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Quinta-feira, 21 Agosto, 2008

Baratinho, baratinho

Os jornais daqui dizem que Deborah, a mãe de Michael Phelps, já foi. A mulher do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, também. Daiane dos Santos e a turma da ginástica estiveram lá hoje. A equipe de natação fez a festa e cada atleta voltou com pelo menos 8kg a mais de bagagem do peso permitido. As cuecas, aquelas que tem CK, são itens procuradíssimos pelos atletas brasileiros. Os rapazes do atletismo estão até levando algumas para revender. O Silk Market, paraíso das compras em Pequim, gera desespero. É o que dizem. Mamãe Phelps tem dinheiro suficiente para comprar o que quiser, mas me diz: quem é que não gosta de uma pechincha? Ainda não tive um tempinho de passar por lá, mas tenho medo de mim...

Os favoritos

Dia desses, de manhã cedinho, pouco antes de Ronadinho chegar por aqui, fui até a esquina da rua do hotel onde estou hospedada para tentar comprar um chip de celular com uma colega. Nos disseram que na banca de jornal vendia. E olha só quem encontrei na prateleira. Quando disse que era brasileira, os donos abriram longo sorriso e me deixaram tirar a foto do moço. Ele é amado por essas bandas, assim como Ronaldo e Kaká. Chinês acha que o Brasil fica na Europa, mas tem a certeza de que sabe tudo da nossa cultura quando fala esses três nomes.


Porta-retrato

Ser famoso não é fácil, não. Nem mesmo na zona mista - onde atletas passam depois das provas para atender a imprensa - Michael Phelps escapou do assédio. Um jornalista estrangeiro não titubeou ao vê-lo tão perto e, numa breve desatenção do nadador, o abraçou na marra para uma foto rapidinha. A russa Yelena Isinbayeva também não consegue fugir. O queixo dos colegas caem sempre que a simpática recordista mundial passa. Muitos queriam um clique pertinho dela, mas só um, lá da capital federal conseguiu. Nem apagou a foto da máquina. É seu troféu olímpico.

Tartaruga

Não sei como os carros daqui não têm a lataria amassada. Chinês dirige carro como bicicleta. Já perdi a conta de quantos finos os ônibus que entro tiram dos outros. Já deixei também de tentar entender por que os motoristas, pelo menos o que eu pego, andam tão devagar. Sabe o que é você ter pressa e ver o ponteiro marcar 30km/h, 40km/h? Pior mesmo é ver a rua vazia, sem uma alma viva em plena madrugada, e nós paradinhos no sinal... Eu sou carioca, vai.

Amigos, amigos...

Meu voluntário-amigo Leng está com o coração dividido hoje. Vai ficar feliz se a China avançar à final, mas triste se Jaqueline perder a chance de disputar o ouro. O autógrafo que consegui para ele está guardado em bom lugar. E por conta disso, recebo agradecimentos diários e postais de presente. Ao contrário de Leng, os jornalistas sentados ao nosso lado na tribuna de imprensa não querem saber de outro resultado que não seja a derrota do Brasil. Depois de tirar fotos nossas trabalhando, um deles pergunta de que país somos. Quando escutou a resposta deu um sorriso e falou: "Somos oponentes a partir de agora". Esse é o clima. Tem até contagem regressiva no placar...

Love me tender

Terminal de ônibus do MPC (centro de imprensa), 3h da manhã. Quando você pensa que vai poder sentar, fechar os olhos e relaxar um pouco depois de um dia de muitos deslocamentos, o motorista faz o favor de sintonizar numa rádio que tocava, no último volume, músicas de Elvis Presley. Ele lá fora e nós numa espera longa ouvindo uma série de clássicos dor de cotovelo do Rei do Rock. O desespero de uma colega foi tanto que o grito 'Elvis não morreu' repetido várias vezes saiu como desabafo. Nosso motorista, apaixonado, pelo cantor parece ter entendido o recado. Voltou ao ônibus correndo e desligou o rádio. Pudemos dormir.


Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

O mundo é uma bola

Em apenas um dia em Pequim, já deu para sentir qual é o melhor assunto para se comunicar com os estrangeiros: o futebol brasileiro. Ontem à noite, um sul-africano puxou o papo, até que lembrou: "O técnico da África do Sul é um brasileiro, Santana...", disse, tentando pronunciar Joel Santana. Hoje, foi a vez de um jornalista de Barcelona se interessar pelo time de Dunga. Ao saber que eu estava acompanhando a seleção brasileira, ele quis saber como estava Ronaldinho na competição. E não deixou de dar sua opinião. "Ele já foi muito bom quando jogava no Barcelona, mas agora só quer saber de samba e festas", disse, revelando um desejo: "Será que eu consigo um autógrafo dele?".

Entre uma garfada e outra, muitas fotos e autógrafos

Chegamos a Pequim ontem, eu e nossos craques da seleção brasileira de futebol. Mas só o vôo foi tranqüilo. Na despedida de Shenyang, aquele assédio de sempre no aeroporto, com funcionários atrás de um foto ao lado dos jogadores. Mas foi na chegada à Vila Olímpica que o time viu o que é mesmo tumulto. O mais requisitado, é claro, é Ronaldinho Gaúcho, que nem tem conseguido comer direito, tamanho o número de atletas que se aglomeram em volta dele. "Não sei como vou fazer, mas já garanti no Brasil que volto com um autógrafo e uma foto dele", brincou o maratonista Franck Caldeira. Hoje (já são duas horas da tarde em Pequim), quem ajudou a organizar a 'fila' de fotos e autógrafos no refeitório foi o massagista Deni, destinando 10 minutos para atender à tietagem e outros 10 para comer. E assim por diante.



Sexta-feira , 15 Agosto, 2008

Tranqüilão

O sono vai ser tranqüilo, sem turbulências. É o que garante Ronaldinho Gaúcho na véspera da partida contra Camarões que vai decidir uma vaga nas semifinais dos Jogos de Pequim, amanhã, às 7h (de Brasília). "Eu durmo bem, estou tranqüilão", afirmou o craque, hoje, depois do treino no Estádio Tiexi, em Shenyang. "Amanhã, espero viver um dia calmo, quero escutar um bom samba e ver no meu colega de quarto o olhar de confiança em busca de um bom resultado", completou o camisa 10, referindo-se ao volante Lucas. Que Ronaldinho tenha bons sonhos com a medalha de ouro...
Foto: EFE

Casal pé-quente

Eles chegaram aqui ainda na primeira fase do torneio, assistiram ao jogo contra a Nova Zelândia no Dia dos Pais, partiram para Qinhuangdao e estão de volta a Shenyang. Dona Cecília e seu Djair, pais do meia Diego, são o casal pé-quente dos Jogos de Pequim. Dentro de campo, o filho tem correspondido á torcida, com boas atuações. Tomara que a dupla continue dando sorte para Diego e toda a Seleção, agora na fase do mata-mata.

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