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| Marcia Disitzer |
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A estilista Daniella Martins lança quarta-feira sua coleção de alto-verão. Shorts, muitos shorts, coordenados com blusas em tecidos delicados, como laise, camisas de algodão e estilo combinação. Coletes bordados e minipelerines complementam os looks. "Aposto em sobreposições. Duas combinações de cores diferentes, camisas soltas e com bordados de linha". Daniella consolida sua parceria com a ex-modelo Carla Barros, que lança jóias de ouro e prata, que estarão à venda no ateliê da estilista. Dia 12 de dezembro, Dani abre mais um espaço. Será na Rua Dias Ferreira, Leblon, no prédio Palm Beach.
Daniella Martins - Rua Jardim Botânico 656/sl. 602, Jardim Botânico.

Tem uma mulher da moda carioca que tiro meu chapéu: o nome dela é Fátima Lomba. Pura energia criativa, Fátima não pára de surpreender. Abriu a multimarcas Novamente na Tijuca numa época que multimarcas era um conceito muito estranho. Trouxe estilistas paulistas, deu uma sacudida no marasmo visual da carioca. Deu certo. A Novamente cresceu e Fátima saiu da Tijuca para o Centro e depois para a Barra. Nunca deixa de inovar. Ora lança coleção de chapéu, ora aposta numa marca incrível, ainda pouco conhecida, que ela acredita. Fátima acredita em moda, emana moda. Quem já teve o privilégio de ir na sua casa e visitar seu acervo de roupas sabe do que eu estou falando. Milhares de vestidos, sapatos, bijus deslumbrantes, é um verdadeiro parque de diversão. Nossa querida amiga em comum, Adriana Bechara, nos aproximou e, a partir de então, nos encontramos como old friends. A vi semana passada no lançamento da coleção O Eiras A Lomba, que ela desenvolveu com o estilista Felipe Eiras, de apenas 26 anos. A coleção está incrível. Roupas únicas. Blusas com mangas imensas, saias com volumes, amarrações, cores como amarelo e roxo, e branco, suave. Felipe me mostrou uma saia toda feita de elásticos com detalhe de fio de lurex, um luxo. Fiquei passada. Passei manhã divertida com Fátima e Felipe na Rua Sete de Setembro 43/5º andar, onde é a Novamente. Endereço imperdível para quem quer se vestir de dentro para fora.
Alguns romances são fundamentais na formação de quem gosta de moda. Os clássicos Madame Bovary, de Gustave Flaubert - que aborda o consumo fashion - e A Mulher de 30 anos, de Honoré de Balzac, são alguns deles. Estava relendo este segundo e me deparei com essa ótima explicação do espírito das roupas: "Na Senhora D'Aiglemont, a indumentária estava em hamonia com o pensamento que dominava a sua pessoa. As tranças largas formavam no alto da cabeça um coque alto, a qual não acrescentava nenhum enfeite, porque parecia ter renunciado para sempre a preocupação da aparência. Assim, nunca se lhe surpreendia nenhum desses toques de coqueteria que prejudicam tantas mulheres. Mas, por mais modesto que fosse seu traje, não lhe escondia a elegância do corpo. Do resto, o luxo do seu amplo vestido consistia num corte extremamente original. Pode-se dizer que as simples e numerosas pregas de seu vestido comunicavam-lhe uma grande nobreza. Esse conjunto de maneiras, essa reunião de pequenas coisas que fazem uma mulher feia ou bonita, atraente ou desagradável, podem ser apenas indicados, principalmente, quando, como no caso da Sra. D'Aiglemont, a alma é elemento de ligação de todos os detalhes e lhes imprime uma deliciosa unidade. Também sua atitude harmonizava-se com o caráter do rosto e da vestimenta. Somente certas mulheres eleitas, e, somente numa certa idade, sabem dar uma linguagem a suas atitudes".

Ainda não assisti ao filme 'Podecrer!', capa do Caderno D de hoje. Mas só de ver as fotos me dá arrepios. Não de horror, como muitos têm da década de 80, mas de saudades. A realidade do filme tem tudo a ver com a minha adolescência, passada nas areias da Praia de Ipanema, mais precisamente entre a Rua Garcia D'Ávila e o Posto 9. Me lembro tão bem da Company e dos vendedores todos lindos da loja da Garcia. Comprava parafina para passar no cabelo e entrar no clima surfista de ser. As camisetas e as mochilas, best-sellers da marca, se juntavam aos biquínis e sunquínis cuidadosamente escolhidos para o desfile de fim de semana. Alternava algumas tendências: usei as cores ácidas, típicas da época, e investia também no estilo artesanal, usando biquínis de crochê (principalmente quando optava pelo Posto 9) ou com conchinhas nas laterais. Num determinado momento, resolvi confeccionar biquínis de pano. Arrumei costureira, comprei o tecido (azul-marinho com poá branco) e criei modelagem retrô: calcinha grande e sutiã meia-taça. Acabei vendendo vários nas areias da praia. O único problema é que não tinha elasticidade nenhuma... Não sabia naquela época que trabalharia com moda. Mas o que vesti e observei nos anos 80 me acompanha até os dias de hoje.
O Fashion Rio, edição de inverno 2008, já tem data marcada: vai de 7 a 12 de janeiro, na Marina da Glória. O evento, que começará num domingo, será aberto com o desfile da marca infantil Lilica Ripilica.
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