como pano de fundo. Urge entender esta procissão festiva como elemento aglutinador de outra energia, a da platéia. Senão é só desfile de visual, e aí não precisa sentir a pulsação.
Comecei a desconfiar que algo estava errado após participar de duas reuniões onde eles falavam muito de grua, de luz, de número de câmeras, mas não tratavam de contrato, cachê, roupa que deveríamos usar (sempre quero ir de biquíni de passista, mas eles não deixam, acho que eles acham que não vou ficar bem na imagem, pois a câmera engorda cinco quilos) e, mais importante que tudo, de onde faríamos a transmissão. Primeiro era num lugar, depois em outro camarote, depois eu ligava implorando um direcionamento, telefonamos (eu e minha secretária Sandra) mil vezes para a entidade, enchemos o saco de uma moça chamada Hilma, mandei e-mail para a direção de transmissão e.... nada. Nadica de nada. Achando que era nos moldes da transmissão da BandFolia, ignorei todos os indícios de desorganização e parti rumo à luz que emana da passarela dos desfiles. É ela que me fortifica, é a ela que tanto devo, enfim, eu amo aquele ambiente, aquele friozinho na barriga que a arena me dá. Jamais aceitaria ficar numa sala, suíte ou qualquer coisa que o valha, e não ver o concreto lotado de amantes do samba, como eu. A tela da tv é fria, distante, editada numa edição que não me agrada pelo simples fato que não pegar a passista gorda, cheia de dobras na barriga, mas que tem tudo as ver com a história da escola que ela defende. Adoro ver as bichinhas que colocam dois faisões e sambam como se fosse Luma de Oliveira numa roupa milionária. Lagrimo emocionado pois me lembro de mim mesmo, bichinha, há vinte e três anos atrás, vestido de He-Man no abre-alas da Cabuçu. Um horror de tão incipiente, mas glorioso em minha certeza de que aquilo era a maior diversão e o maior espetáculo. É que não importa a roupa ou a conta bancária, o que importa é a disposição e isto, definitivamente, a câmera não mostra.
Todo o respeito do mundo ao editor que escolhe as imagens, mas para mim elas não bastam. Descobri neste sábado que não sirvo para comentarista, só sou um amante do ao vivo, que até dá uma olhadinha no monitor, mas eu sou apaixonado mesmo é pela pulsação que sempre oscila entre a glória e o trágico. Por exemplo, vi o outrora poderoso presidente de agremiação saindo da sexta fila das fristas e avançando para a grade, só para bater no peito e cumprimentar seu antigo diretor de bateria que agora brilha em outra agremiação e ele, tendo caído em desgraça, agora está relegado ao fundo da audiência. Olhando aquele homem, me lembrando da empáfia e ostentação de antigamente, entendi que o melhor de nós humanos é o olhar de lince, é recortar a realidade com nossas emoções e história, e a partir daí formar repertório. Portanto quero mesmo é editar minhas próprias imagens no olhar, quero decidir para onde olhar, quero comentar o que me emociona. Algumas vezes o diretor até me dá esta imagem, mas na maioria das vezes, os profissionais de imagem só estão interessados na Nívea Stelman, e eu, mesmo gostando dela, acho mais relevante o fundo do carro da Tuiuti, onde dois figurantes tentavam segurar um refletor fumaçando de quente, só para sua alegoria não incendiar e perder ponto. Acho que eles não acham que isso dá ibope, não.
Felicíssimo, abandonei a proposta do aquário de ferro, cercado de vida por todos os lados, e me sentei para apreciar os sambistas. Vi também muitas cachorras, nuas, passando; mas quando surgiu um cachorro que acompanhou a ala das crianças da Estácio, ele foi ovacionado e a platéia delirou. Um cachorro sambista que insistia em roubar a cena. O máximo, foi aplaudidíssimo o canino. Adorei também os garis, lindos, escolhidos a dedo (ui!) que desfilavam para cima e para baixo elegantemente uniformizados e vassouras de primeiro mundo. Ah, se na quarta feira de cinzas fosse assim.... Teve também duas quadrilhas juninas, uma na Estácio de Sá, com padre gay e outra no Mestre Vitalino da Império da Tijuca com noiva drag-queen. Donde se conclui que casamento e deboche andam lado a lado, até na folia. E se há uma coisa que me impressionou profundamente foi ver a quantidade de cartolinhas à la Nicole Kidman em Moulin Rouge que não paravam de passar em quase todas as escolas do grupo de acesso, visual este que já foi evocado anos atrás pela rainha da Santa cruz, Renata Santos. Abrindo, a São Clemente as trouxe na cabeça de mestre sala e porta bandeira. Depois Galisteu e comissão de frente da Rocinha e depois na Tuiuti. Deve ser influência do ano da França no Brasil.




Sexta-feira , 13 Fevereiro, 2009


Pode haver felicidade maior que um telefonema, do nada, anos depois, agradecendo a boa influência que você causou na vida de um semelhante? Pois é. Jamais supus que três anos depois, aquele ring do aparelho revelasse do outro lado da linha uma entusiasmada criatura que só queria relatar e festejar ter pensado: "o que o Milton faria, agora?", "como ele apresentaria isto?". Me lembro da cara de espanto do tímido assistente, sempre impactado pela minha forma de enfrentar e resolver os problemas. Minha busca constante de um bom humor amável, que sacuda a galera, de pensar a vida como não sempre tão séria. João me olhava e me olhava, impactado, sempre pela minha loucura sã. De indescritível talento para o desenho e as cores, quando foi ouvindo minhas ordens sobre a concepção da baiana do Porto da Pedra 2007, foi arregalando os olhos sem conseguir se controlar. E foi riscando, foi executando a indumentária do que as senhoras significariam na avenida: a passagem dos anos de chumbo do appartheid para a paz, na África do Sul. Um dia, exclamou baixinho: "você é maluco. Mas funciona, mexe com a gente....". E fui vendo o introspectivo garoto, grande artista, ir desabrochando, perdendo o medo do mundo, enfrentando a vida e.... um dia ele me disse: "não vou mais continuar com você.... preciso me dedicar aos estudos, quero outras coisas....". E eu, para ele: "bem vindo ao clube.... Vá, Deus lhe ajude a ser o que você quiser ser....". Será esta a sensação dos pais, ao ouvirem o "quero ir morar sozinho" dos filhos? Para mim serviu como reconfortante sentimento que dói, pela perda e separação, mas é grandioso pelo continuar da vida, que eu sempre achei que eu não conseguiria parar, segurar o fluxo da existência. Que bom que sempre tive consciência de que o tempo não pára. Pois estava diante dele, do momento que não se pode parar, prender, estancar. Tem que seguir, tem que libertar. Tem que soltar da gaiola o pássaro lindo, que abrirá suas majestosas asas feita de penas de certezas, e partirá para quebrar a cara logo adiante e pensar defronte da adversidade: "o que faço agora?", "como saio desta enrascada?". Portanto que bom te saber guardador das lembranças de nós dois, que bom saber que a ponte sobre o tolo abismo que o medo e a insegurança são, foi e está sendo transposta com maestria e disposição. Que você seja inspiração para outros, que acreditem que dentro de nós mora a luz implacável, da verdade, da decência de caráter, do respeito e da celebração da alegria, porque ninguém é de ferro, a vida não é chata, e uma dose de bom humor diária não faz mal a ninguém.


Terça-feira, 10 Fevereiro, 2009

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A Glória de ser João.....


Segunda-feira, 9 Fevereiro, 2009

Hoje vai ser lançado à tardinha, na Cidade do Samba, o deslumbrante livro O Brasil é um Luxo!, sobre os trinta carnavais do gênio Joãosinho Trinta. Os autores, Fábio Gomes e Stella Villares fizeram um trabalho belíssimo, que durou anos de pesquisa. Mas o produto final é importante documento sobre a visionária obra deste senhor, que pensou o Brasil do final do Século Vinte. Seus enredos atestam o labirinto finissecular, as fantasmagorias que assolavam ele e a nação nas últimas décadas do milênio. Adoro o delírio de João, não me canso de pensar em suas propostas e loucuras. Às favas com as contradições. Vida longa ao maior de todos os caranavalescos.


Acho uma cafonice essa coisa de construir castelo. Essa gente deve ter sonho de se tornar rei, de ser de família imperial, enfim, esta gente quer ser o que não é nem nunca será, aí ganham (ganham?) uns milhões e partem para a realização de seus sonhos, ou seja, viver no castelo encantado. Não é mansão, não é casarão, é castelo. Com torre e tudo. Digno da mais sonora gargalhada, porque eles deveriam contratar atrizes-fadas, com aqueles cones nas cabeças e os véus pendentes, para que a papagaiada fosse completa. E esse aí que foi descoberto agora, tem toda a razão de dizer que político não deve investigar político, porque a amizade, um vício, os faria farinha do mesmo saco. Hilário, obsceno e descarado, mas um luxo de tanta sinceridade. O mostrengo castelo vale 20 milhões. Será que os fantasmas que vagam por lá estão incluídos no preço? Que fantasmas? Gente, a corrupção é um fantasma que assola esta nação há cinco séculos. O que deve ter de alma penada por lá não está no gibi. Me lembrei agora da mansão neverland da maluca da Michael Jackson. É outra que partiu para seu castelo encantado, o que prova minha tese de que se trata de um bando de desajustados. No caso deste branco que um dia foi negro, o atenuante é que ela é infantil mesmo, adora criancinhas, deve se achar a Branca de neve e os pequenos seriam os sete anões. Alguém pode chamar a madrasta pra dar uns tapas na cara do cantor pra ver se ele acorda?


Notícias do judiciário: um juiz em Campos declarou que a televisão é bem essencial para os brasileiros, pois como poderíamos sobreviver sem observar as gostosas do Big-Brother. Peralá, Juiz, o senhor só pensa em sexo e futebol (a segunda atração citada na ravissante sentença), é isso? Pois lhe informo que alguns assistem TV pra ver homem gostoso. E ballet! Já o presidente da Tribunal de Justiça do Rio fez gol ao retirar o crucifixo católico da principal sala do Órgão. E criou um espaço ecumênico, onde todos podem celebrar a tolerância e a pacífica convivência dos Deuses, sem a supremacia de nenhum, o que estaria em desacordo com a proposta laica de nossas leis. Perfeito. Muito bacana a posição deste senhor sobre a necessidade dos juízes terem suas crenças pessoais, sem problemas, mas passar uma visão pública de congraçamento e respeito.


Notícias internacionais: o Brasil, sempre associado à permissividade sexual. Primeiro a Grife italiana que resolveu fotografar modelos sendo pegadas por policiais cariocas cheios de tesão e vontade. Imediatamente me lembrei dos barrigudos que vejo nas ruas, apertados em fardas, quase explodindo. Caí na gargalhada. Claro que tem alguns que são até melhores que os modelos gostosões. Mas ficaria mais engraçado se a griffe caísse na real. De resto, sempre a mulher como objeto da cobiça masculina. E se as modelos estivesse pegando com força sexual nos borogodós dos moços? Qual seria a leitura? E tem a dos dois velhinhos alemães, que achando que aqui as pessoas não se importam de ver as outras seminuas, na praia, também não se importaria de vê-los em pelo, e resolveram fazer strip-tease no saguão do aeroporto de Salvador, causando indignação em alguns, pois não se tratava do Tom Cruise. As perninhas fininhas dos vovôs, saindo dos cuecões, estava o máximo, e tudo acabou em pizza, ou melhor, em acarajé, mesmo.


Quarta-feira, 4 Fevereiro, 2009


O que acontece quando a Deusa da Passarela se repagina?
Ela se torna o Colosso de Rhodes.
Senhoras e Senhores, para os aplausos e o "parabéns prá você", de vocês, a minha,
a sua... a nossa Musa Lacraiuda e
Rainha do Carnaval, Embaixatriz eterna da Embaixada das Caricatas, Garota da Laje 2009 da Vila do João, Sumidade Intelectual do mundo acadêmico, ufa... enfim... com vocês,
a estrela, a absoluta, a Cleopátrica, a Mesopotâmica, a indescritível, a avassaladora, a tsunâmica, a gostosa....
SMILLE CUNHA!


Segunda-feira, 2 Fevereiro, 2009


De deficiência dos pais ela tem mestrado e doutorado, pois não deve ser mole ser filha de Papeu a Baby, cabelos coloridos incluídos. Até barrada na Disney ela foi, pois seus genitores chamavam mais atenção que Pluto e Clarabela, juntos. Sarah Sheeva, uma das trigêmeas (desconfio que são mais, sei lá....), papisa do pensamento pós-moderno nacional, vem a público através de sua obra-prima escrita, falada e televisada (Super Pop, um dia você terá um....) dizer que homossexualismo é erro dos pais. Portanto continuamos, nós gays, na esfera do erro, nunca do acerto. Quando é que esta gente vai parar de nos julgar, e supor a possibilidade de que isto não deva ser analisado por este ponto de vista de moral, pois esta é a maravilhosa diferença humana e ponto final. Parem de querer achar o certo e o errado na humanidade. Aliás, esta moça deve saber bem do que eu estou falando, pois ela é fruto de uma família considerada por muitos como absolutamente desequilibrada. Senão, vejamos: será que Zabelê, Nana Shara, Sarah Shiva, Purificação Nana, Sarah Jane e Jambalaia (sempre desconfiei que elas são mutantes, que um só ser vai se transformando e assumindo características outras) não seriam rebentos de um casal que foi roqueiro, fez suruba, e, agora evangélicos, devem ter deixado as pobrezinhas das crianças completamente sem noção de uma proposta de vida? Eu acharia ótimo ser filho de pais descolados como estes, que vão da droga á bíblia em uma existência, e tudo o que eu aprenderia disto é que ninguém pode julgar ninguém. Cada um sabe de si, e que todos sejam felizes, né não? Até a família Adams do Brasil (acho que poderiam ser os Ozzbornes também) agora quer dar uma de moralista, de cantar de galo no terreiro dos outros. Preferia o tempo do legalize, do você pode fumar baseado. Sheeva Sarah, querida, baseada em mim, você pode fazer quase tudo, mas do meu fiofó e dos meus pais, entendo eu. Saravá replicante!


Sexta para sábado, por volta de duas da manhã, fez-se o reveillon sobre a Ladeira dos Tabajaras e sobre o Bairro Peixoto. Belíssimas bombas coloridas, foguetório, espetáculo que durou 20 minutos. Um outro morro lá longe, respondia com explosões mais modestas, pois o céu sobre os barracos de Copacabana clareavam para o lado da Siqueira Campos. Lá, bem no alto do morro, longo e duradouro recado para não sei quem, nem sobre o que. Mas era tão espetacular que eles pareciam claros em sua intenção de marcar o grande acontecimento. Nunca tinha visto tão descarado e humilhante. Ninguém poderia deter a comemoração assustadora, que acordou todos os habitantes. Lá no cocoruto, onde o Estado não pode chegar e onde, terra de ninguém, faz-se a luz, seja lá o que isto for. Medo do aviso que isto pode ser, receio de que vá piorar, atônito contemplar de macabra sucessão de beleza. Traçantes luzes que às vezes se misturavam a barulhos que pareciam rajadas de tiros. Mas não sei, vivo numa cidade louca, num bairro louco, pode ser só comemoração de aniversário ou, dia do enxugador de gelo, e eu estou pensando besteira.


Notícias do carnaval: Um- O Porto da Pedra pode mudar a alegoria, mas que os papas católicos queimaram muita gente boa e inocente, ah isso queimaram. Mudem a alegoria, pois a história não conseguirão mudar. Dois- Durante o espetáculo da cidade do Samba, o cara para mim: "Milton, você está vestido de Clóvis Bornay?". Eu, ao microfone: "não, querido. Estou vestido de veado imperial". Três: Vejo problema nos novos jurados ligados a um enredo, pois acharia estranhíssimo jurados novos todos ligados ao governo da Bahia, grupo interessado no sucesso da empreitada da Viradouro. O que não significa desonestidade, não. Significa.... simpatia, mesmo.