Milton, eu pensei muito nesse aspecto ao inscrever meu filho no processo seletivo de um colégio público federal. É claro que a parte da grana tbem pesou - afinal, hj a gente teria condições para uma boa escola particular, mas amanhã, sabe Deus... Enfim, hoje, posso dizer uma coisa: é uma experiência que exige um trabalho redobrado, mas é enriquecedora para pais e filhos porque nos obriga a sair da redoma onde a classe média cada vez mais tenta se proteger. O conflito de classes - sociologicacamente falando - forma adolescentes mais equilibrados, maduros e conscientes, acima de tudo, de que o mundo não é só aquilo que a gente vê dentro de casa. Mas dá trabalho tbém... meu filho, criado ouvindo Palavra Cantada, Bia Bedran, aprendeu funk - não aquele maneirinho, mas o proibidão etc e tal. Aí entram os pais, pra mediar essa relação, reforçando os valores cultivados em casa, orientando. Mas nessas situações, é o que eu digo: quem falou q criar filhos é fácil?
Beijos
(se a minha mãe Yó ler o post, vai amar. ela faz um trabalho maravilhoso na escola dela, q fica na beira da favela de Acari...)
Renata C.
Seg, 30 Jul 2007 14:26:38 GMT
ESCOLA
Milton queria muito que meus filhos estudassem numa escola publica federal, isso que vc escreveu é o ideal. Ai vieram os pros e os contras:
Os prós sabemos, ensino de qualidade, integração social etc..
Só que infelizmente os contras venceram, abaixo algum deles:
-Moro em Bangu, não tinha nenhuma escola federal perto. As estaduais estão completamente abandonadas ( vide reportagem do Dia sobre os problemas de gestão nessas escolas .
- Como deixar minha filha de 14 anos na época ir p/ São Cristóvão sozinha ( onde é o Pedro II ) mais próximo e ficar tranqüila ? Já que ela passaria pela famosa faixa de Gaza do Rio de Janeiro ?
Nesse caso a questão da segurança foi predominante.
Agora o governo federal se dignou a abrir um Pedro II em Realengo, p/ atender
a Zona Oeste, ainda não está no padrão das outras unidades, mas temos esperança que isso ocorra. Quem sabe meu filho mais novo possa usufruir de um bom ensino público. Para minha filha, me resta sonhar com a UERJ, UFRJ e UFF. Porque mais
uma vez, fizeram uma obra eleitoreira, a UEZO, que seria a universidade federal da
Zona Oeste, inaugurada há 2 anos e já está entregue as baratas.
Beijos
Christine
Seg, 30 Jul 2007 15:06:32 GMT
Olha, Julio, não tome como ofensa o que eu vou lhe dizer, mas o seu comentário é altamente preconceituoso.
Pra começar, a violência não está só na classe baixa. Nem as drogas. Meu filho é educado, tem uma ótima formação familiar e é estudioso e ele não "enfrenta" coleguinhas pobres. Ele CONVIVE com coleguinhas pobres. Ele aprende que nem tudo são flores, que nem todo mundo tem comida em casa, que nem todo mundo tem Playstation. Consequentemente, ele aprende que ele precisa dar valor às coisas que tem. Ele aprende que é preciso dividir. E ele aprende que, se um dia a gente não tiver mais a condição que tem hoje, tudo bem, ele não vai morrer por isso. Nem vai precisar se refugiar nas drogas ou se revoltar e bater em empregadas domésticas ou prostitutas.
Choque grande têm as crianças que vivem num ambiente pasteurizado. Aquelas que vêem a pobreza só pela TV. Porque um dia elas crescem e saem de casa. E quem não sabe conviver com o mundo real é massacrado por ele.
E mais: numa escola particular há crianças tão ou mais problemáticas quanto em qualquer escola pública. Com um diferencial: em muita escola particular, os pais pagam e a escola prefere não perder o aluno a dizer aos papais que seus filhos têm problemas. O dinheiro compra aquela vaguinha ali.
Mas não estou generalizando. Eu estudei num dos melhores colégios paticulares do RJ, mesmo tendo nascido sem grana, e estou aqui. O que aliás é um outro lado da moeda. Eu, de família pobre, tive a chance de estudar em um colégio de ricos. Minhas amigas tinham todos ícones da classe média da época: roupas da Cantão, tênis da Redley, mochila da Company. Eu nunca tive nada disso. Mas não me revoltei, não enchia o saco da minha mãe por não poder ir à Disney nas férias. E mais : conservo minhas amizades até hoje.
Ou seja: o importante são os valores que passamos aos nossos filhos. Se a gente não confiar nisso, acabou. Porque "má" influência existe em qualquer lugar e vem de gente pobre ou rica. Se meu filho aprende proibidão na escola, ok, em casa ele ouve ouve Vinícius, ouve Calcanhoto. Ao ver tv, ele sabe quem é Mc Serginho mas tbém reconhece Chico Buarque.
Eu continuo acreditando firmemente que o papel dos pais é mostrar que existem os dois lados da moeda. É dar base para o futuro adolescente fazer suas próprias escolhas.
Beijos
(Sammyle vai me matar, qdo vir o testamento!!!! Sorry, Milton, mas me empolguei)
Renata C.
Seg, 30 Jul 2007 15:34:05 GMT
Eu não coloquei meus filhos em escolas publicas por medo dos “ ditos pobres “,
E sim pelo sucateamento das mesmas. Porque as escolas publicas com bom
ensino é longe de onde moro, e a segurança deles na rua, foi determinante p/ que ficassem numa particular perto de casa. Má influencia tem em qq lugar.
Eu e o pai dos meus filhos estudamos em escolas públicas e seguimos. Muitos ,
ficaram pelo caminho . Concordo com a Renata que má influencia tem em qq lugar.
Felizmente eu escolhi uma escola particular que não mascara os problemas, nem dos
“ pobres ‘, nem dos “ricos “.
Moro num bairro que há de tudo. Lugares com mansões, e com favelas. A escola dá bolsa p/ alunos carentes, e meus filhos convivem com quem tem mta grana, e com tem não tem nada. Quero que assim eles valorizem o que eu e o pai deles podemos proporcionar. Tbm não tive, Redley, nem Cantão aos 16 anos já trabalhava fora. E não tive nenhum problema qto a isso.
Meu filho escuta proibidao, o You tube está cheio deles, mas eles gostam de Beatles,
de MPB, de rock, coisas boas que eu e o pai ouvimos e mostramos que existe.
Pára tudo !!!!!!!! enquanto estava escrevendo isso, o cara colocou “ crianças de pele clara “
Ai Meu Deus !! esse mundo tá perdido..nem consegui concluir meu pensamento !
Renata, Mais uma vez eu pergunto. O que esse povo vem fazer aqui ?
Christine
Seg, 30 Jul 2007 16:44:34 GMT
Preconceito é crime inafiançável, doutora!
Apesar de saber que nada do que a inominável xará escreve vale a pena ser debatido, eu até ia responder... mas essa da criança de pele clara realmente foi de matar. Xará, olha a Lei Caó... Vai que a Polícia Federal faz uma vista ao blog... em 5 segundos vc perde a carteira da OAB antes de consegui-la.
Bana, engraçado é que estávamos tendo exatamente esse papo no msn dia desses, né?
Qto ao sucateamento das escolas, é verdade. Mas há boas exceções, sim. A minha mãe dirige uma escola para adultos há mais de 30 anos e o trabalho dela só me enche de orgulho e mostra que o que falta são bons profissionais, com vontade de fazer. A minha mãe ganha o mesmíssimo que todas as outras diretoras , tanto em salário quanto em verba para a escola, e a escola dela é um destaque: tem professor, oferece uma merenda deliciosa, é equipada com Tvs, DVDs, computadores, até curso de preparação para vestibular tem. E não é projeto do governo, não. É iniciativa da minha mãe, executada com a ajuda de ex-alunos, de amigos da escola etc. e tal
Renata C.
Seg, 30 Jul 2007 16:55:22 GMT
Sammyle
Renata, Marisa, Moni, Bana e lacraiudos. Acho que não me expressei direito, eu concordo em genero e grau com vcs. Eu qdo falo em segurança, é nas ruas, ir e vir, pois queria que meus filhos fossem p/ o Pedro II com greve mesmo. Sammyle, eu amo a zona oeste, não troco Bangu e Pde Miguel por lugar nemhum, sou suburbana com orgulho. Tenho vizinhos que posso contar, festas na rua e tudo mais. Minha colocação, acho que não me fiz entender, foi CONTRA esse fofo que usou o termo " criança de pele clara " ai dá até arrepios...
Desculpe, se não me fiz entender..beijos
Christine
Seg, 30 Jul 2007 17:15:03 GMT
O professor faz a diferença.
Sou educadora e vejo de tudo nos dois lugares em que trabalho: um, de elite, escola de 1o mundo, outro, um projeto social. Em ambos vejo que o comprometimento dos professores com a realidade de seus alunos e isso faz toda a diferença. São eles que complementam ou substituem o que a família muitas vezes não faz. São eles que "cutucam" seus alunos para entenderem melhor a realidade. Jovens de classes sociais diferentes têm problemas iguais: abandono, superproteção, preconceito, dificuldade financeira, falta de modelos, violência. Em que se transformarão? Não tem receita. O que faz uma mãe carente levar seu filho toda semana para participar de um projeto social que não dá cesta básica? Acredito que seja a mesma mola que mova a mãe classe média ou alta para proporcionarem o que puderem a seus filhos, na esperança de que sejam adultos melhores, capazes de transformar o mundo em que vivem, o seu, o meu, o nosso mundo,independente do contexto social em que se insiram. Há, claro, aquelas que pagam a grife, só pra se sentirem classe A. Mas essas não estão preocupadas com seus filhos e com ninguém. Para esses,resta acreditar que haverá algum professor, no caminho, que fará a diferença.
Lilia G.
Seg, 30 Jul 2007 18:45:34 GMT
LENDO COM CALMA...
...percebi que Julio Andreoli responde a Renata C. como Renatinha do Catete. "Não é a pobreza que assusta pais de filhos de classe média. A violência é que assusta." "VOLTO A DIZER, NÃO É A POBREZA DAS OUTRAS CRIANÇAS. SÃO OS HABITOS E VICÍOS QUE ELAS TRAZEM DE CASA." Tá um saco essas postagens fascistas e preconceituosas! Só peço ao guru que não as apague! Esses mesmos que entram aqui com opiniões bisonhas e as repassam para seus filhos são os que ainda veremos no Fantástico declarando: "eu fiz de tudo mas uma hora me fugiu do controle! Não sei onde errei." E nós que temos outro pensamento e formação teremos que usar capacete ao nos dirigirmos aos pontos de ônibus.Menino preto de favela ao 11,12 anos já está arregimentados pelo tráfico, não é mesmo? Será que ele incendeiam índios,espancam trabalhadoras por índole? Vão para a night zoar nas boates? Só sei que emtodas as escolas que entrem no Complexo da Maré vi de tudo. De professora com medo de aluno da 1ª série e muitos olhinhos perplexos com algumas "novidades" que julgavam existir só em novela. E ainda tem mais: se a filha do Catete,bairro limpo,nobre, bucólico,de um variado comércio a céu aberto, estuda no colégio (particular) que eu penso que estuda, não vai ser prioridade qdo for disputar o mercado de trabalho...
Bia Alves
Seg, 30 Jul 2007 19:10:39 GMT
Ahahahah, Bia, vc tá certíssima, pra variar.
Rodrigo, como eu disse acima, é claro que coloquei meu filho numa escola federal tbem pensando na incerteza do futuro financeiro, na boa qualidade de ensino que essa escola ainda ofeece... Mas se vc quiser encarar pela questão da grana, posso dizer que, sim, tirei meu filho de seis anos da escola particular e joguei aos "leões" da escola pública por idealismo. Eu podia muito bem tê-lo mantido na escola classe média. Mas fizemos essa opção. Não te digo que não tenha hesitações , medos. Dá um trabalho louco, é trabalho de formiguinha ter que reafirmar valores dia-a-dia para uma criança, para tentar guia-la pelo que a gente considera certo. Eu fiz uma aposta levando em consideração os meus ideais (leia-se nossos, meu e do meu marido). Espero que o resultado seja bom para todos nós.
Beijos, amores.
Renata C.
Seg, 30 Jul 2007 22:37:24 GMT