Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite
Gente, uma amiga minha tá lançando o magavilhoso livro dela pela editora Rocco: "Minúsculos Assassinatos e alguns Copos de Leite", de Fal Azevedo. Comprem, leiam e se apaixonem. Eu poderia falar milhões de coisas maravilhosas sobre ela, mas a Cora Rónai escreveu uma coluna maravilhosa sobre o livro. Aí vai um trecho (Milton, tô usando e abusando do espaço;-):
"A Fal tem uma densidade atômica rara nos dias de hoje. Digo "densidade atômica" à falta de melhor definição. Para mim, significa sensibilidade, cultura, delicadeza de alma, poder de expressão. Ela não só tem o que dizer, como diz bem, com originalidade e com a leveza de quem sabe que o mundo não começa nem acaba num blog ou num livro; vale dizer, com aquela seriedade essencial que, salvo raríssimas exceções, só alcança quem não se leva excessivamente a sério. É craque em cortadas rápidas que resumem um sentimento, um momento, uma diferença intransponível:
"De vez em quando o passado, que tava quietinho no canto dele, vem até onde você está, dá um tapa na sua cara e sai, antes que você possa esboçar reação. Ui."
Renata C.r@u.com.br
Qui, 28 Ago 2008 17:19:48 GMT
"Cansada de virar de um lado para o outro na cama, tentando dormir, apesar do som ensurdecedor do funk comendo solto no Morro do Salgueiro (Tijuca), a leitora que vos escreve, que acredita ainda em Papai Noel, às 22h do último sábado, resolve ligar para 190:
- Por favor, a quem eu preciso recorrer para poder dormir, já que o funk no Morro do Salgueiro está tão alto que o bonde parece estar passando na sala da minha casa?
- É funk proibido senhora?
- (???) Bom, para mim todos deviam ser proibidos a essa altura e nesse horário, mas não sei responder à sua pergunta.
- Vou enviar sua demanda ao batalhão, senhora. A Polícia Militar agradece a sua ligação e tenha uma boa noite (???).
**** Às 2h30m, ainda acordada ***
- Alô, eu liguei há algumas horas reclamando sobre o funk no morro e até agora nada aconteceu, parece estar mais alto, inclusive.
- A senhora já fez essa reclamação anteriormente?
- Sim, e farei quantas forem necessárias, mas até agora nada aconteceu. Você pode me dizer o que um cidadão que paga MUITOS impostos, vive preso dentro de casa por causa da violência, tem seu direito de ir e vir ameaçado precisa fazer para poder dormir às 2h30m da madrugada?
- Senhora, nós não fazemos nada, só repassamos ao batalhão, responde a atendente, se dizendo "somente" da Secretaria de Segurança.
Como também acredita em coelhinho da Páscoa, a leitora que ainda vos escreve resolve ligar para o 6º Batalhão de Polícia. A resposta?
- Ah, senhora, o funk é no morro!
- Sim, é no morro. E lá a lei é diferente daqui? Se a festa fosse na minha casa tenho certeza que dois carros já estariam na porta do meu prédio, com policiais valentões prontos para manter a ordem.
- Senhora, são 2h30m da madrugada, a senhora quer que eu mande policial para o morro a essa hora pra tomar tiro?
- Não, deixa que eu mesma vou. Pra que incomodar, certo?
***
Ao contar o episódio para amigos, me vem a pior parte da história: a maioria concordou com o policial, que realmente não dá pra subir no morro porque eles vão levar tiro. Em que mundo eu vivo ao achar que isso não é normal? Que estamos a cada dia que passa recuando, recuando, recuando, deixando os bandidos dominarem a nossa vida e achando tudo "natural"? Pelo menos o "caixa" da Cidade está no positivo. Ufa! Que alívio!
Por favor, me respondam: a quem recorremos nesse caso? Todo final de semana é a mesma coisa, inclusive aos domingos! Fico com pena porque os bandidos precisam se divertir, certo? Têm trabalhado pesado a semana inteira!
Michelle Aisenberg
Jornalista, carioca e desiludida"
Post Scriptum: Fiz uma rápida apuração e constatei o seguinte: uma funcionária do extinto Disque-Barulho, da prefeitura do Rio, acabou de me informar que a nova Central de Poluição Sonora recebe reclamações agora só de segunda a quarta-feira, das 13h às 17h, pelo telefone 2503-2979. Mas a mesma funcionária também me informou que baile funk é sim caso para a Polícia Militar porque os fiscais da prefeitura não têm condições de subir o morro para constatar os decibéis da festa
Christine Steegmullerchristineguedes@hotmail.com
Sex, 29 Ago 2008 17:17:54 GMT