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Milton Cunha

Sexta-feira , 31 Julho, 2009

kkkkkkkkkkkkkkk

Se a pessoa que você ama treme quando te abraça,

Se você sente os seus lábios ardentes como brasas,

Se você sente a sua respiração se agitar,

Se você vê os seus olhos ferverem com um brilho especial...
.....
.......
.....
......
......

VAZA PORQUE É GRIPE SUÍNA!!!!!!



Quinta-feira, 30 Julho, 2009

Divina Patricia....


Vem ni min que sou facinha: Patrícia Poeta é atualmente a mais bela brasileira no ar, na televisão brasileira. E como o deslumbre de morena sabe falar, é inteligente, e não perdeu nada de sex-appeal, quero dar bravos e alvíssaras para esta legítima representante da mulher brasileira. E qual seria a classificação para ela, dentro do imbecil guia de Rio para Festeiros? "Popozuda" ela é, "simpática e freqüentadora da Lapa", isso ela tem bossa e descolamento para ser, "intelectual que gosta de beijar", ela sobra neste quesito, .. Ai, meu Deus, a Poeta é inclassificável, e sugiro que o guia abra a indicação "Divinas" para fazer jus a este montão de brazucas da melhor cepa, cheias de charme e sabedoras do que querem, que inauguram o tipo PP, orgulho de nosso Brasil varonil, que devem urgente, lançar um Guia sobre os Guias mais babacas que o Brazil já produziu, direcionados para turistas mais idiotas ainda, que seguiriam dicas impressas de como se aproximar da um humano do sexo oposto. Alguém já disse prá esse povo que um sorriso basta?


Quarta-feira, 29 Julho, 2009

Rei e príncipe; e amigas.....


Continuando nesta linha de revelar o outro lado, o melhor do funeral de Michael Jackson, o que foi enterrado (ui!), sem nunca ter sido, foi a ausência (além do corpo mortificado, é claro) de suas maiores amigas, Liz e Diana, que se recusaram a participar do circo armado por aqueles urubus que só queriam (querem) pegar carona na fama e grana do moribundo. No não comparecimento das duas que o amaram incondicionalmente, está a chave para a compreensão da solidão da criatura, que só era bajulado artisticamente, mas cujas lacunas de afeto no plano pessoal estão muito bem representado ali naquele espetáculo. Quem o amou, e quem ele realmente amou, estes não foram, não compactuaram. Portanto no comício de corpo ausente, na câmara mais que ardente, quem sabia de toda aquele fingimento e palhaçada disse "não, obrigado". Está com elas o verdadeiro ser, o verdadeiro homem (se é que aquilo era humano). Adoraria que elas colocassem a boca no trombone, e detonassem aquele bando de gralhas negras, com chapéus e véus no palco, revelando que tem certas famílias que é melhor não tê-las.
Agora que o rei do pop bateu as botas, está na hora da Prince rebater suas sapatilhas e sair de seu sarcófago cantando chuva púrpura. É sua chance de deixar de ser o príncipe do pop, sempre à sombra embranquecida da Michael. Mas parece que ela também enlouqueceu, e até hoje está se refazendo daquelas cenas de beijos com mulheres nos filmes e clipes. Muito engraçadas estas sequências em que cantores, brasileiros incluídos, com sobrancelha mais tirada e mais pancake que a mulher que eles beijam, fazem a linha amantes latinos. Sempre acho que são travestis se beijando. O gloss dos lábios e o mousse dos cabelos rivalizam pau a pau (ui, de novo!). Dizem que o pagodeiro, no final da gravação, perguntou másculo, para a famosa modelo e seu maquiador: "qual a marca de seu batom?". Assim não é possível.


Terça-feira, 28 Julho, 2009

Lua Divina


Lua quarentona, lua oh lua querem te roubar a paz... A lua é o paraíso perdido, para onde todas as mulheres que reclamam de peito e bundas caídas deveriam ir. Bundex, nunca mais! Se o melhor de Niterói é a vista do Rio, o melhor da Lua foi a visão da terra azul, flutuando pequenina e indefesa no gigantesco negrume do universo. Nosso mísero lar grão-de-areia. Muita badalação sobre os quarenta anos da chegada do homem lá, e tudo o que lembro é a frase final da velha interpretada por Fernanda Montenegro no belo filme Casa de Areia: "a lua é feita de areia". E nós que achávamos que era de queijo furado, agora sabemos que ela é resto ajuntado do que sobrou de explosão da terra. Que resto chique, a lua, o que prova a frase de Cazuza, "raspas e restos me interessam". Foi a lua que nos deu noção de nossa pequenez e fragilidade, só uma bolinha ridícula na imensidão. Como somos sortudos e como não temos consciência disso. E o poeta Drummond ainda sacaneia: "o homem cansado da terra vai sassaricar na lua, depois, cansado desta vai passear em marte, e só restará a ele descobrir o insuspeito privilégio de conviver". Vamos tão longe para descobrir o maior de todos os segredos: um abraço sincero, um afago de mão confiável vale mais que milhares de quilômetros. Deve ser por isso que o beijo na boca faz tanto sucesso, pois a lua é dos namorados. E confesso que implico com aquela pegada de bota pesada e máscula no solo lunar, pois falta de gravidade é a sugestão. Acho que a marca de um scarpin bico fino e salto agulha, era mais apropriado para a poesia e o lirismo do ato. Talvez Marilyn Monroe fosse a primeira, por direito, a deixar os pés na calçada da fama do astro que representa o feminino, a fecundidade, o mistério. Estes três astronautas são pesados demais para Jacy, a lua de nossos sábios indígenas. A prateada merecia uma visitinha de Elvis, brilhosíssimo. E aquele topete iria se beneficiar da falta de força puxando para baixo. Aliás, para homens impotentes ela também é recomendada, pois a brochura não seria para baixo, ela flutuaria e congelaria.


Terça-feira, 21 Julho, 2009

Tributo à Deb


"Sempre trabalhei como uma negra!", disse a socialite Carmem Mayrink Veiga, para espanto de muitos, no final do século passado, no programa do Jô. Negras trabalham mais? Por gosto ou obrigação? Têm mais força ou disposição? Muitas perguntas fervilharam nas cabeças então, sobre as negras. Que estão por aí, em muitas salas e cozinhas de muitas famílias. Pois eu quero prestar tributo à maravilhosa Dona Débora, Deb para nós, íntimos da querida negra que, com desenvoltura de rainha e serenidade dos justos, cuidou de mim desde os anos oitenta. Mais que minha mãe preta, o meu paradigma de honestidade e força de vontade. Minha aristocrática cachorra pug chinesa apaixonou-se por ela, e com ela foi morar na comunidade de São Gonçalo, felicíssimas ambas, pois nobreza atrai nobreza e não vêem graça na vulgaridade de Copacabana.
Sempre fiquei de olho para que Deb não se excedesse no braçal, pois nada era demais para ela. Se precisasse, a leoa crescia, e tudo seria possível. Eu brincava de botar ela prá fora de casa, quando passava das oito horas diárias, ao que ela retrucava: "só mais um pouquinho, já estou terminando". E as décadas foram passando, ela largou todos os antigos patrões e resolveu que eu estava de bom tamanho. Tornou-se A dona da casa, sabendo de tudo, dos mistérios, dos humores, das esquisitices. E eu dela, que chegava na hora que dava e decidia o que era melhor para a residência. Cansei de fazer planos com Eliane, sua sobrinha e única amiga, de como tomaríamos conta dela quando decidíssemos que ela teria que parar. Pois do nada, Deb, espectro da delicadeza e do empenho de um povo lindo, recebeu a benesse maior de seus Deuses: herdou uma grana boa (e preta) de seu desaparecido pai, e não mais precisará trabalhar para sobreviver. Graças a Deus! A velha negra encontrou seu nirvana e partirá para a aposentadoria dos merecedores. Foi aí que tudo virou: primeiro que ela decidiu que precisa do trabalho para viver, e também não aceitou arredar pé da comunidade em que mora. Tudo bem até aí, mas o corpo, já cansado, e sem mais os entraves de ter que dar duro para sobreviver, enfim traiu a velha dama digna: o açúcar no sangue subiu, a artrose atacou, e tenho medo que Deb morra, pois acho que no fundo, no íntimo, a guerreira não se permite descansar. Só conhece o trabalho como forma de ser e estar no mundo. Não concebe para si uma vida de descanso e gozo. Sem outra vivência, pois abandonou a casa dos pais adolescentes para ganhar o mundo e autonomia, não admira vida de heranças e conforto, sem temer o final do mês, quando terá que pagar o aluguel.
Agora proprietária de seus terrenos, ela luta para não esquecer o caminho de casa. Deve temer que, sem precisar acordar para a labuta, jamais abra os olhos novamente. Acordar é ter amarras, é trabalhar como uma negra. Foi a mãe que escolhi para recordar dos cuidados e da atenção. É a mãe que amo, que convidaria para todas as minhas festas de aniversário. É a lutadora que busca desesperadamente não saltar da montanha russa. E eu me preocupo com o que ela pode fazer à ela mesma, inconscientemente, pois em terrenos abandonados cresce frondosa a árvore maligna. Vamos continuar conversando com Deb, tentando convencê-la de que viver sentada na cadeira de balanço, só vendo a vida passar, é bom, sim. Mas, mais do que trabalhar como uma negra, estas pretas velhas nos demonstram que sempre viveram como negras, cujas existências atestam que honestidade e bondade são pilares fundamentais para a sustentação do grande espetáculo que é viver. Imaginem um Senado Federal coalhado destas personalidades populares sábias: bancada de trabalhadoras pela Nação, fazendo ali o que fizeram a vida toda, tendo vergonha na cara, ainda que morram pobres e sozinhas.


Terça-feira, 14 Julho, 2009

Fios entrelaçados....


Muita coisa entremeada, tipo cabelo antes do alisamento, e com a dureza do laquê "pegada forte": Roberto Carlos e Michael Jackson (dois reis do pop, um internacional e outro tupiniquim, ambos comemorando datas festivas e ambos com enorme talento, cabeleira esquisita e toc); os anos 60 (do laquê de hair-spray da América e da jovem-guarda verde-amarela), e o show no maracanã e a estréia do musical de Fallabela no Leblon. A cidade carioca celebra suas grandes realizações, que ultimamente só tem vindo da classe artística. Parece que só encontramos alento nos que nos fazem rir e chorar de mentirinha, no jogo artístico; nos que nos embalam em lembranças de que éramos felizes, e não sabíamos. Tudo o que temos para celebrar é a recordação, o que fomos. Está difícil de encontrar alegria e plenitude nos dias que correm. Isto vale para os com mais de trinta (e desejamos sucesso aos com menos, que dia a dia estão juntando suas vivências aqui e agora, ainda não tenham consciência disso, para , juntas, fazerem sentido daqui há algum tempo).
Só nos resta agradecer à Roberto Carlos e Miguel Fallabela, que na semana que passou, nos deram exemplos da recriação de mundos que nos remetem a tempos menos violentos, em universos paralelos, cheios de fantasia. São duas experiências artísticas de primeira linha, são dois empreendimentos de quem não deixa a peteca cair e insiste na poesia. Salve nossos artistas que escolheram nossa cidade para comungar com suas platéias a elevação do espírito através da arte em espetáculo. É que às vezes não nos damos conta de como o Rio é sortudo, e eis que o destino conspirou para que nesta sexta e sábado passados, uma sequência de excelência dessem ao Rio uma roupagem de capital cultural do país, que passa ao largo dos políticos e passa perto de nossos artistas e seus patrocinadores. Nossa coitada Broadway catatônica (pois não espelha nossa aprovação dos dias que correm), nos oferece magia enquanto, no taxi, a caminho das ofertas geniais, as ruas nos oferecem terror. Felicidade despreocupada, só naquele prazo de validade. Fecha a cortina, todos botam o rabo entre as pernas e se mandam o mais rápido possível para suas grades. Mas a arte resiste e encanta, e vamos à ela.
Ao contrário do Jackson, o nosso rei apresentou seu show comemorativo e arrebentou. Traumatizados com a morte do king of pop global às vésperas de seu grande show comemorativo, e aliviados com a superação das esquisitices que o nosso também apresentou, torcemos intensamente pelo nosso rei verde-amarelo. O nosso maior foi acometido de toc, implicou com cores e músicas, mas viveu e amou intensamente. O que deve ter aliviado este peso de ser rei. Donde se conclui que, o tempo fechou, ame, ame muito. Roberto vendeu todos os ingressos rapidinho, e aguardou a hora chegar. E como era dia único, podia chover canivete que o bonde do bem iria festejar. Que prazer ver as hordas de robertetes chegando em grupos felizes, gente vindo dos mais distantes lugares para provar que estão vivos, ainda que insatisfeitos. Mas tal insatisfação não imobiliza, e se é o filho de Lady Laura, no Maracanã, é imperdível, pois as músicas despertarão em cada um as mais diferentes recordações, em viagens de quem não precisa sair do lugar. Aqui, os anos 60 tiveram a cara da jovem guarda.
E são estes anos 60 que estão salpicados pelos cantos do Rio de Janeiro, pois a divulgação do Hair Spray está mandando bem. Em tudo que é ponto de ônibus, rimos de perucas enormes, saias rodadas, maquiagem pesada e topetes. Adoramos ver, pois os que viveram, se lembram do que (e como) faziam ali; e o que não viveram se deixam seduzir pelos relatos, ou mesmo só pelo visual que é de festa à fantasia. Este período é uma unanimidade, e a festa está garantida. Corram para ver a celebração encantadora proposta por Miguel e seu bando de despudorados, na mais colorida das montagens. O som falha de vez em quando, mas eles estão tão imbuídos da tarefa festiva, que não querem nem saber, e continuam no mesmo tom, pois a tecnologia que corra atrás deles e os alcancem. Tem um Edson Celulari delicoso, quadrilzudo e amável, que nos faz sorrir só de acreditar no sagrado ofício de se entregar a um personagem. Mas são os não famosos quem mais se destacam: a gordinha principal carrega nas costas a velocidade incrível da ação, sem jamais titubear; o pai da gorda, mágico sonhador, está nas mãos de um ótimo interprete, a o naipe dos negros, bem, eles mostram que agarram oportunidades com unhas e dentes e não deixam sobrar nada. É que gato escaldado tem medo de água fria. E tem uma rainha carangueijão inacreditável, Velma, interpretada pela querida Arlete Salles, que pela primeira vez canta e dança em cena. É ela quem, definitiva, diz que seu personagem é tão trambiquiero, mas tão trambiqueiro, que poderia estar em Brasília, que estaria em casa. Tá vendo? É disso que falei lá em cima: no palco é engraçado, mas no nosso Brasil, é amargo.
Brasília, ah, Brasília. O nome de nossa capital federal virou sinônimo de tudo o que não presta, moradia de todos os personagens sem escrúpulos que habitavam a dramaturgia, e que não chegam aos pés dos vilões da realidade. Morar aqui tem dessas: por mais que nossos artistas tentem, não haverá musical no mundo que consiga deixar no chinelo o chorus line do Senado, e o all that jazz da câmara.


Sábado, 11 Julho, 2009

Ela é a tal....


Entrega do Premio da Música Popular Brasileira, Canecão bombando de glória e talento. Só estrelas. Para descontrair, o apresentador Marcelo Anthony, gato até dizer chega, vira para a Deusa Montenegro, e declara-se impressionado com a destreza da divina, ao abrir envelopes de forma tão rápida. Derretendo-se, Fernanda, elegantérrima diz: "È minha prática com origamis". Todos riem. Ela dá a pausa de dois segundos, fita o bonitão, e detona: "se você quiser, querido, eu posso te dar aulas particulares....". Nós também, Fernandona, nós também....


Quinta-feira, 9 Julho, 2009

Bunda canta?


Só se for agora: Jorge Perlingeiro, abalando as estruturas do convencional, recebia em seu butequim Nana Caymi, Wanderley Cardoso, José Augusto e o novato De Black. Até aí tudo bem, a maravilhosa mistureba de timbres e estilos que faz de nosso Brasil este maravilhoso leque de possibilidades e ritmos. Mais aí entrou uma "cantora" ex-mulher fruta, dizendo estar lançando seu novo disco. Nana coça o nariz, Wanderlei olha as coxas da nova cantora, Augusto parece tentar decifrar a esfinge da sem-voz, e De Black parece gelar como todos os que tem a mínima noção do perigo que é tentar cantar profissionalmente. Nana dubla "onde você estiver, não se esqueça de mim", sem sequer levantar-se da cadeira. Nenhuma reboladazinha. Silêncio tumular, daqueles que, diante da voz e da interpretação da gigante, sabem que acabou ali. Voltando a falar de seu lançamento, a causadora de frisson qualifica seu trabalho musical, fala dos shows que fará em seguida, e todos se entreolham. Acho que a frase cabível seria: "olha, eu sei que na presença da Nana, eu ainda vou ter que comer muito feijão para me dizer cantora, mas eu tenho corpo e sex-appeal para encantar os garimpeiros de serra pelada. Meu repertório pode não ser esta maravilha toda, mas tem gente que quer uma coisa mais simples....". Seria engraçado. Seria diferente. Seria carinhoso. Mas, que nada. Será que a gostosa sabe que tem que reverenciar? Vocês não acham que quando todo mundo diz que o Brasil não tem memória, que não respeitamos o nosso artista mais velho, não será disso que estamos falando? Como é que eu posso me dizer algo, na presença de Joãosinho Trinta e Fernando Pamplona, sem antes abrir reverência aos mestres? É que eu acho que para sermos nós, nós temos que saber deles, que fizeram o mundo chegar até aqui. Mas deve ser mais fácil não ter consciência de nada. Como eu queria ser Milton-jaca, bicha fruta sem noção, para não me constranger de ver uma senhora cantora tendo que passar por essa....


Terça-feira, 7 Julho, 2009


E já que "verdade" é apenas uma das versões possíveis da realidade, quero pegar a afirmação da autoridade católica brasileira que, declarando-se contra o casamento gay, dentro da proposta de união civil apresentada pelo Ministério Público, declarou que o "único e verdadeiro casamento é entre o homem e a mulher". Bingo. Todos concordamos, e poucos (heteros incluídos), em sã consciência, parece estar querendo este modelo falido de clausura e dominação, abençoado algumas vezes por sacerdotes que não entenderam nada desta verdade dogmática. O verdadeiro casamento, ao qual se refere o santo padre, é este que conhecemos, hipócrita, esmigalhador das identidades, intransigente e possuidor da única verdade do mundo à luz dos dogmas: procriação é o que faz da penetração, a justa e natural finalidade do ato sexual. É a não camisinha, o não-sexo antes do casamento. O verdadeiro casamento é o sexo com propósito, o amor que busca o povoamento do mundo. Este é o amor verdadeiro, pois verdade seja dita, todo o resto é pecado e deformação, línguas e dedos incluídos, pela falta do sêmen buscando o óvulo. O verdadeiro casamento é este que está aí, que vai às ruas buscar travestis (salve eles!) ou recorre às putas (salve elas!), mas que, em última análise, custe o que custar, deverá ser "até que a morte os separe". Muitos dos verdadeiros casamentos são fingimentos que abafam dor e infelicidade. Quem ainda quer isto? Para quê serve esta verdade? Quantos casamentos são, na opinião de vocês, verdadeiros em respeito, cumplicidade, consideração e verdade entre homem e mulher? Sejam sinceros, falem sério. Quantos verdadeiros sobram? Resposta: a mesma porcentagem do verdadeiro amor gay, dotado de todas as mazelas do verdadeiro casamento entre homem e mulher. Portanto o que interessa já não é mais a verdadeira ou a falsa instituição, os homens de bem estão correndo é atrás do verdadeiro ou falso humanismo, estão buscando os últimos resquícios do que de tolerante tem que haver na sociedade para que os diferentes não sejam mandados à câmara de gás. Fiquem com vosso verdadeiro casamento, todinho desconstruido por vocês mesmos, boa sorte em vossos inatingíveis propósitos; a nós, e é o que queremos, só restará o mundo real, tão imaginado quanto o vosso verdadeiro. É neste real que vamos lutar para estabelecer união civil duradoura, baseado no amor e respeito. Mas nada no mundo nos obrigará, se Deus quiser, a manter verdades desmoronadas, ultrapassadas. De vocês é e sempre será, o casamento verdadeiro. Nós estamos tentando as relações verdadeiras.


Segunda-feira, 6 Julho, 2009


Morreu o rei da escova depressiva.Ele já tinha morrido ha alguns anos, verdade seja dita. Só faltava enterrar. A fantasmagoria Michael Jackson vagava pelo mundo, arrastando correntes do que tinha sido, e contava com o desconto e a boa vontade da multidão, sabedora de todos os problemas da infância do moribundo. Apos o topo emblemático do Thriller, onde a maquiagem antecipava o zumbi no qual ele se transformaria sem pó compacto, a criatura esquisitíssima so fez se distanciar cada vez mais do que nos torna humanos. Faltou simplicidade, faltou jamais brincar de jogar filho da sacada de hotel. Faltou sexo verdadeiro, faltou respiração sem mascara, faltou cara sem plástica, faltou cabelo encaracolado, faltou nariz de batata. Sobrou Peter Pan, faltou Capitao Gancho. Sobrou Sininho, faltou Wendy. Ao lado de Marylin, Elvis Presley e Hitler, ele formou o quarteto das mais misteriosas e encantadores seres,do século XX, que provam que fama e poder podem ser tão miseráveis quanto gloriosos. Claro que no resumo da ópera, sobrou talento absurdo e incomparável. Mas o que fazemos com este gosto de fel, na boca, que sempre estará presente quando compararmos o garoto do Jackson Five cantando Bem, com o que ele se transformou depois da manipulação corporal, através das intervenções artificiais de cirurgia plástica (interrogação). A imagem dos bonecos que podemos ser, da pele sem viço dos mortos-vivos. Deus salve a ruga, Deus salve o abraço fraterno, Deus salve a humanidade. Que possamos brilhar, sem alisar o Black Power.


Diante dos belos cocares proibidos pelo Ibama, com penas de tucanos e araras, reluzentestes e sedutores, me senti como os usuários de drogas que, desejando o brilho prazeiroso do adorno, ouvem que é o consumidor que, em última instância financia o tráfico de drogas e toda a problemática que cerca os traficantes. Se eu comprar, estou fortalecendo os que matam os bichos. Mas eles ja estão mortos e depenados, sendo vendidos na praça principal de Parintins, na cara da polícia, como a droga que esta a disposição no morro; o que é que eu e os drogados temos a ver com tudo isso (interrogação). Pois confesso que meu corpo tremia, meus braços e mãos iam na direção dos arcos emplumados, e suando, tinha que decidi rapidamente se consumia ou não. Quanto prazer solitário de poder entrar em transe, de poder diariamente admirar aquela beleza toda na parede de minha casa, ou me exibir em fotos divertidas de cacique e em festas a fantasia. Mas o fantasma da fauna morta, o despreso que sinto pelos milionários que possuem cinzeiros feitos das patas dos gorilas da montanhas enevoadas do Congo, e o medo de ser apanhado e preso pelo crime inafiançável, me fizeram recuar. Ainda não foi desta vez que passei por cima da minha capacidade de discernir o certo do errado, satisfazendo meu princípio do prazer. Pobres índios traficantes, abandonados pelo poder, que necessitam se dedicar ao proibido para sobreviver. Ricos os abandonados que ainda assim não se distanciam jamais da consciência tranqüila de deixar a natureza viver em todo o seu esplendor e exuberância. Todos nos somos responsáveis pela rede de equilíbrio do planeta.
Há uma Amazonia que ainda acha que tudo que é bom, vem de fora: é tanto mashmellow e calda de chocolate em cima da bola de sorvete do cupuaçu, servida no aeroporto de Manaus, que o deslumbrante sabor nativo perece diante da melada mistura estrangeira. Imagina se bacuri e tucumã precisam da forcinha de outros sabores: são o que são, únicos e indescritíveis porque carregam em si a força da floresta. As invenções tipo farinha de castanha, pêssego em calda e coberturas mirabolantes parecem ser apelos visuais para disfarçar o insípido sabor. Coisa que não se aplica ao paladar das iguarias da terra, que sozinhas dão conta do recado. È bom para os gringos, mas sobram na selva. Mas tem outra Amazonia orgulhosa, sabedora de sua autonomia e de seu charme caboclo, apostando todas as fichas no talento curumin, cantador de toadas de boi. Um luxo ser diferente do Moulin Rouge ou da Broadway. Liberdade aos povos ribeirinhos! Nos anos 80, desgostosos do título de Miss do Boi, os pensadores das Associações Folcloricas Garantido e Caprichoso decidiram que a mais bela índia guerreira da tribo deveria se chamar Cunhã Poranga termo que, acertadamente, está se espalhando pelo Brasil, com a transmissão da Band. Uma denominação tupiniquim para as bonitonas que habitam as terrras verde-amarelas. E com mais charme, porque além de miss, são lutadoras, fortes e decididas. E há uma Amazonia debochada e espirituosa, que fazia um jovem desfilar de sunga pela soddoma e gomorra que esta ilha de Tupinambarana se torna, suspendendo um enorme cartaz que anunciava, em letras garrafais: "aluga-se bofes". Dois celulares estavam abaixo, mas as gargalhadas me impediram de anotar.


Quarta-feira, 1 Julho, 2009


Minha homenagem a Perri Sales, que dignamente viveu na pele o papel que as mulheres têm vivido à anos: a não existência pública individual, sempre atrelado à sua mulher, sempre apêndice da poderosa. Mulheres trocam até de sobrenome, encerrando a vida pregressa, pois a partir do ato, além do sobrenome do homem, serão senhora fulano de tal. Perri tirou de letra a situação, nunca se importou com os que não enxergavam o homem além do esposo, e deu exemplo para todas as mulheres: se não mata vocês, não matará eles também.


Sempre amei e me identifiquei com Tenesse Wulliams, o grande dramaturgo cujas peças mostram pessoas tentando desesperadamente ser felizes, algumas querendo sair do sufoco, outras desistindo, mas todas muito humanas e próximas de todos nós, senão nós mesmos. Com alegria corri para o Maison de France para apreciar a nova montagem do Zoológico de Vidro, cuja mãe desequilibrada me fascina e me comove. É sempre promessa de boa atuação, se cair na mão de boa atriz. Pois a direção de Ulisses Cruz é de primeira qualidade, sua montagem sendo prato cheio para Cássia Kiss arrasar como a sonhadora e opressora mãe. Que cenário lindo, que figurino competente; mas foi a bossa-nova de ruídos tipo grilos, latidos de cachorro e teclas de máquina de escrever, o que para mim soou como surpresa maravilhosa. Fora toda a qualidade do visto, voltemos ao texto de Tenessee: o bonitão vira para a moça manca que o ama desde os tempos do colégio, e ao vê-la se confessar que se acha a última das criaturas, ele detona: "não se martirize por não ser comum, igual a todo mundo. Lembre-se, as ervas daninhas são comuns, e nem por isso, boas....". Uma injeção de auto estima, uma grandiosa lição de vida. No fim, a gente percebe que ele sempre achou a noiva do monstro do Frankistein interessante, mas, como ela não se jogava, ele achava que não a interessava. A vida tem destas coisas: a gente fica valorizando demais o vizinho e esquece de tentar ser feliz por nós mesmos.


Fiquei tão impressionado com a quantidade de mulher gritando por Ney Matogrosso, e também pela invasão dos garotos jovens que tantavam beijá-lo quando ele descia para a platéia, nas duas noites do Show Inclassificáveis, neste fim de semana que passou, no Citibank Hall, que comecei a pensar cá com meus strasses que, tendo usado o corpo como instrumento de libertação, Ney tem norteado uma série de mulheres que amadureceu com ele, rumo à assumir suas vontades e soltar os quadris. Fico imaginando-as há trinta anos atrás, jovens como ele, sem entendê-lo bem mas admirando-o pela ousadia e sensualidade, e hoje, depois de tudo na vida, percebendo que não se esgota a coragem do cantor de ser extravagante e brindar a platéia com strip-tease e deboche dignos de nota. Ainda bem que elas não perderam tempo e chegaram ater aqui com a garganta afiada para, do escurinho gritar sandices tipo "suculento" e "boneco de Paris". Ney é show, mas sua platéia, inconfundível.