Pequim é Aqui

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Quarta-feira, 30 Abril, 2008

Sem meias palavras

Foto de Ernesto Carriço

Gary Hall Jr. não tem papas na língua. Fala o que pensa e sabe o que diz. No mesmo dia em que a Wada (Agência Mundial Antidoping) anuncia que o controle de dopagem em Pequim será o mais eficaz de todas as edições, o nadador anda na contramão. Dono de dez medalhas olímpicas, sendo cinco douradas, o velocista suspenso em 1998 por uso de maconha, acredita que a polêmica criada pelo 'maiô milagroso' da Speedo tem servido para tirar o foco do que realmente interessa.
"Claro que há algo além da tecnologia. Não quero que isso tire a atenção das performances, mas existe o doping no esporte. É uma distração conveniente para as pessoas que se dopam e para quem não está controlando isso. Eles estão mais preocupados em testar alguém para remédio de gripe do que aqueles que estão tomando substâncias sintéticas", disse Gary Hall, que aos 33 anos precisa passar pela seletiva americana para tentar ser tricampeão nos 50m livre.
Aqueles que quiserem pagar para ver, estão sendo desafiados pelo presidente da Wada. "Há um laboratório de nível mundial e equipes bem treinadas, assim se houver trapaceiros que cheguem enganando os controles de seus próprios países, há mais opções para que sejam flagrados em Pequim do que em outros Jogos Olímpicos", disse John Fahey.

Alívio para Zé Roberto

Foto Carlos Moraes/O DiaO técnico da Seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, respirou aliviado hoje. A boa notícia veio da Espanha, num telefonema com Paulo Cocco, comandante do Murcia, que tinha o resultado da ressonância magnética feita pela ponteira Jaqueline. "Falei com o Paulo e o exame não apontou nada, nenhuma lesão no ligamento nem no menisco. Está tudo em ordem", afirmou Zé Roberto, sem saber ainda quando Jaqueline voltará a jogar. "Isso vai depender muito de como ela se sente". completou.
Jaqueline sentiu o joelho direito no primeiro jogo das finais do Campeonato Espanhol, ontem, quando o Murcia levou a melhor sobre o Ícaro Palma. E logo deixou todo mundo preocupado. Afinal, a ponteira tem um histórico de lesões às vésperas de grandes competições. Sofreu uma trombose na mão direita que a tirou do Mundial de 2002 e depois rompeu duas vezes o ligamento cruzado do joelho esquerdo, ficando fora do Pan de Santo Domingo (2003) e da Olimpíada de Atenas (2004). "Mas, dessa vez, vai dar tudo certo", aposta o treinador.

Essa tal de sorte

Não sou chinesa, mas tenho lá minhas superstições. Já gostava do número 8 e quando descobri que na cultura deles é sinônimo de sorte... Bom, não custa nada deixar uns nos primeiros posts, né? Também dou ouvidos a algumas crendices populares. Eu e Diego Hypolito. Em seu primeiro treino no solo, após um mês se recuperando da artroscopia e da dengue, ele abriu um sorriso e tratou logo de falar:"Agora chega de problemas!".
A fase andou meio esquisita mesmo. Uma semana depois de ter deixado o hospital com o joelho direito operado, teve de voltar ao Copa D'Or por causa de um "mosquitinho". Positivo que ele só, Diego prefere não acreditar em má sorte (não falo a outra palavra). Como gosta de dizer, é o bom pensamento que tudo move. "Um atleta não tão talentoso com cabeça boa vai sempre se dar melhor do que o talentoso com cabeça ruim".
Mas um pouco de sorte também costuma ser uma componente importante para qualquer campeão. No intervalo da sessão, Diego se aproximou para contar sobre um episódio inusitado. "Estava no calçadão da praia, todo metido com meus óculos escuros e não é que um pombo mirou bem em mim? Caiu tudo na minha cabeça, aqui no meu rosto, ó. Acabou com o visual. Ainda bem que eu tinha uma toalha na bolsa", divertia-se. E riu mais ainda ao ouvir do grupo de repórteres que aquilo costuma trazer sorte. "Sério?!". Desse jeito, acho que o próximo endereço da medalha de ouro olímpica vai ser mesmo ali no Aterro do Flamengo.
Ainda agorinha, lá em Pequim, quando o relógio marcou 8 horas da noite, 8 minutos e 8 segundos, foram cravados 100 dias para a cerimônia de abertura. O bicampeão mundial do solo deixou aqui a sua mensagem alusiva à contagem regressiva.

Huãnyíng

Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008. Robert Scheidt, bicampeão olímpico da classe laser, carimbava o passaporte para sua quarta Olimpíada. Agora não mais como velejador solitário, mas dividindo conquistas com Bruno Prada, um calouro nos Jogos. É assim na star. Será assim também por aqui. Naquela mesma quinta-feira, no penúltimo dia da 'seletiva da imprensa', duas repórteres asseguraram suas vagas em Pequim. Até agosto, o Espaço Olímpico e o Saca Essa sairão do ar para dar lugar ao blog especial, que será abastecido em dupla.
E se Scheidt treina para aumentar sua coleção de ouros, dessa vez numa nova classe, nós também estamos nos preparando. Deixar você muito bem informado sobre o maior evento esportivo do mundo e suas estrelas - antes, durante e um pouquinho depois dos Jogos - será a nossa medalha. A 100 dias da cerimônia de abertura, Pequim é aqui! E o seu lugar também!
Huãnyíng. Bem-vindo!

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