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| Marcia Disitzer |
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O cabeleireiro Neandro Ferreira lançou coleção de cortes de cabelo inspirada na fotógrafa Lee Miller. Lee foi uma daquelas mulheres com história à frente do seu tempo. Circulou nas altas rodas da Euopa nos anos 30 e 40. Começou como modelo e depois passou para o outro lado das câmeras, sempre influenciada pelo surrealismo. Atuou como fotógrafa da Vogue e cobriu o fim da Segunda Guerra Mundial, a mando da revista. Lee fotografou as casas de Hitler e Eva Braun e fez uma polêmica foto dentro da banheira do ditador nazista. Neandro conheceu a sua trajetória quando a atriz Mariana Ximenes o chamou para participar do curta no qual ela encarna a fotógrafa. Eles foram a Londres e a exposições sobre a obra de Lee. Ele se apaixonou pela figura revolucionária da fotógrafa. Em homenagem, criou uma série de cortes chanel, com fios desconectados e grandes pontas. Há versões para cabelos lisos e cacheados. A top Mayana Moura (foto) representa bem a beleza sofisticada que sugere Neandro para as cariocas que, segundo ele, "ainda estão nos tempos das cavernas com seus longos cabelos". Neandro Ferreira - www.neandro.com. Neandro, a partir de amanhã, estará atendendo no salão Care de Ipanema: tel.: 3813-0560
Passadas as semanas de moda, do Rio e de São Paulo, já dá para listar o que chegará às vitrines em breve. Isso não quer dizer que você tenha que gostar e usar. O mais importante é saber o que é bom para você, adequar os lançamentos ao seu estilo e cultivar a auto-estima. Afinal de contas, existe algo que deixe as pessoas mais bonitas do que esta palavrinha mágica? Acho que não.
Seguem algumas idéias predominantes nas passarelas:
Mangas absolutas. Não se acanhe e coloque as manguinhas de fora. Volumosas e exageradas, elas farão toda a diferença.
Xadrez. Volta na onda caubói, volta no estilo college, volta. Aparece em calças masculinas, em vestidos, mixado com outras estampas e em detalhes.
Tricô. Com vários tipos de pontos, em vestidos, cachecóis e cardigans.
Comprimentos. Fica a seu critério. Tem desde vestido curtíssimos de festa, como os de André Lima, como longos, com perfume dos anos 70.
Couro e preto. Uma certa onda punk, roqueira no ar. É sexy. Pede boca vermelha, olhos marcados, calças ajustadas e vestidos que marcam o corpo com toque de rebeldia. A tradicional jaqueta perfecto também retorna.
Cintura. Marcada. Use cintos, abuse de laços, coloque saias rodadas, calças no lugar. A cintura está na cintura.
Alfaiataria. Coletes, risca-de-giz, camisaria e suspensórios: as meninas incorporaram elementos do guarda-roupa masculino sem perder a ternura.
Fui a São Paulo no fim de semana, mais precisamente para a São Paulo Fashion Week. E, gente, foram tantas emoções ao lado do meu amigo Bruno Astuto e da minha nova amiga, Izabella. Fora a companhia tão querida do editor da revista 'Vogue RG', Hermès Galvão.
Passamos momento de êxtase no desfile do André Lima, sábado à noite. Outro momento de delírio tropical na casa de André Lima, que serviu uma caranguejada e um picadinho de carne de comer rezando. Muito bom. Agora, o domingo foi marcado por aquilo que a editora de moda e minha fada-madrinha, Regina Martelli, definiu como roubada fashion. Pois vamos a elas: A primeira começou cedo, numa van em direção ao desfile da Cavalera, na margem do Rio Tietê. A idéia da grife, que se inspirou em Chernobyl para elaborar a coleção, era chamar atenção à podridão que se transformou o rio. Fazer, digamos assim, um manifesto ecológico. Fomos, eu Bruno, corajosos, em frente. Primeiro a van, depois a chuva, em seguida, o ônibus. Total do percurso: mais ou menos uma hora e meia. Chegando lá, o cheiro ruim era muito, muito forte, o lugar, supernojento, a lama se espalhava por todos os cantos, a chuva persistia e, pior do que tudo, as moscas, enormes, reinavam absolutas. Eram as verdadeiras tops do espaço. Nos abrigamos numa capa de chuva e tentamos usar a máscara, mas não rolou. Não dava para respirar. O desfile começou e os modelos desciam por uma escada enquanto, nós, jornalistas, ficávamos num barco, em frente. E o cheiro podre imperava. A coleção até que era boa: tinha vestidos longos com estampa vintage, bons casacos para meninos e meninas, e xadrez. Mas a sensação de desconforto era inenarrável. Assim que acabou, eu e Bruno nos adiantamos, loucos para sair daquele lugar. Depois fiquei me perguntando a finalidade de tudo aquilo. Existia alguma ação para acabar ou minimizar o problema do Rio Tietê? Não que eu saiba. A Cavalera estava engajada em alguma campanha real para despoluir o Tietê? Também não. Mudaríamos nossos maus hábitos ecológicos após tal experiência? Acho que não. Diante desta conclusão, achei tudo muito sofrido para pouco resultado concreto. A segunda roubada fashion foi o desfile da Ellus, o último da noite, na Estação Júlio Prestes. Tipo um show de rock mal organizado, teve tudo que nós, que estamos lá para trabalhar, odiamos. Empurra empurra, possíveis quedas nos trilhos do trem, gritaria de assessores, claustrofobia, choro de jornalista à beira de um ataque de nervos. Não pode. Mas o que fica de São Paulo desta vez foram os ótimos momentos e as risadas na mesa do restaurante entre amigos.
Existe elogio melhor do que alguém reparar e comentar que você emagreceu? Tenho certeza de que a maioria das mulheres concordará que este simples comentário é mesmo imbatível. Pois foi mais ou menos o que aconteceu comigo há quase uma semana, no desfile do Victor Dzenk, no Copa. Só que o tal elogio veio de uma das mulheres mais bonitas e queridas do Brasil: a eterna musa Luiza Brunet. Estava eu tentando entrevistá-la no meio do tumulto habitual, quando ela pára, me olha com atenção e exclama: "Marcia, você está ótima, como você emagreceu!". Moral da história: alugém notar que você emagreceu é sempre ótimo. Agora quando este alguém é Luiza Brunet, isto não tem preço.
Amo os desfiles da Bia Lessa. Adorei o do funk que fez história na Blue Man. Adorei o que ela colocou carros na passarela para Mara Mac. Adoro. Sempre me emociono com eles. E, fora a Sta. Ephigênia, por motivos óbvios, foi o momento que fiquei mais comovida, até agora, neste Fashion Rio. Chorei (é bom explicar que sou a maior manteiga derretida) quando choveu papel picado, chorei com a trilha sonora, que tinha ópera, assim como chorei nos primeiros acordes de Carlos Gardel no desfile da Sta. Ephigênia. E nem estava de óculos escuros...
Mas, voltando ao assunto Bia Lessa. Gosto da densidade dela. Gosto de pessoas densas. Tem gente que acha o papo dela muito cabeça. Eu acho incrível. Adoro entrevistá-la e ver o brilho do seu olhar falando das coisas. Desta vez, ela fez uma encenação amorosa para o tema da coleção da Mara Mac, que era 'A Mente e Seus Devaneios'. "Sempre tento criar um universo mais gentil, mais harmônico. A chuva de papel picado de jornal representa o mundo picotado", contou Bia, no camarim. Também achei os guarda-chuvas com luzes internas usados pelas modelos incríveis. E Bia também tem explicação para eles: "Quis que cada uma delas tivesse luz própria e o guarda-chuva é um símbolo que nos protege". E o que dizer do cenário vivo com fragmentos de corpos, da passarela rabiscada e da meninas colando pedacinhos de papel em cadernos em branco? Meu coração acelerou. Viva Bia Lessa!!!!
Tudo começou já meio errado. Estranhei quando vi a hora marcada para o desfile da Colcci: 22h30. Mas como assim 22h30? Ontem de manhã, soube que amigas editoras não iriam por conta disto e, vamos combinar, pela falta de novidade crônica de toda a história. Bem, eu ia de qualquer jeito, cedo ou tarde. Chegando ao Armazém da Ação da Cidadania, na Praça Mauá, vejo de longe o tumulto. Tipo inacreditável. Desorganização absoluta, local perigoso. Bem pertinho, passam uns caras correndo e alguém já grita que é assalto. Corro também. Começa a chover. Empurra daqui, segurança truculento de lá, disputa de poder idiota mais adiante. Lembrei que tinha começado o dia superbem, no Hotel Copacabana Palace, às 11h. E, 12 horas depois, aquele sufoco. Finalmente, entrei. Sentei. Fila A. Atrás, Jorge Ben Jor, superfalante, fluindo total comigo e com a repórter Kamille Viola (luxo!!!!); ao lado, mais amigos: a assessora de imprensa Bianca Teixeira e o colunista Bruno Astuto (mais luxo!!!).
A modelo Liane Brixner, dublê de Gisele Bündchen, é cercada por jornalistas e experimenta aqueles minutinhos de fama. A repórter Sabrina Grimberg me liga desesperada perguntando se era Gisele quem estava dando entrevista. Explico que é a tal dublê de Gisele. Damos risada. E nada começa. A hora passa. Até que às 23h30, as luzes se apagam. Gisele surge. Ela, a que considero a mais linda, a que anda melhor, a que inventou um novo jeito de desfilar...Mas é aí que me dou conta: a passarela redonda e giratória não permite que Gisele ande à vontade, coisa que ela sabe fazer melhor do que ninguém. Anda, claro, mas circularmente, num território limitado. Pára, posa, mexe no cabelo, sorri. Gisele é perfeita andando, mas é uma mulher de passos largos. Precisa de espaço para desfilar plenamente. Será que ninguém pensou nisso? Agora vamos falar das roupas. A coleção foi a mais infeliz que a Colcci apresentou em todos as edições que participou do Fashion Rio. Não tinha novidade, escorregou no mau gosto e derrapou na curva. Botões dourados, bota xadrez até os joelhos, shapes desgastados, tecidos mal colocados, combinação de cor apagada. A segunda roupa usada por Gisele era simplesmente um erro. Mulher alguma (além dela, é claro) vai usar uma roupa como aquela e ficar elegante. Ou gostosa. Gisele é maravilhosa, radiante, carismática, a mais iluminada. Isso é um fato. Mas o título de toda situação poderia ser 'Muito Barulho por Nada'. Ou 'Muito Barulho Por Isso?'.
A atriz Fernanda Torres foi mestre de cerimônia da coletiva do Fashion Rio, que aconteceu hoje à tarde na Marina da Glória, reunindo a coordenadora do evento, Eloysa Simão, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, entre outros.
Achei a escolha superfeliz. Grávida de cinco meses, usando um vestido estampado da estilista baiana Luciana Galeão, e bem-humorada como sempre, ela encarna o irreverente espírito carioca. Diante de uma arara de roupas, comentou que algumas precisam de bula (e é verdade), que moda é irresistível, assim como o Fashion Rio e o Rio. No final da coletiva, falou rapidamente sobre moda, mas não quis falar sobre o bebê que espera, dando um fora na jornalista que tinha feito tal pergunta e saindo rapidamente de cena. De qualquer maneira, sou fã da Fernanda. E acho que ela tem estilo.
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É de Pimenta Bueno, cidade de Rondônia, que vem uma new face, aposta da Way Model. Dinho Batista me contou que ela se chama Claudia Seiler, tem 16 anos e costumava ajudar os pais no plantio da mandioca. Foi descoberta por um scouter e veio para São Paulo. Choque cultural total, eu imagino. Mais ainda quando a fofa viajou para Nova Iorque e pegou com exclusividade o desfile da Prada em Milão. Em seguida, foi para Paris fazer um trabalho e depois Londres. Pegou a campanha da grife Moschino e fotografou com ninguém menos que Patrick Dermachelier e fez sua primeira capa para a revista 'Dazed & Confused'. Uau!!!

Andei conversando com a booker da Ford Morgana Arruda e ela me contou algumas curiosidades das nossas tops no Rio. Desta vez, virão desfilar no Fashion Rio Camila Finn, Bruna Tenório (foto), Monique Olsen e Daiane Conterato. Segundo Morgana, elas amam desfilar na cidade e já chegam querendo ir à praia, ao Cristo e a um ensaio de escola de samba. Tipo turista mesmo. Segundo a booker, nenhuma delas se apavora com a violência da cidade por morarem na Europa e estarem acostumadas com a ameaça de terrorismo. Mas só andam com motoristas (a agência disponibiliza três carros com motoristas) que são também seguranças. Então, tá.
A partir de amanhã, começa a 12ª edição do Fashion Rio. A edição de outono-inverno 2008 mostrará as coleções de 45 grifes. Acho que é para ficar de olho: No viés social desta edição, com a presença de marcas como a AcomB e a Apoena. Na primeira, que tem estilo assinado por Beto Neves, fofos vestidos com modelagem anos 60 e estampa 'Cidade Alta', de Cordovil. E temos que conferir o desempenho de Katy Rosa, modelo de 21 anos, de Cordovil, que estréia na passarela com o coração na boca, é claro. Falando em modelo: acho que será a temporada da Guisela Rhein e da exótica Bruna Tenório, que desfila no Rio pela primeira vez. Victor Dzenk que faz desfile no Hotel Copacabana Palace com enredo sobre a história do Copa também promete. Assim como a coleção literária de Yamê Reis para a Cantão. Alessa Migani e Rita Wainer: as duas no sábado, imperdíveis pelas propostas sempre criativas. Uma tão carioca, a outra tão paulista, ambas com olhar sempre novo sobre o óbvio. Desfiles-show: Colcci, com Gisele. Nem precisa falar o motivo, né? Ela pára tudo mesmo. Sandpiper do meu querido amigo Napoleão Fonyat: desta vez ele inventou de colocar um trem na passarela já que a coleção fala sobre o mix de pessoas que se encontra numa estação. Fora isso, o eterno Paulo Zulu, colírio total. TNG. Tito Bessa me disse que está tentando fechar com modelos tops que já desfilaram para ele. Quem? Raica, Gianne Albertoni e o ator Reynaldo Gianecchini. Isso não impede que ele tire uma carta da manga e coloque uma megacelebridade do momento, na última hora. Lembra da Miss Natália Guimarães, estrela do desfile de verão da grife? Então, vamos lá. Vou contando tudo por aqui.
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