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Quinta-feira, 29 Janeiro, 2009

Paul McCartney lança CD com pseudônimo

Ex-beatle faz som com ares de modernidade

Foto Divulgação Toda vez que Paul McCartney lança um disco as expectativas são grandes, afinal o homem é um dos maiores gênios da música do último século. Apesar de muitos acertos nos discos recentes, fica sempre a impressão de que ele pode fazer mais. Dividindo seu tempo e talento entre o pop, o clássico e o dance/eletrônico - com os discos da fictícia banda The Fireman, um projeto em conjunto com o produtor Youth e que já havia gerado dois (pouco inspirados) filhos.

Com Electric Arguments - sem previsão de lançamento no Brasil - McCartney decidiu dar voz ao grupo (os outros discos eram instrumentais) e dar a cara a tapa, revelando o 'segredo' da identidade do grupo. O resultado é um dos melhores discos da carreira de Paul. As 13 canções, gravadas em apenas 13 dias (uma para cada canção), misturam pop, rock, folk e baladas, com um frescor e inspiração que não vêm aparecendo em tamanha quantidade em seus trabalhos.

Take That lança CD com pop de primeira

Apesar da velocidade de gravação de cada uma das faixas, nenhuma delas parece inacabada, os arranjos são surpreendentemente complexos (flautas, gaitas, guitarras, etc, tudo tocado por Macca) e os vocais aproveitam de maneira muito inteligente os timbres da voz do hoje senhor, vovô e Sir Paul McCartney.

Foto Divulgação Com certeza a sonoridade de Electric Arguments não é de música feito por alguém com mais de 60. Excetuando as grandes baladas com piano, na tradição de The Long and Winding Road, Let it Be e Beautiful Night, todos os ingredientes que fizeram o sucesso de Paul estão lá: boas melodias, riffs de baixo e guitarra, letras fáceis e nem sempre relevantes, variedade de estilos e até mesmo um bom trabalho na bateria.

Quem gosta de pop vai se deliciar com Sing the Changes e Sun is Shining. Os roqueiros vão ficar surpresos com Nothing Too Much Just out of Sight. Os mais saudosistas vão encontrar conforto em Dance 'Til We're High.

Lá fora, muitos críticos consideraram que o disco tem um quê de psicodélico e que algumas das faixas poderiam se encaixar bem em Magical Mystery Tour (1967) ou como 'Lado B' de Revolver (1966). Pode ser um pouco de exagero, mas tem lá sua dose de verdade.

Quem quiser conferir o novo The Fireman, precisa ir até uma loja que venda CDs importados ou encomendar pela Internet. Pena.

Nota: 8,75

Sing the Changes


Segunda-feira, 26 Janeiro, 2009

Os torcedores cariocas não merecem os clubes que tem

Fla tem o maior público da estréia dos grandes clubes brasileiros

Acho até que estou tocando no assunto um pouco atrasado e, por isso, peço desculpas aos leitores. Mas, o fato é: a cada rodada o amor demonstrado pelos torcedores cariocas me impressiona. Cada vez mais. Nesta estréia no Carioca 2009, os torcedores do Flamengo - que jogou em casa no último domingo - mostraram mais uma vez que a paixão pelo seu clube não tem limite. O Flamengo de 2008 decepcionou, desmotivou e irritou a maior parte de sua torcida após a eliminação precoce na Libertadores, a não conquista do Nacional e a perda da vaga para a Libertadores 2009 mas, neste domingo, lá estavam mais de 36 mil rubro-negros (36.875 torcedores presentes) apoiando o time.

O fato pode ter passado desapercebido por muitos, mas me chamou a atenção. Nesse início de temporada, ninguém levou mais torcedores ao estádio jogando em casa do que o bicampeão carioca. Nem o São Paulo, hexacampeão brasileiro (11.402 torcedores contra o Ituano, pela 1a rodada do Paulista), nem o Grêmio, vice-campeão nacional (11.633 torcedores contra o Esportivo, pela 2a rodada do Gaúchão), nem o Corinthians, empolgado pela volta à Série A e a contratação de Ronaldo Fenômeno (24.879 torcedores contra o Barueri, pela 1a rodada do Paulistão). Quem se aproximou do Rubro-negro foi o Atlético-MG, mas este jogou um clássico em sua estréia (35.342 torcedores contra o América-MG, pela 1a rodada do Mineiro).

E da mesma forma que me impressiona essa demonstração de amor, me entristece, me derrota ver o descaso de dirigentes e até mesmo alguns jogadores com essa massa apaixonada. No sábado, eu conversava com um rubro-negro que me contava que as decepções recentes com o time tinham lhe tirado a vontade de ir ao Maracanã e que ele havia comprado o pacote para assistir aos jogos de casa ( E esse é torcedor daqueles de viajar com o time, arrumar folga no trabalho, dar desculpa para a esposa e tudo). Tudo bem, ele não foi, mas outros 36 mil foram para assistir a uma magra vitória do Flamengo sobre o Friburguense.

Vários fatores poderiam ter tirado o torcedor rubro-negro do estádio, mas não foi o caso: o Rio de Janeiro viveu dias de chuva intensa na última semana, mas no domingo o sol reapareceu com força, e mesmo com o jogo marcado para as 17h (horário de verão), quando as praias ainda estão lotadas, a torcida compareceu; O valor alto do passeio - cerca de R$30 o ingresso de arquibancada, mais a passagem para o estádio (R$ 2,20 ida + R$ 2,20 volta = R$ 4,40), mais o lanche; e até a falta de compromisso que a equipe teve com os seus objetivos na temporada passada. Mesmo com isso tudo, lá estavam 36 mil rubro-negros apoiando a nova equipe do Fla.

Nova não, porque na equipe titular apenas um jogador - Willians - era um desconhecido dos torcedores. Então a chegada dos novos reforços também não era motivo para o público estar ali presente. Compareceram simplesmente por serem Flamengo. E isso é de se aplaudir.

Assim como também é de se aplaudir os torcedores de Vasco - que mesmo com a equipe rebaixada para a Série B do Brasileiro - foram em bom número a São Januário na estréia da equipe no Carioca, Fluminense e Botafogo - que estrearam no Estadual fora de casa, em estádios pequenos, mas lotaram as arquibancadas das partidas.

Na contramão dessas demonstrações de carinho, amor e paixão, vemos os dirigentes brigando pelo poder e deixando o patrimônio dos clubes abandonados. Esses torcedores cariocas não merecem os dirigentes que tem. Definitivamente não.

Quinta-feira, 22 Janeiro, 2009

Austrália: Longo e (muito) chato

Foto Divulgação O novo longa épico Austrália, filme de três horas, conta a saga de uma dondoca inglesa (Nicole Kidman - que é australiana) que vai até o continente atrás de seu marido, que cria gado e está lutando contra um impiedoso barão do gado (Bryan Brown, também australiano, astro de FX, assassinato sem morte) e que encontra no atlético e solitário cowboy responsável por transportar o gado (Hugh Jackman, o Wolwerine dos X-Men, e que, claro, é australiano) o amor da sua vida, após o assassinato do marido.

Grande parte dessa 'história' é contada através dos olhos de um menino aborígine mestiço, que parece uma espécie de Crocodilo Dundee miniatura - Aliás, porque Paul Hogan não participa desse filme onde a Meca australiana está reunida? -, dando um certo tom caricato, onde, imagino, queriam 'pintar' o retrato das tradições nativas do continente.

Olhar para os lábios inchados de botox (a testa totalmente esticada) da uma vez linda Nicole Kidman, já assusta um pouco. Ver cenas onde Jackman está suado ou se banhando, também. Mas, o pior mesmo é constatar que com 40 minutos você já sabe o que vai acontecer e que vai passar as próximas 2h20 torcendo para que esteja errado e que o filme o surpreenda. Infelizmente, o filme é aquilo mesmo: um enorme amontoado de cenas onde areia, poeira, sol, campos desertos, rios e outras paisagens tentam mostrar a 'grandeza' do lugar, com romance e drama inseridos em doses cheias de açúcar.

É constrangedor ficar observando quantos celulares e relógios são consultados por minuto, para saber o quanto ainda vai durar o sofrimento.

Fiquei três horas preso dentro do cinema e me senti no direito de escrever esse longo texto. Agora, se tiver a chance, FUJA dessa roubada, a não ser que esteja sofrendo de insônia.

PS: A omissão dos créditos de direção e fotografia é proposital.

'Mortes' no mundo dos seriados

Foto Divulgação Choram os fãs de seriados em todo o mundo. Dois astros se despedem das telas (um definitivamente), matando dois personagens emblemáticos do poder de sedução dos programas de TV. São eles: Ricardo Montalban - o eterno Sr. Roarke, da Ilha da Fantasia - que morreu no último dia 14, juntando-se ao seu fiel escudeiro Hervé Villechaize, o Tatoo, e William Petersen que, por considerar que estava atrofiando artisticamente, resolveu aposentar o chefe dos C.S.I e coração da série, Gil Grissom.

Da mesma forma que os fãs da Ilha da fantasia choram pela morte de mais um ícone, os seguidores de C.S.I ficam na expectativa do que vai acontecer com a série (uma das mais bem sucedidas de todos os tempos e que gerou dois filhotes - um em NY e outro em Miami). Para o lugar de Grissom, entra um novo personagem, vivido por Laurence Fishburne, o Morpheus, de Matrix.

Ainda não se sabe como o Dr. Raymond Langston (personagem de Fishburne) vai se sair em termos de popularidade. O cara é um bom ator, mas não é fácil substituir alguém que por nove anos comandou uma série para onde alguns dos melhores roteiros já escritos para a TV foram feitos.

Foto Divulgação Os episódios sem Grissom vão demorar a passar no Brasil, mas já estão disponíveis em torrents pela Internet. Fica a torcida para que o seriado consiga encontrar um rumo que o mantenha no ar mesmo sem o seu principal personagem.

Enquanto isso, House continua com uma temporada com altos e baixos. Toamara que não, mas começa a parecer que os roteiristas estão perdendo a mão. Há muitas tramas paralelas, pontas soltas e má utilização de alguns personagens. Os episódios ainda são interessantes, mas é preciso encontrar um rumo.

Boa sorte para William Petersen (que não descarta uma ou outra aparição no seriado) e nossas homenagens para Ricardo Montalban, que ficará para sempre na nossa memória.

Domingo, 18 Janeiro, 2009

Elton surpreende

Apesar do ritmo lento da maioria das músicas e do tom da voz (mais grave e menos potente - coisas da idade) Elton John fez todo mundo cantar em São Paulo. O cantor apresentou um set list diferente do habitual e ainda brindou o público com uma versão solo de Skyline Pigeon, que eu, erradamente, apostava que não faria parte do show.

Agora é esperar a segunda-feira.

PS: A Globo transmitiu o show com legendas traduzindo (algumas vezes de maneira bem errada) as letras das canções e ainda por cima cortou o bis, que teve Skyline Pigeon e Your Song. Já o Multishow conseguiu a proeza de confundir I'm Still Standing com Crocodile Rock. Lamentável.

As canções do show foram (na ordem):

# Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding
# The Bitch is Back
# Madman Across the Water
# Tiny Dancer
# Levon
# Believe
# Take me to the Pilot
# Goodbye Yellow Brick Road
# Daniel
# Rocket Man
# Honky Cat
# Sacrifice
# Don't Let the Sun go Down on Me
# All the Young Girls Love Alice
# I Guess That's why They Call it the Blues
# Sorry Seems to be the Hardest Word
# Candle in the Wind
# Bennie and the Jets
# Philadelphia Freedom
# I'm Still Standing
# Crocodile Rock
# Saturday Night's Alright (for Fighting)

Bis:
# Skyline Pigeon
# Your Song

*Em negrito estão as canções que não foram transmitidas pela TV.

Quarta-feira, 14 Janeiro, 2009

Elton John, o Silvio Caldas inglês

Foto Divulgação Assim como Oscar (do basquete) e Silvio Caldas, Elton John é mestre em dizer que vai abandonar os palcos e as grandes turnês. Em 1977, ainda no auge do sucesso, Elton anunciou a sua aposentadoria, durante um concerto na Inglaterra. Menos de um ano depois Elton já ia noamente para a estrada emendando turnês cada vez maiores.

Em 1984 outra promessa. Durante um concerto da turnê do disco Breaking Hearts, que estava sendo transmitido pelo rádio para todos os Estados Unidos, Elton anuncia que aquela seria a sua última grande turnê.

Saiba como serão os shows do Brasil

Depois disso foram mais algumas ameaças, mas, pelo tom das últimas entrevistas, Elton está longe de se aposentar. Será?

Assista Rocket Man, gravado em 20/9/2001, no Canadá


Segunda-feira, 12 Janeiro, 2009

Estréia de 'Tom e Vinícius, O Musical', tem altos e baixos

Foto Divulgação: Paola Prado Sábado aconteceu a estréia carioca da peça Tom e Vinícius, O Musical. Depois de quatro meses em cartaz em São Paulo, Marcelo Serrado, Thelmo Fernandes, Guilhermina Guinle & Cia, desembarcam na cidade onde toda a história da bossa nova aconteceu.

A chegada ao João Caetano, lotado e com filas enormes de famosos e desconhecidos, dava a certeza de que os convidados tinham resolvido prestigiar a empreitada capitaneada por Marcelo Serrado. Globais, músicos e políticos (entre eles o prefeito e o governador) desfilavam pelo teatro, atraindo a atenção dos fotógrafos e jornalistas.

Quando a luz apagou e a cortina se abriu, com a projeção de um filme com os créditos da peça, porém, alguns problemas (muitos deles facilmente resolvíveis) tornaram a apresentação não tão memorável. Som falhando, microfonias e até mesmo uma meia que se soltou desviaram a atenção da platéia em alguns momentos.

Como musical, Tom e Vinícius está um pouco abaixo das últimas estréias do gênero. Desde Sassaricando até Beatles Num Céu de Diamantes, o espetáculo em homenagem ao gênero mais reverenciado da MPB, sofre com alguns diálogos 'forçados' e coreografias que nem sempre valorizam a beleza das músicas, a complexidade dos arranjos e a competência de músicos e cantores.

Foto Divulgação: Paola PradoHá ótimos momentos e todo o envolvimento emocional por se tratar de um assunto que mora nos corações de todos os brasileiros, principalmente os cariocas, o que torna a ida ao teatro uma experiência prazerosa, mas deixa um sabor de que as histórias da dupla mereciam mais.

Serrado incorpora um Tom Jobim quase perfeito (toca piano e violão muito bem) e Thelmo Fernandes interpreta um simpático Vinícius, retratando com fidelidade os personagens. O problema fica mesmo nos momentos mais 'teatrais', onde o texto parece não ajudar o elenco.

No fim das contas, 'Tom e Vinícius, O Musical' é obrigatório para quem gosta ou quer saber mais sobre a bossa nova. Só a cena de Tom e Frank Sinatra já vale o preço (justo) do ingresso.

SERVIÇO

Tom & Vinícius, o musical.
Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n°, Centro).
Tel.: 2332-9166.
Sextas, sábados e domingos, às 20h.
Ingressos: R$ 40,00 (platéia e balcão nobre) e R$ 20,00 (balcão simples).
Temporada até o dia 15 de fevereiro.

Boa notícia para quem gosta de vinhos

A importadora Mistral (dona de um extenso catálogo, com alguns dos melhores vinhos do mundo, anuncia uma 'Ponta de Estoque'. Os preços de seu catalogo (sempre em dólar) ganham um 'desconto', por conta da cotação usada para a moeda norte-americana: R$1,49 para os Tintos, R$1,29 para os Brancos e R$1,79 para Oportunidades (vinhos mais raros e disputados)!

Faça uma visitinha ao site da Mistral e prepare o seu bolso/cartão.

Foto Divulgação

Sexta-feira , 9 Janeiro, 2009

ChoroFunk no Democráticos

Um programa diferente para as sextas de janeiro

Foto Duda Simões O saxofonista e flautista Carlos Malta é o primeiro convidado da série ChoroFunk. Todas as sextas de janeiro o pandeirista Sergio Krakowski convidará o DJ Sany Pitbull para fazer o ChoroFunk. Em cada baile haverá uma participação especial: Carlos Malta na estréia, dia 9; Pedro Luís no dia 16; Moyseis Marques no dia 23; e Chico César em 30 de janeiro.

SERVIÇO
Sergio Krakowski e DJ Sany Pitbull fazem ChoroHunk
Local: Clube Democráticos - Rua do Richuelo, 91, Lapa
Data: 9, 16, 23 e 30/1
Horário: 23h
Preço: R$ 32

Quinta-feira, 8 Janeiro, 2009

Jolie sofre em busca do Oscar

Foto Divulgação A Troca (Changeling, no original), mais novo longa dirigido pelo também ator e compositor Clint Eastwood, que estréia nos cinemas nesta sexta, é um drama onde o objetivo principal parece ser dar para Angelina Jolie um Oscar de melhor atriz.

O filme conta a história de Christine Collins, mãe solteira e empregada de uma empresa de telefonia, que um dia volta do trabalho e descobre que seu filho de nove anos desapareceu. É o ponto de partida para mais de 2 horas de sofrimento de uma mulher que tenta convencer todos de que o menino encontrado pela polícia de Los Angeles - inescrupulosa e corrupta - não é o seu filho e que as buscas recomecem. Para isso, Christine luta contra preconceitos e a brutalidade do fim dos anos 20 nos Estados Unidos.

Baseado em uma história real, o roteiro surpreendeu Eastwood. 'Não me surpreendi apenas por ser verdade, mas também por nunca ter ouvido falar nessa história antes', conta.

Eastwood não joga para perder. Acostumado a trabalhar com a mesma equipe por várias décadas, o diretor (que já rodou mais filmes que Scorsese ou Spielberg) mantém o ritmo habitual de muitos de seus filmes (As Pontes de Madson e Os Imperdoáveis, por exemplo), onde tudo acontece de maneira lenta até o ápice final. No caso de A Troca, não há ápice final. Todo o filme segue no mesmo passo, destacando a história e dor de Christine Collins.

Foto DivulgaçãoClint lembra aqueles grandes técnicos de futebol, que quando jogavam eram zagueiros ou goleiros. O talento com que dirige, a beleza da sua trilha sonora e a maneira com que consegue arrancar boas atuações de atores nem sempre de primeira linha, impressionam. Embora o elenco não tenha sido problema em A Troca. John Malkovich (sempre excelente), Angelina Jolie (querendo um Oscar) e até mesmo Jeffrey Donovan (mais conhecido por sua atuação na série Burn Notice, transmitida no Brasil pelo canal Fox, do que pelos papéis no cinema) tem interpretações que dão o tom certo ao drama.

A fotografia de Tom Stern (Os Imperdoáveis, Um Mundo Perfeito, Beleza Americana, etc) destaca sempre os lábios de Jolie, estrategicamente coloridos com um batom vermelho, contrastando com as muitas lágrimas derramadas pela protagonista.

A Troca pode não estar no mesmo nível de Menina de Ouro, Os Imperdoáveis ou Sobre Meninos e Lobos e, como em vários outros longas do ex Dirty Harry, não há um final feliz, mas quem for ao cinema poderá comprovar que finais felizes não são fatores relevantes para se produzir bons filmes.

Veja o trailer


Sexta-feira , 2 Janeiro, 2009

Ano novo, a a verdadeira crise nova que a gente cisma em não ver

Diz a notícia da BBC, publicada nos últimos dias de 2008: "A companhia de resseguros Munich Re, uma das maiores do mundo no setor, disse que o ano de 2008 foi um dos mais devastadores de todos os tempos, devido ao grande volume de perdas provocadas por desastres naturais. De acordo com a empresa, mais de 220 mil pessoas morreram em todo o mundo vítimas de desastres naturais em 2008." Leia mais aqui

A virada do ano costuma funcionar como um sopro de esperança, um hiato na sensação de que no final das contas tudo será como sempre foi.

Chama atenção a conjunção de fatores que marcaram 2008 e a diferença de importância e abordagem sobre cada um deles. Ouvimos falar da crise financeira incansavelmente. Das guerras, da violência urbana. Vimos o primeiro presidente negro assumir o governo da superpotência mundial, os EUA. E ao estourar o champagne, brindamos com a certeza de que as coisas certamente vão melhorar. Mas tudo volta a ser como antes.

No entanto, há sim um fato novo. Um dado que se esfrega na nossa cara e que a gente não enxerga, com crise, violência, guerras e nosso bolso coçando. O planeta passa por mudanças em sua estrutura biológica e química, mudanças estas causadas por nós, Homens, 'senhores do tempo'.

Fomos convencidos de uma supremacia ilusória, como detentores do poder de inteferir na natureza, objeto erroneamente classificado como exterior a nós, e sobre o qual temos uma posição desrespeitosa. Somo formigas mordendo patas de um elefante. E quando esse gigante abaixa para se coçar, o resultado é esse. O organismo Terra se move e se reorganiza. Mesmo que para isso tenha que alterar seu clima, promover furacões, tempestades como as que afetaram Santa Catarina este ano.

Tirando a lente de aumento sobre a Terra, a insignificância humana é ainda maior. Entenda assistindo ao vídeo abaixo.

Assisti ao vídeo durante o natal na casa do amigo e advogado e ecologista Luiz Felipe Muniz. Ele também me enviou um artigo de fim de ano que gostaria de dividir um trecho com vocês.

"As máquinas de guerra das grandes nações dominantes, em particular os EUA, sofreram baixas fabulosas e inesperadas nos últimos anos...Acostumados a destruir o território "inimigo" e a reconstruí-lo após um "tratado de paz", forjado com as lideranças locais derrotadas - criando assim a enorme dívida dos mundos subalternos -, os donos do capital viram suas retaguardas serem invadidas pelas tormentas dos céus... Tornados, furacões, terremotos e maremotos causaram nos últimos anos, bilhões de dólares de prejuízos em importantes centros urbanos, expondo déficits que nem mesmo as fraudes recorrentes e criminosas conseguiram esconder. A imprensa, como sempre, se mantém à margem desta dimensão!"

Ele chama atenção ainda para a importância dos prefeitos das cidades de enxergarem a realidade sobre este prisma. Isso porque é nas cidades, e não em estados e nações, que acontecem as tragédias e onde as pessoas são afetadas. E nós, seres habitantes deste planeta, estamos em processo de extinção. O modo de vida que levamos é auto-destrutivo. O planeta tem autonomia para sovreviver ainda alguns bilhões de anos. Nós não. Podemos continuar comprando e vivendo em uma sociedade assumidamente descartável. E então seremos sugados por tormentas e pela nossa própria ignorância como sociedade.

Crise tem no cerne de seu significado o conceito de oportunidade. As projeções que se fazem sobre os problemas da economia com a recessão mundial são debruçadas apenas sobre o que movimenta o nosso dia-a-dia. Países como a China, que vinham crescendo de forma arrebatadora, desaceleraram. O Brasil emergente respira sem ajuda de aparelhos e segue em crescimento. Estaria aí a oportunidade de rever a forma como o desenvolvimento está se dando. A desenfreada corrida pelo lucro, o banho de sangue no Oriente Médio, tudo vai começar 2009 como terminou no ano passado. A consciência de cada um sobre nosso papel neste plano é o que há de mais fácil de ser alterado ao nascer de um novo ano. Não custa tentar...