Assinado! Perfeito. Pode ser hiper clichê, mas a felicidade está em sentimentos, ações e pessoas, e que nem sempre o dinheiro compra. Tenho amiga em Milão, outra nos EUA, outra em Paris. Só as ouço falar o quanto têm saudades daqui e o assunto só gira na terra Brasil. Os minutos passam como horas e só esperam a época das férias para retornarem à terra natal.
Nada melhor que estar entre os amigos, com a música do seu agarado, aquela conversa só por papear, sem precisar fazer poses, caras e bocas.
Se for regado a champanhe, que também tenha uma linguicinha pra contrabalancear...
Vanessa Santos (jornalistavanessa@gmail.com)Ter, 14 Abr 2009 12:05:22 GMT
Será?
Sinceramente, acho este pensamento tão cliché como o contrário dele. A felicidade é um dom, individual,não é privilégio de nenhum grupo e nem proibido a ninguém.A mesma coisa prá pobreza da alma e desonestidade. Não é privilégio de uma classe. De forma que sempre penso se não estamos neste país nivelando por baixo.São as coisas que são erradas em si mesmas ou o errado é o povo ter tão pouco acesso a tudo, inclusive acesso à cultura? Pois eu adoro a Europa, adoro champagne, gosto de música erudita e não troco Paris por nenhum cruzeiro. Abomino mortadela e k suco nem pensar! E garanto: sou feliz e não tive acesso a estas coisas lesando quem quer que seja. Ao contrário: gostaria que todos pudessem experimentar. Assim poderiam dizer com certeza: provei e não gostei, simples assim. Certamente, nestas circunstâncias, diria ser somente uma questão de gosto. E gosto não se discute. No máximo, lamenta-se.
Vera (verocaribeiro@gmail.com)
Ter, 14 Abr 2009 13:20:25 GMT
OBRIGADO, ADRIANO!
Análise - 10/04/2009 18:21
Obrigado, Adriano!
Por Jailson de Souza e Jorge Luis Barbosa
O sumiço do jogador Adriano e sua explicação para o fato mobilizou intensamente a imprensa nos últimos dias. Oriundo da Favela Vila Cruzeiro, na zona da Leopoldina carioca, ele afirmou que está infeliz e pressionado na Itália e quer, acima de tudo, voltar a viver no Brasil, próximo de sua família e amigos. Ele quer se sentir uma pessoa normal, circulando na sua comunidade de origem, de "pés descalços e de bermuda".
O sentimento de desenraizamento do jogador pobre que enriqueceu e se tornou uma estrela é evidente. Seu pertencimento social e afetivo maior é no espaço de origem, com sua família e amigos de infância. A vivência no mundo de luxo, consumo, status e sucesso da Itália não basta, a ele, para ser feliz.
Poucas falas, nos últimos anos, contribuíram tanto para romper com o estigma e violência simbólica que marcam os discursos hegemônicos sobre as favelas cariocas. Elas, quase sempre, aparecem nos meios de comunicação e nos discursos dos grupos dominantes da cidade como "antro de criminosos", "fábricas de bandidos" e "causa da violência que assola o Rio".
Ao contrário disso, os moradores das favelas são, de fato, vítimas maiores da violência que domina a cidade e recai especialmente sobre eles; a imensa maioria trabalha, e muito, cotidianamente, para garantir uma vida digna para si e sua família; eles precisam e lutam por equipamentos e serviços urbanos já existentes em outros espaços; especialmente, eles precisam superar a falta histórica de investimento habitacional popular, dentre outros, do Estado e do Mercado e ainda são criminalizados por isso.
Adriano, em sua busca sincera e justa por viver de forma livre, feliz e entre as pessoas que o amam de verdade, revela algo simples e verdadeiro: a favela é um espaço humano, de pessoas que buscam viver em paz, com dignidade e felicidade. Pessoas que choram, festejam, vivem e morrem. Adriano, em seu humilde, e muito digno, pedido por viver de forma plena, revela sua profunda humanidade. E, expressa, nesse gesto, a humanidade de todos os moradores das favelas e periferias do Rio de Janeiro.
Por isso, somos imensamente gratos a ele. Pois, com gestos como esse, ele dá uma contribuição inestimável à luta por uma cidade mais humana e justa. E ainda há muito a ser feito nesse sentido. Esperamos que Adriano, quando recuperar a alegria de viver, em breve, faça algo ainda maior: se envolva de forma direta na luta cidadã por tornar as favelas cariocas um espaço dominado por um ciclo virtuoso de desenvolvimento, onde a qualidade de vida, a segurança, a paz e a dignidade sejam elementos fundamentais. Ele mostrou que tem força e consciência para isso. E que possamos construir isso juntos, parceiros na vida, sabendo onde queremos chegar e, especialmente, orgulhosos do lugar do qual viemos, e das pessoas que nos ajudam nessa caminhada para dar significado à existência.
*Jailson de Souza e Silva e Jorge Luis Barbosa são fundadores do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro
http://www.youtube.com/watch?v=yc0-ByaLGYEBia Alves
Ter, 14 Abr 2009 20:39:42 GMT