Só sabe quem sofre
Vou tentar ser sucinta: a família do meu marido, ao contrario da maioria dos negros, é de classe média alta, todos com formação superior e mestrado. Meus sogros criaram os filhos sem qqr ranço de inferioridade ou qqr sentimento negativo que insistem em atribuir aos negros. Muitas vezes, eles não atribuem certas coisas ao racismo e eu, que sempre achei que o brasileiro não é tão racista assim porque nasci numa família desprovida de qqr tipo de preconceito, fico fervendo de ódio e engolindo seco com cada situação... ainda mais por frequentarmos muitos lugares em que negros, infelizmente, são presença rara. É triste, é nojento e eu já fico puta por antecedência ao pensar no que os meus filhos podem vir a passar...
Beijos de bom dia.
Renata C.rrenata@uol.com.br
Qua, 21 Mai 2008 10:13:49 GMT
A TEIA DO PRECONCEITO
Milton, belo texto, bela reflexão tirada de uma sistuação não sei se absurda ou desoncertante - tão absurda e desoncertante quanto tantas coisas que, banalizadas, nos "acostumamos a nos acostumar". Mas esse teu relato, no qual conseguiu ser de uma imparcialidade ímpar, só realça o fato que o preconceito e a injustiça sócio-econômico são como uma teia que envolve a tudo e a tudos: você-branco, seu namorado-negro, policial-sabe-se-lá-que-cor, a nós leitores. Essa simbiose nefasta de preconceito com injustiça é como uma lepra ultracontagiosa que degrada a dignidade humana. Só a educação (formal e informal), a saúde (física e mental) e muita empatia (=capacidade de todos se colocarem na posição de todos) unidos podem transmutar essa situação. E, sempre, com muito e verdadeiro AMOR, no sentido mais puro, humano e universal da palavra... Abração a todos!
Eric Badreric.badr@uol.com.br
Qua, 21 Mai 2008 10:24:05 GMT
Sou branca do cabelo enrolado e traços misturados, algo de minha parcela negra, um pouco de minha parcela ibérica e outro tanto de minha herança indígena, todas ostentadas com orgulho; tenho cara de boa menina, no entanto, infelizmente ao ser abordada mesmo que indiretamente, numa blitz num ônibus, reconheço que não tenho uma reação muito simpática mais pelo medo da reação de algum possível assaltante do que da própria polícia. Não cresci em comunidade e, talvez por isso eu enxergue a polícia, apesar de todas as manchetes, ainda como o mocinho e o traficante como o bandido da história que de certa forma só tem as dimensões que tem na sociedade porque os governos e a própria população permitiram que chegassem onde estão hoje. Eu jamais conseguiria viver numa área onde existe um "dono" que determina quando e quem pode circular em seus "domínios". agora, que o morador de comunidade tem histórias bem tristes com a banda podre da polícia, isso tem. BJS
Doida de pedrarsarita@bol.com.br
Seg, 26 Mai 2008 11:21:06 GMT