|
 |
|
|
 |
| |
Fevereiro, 2010 Janeiro, 2010 Dezembro, 2009 Novembro, 2009 Outubro, 2009 Setembro, 2009 Agosto, 2009 Julho, 2009 Junho, 2009 Maio, 2009 Abril, 2009 Março, 2009 Fevereiro, 2009 Janeiro, 2009 Dezembro, 2008 Novembro, 2008 Outubro, 2008 Setembro, 2008 Agosto, 2008 Julho, 2008 Junho, 2008 Maio, 2008 Abril, 2008 Março, 2008 Fevereiro, 2008 Janeiro, 2008 Dezembro, 2007 Novembro, 2007 Outubro, 2007 Setembro, 2007 Agosto, 2007 Julho, 2007 Junho, 2007 Maio, 2007 Abril, 2007 Março, 2007 Fevereiro, 2007 Janeiro, 2007 |
| |
 |
| Milton Cunha |
| |
|
|
|
 Se o General pode ser franco, por favor me permitam ser franquíssimo: esta sociedade proposta pelo chefe militar é esquisitíssima, e favorece a enganação e a desonestidade. Para manter a dignidade da farda das Forças Armadas Brasileiras, o General Cerqueira Filho sugere aos gays (ou "gente deste tipo" como ele preferiu nos denominar), que sejam, mas não assumam. Que mintam. Que escondam. Que escamoteiem. Mas vem cá, que dignidade pode haver na mentira? Como manter dignidade num mundo em que você seja julgado pelo amor que você professa? Será que eles só nos vêem pelo lado do dar e comer? Pelo lado do ânus e penis? Será que eles não compreendem que é amor o que sugerimos a esta sociedade? Portanto, o General assume (ui!) que o mundo ideal para os militares é o mundo da hipocrisia, onde as pessoas não podem ser o que são. Bom pra ele, ruim para muitos e muitos. Quem quer viver neste esconde-esconde? A quem interessa continuar definindo competência a partir de gostos afetivos ou sexuais? Eu me recuso a aceitar esta sociedade da mentira, do abafa o caso. Eu quero viver numa vizinhança onde os militares não precisem enganar suas esposas e sair para pegar garotos-michês e travestis nas esquinas escuras das noites. Eu quero que a estas senhoras casadas com eles e enganadas, seja dado o direito de escolher se elas querem continuar com estes senhores ou se elas querem procurar quem realmente as queiram. Eu proponho o mundo da verdade, o único caminho possível para o bem viver. Foi a verdade que me levou ao caminho da fraternidade, da generosidade, do respeito às famílias e aos mais velhos, e mais que tudo, do respeito a mim mesmo, não permitindo jamais que instituições, inclusive religiosas, legislassem sobre meus sentimentos e minha felicidade. Os padres diziam que era pecado. Eu respondia que era Eu. Não haveria sobrevivência possível onde eu não pudesse ser gay, pois era como o ar que eu respirava. Agora, 47 anos depois, vem o General sem coragem de dizer claramente: não pode, e pronto, acabou! Seria mais digno, cheio de preconceito, mas digno em tanta verdade. Mas se damos estes exemplos públicos para nossas crianças, se ensinamos nos jornais e na televisão que quem esconde poderá ter sucesso na carreira, estamos forjando futuros adultos que saberão que a mentira compensa, que é melhor sofrer a vida toda se escondendo, que tentar uma vida apaziguada de verdades, lutando para construir um mundo melhor e honesto. Tiro de misericórdia: "na guerra, a tropa não acataria ordens de um gay..." declarou ele. General, General, um mundo em guerra não é parâmetro digno para testar a humanidade. Numa guerra, produto da aberração do humanismo, já vimos que o problema não são os homossexuais. A desgraça das guerras são este tipo de gente, os heterossexuais recalcados, que fazem o que fazem, talvez com raiva de viver num mundo hipócrita.
 A modernidade produziu o marido da estrela. São homens que só valem se vierem acompanhados de um subtítulo como "o namorado de Madonna". Muito bom, talvez seja a vingança das feministas que tanto protestaram contra a mudança do sobrenome da pobre recém-casada, que deixava de ser filha do pai e virava mulher do homem. Ela não poderia ser só Maria. Era o lastro do sobrenome varão que emprestava-lhe alguma credibilidade. E as solteironas, morreriam como filhas sem jamais assinar o outro título, de mulher de fulano de tal. Agora, com o poder feminino crescente, com mulheres ascendendo na escalada social rumo ao dinheiro, rapazes viram os adendos e enlouquecem. Estão aí os laterais de Ana Maria Braga, o morto de Suzana Vieira, e o brasileiro peguete de Madonna. Rebelem-se, rapazes. Mostrem ao mundo que vocês tem valor e recusem-se a ser considerados apenas o fulano de tal mulher. Se o cachê cair ou a vida boa desaparecer, arranjem um emprego de balconista e provem que vocês não vieram ao mundo para serem sombras, rabo de cometa. Façam como Perri Salles, que morreu como o marido de Vera, mas sempre estrelou produções independentes que lhe deram a aura de batalhador. Acho que já não se fazem mais Perris como antigamente.
 Coitada da maconha, plantinha que nasce linda na natureza, não tem nada com isso, mas que se ressecada e fumada, vira a mãe de toda a desgraça social. Pensa bem: ela não tem culpa do barato que ela dá. Mas virou sinônimo de mal social. Já o tabaco, plantinha igualzinha e que também é ressecada e fumada, não carrega o mesmo estigma. Tabaco pode. Quem foi que inventou que a outra não pode? Foi a indústria do cigarro comercial, foi? Fiquei pensando nisso porque um monte de gente está plantando maconha em casa para uso privado, e me perguntei qual o crime da pessoa plantar tabaco em casa e fumar? Nenhum. Qual o crime dos pés de maconha, ou mesmo se alguém quiser plantar margaridas em casa e fumar? Porque não precisa de laboratório né? Arranca folhas e deixa lá secando. Fuma e salve-se quem puder. Deve ser a mesma estória de que loura serve prá pegar mas não serve pra casar. Neste caso, o tabaco seria a moçoila donzela e comportada que o homem gosta de exibir. Já a maconha seria a devoradora de homens, deliciosa às escondidas mas condenada socialmente.
 Mais um conto de fadas brasileiro, como só o setor popular da Sapucaí sabe produzir. A madrasta é o uso da Escola de Samba para a estrangeira aparecer sozinha, sem chance aos pobres. A filha preferida e eleita é Sissintindo, invejosa e insana, burra até, de não enxergar que, mesmo sendo troncha ao sambar, demonstraria ser magnânima ao vir ao lado da negra musa da comunidade. Não teria chance de aparecer, mas seria a branca simpática. Cinderela é uma destas mulatonas que brotam como Gremlins no período que precede o Carnaval, deixando os balcões de lojas e casas de madame para, dentro de um shortinho ou micro-vestido, provar que Deus é brasileiro e a mulata é a tal. Escola dobrando, a filha mimada dá um piti e manda Cinderela não ir ao baile. Tenta prendê-la nas grades da exclusão, pois a festa é para as poderosas que querem o amor do príncipe, que aqui é a capa da revista ou o take da televisão. O que a retardada não conta, é que os ratos e morcegos da casa abandonada, o setor um, se unirão para ajudar a injustiçada, que mesmo eleita justamente como musa da comunidade da escola, ainda tem que matar um leão por dia para conseguir chegar ao fim da jornada. Diante de uma parede humana que se eleva degrau a degrau diante de si, alta e esmagadora, a filha sequelada esquece o gigante diante de seus olhos, composto por milhares de injustiçados como Cinderela, e dá o ataque de pelanca defronte dos excluídos. Ou ela ou eu! Declara apontando dedos a cafona famosa. Culpa dela, culpa da mãe que prometeu algo impossível de cumprir? Não importa, importa o conto de fadas. A poderosa autoritária preparada para o estrelato, vê então começar a chover em sua homenagem. Num primeiro devaneio são minúsculas estrelinhas de prata que descem em sua homenagem; mas aí, "toc", algo cocoruteia em seu desprovido cérebro, o que a faz acordar do torpor de ser única e entender que ali é território de muitos e muitas. Bate em retirada, apavorada com a selvageria daquela escória que não entende que ela é uma estrela e como tal, pisando em inacreditável bota amarela assustadora, merece lugar aberto longe da gentalha e isolada em sua ilha de alucinação de 15 minutos da fama. Atrás dela vai desabando a chuva de cacos que repetem: sai prá lá, tracajá! Maltrapilha em espírito ecurraçado, a negona linda vai voltando com o rabinho entre as pernas, assustada com o que poderão fazer com ela. Um grito ali, uma palma acolá, e o gigante vai se transformando no turbilhão de salve ela que ovaciona a Cinderela negra que agora chora, diante da multidão dos pequenos amiguinhos que, orgulhosos, abrem a porta do baile-avenida para que a sua também tenha o direito de rodopiar pelos salões. Cinderela quebra os quadris e faz estremecer o mundo, avança pelo salão, e ainda dá uma última olhadela para o buraco na parede onde os olhinhos brilhantes da força do carnaval a fazem ter certeza de que o sonho não morrerá jamais. Desejamos sorte, saúde e paz à irmã Sissintindo, que até o fechamento desta edição tratava seu rostinho famoso com o óleo de peroba, necessário aos desinformados do poder popular.
 Estas novas casas de espetáculo que estão aparecendo no Rio, como a do Rio Sul e agora a do Cais do Porto necessitam de cadeiras melhores. É um suplício passar mais de uma hora sentado em tão desconfortável assento. Vira prá lá, mexe prá cá, e você querendo se concentrar no espetáculo. Fui ver a mais gostosa bailarina do mundo, a deusa Cláudia Raia de Pernas pro Ar. A musa está cantando afinadíssima, com voz doce, o que demonstra que todo o seu esforço e aulas estão dando resultado. A voz está muito melhor do que era, e quando vem o número do Speak Low temos a prova definitiva de que ela está preparada para outros grandes desafios. Dançando ela está bem, pernão à mostra, mas é no carão que La Raia arrasa. Ela tem o "que" das vedete, a qualidade da estrela. Seus olhos faiscam, sua expressão é de total entrega e concentração. O que pega é a amarração do espetáculo, uma colcha de retalhos para fazer um show de variedades que se pretende algo com começo meio e fim. A personagem acorda e dá de cara com o diabo. Eles cantam e dançam. Ela vai ao consultório e a enfermeira e médico e ela cantam e dançam. Ela pega um ônibus, todos cantam e dançam. Depois ela vai a um terreiro de macumba, todos cantam e dançam. Em seguida ela está na academia de ginástica, todos.... isto mesmo, todos fazem isto, o tempo inteiro, em sequência interminável tentando dar coesão a algo que só é sucessão de canto e dança. Cláudia é Cláudia, e é melhor assumir que variedades com ela já vale o ingresso, sem precisar de estorinha por trás. Melhor montar logo um estorona.
 Gente, agora, com a saída da Dilma, sobe ao cargo a Erenice. Devem ser todas competentes. Mas o que me chama a atenção são as máscaras. Tá feia a coisa. Eu sei que com os homens a coisa está pior, em Brasília. Eu sei que eles parecem abutres, só que eles estão espalhados por diversas tocas. O problema é que deste buraco chamado Casa Civil, está se formando uma linhagem fortíssima de mulheres esquisitas. Falta ministro com cara de Isabela Garcia e Adriano Reys, confiáveis, e a quem você daria a chave da sua casa.
 O repórter avançou para cima de mim, ávido de fococas: "Milton, o que você acha dos rumores que dizem que a Cubango sobe?". Calmamente, com cara de virgem, respondo: "Querido, há rumores de que eu sou gay, entretanto sou bofe espada pegador de donzelas. Portanto, nunca acredite 100% em rumores". E deixei a criatura e seu microfone no vácuo, com cara de hã, e saí rebolativo, bichérrimo, num terno de paetês dourados que mais parecia um carro alegorico. Viva a futrica, viva os rumores. Sem o disse me disse, o carnaval não samba. Isto posto, passo para meu assunto predileto: homem gostoso. Cruzes, o que é Vítor Belfort no Faustão deste Domingo? De cortar os pulsos, com gilete velha enferrujada, não em linha reta mas em jogo da velha, para sofrer bastante. O lutador, queridíssimo, que eu já entrevistei com a professora Leda Nagle no Sem Censura, está na melhor fase de sua vida. Gente boa, respeitador, nada homofóbico, bom marido, bom pai, enfim, o genro que mamãe pediu a Deus. Joana está com tudo, e deve pedir ao bonitão para sorrir mais nestas aparições públicas, pois está concentrado demais. Deve ser a vida de lutas. Ao lado do Apolo, todo o resto da humanidade, nós, mortais: Faustão lutando com a balança, emagrecendo, e tendo suas bochechas de Fofão desabando sobre o rosto; Pelé colocando gás no sangue para enfrentar a idade; eu, prova viva de que o homem (as mulheres, as bichas) descendem do orangotango e ponto final. Uns com tanto, e outros com pouquíssimo: eis o mistério da existência. Foi aí que o Domingão começou a exibir as lutas do Vitor, estes combates mortais sem proteção, sanguinária exibição de chutes, socos na cara, golpes baixos de arrepiar, enfiar a carnificina para estômagos preparados. Como sou despreparado, pensei imediatamente que estas lutas cruas, onde o lutador se quebra todo, são terríveis como a discussão que acaba sem argumentação intelectual. Não tendo como defender seu ponto de vista na palavra, o sujeito grita "vai tomar no..." e fim de papo. Pensei que as artes marciais antigas do Oriente, tipo karatê, pensado, estudado, cheio de regras de parcimônia e análise, são como os embates inteligentes, onde cada participante argumenta seu melhor e espera o revide. Estes vale-tudo com traumatismos são a baixaria do impossível elevar. Aliás, muita coragem do filme Bruno, de inscrever seu ator gay numa destas lutas e dentro do ringue-jaula trancar os dois atores com cadeado, e os dois começarem a se beijar e se esfregar, diante de uma platéia atônica que queria ver porrada. Muito assunto associado a visão do belo Vitor, o que comprova que o assunto homem gostoso rende bastante.
 Já viram o novo comercial da revista dos que sonham em ser ricos e ter aquela mesma vida que aparece nas páginas? É assim: surge uma atriz piruésima, com um vestido tipo alface, em camadas, que sai de um obro, vira no pescoço e termina em repolho do outro lado; no pescoço, uma jóia tão, mas tão grande, de pérolas e pedras que parece um abre-alas do grupo especial; brincos e cabelos, louríssimos, para cima, desfiados e cheios de fixador, que no meu tempo chamava-se laquê. A moça rodopia num salão, pergunta para nós, telespectadores, se nascemos com sangue azul como ela, e sugere que se não, devemos colecionar as taças que virão de brinde em cada número da famigerada revista. Não é o máximo? Quem, em sã, consciência, acha que ter copos com pé, em casa, faz alguma diferença para a nobreza do humano? Muito cafona. Hein? Como? Não me diga? Não é uma comediante? Não é aquela atriz loura do Zorra Total? É uma legítima Orleans e Bragança? Ui, que fora! Eu jurava que era uma Drag Queem, uma caricata, uma coisa qualquer. É uma nobre? Pensando bem, esta Lady Di dos trópicos só podia ser assim mesmo. Na terra do cocar e da palmeira onde canta o sabiá, um pretinho básico não emplaca mesmo. Divirtam-se, é impagável....
 Tudo isto eu vi num domingo a tarde, dando uma de He-Mam, eu tenho a força e ela é o controle remoto, que me leva para mundos inimagináveis: dei de cara com Ana Rickmam, linda, mas com voz grossa de homem. Gripe ou efeito colateral de anabolizantes? Já viram quantas rainhas de bateria têm voz grossa? Ana recebia o casal coqueluche do axé baiano, Carla Peres e Xandi. Eles são a Jane e Herondi da atualidade. Carla está muito bem, bonita; Xandi está meio balofo, prestes a estourar de tanta compressão. Mas nada disso importa, o que é preciso relatar é a prova a qual o casal foi submetido: entraram no palco três gostosonas, exibindo o corpão que Carla tinha há anos atrás. As três em movimentos lascívios, exibiram seus glúteos para todos. Se Carla errasse a resposta que ela supunha seu marido ter dado para uma pergunta, o castigo de Carla seria presenciar o marido.... acariciando o bundão da gostosona que ela deveria escolher. Edificação de espíritos, diversão para um mundo cão, a busca desenfreada de audiência a qualquer preço. Vê quem quer, assiste quem tiver paciência, mas não dá para deixar de concluir: se correr a bicha pega, se ficar o bicho come.
 Quando soube que tinha uma drag no Big Brother me assustei, e pensei cá com meus strasses: "gente, que muderno!". Depois vi que tinham mais dois assumidíssimos e quase desmaiei. Nunca, antes, na história deste país, tantos gays conviveram na real, diante da tela de milhões de conservadores. Já tínhamos tido Jean Willis, mas era outra linha. Recatado, intelectual, um gay mais digerível para a caretice nacional. Só que agora arrebentou, às favas o palatável, vamos causar indigestão, pois um é drag e o outro, convenhamos, também é drag só que a na própria v ida real, enquanto o primeiro só se monta no palco. Ui, que meda! E a outra gay, uma moçoila bonita, se surpreendeu com Bial fazendo logo a primeira pergunta do programa sobre sua preferência por meninas. Quer saber? Bia esté certíssimo porque o público deste reality só está querendo saber de mexerico, mesmo. Ali ninguém está interessado em papo de cerca lourenço, e Bial é chic e preparado para colocar qualquer um no paredão. Além dos tres, temos uma dançarina de boate que se apresenta assim: Não sou piranha, mas não sou santa! Muito bom. Verdade é para ser jogada na cara, e a direção deste BBB enfim assumiu que é sexo e intriga que a galera quer. E ao lado dos bofes e peitudas do plantão de sempre, estava mais do que na hora de botar bichas e sapatas valentes. Assim é o mundo, assim tinha que ser o BBB. Circo dos circos, já tínhamos domadores mas faltavam as bailarinas. Só está faltando, mesmo, um casal gay formado dentro da casa para o Brasil enfim, entrar pela porta dos fundos na modernidade. PS: tomara que a doutora em linguística não saia, porque acho inmportantíssimo a presença de uma poderosa inteligente dentro da residência, mostrando que há gente no mundo que estuda e leva o pensamento às suas formas mais elevadas.
|
|
|