Não há como negar que é difícil para um fã fazer uma crítica isenta de um disco de algum artista que goste, apesar de normalmente serem críticas mais honestas do que aquelas escritas sobre artistas que não gostamos - razão pela qual jamais escreverei sobre um disco da Alcione, por exemplo.
Beatles é um assunto que sempre levanta polêmica (veja os comentários no post que escrevi sobre o Álbum Branco interpretado por consagrados artistas brasileiros). Regravá-los é sempre um perigo, porque muitos fãs se acham donos das suas músicas e outros simplesmente não tem conhecimento e/ou isenção para ler uma crítica (positiva ou negativa, como deve ser qualquer opinião).
Há gente que estudou para distorcer feições, leis, pontes, notas musicais ou bites e bytes. Não costumo mexer no ramo desse pessoal e imagino o quanto deva ser difícil para eles entender que um trabalho honesto, íntegro e bem intencionado importa muito pouco ao leitor/comprador. Neste caso, o que todos querem saber é: A música é boa?
Nos últimos dias voltei a ouvir dois (excelentes) discos feitos com versões de músicas do Beatles (I Am Sam - 2002) e Instant Karma (lançado ano passado). Dizer que são bons trabalhos apenas porque há nomes como U2, Greenday, Eddie Vedder, Jackson Browne e outros pesos-pesados do pop, seria mentira. Os dois álbuns têm altos e baixos mas a média fica muito acima do bom. Melhor ainda quando alguns dos baixos ficam por conta do U2, por exemplo!
Toda essa história de gostar e colecionar música (pelos Beatles), começou em 1979, quando um jovem do Andaraí escreveu e depois recebeu de volta cartões postais de um certo John Lennon, na época do Concerto para o Povo do Cambodja (leia a história completa e veja todos os cartões clicando aqui). Como Lennon morreu, tudo virou uma grande raridade, um conto de fadas tropical (confirmado depois em uma entrevista de Yoko Ono), e sempre causa problemas entre colecionadores mais selvagens (afinal, mais raro que estar em contato com alguém vivo é ter tido contato com alguém morto).
Todo esse grande nariz-de-cera acaba servindo como pretexto para deixar vocês curiosos com a história dos cartões e para dizer que se quiserem ouvir Beatles cantados por brasileiros em altíssimo nível, não deixem de assistir ao espetáculo teatral Beatles Num Céu de Diamantes, em cartaz no Teatro do Leblon, no Leblon, Rio de Janeiro.
Depois de uma longa parada volto com as Sextas de Vinho (aogra numa quinta!) aqui no Mistura. Continuaremos com as entrevistas com gente que entende da bebida, mas antes, para retomar o papo em grande nível, vamos sortear, em parceria com a Vinhos Web, um Diário do Vinho, para que você possa anotar e guardar todas as suas impressões sobre os rótulos que provar.
Para ganhar, envie um e-mail para o Mistura Interativacontando uma história que tenha vivenciado com a participação de um enochato - aqueles personagens que acham que entendem sobre vinhos e vivem despejando comentários técnicos e chatos. A história mais peculiar leva o diário.
Curtas
O Storia (Casa Valduga), que já foi comentado aqui, já não existe mais para a venda na vinícola. Todas as 6.122 da safra 2005 foram devoradas por sedentos consumidores. Agora, só ano que vem.
A beleza do casamento entre Vinho & Chocolate é o evento que a Escola Mar de Vinho, de Marcos Copello, realiza no dia 9 de outubro. São apenas 20 vagas! Mais informações pelo telefone 2285-6087 ou pelo e-mail marketing@mardevinho.com.br.
Abaixo alguns prêmios recentes ganhos por vinhos brasileiros:
5º Concurso Internacional de Vinhos e Licores "VINUS 2008" (Argentina)
Premio Melhor Vinho Espumante
Casa Pedrucci Brut Millésime 2004 - Vinícola Casa Pedrucci
Medalha de Ouro Duplo
Casa Pedrucci Brut Millésime 2004 - Vinícola Casa Pedrucci Casa Pedrucci Espumante Moscatel 2007- Vinícola Casa Pedrucci Salton Desejo 2005 - Vinhos Salton - Vinhos Salton
Na última semana o Teatro Rival recebeu por três dias o mineiro Lô Borges, no show que marca o lançamento do CD/DVD Intimidades Lô Borges. O show, que lotou o teatro nas três apresentações, tem alma roqueira. Fã xiita e de carteirinha de fã clube oficial dos Beatles (ótima expressão pinçada de um comentário aqui mesmo do blog), Lô deixa claro a influência do quarteto de Liverpool na escolha dos instrumentos (Rickenbaker e Fender) e logo na primeira música do show dá um jeito de encaixar trecho de Girl (música do disco Rubber Soul) no arranjo.
Longe de ser um grande cantor, Lô Borges encanta pela qualidade do repertório, timidez e simpatia. Algumas parcerias - principalmente com Milton Nascimento e Samuel Rosa (outros dois xiitas de carteirinha) - mostram a atualidade da sua música. Quem não conhece sua obra terá dificuldade para saber quais as novas composições e quais aquelas que datam do Clube da Esquina.
Lô Borges é daqueles artistas de talento enorme e ego de tamanho inversamente proporcional ao talento. Pena que nem todos que têm um ego inflado possuam um talento do tamanho do dele.
O CD/DVD ainda não saiu, mas não perca a chance de comprá-lo.
O projeto que reuniu astros da MPB cantando músicas que fizeram sucesso nas trilhas sonoras das novelas da Globo nos anos 70 e que já teve dois CDs e um DVD lançados (leia mais aqui), vai ganhar um DVD em versão blu-ray, que, na teoria, proporciona uma qualidade de imagem seis vezes melhor que os DVDs convencionais.
Nesta terça-feira esta versão foi apresentada para jornalistas e convidados. As primeiras imagens (vistas aéreas do Rio de Janeiro, enquanto Carinhoso, interpretado por Jessé Sadoc) realmente impressionam, assim como é excelente a definição nos closes dos artistas e instrumentos. No restante da gravação as diferenças não pareceram tão gritantes, embora existam.
O principal mesmo é o esmero com que foi editado e a fantástica qualidade de som do DVD. Foi uma surpresa para a maioria dos convidados (era possível ouvir os comentários) ver que atuações que estiveram abaixo no nível da maioria dos artistas que se apresentaram no projeto aparecem como empolgantes interpretações. Os takes de Jorge Aragão e Diogo Nogueira ganharam algumas palmas e coro da platéia bem mais entusiasmados que na gravação e, no caso de Diogo - que por pouco não ficou de fora do projeto - teve inseridos closes dos músicos e da platéia para poder disfarçar as edições que foram necessárias para que sua apresentação ficasse...apresentável.
O DVD, apesar de requer mais atenção, mostrou-se uma experiência mais prazerosa do que os CDs (que já são excelentes). Poder rever as ótimas apresentações de Paula Toller, Casuarina e Lobão, por exemplo, foi muito bom. O lançamento desta versão está previsto para o fim do ano (sem data definida) e vai ser uma boa opção para os presentes de Natal.
Partes do DVD que Caetano Veloso gravou dias 19 a 20 de agosto no Oi Casa Grande vão se transformar em bônus do seu próximo CD (que ainda não tem título definitivo, mas pode se chamar Obra em Progresso ou Transamba). As gravações (leia aqui como foram) mostraram mesmo que o show ainda não merecia um registro definitivo (apesar da intenção do artista em lançá-lo), mas até que podem funcionar bem como um atrativo extra para o disco que, espero, apresente arranjos melhores e mais inspirados do que os apresentados nos shows.
Proclamado como o maior festival de percussão do mundo, o Perc Pan - que acontece no Rio e em Salvador - teve início na noite desta segunda com apresentações de Os Ritmistas (banda brasileira que está lançando seu primeiro disco), Amazones (as mulheres percussionistas de Guiné), Stomp (trupe americana que tira sons de tudo) e o percussionista Mauro Suzano, que se apresentava entre um show e outro.
Além de Mauro Suzano, que se mostrou uma escolha acertada da produção para manter o público 'no clima' enquanto o palco era modificado entre uma atração e outra, os destaques ficaram mesmo por conta das mulheres do Amazones, que mostraram ritmos tribais que as vezes pareciam sem coordenação, as vezes nos levavam para seriados antigos como Daktari (uma espécie de Tarzan) e outras vezes mostravam ritmos que nos mostraram de onde veio o samba. Tudo perfeitamente ensaiado, misturando ritmo e dança típicos do continente-mãe.
Mas a atração que todos queriam ver e que prendeu o público até o início da madrugada no Oi Casa Grande foram os americanos do Stomp, grupo formado em 1991 e que, assim como uma espécie de Hermeto Pascoal, consegue tirar sons de quase tudo, desde canos de alumínio, sacos de areia,latões de lixo e até mesmo simples vassouras. A apresentação mostrou que o batuque também se adaptou ao mundo globalizado. O grupo que veio ao Brasil (são mais de 10 rodando o mundo) era um quadro da globalização, com negros, brancos e muito brancos todos com seus ritmos próprios em um espetáculo cheio de criatividade, humor, dança, sapateado e uma boa dose de interação com a platéia.
Nesta terça o festival continua com Workshops e as apresentações no Casa Grande.
A programação:
Wagner Tiso Horário: 20h
Faltriqueira (Espanha) Horário: 21h
Laudir de Oliveira & Paulo Moura Horário: 22h
Sintesis (Cuba) Horário: 22h50
Local: Oi Casa Grande (Rua Afrânio de Melo Franco 290, Leblon) Vendas e informações: www.oicasagrande.oi.com.br (21) 2511-0800 Preço: R$ 40,00
Fazer releitura de clássicos da música pop sempre é um desafio. Mais difícil ainda se falarmos de Beatles, que mantêm muitas de suas canções, arranjos e discos extremamente atuais, quase sem sentir o peso dos mais de 40 anos da maioria dos lançamentos, diferente de muito do que foi feito depois deles.
O selo Discobertas, também responsável por lançamentos - voltados para colecionadores - de Renato Russo e Zé Ramalho, idealizou uma série de CDs para comemorar o aniversário de lançamento do disco que marca o início do fim do maior grupo musical de todos os tempos.
Para isso, convocou um time de bons artistas para fazerem suas (re)leituras das 30 canções do White Album original. Rodrigo Santos, George Israel, Cachorro Grande, Os Britos, Zé Ramalho, Marcio Greyck, Sylvinha Araújo, Celso Fonseca, Pato Fu e Big Gilson, entre outros, toparam participar.
O problema é que a coisa pode ficar muito interessante - como no caso de Zé Ramalho, em Dear Prudence ou Celso Fonseca, em Julia - ou pode soar como uma pálida banda cover ou, pior, como apenas uma maneira de piorar uma obra que não merece esse tratamento.
Infelizmente até mesmo algumas boas idéias e bandas não decolaram. O Cachorro Grande não conseguiu acrescentar nada a sua versão de Glass Onion, assim como os Britos também decepcionam no registro de Ob-la-di Ob-la-da.
No fim das contas vale como uma homenagem e demonstração de respeito de artistas e produtores, que prometem mais lançamentos em comemoração aos 40 anos do álbum duplo para breve.
Pena que uma idéia tão boa e que deve ter demandado muito tempo na execução não tenho saído como imagino que fosse o plano original.
Nota positiva para o capricho com a parte gráfica, informações sobre as faixas e o formato original (também um disco duplo). Mas, na dúvida, fique com o original que, assim como alguns craques-vovôs do futebol nacional, ainda bate um bolão.
Por oito anos (1999-2006) o presidente Josiah Bartlet (Martin Sheen, brilhante) comandou a única potênciamundial, mesmo quando os sintomas de uma esclerose múltipla. Isso, com uma equipe/elenco brilhante. O chefe de gabinete/braço-direito Leo McGarry (interpretado pelo falecido e também brilhante John Spencer), a assessora de imprensa Claudia Jean 'C. J.' Cregg (a talentosa e premiada Allison Janney), além dos sempre presentes Josh Lyman (Bradley Whitford), Toby Ziegler (Richard Schiff), Sam Seaborn (Rob Lowe), Charlie Young (Dulé Hill, que hoje brilha em Psych), Abbey Bartlet (Stockard Channing) e a minha preferida Donna Moss (Janel Moloney), que demorou oito temporadas para dormir com seu chefe e paixão (Josh) e sempre teve atuação destacada nos episódios.
Vários outros personagens/atores/atrizes entraram e saíram da trama durante o tempo em que esteve no ar (aqui passava no Sony), como Mary-Louise Parker, Alan Alda e Mark Harmon (NCIS). Mas, o que mais impressionava era a capacidade de pensar fora do âmbito americano, de sofrer ao precisar usar a força contra algum país ditatorial. Tudo o que não acontece com o personagem da revista MAD, que hoje vive na Casa Branca.
Torço para que os norte-americanos escolham melhor seu próximo presidente.
PS: Logo no primeiro episódio, Lisa Edelstein (a Dra. Cuddy, do seriado House) ) aparece linda como uma garota de programa de alto nível que se envolve com Sam. Vale conferir.
Recebi reclamações sobre o comentário do subtítulo. Para esclarecer as coisas, coloco um vídeo com as três primeiras músicas do show do cantor na última sexta (5/9).
Confiram e opinem se tenho ou não razão.
Aproveitem e confiram a crítica completa do show publicada no Dia Online
Confira um trecho da apresentação de Mestre Zinho durante o Camping Roots, realizado entre os dias 15 e 17 de agosto, na Fazenda Chaparral, em Minas Gerais.
Hoje a segunda parte da entrevista com Patricia Possamai, que é enóloga, sommelier, formada na Italian Culinary Institute for Forengers no Piemonte, Chef de cozinha, fez estágios em várias vinícolas da Europa e hoje cuida do site da Vinhos Web e é a responsável técnica pelas informações do curso de vinhos em CD que sorteamos aqui no Mistura Interativa.
Mistura - Quais as atividades que vocês realizam para atrair mais clientes?
Patricia - Principalmente informação. Através de newsletter, mantemos nossos clientes informados sobre o setor, lançamentos, pontuação, premiação, pois isto ainda é muito importante para quem começa a aprender sobre vinhos. Como existem um quantidade imensa de marcas de vinhos, é mais fácil começar comprando os vinhos mais premiados. Lançamos um curso de vinhos em cd (TEXTOS E FOTOS) para que as pessoas que não tem oportunidade ou tempo para participar de cursos de degustação, possam começar aprendendo tudo o que gostariam de saber sobre vinhos. Nossa idéia é até o final do ano, lançar o curso em DVD.
Mistura - Normalmente as pessoas acreditam na lenda de que vinho bom é caro e antigo. Como explicar que nem sempre isso é verdade?
Patricia - Normalmente um vinho caro é bom, mas nem sempre, um vinho antigo é bom. Mas em algumas vezes o vinho é caro não só porque é bom mas porque ficou muito conhecido e valorizado.
Mistura - Você também é Chef. Concorda que a harmonização pode ser uma saída para popularizar o vinho?
Patricia - Vivemos ainda no país da cerveja, beber uma cerveja é fácil, não precisa de conhecimento e o valor é relativamente mais barato que o vinho. Poderíamos começar falando sobre os efeitos da cerveja ou benefícios do vinho para saúde. Outro fator, por sermos um país tropical, é natural que exista um consumo maior em bebidas geladas. Para isto o vinho também tem espaço, os vinhos brancos e rosés, na temperatura apropriada, são excelentes para se tomar com calor. A maioria dos vinhos, principalmente os tintos são vinhos gastronômicos, ou seja, são ideais para acompanhar uma refeição. Mas esta refeição e o vinho que irá acompanhá-la precisam se harmonizar. Um exemplo, não podemos beber um vinho junto com uma salada que contém vinagre, vinagre e vinho não harmonizam. Com certeza o virá será o prejudicado, o gosto não será bom. Nos nossos cursos por exemplo, sempre tratamos do assunto vinho com harmonização de alimentos. Não podemos separá-los e acreditamos sim que se as pessoas aprenderem sobre isto, irão apreciar muito mais os vinhos. Os CDs do curso são bem procurados? Sim, nos surpreendemos da quantidade de pessoas que adquiriram o curso, são doze CDs, um por mês. A partir do número 3 as pessoas já receberão junto um vinho e todas as dicas de harmonização. Começamos também a partir do 3 a falar especificamente em cada cd de um país, suas regiões, tipos de uva e vinhos. A pessoa poderá fazer sua degustação em casa com as explicações no CD.
Mistura - Os acessórios são importantes, mas não falta uma maior explicação sobre seu uso? Não seria mais interessante deixá-los para um segundo estágio?
Patricia - No nosso curso por cd falamos de acessórios no cd 1 porque entendemos que a primeira coisa é aprender a abrir um vinho, conservar um vinho, taça adequada para tipo de vinho, enfim, a pessoa começa entendendo porque existem tantos acessórios para vinhos.
Mistura - A nova lei pode dificultar o crescimento do consumo?
Patricia - Acho que haverá uma diminuição importante de consumo nos bares principalmente. Nos restaurantes talvez num primeiro momento, pois as pessoas não vão a um restaurante para beber vinho, vão para fazer uma refeição. Mas achamos e já sentimos isto, que a venda direta para consumidores, cujas lojas virtuais como a nossa, que entregam em casa, terão um acréscimo nas vendas, pois as pessoas vão preferir beber em casa, e novas situações serão criadas para que as pessoas continuem se encontrando e bebendo um bom vinho ou até uma cerveja juntos.
Mistura - Sua opinião: Existe Lambrusco bom?
Patricia - Lambrusco é uma bebida que faz muito sucesso no Brasil. Exatamente porque é um bebida suave, adocicada e gasosa e por onde as pessoas começam bebendo, depois disto vão aprendendo a gostar de bebidas mais secas e assim por diante. Como no Brasil temos muitos novatos nesta condição, esta bebida faz sucesso. Dificilmente os bons lambruscos, que são secos e caros chegam no Brasil. Respondendo objetivamente a pergunta, existem bons Lambruscos.
Mistura - Qual dica principal para um iniciante escolher um vinho?
Patricia - Informação. Se uma pessoa que não toma vinho beber um vinho muito encorpado, provavelmente dirá que odeia vinho. Portanto, comprar vinho sem conhecimento, procure comprar num lugar onde tenha uma pessoa que possa ajudar.
Mistura - Destaque dois bons vinhos brasileiros; dois argentinos e dois chilenos (de preferência um deles até R$ 50)
Patricia - Brasil: Talento Salton R$ 55,00 Casa Valduga Gran Reserva Cabernet Sauvignon R$ 57,00
O novo disco de Frejat chega ao mercado com um hit já consolidado (Dois Lados, que fez parte da trilha sonora da novela Beleza Pura). Das 11 músicas, 10 foram compostas com parceiros diferentes, o que talvez explique o som 'menos festeiro', segundo o próprio autor.
Composto basicamente na calma de seu estúdio no Humaitá - somente Fragmentos foi composta fora do Rio, em Foz do Iguaçu - o disco parece uma evolução dos trabalhos anteriores: Amor Pra Recomeçar (2001) e Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo (2003), com um pouco menos de melodias pop-FM e um pouco mais de reflexão.
O disco começa com Controle Remoto, que fala dos problemas do cotidiano (violência, morte), com um ritmo que se não garante uma boa receptividade nas rádios, deve agradar aos fãs.
A temática do disco segue a mesma dos anteriores:
'Gosto de falar de amor, que é o universo que gosto de trabalhar. Mas não podia de deixar de falar do dia-a-dia, das manchetes dos jornais. Ficaria algo incompleto', explica Frejat.
A letra de Nada Além (parceria com Zeca Baleiro) mostra contradições na personalidade de quem ama: Você não quer ver nada além do seu mundinho/ E eu prefiro escrever meu próprio caminho/Você acha que ninguém sofre mais que você/Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer. Esses versos poderiam facilmente ser cantados por pessoas diferentes.
Já Tua Laçada, a árida composição com letra de Zé Ramalho, ganha arranjo com cello e interpretação inspirada e triste na voz de um Frejat que mostra cada vez mais segurança como cantor.
Eu Não Quero Mais Brigar Não, próxima música de trabalho do CD, tem a levada pop que caracteriza os discos solo do Barão, embora com um refrão menos hipnotizante que Amor Pra Recomeçar, por exemplo.
A faixa-título é onde encontramos o conceito de todo o álbum. O relacionamento íntimo entre pessoas que não se conhecem bem ou que apenas achamos que conhecemos, com as tristezas típicas da paixão. Não tem uma melodia fácil de se gostar na primeira audição, mas acaba grudando nos ouvidos.
Eu vou tomar mais conta de mim/Estou perdido, mas ainda respiro. O refrão de O Céu Não Acaba é quase uma ode a dor-de-cotovelo.
Dois Lados, hit global, ganha versão com menos guitarras. Boa jogada para conseguir vender mais discos, embora a versão do disco seja superior aquela da trilha da novela.
Eu Só Queria Entender é a música-protesto contra a devastação da natureza. Algo diferente do romantismo que permeia todo o disco. Questões importantes e repetidas por todos.
Fragmento, parceria com Alvin L, é talvez a mais fraca das 11 faixas. Talvez tenha faltado os ares do Rio.
Farol segue a linha melodias-de-difícil-assimilação, mas traz um relato sincero sobre cantadas e entregas.
Para fechar o funk/soul Tudo de Bom, que lembra muito Tim Maia e fecha o disco com uma mensagem positiva, cheia de balanço e uma letra fácil, bem ao estilo do Síndico.
Três outras faixas serão lançadas como bônus. Uma delas - Carinhoso - já faz parte do repertório de Frejat desde o ano passado.
Quem quiser conferir como as novas canções ficam ao vivo, devem ir ao Canecão entre os dias 12 e 14, quando será dado o pontapé inicial da turnê de promoção do disco.